DIREITO EMPRESARIAL III
PROF. JORDANO SOARES
[email protected]15-10-2012 (completar essa aula) BIBLIOGRAFIA
Marlon Tomazette José Emygdio R. Júnior Wille Duarte Costa Fran Martins
INTRODUÇÃO
Os títulos de crédito estão sobre dois conteúdos básicos, a saber, cambiais e cambiariformes.
Cambiais → a partir deles os outros títulos extraem suas formas → letra de câmbio e nota promissória.
Cambiariformes → duplicata e cheque
1. CONCEITOS
I – Estrutura da letra de câmbio Sacador → emite a ordem de pagamento
Sacado → figura cambial em relação a qual a ordem foi dirigida Tomador → beneficiário do título; quem toma possa do título
Há a figura do aceite.
II – Estrutura da nota promissória
Emitente / subscritor → realiza a promessa de pagamento Tomador → recebe a promessa de pagamento
III – Estrutura do cheque (análoga à estrutura da letra de câmbio) Sacador → correntista do banco sacado
Sacado → banco
Tomador → terceiro para quem é emitido o cheque
Nesse caso, não há a figura do aceite, sendo que o banco realiza o pagamento se houver provisão suficiente de fundos.
IV – Estrutura da duplicata (análoga à estrutura da letra de câmbio) Vendedor / prestador de serviço
Comprador / tomador de serviço Tomador → é o próprio vendedor
Nesse caso há a figura do aceite
Endosso → ato cambial cuja função é transferir a titularidade do crédito Aval → garantia fidejussória (pessoal) cambial
2. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
Cada título de crédito é regido por lei especial.
I – Cambiais → letra de câmbio e nota promissória
Lei Uniforme de Genebra (Decreto 57.663/65) Lei Saraiva (Decreto 2.044/1908)
II – Cambiariformes
a) duplicata → Lei 5.474/68 b) cheque → Lei 7.357/85
III – Outros títulos
a) cédulas de crédito → rural (Decreto 167/67); industrial (Decreto 413/69); à exportação (Lei 6.313/75) e comercial (Lei 6.840/80).
b) cédula de crédito bancário → Lei 10.931/04
A Lei Uniforme de Genebra se aplica subsidiariamente às omissões da legislação específica dos demais títulos de crédito.
3. CÓDIGO CIVIL
Parte especial (livro II) → Título VII (Título de crédito) → art. 887 e ss.
Ou o CC repetiu as regras previstas na legislação especial, ou trouxe regulamentação totalmente em sentido contrário.
3.1. Inovações do Código Civil
I – Emissão de títulos de crédito eletrônicos (art. 889, §3º)
Boleto bancário
II – Interrupção da prescrição pelo protesto do título (art. 202, III)
Obs.: Súmula 153 do STF → simples protesto cambial não interrompe a prescrição (antes do CC de 2002)
III – Exigência de outorga conjugal para validade do aval (art. 1647, III)
4. FUNÇÕES DO TÍTULO DE CRÉDITO
I – Negociabilidade do título
O título nasceu para circular
II – Garantia
O título pode ser objeto de garantia (caução)
Obs.: penhora é ato de constrição judicial que impede a transferência do bem. Não é vontade do indivíduo.
Penhor → direito real de garantia sobre bens móveis. Hipoteca → direito real de garantia sobre bens imóveis.
Debêntures, commercial papers (nota promissória da S/A)
5. CARACTERÍSTICAS DO TÍTULO DE CRÉDITO
I – Documento formal
A presença dos requisitos formais deve estar satisfeita no momento da realização dos atos cambiais (aceite, protesto, execução).
Credor de boa-fé pode preencher o título posteriormente a sua emissão → art. 10 do Decreto 57.663/66; art. 10 da Lei 7.357/85; Súmula 387 do STF; art. 891 do CC
II – Presunção de certeza e liquidez
A certeza está relacionada com a existência da obrigação. A liquidez, por sua vez, está relacionada com a quantificação do valor devido (quantum debeatur).
O título de crédito é um título executivo extrajudicial (art. 585 do CC).
III – Título pro solvendo
Pro solvendo → emitido para pagamento. Não extingue a relação causal de direito material que o originou.
Pro soluto → em pagamento. Extingue a relação causal de direito material (novação).
IV – Negociabilidade V – Título de resgate
A quitação deve ser passada no próprio corpo do título, sendo que o devedor deve resgata-lo. O Direito Cambiário protege o credor de boa-fé.
VI – Obrigação quesível
Satisfeita no domicilio do devedor (o credor que deve buscar a efetivação do pagamento) ≠ obrigação portável.
VII – Solidariedade
O endossante assume a posição de coobrigado toda vez que transfere o título. Os avalistas e endossantes são devedores solidários .
Art. 914 do CC → não se aplica essa regra pros títulos de créditos estudados (inversão da regra no caso das obrigações).
Art. 903 do CC → aplicação do CC é subsidiária (aplica-se apenas nas omissões da legislação especial)
O CC inverte a regra, aproximando os títulos de créditos do direito das obrigações, segundo o qual solidariedade não se presume. No direito cambiário, como regra, todos os endossantes vão responder. Neste conflito normativo, pelo princípio da especialidade, aplica-se a legislação especial, mesmo que o CC seja posterior, pois o art. 903 deste diploma legal afirma que a aplicação de suas regras é subsidiária, só se aplicando em omissões da legislação especial.
6. CONCEITOS
Cesare Vivante → documento necessário ao exercício de um direito literal e autônomo nele mencionado.
Art. 887 do CC → documento necessário ao exercício de um direito literal e autônomo nele contido, só produzindo efeitos se preenchidos os requisitos legais.
Documento necessário → princípio da cartularidade / incorporação Exercício de um direito literal → princípio da literalidade
Direito autônomo → princípio da autonomia
AULA – 15/10/2012 Introdução:
Os títulos de crédito (cheque, duplicata, empréstimo pessoal...) trazem o conteúdo de títulos cambiais (letras de câmbio* e nota promissória) e cambiariformes (duplicata e cheque).
*não se usa mais. Mas a partir dela, tem-se os institutos básicos do direito cambial. 1. Estrutura da letra de câmbio: Na letra de câmbio, tem-se uma estrutura fundada na presença de um sacador, um sacado (quem recebe uma ordem) e um tomador.
O que é a letra de câmbio: se tenho uma dívida com Thales, mas Marianna também me deve, emito um título de câmbio e entrego ao Thales – se Marianna aceitar**, o Thales deve cobra-la no dia combinado da Marianna. Se ela não aceitar, deve o Thales cobrar de mim mesma.
Sacado: figura cambial à qual a ordem é dirigida (Marianna) Tomador: Thales.
**Aceite: tenho uma divida com alguém, mas outra pessoa me deve. Em um título de crédito, soluciono o problema. Se Marianna recusar, não terá obrigação cambial nenhuma.
2. Estrutura da Nota Promissória: muito mais simples, por não incluir três pessoas. Há um emitente (subscritor), que faz uma promessa de pagamento para o tomador. Não há um terceiro que tem que aceitar ou não.
Os títulos cambiariformes extraem sua forma desses títulos cambiais:
- Cheque: sacador é o correntista (quem emite a ordem), sacado é o Banco – mas este não precisa aceitar ou não (havendo provisão de fundos, o Banco vai pagar).
- Duplicata: título de crédito emitido diante de compra e venda mercantil ou prestação de serviços (médico, advogado, etc.). Quem saca a duplicata é o vendedor ou o prestador de serviços. Também o tomador é o vendedor. O sacado é o comprador. É um título emitido em favor de si mesmo. Porém, na duplicata, volta a ter a figura do aceite. O titulo de crédito nasceu para circular – é essencialmente negociável.
O tomador endossa, por exemplo, a nota promissória para uma factoring. Endosso é um ato cambial cuja função é transferir a titularidade do crédito. O título pode ser endossado até seu vencimento, infinitas vezes. Pode-se, nesta, exigir a figura de um avalista (aval). Aval é uma garantia fidejussória cambial.
