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OBSERVATÓRIO DO TRABALHO DA BAHIA

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Academic year: 2021

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OBSERVATÓRIO

DO

TRABALHO

DA

BAHIA

BOLETIM TEMÁTICO

Desempenho recente dos setores de Comércio e Serviços na Bahia

e as medidas de isolamento social da pandemia da Covid-19

Integra o Produto 2.1 do Plano de Trabalho

Contrato Nº 010/2020 – SETRE / DIEESE

MAIO DE 2020

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EXPEDIENTE DA SECRETARIA DO TRABALHO, EMPREGO, RENDA E ESPORTE DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA

RUI COSTA Governador JOÃO LEÃO Vice-Governador

DAVIDSON DE MAGALHÃES SANTOS Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

JUREMAR DE OLIVEIRA Chefe de Gabinete MARCELO BRITO DA SILVA

Superintendente de Desenvolvimento do Trabalho MILTON BARBOSA DE ALMEIDA FILHO

Superintendente de Economia Solidária GILSON DAS MERCÊS LIMA

Diretor-Geral

FREDERICO FERNANDES

Coordenador do Observatório do Trabalho da Bahia

SETRE – Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte Endereço: 2ª Avenida, nº 200, Plataforma III - 3º andar, Sala 306 – CAB

Salvador - Bahia – Brasil - CEP: 41.745-003 http://www.setre.ba.gov.br

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EXPEDIENTE DO DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS – DIEESE

Direção Técnica

Fausto Augusto Jr – Diretor Técnico

Patrícia Toledo Pelatieri – Diretora Técnica Adjunta José Silvestre Prado de Oliveira – Diretor Técnico Adjunta

Coordenação Geral do Projeto

Patrícia Toledo Pelatieri – Diretora Técnica Adjunta

Ana Georgina Dias – Supervisora do Escritório Regional do DIEESE na Bahia Flávia Santana Rodrigues – Técnica Responsável pelo Projeto

Técnica Responsável pelo Estudo Flávia Santana Rodrigues

DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos Rua Aurora, 957 – Centro – São Paulo – SP – CEP 01209-001

Fone: (11) 3821 2199 – Fax: (11) 3821 2179 – E-mail: [email protected]

Site: http://www.dieese.org.br

Observatório do Trabalho da Bahia

Rua do Cabral, nº 15, Sindicato dos Metalúrgicos – Nazaré Salvador - Bahia – Brasil - CEP: 40.055-010

Fone: (71) 3242 7880 – E-mail: [email protected] Site: http://www.portaldotrabalho.ba.gov.br

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ... 5

1. DESEMPENHO ATUAL DOS SETORES DE COMÉRCIO E DE SERVIÇOS NA BAHIA ... 7

2. DESEMPENHO RECENTE DO MERCADO DE TRABALHO NA BAHIA ... 18

3. DESEMPENHO DOS SETORES DE COMÉRCIO E SERVIÇOS NO MERCADO DE TRABALHO NA BAHIA ... 22

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 27

ANEXO ... 33

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APRESENTAÇÃO

O presente boletim tem o objetivo de analisar um conjunto de indicadores dos setores de comércio e serviços na Bahia, para identificar o comportamento e a dinâmica setorial dos mesmos no período recente, o mais próximo possível do período atual, marcado pelas crises sanitária e socioeconômica, causadas pela pandemia da Covid-19.

Esses dois setores, em particular, serão examinados, devido à maior participação que possuem no Valor Adicionado Bruto (VAB) da atividade econômica da Bahia e por serem os setores mais intensivos em mão de obra do mercado de trabalho do estado. Além disso, são setores que têm diversos segmentos afetados pelas medidas de distanciamento social para o retardamento do contágio pela Covid-19, seja pelo seu caráter essencial e necessidade de funcionamento em meio à pandemia ou pela natureza não essencial, implicando no fechamento dos estabelecimentos.

Os impactos das medidas de distanciamento social são inúmeros sobre os empregadores e trabalhadores, envolvendo aspectos específicos para os empregadores, acerca da dificuldade de manutenção do negócio, com a queda das vendas e faturamento, limitação da logística e fechamento parcial ou até total dos estabelecimentos e, consequências diretas para os trabalhadores, que vão desde riscos à sua saúde e segurança, redução de jornadas e salário, suspensão de contratos, diminuição de contratações e até desemprego.

Embora não seja possível mensurar impactos no momento em que esse boletim está sendo desenvolvido, porque a pandemia e todas as medidas de contenção da propagação da Covid-19 estão em curso, essa análise será de suma importância por refletir a dinâmica setorial que havia no período pré crise, servindo de cotejamento a novas consultas às estatísticas desses setores ao longo dos próximos meses e anos.

Esse produto representa o segundo boletim setorial de uma série de seis boletins, executados no âmbito do atual contrato Nº 010/2020, referente ao projeto do Observatório do Trabalho da Bahia, resultado da parceria firmada entre a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (SETRE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Este boletim está dividido em três seções, além desta apresentação, considerações finais, anexo e referências bibliográficas. Para tanto, na primeira seção deste boletim, foram analisados indicadores de desempenho dos setores de comércio e serviços, analisados

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para o conjunto do estado da Bahia. Os dados relativos a estes setores foram obtidos a partir de pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quais sejam: Contas nacionais e regionais, do IBGE e parceria com a Superintendência de Estudos Socioeconômicos e Sociais (SEI), Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O período de análise variou de acordo com a periodicidade da fonte estatística selecionada e privilegiou a segunda década dos anos 2000 e o primeiro trimestre de 2020.

Na segunda seção, foi feita a análise conjuntural de uma série de indicadores de mercado de trabalho, para compreender a conformação atual da estrutura ocupacional no estado. A fonte estatística foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) trimestral, do IBGE, com dados do primeiro trimestre de 2020.

Por fim na terceira seção, investigou-se o desempenho recente dos setores de comércio e serviços no mercado de trabalho da Bahia. As fontes da informação foram a PnadC anual com dados de 2016 a 2018, sendo esse último o período mais recente disponível e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), para o período de 2010 a 2019, com os ajustes da declaração fora do prazo.

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1. DESEMPENHO ATUAL DOS SETORES DE COMÉRCIO E DE SERVIÇOS NA BAHIA

As economias brasileira e baiana registraram na segunda década dos anos 2000 um desempenho declinante do seu nível de atividade econômica, estagnando em um nível de crescimento reduzido nos últimos três anos (Gráfico 1).

Inicialmente, havia um cenário de crescimento econômico vigoroso tanto no Brasil (7,5%), quanto para a Bahia (6,1%), porém nos anos seguintes a atividade econômica perdeu o ritmo de crescimento de forma vigorosa e as taxas declinaram positivamente até o ano de 2014. Contrariamente, em 2015 e 2016, as taxas passaram a ser negativas, sendo que a retração do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu seu ápice em 2016. No Brasil, enquanto a variação do PIB foi de -3,5%, na Bahia foi de -3,2% em 2015.

