UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,
ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
PATRICIA PLEGGE POTT
ANÁLISE TRIBUTÁRIA EM SUPERMERCADO
(Trabalho de Conclusão de Curso)
IJUÍ (RS)
2015
PATRICIA PLEGGE POTT
ANÁLISE TRIBUTÁRIA EM SUPERMERCADO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Ciências Contábeis, Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.
Profª Orientadora: ANELIA FRANCELI STEINBRENNER
AGRADECIMENTOS
Deus, em sua infinita bondade deu-me o dom a vida, muito obrigado Senhor por todas as bênçãos recebidas, por me levantar todas as vezes que caí e fui fraca, fazendo ver o quão forte posso ser.
Fabi, mana querida, sem palavras para agradecer tudo o que fez por mim, por todo o teu apoio, dedicação. Obrigado por ter acreditado em mim durante esses oito anos de faculdade.
Delmar, meu querido marido, obrigado por ter sido tão companheiro e amoroso. Obrigado por ter cuidado tão bem do nosso tesouro, o Matheus.
Mãe, obrigado por todo o apoio, e Fábio, muito obrigado por fazer rir nos momentos mais difíceis.
Professora Anélia, muito obrigado por toda a dedicação, competência e esforço, sem você, com certeza não teria conseguido.
Aos professores Euselia e Teodoro, muito obrigado por amar a profissão e demonstrar isso a todos alunos, transmitido a motivação constante.
Às meninas do Escritorio Plegge, muito obrigado pelo apoio constante, em especial a Edineia e Aline K, que estiveram sempre ao meu lado.
Às queridas colegas durante todos os oito anos de faculdade, obrigado por terem tornado os momentos mais fáceis e divertidos.
RESUMO
A contabilidade é a ciência responsável por registrar, controlar e analisar os atos e os fatos de uma entidade. È também responsável pela transmissão dos dados das empresas ao fisco, por meio da contabilidade tributária, apurando os impostos e tributos que devem ser pagos aos governos federais, estaduais e municipais. O pagamento dos tributos é inevitável, porém cabe ao contador analisar os dados fornecidos pela empresa e verificar qual é a melhor opção tributaria. Neste contexto, foi realizado a analise da empresa do ramo de comercio varejista de produtos com predominância de alimentos, com o objetivo de verificar em qual modalidade de tributação a empresa tem o melhor resultado líquido do exercício, com o embasamento na pesquisa bibliográfica sobre a contabilidade geral, tributária, análise das demonstrações contábeis e o planejamento tributário. Foram utilizados os dados fornecidos pela empresa dos períodos de 2013 e 2014, dos quais foram utilizados para a projeção de faturamento, custos e despesas para o ano de 2015. Sobre esta projeção foram realizados os cálculos e análises de qual é a melhor forma de tributação, onde constatou-se com base na demonstração de resultado do exercício que o lucro real é a forma menos onerosa de tributação para a empresa objeto de estudo.
LISTA DE ABREVIATURAS
BP - Balanço Patrimonial
CFC - Conselho Federal de Contabilidade CGSN - Comitê Gestor do Simples Nacional
COFINS - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social CPP - Contribuição Previdenciária Patronal
CSLL - Contribuição social sobre o lucro Liquido CTN - Código tributário Nacional
DRE - Demonstração do Resultado do Exercício EFD - Escrituração Fiscal Digital
IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação
ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e Comunicação
IN - Instrução Normativa
IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados IRPJ - Imposto de renda Pessoa Jurídica LC - Lei Complementar
NE - Notas Explicativas
PIS - Programa de Integração Social RFB - Receita Federal do Brasil
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Percentuais para determinação do cálculo da Receita Presumida para IRPJ ... 27
Quadro 2: Competência Tributária ... 32
Quadro 3: Funcionário por Setor ... 59
Quadro 4: DRE 2013 e 2014 e AV e AH ... 60
Quadro 5: BP de 2013 e 2014 com AV e AH ... 62
Quadro 6: Faturamento Projetado para 2015 ... 65
Quadro 7: Projeção de Custos para 2015 ... 66
Quadro 8: Compras Projetadas para o Ano 2015 ... 66
Quadro 9: Compras projetadas para o ano 2015 lucro presumido... 67
Quadro 10: Compras projetadas para o primeiro semestre 2015 Lucro Real ... 68
Quadro 11: Cálculo das compras projetadas para o segundo semestre 2015 Lucro Real ... 68
Quadro 12: Projeção de Pró-Labore para 2015 ... 69
Quadro 13: Projeção de Gastos de sistemas de Informação para 2015 ... 70
Quadro 14: Projeção dos Salários para 2015 - SIMPLES Nacional ... 71
Quadro 15: Projeção dos Salários 2015 - Lucro Presumido e Lucro Real... 72
Quadro 16: Projeção de Gasto de energia elétrica 2015 - SIMPLES Nacional e Lucro Presumido ... 73
Quadro 17: Projeção de Gasto de energia elétrica 2015 – Lucro Real ... 73
Quadro 18: Demonstrativo de despesas 1º semestre 2015 ... 74
Quadro 19: Demonstrativo de despesas 2º semestre 2015 ... 75
Quadro 20: Demonstrativo de despesas que sofreram alteração no valor 1º semestre 2015 ... 76
Quadro 21: Demonstrativo de despesas que sofreram alteração no valor 2º semestre 2015 ... 76
Quadro 22: Alíquotas do SIMPLES Nacional... 77
Quadro 23: Projeção de SIMPLES Nacional Projetado a Recolher 2015 ... 78
Quadro 24: Projeção de PIS e COFINS Cumulativo a Recolher ... 80
Quadro 25: Projeção Mensal de ICMS a Recolher ... 81
Quadro 26: Projeção da Contribuição Previdenciária a Recolher ... 82
Quadro 27: Apuração das Receitas Trimestrais base de cálculo do lucro presumido ... 83
Quadro 28: Apuração do IRPJ Lucro Presumido Projetado 2015 ... 84
Quadro 29: Apuração da CSLL sobre o Lucro Líquido projetada 2015 ... 85
Quadro 30: Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) Lucro Presumido ... 85
Quadro 31: Demonstrativo do cálculo dos débitos de PIS e COFINS Não Cumulativo
2015 ... 86
Quadro 32: Demonstrativo de créditos de PIS e COFINS Não Cumulativo 2015 ... 87
Quadro 33: Demonstrativo de PIS e COFINS Não Cumulativo a recolher ... 88
Quadro 34: DRE Lucro Real 1º trimestre 2015 ... 90
Quadro 35: DRE Lucro Real 2º trimestre 2015 ... 91
Quadro 36: DRE Lucro Real 3º trimestre 2015 ... 92