Legislação Aplicável:
Os títulos de créditos possuem sua lei específica de regência (legislação extravagante). A letra de câmbio, por exemplo, é regida pelo Decreto n.º 57.663/60 – LUG (Lei Uniforme de Genebra) – incorporado de tratado internacional. Outra norma supletiva dispõe sobre a letra de câmbio: Decreto 2.044/1908 (Lei Saraiva).
A nota promissória é regida pelo mesmo diploma – LUG. A duplicata é regida pela lei 5.474/68.
O cheque é regido pela lei 7.357/85.
Dentre outros títulos, há as cédulas de crédito, que podem ser: - rurais (Decreto 167/67);
- industriais (Decreto 403/69); - à exportação (Lei 6.313/75); - comerciais (Lei 6.840/80).
Há, também, as cédulas de crédito bancárias – nestas, pouco importa o que farei com o dinheiro (Lei 10.931/04).
Nos pontos omissos dessas legislações, aplica-se subsidiariamente a LUG. Código Civil:
O CC de 1916 não trabalhava com títulos de crédito. Em 2002, se envolveu com a matéria cambiária. Inseriu um título (VIII) só para tratar de títulos de créditos (artigo 887 e ss).
Em matéria cambiária, ou repetiu regras (dispositivos da legislação extravagante) ou dispôs em sentido contrário. Todas as vezes que dispôs em sentido contrário, foi completamente contra o que a legislação cambiária previu.
Inovações do Código Civil:
TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS:
A primeira inovação de destaque está no artigo 889, §3º. O Código Civil expressamente previu a possibilidade de emissão de títulos de crédito eletrônicos. É muito mais comum usar cartão de crédito, transferências eletrônicas, boleto bancário (ao invés de duplicata – emite-se o boleto no Banco, para o cliente pagar). Não tinha na legislação especial dispositivo semelhante.
INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO PELO PROTESTO DO TÍTULO:
Não se pagando um título de crédito, cabe protesto – não tem o condão de interromper a prescrição, segundo a súmula 153, STF; mas segundo o Código Civil (art.202, III), o protesto de título de crédito interrompe a prescrição.
EXIGÊNCIA DE OUTORGA CONJUGAL PARA A VALIDADE DO AVAL:
Antes do Código Civil, não se exigia outorga conjugal para aval. Com o CC/02, passou-se a exigir (artigo 1.647, III).
Funções do Título de Crédito
1ª: a negociabilidade do título: o título de crédito nasceu para circular. Então é possível conseguir a antecipação do valor que se precisa, através de operação de desconto, por exemplo. Até o vencimento, podem-se fazer quantos endossos forem necessários.
2º: pode ser objeto de garantia – podem ser entregues no Banco, por exemplo, em caução. Não pode ser penhorado (ato de constrição judicial que impede de dispor sobre o patrimônio), mas empenhado (penhor).
3º: Instrumento de captação de recursos no mercado de capitais. Quando se está diante de uma S/A que precisa de dinheiro e não quer emitir novas ações, ou ela recorre ao Banco, ou emite debêntures. Mas existe também a commercial paper (nota promissória da S/A). A CEMIG Distribuição, por exemplo, emitiu 64 notas promissórias. Para um investidor de perfil moderado, dada a baixa da taxa SELIC, é um bom investimento – em data futura, resgata esse título, com juros contratados.
Características de um título de crédito:
1º: documento formal – ele tem que preencher os requisitos da lei, para produzir seus efeitos.
A nota promissória é uma cártula (encontra-se, mesmo, em bancas de revistas), com dados do emitente, sua assinatura, indicação do tomador (para quem vou pagar), o vencimento, o valor, etc. Não preencher a data do vencimento, em regra, invalida o título. Mas o credor, de boa-fé, pode preencher o vencimento, para data posterior. A presença dos requisitos deve estar satisfeita no momento da realização dos atos cambiais (aceite, protesto...). Havendo omissão no título executado, cabem embargos à execução, na qual o juiz declarará a invalidade do título e vai extinguir a execução.
Artigo 10, Dec. 57.663/60; artigo 16, Lei n.º 7.357/85; sumula 387, STF; artigo 891, CC: todos traduzem a mesma ideia.
2º: o título de crédito é um documento dotado de certeza e liquidez (não precisa ajuizar ação de cobrança – procedimento ordinário, no qual cabe dilação probatória – mas ação de execução). A certeza se relaciona à existência da obrigação e a liquidez se relaciona à quantificação do valor devido. Então o título de crédito tem que ter um valor certo. Na execução, no máximo, deve-se juntar uma planilha. Se, no dia do vencimento, o devedor não paga, o título passa a ser exigível – título executivo extrajudicial –, o que viabiliza a ação de execução judicial.
3º: Título de crédito é pro solvendo.
Título pro solvendo é emitido para pagamento e não extingue a relação causal que o originou (a dívida, de que origem for). Título pro soluto é em pagamento e extingue a relação de direito material. Acontece, nele, uma novação.
4º: negociabilidade do titulo: podem-se fazer quantos endossos forem necessários, até o vencimento do título.
5º: Título de resgate: a quitação tem que ser passada no próprio corpo do título. O direito cambiário protege o credor de boa-fé.
6º: obrigação quesível, porque deve ser satisfeita no domicílio do devedor. O interessado, credor, deve buscar o pagamento.
7º: solidariedade: na cadeia de endossos, pode-se ter vários avalistas (figuras intervenientes).
A → B (F) → C → D (G) → E
Se a nota promissória é para o dia 15/11, na data, o credor cobra do principal (A). Este, A, em protesto, pode executar todos os demais obrigados da cadeia – toda vez que um endossante transfere o título, assume a posição de coobrigado. A transferência é relação de confiança, na qual se deve ter garantia. Avalistas e endossantes devem ser, portanto, solidariamente responsáveis.
O CC inverte a regra (artigo 914 não vai se aplicar). Aproximou os títulos de créditos do direito das obrigações, segundo o qual solidariedade não se presume. No direito cambiário, como regra, todos os endossantes vão responder. Neste conflito normativo, pelo principio da especialidade, aplica-se a legislação especial. Mas o CC é posterior. Porém o artigo 903, CC, afirma que a aplicação do CC é subsidiária, só se aplicando em omissões da legislação especial. Esse artigo é a válvula de escape de CC.
Conceito de títulos de crédito:
O conceito de títulos de crédito mais aceito e adotado pelo CC é aquele do autor Cesare Vivante. A legislação especial nada diz sobre títulos de créditos. Apenas o artigo 887 do CC o traz.
Título de crédito é o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado.
O CC só vai um pouco além: (...) só produzindo efeitos se preencher os requisitos da lei. Dá um destaque, assim, às formalidades.
Cada termo do conceito dará origem a um princípio:
Documento necessário – princípio da cartularidade / incorporação; Direito literal – princípio da literalidade;
Direito autônomo – princípio da autonomia.
22-10-2012
Em dupla
I – Resenha crítica do Capítulo 2 do livro Teoria contemporânea dos títulos de crédito (Carlos Fernandes)
II – Explicar os títulos de crédito atípicos Obs.: típicos → regulamentação em lei
RESUMO
Os títulos de crédito aproveitam as características da letra de câmbio e da nota promissória.
Letra de câmbio
Sacador → dá a ordem de pagamento Sacado → a quem a ordem é dirigida Tomador → toma posse do título
Cheque
Correntista → sacador Banco → sacado Tomador
Duplicata → compra e venda mercantil e prestação de serviço
Vendedor → sacador Comprador → sacado
Tomador → é o próprio vendedor
Nota promissória → promessa de pagamento
Emitente / subscritor Tomador
Cédula de crédito bancário
Endosso → ato cambial pela qual se transfere a titularidade do título de crédito. Não há limite legal para a quantidade sucessiva de endosso.
Obs.: factoring
Avalista → garantia pessoal do título de crédito. Constitui obrigação autônoma e independente.