Em 2016, houve um leve recuo da taxa negativa no Brasil (-3,3%), mas na Bahia, o quadro recessivo da economia aprofundou-se, atingindo -6,2%. Nos anos seguintes, o PIB ficou estagnado em um nível de crescimento econômico baixo e insuficiente para assegurar a recuperação das sucessivas e significativas perdas ocorridas na maior parte do período, sobretudo, nos anos de recessão, tanto no Brasil, quanto na Bahia. Ressalte-se que em 2019, as taxas de crescimento do PIB no Brasil e Bahia foram menores do que as do ano anterior, deixando as possibilidades de retomada do crescimento econômico abaixo das expectativas.

Os impactos negativos da Covid-19 sobre a economia envolvem tanto a oferta, com o fechamento de diversos estabelecimentos e suspensão da produção, como a demanda, com a diminuição da circulação das pessoas, desemprego, redução e suspensão de jornada e queda da renda dos trabalhadores e suas famílias.

Antes da pandemia da Covid-19 se materializar no Brasil, setores como o agronegócio e a indústria já tinham seu desempenho comprometido, devido à redução de demanda internacional e por causa da diminuição da importação de insumos industriais. As medidas sanitárias de controle e retardamento do contágio da Covid-19 no país começaram na segunda quinzena de março de 2020, afetando diretamente os setores de

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comércio e serviços. Com efeito, estes setores têm forte participação na economia1 e no mercado de trabalho da Bahia, sobretudo, em sua capital. Desse modo, o impacto no PIB do primeiro trimestre de 2020 pode não ser tão grande, mas de abril em diante o quadro recessivo tende a se aprofundar com sérios desdobramentos para a vida da população. As estimativas do PIB estão sendo revistas para baixo desde antes da chegada do novo coronavírus e são de difícil previsibilidade, porque a crise ainda está em curso, conforme o contágio da Covid-19 cresce e perdura.

Como se verá na sequência, os setores de comércio e serviços também apresentaram retração em seu nível de atividade a partir de 2015, encerrando uma trajetória de crescimento.

GRAFICO 1

Evolução da taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) Brasil e Bahia, 2010 a 2019

Fonte: IBGE, SEI. Elaboração: DIEESE

Em 20 de março de 2020, a Presidência da República instituiu o Decreto Nº 10.282, para regulamentar o funcionamento dos serviços públicos e definir quais as atividades essenciais que deverão ter seu exercício e funcionamento resguardados durante a pandemia da Covid-19. São definidos como serviços públicos e atividades essenciais “aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade,

1 O setor de Serviços possui uma participação no Valor Agregado Bruto (VAB) do PIB da Bahia em torno

de 71%. O Comércio (desagregado em vendas no varejo, no atacado e comércio de peças e automóvel) e a Administração públicas são as suas principais atividades.

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assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população” (Brasil, 2020b).

Para o setor do comércio varejista, as atividades consideradas essenciais são: produção, distribuição, comercialização e entrega, realizadas presencialmente ou por meio do comércio eletrônico, de produtos de saúde, higiene, limpeza, alimentos, bebidas e materiais de construção. Além disso, permite a comercialização de combustíveis e lubrificantes, uma vez que classifica como essencial a produção de petróleo e produção, distribuição e comercialização de combustíveis, biocombustíveis, gás liquefeito de petróleo e demais derivados de petróleo.

De acordo com os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, a partir das informações das empresas comerciais que possuem 20 ou mais pessoas ocupadas, é possível acompanhar a evolução do volume de vendas e da receita bruta formada, predominantemente, na atividade comercial varejista da Bahia.

Em toda a série mensal dos últimos 10 anos, o volume de vendas do segmento varejista do setor de comércio apresenta um comportamento sazonal semelhante: inicia com o nível de vendas menor no mês de janeiro, vai retomando o crescimento com pequenas oscilações no decorrer dos próximos meses até atingir o nível máximo de vendas em dezembro, devido à maior demanda com as festas de fim de ano (Gráfico 2).

A despeito do setor de comércio refletir os movimentos macro conjunturais da economia, o seu nível de vendas no varejo é afetado também por outros fatores da política econômica, como renda, emprego e juros, além do crédito direto para a pessoa física, cuja combinação pode ter interferido no aumento gradativo do nível de vendas no ano de 2010, até alcançar o seu resultado mais elevado em dezembro de 2014. Possivelmente, essa dinâmica ascendente das vendas no comércio varejista ainda refletia o efeito positivo do nível geral de atividade econômica mais expressivo do início da segunda década dos anos 2000. Entre 2015 e 2016, as vendas decresceram para um patamar mais baixo, acompanhando a recessão econômica revelada pela forte retração do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e no estado. A partir de 2016 até janeiro de 2020, com um ambiente macroeconômico desfavorável, com elevado nível de desemprego, forte precarização da mão de obra e queda da renda média real dos trabalhadores, a variação do nível de vendas do comércio varejista estabiliza-se em um patamar menor.

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GRÁFICO 2

Evolução do volume mensal de vendas no comércio varejista Bahia, janeiro de 2010 a janeiro de 2020

Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). Elaboração: DIEESE, Observatório do Trabalho da Bahia.

Os dados acumulados nos anos mais recentes da PMC indicam aumento nas vendas do Comércio varejista ampliado2 de 2,1% na Bahia em 2019, em relação ao ano anterior, revertendo o resultado negativo de 0,1% em 2018, quando comparado à 2017. Essa recuperação foi provocada, principalmente, pelo crescimento do segmento de Móveis e eletrodomésticos (8,7%), Hipermercados e supermercados (6,0%) e Tecidos, vestuários e calçados (4,6%). Os segmentos com as retrações de vendas mais significativas foram Livros, jornais, revistas e papelaria (-45,4%) e Equipamentos, materiais para escritório, informação e comunicação (-15,9%). Cabe salientar que o segmento de Livros, jornais, revistas e papelaria já tinha registrado queda nas vendas de 15,2% em 2018 (Gráfico 3).

2 Segundo a PMC, o varejo ampliado inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material

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GRÁFICO 3

Variação do volume vendas do Comércio varejista ampliado, por atividades Bahia, 2018 e 2019

Fonte: IBGE, PMC Elaboração: DIEESE

Notas: Comparado com o mesmo período do ano anterior. (*) Contém produtos alimentícios, bebidas e fumo. Com a divulgação dos dados da PMC do primeiro trimestre de 2020, é possível perceber o efeito do início das medidas de isolamento social de combate à pandemia da Covid-19 ocorridas na Bahia na segunda quinzena de março.

