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PROCESSO DE PROJETO SOB A ÓTICA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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Academic year: 2021

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PROCESSO DE PROJETO SOB A ÓTICA DO DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

Monique PAIVA

M.Sc., Arquiteta, Universidade Federal Fluminense - Correio eletrônico: [email protected] Carlos SOARES

D.Sc., Arquiteto, Universidade Federal Fluminense - Correio eletrônico: [email protected]

RESUMO

O trabalho analisa o processo de projeto como uma ferramenta importante para o desenvolvimento sustentável, considerando o processo de projeto e sua funcionalidade, e apontando seus pontos principais. Também apresenta as principais atribuições para a construção sustentável.

Palavras-chaves: processo de projeto, desenvolvimento sustentável, construção de edifícios. 1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento sustentável, em seu sentido mais amplo, visa a promover a harmonia entre os seres humanos e entre a humanidade e a natureza no contexto específico das crises do desenvolvimento e do meio ambiente.

Sendo assim, o estudo concilia a gestão de projetos, fazendo que com a racionalização - um processo composto por um conjunto de ações que tenham como objetivo otimizar o uso dos recursos materiais, humanos, organizacionais, energéticos, temporais e financeiros disponíveis na construção em todas suas fases -, possa, em conjunto com as práticas do desenvolvimento sustentável, criar um conceito diferente, com uma visão mais econômica, sem perder de vista as necessidades atuais quanto à importância da preservação dos nossos meios naturais.

2. PROCESSO DE PROJETO NA ARQUITETURA

O projeto arquitetônico é a representação da construção, da criação, da funcionalidade, da estética, sendo assim, ele não é só criação ou estética; ele tem um importante papel no processo construtivo e existe para materializar uma idéia.

Sendo um conjunto de informações que objetivam a melhor solução para a construção, precisa abordar aspectos que incidam na construção como: os meios legais, o entorno, as pretensões do cliente, a forma de construir, os materiais a serem empregados, as técnicas construtivas, as tecnologias empregadas na obra, a funcionalidade do espaço, o conforto ambiental, as necessidades do usuário, o custo e a estética.

Essa quantidade de parâmetros faz com que a elaboração de um projeto torne-se complexa; o projeto passa por várias etapas até a construção, e cada parâmetro citado incide sobre o resultado final, muitas vezes tornando mais difícil a criação.

Para entender o processo de projeto, é necessário compreender como o arquiteto, com suas características próprias de projetar, chega ao produto final usando a criatividade.

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É importante perceber que a intuição, e também a criatividade são essenciais na resolução de problemas durante o processo de criação. O arquiteto utiliza rascunhos, desenhos ou modelos como uma forma de explorar de forma integrada o problema e a solução.

2.1 Fases do Projeto

As etapas do projeto de arquitetura normalmente são as seguintes: levantamento de dados, programa de necessidades, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto ou projeto pré-executivo, projeto legal, projeto básico de arquitetura (opcional) e projeto de execução e o “As

Built”.

O projeto passa pelo processo de desenvolvimento no qual ele parte de um ponto inicial que pode ser considerado problemático, e evolui para uma proposta de soluções. Conforme as fases do processo de projeto vão se definindo, as incertezas vão diminuindo e o grau de definição da proposta aumenta.

Figura 1. Fases do processo de projeto 2.2 Processo de projeto no desenvolvimento sustentável

Na fase de levantamento de dados procura-se realizar uma pesquisa que mostre como resultado as possíveis intervenções ambientais que o projeto pode ter na área a ser construída. Analisa-se a vizinhança, o terreno, as edificações existentes para que na elaboração do projeto o impacto gerado seja o menor possível; assim como se o tipo de empreendimento implementado está adequado à potencialidade da área, e não herdando e agravando os problemas da região.

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No programa de necessidades verifica-se as necessidades do cliente tendo como base as informações da fase anterior, desenvolvendo o perfil sócio-cultural e econômico do usuário, defini-se os ambientes internos e externos e o padrão de acabamento. Nesta etapa pode-defini-se apredefini-sentar as soluções sustentáveis e seus benefícios para o futuro do meio ambiente, conciliando as necessidades do cliente com a do planeta.

Na etapa de estudo de viabilidade, avalia-se possíveis soluções baseadas nos estudos anteriores, criando alternativas para a concepção do edifício e de seus elementos, instalações e componentes. Verifica-se quais possíveis soluções de projeto de baixo impacto ambiental podem ser aplicadas no edifício de acordo com o resultado da pesquisa, além de elaborar alternativas e soluções arquitetônicas. Identifica-se os problemas ambientais no local e do entorno, para saber até que ponto o empreendimento atinge o meio físico e antrópico, evitando que a ocupação torne-se indevida, descumpridora da legislação ambiental.

No estudo preliminar, apresenta-se as primeiras soluções de projeto através de desenhos, após definição do programa de necessidades. Neste momento estuda-se as diferentes alternativas e os partidos arquitetônicos para melhor concepção do edifício, sendo esta em termos de arquitetura sustentável a mais importante, porque neste momento a sustentabilidade da construção será definida, assim como o grau de impacto que esta construção terá no meio ambiente. Nela temos análise dos problemas de projeto e suas diferentes soluções arquitetônicas e ambientais.