O emitente é o devedor direto (principal).
Os coobrigados (endossantes) são devedores indiretos → se o devedor principal não realizar o pagamento na data ajustada (vencimento), o possuidor do título pode cobra-lo de quaisquer dos endossantes. Estes respondem solidariamente.
7. PRINCÍPIOS
Conceito de título de crédito (CC, art. 887) → documento necessário ao exercício de um direito literal e autônomo nele mencionado.
Documento necessário → princípio da cartularidade Literal → literalidade
Autônomo → princípio da autonomia
7.1. Princípio da cartularidade
a) Conceito
Posse do documento original para praticar os atos cambiais Protesto → necessidade de apresentar o título original Execução (art. 585) → título executivo extrajudicial
Exceção ao princípio da cartularidade: duplicata (Lei 5.474/68, art. 13, §1º, in fine) Protesto por indicação → não há necessidade de apresentar o título original; indicação dos dados da duplicata retida indevidamente por 10 dias pelo comprador (tabelionato → comprovante de entrega da mercadoria mais indicação de dados).
Exemplo:
Duplicata → compra e venda mercantil → mercadorias Vendedor → fatura / nota fiscal
30 dias para dar o aceite
Comprador (sacado) → 4 posturas diferentes:
I – Devolver a duplicada com o aceite, subscrevendo-a; II – Declaração justificada;
III – Devolver a duplicata em branco; IV – Reter indevidamente o título (10 dias).
Obs.: boleto bancário é uma duplicata?
Doutrina majoritária → não é duplicata, não é título de crédito, mas sim simples documento de cobrança expedido por banco.
Entretanto, esse entendimento não está assentado → REsp 1.024.691/PR, 3ª Turma, Nancy Andrigui → possibilidade de protesto e execução do boleto bancário.
b) desmaterialização dos títulos de crédito
O princípio da cartularidade é cada vez mais relativizado CC, art. 889, §3º → título de crédito eletrônico
Títulos de crédito: I – cartulares
II – escriturais ou eletrônicos → registrados em sistema de registro e liquidação de instituição autorizada pelo Banco Central → para executar é necessário o certificado emitido pela CETIP
Exemplos (Lei 10.931/04): letra de crédito imobiliária; cédula de crédito imobiliário; letra de arrendamento mercantil; letra financeira
7.2. Literalidade
Apenas tem validade para o título de crédito o que está escrito na cártula. Eventuais negociações extracartulares não podem ser opostas ao possuidor de boa-fé.
Exemplos: a quitação do título de ser certificada no próprio corpo do título; o aval deve ser constituído no corpo do título de crédito.
Exceção: duplicata (Lei 5.474/68, art. 9º) → validade do recibo em documento apartado.
Divide-se em dois subprincípios:
a) subprincípio de direito material
As relações cambiais são autônomas e independentes entre si; eventual nulidade ou uma assinatura falsa não interfere na obrigação dos demais coobrigados.
b) subprincípio de direito processual
As exceções pessoais do devedor não podem ser opostas ao credor de boa-fé.
Obs.: abstração → fenômeno cambial que confere autonomia plena ao título de crédito de forma que a relação cambial ficará completamente desvinculada da relação material que lhe deu origem → só se tem a autonomia da relação cambial quando o título circula (REsp 678.881/PR).
7.4. Autonomia relativa da nota promissória
Nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito
STJ, súmulas 233, 247 e 258.
a) contrato de abertura de crédito (cheque especial)
Limite que o banco disponibiliza para o correntista usar se quiser.
Execução → CPC, art. 585 (título executivo extrajudicial) mais extratos bancários. Entretanto, decidiu-se que o contrato de abertura de crédito é ilíquido. Sendo assim, não é título de crédito.
b) ação monitória (CPC, art. 1102-A) → procedimento especial de jurisdição voluntária
Cobrança → cognição ampla
Execução → mandado para pagamento em 10 dias Monitória → documento escrito
Se o pagamento não se realiza no prazo sem manifestação da parte ré, a monitória traslada-se em título executivo extrajudicial.
Se há oposição de embargos, o procedimento transforma-se em cognitivo.
Não tem autonomia e não pode, pois, ser executada → iliquidez
29-10-2012 (completar essa aula)
8. CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 8.1. Quanto ao modelo / forma
a) vinculado
Títulos que devem observar o padrão estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Padrões ditados por resolução.
Exemplos: cheque e duplicata.
b) livre
Desde que preenchido os requisitos da lei, a forma do título do crédito é livre, não havendo falar-se em padronização do título.
Exemplos: letra de câmbio e nota promissória.
8.2. Quanto à causa de emissão a) causais
A emissão está vinculada a uma causa, a uma relação material de fato (como, por exemplo, crédito bancário e contrato de compra e venda). Se há emissão do título sem essa causa exigida, o título será sem lastro (título frio).
Exemplos: duplicata e cédula de crédito bancário.
b) abstratos
A emissão do título é totalmente desvinculada de uma causa. Exemplos: letra de câmbio, nota promissória e cheque.
8.3. Quanto à estrutura
a) consubstanciação de ordem de pagamento
Sacador → quem emite o título e dá a ordem de pagamento Sacado → quem recebe a ordem de pagamento
Tomador → beneficiário
O aceite na letra de câmbio é facultativo, pois o sacado não assume obrigação cambial alguma se não o realizar.
No cheque não existe a figura do aceite, pois o banco paga se o correntista tiver saldo suficiente.
Na duplicata, de regra, o aceite é obrigatório. Exemplos: cheque, letra de câmbio e duplicata.
b) consubstanciação de promessa de pagamento Emitente → subscritor
Tomador
Emitente se obriga a fazer o pagamento direto Exemplos: nota promissória e cédula de crédito
8.4. Quanto à circulação a) ao portador
Título que não indica o beneficiário (tomador). A circulação desse tipo de título e realizada apenas com a tradição, não sendo necessário o endosso.
Lei 8.021/90 → proibida a emissão de títulos ao portador, salvo autorização expressa de lei.
Lei 9.069/95 → o cheque até o valor de R$100,00 pode ser emitido como sendo ao portador (sem indicação do beneficiário)
Obs.: a indicação do beneficiário, nos títulos que exijam isso, pode se dar no momento da execução.
b) nominais
Beneficiário (tomador) está identificado no título. Se o título for à ordem, a circulação se dá por meio do endosso cumulada com a tradição. Se o título for não à ordem, a circulação se dá por meio da cessão civil de crédito cumulada com a tradição.
Para o devedor a cessão civil de crédito é melhor.
Em regra, o endosso é feito no verso do título, bastando a assinatura. Se realizado no rosto do título, o ato cambial deve ser identificado.
Endosso Cessão civil de crédito
Formas de transferência do crédito
assinatura para a produção de efeitos) (convergência de vontades) Independe de notificação do devedor para
a produção de efeitos
Depende de prévia notificação do devedor para a produção de efeitos (CC, art. 290) Transferência de novo direito Transferência de direito derivado
Princípio da inoponibilidade das exceções A inoponibilidade não prevalece
c) nominativos
Arts. 921 e 922 do CC
Título nominativo é aquele emitido em favor de pessoa cujo nome conste em registro do emitente. A circulação deste título é dada por meio da assinatura do proprietário e do adquirente no termo de transferência no registro do emitente. Se não houver a assinatura do termo de transferência não haverá a produção de efeitos em relação ao devedor. Exemplo: debênture (LSA, art. 63)
LETRA DE CÂMBIO 1. HISTÓRICO
1.1. Período italiano (séc. XIII até 1673)
Littera cambii → prova da emissão do contrato de câmbio trajetício. O mercador se deslocava entre as cidades. Para não deslocar com dinheiro, evitando furtos e roubos, utilizava-se da letra de câmbio. A letra de câmbio no período italiano não era título de crédito, mas apenas instrumento de contrato de câmbio.
1.2. Período francês (1673 até 1898)
Surgimento do endosso e da figura embrionária do aval. A letra de câmbio passou a ser instrumento de pagamento.