Quadro 37: DRE Lucro Real 4º trimestre 2015 ... 93
Quadro 38: DRE Anual Projetada Lucro Real 2015 ... 94
Quadro 39: Cálculo IRPJ Lucro Real Estimativa Mensal ... 95
Quadro 40: Cálculo CSLL a recolher Lucro Real Estimativa ... 96
Quadro 41: LALUR período janeiro 2015 e fevereiro 2015 ... 97
Quadro 42: LALUR período março 2015 e abril 2015 ... 97
Quadro 43: LALUR período maio 2015 e junho 2015 ... 98
Quadro 44: LALUR período julho 2015 e agosto 2015... 98
Quadro 45: LALUR período setembro 2015 e outubro 2015 ... 99
Quadro 46: LALUR período novembro 2015, dezembro 2015 e o total a recolher ... 99
Quadro 47: LALUR - Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral 1º trimestre ... 100
Quadro 48: LALUR Parte B- Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 1º trimestre... 101
Quadro 49: LALUR - Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 2º trimestre ... 101
Quadro 50: LALUR Parte B- Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 2º trimestre... 101
Quadro 51: LALUR - Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 3º trimestre ... 102
Quadro 52: LALUR Parte B - Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 3º trimestre... 102
Quadro 53: LALUR - Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 4º trimestre ... 103
Quadro 54: LALUR Parte B- Apuração IRPJ e CSLL – Lucro Real Trimestral – 4º trimestre... 103
Quadro 55: DRE 1º trimestre de 2015 - SIMPLES Nacional ... 104
Quadro 56: DRE 2º trimestre de 2015 - SIMPLES Nacional ... 105
Quadro 57: DRE SIMPLES Nacional 3º trimestre de 2015 ... 106
Quadro 58: DRE SIMPLES Nacional 4º trimestre de 2015 ... 106
Quadro 60: DRE 1º trimestre - 2015 Lucro Presumido ... 108
Quadro 61: DRE 2º trimestre - 2015 Lucro Presumido ... 109
Quadro 62: DRE 3º trimestre 2015 Lucro Presumido ... 109
Quadro 63: DRE 4º trimestre 2015 Lucro Presumido ... 110
Quadro 64: DRE Anual 2015 - Lucro Presumido ... 110
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Demonstrativo de Resultado SIMPLES Nacional 2015 ... 111
Gráfico 2: Demonstrativo de Resultado Lucro Presumido 2015 ... 112
Gráfico 3: Demonstrativo de Resultado Lucro Real 2015 ... 113
Gráfico 4: Comparativo de tributos em cada modalidade de tributação ... 115
Gráfico 5: Representatividade dos impostos pelo SIMPLES Nacional ... 115
Gráfico 6: Representatividade dos impostos pelo Lucro Presumido ... 116
SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... 11 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ... 13 1.1 TEMA ... 13 1.2 CARACTERÍSTICA DA EMPRESA ... 13 1.3 PROBLEMA ... 14 1.4 OBJETIVOS ... 16 1.4.1 Objetivo geral... 16 1.4.2 Objetivos específicos ... 16 1.5 JUSTIFICATIVA... 16 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 18 2.1 CONTABILIDADE ... 18 2.1.1 Introdução ... 18 2.1.2 Princípios Contábeis ... 19
2.1.3 Objetivos, Objeto e Usuários da Contabilidade ... 19
2.3 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA ... 21 2.3 MODALIDADES DE TRIBUTAÇÃO... 22 2.3.1 Lucro Real ... 23 2.3.1 Lucro Presumido ... 26 2.3.2 Simples Nacional ... 28 2.4 TRIBUTOS ... 31
2.4.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ ... 33
2.4.2 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL ... 35
2.4.3 Programa de Integração Social - PIS ... 36
2.4.3.1 Regime Não-cumulativo ... 36
2.4.3.2 Regime Cumulativo ... 36
2.4.4 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS ... 39
2.4.4.1 Regime Não-cumulativo ... 41
2.4.3.2 Regime Cumulativo ... 42
2.4.5 Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços de transporte interestadual, intermunicipal e Comunicação – ICMS ... 42
2.4.6 Contribuições Previdenciárias ... 45 2.5 ANÁLISE FINANCEIRA ... 49 2.2.1 Análise Vertical... 49 2.2.2 Análise Horizontal... 50 2.3 PLANEJAMENTO E CONTROLE ... 50 2.3.1 Planejamento econômico ... 51 2.4 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ... 53 3 METODOLOGIA DO ESTUDO ... 56 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA... 56 3.1.1 Quanto à Natureza ... 56
3.1.2 Quanto à Forma de Abordagem do Problema ... 56
3.1.3 Quanto aos Objetivos ... 57
3.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos ... 57
3.2 PLANO DE COLETA DE DADOS ... 58
3.3 PLANO DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ... 58
4 ANÁLISE DOS DADOS ... 59
4.1 SITUAÇÃO ATUAL DA EMPRESA EM ESTUDO ... 59
4.2 PROJEÇÃO ECONÔMICA ... 64
4.2.1 Projeção das Receitas com Vendas de Mercadorias ... 64
4.2.2 Projeção dos Custos e das Compras de Mercadorias para Revenda ... 65
4.2.3 Projeção das Despesas ... 69
4.2.4 Projeção da Apuração dos Impostos pelo SIMPLES Nacional ... 77
4.2.5 Apuração dos Impostos pela Modalidade Lucro Presumido ... 79
4.2.5.1 Projeção da Apuração do PIS e COFINS Lucro Presumido ... 79
4.2.5.2 Projeção da Apuração do ICMS Lucro Presumido ... 81
4.2.5.3 Projeção da Apuração do INSS Sobre a Folha de Pagamento - Lucro Presumido ... 82
4.2.5.4 Projeção da Apuração do IRJP e CSLL - Lucro Presumido ... 83
4.2.6 Projeção da Apuração dos Tributos pela Modalidade Lucro Real ... 86
4.2.6.1 Projeção da Apuração do PIS e COFINS Lucro Cumulativo ... 86
4.2.6.2 Projeção DRE pelo Lucro Real ... 89
4.3 DRE’s PROJETADAS PARA 2015 ... 103
4.3.1 DRE Projetada Modalidade SIMPLES Nacional... 104
4.3.2 DRE Projetada Lucro Presumido ... 107
4.4 COMPARAÇÃO DO RESULTADO NAS MODALIDADES DE TRIBUTAÇÃO ... 111
4.5 COMPARAÇÃO DOS TRIBUTOS PELAS MODALIDADES DE TRIBUTAÇÃO ... 113
4.6 SUGESTÕES DE MELHORIA PARA EMPRESA EM ESTUDO E CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 117
CONCLUSÃO ... 118
REFERÊNCIAS ... 120
INTRODUÇÃO
Na atualidade, onde os dias, meses e anos passam tão depressa, o gerenciamento das empresas está cada vez mais difícil, pois sentar e analisar a situação do empreendimento está cada vez mais complicado. A preocupação com o trabalho operacional é muito grande e por vezes a gestão acaba ficando em segundo plano. Porém, para que o resultado no final do período seja positivo, é necessário pensar nos vários aspectos para a diminuição dos custos e despesas, sendo um dos principais, a forma de tributação que a empresa está inserida.