Em 16 de março de 2020, o Governo do Estado da Bahia lançou o Decreto nº 19.5293, regulamentando uma série de medidas emergenciais para enfretamento, prevenção, controle e contenção dos riscos, danos e agravos à saúde pública, no intuito de evitar o colapso de sistema de saúde, por causa da crise sanitária mundial provocada pelo contágio com o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Na sequência dele, diversos outros decretos ampliaram medidas de confinamento social4.

No primeiro trimestre de 2020, houve variação negativa de 4,6% no volume de vendas no setor de Comércio varejista ampliado na Bahia. Com isso, o impacto negativo em sua receita nominal foi -1,9%. Em igual período, a retração no volume de vendas do setor foi generalizada em 10 dos seus 12 segmentos, sobressaindo-se Livros, jornais, revistas e papelarias (-21,3%), Veículos, motocicletas, partes e peças (-12,2%) e Tecidos, vestuário e calçados (-12,1%). Combustíveis e lubrificantes (3,2%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,5%) foram os únicos segmentos com variação positiva das vendas (Gráfico 4 e Anexo 1).

3 Esse decreto regulamentou a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que dispôs sobre procedimentos

para aquisição de bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus.

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No entanto, é possível evidenciar ainda mais o começo dos efeitos do isolamento social com o fechamento de estabelecimentos dos segmentos não essenciais do Comércio, quando se analisa a variação mensal de março de 2020, frente ao mesmo mês do ano anterior. Com recuo nas vendas de 12,8% em relação a março de 2019, a receita nominal diminuiu 9,5%. As principais contribuições negativas nas vendas do setor foram registradas pelos segmentos de Livros, jornais, revistas e papelaria (-40,9%), Tecidos, vestuário e calçados (-40,8%) e Veículos, motocicletas, partes e peças (-31,4%). Já Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,3%) e Hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,5%) foram segmentos que cresceram e atenuaram as perdas no varejo, por serem considerados serviços essenciais, resguardaram seu funcionamento em meio à pandemia e concentraram os gastos da família no período selecionado.

Cabe ressaltar que o segmento de Combustíveis e lubrificantes, embora não tenha deixado de funcionar por causa da pandemia da Covid-19, com a redução no número de pessoas circulando nas ruas, devido às medidas de confinamento social, e pela possibilidade de uma parcela delas realizar o trabalho em home office, registrou queda no volume de vendas de combustíveis na segunda quinzena de março, fazendo com que a variação em relação ao mesmo mês de 2019 fosse de -5,8%.

Outro indicativo de como as medidas de isolamento social estão afetando de forma negativa o setor de Comércio varejista pode ser obtido pelo exame da variação de vendas do mês de março, em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal. Especialmente, devido ao fechamento das lojas físicas de diversos segmentos não essenciais ocorrido a partir da segunda quinzena de março, a variação negativa no volume de venda global do varejo foi expressiva em relação a fevereiro de 2020 (-7,6%) e no varejo ampliado foi maior ainda (-18,9%).

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GRÁFICO 4

Variação do volume vendas do Comércio, por atividades Bahia, março e primeiro trimestre de 2020

Fonte: IBGE, PMC Elaboração: DIEESE

Notas: Comparado com o mesmo período do ano anterior. (*) Contém produtos alimentícios, bebidas e fumo

Segundo o Decreto nº 10.282, foram definidas diversas atividades essenciais pertencentes ao setor de Serviços. Destacam-se aqui atividades essenciais que estão relacionadas aos segmentos do setor, contidas na PMS, a saber: Serviços relacionados à tecnologia da informação e de processamento de dados (data center), para suporte de outras atividades previstas neste Decreto; Assistência à saúde, incluídos os serviços médicos e hospitalares; Assistência social e atendimento à população em estado de vulnerabilidade; Atividades de segurança pública e privada, incluídas a vigilância, a guarda e a custódia de presos; Telecomunicações e internet; Serviço de call center; Serviços funerários; Controle de tráfego aéreo, aquático ou terrestre; Serviços de pagamento, de crédito e de saque e aporte prestados pelas instituições supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (redação dada pelo Decreto nº 10.292, de 2020); Serviços postais; Serviços de transporte, armazenamento, entrega e logística de cargas em geral (redação dada pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Produção e distribuição de numerário à população e manutenção da infraestrutura tecnológica do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (redação dada pelo Decreto nº 10.292, de 2020); Atividades médico-periciais relacionadas com a seguridade social, compreendidas no art. 194 da Constituição; Serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação,

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repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e assistência técnica automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos de carga e de pessoas em rodovias e estradas (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Atividades de processamento do benefício do seguro-desemprego e de outros benefícios relacionados, por meio de atendimento presencial ou eletrônico, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde e dos órgãos responsáveis pela segurança e pela saúde do trabalho (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Atividade de locação de veículos (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação, repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e assistência técnica automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos de carga e de pessoas em rodovias e estradas (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020); Atividades de processamento do benefício do seguro-desemprego e de outros benefícios relacionados, por meio de atendimento presencial ou eletrônico, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde e dos órgãos responsáveis pela segurança e pela saúde do trabalho (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020) e Atividade de locação de veículos (incluído pelo Decreto nº 10.329, de 2020).

Vale salientar que, a despeito do contágio pela Covid-19 estar em franco crescimento no Brasil, acompanhada pela elevação do número de pessoas mortas pela doença, o Governo Federal tem ampliado paulatinamente essa lista de atividades consideradas essenciais, estimulando um movimento de retorno completo da atividade econômica no país, com o lançamento de novos decretos (nº 10.292, em 25 de março, nº 10.329, em 28 de abril e nº 10.344, em 11 de maio de 2020).

Após registrar variação de -3,3% no total de serviços prestados em 2018, o setor segue em retração no estado da Bahia em 2019, com -2,2%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo IBGE. Quase todas as atividades apresentaram retração, destacando-se os resultados de Serviços de informação e comunicação e Outros serviços, que registraram as maiores variações negativas em 2019: -4,7% e -4,4%, respectivamente. O único crescimento, no ano, foi da atividade de Serviços profissionais, administrativos e complementares, com variação de 1,1% (Gráfico 5).

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É importante perceber que o volume de serviços na Bahia já se encontrava negativo no período imediatamente anterior à crise provocada pelas medidas de combate e desaceleração do contágio pela Covid-19.

GRÁFICO 5

Variação do volume de Serviços por atividades Bahia, 2018 e 2019

Fonte: IBGE, PMS Elaboração: DIEESE

Notas: Comparado com o mesmo período do ano anterior. (*) Outros serviços inclui os seguintes serviços: Atividades imobiliárias (intermediação, gestão e administração de imóveis próprios e de terceiros); Serviços de manutenção e reparação; Serviços auxiliares financeiros; Serviços auxiliares da agricultura; Serviços de esgoto; Serviços de coleta, tratamento e disposição de resíduos e recuperação de materiais e Serviços de previdência complementar e saúde.