Não era considerada título de crédito, pois a emissão da letra de câmbio estava condicionada ao câmbio trajetício.
1.3. Período alemão (1848 e ss.)
Nesse período, a letra de câmbio se tornou abstrata (documentação de qualquer operação), adquirindo caráter de título de crédito.
Construção dos princípios.
2. Processo de uniformização
Convenção de Genebra (1930) → Lei Uniforme de Genebra (regulamentação da letra de câmbio e nota promissória).
Devido à dificuldade de consenso entre todos os países, a LUG possui normas obrigatórias e facultativas. Estas se relacionam com as reservas (o país pode adotar ou não a norma).
2.1. Legislação aplicável no Brasil
Código Comercial (1850) → letra de câmbio → regulamentação defasada Decreto 2.044/1908 → letra de câmbio e nota promissória
1942 → adesão à LUG → a incorporação dessa lei só ocorreu em 1966, por ocasião do Decreto 57.663/66. Sendo assim, chama-se esse decreto de LUG.
A nossa LUG é cópia da tradução portuguesa de Portugal.
Essa lei possui: anexo 1 (normas obrigatórias) e anexo 2 (reservas)
No Direito pátrio, em matéria de letra de câmbio, prevalece o Decreto 57.663/66, em caso de reservas ou de omissões desta, o Decreto 2.044/1908 e o Código Civil.
AULA – 29/10/2012
CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Para classificar qualquer coisa é preciso estabelecer critérios: 1. Quanto ao modelo ou forma:
No cheque, por exemplo, é tudo padronizado. Quanto a forma, há dois tipos: títulos de modelo vinculado e títulos de forma livre. No caso do cheque e da duplicata, a forma deve observar um padrão estabelecido pelo Conselho Monetário Internacional. A cártula deve observar padrões editados por resolução do CMI.
Quanto ao modelo livre, há a letra de câmbio e a nota promissória. Desde que se preencham os requisitos da lei (data de emissão, dados do emitente, etc.), pode-se até usar uma folha de caderno para formar o título de crédito. O mais comum é compra-las em papelaria e gráfica, mas nada impede que se confeccione por conta própria.
2. Quanto à causa de emissão:
Nesse caso, os títulos de crédito distinguem-se em causais e abstratos. Dentre os causais, há a duplicata e as cédulas de crédito bancário. Só posso emitir duplicata diante
de determinadas causas, relações materiais, de fato. Emitida fora dessas situações, será a duplicata fria. Já a cédula de crédito bancário só pode, também, ser feita perante operação de crédito.
Os abstratos são completamente desvinculados de uma causa, podendo ser emitidos diante de qualquer situação (pagamento de prestação de serviços, empreitada, doação...). Exemplo: letras de câmbio, notas promissórias e cheques. Essa abstração não se confunde com o princípio da abstração (quando o título se desvincula da relação material que o originou).
3. Quanto à estrutura:
Há dois tipos: títulos que consubstanciam ordem de pagamento e títulos que consubstanciam uma promessa de pagamento. Como exemplos de ordem de pagamento, há as letras de câmbio, duplicata e cheque*. Como promessa de pagamento, há notas promissórias e cédulas de crédito bancário**.
*nas três situações, há a figura de um sacador, um sacado e um tomador. Nas letras de câmbio, sacador é quem emite o título, dá uma ordem de pagamento. O sacado é aquele ao qual a ordem foi dirigida. Tomador é o beneficiário. O sacador faz uma promessa de fato de terceiro. Não promete que vai fazer o pagamento, mas que um terceiro fará. No cheque, o sacador é quem emite a ordem (correntista), sacado é o Banco e tomador é quem é beneficiário do cheque.
Na duplicata, sacador é o vendedor da mercadoria, ou prestador do serviço. Sacado é o tomador do serviço ou comprador. O tomador é o mesmo vendedor ou prestador de serviços. O título é emitido pelo sacador em seu próprio benefício.
Quando se faz uma promessa de fato de terceiro, há a figura do aceite, que pode ser facultativo ou obrigatório. Na letra de câmbio, é facultativo (o sacado não assume obrigação cambial nenhuma, até que aceite – pode aceitar ou não). No cheque, não existe figura de aceite: o banco pagará se houver fundos. Já na duplicata, como regra, o aceite é obrigatório, pois quando o sacador presta um serviço ou expede mercadoria, se não forem constatados vícios, tem o comprador que aceitar (aceite obrigatório), a não ser que haja vícios.
**há a figura do emitente, chamado subscritor, e a figura do tomador. O emitente se obriga a fazer o pagamento direto do título em determinada data (ele mesmo pagará – não há promessa de fato de terceiro).
4. Quanto à circulação:
a) Títulos ao portador:
Título que não indica o beneficiário. O problema é que a Lei 8.021/90 teve uma política de rigidez fiscal, proibindo a emissão de títulos ao portador, salvo autorização expressa de lei. O exemplo de título que tem autorização expressa é o cheque até o valor de R$100,00. O cheque até R$100,00 é ao portador. A partir desse valor, deve ser ao beneficiário indicado (Lei 9.069/95).
O portador, nos demais casos, em que se aplica a lei 8.021/90, deve ser indicado no momento da cobrança. Na emissão o título não deixará de ser válido pela ausência da indicação do beneficiário.
Esse título circula por simples tradição – não precisa de endosso. Transmite riqueza sem gerar impostos.
b) Títulos nominais:
É aquele em que o beneficiário ou tomador está indicado.
Circula de duas formas: se for um título à ordem, transfere pela figura do endosso + tradição; se for um título não à ordem, transfere-se pela via da cessão civil de crédito + tradição. O cheque já é confeccionado com o padrão “à ordem”, pelo artigo 37. Cruza-se o cheque, para pagamento por crédito em conta (não Cruza-se conCruza-segue sacar na boca do caixa – desestimula a prática de delito). Quando se risca a cláusula “à ordem” e se insere a expressão “Não à ordem”, estabelece-se que o cheque não será transferido por endosso, mas por cessão civil de crédito (melhor para o devedor).
ENDOSSO CESSÃO CIVIL DE CRÉDITO
O ponto em comum entre eles é que ambos são formas de transferência do crédito.
Endosso é uma declaração unilateral de vontade (basta a assinatura lançada no título – já está apta a produzir efeitos), que tem que ser lançada, como regra, no verso do título (assinar o verso do título é autorizar o endosso). Se não indicado no verso, é preciso a expressão “pague-se este cheque a fulano”, senão a lei entende como
Já a cessão civil de crédito é um contrato, negócio jurídico bilateral – precisa da convergência de vontades do cedente e do cessionário.
sendo aval.
A circulação do título independe da notificação do devedor para produzir efeitos.
A circulação depende de prévia notificação do devedor (artigo 290, CC).
Transfere-se um direito novo –
prevalece o princípio da
INOPONIBILIDADE das exceções.
Transfere-se um direito derivado, de forma que todos os vícios são transferidos ao cessionário – não
prevalece o princípio da
inoponibilidade das exceções. É
melhor para o devedor porque se pode falar que não vai pagar em razão do vício.
c) Títulos nominativos:
Artigos 921 e 922, do CC. É aquele emitido em favor de pessoa cujo nome conste em registro do emitente. Esse título circula mediante termo, em registro do emitente. O proprietário e o adquirente têm que assinar um termo de transferência no registro do emitente. Se um deles não assinar, não produzirá efeito a transferência em relação ao devedor.
Por exemplo, há a debênture (artigo 63, da LSA): empresta-se dinheiro à S/A e adquire-se contra ela um direito certo de crédito. Mas não pode o debenturista transferir a debênture sem assinar termo de transferência no registro da S/A. Não produz efeito para a companhia a transferência sem a assinatura do termo.
TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE 1. LETRAS DE CÂMBIO
História:
- Período italiano: aproximadamente no século XIII, até 1673. Nessa época, não havia estado nacional (Itália), mas cidades com autonomia – Gênova e Veneza. Nestas, havia mercadores, que compravam mercadorias em Veneza, por exemplo, para vender em Gênova. Mas como o Estado não era unificado, cada cidade possuía sua moeda. Assim, iam os mercadores até os banqueiros para fazer transações de câmbio. O mercador entregava ao banqueiro o dinheiro e este lhe passava a letra de câmbio (não era o
câmbio manual – para não ir com o saco de dinheiro até a outra cidade). Esta agia como um contrato de câmbio trajetício. Chegando o mercador na outra cidade, procurava um representante do banqueiro para pegar a moeda que precisava (entregava a letra de câmbio e pegava o dinheiro da nova cidade).
A origem da letra de câmbio era um contrato trajetício. Mas nesse período, a letra de câmbio era somente um instrumento do contrato de câmbio, mas não um título de crédito propriamente dito.
- Período francês: aproximadamente de 1673 até 1848. Essa prática da letra de câmbio começou a difundir da Itália para toda a Europa. Na França, aflorou características novas. Havia o mercador, o banqueiro e o representante. Quando o francês procurava o representante, não era raro não encontra-lo no banco (não havia dinheiro suficiente). Procurava, assim, diretamente o feirante. Surgiu, nesse período, a figura do endosso. O feirante aceitava a letra de câmbio, mas mediante um garantidor (se o mercador não pagasse, o garantidor garantiria o pagamento) – embrião do avalista.
A letra de câmbio passou a ser instrumento de pagamento e não do contrato de câmbio. Não era considerada um título de crédito porque a emissão estava condicionada à operação de câmbio trajetício. Não era autônomo.
- Período alemão: 1848 e seguintes.
Foi quando as letras de câmbio se transformaram em título de crédito. A letra de câmbio passou a ter sua emissão autorizada para documentar operação de qualquer natureza, tornando-se um título abstrato. Não seria preciso, sequer, ter uma dívida com o sacado. Foram desenvolvidos, aí, os princípios da autonomia, cartularidade e literalidade.
Nessa altura, outros títulos de crédito já estavam sendo desenvolvidos (cheques, notas promissórias...). A letra de câmbio começou a cair em desuso por causa do aceite. O cheque e a nota promissória, no final do período alemão já começaram a se tornar muito mais práticos.
Diversos países adotavam regras diversas de títulos de crédito. Surgia, assim, a necessidade de dar uma uniformidade a isso.
Processo de uniformização:
Para obter as mesmas regras de títulos de crédito em diversos países, houve duas conferências em Haia, das quais participaram muitos países. Em 1910, não obtiveram êxito porque os países da Common Law não participaram. Em 1912, houve uma guerra na sequencia, de forma que não houve êxito novamente.
O êxito só foi em 1930, com uma convenção em Genebra (LUG). Nem todas as regras da LUG obtiveram consenso dos países. Foi composta, assim, de normas obrigatórias e facultativas. Devido à dificuldade de consenso de todos os países, nas regras todas, foram permitidas reservas em algumas regras. Se o país aderisse à lei uniforme, teria que observar o corpo de normas às quais aderira, internamente no país.
Legislação aplicável no Brasil:
Desde o início do século XX, tentavam uniformizar. No Brasil, o Código Comercial de 1850 tinha regras de letras de câmbio seguindo o sistema francês (defasado). Em 1908, editaram, portanto, o Decreto 2044/1908, melhor que a LUG, que tratava sobre a letra de câmbio e a nota promissória. Só em 1942 que o Brasil manifestou sua adesão à LUG. Um tratado internacional só passa a produzir efeitos internamente após o decreto do legislativo – a incorporação da LUG só se deu em 1966 por ocasião do decreto 57.663 (chamado, no Brasil, de LUG).
Ao invés de, no procedimento legislativo, analisarem o tratado e redigirem em português claro, copiaram uma tradução de Portugal. Além disso, tem a LUG dois anexos (o anexo I é das normas obrigatórias; o anexo II é das normas facultativas, reservas).
Decreto 2.044/1908: aplica-se nas omissões e reservas da LUG.
Código Civil: aplicação muito restrita (interrupção da prescrição e exigência de outorga uxória).
05-11-2012
MODELO DE LETRA DE CÂMBIO (completar essa aula)
ACEI
TE
Vencimento ____/____/____ Valor R$ 10.000,00 Pague-se por esta única via de letra de câmbio, na praça de Belo Horizonte/MG, a Fulano de Tal a quantia de dez mil reais.
Dados do Sacado Dados do Sacador
RG RG
CPF CPF Local e data
Endereço Endereço Assinatura
3. Requisitos
Capacidade, objeto e forma.
Específicos (arts. 1º e 2º da LUG)
Essenciais → sem eles o título deixa de ser válido
Cláusula cambiária (nome);
Ordem de pagamento
Obs. 1: ordem pura e simples (incondicional);
Obs. 2: cláusula de juros (art. 890 do CC, art. 10 da Lei 7.357/85 – cláusula considerada não escrita). É admitida na letra de câmbio à vista e letra de câmbio a certo termo de vista (art. 5º da LUG).
Obs. 3: é possível a emissão de letra de câmbio em moeda estrangeira (art. 42 da LUG). Porém, ela vai ser paga pelo câmbio cotado no dia do vencimento.
Obs. 4: em caso de divergências entre o algarismo e o valor por extenso, prevalece este (art. 6º da LUG). Em caso de divergência entre algarismo e algarismo ou extenso e extenso, prevalece o de menor valor;
Nome do sacador (aquele que dirige a ordem de pagamento);
Nome do sacado;
Data da emissão;
Assinatura → pode ser feita por procurador com poderes especiais (art. 2º, anexo II, da LUG c/c art. 1º, V, do Dec. 2.044/1908).
Não essenciais / supríveis
Praça de emissão → se ausente a praça de emissão, esta será o local indicado ao lado do nome do sacador (art. 2º, §3º, da LUG);
Praça de pagamento → se não se menciona a praça de pagamento, esta será o local indicado próximo ao nome do sacador (art. 2º, §2º, da LUG);
Vencimento → se não houver data de vencimento, considera-se que o título foi emitido à vista ou contra a apresentação.
4. Espécies de vencimento a) letra de câmbio à vista;
b) letra de câmbio a dia certo;
c) letra de câmbio a certo termo de vista (aceite) → o prazo para vencimento começa a correr após o aceite → prazo de 1 ano para colher o aceite.
d) letra de câmbio a certo termo de data (emissão) → o prazo para vencimento começa correr após a emissão.
5. Aceite
5.1. Conceito → ato cambial facultativo e privativo do sacado, pelo qual o mesmo
assume a posição de devedor direto da letra de câmbio.
O devedor direto é aquele que realiza o pagamento extintivo do título de crédito, sendo que não tem direito à ação regressiva. Já os devedores indiretos têm direito à ação regressiva.
5.2. Forma → de regra, deve ser dado na parte frontal do título (ao contrário do
endosso, que, em regra, é dado no verso). O aceite pode ser dado no verso, sendo que, nesse caso, deve-se indicar que se trata de aceite.
5.3. Recusa → duas consequências (art. 43 da LUG):
a) vencimento antecipado do título de crédito;
b) vinculação de todos os coobrigados ao pagamento da letra de câmbio.
Obs.: protesto → ato formal e solene para se comprovar a recusa do aceite (art. 44 da LUG).
Protesto cambial necessário → indispensável para executar os coobrigados da letra de câmbio → 1 dia útil após o vencimento ou a recusa do aceite (art. 28 do Dec. 2.044/1908). Se não se protesta, perde-se o direito de executar, mas não de cobrar.
Protesto cambial facultativo → para se cobrar → forma de pressão, pois inclui o nome no SPC, SERASA, além de vedar participação de licitação (negativação do nome).
5.4. Aceite parcial / qualificado
a) aceite limitativo → relaciona-se com o valor; Duas correntes:
1ª → autonomia das obrigações cambiais → deve-se cobrar dos coobrigados a integralidade da dívida, cabendo ao coobrigado ação regressiva contra o sacado.