Em um mercado tão concorrido, a verificação da correta tributação aliado a um planejamento, não apenas no âmbito estadual, mas também no âmbito federal e municipal, pode significar o verdadeiro diferencial no preço para manter-se no mercado e na conquista de novos clientes. Em outras palavras, tais medidas podem significar a diferença entre auferir lucros ou pagar para trabalhar.
Atualmente, pode-se considerar muito fácil a abertura de uma nova empresa, com as novas integrações da Junta Comercial com a Receita Federal, o processo está cada vez mais ágil e rápido. Porém, para que a mesma se mantenha competitiva no mercado, é necessário que o contador responsável em conjunto com os gestores das organizações estejam atentos para todas as mudanças nas legislações.
Para as empresas sobreviverem e crescerem, elas precisam estar cientes da importância da inovação, buscando alternativas para a redução dos custos e despesas decorrentes de sua atividade. Para isso elas devem deixar de seguir seus paradigmas para que haja uma superação das dificuldades que um negócio enfrenta.
O exercício do contador hoje está cada vez mais cheio de desafios, proporcionando uma ampla área de atividades para o mesmo. Seus objetivos vão muito além de registrar os fatos ocorridos nas entidades, eles estão diretamente ligados ao auxilio na tomada de decisões relevantes das entidades.
Neste trabalho foi analisada a contabilidade sob a ótica tributária, onde está comparado e analisado as formas de tributação para as empresas no ramo de comércio varejista de comércio alimentícios.
O estudo está estruturado em quatro capítulos. No decorrer do capítulo I, é apresentada a contextualização do estudo, onde é apresentado o tema, a delimitação do tema, a definição do problema que desencadeou o estudo, foram apontados os objetivos gerais e específicos, a justificativa, seguido pela metodologia do trabalho, envolvendo coleta, análise e interpretação de dados.
No capítulo II consta o referencial teórico, que foi usado como base ao estudo, apresentando o ramo da atividade da organização em estudo, conceitos sobre a contabilidade tributária, as modalidades de tributação, o estudo dos tributos, o planejamento e controle e o e planejamento tributário essencial nos dias de hoje.
No capítulo III, está apresentada a metodologia de estudo, que envolve a classificação da pesquisa, quanto a sua natureza, forma de abordagem do problema e objetivos e quanto aos procedimentos técnicos.
E, no capítulo IV, é a analise dos dados coletados, onde encontra-se as analises verticais e horizontais das demonstrações contábeis de 2013 e 2014. A projeção econômica para o ano de 2015 e os cálculos dos tributos nas formas de tributação SIMPLES Nacional, lucro presumido e lucro real, assim como as demonstrações de resultado do exercício geradas a partir dos cálculos dos tributos, com a comparação dos resultados auferidos no período.
1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
Com a evolução dos processos e tecnologias ao longo dos anos, as empresas começaram a buscar novas estratégias para enfrentar a competitividade e se manter no mercado, neste sentido, é notório que a analise tributária tornou-se questão de sobrevivência para grande parte das empresas. Hoje os impostos representam uma significativa parcela no custo das empresas, sendo de extrema importância a correta análise dos mesmos para ocorrer o menor pagamento possível dentre as alternativas legais existentes, bem como, é extremamente importante observar e cumprir todas as obrigações acessórias inerentes a cada atividade, tendo em vista as duras penalidades impostas ao não cumprimento destas.
Neste capítulo é apresentada a contextualização do estudo que aborda a definição do tema, a caracterização da organização, seguido do levantamento do problema, objetivos e a justificativa.
1.1 TEMA
A contabilidade é uma ciência social, que tem por alvo o patrimônio das entidades e, pode ser definida como a ciência que estuda, registra, e interpreta todos os dados das organizações.
A Ciência Contábil possui um campo muito amplo de atuação profissional, onde existem várias ramificações de estudo. Dentro das diversas áreas, optou-se pelo estudo da contabilidade tributária, na qual será abordada a analise nas formas de tributação de empresas do ramo de comercio varejista de produtos alimentícios.
1.2 CARACTERÍSTICA DA EMPRESA
Este trabalho foi desenvolvido em uma empresa de característica familiar, sendo que esta é uma das características marcantes do município de Panambi, onde está estabelecida. O ramo de atividade principal é o comercio varejista de produtos, com predominância de alimentos.
O estabelecimento em estudo é o supermercado Super Tudo Ltda, que está a 8 anos no mercado panambiense. A empresa, atualmente, conta com 11 colaboradores e 2 sócios administradores.
Segue o organograma da empresa com a visualização de sua organização conforme a figura 1.
Figura 1: Organograma da empresa Super Tudo Ltda.
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.
A empresa Super Tudo que foi estudada é um estabelecimento de médio porte onde são comercializadas os mais diversos produtos, principalmente do ramo alimentício, a empresa conta ainda com açougue próprio, que segundo o sócio administrador, é o ponto forte da mesma. O sócio considera que a localização do estabelecimento é fundamental para o adequado andamento dos negócios.
Com um faturamento anual médio de R$ 2,5 milhões, o supermercado Super Tudo está inserido na forma de tributação Simples Nacional, pois até o momento julgou-se a forma mais vantajosa de apuração dos impostos.
1.3 PROBLEMA
A contabilidade é uma das ciências mais antigas do mundo, pode ser considerada uma ciência social que tem por objetivo o estudo do patrimônio das organizações, sendo ela provedora de informações necessárias para usuários internos, que são seus sócios/acionistas,
gerentes, administradores e usuários externos que são o fisco, fornecedores, clientes e bancos, entre outros.
No estudo da ciência contábil há várias ramificações de atuação. Uma delas é a contabilidade financeira, que se encarrega da elaboração e divulgação das informações contábeis de uma entidade direcionada aos usuários externos. As informações contábeis oriundas da contabilidade evidenciam o resultado, o desempenho da gestão da entidade em dado exercício e perspectivas futuras, resultante de decisões de administradores.
Dentre as diversas áreas da contabilidade financeira, destaca-se a contabilidade tributária, que é responsável pelo estudo da legislação tributária, cálculo e apuração dos diversos tributos nos âmbitos federal, estadual e municipal.
Conforme o artigo 96 do Código Tributário Nacional (2009, p. 233), a “expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”.
De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT, s.d.), a carga tributária no Brasil é extremamente elevada, comparada a outros países emergentes na economia mundial, como a Índia e a China. O IBPT estima que a carga tributária no país, representa em média mais de 36,42% do produto interno bruto (PIB). Além da elevada carga tributária, o Sistema tributário Brasileiro é um dos mais complexos do mundo. Estima-se a existência de aproximadamente 60 tributos vigentes, com diversas Leis, decretos, regulamentos e normas constantemente alteradas.