As fases seguintes fazem parte do amadurecimento do projeto arquitetônico, sendo que as fazes mais importantes para um projeto de baixo impacto ambiental são as iniciais; aonde a idéia de solução de projeto é concebida e definida. Nelas defini-se como a construção irá integrar com o meio ambiente criando efeitos positivos, e fazendo com que edificação seja um agente renovador e restaurador, integrado aos ciclos naturais da biosfera.

3. SUSTENTABILIDADE NA ARQUITETURA

Alguns aspectos construtivos são importantes para o desenvolvimento de um projeto de baixo impacto ambiental. É preciso ter em mente que a construção por si só já é um grande impacto. Com as soluções arquitetônicas certas, pode-se fazer com que a construção ao longo dos anos diminua os danos causados por ela no meio ambiente.

Sendo assim, podemos criar diretrizes que nos ajude a direcionar o projeto para uma visão mais sustentável.

A construção de um projeto promove várias intervenções no meio ambiente, se adaptarmos o projeto com soluções que conciliam as necessidades de uso, a produção e o consumo humano, sem esgotar os recursos naturais, preservando-os para as futuras gerações, o conceito de sustentabilidade será alcançado.

A utilização de ecomateriais é uma característica de soluções arquitetônicas sustentáveis. O uso de soluções tecnológicas e inteligentes que provem o bom uso da energia elétrica e economizam a água e são alguns exemplos, de objetivos de projetos que podem reduzir a poluição melhorando a qualidade da edificação e o conforto de seus moradores e usuários.

O sucesso ambiental da obra será alcançado com o emprego de produtos e processos artesanais. A natureza nos oferece muitas possibilidades de se interagir com ela, observando suas formas e sugestões, podemos aplicar o conhecimento das leis naturais na relação entre a forma e a função do projeto, fazendo do projeto um elemento renovador dos recursos naturais.

Ao projetar com sustentabilidade o arquiteto poderá contribuir com o meio ambiente. Ao observar a natureza pode-se obter muita informação para posteriormente aplicar na arquitetura, fazendo com que o belo seja a harmonia entre a estrutura, a forma, a textura e a cor. Estudar a natureza e seus materiais para aplicar no projeto arquitetônico buscando a melhor solução para o projeto e seu propósito, consegue-se a harmonia do homem com a natureza.

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Uma construção sustentável preserva o meio ambiente, e também é menos invasiva aos seus moradores. Não sendo geradora de doenças, uma edificação sustentável deve funcionar como uma segunda ou terceira pele do próprio morador.

3.1 Entorno

Estar em harmonia com o entorno e com o meio ambiente ao seu redor, é importante para que o projeto tenha troca com o meio ambiente. No processo de escolha da área analisa-se os impactos gerados pela construção e desenvolve-se soluções que tenham o menor impacto possível no entorno. O aproveitamento dos recursos naturais dos locais em que se vai construir será um ponto importante para o projeto sustentável, isso fará com que o impacto gerado na infra-estrutura do local seja menor.

A escolha do terreno para uma edificação de baixo impacto é relevante. Adequar o projeto de arquitetura a morfologia do terreno. Procurar alterar o mínimo possível o terreno é importante para fazer com que a construção se torne mais sustentável.

Com escolha de tecnologias sustentáveis de baixo custo e desperdício energético, aproveita-se a infra-estrutura disponível sem criar novos impactos. Métodos construtivos adequados permitem boa integração com o elemento vegetal, nas quais haja pouca dependência das habitações vizinhas e dos fornecimentos de água, luz e esgoto fornecidos pelo Poder Público, inserindo a edificação nos princípios da Autoconstrução.

3.2 Materiais construtivos

O profissional também deve escolher o sistema construtivo visando à minimização das perdas, à flexibilidade de usos durante a vida útil da edificação, e à facilidade de reutilização e/ou reciclagem no final do seu ciclo de vida. Ao projetar, o arquiteto deve ter em mente que o material é importante na preservação.

Tendo como base o reaproveitamento a construção torna-se sustentável, com a prevenção e a redução dos resíduos pelo desenvolvimento de tecnologias limpas, o uso de materiais recicláveis ou reutilizáveis, o uso de resíduos de materiais secundários e na coleta e deposição inerte.

Usar recursos naturais passivos integrando-os com design para promover o conforto na habitação e integrá-la ao meio ambiente. Utilizar materiais que não comprometam o meio ambiente e a saúde de seus ocupantes, e que contribuam para tornar o cotidiano da habitação menos agressivo e conseqüentemente preservando e melhorando o meio ambiente.

Os materiais aplicados na construção sustentável deveriam, em princípio, obedecer a critérios de preservação, recuperação e responsabilidade ambiental. Isso significa que, ao se iniciar uma construção, é importante considerar os tipos de materiais que estão de acordo com o local, e que podem contribuir para conservar e melhorar o meio ambiente onde será inserida.

Edificações construídas com materiais de reuso incorporam produtos convencionais e prolongam sua vida útil. Será preciso realizar uma pesquisa de locais para compra de materiais; esses produtos precisam ser recicláveis e reutilizáveis.