2ª → literalidade de boa-fé → deve-se cobrar apenas o saldo não reconhecido. b) aceite modificativo → alteração de outro dado (por exemplo, data do vencimento)
Em relação ao sacado, o mesmo se obriga nos termos do aceite. Em relação aos demais coobrigados o aceite parcial não tem diferença alguma, ou seja, o aceite parcial também acarreta o vencimento antecipado e a vinculação dos demais obrigados (art. 26 c/c art. 43, ambos da LUG).
5.5. Cláusula não aceitável
Garantir o sacador do vencimento antecipado em caso de recusa do aceite.
6. Endosso
6.1. Conceito → endosso próprio ou translatício → ato cambial que se destina à
transferência da titularidade do crédito incorporado no título.
6.2. Forma → de regra, deve ser realizado no verso, mas pode ser feito na face do título,
identificando que se trata de endosso.
6.3. Efeitos
a) transferência b) vinculação
Obs.: art. 914 do CC → em regra, o endossante não se obriga. Mas como o CC tem aplicação subsidiária, aplica-se a regra da legislação especial, a saber, vinculação do endossante.
6.4. Endosso sem garantia
Não há vinculação do endossante (paga-se, sem garantia, a Fulano de Tal).
6.5. Endosso e cessão civil de crédito
No endosso o endossante responde pela insolvência do devedor.
Na cessão de civil de crédito o endossante não responde pela insolvência.
6.6. Endosso impróprio
Não se presta a transferir a titularidade do crédito, mas apenas o de legitimar a posse do endossatário.
Endosso mandato → simples transferência da posse, para legitimar os atos de cobrança realizados pelo endossatário-mandatário, feitos em nome e no interesse do endossante. Endosso caução / pignoratício → legitima a transferência da posse do título de crédito, que serve de garantia de uma outra operação celebrada entre o endossante e o endossatário.
Se a operação de crédito não for adimplida no seu vencimento, o mandatário praticara os atos de execução em nome e no interesse próprio.
Obs.: o endossatário, no endosso mandato e no caução, não pode praticar o endosso translatício, já que somente tem a posse do título; qualquer endosso por ele praticado será entendido como endosso mandato.
6.7. Endosso em preto e endosso em branco
Em preto → identifica o beneficiário → circula por novo endosso
Em branco → não identifica o beneficiário → ao portador → circula por simples tradição.
12-11-2012
6.8. Endosso póstumo ou tardio
Emissão → 12-12-2012 Vencimento → 12-04-2013
Prazo para protesto → 1 dia → 13-04-2012
O endosso realizado após o prazo do protesto por falta de pagamento assume a forma de endosso, mas somente produz efeitos de cessão civil de crédito.
6.9. Endosso parcial
É nulo o endosso parcial (art. 912, parágrafo único, do CC, art. 12 da LUG) → é vedada a transferência parcial do crédito.
Obs.: o endosso deve ser feito por escrito no corpo do título. Entretanto, é possível a existência de folha de alongamento (folha anexa) → espaço para diversas assinaturas.
7. Aval (art. 30 a 32 da LUG)
7.1. Conceito
Aval é o ato cambial pelo qual o avalista assume a condição de garantidor da obrigação do avalizado.
É uma forma de garantia pessoal / fidejussória (fides → confiança).
7.2. Forma
O aval deve ser prestado no anverso, bastando a assinatura do avalista. Também pode ser prestado no verso, mas se deve indicar que se trata de aval (“por aval de”).
Obs.: REsp 707.979/MG → caso em que o aval foi prestado fora do corpo do título → vício de forma que afasta a obrigação do avalista.
7.3. Responsabilidade do avalista (art. 32 da LUG)
O aval é uma garantia autônoma, sendo que o avalista responde da mesma forma que o avalizado.
O aval permanece mesmo diante de uma nulidade da obrigação avalizada. A única exceção à autonomia é o vício de forma na prestação do aval.
O avalista pode avalizar o devedor direto (aquele que realiza pagamento extintivo do título) ou o devedor indireto.
Na letra de câmbio o devedor direto é o aceitante. Na nota promissória o devedor direto é o emitente. Os devedores indiretos são os endossantes e o sacador na letra de câmbio. Quando se avaliza devedor direto, não há necessidade protesto (o avalista responde da mesma forma que o avalizado). Já quando se avaliza devedor indireto, há necessidade de protesto.
Obs.: aval antecipado → é o aval prestado antes da manifestação do sacado sobre o aceite. Se o sacado não aceitar a ordem, o avalista responde? Duas doutrinas bem divididas: a) o avalista responde, pois a sua obrigação é autônoma (Fábio Ulhoa Coelho e José Emygdio – professor também adota essa corrente); b) o avalista não responde, pois sua obrigação é a mesma do avalizado.
6.4. Aval e outorga conjugal
Em seu art. 1647, III, o CC realizou uma das poucas alterações no regimento legal dos títulos de crédito.
Regime de bens → comunhão universal, comunhão parcial, participação final nos aquestos, separação de bens.
Exceto no regime de separação absoluta de bens, é necessária a outorga conjugal para a prestação de aval (art. 1647, caput). Falta de técnica → o que é separação absoluta? Separação obrigatória / legal (art. 1641) → maior de 70 anos de idade (crítica – incapacidade presumida do maior de 70 anos); Separação convencional. Apenas neste regime (separação convencional) é que se dispensa a necessidade de outorga conjugal.
Separação obrigatória → súmula 377 do STF → mesmo no regime de separação obrigatória, os bens adquiridos onerosamente na constância da relação passam a integrar os aquestos, ou seja, o patrimônio comum dos cônjuges. Devido à possibilidade de formação de patrimônio comum, surge a pretensão do cônjuge de realizar o controle sobre os atos obrigacionais do outro, para impedir que certos atos alcancem o patrimônio conjunto (REsp 1.163.074/PB).
a) suprimento judicial da outorga conjugal (art. 1648) → quando a recusa for imotivada. b) prazo → o cônjuge preterido tem o prazo de 2 anos para propor a ação anulatória do aval.
c) consequências da ausência da outorga → escada pontiana (Pontes de Miranda) → ato inexistente, inválido ou ineficaz? O CC diz que é inválido (arts. 1648 e 1649) → não atende a forma prescrita por lei, cabendo ação anulatória. Entretanto, há entendimentos diversos (TJMG, TJRS, TJPR, TJRJ) → ineficácia parcial do aval, pois o ato produz efeitos em relação ao cônjuge que assumiu a obrigação, não atingindo somente a
meação do cônjuge preterido. O aval prestado pelo avalista é existente e válido, sendo ineficaz em parte, pois atinge somente o patrimônio do cônjuge que prestou o aval.
Obs.: a outorga conjugal pode ser prestada posteriormente ao aval.
7.5. Aval e fiança
Aval Fiança
Garantia pessoal
Necessidade de outorga conjugal Natureza jurídica Declaração unilateral de
vontade Contrato
Forma Escrito, corpo do título, folha anexa
Escrito (art. 819), em qualquer documento
Responsabilidade Solidária
Subsidiária (benefício de ordem → indicação de bens → pode haver renúncia ao benefício de ordem, pelo que a obrigação será solidária)
Extensão da responsabilidade
Prevalece o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais (garantia autônoma)
As exceções pessoais são oponíveis (garantia acessória)
7.6. Aval sucessivo e aval simultâneo
Aval sucessivo → aval de aval → avalista avalizando avalista → solidariedade
Aval simultâneo → dois ou mais avalistas garantem a obrigação de um mesmo avalizado (coaval) → solidariedade civil → cada avalista é responsável na medida de sua quota (ex. no caso de dois avalistas, cada um será responsável por metade do crédito).
Obs.: aval em branco (aquele que não identifica o avalizado) e aval em preto (aquele que identifica o avalizado) → o aval em branco na letra de câmbio presume-se firmado em favor do sacador.
Obs.: súmula 189 do STJ → avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos → coaval.