Neste sentido, os Contadores têm papel fundamental para que as empresas mantenham-se competitivas no mercado, por isso devem manter-se atualizados e dedicar-se ao estudo das legislações para a melhor análise na forma de tributação das entidades, para que as mesmas obtenham o resultado esperado por seus empresários.
O presente trabalho está baseado no estudo de uma empresa no ramo de comércio varejista de produtos alimentícios, localizada da cidade de Panambi. O estudo poderá s servir como um instrumento de apoio para a tomada de decisões, através da análise da opção da melhor forma de tributação com o intuito de minimizar os gastos com impostos e aumentar o lucro das empresas.
Diante dos fatos expostos pergunta-se: “Qual é a opção tributária mais vantajosa econômica e financeira para ramo de comércio varejista de produtos alimentícios?”
1.4 OBJETIVOS
Não se deve ir atrás de objetivos fáceis. É preciso buscar o que só pode ser alcançado por meio dos
maiores esforços (Albert Einstein)
Neste item serão descritos os objetivos gerais e específicos deste trabalho. Eles servirão como um norteador deste estudo, para que não se perca o foco do mesmo.
1.4.1 Objetivo geral
Este trabalho tem como objetivo identificar a opção tributária mais vantajosa econômica e financeira para ramo de comércio varejista de produtos alimentícios (supermercado).
1.4.2 Objetivos específicos
- Buscar na revisão teórica os conhecimentos referentes à análise tributária;
- Identificar a atual forma de tributação das empresas em estudo e os impostos pagos em 2014;
- Reunir os demonstrativos contábeis (Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Balancetes e Notas Explicativas);
- Realizar análise vertical e horizontal das demonstrações contábeis; - Elaborar a projeção econômica para o próximo exercício;
- Apurar os tributos utilizando-se as diversas formas de tributação;
- Comparar o total dos tributos apurados pelas diversas modalidades de tributação.
1.5 JUSTIFICATIVA
Os obstáculos econômicos, tributários, burocráticos e de infraestrutura para o crescimento das empresas no Brasil são manchetes recorrentes na imprensa nacional. Não manter uma perfeita, organizada e adequada gestão fiscal, de acordo com tudo aquilo que leis, normas, princípios e ferramentas atuais estabelecem, pode significar a perda de importantes recursos de uma entidade.
A análise tributária é o tema escolhido deste trabalho, pois as empresas necessitam de pessoas que as auxiliem a administrá-las e estudar qual é a melhor maneira de reduzir os impostos, aumentando a sua competitividade no mercado atual. Os impostos embora importantes é um fator decisivo na questão competitividade.
Para a empresa estudada esta análise trará imensos benefícios, seja para comprovar que a sua forma de tributação é a melhor opção hoje ou para demonstrar que outra forma lhe beneficiará com a redução dos tributos, com base nos fundamentos teóricos, legislação e cálculos práticos.
Para a universidade este trabalho será importante, pois ficará a disposição do público, sejam alunos, professores e também profissionais da área que buscam o constante aperfeiçoamento na esfera da contabilidade tributaria.
Como aluna foi uma realização pessoal e profissional, pois acrescentou significativos conhecimentos técnicos na área de contabilidade tributária, que exige a constante busca de fundamentos teóricos. A escolha deste assunto foi o reflexo da atuação profissional da acadêmica e um desejo incontrolável de ajudar a empresa estudada com novos conhecimentos técnicos e práticos para contribuir na melhoria dos resultados alcançados.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Neste capítulo são apresentados alguns conceitos sobre o tema estudado, que servirão de referencial teórico para o estudo de caso das empresas no ramo de comércio varejista de produtos alimentícios. Dentre os assuntos abordados, destacam-se os conceitos de contabilidade, contabilidade tributária, tributos, modalidade de tributação, planejamento econômico-financeiro, análise dos demonstrativos contábeis, planejamento tributário.
2.1 CONTABILIDADE
2.1.1 Introdução
A contabilidade pode ser definida como uma ciência social que estuda o patrimônio das entidades. Basso (2011 p. 26) define como:
[...] a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativos (monetário) e qualitativo (físico), e que, como conjunto de normas, preceitos, regras e padrões gerais, se constitui na técnica de coletar, catalogar e registrar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômica e financeira.
Segundo Barros (2003 p.17), “é uma ciência social que estuda e pratica as funções de controle e de registro relativas aos atos e fatos da Administração e da Economia. É, desse modo, a ciência que trata do controle do patrimônio das entidades (empresas)”.
Nesta mesma linha de pensamento, Pohlmann (2012, p. 14) conceitua da seguinte maneira:
A contabilidade é a ciência que investiga o patrimônio, através da classificação de seus elementos segundo sua natureza e finalidade e através da busca de suas relações (estática patrimonial), bem como observação, evidenciação e analise dos fenômenos patrimoniais, explicando suas causas e efeitos (dinâmica patrimonial).
Neste sentido e com base no pensamento dos autores, é correto afirmar que a contabilidade é a responsável pelo estudo, registro e análise dos fatos ocorridos com o patrimônio das entidades.
2.1.2 Princípios Contábeis
Os princípios contábeis são os norteadores dos procedimentos da atividade contábil no âmbito nacional. Eles têm o objetivo de assegurar a qualidade das informações contábeis e são obrigatórios no exercício da profissão. A Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1282/2010 regulamenta os seguintes princípios contábeis:
- Entidade – reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade a afirma a autonomia patrimonial;
- Continuidade – pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância;
- Oportunidade – refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas;
- Registro pelo valor original – determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores das transações, expressos em moeda nacional;
- Competência – determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento;
- Prudência – pressupõe o emprego de certo grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários as estimativas em certas condições de incerteza, no sentido que os ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais.
Os princípios contábeis servem para balizar e esclarecer as rotinas contábeis, eles revestem os registros para que a informação dos fatos ocorridos sejam lançados a analisados da forma correta.
2.1.3 Objetivos, Objeto e Usuários da Contabilidade
A ciência contábil tem função de registrar, controlar e analisar os atos e fatos administrativos de uma atividade econômica.
Dentre os objetivos da contabilidade, destaca-se que o foco principal é o patrimônio das entidades. De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Resolução n.º 774, de 16.12.1994, item 1.4, a Contabilidade tem por objetivo:
[...] prover os usuários com informações sobre aspectos de naturezas econômica, financeira e física do patrimônio da entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios.
Através da contabilidade se traçam objetivos, se mensuram resultados e se avalia desempenho. Portanto, os objetivos da contabilidade devem estar interligados a satisfação de informações sobre a entidade para seus usuários, tornando-se uma ferramenta para a tomada de decisões. (BASSO, 2011)
O objeto da contabilidade é o patrimônio das organizações, que pode ser entendido como um conjunto de bens, direitos e obrigações pertencentes à mesma. Segundo Pohlmann (2012, p. 14), a contabilidade “tem como finalidade primordial a mensuração do patrimônio da entidade, bem como a variação dessa grandeza no tempo, o que permite a aferição do resultado da entidade em um determinado período”.