Como base nos dados mais recentes da PMS do primeiro trimestre de 2020, verifica-se que houve queda de 6,8% no volume de serviços prestados na Bahia, na comparação com igual período do ano anterior. Essa retração implicou a queda de 3,9% na receita nominal e foi sentida em todos os segmentos, destacando-se Outros serviços (-17,4%). A redução do volume de serviços prestados no Brasil foi registrada por 16 das 27 unidades da federação e os principais impactos negativos ocorreram na Bahia (-6,8%), no Rio Grande do Sul (-4,6%) e em Minas Gerais (-1,7%) (Gráfico 6 e Anexo 1).Assim como foi demonstrado no Comércio, com os dados do mês de março, parece já ser possível captar o início dos efeitos das medidas temporárias de combate à Covid-19 na redução do volume de serviços prestados no estado.

Na comparação com igual março de 2019, nota-se que o recuo dos serviços prestados na Bahia (-12,0%) foi mais elevado do que no Brasil (-2,7%). No comparativo com as demais unidades da federação, sendo que 23 das 27 tiveram queda, a Bahia destacou-se com a

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maior retração no volume de serviços, sendo seguida pelo Rio Grande do Sul (-7,2%) e São Paulo (-1,3%).

A queda da receita nominal em março foi de 10,7%. Vale ressaltar que todos os segmentos do setor de serviços tiveram redução do volume prestado na Bahia em março de 2020, em relação ao mesmo mês do ano anterior. O segmento com a principal influência negativa na média estadual foi Serviços prestados à família (-35,8%). Esse segmento é composto pelo segmento de Serviços de alojamento e alimentação, que tem sido fortemente impactado pelas medidas de isolamento social, que levaram à interrupção parcial ou total do funcionamento de estabelecimentos como restaurantes e hotéis, além da diminuição dos serviços de refeições, bufê e outros serviços de comida preparada. Além disso, o subsetor de Serviços prestados à família compreende Outros serviços prestados às famílias. Em seguida, outra queda relevante do setor ocorreu no segmento de Outros serviços (-15,9%).

Cabe observar que a queda de 9,8% nos Serviços profissionais, administrativos e complementares certamente envolve o fechamento dos serviços de agências de viagens, por conta da crise, com a supressão do turismo de passeio e negócios causadas pela pandemia da Covid-19.

Outro indicativo de como as medidas de isolamento social estão afetando negativamente o volume de serviços prestados na Bahia desde o início das medidas de combate à pandemia da Covid-19 na segunda quinzena do mês de março, pode ser medida através da variação no mês, em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal. A impossibilidade de prestar diversos tipos de serviços, considerados não essenciais, a partir da segunda quinzena de março, fez com que o volume total dos serviços caísse 7,8% e a receita nominal recuasse 8,5%.

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GRÁFICO 6

Variação do volume de Serviços, por atividades Bahia, março e primeiro trimestre de 2020

Fonte: IBGE, PMS Elaboração: DIEESE

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2. DESEMPENHO RECENTE DO MERCADO DE TRABALHO NA BAHIA

O cenário macroeconômico recente já vinha repercutindo de forma desfavorável no mercado de trabalho brasileiro como um todo e, na Bahia, em particular. Desde 2016, a fragilização do sistema de proteção social e trabalhista vem ocorrendo através de diversas reformas de austeridade fiscal e cunho neoliberal aprovadas pelo Parlamento e sancionadas pela Presidência da República, com destaque para as que têm maior impacto desestruturante para a geração de emprego e renda: a EC 95/2016 (instituiu novo regime fiscal e fixa o teto dos gastos sociais por 20 anos); a Lei 13.467/2017 (conhecida como Reforma trabalhista, revogou mais de uma centena de dispositivos e artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituiu novos tipos precários de contratos e flexibilizou a relação trabalhista, reduzindo o poder de atuação dos sindicatos e da justiça do trabalho); a Lei 13.429/2017 (dispõe sobre o trabalho temporário e amplia a terceirização nas empresas de forma irrestrita, atingindo sua atividade fim, salvaguardando apenas algumas atividades típicas do setor público) e, a EC 103/2019 (Reforma da previdência, cria novos parâmetros ampliando o tempo e a contribuição para a aposentadoria, com contribuições maiores e benefícios menores, sem a garantia da correção automática pela inflação).

Desde então, o que se observa no Brasil e, mais especialmente, na Bahia é a perda continuada de empregos formais, e concomitantemente, o crescimento sustentado das taxas de desemprego, refletindo-se em aumentos cada vez mais significativos de desligamentos dos trabalhadores frente ao total de admissões. A informalidade das relações de trabalho e precariedade das condições trabalhistas também são crescentes, se impondo como alternativa para o enorme exército de desocupados, que buscam trabalhar muitas vezes em empresas de aplicativos como a Uber, Ifood, Happy e outras similares como alternativa de sustento após um extenso tempo de procura por trabalho sem sucesso.

Os dados da Pnad contínua, do IBGE, do primeiro trimestre de 2020, ratificam a expressiva precarização do mercado de trabalho da Bahia, fruto do processo de desmonte da rede de proteção trabalhista amparada na CLT e serve de parâmetro para se compreender os desafios do mercado de trabalho baiano no atual momento, ainda livre dos impactos da pandemia da Covid-19.

Segundo o IBGE, não é possível garantir que o aumento da taxa de desocupação do primeiro trimestre de 2020 seja reflexo das medidas de isolamento social de combate à

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pandemia da Covid-19, que começaram a ser aplicadas na segunda quinzena de março, portanto grande parte do trimestre está fora do referido cenário.

Destarte, no primeiro trimestre de 2020, a Bahia registrou a maior taxa de desocupação do Brasil, de 18,7%. Dos 12,9 milhões de desocupados no Brasil, a Bahia contribuía com 1,3 milhão de desocupados, cerca de 10% do total. Do total de 5,7 milhões de ocupados, 59,8% eram trabalhadores informais, formados por 29,7%, trabalhadores por conta própria; 17,1%, empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; 5,4%, trabalhador doméstico sem carteira de trabalho assinada; 4,2%, empregado no setor público, exclusive militar e funcionário público estatutário, sem carteira assinada e, 3,4%, trabalhador familiar auxiliar (Tabela 1).

Cabe pontuar que esse percentual de informais diz respeito a 3,4 milhões de pessoas sem direitos trabalhistas. Desse universo, a maioria não tem cobertura previdenciária, porque não contribui de forma autônoma para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). O grupo de trabalhadores informais baianos ainda é um pouco maior, pois tem o segmento de empregadores sem registro no CNPJ.