7.7. Aval parcial
É possível o aval parcial (legislação cambiária) → art. 30 da LUG (letra de câmbio); art. 29 da Lei 7.357/85 (cheque); art. 25 da Lei 5.974/68 (duplicata).
Entretanto, o art. 897 do CC veda o aval parcial.
7.8. Direitos do avalista
O avalista tem direito à ação regressiva. A ação regressiva do avalista pode ser movida em face do respectivo avalizado e contra todos os demais coobrigados situados anteriormente na cadeia de endosso (avalistas e endossantes) → é comum datar o aval.
19-11-2012
Estudo dirigido em grupo de três no dia 17-12-2012 Acórdãos e consulta a legislação seca
8. Endosso / desconto bancário / factoring (fomento mercantil ou faturização)
a) ponto comum
Tanto no desconto bancário como no factoring ocorre a antecipação do crédito com deságio (juros).
b) diferença
Segundo entendimento do STJ, jurisprudência majoritária, apenas as instituições financeiras podem cobrar, em regresso, o valor do cliente caso o título não seja pago. Quanto às operações de factoring, por não representarem operações bancárias típicas, não há possibilidade de manejo de ação regressiva contra o endossante (a empresa de
factoring assume o risco da operação).
c) instituição financeira e operações (art. 17 da Lei 4.595/64)
Instituição financeira é toda entidade de direito público ou privado que realiza uma operação de aplicação, intermediação, captação ou custódia de valores de terceiros. A instituição financeira precisa de autorização para funcionar. Se for nacional, necessita de autorização do Banco Central. Se for estrangeira, haverá a necessidade de autorização concedida por Decreto Presidencial.
Aplicação → cheque especial, mútuo, descontos de títulos → operações ativas, pois a instituição financeira assume a posição de credora.
Agente econômico → INTERMEDIAÇÃO → agente econômico
Instituição financeira → CAPTAÇÃO → agente econômico (supervitário)
Captação → CDB → operação passiva, pois a instituição financeira assume a posição de devedora.
Segundo o STJ, as sociedades que atuam no ramo de factoring não são consideradas instituições financeiras e desse fato resultam duas consequências:
I – taxa de juros → no caso das instituições financeiras, a taxa de juros é fixada
segundo as leis do mercado, sendo que não há limite legal. A Lei de Usura (Dec. 22.626/33) proíbe a contratação de juros por taxa superior ao dobro da taxa legal (taxa SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia). Atualmente, a taxa SELIC é de 6% ao ano. As instituições financeiras não se sujeitam ao limite de taxa juros fixado pela Lei de Usura (Súmula 596). Por outro lado, as empresas de factoring não podem cobrar juros superiores a 12% ao ano (dobra da taxa legal).
II – ação regressiva → as empresas de factoring não podem cobrar a dívida do
endossante em ação regressiva, porque, segundo entendimento predominante do STJ, essa possibilidade fica restrita às instituições financeiras. Professor não compartilha desse entendimento, pois ele descaracteriza a natureza do endosso, o qual tem como uma das consequências a vinculação do endossante.
PROTESTO (LEI 9.492/97) 1. Conceito
Art. 1º → protesto é o ato formal e solene que serve para provar o inadimplemento e o descumprimento de obrigação cambial
Obs.: crítica → nem sempre o protesto vai provar o descumprimento de uma obrigação, como ocorre, por exemplo, com o protesto por falta de aceite, o qual tem por função legitimar o credor a promover a execução contra os devedores indiretos. O sacado não tem obrigação de dar o aceite. Segundo Ulhoa, protesto é o ato formal e solene,
praticado perante o competente cartório para fins de incorporar ao título de crédito prova de fato relevante para as obrigações cambiais.
2. Classificação
2.1. Quanto à necessidade do protesto
a) protesto necessário
I – protesto cambialmente necessário → é aquele que deve ser promovido contra os devedores indiretos (na letra de câmbio são os sacadores, os endossantes e os avalistas – exceto avalista do devedor direto, isto é, do sacado), sob pena de decadência (perda do direito de manejar a ação de execução).
Obs.: cláusula sem despesa / sem protesto → torna desnecessária a lavratura do protesto para o manejo da execução sem protesto.
II – protesto para fins falimentares → art. 94, I, da Lei 11.101/05 (Lei de Recuperação de Empresas)
b) protesto facultativo
Para os devedores diretos (na letra de câmbio são os aceitantes e na nota promissória, os emitentes e avalistas).
O protesto se torna instrumento de pressão (inclusão do nome no SPC).
Obs.: o nome fica negativado no SPC por no máximo 5 anos (art. 41, §3º, CDC). Já quanto ao prazo para que o nome conste no cartório de protesto, a lei não traz prazo, sendo que a jurisprudência entende que será também de 5 anos. Por outro lado, se a dívida prescrever até mesmo antes desse prazo, o nome deverá ser retirado dos cadastros.
2.2. Quanto ao fato que se pretende provar
a) protesto por falta de recusa de aceite
Prazo até o vencimento do título
b) protesto por falta de devolução
Ocorre quando há retenção indevida do título
Não é muito utilizado na prática
d) protesto por falta de pagamento
Prazo decadencial de um dia útil após o vencimento para fazer esse protesto (em se tratando de letra de câmbio e nota promissória).
3. Procedimento
Fases: pedido, intimação e lavratura do protesto 3.1. Pedido
a) cartório competente
A lei é omissa. REsp 1.015.152/RS/4T → praça de pagamento indicada no título
b) título original
Consequência do princípio da cartularidade. Exceções: protesto por falta de devolução; protesto por indicações da duplicata.
c) exame do título
O exame do título se restringe apenas aos aspectos formais do título, ou seja, se os requisitos forem cumpridos, o tabelião deverá dar prosseguimento ao caso; ele não está autorizado, e nem deve, analisar o conteúdo do título (não avalia, por exemplo, se o título está prescrito).
3.2. Intimação
a) forma
A.R → assinatura → não precisa ser do próprio devedor (teoria da aparência)
b) intimação por edital
Art. 15 → quatro hipóteses: recusa da assinatura; desconhecimento da pessoa; local incerto ou desconhecido; residir em comarca que não for da competência do tabelionato.
3.3. Lavratura do protesto
a) conceito
b) prazo
Para o devedor adimplir a dívida, computa-se o prazo de três dias úteis contados da protocolização, nos termos do art. 12 da Lei de Protesto. Entretanto, a jurisprudência entende que o prazo é contado a partir da intimação.
4. Efeitos (protesto por falta de pagamento)
a) vinculação dos devedores indiretos b) interrupção da prescrição
Súmula 153 do STF → simples protesto cambial não interrompe a prescrição → súmula revogada pelo art. 202, III, do CC.
c) inscrição do nome do devedor nos órgãos de proteção ao crédito (SPC / Serasa)
Obs.: qualquer título líquido pode ser protestado por falta de pagamento. Nesse caso, o protesto serve como instrumento de pressão.
26-11-2012 1ª Prova → 03-12-2012 Trabalho em sala → 17-12-2012 Prova final → 29-01-2013 5. Sustação do protesto a) conceito
É uma medida cautelar inominada, que deve ser apresentada antes da lavratura do protesto, tendo como objetivo evitar os efeitos do protesto.
Deve ser ajuizada no prazo de 3 dias para o cumprimento da obrigação.
b) natureza
Processo de conhecimento → acertar Processo de execução → satisfazer
Processo cautelar → resguardar; nominada → previsão no CPC (ex. arresto); inominada (ex. sustação do protesto)
A ação principal de nulidade do título ou obrigação deve ser ajuizada no prazo de 30 dias, contado a partir do julgamento da cautelar.
c) requisitos
Periculum in mora → “abalo de crédito” (doutrina)
Fumus boni iuris → plausibilidade do direito invocado → a inicial deve ser instruída
com o mínimo de lastro probatório.
Obs.: sustação dos efeitos do protesto → quando houve a perda do prazo para sustação do protesto → no prazo, almeja-se impedir a lavratura do protesto. Após o prazo, a jurisprudência entende ser cabível cautelar para a sustação dos efeitos do protesto.