Com base no pensamento do autor, conclui-se que a contabilidade é um sistema de informação e avaliação, destinado a prover seus usuários com demonstrações e analises de natureza econômica e financeira, com relação ao patrimônio da entidade, que é o objeto da contabilização.
A contabilidade tem por fim fornecer informações, a diversos tipos de usuários que subsidiem a tomada de decisão. Para o cliente interno, deve suprir as informações que o auxiliem no planejamento e controle. Para o externo, deve informar a situação econômica e financeira da empresa. (BASSO, 2011)
Os usuários da contabilidade são as pessoas físicas ou jurídicas, interessadas na avaliação patrimonial da entidade. Basso (2011) comenta que a contabilidade só tem sentido quando gera informações que são de interesse aos usuários. Sendo de suma importância o acompanhamento em tempo real dos registros e seus efeitos ou possíveis efeitos sobre o patrimônio.
Para Oliveira et al (2004, p. 2),
os usuários da Contabilidade são segregados em dois grandes grupos: o dos usuários externos e o dos usuários internos. Os usuários externos são todos aqueles que se encontram fora da empresa, como o sócio ou acionista não controlador, os fornecedores de matérias-primas, o Estado, as instituições financeiras supridoras de crédito e os concorrentes.
A ciência contábil é necessária e obrigatória para todas as empresas, pois, fornece informações relevantes para seus usuários, para atender as finalidades comerciais, fiscais e societárias.
Destaca-se que a profissão contábil proporciona aos profissionais da área uma ampla abrangência de atuação e a necessidade do profissional contábil é evidente em todos os tipos de entidades, nos diversos ramos de atividades.
Para Marion (2003), o contador tem várias alternativas de trabalho. Destaca-se que contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades profissionais de atuação e está em constante crescimento e a cada vez mais sendo reconhecida adquirindo status. Dentre as diversas áreas de atuação da profissão contábil, tem-se a contabilidade de custos, gerencial e a financeira. Ainda segundo o mesmo autor, a contabilidade financeira é a contabilidade legal, em que todas as entidades necessitam e estão obrigadas a cumprir de acordo com as diversas legislações comerciais e societárias pertinentes, ela fornece as informações básicas aos usuários e é obrigatória também para os fins fiscais.
Dentro da contabilidade financeira, encontra-se um dos ramos dos mais importantes atualmente no Brasil, devido sua elevada carga tributária, é a contabilidade tributária que visa controlar as obrigações tributárias evitando, quando possível o pagamento de impostos, multas e juros desnecessários e ainda prestar informações aos diversos órgãos governamentais, tais como a Receita Federal do Brasil, fazenda estadual, municipal entre outros.
Ressalta-se que o foco do presente estudo é o ramo da contabilidade tributária, a qual será comentada a seguir.
2.3 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA
A contabilidade tributária pode ser definida como a atividade que estuda e controla as obrigações tributárias das entidades, visando o atendimento das obrigações estabelecidas pelas legislações vigentes do país.
Oliveira et al (2004, p. 34) definem contabilidade tributária como:
[...] o ramo de contabilidade responsável pelo gerenciamento dos tributos incidentes nas diversas atividades de uma empresa, ou grupos de empresas, adaptando ao dia a dia empresarial as obrigações tributárias, de forma a não expor a entidade às possíveis sanções fiscais e legais.
De acordo com Pohlmann (2012, p. 14), contabilidade tributária é
[...] a disciplina ou o ramo da contabilidade que se dedica ao estudo dos princípios, conceitos, técnicas, métodos e procedimentos aplicáveis à apuração dos tributos devidos pelas empresas e entidades em geral, à busca e análise de alternativas para a
redução da carga tributária e ao cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas pelo Fisco.
Os principais objetivos da contabilidade tributária, segundo Oliveira et al (2004, p. 34), são:
- apuração com exatidão do resultado tributável – ou do lucro real – de determinado exercício fiscal, com base na legislação pertinente, para cálculo e formação das provisões contábeis, destinadas ao pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro da entidade;
- orientação fiscal para todas as unidades da empresa (filiais, fabricas, departamentos) ou das sociedades coligadas e controladas. A correta orientação fiscal e tributária para as demais unidades ou empresas pode representar relevantes economias com os impostos.
- escrituração dos documentos fiscais em livros fiscais próprios ou registros auxiliares, para apurar e determinar o montante do tributo a ser recolhido dentro do prazo após encerramento do período de apuração.
Interligado aos objetivos da contabilidade tributária está o seu objeto de estudo, que conforme Fabretti (2003, p. 31) é:
[...] apurar com exatidão o resultado econômico do exercício social, demonstrando-o de forma clara e sintética, para, em seguida, atender de forma extracontábil as exigências das legislações do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro determinando a base de cálculo fiscal para formação das provisões destinadas ao pagamento desses tributos, as quais serão abatidas do resultado econômico (contábil), para determinação do lucro liquido à disposição dos acionistas, sócio ou titulas de firma individual.
A contabilidade tributária é um dos ramos de atividade do contador, sendo extremamente importante e necessária como todos os outros. Além de prestar informações ao fisco, com o cumprimento das obrigações fiscais deve estar sempre atento às mudanças das legislações, principalmente na maneira de apuração dos tributos, devido que estes são considerados despesas e reduzem os lucros significativamente gerando ainda passivos e desembolsos futuros da organização. Por isso é fundamental que sejam tomados os devidos cuidados para não onerar indevidamente a empresa.
Atualmente, existem três principais modalidades de tributação as quais serão estudadas na subseção seguinte.
2.3 MODALIDADES DE TRIBUTAÇÃO
Uma das decisões a ser tomada pelos gestores das entidades é a modalidade de tributação a ser escolhida, pois esta é irretratável para todo o ano calendário. Nesta subseção
são expostas as modalidades de tributação existentes, atualmente, no Brasil, dentre elas a modalidade de tributação lucro real, lucro presumido e simples nacional.
2.3.1 Lucro Real
A expressão lucro real significa que o lucro líquido contábil apurado será tributável para fins de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
O artigo 247, do Regulamento do Imposto de Renda/99, define lucro real como: “é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto”.
As pessoas jurídicas que estão obrigadas a apuração pelo Lucro Real estão definidas no artigo 14 da Lei 9.718/98 que foi alterado pela Lei nº 12.814/2013. Conforme o Art. 14 da Lei nº 12.814/2013, estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas:
- cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 16 de maio de 2013) (Vide parágrafo único do art. 9º, da Lei nº 12.814/2013) II - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;
III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto;
V - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996 ;
VI - que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).
As formas de apuração do lucro real são anual ou trimestral. Na forma de apuração Lucro Real Anual há duas possibilidades: o Lucro Real Estimado e Lucro Real por Balanços de Suspensão. No Lucro Real Estimado as empresas deverão em cada mês, calcular o IRPJ e a CSLL sobre a base de cálculo estimada e no final do ano, em 31 de dezembro, deverá ser levantado o balanço anual e ser apurado o lucro real, a fim de determinar a diferença de imposto e da contribuição social a pagar ou a ser compensado/restituído (CFC, 2013).