Já o segmento formal representava 36,6% dos ocupados baianos, sendo composto por 25,7% de empregados do setor privado com carteira assinada; 1,3%, trabalhador doméstico com carteira assinada; 0,8%, empregados do setor público com carteira assinada e, 8,8%, militares e funcionários públicos estatutários. Ressalte-se que os empregadores com registro em CNPJ também integram esse grupo.

Soma-se ao quadro de precariedade, um total de 778 mil pessoas em idade ativa (14 anos ou mais de idade) desalentadas, constituindo-se no maior contingente de desalentados do país e representando um dos percentuais mais elevados (16,3% do total). Além disso, a Bahia possuía 39,9% de taxa composta da subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada).

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TABELA 1

Indicadores de mercado de trabalho Bahia, primeiro trimestre de 2020

Fonte: IBGE. PnadC.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia.

Houve estabilidade (0,1%) no mercado de trabalho na Bahia no primeiro trimestre de 2020, em relação ao quarto trimestre de 2019, e leve crescimento (0,9%), frente ao mesmo período em 2019. O acréscimo da força de trabalho entre o quarto trimestre de 2019 e primeiro de 2020 foi gerado pela elevação de 14,9% no contingente de pessoas desocupadas e pela queda de 2,3% nos ocupados. O aumento da desocupação, nesse caso, também sofre a influência do fator sazonal de dispensa de contratações temporárias do último trimestre do ano anterior, o que contribui para o crescimento da taxa de desocupação no início do ano. No comparativo com o primeiro trimestre de 2019, nota-se um comportamento nota-semelhante, porém mais atenuado, de expansão dos desocupados (2,3%) e queda dos ocupados (-0,4%) (Gráfico 7).

Em Nº abs. Em %

População total 12.042

Fora da força de trabalho 5.031

Força de trabalho 7.011

Desocupados 1.311

Ocupados 5.700 100,0

Empregado no setor privado, exclusive trabalhador

doméstico 2.434 42,7

Empregado no setor privado, exclusive trabalhador

doméstico - com carteira de trabalho assinada 1.465 25,7

Empregado no setor privado, exclusive trabalhador

doméstico - sem carteira de trabalho assinada 975 17,1

Trabalhador doméstico 382 6,7

Trabalhador doméstico - com carteira de trabalho

assinada 74 1,3

Trabalhador doméstico - sem carteira de trabalho

assinada 308 5,4

Empregado no setor público 787 13,8

Empregado no setor público, exclusive militar e funcionário público estatutário - com carteira de trabalho assinada

46 0,8

Empregado no setor público, exclusive militar e funcionário público estatutário - sem carteira de trabalho assinada

239 4,2

Empregado no setor público - militar e funcionário

público estatutário 502 8,8

Empregador 211 3,7

Conta própria 1.693 29,7

Trabalhador familiar auxiliar 194 3,4

Taxa de desocupação (%)

Taxa de composta de subutilização da força de trabalho

18,7

Indicadores Jan-fev-mar 2020

(21)

GRÁFICO 7

Variação percentual de indicadores de mercado de trabalho Bahia, 1º trimestre de 2020*

Fonte: IBGE. PnadC.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia.

(22)

3. DESEMPENHO DOS SETORES DE COMÉRCIO E SERVIÇOS NO MERCADO DE TRABALHO NA BAHIA

Analisando a distribuição setorial dos ocupados na Bahia, com base nos dados anuais mais recentes da PnadC, Serviços e Comércio destacam-se com os maiores contingentes de trabalhadores, sendo os mais representativos no total do estado no período selecionado. Entre 2016 e 2018, há o reforço de intensidade da mão de obra baiana nesses dois setores, com a proporção de ocupados nos Serviços crescendo de 45,9% para 49,1% do total e o percentual de ocupados no Comércio passando de 19,7% para 20,0%.

Nos Serviços, Educação, saúde humana e serviços sociais foi o subsetor com mais trabalhadores ocupados, correspondendo a 12,2% do total do estado, sendo seguido por Alojamento e alimentação (7,6%), Serviços domésticos e Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, ambos com 7,0%. Ressalte-se que esses três subsetores se tornaram mais representativos entre 2016 e 2018 (Tabela 2).

Ao concentrar quase 70,0% do total de ocupados da Bahia, os setores de Comércio e Serviços têm tido fortes impactos das medidas de isolamento social de combate à pandemia da Covid-19, seja pela classificação de alguns subsetores como essenciais, cujo funcionamento está ampliado, como a área de saúde, até outros segmentos tidos como não essenciais, cujo funcionamento está restrito, através do fechamento parcial ou total. Nos dois casos, há repercussões distintas para as condições de trabalho das pessoas, como já mencionado antes, sobressaindo jornada, salários, saúde e segurança, mobilidade e dispensa.

(23)

TABELA 2

Distribuição das pessoas ocupadas com 14 anos ou mais de idade, segundo setores de atividade econômica

Bahia, 2016 a 2018

Fonte: IBGE. PnadC anual.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia.

Segundo os atributos pessoais, a maioria dos ocupados do Comércio na Bahia é composta por homens, na faixa de 30 a 39 anos de idade e da cor ou raça negra. Entre 2012 e 2018, houve a ampliação de trabalhadores do sexo masculino de 56,9% para 58,1%. Já os ocupados de 30 a 39 anos registraram um leve recuo, de 28,9 para 28,3%. Esse comportamento integra um movimento de envelhecimento da mão de obra contratada no comércio do estado, composto também pela redução da participação dos trabalhadores mais jovens (18 a 29 anos) e aumento dos ocupados com 40 anos ou mais de idade. No quesito da cor ou raça, houve ampliação da ocupação de trabalhadores negros, de 77,3% para 78,7% (Tabela 3).

TABELA 3

Distribuição dos ocupados no setor de Comércio, segundo atributos pessoais selecionados

Bahia, 2012 a 2018

Fonte: IBGE. PnadC anual.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia.

Nota: (1) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria.

