MÚSICOS, FATOS & CURIOSIDADES • Nº 120 • MAIO 2016
PERFIL DE UM MÚSICO SOBERANO
Chresten “Kai” Winding, KAI WINDING, trombonista, compositor, arranjador e dirigente de grupos musicais, naturalizado americano, nasceu na cidade de Aarhus / Dinamarca, no dia 18 de maio de 1922, vindo a falecer em New York aos 60 anos no dia 07 de maio de 1983 (iria completar 61 anos em mais 11 dias).
A familia veio para os U.S.A. em 1934 e estabeleceu-se em New York, onde KAI foi educado.
Inicialmente escolheu e estudou o acordeom, para depois aderir ao trombone, guiado pelo professor-trombonista Don Reinhardt.
Durante seu ensino médio participou de grupos musicais na “Stuyvesant High Scholl”.
Com 18 anos KAI iniciou suas atividades profissionais nas orquestras de Shorty Allen, Bobby Day, Sonny Dunham e Alvino Rey.
Ingressado no exército prestando serviços na guarda costeira em 1942, integrou o grupo do trombonista Bill Schallen até 1945, daí resultando a gravação de inúmeros “V-Discs” (destinados a manter alto o moral das tropas americanas, durante a IIª Guerra Mundial). Durante esse período de serviço militar, em 1942 e tendo como companhia Sonny Dunham, KAI teve ocasião de gravar seu primeiro solo de trombone, sob a direção de Roy Stevens.
É nessa época que ele trava contato no “Minton’s Playhouse” com a nata dos músicos que estavam criando uma nova linguagem: Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Thelonius Monk, Kenny Clarke e outros - intermináveis noitadas no desenvolvimento do “bebop”.
Após o serviço militar ainda em 1945 KAI integrou o grupo do trumpetista Roy Stevens (“Manor All Stars”), para logo depois alinhar na “Big Band” do “Rei do Swing”, Benny Goodman, onde permaneceu até meados de 1946 sem gravar nenhum solo, para em seguida ingressar nas fileiras de Stan Kenton, onde atuou até parte de 1947; nessa formação teve oportunidade de gravar solos podendo citar-se, entre outros, “Artistry In Percussion”, “Artistry In Bolero”, “Artistry In Boogie”, “Collaboration” e “Lover”, solos que o projetaram como um dos mais brilhantes trombonistas modernos.
Dissolvida a banda de Kenton, imediatamente KAY uniu-se ao saxofonista Charlie Ventura, com ele tocando até meados de 1948.
Durante o restante de 1948 e até 1949 atuou na “Rua 52” como co-líder de combo ao lado de Buddy Stewart (cantor, nascido em 1922 em Derry / New Hampshire e que pertenceu durante 02 meses ao quarteto vocal da banda de Glenn Miller).
Formou em um dos grupos de Miles Davis com atuação no “Royal Roost” e participou da gravação do cultuado “The Complete Birth Of The Cool” (faixas “Jeru”, “Move”, Godchild” e “Budo”, gravadas em 21 de janeiro de 1949).
Passou a atuar como solista e de forma autônoma para estúdios de gravação e de televisão da “Grande Maçã”, inclusive compondo trilhas sonoras.
Em 1950 e como melhor trombonista pela enquete entre os leitores da revista “Metronome”, KAY gravou com os “All-Stars” do ano (“Metronome All Stars” de 1950, gravações em janeiro de 1951 nos temas “Early Spring” e “Local 802 Blues”).
De 1954 e até 1956 KAI organizou um quinteto com o grande J.J.Johnson, seguido de um septeto e de um octeto de trombones, época que marcou a gravação do álbum seminal “Jay And Kai – Trombone Octet” (02 a 06 de abril de 1956 segundo a gravadora e 13 de agosto de 1956 segundo o produtor da gravação, George Avakian), verdadeira antologia de trombone no JAZZ, técnica superior, “ensembles” e diálogos superlativos: os dois, J.J e KAI, mais Urbie Green, Bob Alexander, Eddie Bert, Jimmy Cleveland, Bart Varsalone e Tom Mitchell aos trombones, devidamente escorados por soberba “cozinha” com Hank Jones, Ray Brown, Osie Johnson e Candido Camero nas congas e bongôs.
A união com J.J.Johnson foi considerada uma das mais duradouras do pós-guerra, enquanto pequena formação, até hoje reconhecida por sua altíssima qualidade técnica, já que KAI + JAY foram capazes de executar com engenhosidade e refinamento um JAZZ dos mais variados matizes, explorando a estrutura típica do “bebop” para produzir extensa e bela variedade de sons.
As experiências de JAY + KAI foram eternizadas em uma boa série de gravações, distribuída pelos selos “CBS”, “Savoy”, “Prestige”, “Bethlehem” e “X”.
Dissolvida a parceria com J.J.Johnson KAI retornou à sua atividade autônoma para estúdios de New York, sendo que no início dos anos de 1960 obteve grande sucesso comercial com trilhas sonoras de sua autoria.
Em 1962 foi nomeado Diretor Musical dos “Playboy Club” de New York, onde se apresentava esporadicamente.
A partir de 1963 inicia a gravação de uma série de discos que lhe garantem grande popularidade, ainda que apenas tangenciando a sintaxe do JAZZ.
Em 1969 substituiu por breve período ao trombonista Carl Fontana em seu “World’s Greatest Jazz Band”, para em seguida tornar-se membro da “Merv Grifin Show”.