Já nos Balanços de Suspensão, a empresa que estiver efetuando os recolhimentos por estimativa poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto e da contribuição social devidos em cada mês, desde que demonstre por meio de balanços ou balancetes mensais acumulados que o valor acumulado já pago excede ao valor do imposto, inclusive adicional, bem como da contribuição social calculados com base no lucro real do período em curso (CFC, 2013). Ainda, Reis, Gallo e Pereira (2010, p. 38) destacam que:
[...] mesmo que a empresa tenha efetuado um balanço ou balancete de suspensão em janeiro, e quando chegar no mês de maio do mesmo ano ela resolver efetuar outro, este deverá abranger o período de 1º de janeiro a 31 de maio, ou seja, englobar o período completo do ano em curso.
A empresa que optar pelo Lucro Real Trimestral, deverá apurar, mediante levantamento das demonstrações contábeis, observando as normas estabelecidas na legislação comercial e fiscal, o que será ajustado pelas adições, exclusões determinadas ou autorizadas pela legislação tributária, ao final de cada trimestre encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro (OLIVEIRA et al, 2004) .
A principal obrigação acessória da tributação pelo lucro real é o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Segundo Reis, Gallo e Pereira (2010, p. 39), ele é “destinado à apuração extracontábil do Lucro Real sujeito a tributação para o IR em cada período de apuração, contendo elementos que poderão impactar no resultado dos períodos futuros”. Neste livro, segundo os autores, são demonstrados os lançamentos de ajuste do lucro líquido do período (adições, exclusões e/ou compensações) na parte A e, na parte B é destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem na escrituração comercial, mas devam influenciar a determinação do Lucro real dos períodos futuros.
A partir do ano calendário 2013 foi instituído a entrega eletrônica do livro, porém com a instituição da Escrituração Contábil Fiscal Digital (ECF), a obrigatoriedade da entrega foi prorrogada para o ano calendário 2014, sendo que o LALUR foi substituído pela ECF na Instrução Normativa 1.422, artigo 5º (BRASIL, 2013).
As demonstrações contábeis obrigatórias para as empresas optantes ao Lucro Real são: balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do resultado do exercício, DMPL e a DRA, demonstração de fluxos de caixa e demonstração do valor adicionado, se companhia aberta (CFC, 2013).
Na determinação do Lucro real serão adicionadas ao lucro líquido do período base:
a) Os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido, que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real.
b) Os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, devam ser computados na determinação do Lucro Real. (CFC, 2013, p. 183).
Na determinação do Lucro Real poderão ser excluídos do lucro líquido, no período base:
a) Os valores cuja dedução seja autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda e que não tenham sido computadas na apuração do lucro líquido contábil do período base;
b) Os resultados, rendimentos, receitas ou quaisquer outros valores incluídos na apuração que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, não sejam computados no Lucro Real;
c) Prejuízos fiscais apurados em períodos base anteriores, nas condições definidas na legislação. (CFC, 2013, p. 183).
Caso seja apurado prejuízo fiscal em determinado período, este poderá ser deduzido em até trinta por cento para os próximos períodos. Sabe-se que prejuízo fiscal é diferente de prejuízo contábil, pois no prejuízo fiscal deve ser obedecida a legislação do imposto de renda, e o prejuízo contábil obedece a legislação societária (CFC, 2013).
Pode ser deduzido ainda do IRPJ e da CSLL o imposto pago ou retido sobre as receitas que integram a base de calculo (REIS; GALLO; PEREIRA, 2010)
Neste sentindo, com base nas considerações feitas pelas legislações e pelos autores citados, pode-se perceber que o lucro real é a forma mais justa de apuração de impostos, pois, a empresa optantes por esta modalidade também devem apurar os impostos PIS e COFINS pela modalidade não cumulativa, que é aquela que permite o aproveitamento do crédito do PIS e COFINS de compras e insumos, a qual diminui o efeito cascata de tributação, e os impostos sobre o lucro são pagos referente ao efetivo lucro fiscal da empresa, por isso que a fiscalização dos órgãos governamentais, como a Receita Federal é mais rigorosa com este sistema de tributação.
2.3.1 Lucro Presumido
A modalidade de tributação Lucro Presumido é considerada uma forma de tributação mais simples que o Lucro Real. Fabretti (2003, p. 225) destaca que “tem a finalidade de facilitar o pagamento do IR, sem ter que recorrer à complexa apuração do lucro real que pressupõe contabilidade eficaz, ou seja, capaz de apurar o resultado antes do último dia útil do mês subsequente ao encerramento do trimestre”.
Seguindo a mesma linha de pensamento, Oliveira et al (2004, p. 176) descrevem que “a introdução pelo fisco no conceito lucro presumido visou facilitara a apuração da base de cálculo, para algumas empresas, para a apuração e recolhimento dos tributos de Imposto de Renda e contribuição social”.
Apesar de ser considerada uma modalidade de tributação mais “fácil”, as empresas do lucro presumido não estão desobrigadas da escrituração contábil, Oliveira et al (2004 p. 178) citam que o “posicionamento do Conselho Federal de Contabilidade de que as empresas de qualquer porte o natureza jurídica são obrigadas a manter escrituração contábil completa, com o levantamento das demonstrações contábeis e fiscais”.
As pessoas jurídicas que podem optar pelo Lucro Presumido estão definidas no artigo 13º da Lei 9.718/98, que foi alterado pela Lei 12.814/2013,
A pessoa jurídica cuja receita bruta total no ano-calendário anterior tenha sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido.
A apuração do lucro presumido deve ser apurada com periodicidade trimestral, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro e, deverão ser aplicados os percentuais para o cálculo da receita presumida conforme o quadro seguinte:
Quadro 1: Percentuais para determinação do cálculo da Receita Presumida para IRPJ
Percentual Ramo de atividade
1,6% receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes;
8% receita bruta auferida nas atividades comerciais, industriais, transporte de carga, serviços hospitalares, venda de unidades imobiliárias, obras por empreitada com fornecimento de material, venda de produtos rurais, industrialização quando a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem forem fornecidos pelo encomendante e outras não mencionadas nos demais percentuais;
16% entidades financeiras e assemelhadas, empresas de arrendamento mercantil, seguradoras, cooperativas de crédito, entidades de previdência privada aberta; transporte de passageiros; exclusivamente prestadoras de serviços com receita bruta anual não
superior a R$ 120.000,00, exceto no caso de transporte de cargas, serviços hospitalares e sociedades civis de prestação de serviços legalmente regulamentada.
32% prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativa ao exercício de profissão legalmente regulamentada; intermediação de negócios;
administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; construção por administração ou por empreitada, unicamente de mão de obra; prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada
anteriormente. Fonte: CFC (2013, p. 195).