Em nº abs. Em % Em nº abs. Em % Em nº abs. Em %

Total 5.907 100,0 5.794 100,0 5.823 100,0

Serviços 2.708 45,9 2.827 48,8 2.859 49,1

Educação, saúde humana e serviços sociais 618 10,5 706 12,2 708 12,2

Alojamento e alimentação 352 6,0 377 6,5 445 7,6

Serviços domésticos 396 6,7 445 7,7 405 7,0

Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas

447 7,6 429 7,4 410 7,0

Administração pública, defesa e seguridade

social 345 5,8 323 5,6 327 5,6

Outros serviços 257 4,4 270 4,7 305 5,2

Transporte, armazenagem e correio 293 5,0 278 4,8 259 4,4

Comércio, reparação de veículos

automotores e motocicletas 1.165 19,7 1.100 19,0 1.166 20,0

Agricultura, pecuária, produção florestal,

pesca e aquicultura 1.070 18,1 930 16,1 892 15,3

Indústria geral 449 7,6 465 8,0 491 8,4

Construção 515 8,7 471 8,1 414 7,1

Atividades mal definidas 0 0,0 0 0,0 1 0,0

2017

2016 2018

Setores de atividade econômica

Atributos pessoais 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Sexo (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

Homens 56,9 59,7 59,4 64,6 57,3 55,2 58,1

Mulheres 43,2 46,1 46,0 52,1 44,0 40,4 43,3

Faixa etária (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

14 a 17 anos 5,4 (1) 4,9 5,2 (1) (1) (1) 18 a 24 anos 18,8 18,4 19,0 18,3 17,7 14,9 16,9 25 a 29 anos 15,0 14,1 13,0 12,5 12,1 14,3 11,6 30 a 39 anos 28,9 27,4 28,8 25,4 28,3 29,3 28,3 40 a 49 anos 18,1 19,3 18,5 19,2 18,8 19,1 19,0 50 a 59 anos 10,1 11,3 10,3 13,4 13,7 13,2 13,6 60 anos ou mais (1) 4,9 5,5 6,0 5,8 (1) 7,5

Cor ou raça (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

Negros 77,3 77,3 77,0 76,7 78,5 78,0 78,7

(24)

Os ocupados nos Serviços são, majoritariamente, formados por mulheres, trabalhadores na faixa etária de 30 a 39 anos de idade e por pessoas da cor ou raça negra. Entre 2012 e 2018, a proporção de mulheres ocupadas diminuiu de 60,0% para 58,0% e o percentual de pessoas com 30 a 39 anos caiu de 32,1% para 29,2%. De modo contrário, a proporção de trabalhadores negros aumentou de 78,2% para 82,8% (Tabela 4).

Cabe pontuar que, assim como no Comércio, houve diminuição de contratação das pessoas mais jovens, concomitantemente, às de maior idade (40 anos ou mais). Esse movimento acompanha a tendência demográfica de envelhecimento geral da população baiana.

TABELA 4

Distribuição dos ocupados no setor de Serviços, segundo atributos pessoais selecionados

Bahia, 2012 a 2018

Fonte: IBGE. PnadC anual.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia.

Nota: (1) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria.

Especificamente, nos setores de Comércio e Serviços, a situação também tem sido desfavorável no segmento formal do mercado de trabalho baiano. A desaceleração do número de admissões e o aumento dos desligamentos é verificada através dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que serão apresentados a seguir.

Segundo dados do Caged, o período entre 2010 e 2014 foi de registro de saldos positivos de empregos formais no Comércio na Bahia, embora tenha sido marcado pela desaceleração acentuada do crescimento do saldo, com uma de taxa de variação de -62,9%. Em 2015 e 2016, a crise causada pela recessão econômica teve forte impacto no desempenho do setor, respectivamente, com saldos de -9.236 e -14.214 empregos. Em 2017, mesmo havendo recuperação, o saldo ainda foi negativo (-346). Essa recuperação

Atributos pessoais 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Sexo (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

Homens 40,0 40,8 41,7 42,6 41,1 42,2 42,0

Mulheres 60,0 59,2 58,3 57,4 58,9 57,8 58,0

Faixa etária (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

14 a 17 anos 2,8 2,5 2,8 (1) (1) (1) (1) 18 a 24 anos 13,0 12,1 11,6 11,9 10,6 12,7 10,3 25 a 29 anos 13,3 12,6 12,9 12,6 10,8 10,0 10,8 30 a 39 anos 32,1 31,7 31,4 29,9 32,4 29,0 29,2 40 a 49 anos 20,4 23,3 24,2 25,0 24,2 24,7 25,2 50 a 59 anos 13,7 13,6 12,4 13,5 15,0 15,6 17,2 60 anos ou mais 4,7 4,2 4,7 5,3 5,7 6,4 5,9

Cor ou raça (Total) 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

Negros 78,2 78,1 78,6 79,3 81,2 79,2 82,8

(25)

se sustentou nos dois anos seguintes, com 2.395 (em 2018) e 5.297 empregos (em 2019), porém o saldo do último ano analisado foi mais de cinco vezes menor do que o registrado em 2010. Os dados levam em conta a série com ajustes, que incorporam as informações declaradas fora do prazo (Gráfico 8).

GRÁFICO 8

Saldo de empregos celetistas no setor do Comércio Bahia, 2010 a 2019

Fonte: ME. Caged. Elaboração: DIEESE

Nota: Os dados anuais contêm as declarações dos ajustes, com as informações entregues fora do prazo. No último ano, os ajustes se referem até novembro de 2019. Os dados foram consultados no site do Programa de Disseminação de Estatísticas do Trabalho (PDET) em 26/04/2020.

2.2. Serviços

Assim como verificado no Comércio, o desaquecimento no mercado de trabalho formal baiano no setor de Serviços teve início em 2011. Apesar de ter havido aumento do saldo em 2014, quando comparado com 2013, persistiu a tendência de retração, que culminou num saldo negativo em 2015 (-19.675), aprofundado em 2016 (-30.384), segundo dados do Caged. Em 2017, houve a reversão do saldo negativo, com uma geração modesta de 1.098 empregos, sendo este o menor saldo positivo do período analisado. Em 2018, houve crescimento significativo do saldo, recuperando o nível de emprego quase no mesmo patamar de 2014. Contudo, o desempenho no setor de Serviços caiu no ano seguinte e o saldo ficou em 10.046, quase metade da quantidade de empregos registrada em 2018. Vale observar que esse saldo foi aproximadamente 5 vezes menor do que o de 2010 (Gráfico 9).

(26)

GRÁFICO 9

Saldo de empregos celetistas no setor de Serviços Bahia, 2010 a 2019

Fonte: ME. Caged. Elaboração: DIEESE

Nota: Os dados anuais contêm as declarações dos ajustes, com as informações entregues fora do prazo. No último ano, os ajustes se referem até novembro de 2019. Os dados foram consultados no site do Programa de’ Disseminação de Estatísticas do Trabalho (PDET) em 26/04/2020.

(27)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse boletim analisou o comportamento recente dos setores de Comércio e Serviços na economia baiana e o reflexo dos respectivos desempenhos na movimentação de seus trabalhadores. O objetivo foi revelar uma série de características e o perfil recente dos trabalhadores nesses dois setores, buscando discutir prováveis impactos socioeconômicos sobre eles das medidas de isolamento social, aplicadas com o intuito de retardar e controlar o contágio da população pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), implementadas a partir da segunda quinzena de março de 2020.

Esses setores foram selecionados por três motivos: pela relevância que possuem no conjunto de todos os bens e serviços produzidos na Bahia, sendo Serviços o principal componente do Produto Interno Bruto; porque são os setores que concentram as proporções mais significativas de ocupados no mercado de trabalho estadual e, por terem diversos segmentos diretamente afetados pelas medidas de isolamento social de combate à pandemia da covid-19.