6. Cancelamento do protesto Duas alternativas:
a) apresentação ao tabelião do título protestado → presunção de pagamento; paga-se o
título e o resgata.
b) carta de anuência do credor → firma reconhecida do credor (se for sociedade, aquele
que teve a firma reconhecida deve apresentar o contrato social).
Obs.: deve-se pagar as custas cartoriais.
Obs.: a quem cabe a providência do cancelamento? Quem é a parte mais interessada é o devedor, não devendo esperar o credor tomar providências. Ressalte-se que o credor também pode realizar o cancelamento do protesto, mas é muito raro.
AÇÕES CAMBIAIS 1. Espécies
a) execução → art. 632 e seguintes do CPC
I – execução direta → aquela intenta contra os devedores diretos (LC → aceitante; NP → emitente) e os respectivos avalistas (art. 32 da LUG).
Não há necessidade de protesto. A prescrição para a execução direta é de 3 anos contados do vencimento do título (art. 70 da LUG).
II – execução indireta → ação intenta contra os devedores indiretos (LC → sacador mais os endossantes e os respectivos avalistas).
Há a necessidade do protesto, a ser realizado um dia útil após o vencimento (art. 44 do Dec. 2.044/1908).
A prescrição é de um ano contato da data do protesto.
Obs.: se houver cláusula sem despesa (dispensa do protesto), o prazo de um ano começa a correr a partir do vencimento do título.
III – execução regressiva → ajuizada entre os coobrigados do título (algum coobrigado pagou e exerce o direito de regresso contra todos os coobrigados situados anteriormente na cadeia de solidariedade – art. 50 da LUG).
Há a necessidade do protesto.
O prazo para a prescrição da ação regressiva é de 6 meses, contado a partir: a) do pagamento → antes da ação de execução; b) da citação válida → após à ação de execução.
Obs.: o devedor indireto que pretende se resguardar da prescrição deverá adotar alguma medida hábil para interromper o prazo. Pode-se dar ciência ao coobrigado da interrupção da prescrição por carta com AR, ou, mais formalmente, ajuizar medida cautelar inominada protesto interruptivo de prescrição.
b) enriquecimento sem causa / locupletamento indevido → Dec. lei 2.044/1908
Prazo de 3 anos a contar do término do prazo da ação de execução.
Ação de enriquecimento sem causa é diferente do processo de conhecimento.
Ação causal (cobrança) → ação de conhecimento (art. 333, I, do CPC) → relação de direito material → pode ter prazo de prescrição maior ou menor que a ação cambial, dependendo da relação de direito material (ex. o prazo para prescrição alimentícia é de 3 anos – art. 206 – e o prazo para prescrição da compra e venda é de 10 anos – art. 205).
2. Execução: aspectos gerais
2.1. Petição inicial
Art. 282 → título original (cartularidade);
Planilha de cálculo → correção (índice corregedor do Tribunal) Juros de mora → 1% ao mês (art. 591 do CC)
Obs.: na execução indireta deve-se indicar o protesto, juntando-o.
2.2. Prazo paga pagamento
3 dias do mandado → 1ª via: executado; 2ª via: oficial; 3ª via: autos
Após os 3 dias, não realizado o pagamento, lavra-se auto de penhora e, dependendo do bem, de avalição.
2.3. Defesa do executado
São os embargos à execução → prazo de 15 dias contados da juntada do mandado nos autos.
Distribuição por dependência → autos apartados
Obs.: os embargos independem de penhora, depósito ou caução → a reforma do CPC em 2006 visou atender aos comandos da EC 45/04 → celeridade da prestação jurisdicional.
Obs.: matérias que podem ser alegadas:
a) art. 51 do Dec. 2.044 → somente matérias que dizem respeito ao exequente e ao executado, em virtude do princípio da inoponibilidade das exceções pessoais;
b) vício de forma;
c) excesso → deve-se juntar a planilha de cálculo.
10-12-2012
Estudo dirigido para o dia 17-12-2012 (20 pontos) Temas
1. Nota promissória → requisitos formais 2. Cheque pós-datado
3. Cédula de crédito bancário (discussão sobre a constitucionalidade e liquidez) 4. Protesto do boleto bancário
CHEQUE
1931 → Convenção de Genebra → 3 tratados → Lei Uniforme de Cheque → incorporada na legislação pátria pelo Dec. 57.665/66. Este foi revogado pela Lei 7.357/85.
Atualmente, o cheque é regulado pela Lei 7.357/85 e por resoluções e circulares do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. O art. 69 da Lei 7.357/85 dispõe sobre a possibilidade de regulamentação por resoluções e circulares.
2. Conceito
Ordem de pagamento à vista emitida contra um banco em razão de fundos mantidos pelo emitente junto ao sacado
Diferenças entre cheque e letra de câmbio
No cheque o sacado é um banco, enquanto na letra de câmbio pode ser qualquer pessoa. No cheque o sacador mantém uma conta corrente junto ao banco sacado.
Ademais o cheque é ordem de pagamento à vista.
Conta corrente → contrato de depósito irregular → dinheiro é bem móvel fungível → transferência da propriedade → o banco se torna o proprietário do valor.
Obs.: o cheque é titulo de crédito com modelo vinculado → folhas de cheque com modelo padronizado pelo Conselho Monetário Nacional → requisitos nos arts. 3º e 4º da Lei do Cheque
Obs.: ordem de pagamento à vista → o cheque pós-datado ou pré-datado (sinônimos) é costume, não possuindo previsão legal. Uma vez apresentando o título ao banco, mesmo que este seja pós-datado, o seu pagamento é medida que se impõe → não há prática de ato ilícito por parte do banco, mas o tomador (aquele que apresenta antecipadamente o cheque) incorre em abuso de direito e se responsabiliza por isso.
O banco que paga o cheque antes da data do vencimento não comete ato ilícito. Ao contrário do tomador que viola o contrato celebrado com o emitente, praticando abuso de direito (art. 187). Assim, a simples apresentação antecipada caracteriza o dano moral.
3. Aceite, endosso e aval
Não há aceite no cheque → o banco paga se houver provisão de fundos suficientes.
Na vigência da CPMF, a Lei 6.311 limitou a quantidade de endossos de cheque (um endosso apenas). O art. 90 da ADCT extinguiu a CPFM (31-12-2007), revogando a Lei 6.311 → hoje não há limitação do número de endossos.
Sobre o aval → art. 129 da Lei de Cheque → o banco não pode ser o avalista do sacado → o banco apenas presta serviço
4. Apresentação
4.1. Prazo (art. 33 da Lei de Cheque)
Mesma praça (local da emissão igual ao local da agência pagadora) → 30 dias contados da emissão.
Praça distinta (local da emissão distinto ao local da agência pagador) → 60 dias contados da emissão.
Obs.: pós-datação e prazo de apresentação.
Pode-se pós-datar o cheque: a) escrevendo bom para; b) perfazendo uma emissão com data futura; c) de forma extracartular, de acordo com o contrato celebrado → acordo com o tomador (se este viola caberá ação de indenização).
A pós-datação nas modalidades “bom para” e “extracartular” não influi no prazo de apresentação cuja fluência se opera normalmente a partir da data da emissão. Neste caso, o portador do título perderá o prazo se apresentar o cheque após o seu transcurso.
4.2. Consequências da perda do prazo
a) o banco pode pagar o título após o prazo de apresentação?
Ex.: cheque com mesma praça; emissão 12-2012; termo final para apresentação 10-01-2013; apresentação no dia 20-01-2013. O banco pode pagar desde que dentro do prazo prescricional de 6 meses, contados da expiração do prazo de apresentação (art. 59 da Lei de Cheque) → súmula 600 do STF.
b) execução do devedor direito → são devedores do cheque o emitente e o avalista dele. A execução pode se dar desde que obedecido o prazo prescricional. Não precisa de protesto para executar o devedor direito.