Os percentuais para determinação do cálculo da receita presumida para a CSLL são de 12% para as empresas comerciais e industriais e de 32% para as atividades de prestação e serviços.
Receita bruta pode ser definida, conforme o artigo 224 do RIR/99, como o compreendimento do produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995). Não se incluem na receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante (ICMS ou IPI, por exemplo) (CFC, 2013).
Será agregada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sem a presunção de receita, os valores auferidos com Ganhos de Capital na venda de bens do Imobilizado, rendimentos de aplicações financeiras, outros ganhos (juros) (CFC, 2013).
Uma das principais obrigações acessórias das empresas optantes pelo Lucro Presumido é o EFD Contribuições, que é o demonstrativo da apuração das contribuições PIS/PASEP (sobre faturamento e folha de pagamento) e COFINS de determinado mês, que deverá ser entregue até o décimo dia útil do segundo mês subsequente à apuração.
O lucro presumido é a forma de tributação das entidades jurídicas que não podem por algum motivo optar pelo Simples Nacional e não estão obrigadas ao Lucro Real. Considerada vantajosa caso seu lucro fiscal seja superior a base de presunção estabelecida para o ramo de atividade.
2.3.2 Simples Nacional
O Simples Nacional é um regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, previsto na Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006 e abrange a participação de todos os entes federados, que são: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Assim como as demais formas de tributação, o Simples Nacional é irretratável para todo o ano calendário e deve ser feita a opção até o último dia útil do mês de janeiro.
Conforme Reis, Gallo e Pereira (2010, p. 117), “este sistema tem por objetivo conceder um tratamento beneficiado e mais simplificado às empresas de menor porte”.
Microempresa, conforme o artigo 3º da LC 123/2006,
Art. 3º [...] consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais).
No inciso II deste mesmo artigo, define a Empresa de Pequeno Porte como, “no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais)” (BRASIL, 2006).
O parágrafo 3º deste mesmo artigo define receita bruta como “[...] o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos” (BRASIL, 2006).
A alíquota para determinação do valor do imposto a ser recolhido é definida conforme a tabela de atividade que a empresa se enquadra e deve ser levada em consideração a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses. As alíquotas podem variar entre 4% (quatro por cento) a 22,90% (vinte e dois, noventa por cento) dependendo da tabela de atividades a ser utilizada
e devem ser aplicadas sobre a receita bruta auferida no mês de apuração. As tabelas estão nos Anexos I a V da LC 123/2006, destaca-se que a LC 147/2014 alterou a LC 123/2006 inclusive incluiu na mesma o anexo VI.
O recolhimento dos tributos é realizado pelo Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e o prazo de vencimento é dia vinte, podendo ser postergado o vencimento caso o dia seja sábado, domingo, feriado, ou por determinação legal. Uma das principais obrigações acessórias é a Declaração de Informações Socioeconômicas e fiscais (DEFIS), esta deverá ser entregue anualmente até o dia trinta e um de março do próximo ano calendário, contendo as informações econômicas e sociais da empresa, como o valor da retirada de pro labore anual, percentual de participação no capital social dos sócios, total das compras e despesas.
A partir de 2015, com as alterações promovidas pela Lei Complementar 147/2014, aproximadamente 50 novas atividades, como serviços de fisioterapia, psicologia, psicanálise, fonoaudiologia, odontologia, serviços advocatícios entre outros poderão optar pelo Simples Nacional, sendo incluído mais uma tabela de atividades que suas alíquotas poderão variar de 16,93% (dezesseis, noventa e três por cento) a 22,45% (vinte e dois, quarenta e cinco por cento).
Conforme o artigo 15º da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 094/2011 é vedada as seguintes entidades jurídicas a optarem pelo regime unificado de impostos:
I - que tenha auferido, no calendário imediatamente anterior ou no ano-calendário em curso, receita bruta superior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) no mercado interno ou superior ao mesmo limite em exportação de mercadorias, [...]
II - de cujo capital participe outra pessoa jurídica; [...]
III - que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; [...]
IV - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da LC 123/2006, desde que a receita bruta global ultrapasse um dos limites máximos de que trata o inciso I do caput.
V - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada pela Lei Complementar n º 123, de 2006, desde que a receita bruta global ultrapasse um dos limites máximos de que trata o inciso I do
caput;
VI - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse um dos limites máximos de que trata o inciso I do caput;
VII - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VIII - que participe do capital de outra pessoa jurídica;
IX - que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos,
valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar;
X - resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anos-calendário anteriores;
XI - constituída sob a forma de sociedade por ações;
XII - que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring);
XIII - que tenha sócio domiciliado no exterior;
XIV - de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal;
XV - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;
XVI - que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; XVII - que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica;
XVIII - que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas;
XIX - que exerça atividade de importação de combustíveis; XX - que exerça atividade de produção ou venda no atacado de:
a) cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; b) bebidas a seguir descritas: 1. alcoólicas; 2. cervejas sem álcool;
XXI - que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios;
XXII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; XXIII - que realize atividade de consultoria;
XXIV - que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis;
XXV - que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS;
XXVI - com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual, quando exigível, observadas as disposições específicas relativas ao MEI.
XXVII - cujos titulares ou sócios guardem, cumulativamente, com o contratante do serviço, relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 3º, § 4º, inciso XI) (Incluído pela Resolução CGSN/SE nº 115, de 4 de setembro de 2014).
O Simples Nacional surgiu com o intuito de facilitar o recolhimento dos impostos das micro e pequenas empresas, por isso estão agrupados em um só documento de arrecadação, 8 (oito) impostos e contribuições, sendo eles: Imposto de renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto sobre produtos Industrializados (IPI), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o PIS/PASEP, Contribuição Patronal Previdenciária (CPP), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e
Comunicação (ICMS) e o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o conceito de cada um destes impostos será visto no capítulo seguinte.
2.4 TRIBUTOS
O Código Tributário Nacional (CTN) rege a estrutura tributária do país, assim, ele se torna a fonte para pesquisa inicial de qualquer tipo de tributo, em seu artigo 3º define como “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”
Nesse sentido, Fabretti (2003, p.115), define que tributo “é sempre um pagamento compulsório em moeda, forma normal de extinção da obrigação tributária”.
Cristovão e Watanabe (2002, p. 10) complementam ainda que “tributo é todo pagamento obrigatório que não represente uma punição por ato ilícito. Deve ser previsto em lei”.
Os tributos têm natureza jurídica própria, definida pelo artigo 4º do Código Tributário Nacional, que é “determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação” (BRASIL, 2009, p. 215).Neste sentido, fato gerador é conceituado como
uma situação abstrata, descrita na lei, a qual, uma vez ocorrida em concreto enseja o nascimento da obrigação tributária. Logo, essa expressão fato gerador pode ser entendida em dois planos: no plano abstrato da norma descritiva do ato ou do fato e no plano de concretização daquele ato ou fato descritos. (KIYOSHI, 2012, p. 508).