De posse da análise dos indicadores, sistematizam-se aqui uma série de questões e considerações relevantes para o debate.

A análise da evolução do PIB brasileiro e baiano na segunda década dos anos 2000 permitiu demonstrar que a economia baiana perdeu o ritmo de crescimento que conseguiu acumular na década anterior; culminou esse processo de desaceleração, com um intervalo recessivo nos anos 2015 (-3,2%) e 2016 (-6,2%) e não conseguiu recuperar as perdas do PIB nos anos seguintes, com a estagnação das taxas em um nível baixo (em torno de 1,0%). Diante disso, a situação da economia baiana já estava deprimida antes da chegada do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Os impactos das medidas de controle e combate da pandemia da Covid-19 na Bahia seguem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e visam enfrentar a grave crise sanitária e evitar o colapso do sistema de saúde e o aumento do número de mortes no estado. Contudo, a pandemia terá impactos socioeconômicos de grandes proporções no país como um todo, e para a economia baiana, em específico, ao longo deste ano, que já começará a se descortinar nas próximas estatísticas do PIB.

Em 20 de março de 2020, a Presidência da República lançou o Decreto 10.282, que institui e regulamenta os serviços públicos e atividades essenciais que devem funcionar

(28)

durante as medidas de isolamento social de combate à pandemia da Covid-19. As atividades essenciais devem fornecer bens e serviços imprescindíveis para preservar a saúde, segurança e sobrevivência da população. Os setores de Comércio e Serviços estão sendo afetados de formas diversas pelas medidas de combate à pandemia da Covid-19, a partir da classificação de atividades essenciais em seus subsetores.

No setor de Comércio, a investigação foi feita para seu subsetor mais dinâmico, de varejo ampliado, que é composto por 10 grupos de atividades: Combustíveis e lubrificantes; Tecidos, vestuário e calçados; Móveis e eletrodomésticos; Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; Livros, jornais, revistas e papelaria; Outros artigos de uso pessoal e doméstico; Veículos e motos, partes e peças e, Material de construção.

Já os Serviços estão compreendidos em 5 grupos de atividades, quais sejam: Serviços prestados às famílias; Serviços de informação e comunicação; Serviços profissionais, administrativos e complementares; Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio e, Outros serviços.

Com base no enquadramento das atividades essenciais, foram adotados critérios de distanciamento social dentro dos estabelecimentos, que seguem funcionando. O objetivo é evitar aglomerações, contágio e disseminação do novo coronavírus, via fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os funcionários, álcool gel para uso das pessoas presentes no ambiente e limpeza e higienização do local e materiais de uso coletivo com regularidade.

Em alguns estabelecimentos, o horário de atendimento foi reduzido e nas atividades não essenciais, houve fechamento dos estabelecimentos. Tais medidas têm impactos no volume de vendas e serviços prestados à população e receita nominal gerada. Para os trabalhadores, os desdobramentos podem envolver a redução de jornada e salários, suspensão de contrato de trabalho e demissões.

Deve-se ressaltar que, em meio ao crescimento do contágio e da taxa de letalidade provocadas pela Covid-19, bem como da elevação da sobrecarga do sistema de saúde, com a ocupação dos leitos clínicos e Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) específicas para tratamento da Covid-19, há um debate em disputa no país, a respeito do retorno dos trabalhadores às atividades econômicas, que opõe a economia à saúde e à vida. Por parte do Governo Federal há a defesa do fim do contingenciamento social e

(29)

ações são realizadas para enfraquecer as medidas de isolamento social e estimular o retorno ao trabalho.

Uma ação recorrente da Presidência da República tem sido a publicação de novos decretos (nº 10.292 e nº 10.329), ampliando as atividades essenciais. Inicialmente, as atividades restringiam-se aos serviços de utilidade pública (fornecimento de água e esgoto, energia e telecomunicações e gás), venda de combustíveis, serviços bancários, de segurança pública, gestão da administração pública, alimentação, saúde, higiene e produtos farmacêuticos. Com os novos decretos, outros setores foram sendo incluídos, como a indústria e construção civil, cultos religiosos e mais recentemente, novos segmentos do Comércio e Serviços, como academia de ginástica, salões de beleza e barbearias.

Essa atitude dificulta o enfrentamento da pandemia da Covid-19 e tem criado instabilidades política e operacional para os governadores e prefeitos em manter o funcionamento somente de atividades que sejam essenciais para a preservação da vida, saúde e segurança das pessoas, em consonância com as orientações da OMS.

Além disso, ao decretar novas atividades como essenciais, cria-se um problema real para uma parcela significativa de trabalhadores, que deixa de estar apta a receber o auxílio emergencial, sendo excluída desse programa. Assim, esse conjunto de pessoas, que estava sem renda e nas filas da Caixa Econômica Federal e lotéricas, integrando o Programa Emergencial de Emprego e Renda (Pemer), seria impelida a voltar a trabalhar e seria mais exposta ao risco de contágio pelo novo coronavírus. Saliente-se que todo esse movimento não garante que a economia retome e sustente o nível de atividade, através do suposto aumento do consumo.

Antes da pandemia da Covid-19, já havia um número elevado de pessoas ocupadas em atividades informais e no desalento, provocando a redução continuada da renda média real das famílias e, ao mesmo tempo, o contingente de pessoas desocupadas era muito expressivo. Como a renda real média das famílias e a taxa de desocupação são fatores importantes para a definição do comportamento das vendas no varejo, que estão sofrendo impacto das crises sanitária e socioeconômica em curso, não há no horizonte próximo a expectativa de recuperação do setor do Comércio.

No cenário atual de aprofundamento das crises sanitária e socioeconômica, de aumento da pobreza e miséria, das desigualdades sociais e concentração de renda, com tantas

(30)

incertezas e instabilidades quanto ao futuro no curto prazo, as expectativas racionais dos agentes econômicos estão afetadas negativamente e por essas razões a tendência é de diminuição do consumo das famílias e investimento das empresas. Desse modo, o papel do Estado é fundamental como indutor do crescimento econômico, sendo necessário criar políticas efetivas de redução da informalidade e do desemprego, como parte de políticas púbicas anticíclicas de ativação da economia. Para possibilitar o aumento de gastos do governo, é necessário adotar como política fiscal a revogação ou suspensão da Emenda Constitucional 95, que limita o teto dos gastos sociais por 20 anos.

A renda média real das pessoas ocupadas, a taxa de desocupação, a taxa de juros e a disponibilidade de crédito direto para pessoa física influenciam as vendas no varejo e o volume de serviços que são prestados, sendo fatores que independem do fim das medidas de isolamento social.