Mudou-se para Los Angeles passando largo período como músico de estúdios de gravação.
No período de 1971 a 1972 foi contratado para integrar os “Giants Of Jazz” em extensa temporada. Os “Giants” contavam com Dizzy Gillespie, Thelonius Monk, Art Blakey e Al McKibbon: se isso é pouco, citem-me mais “giants” !
No regresso retorna às gravações em estúdios e atua como solista em diversas apresentações em clubes e, ainda assim, realizou temporadas nos U.S.A. com Lee Konitz.
Em 1977 KAI muda-se para a Espanha e passa a dedicar-se á composição, além de participar de inúmeros festivais de JAZZ por toda a Europa.
Em 1979 KAI organizou novo duo de trombones, desta feita com Curtis Fuller e sob o título de “The Giant Bones”.
Em 1982 voltou a reunir-se com J.J.Johnson para realizar temporada no Japão.
No ano seguinte, 1983, KAI WINDING morreu em conseqüência de um tumor cerebral. Foi-se o homem, ficou a obra, extensa, refinada, tecnicamente superior.
KAI WINDING foi bastante influenciado pelos mestres Jack Teagarden e Trummy Young mas, sem dúvida
e ao lado de J.J.Johnson, foi dos primeiros músicos na adaptação do trombone para o “bebop”.
Sua sonoridade, desprovida de vibrato, influenciou toda a seção de trombones da “máquina” de Stan Kenton dando-lhe seu timbre original. Foi um excelente técnico e conseguiu contribuir de maneira decisiva para que seu instrumento, o trombone, tivesse suas possibilidades reconhecidas no painel moderno do JAZZ.
KAI WINDING teve oportunidade de gravar com um destacado rol de músicos de JAZZ, citando-se além
dos já enumerados anteriormente Gerry Mulligan, Zoot Sims, Woody Herman, Sonny Stitt e Chubby Jackson.
É importante ressaltar que KAI, além da enquete de 1950 já citada, sempre esteve bem colocado entre os melhores trombonistas nas enquetes das diversas revistas especializadas, em particular nas relativas aos leitores, podendo citar-se “Down Beat Readers’ Poll” e “Jazz-Echo Readers’ Poll” ambas de 1959, “Metronome “Readers’ Poll”, “Playboy Readers’ Poll” e “Jazz Hot Readers’ Poll”, todas as três de 1960, por exemplos.
KAI WINDING participou do documentário americano “Let’s Make Rhythm” (1947, 20 minutos, direção
de Wallace Grissell, “RKO Pictures”), com diversos números da orquestra de Stan Kenton: “Artistry In Rhythm”, “Down In Chihuahua”, “Just-A-Sittin’ And A-Rockin’”, “Concerto To End All Concertos” e “Tampico”.
Como principais gravações em que podemos apreciar o som de KAI WINDING, podemos indicar:
- “Artistry In Percussion”, com Stan Kenton, 1946;
- “Vido’s Bop”, com Vido Musso, 1947;
- “Harém Buffet”, 1949;
- “Jay And Kai – Trombone Octet”, 1956;
- “Sweet And Lovely”, Giants Of Jazz, 1972;
- “Danish Blue”, 1974;
- “Giants Bones At Nice”, 1960.
TAMBÉM ATUARAM NO BRASIL (4) BRANFORD MARSALIS
Em 07/setembro/2011 no Rio de Janeiro (Teatro Casagrande) o grande sax.tenorista (um dos “Young Lions”) apresentou-se comandando Joey Calderazzo (piano), Eric Revis (baixo) e Justin Faulkner (bateria)
BUD SHANK
Apresentou-se entre nós em 02 ocasiões, sendo a primeira em 2004 (05/maio), dentro do “Chivas Jazz Festival” na Marina da Glória do Rio de Janeiro, em quarteto com ele ao sax.alto, Bill Mays (piano), Bob Magnusson (baixo) e Joe La Barbera (bateria).
Retornou em 2006 (02 sessões em 17 e 18/novembro) na casa de shows “Mistura Fina”, ao sax.alto e titulando músicos brasileiros: João Donato (piano), Luiz Alves (baixo) e Robertinho Silva (bateria), admirável encontro de criadores musicais.
BUDDY RICH
Em uma mesma data e em 02 locais diferentes, o grande baterista Buddy Rich apresentou-se entre nós: dia 08/março/1961 na antiga TV-Tupí (dentro do programa “Espetáculos Tonelux”) e no hotel “Copacabana Palace”, sempre no Rio de Janeiro.
Formou em sexteto com ele à bateria, Sam Most (flauta), John Morris (piano), Mike Manieri (vibrafone), Wyatt Ruther (baixo) e Morgana King (vocal).
CAB CALLOWAY
Realizou temporada no Rio de Janeiro (hotel “Copacabana Palace” de 29/abril até 10/maio/1959), liderando a revista musical “The Original Cotton Club Revue” com 28 participantes: ele no vocal, “The Norman Miller Dancers”, “The Three Chocolates”, “Stoney And June”, “The Jazzmen”, todos com direção musical de Eddie Barefield.
ALGUMAS FRASES CÉLEBRES
“O futuro é um lugar cômodo para colocar nossos sonhos”, pronunciou Anatole France.
A “Revista Mensal do Jazz” número 121 do próximo mês de junho/2016 seguirá focando notícias e fatos pitorescos no JAZZ