Além da natureza jurídica, são separados por sua espécie, sendo: impostos, taxas e contribuições de melhoria, Oliveira et al (2004, p. 22) conceituam da seguinte forma:
- Impostos: que decorrem de situação geradora independente de qualquer contraprestação do Estado em favor do contribuinte;
- Taxas: que estão vinculadas à utilização efetiva ou potencial por parte do contribuinte, de serviços públicos específicos e divisíveis;
- Contribuições de melhoria: que são cobradas quando do beneficio trazido aos contribuintes por obras públicas.
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir o pagamento dos tributos, porém cada um tem a sua esfera de atuação. É o poder legislativo quem cria e altera os tributos, o poder executivo arrecada e fiscaliza e o poder judiciário julga os conflitos que podem surgir entre governos e contribuintes.
Para facilitar o entendimento dos tributos e das competências tributárias de cada ente da federação, expõe-se no quadro 2.
Quadro 2: Competência Tributária
União Estados e Distrito Federal Municípios
Impostos
- Propriedade territorial rural - Propriedade de veículos - Propriedade territorial
- Produtos estrangeiros Automotores Urbana
- Exportação - Transmissão de bens - Transmissão de bens
- Renda e proventos de qual- causa mortis e doações inter vivos
quer natureza - Operações relativas à cir- - Serviços de qualquer
- Produtos Industrializados culação de mercadorias e natureza, exceto os serviços
- Operações de crédito, câmbio prestação de serviços de tributados pelos Estados e seguro, ou relativas a títulos transporte interestadual e e Distrito Federal
e valores mobiliários intermunicipal e da
- Grandes fortunas Comunicação
- Outros impostos previstos
na Constituição Federal
Outros tributos
- Contribuições Sociais - Taxas - Taxas
- Contribuições de intervenção - Contribuições de melhoria - Contribuições de melhoria
no domínio econômico - CIDE
- Empréstimos compulsórios
- Taxas
- Contribuições de melhoria
Fonte: Rezende, Pereira e Alencar (2010, p. 27)
Os tributos, além da finalidade arrecadatória, que é considerada primordial para o financiamento do Estado, tem também a finalidade de influenciar a economia, pois caso haja algum beneficio ou acréscimo dos tributos, estes serão importantes na tomada de decisão das entidades jurídicas (REZENDE; PEREIRA; ALENCAR, 2010).
Conforme o IBPT (s.d.), atualmente no Brasil existem aproximadamente 92 tributos vigentes, e as alterações introduzidas pelas constantes mudanças na legislação tributaria obrigam o contador a manter-se atualizado, para o melhor cumprimento das obrigações acessórias e auxiliando às entidades na melhor maneira de tributação.
Dentre os diversos tributos pagos pelas empresas, o presente estudo dá uma especial atenção aos tributos incidentes sobre o ramo de atividade de comercio varejista de produtos alimentícios, sobre o lucro, tais como IRPJ e CSLL, os tributos sobre a receita bruta, tais
como ISS, ICMS, PIS, COFINS, IPI e dos tributos sobre a folha de salários, o INSS, e o Simples Nacional que contempla os tributos já citados, os quais são apresentados a seguir.
2.4.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica é um dos inúmeros impostos cobrados no Brasil. Com o intuito de custear os gastos em saúde, educação, transporte, pagamento de salários dos funcionários públicos, este imposto não tem uma só finalidade específica e é principal fonte de receita tributária.
Segundo Rezende, Pereira e Alencar (2010, p. 122), “o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é um imposto direto, de natureza basicamente fiscal, ou seja, arrecadatória, de competência da União, que tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda”.
Atualmente, no Brasil a legislação que rege o Imposto de Renda Pessoa Jurídica é o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 2.000 (RIR, 1999).
O artigo 146 do Decreto nº 3000, de 26/03/2000, define os contribuintes do imposto, sendo: “I – as pessoas jurídicas; II – as empresas individuais”. Complementa no artigo 147 o que são consideradas pessoas jurídicas como:
I - as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, sejam quais forem seus fins, nacionalidade ou participantes no capital (Decreto-Lei n º 5.844, de 1943, art. 27, Lei n º 4.131, de 3 de setembro de 1962, art. 42, e Lei n º 6.264, de 1975, art. 1º);
II - as filiais, sucursais, agências ou representações no País das pessoas jurídicas com sede no exterior (Lei n º 3.470, de 1958, art. 76, Lei n º 4.131, de 1962, art. 42, e Lei nº6.264,de 1975, art. 1º);
III - os comitentes domiciliados no exterior, quanto aos resultados das operações realizadas por seus mandatários ou comissários no País (Lei n º 3.470, de 1958, art. 76). (BRASIL, 2000).
A base de cálculo do imposto é determinada na data de ocorrência do fato gerador, que é o lucro real, presumido ou arbitrado correspondente ao período de apuração. Como regra geral, integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto.
Para apuração do imposto é aplicado à alíquota de 15% sobre a sua base de cálculo. A parcela da base de cálculo que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00
(vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, está sujeita a incidência do adicional de imposto de 10% (dez por cento) (CFC, 2013).
O Imposto de Renda das pessoas jurídicas passou a ser determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de marco, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. Se for mantido, para as empresas tributadas pelo lucro real, a possibilidade de trabalhar com balanço anual e, consequentemente, recolhimentos por estimativa (CFC, 2013).
Segundo Rezende, Pereira e Alencar (2010, p. 123), “qualquer que seja a modalidade de apuração escolhida, o contribuinte pode descontar, no momento do pagamento, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que tenha sido retido por ocasião de recebimento de rendimentos”.
O pagamento do IRPJ deverá ser pago em cota única, até o último dia útil do mês subsequente ao encerramento de cada trimestre, de forma definitiva e, poderá ser pago em três cotas iguais não inferiores a R$ 1.000,00 (mil reais) e com imposto inferior a R$ 2.000,00 (dois mil reais) (CFC, 2013).
Nem todas as entidades jurídicas são contribuintes do Imposto de renda. Estão imunes do imposto de renda conforme os artigos 168 a 171 do RIR (1999), as seguintes entidades jurídicas:
- Templos de qualquer culto;
- Partidos políticos e entidades sindicais dos trabalhadores;
- Instituições de Educação e de assistência social sem fins lucrativos.
Ainda, os artigos 174 a 180 do RIR (1999) tratam das entidades jurídicas isentas do imposto de renda, que são:
- Sociedades Beneficentes, Fundações, Associações e Sindicatos; - Entidades de Previdência Privada;
- Empresas estrangeiras de transporte;
- Associações de Investimento com Participação de Capital Estrangeiro.
Ainda como isenção específica não estão sujeitas ao imposto de renda, a entidade binacional ITAIPU e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
As sociedades cooperativas não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro conforme descrito no artigo 182 do RIR.