Como a renda média real da maioria dos trabalhadores brasileiros é baixa, a propensão marginal a poupar também é reduzida para a maioria das pessoas, que tem um perfil de consumo de baixo e médio poder aquisitivo. Segundo o IBGE, em 2018, do total de 14,784 milhões de habitantes na Bahia, 1,3% estava sem rendimento domiciliar per capita, 21,3% recebiam mais de 0 até ¼ do salário mínimo (SM), 26,2% auferiam mais de ¼ até ½ SM e, 27,1% atingiam mais de ½ até 1 SM, o que totalizava 75,9% do total de habitantes sobrevivendo com um rendimento domiciliar per capita de até 1 SM. Por esse traço de intensa fragilidade social, quando o governo transfere renda para a população, está estimulando o consumo das famílias nos setores de Comércio e Serviços e minimização a recessão da economia.

Cabe pontuar que devido ao perfil dos trabalhadores no mercado de trabalho da Bahia e nos setores de Comércio e Serviços, as políticas públicas de reversão da informalidade e manutenção de trabalho e renda devem levar em conta que os impactos da pandemia da Covid-19 incidem com mais força sobre os segmentos mais vulneráveis, do ponto de vista das desigualdades regionais e dos atributos de gênero, raça e geracional.

As políticas públicas de geração de trabalho e renda, devem conter um recorte setorial, mas ter um caráter mais abrangente, primando pela criação de empregos dignos, visto que o mercado de trabalho na Bahia está estruturado majoritariamente em ocupações informais e precárias. Do total de 5,7 milhões de ocupados no primeiro trimestre de 2020, 3,4 milhões de pessoas ou 59,8% do total eram trabalhadores informais, formados por

(31)

29,7% trabalhadores por conta própria; 17,1% empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; 5,4%, trabalhador doméstico sem carteira de trabalho assinada; 4,2%, empregado no setor público, exclusive militar e funcionário público estatutário, sem carteira assinada e 3,4%, trabalhador familiar auxiliar. Além disso, há um contingente de 1,3 milhão de pessoas desocupadas.

Outros indicadores apontam a precariedade atual do mercado de trabalho na Bahia. No primeiro trimestre de 2020, a Bahia teve a maior taxa de desocupação (18,7%) e o maior contingente (778 mil pessoas) desalentadas do Brasil e 39,9% de taxa composta da subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada). Nessa perspectiva, as medidas devem reconhecer que é preciso atuar para combater a informalidade, a subutilização da força de trabalho, a desocupação e o desalento, relacionadas aos segmentos mais atingidos pelo impacto da pandemia da Covid-19, que são os trabalhadores das regiões Norte e Nordeste, mulheres, negros e mais jovens.

Para que as políticas públicas sejam retomadas é preciso enfrentar o debate de austeridade fiscal e minimização do papel do Estado x Estado forte e indutor do crescimento e desenvolvimento econômicos. Tal debate é formado por narrativas que estão em disputa na sociedade: de um lado, as políticas de austeridade comportam privatizações de patrimônio e reservas financeiras do Estado, cortes de salário, congelamento de remunerações, cortes de progressão nas carreiras e manutenção de pagamento dos juros da dívida pública, por outro lado, defende-se que a lógica de mercado não é capaz de lidar com a pandemia da Covid-19, sendo fundamental as ações do governo, que visam atender as demandas sociais (preservação da renda e do emprego dos trabalhadores formais, garantia de renda mínima para os informais, políticas de fortalecimento das estatais, dos bancos públicos, do SUS, suporte às empresas para que elas mantenham seus trabalhadores empregados5 e suspensão do pagamento dos juros da dívida pública.

Por fim, foi possível perceber que as atividades econômicas nos setores de Comércio e Serviços já apresentavam desempenhos baixos e até negativos em suas vendas e volumes

5 Para essa finalidade o Governo Federal sancionou a Medida Provisória Nº 944, em 3 de abril de 2020,

que institui o Programa Emergencial de Suporte a Empregos. Destinado à realização de operações de crédito com empresários, sociedades empresárias e sociedades cooperativas, excetuadas as sociedades de crédito, com a finalidade de pagamento de folha salarial de seus empregados (Brasil, 2020a).

(32)

de serviços prestados, causando quedas em suas receitas nominais para alguns de seus subsetores nos anos de 2018 e 2019, período anterior à pandemia da Covid-19. Os dados do primeiro trimestre de 2020, afetados pelos resultados do mês de março, já permitem perceber alguns impactos negativos da pandemia da Covid-19 nesses setores. No mercado de trabalho, verificou-se que a redução de empregos formais já era significativa no período de 2010 a 2019. Nos próximos meses, os resultados das pesquisas permitirão visualizar melhor o aprofundamento da crise nesses setores.

(33)

ANEXO

ANEXO 1

Variação percentual do volume de vendas e receita nominal do Comércio varejista e Comércio varejista ampliado e do volume de serviços

prestados e receita nominal dos Serviços Bahia, março de 2020 e 1º trimestre de 2020*

Fonte: IBGE. PMC e PMS.

Elaboração: DIEESE. Observatório do Trabalho da Bahia

Nota: (*) comparado com o mesmo mês do ano anterior, com o mês imediatamente anterior e com o igual trimestre do ano anterior.

Março 2020/ Fevereiro 2020 Março 2020/ Março 2019 Jan.-mar. 2020/ Jan.-mar. 2019

Vendas (Comércio varejista) -9,7 -7,6 -2,3

Vendas (Comércio varejista ampliado) -18,9 -12,8 -4,6

Receita nominal (Comércio varejista) -5,0 -4,3 0,8

Receita nominal (Comércio varejista

ampliado) -17,0 -9,5 -1,9

Volume de serviços -7,8 -12,0 -6,8

Receita nominal Serviços -8,5 -10,7 -3,9

Período Tipos de variação

(34)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAHIA. Decreto Nº 19.529, de 16 de março de 2020. Disponível em:

https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=390699. Consulta feita em: 14/05/2020.

BRASIL. Medida provisória Nº 944, de 03 de abril de 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Mpv/mpv944.htm. 2020a. Consulta feita em: 15/05/2020.

BRASIL. Decreto Nº 10.282, de 20 de março de 2020. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10282.htm. 2020b.

Consulta feita em:15/05/2020.

BRASIL. Decreto Nº 10.292, de 25 de março de 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10292.htm#art1. Consulta feita em:15/05/2020.

BRASIL. Decreto Nº 10.344, de 11 de maio de 2020. Disponível em:

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2020/decreto-10344-11-maio-2020-790175-publicacaooriginal-160616-pe.html. Consulta feita em: 17/05/2020.

DIEESE. Diagnóstico da desocupação e informalidade no mercado de trabalho da

Bahia: subsídio para a proposição de medidas de geração de renda para os baianos

durante a pandemia da Covid-19. Observatório do Trabalho da Bahia (DIEESE e SETRE), Salvador, abril de 2020, 34 páginas.

Referências

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