O uso de materiais naturais disponíveis no local da obra ou adjacências (terra, madeira, bambu, etc.), também deve ser uma escolha de projeto. Este tipo de atitude evita o impacto gerado pela construção em pontos diferenciados e evita que a matéria prima local seja aplicada em outros locais alterando a fauna e a flora.

3.3 Edificação

A edificação deverá estar em conformidade com a sustentabilidade, algumas soluções e medidas transformam a edificação em um edifício de baixo impacto ambiental.

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Se durante a elaboração do projeto o arquiteto deve conciliar sua arquitetura com soluções que gerem o menor impacto possível, o edifício pode deixar de ser um agente poluidor e passar a ser um agente contribuidor da natureza.

O tratamento do esgoto através de filtragem de material sólido, eliminando as impurezas e microorganismos, para reaproveitar a água e até mesmo devolve-la mais pura para a natureza; são diretrizes de projeto que amenizam o impacto de nossas necessidades no ambiente.

A captação de água da chuva para o reaproveitamento é uma medida muito importante para evitar o desperdício de água. Projetar sistemas que ajudem na reutilização da água, irá contribuir para a transformação do edifício em um edifício de baixo impacto ambiental. Atualmente uma das maiores preocupações mundiais é escassez de água potável na natureza; sendo assim, o edifício estará preparado para o futuro incerto da natureza.

O arquiteto deve fazer uma escolha criteriosa dos materiais e das tecnologias a serem utilizados na obra, pensando em minimizar o desperdício. Projetar um sistema que promova alterações conscientes e sustentáveis em seu entorno, de forma a preservar o meio ambiente e a qualidade de vida para usuários e as gerações futuras.

Uma edificação de baixo impacto ambiental necessita de um projeto que aproveite passivamente os recursos naturais. O projeto deve aproveitar a iluminação natural, utilizar o conforto térmico e acústico; a eficiência energética mediante o aproveitamento de fontes de energia renováveis como a eólica e a solar; a economia de água com o uso de tecnologias que permitam a recirculação da água utilizada na habitação e aproveitamento de parte da água da chuva para fins não potáveis. Trabalhar para que um imóvel seja sustentável, deverá ser uma preocupação do arquiteto, tendo em vista a importância que esse projeto terá para a saúde do indivíduo e do planeta. A construção sustentável é importante não apenas porque não esgota os recursos empregados na edificação e uso, mas porque também sustenta aqueles que a habitam.

Esse tipo de arquitetura necessita de grande dose de criatividade, pesquisa, vontade pessoal do proprietário e do responsável pela obra; além de lançar mão de soluções ecológicas para cada caso, necessitando de uma avaliação de acordo com todos os elementos envolvidos, o entorno, o terreno e a vontade do morador.

4. CONCLUSÃO

A construção sustentável é um dos caminhos que possibilitam atender as necessidades atuais de habitação e de infra-estrutura, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. É uma forma de o setor de construção avançar rumo ao desenvolvimento sustentável, considerando-se os aspectos ambientais, socioeconômicos e culturais. Mais especificamente, envolve assuntos como o design e a administração de edifícios, materiais e consumo de energia e recursos, todos num âmbito mais vasto de desenvolvimento e gerenciamento urbano.

Neste contexto, o processo de projeto é uma importante ferramenta para o desenvolvimento sustentável.

O processo de projeto atua diretamente nesse conceito, porque é na fase inicial em que se deve se preocupar com todo o processo de produção do edifício. Nesse momento, escolhem-se materiais e sistemas que não contaminem o meio ambiente ou que até contribuam para a sua renovação. Tal linha de pensamento faz parte de um novo conceito de arquitetura mais sustentável.

Os estudos sobre projetos sustentáveis mostram, que é possível construir com menor impacto ambiental e maiores ganhos sociais sem aumento dos custos.

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A sustentabilidade possui três vetores: ambiental, social e econômico, os quais devem ser balanceados, e somente soluções viáveis economicamente, socialmente justas e de baixo impacto ambiental podem ser consideradas. Assim, é perfeitamente possível fazer construção sustentável sem aumentar o custo, reduzindo o impacto ambiental de forma significativa e melhorando o desempenho social.

É possível adotar soluções tecnológicas avançadas para reduzir ainda mais os impactos ambientais, e estas soluções podem aumentar o custo da construção. Mas estudos buscam benefícios econômicos durante a fase de uso que compensam os investimentos na construção. Inicialmente pode parecer mais oneroso construir uma edificação sustentável, mais com o passar dos anos o usuário vai perceber que o consumo será reduzido durante a estadia num projeto sustentável, a economia gerada por esse tipo de construção é um grande beneficio para o usuário, além de quase não necessitar de manutenção.

Sendo assim, para garantir uma vida satisfatória para a humanidade, será preciso examinar atentamente o modo como a atual sociedade vive, identificando atividades insensatas e tomando atitudes para mudá-las. Mudar a forma de vida no planeta e a maneira com que algumas atividades são realizadas nele, e isso incluem a construção e o crescimento urbano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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