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Programa de Integração Social PIS

No documento Análise tributária em supermercado (páginas 37-40)

2.3 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA

2.4.3 Programa de Integração Social PIS

A contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) foi instituída pela Lei Complementar nº 07 de 1970, estando atualmente regida pelas Leis nº 9.715/98 e 10.637/2002. Porém, com a Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, foi incluído o regime não cumulativo para a apuração, A contribuição ao PIS tem por base constitucional do artigo 239 da Constituição Federal/88, tendo por objetivo financiar o programa do Seguro Desemprego e o pagamento do abono de um salário mínimo anual para empregados que recebam até dois salários mínimos de remuneração mensal.

São contribuintes da contribuição do PIS:

as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista, suas subsidiarias e as pessoas jurídicas a que se refere o parágrafo 1º do art. 22 da Lei nº 8.212 de 24.7.1991. (REIS; GALLO; PEREIRA, 2010, p. 82).

Rezende, Gallo e Pereira (2010, p. 71) diferenciam os regimes de incidência da seguinte forma:

- No regime de incidência cumulativa, as alíquotas são aplicadas ao valor da receita bruta, ajustada por algumas exclusões permitidas na legislação, em geral relacionadas a itens que não se configuram como receitas (devoluções, abatimentos, reversões de provisões)

- No regime de incidência não cumulativa, as alíquotas são aplicadas à receita ajustada na mesma forma da base cumulativa, mas permite-se também que o contribuinte reduza o valor da contribuição devida no montante relativo à mesma alíquota aplicada aos valores de compras de bens para revenda, insumos utilizados na produção de produtos ou serviços, e as despesas e custos com energia elétrica,

alugueis pagos a pessoa jurídica, arrendamento, depreciação e amortização, dentro das condições estabelecidas na legislação.

De acordo com Reis, Gallo e Pereira, (2010, p. 87), a base de cálculo é:

o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. O total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.

Ainda, de acordo com os autores, poderão ser excluídas da base de cálculo:

a) As receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas a alíquota 0 (zero);

b) As vendas canceladas;

c) Os descontos incondicionais concedidos;

d) O IPI;

e) O ICMS, quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;

f) As reversões de provisões;

g) As recuperações de créditos baixados como perdas, que não representem ingresso de novas receitas;

h) Os resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido;

i) Os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computador como receita;

j) As receitas não operacionais, decorrentes da venda de bens do ativo permanente. (REIS; GALLO; PEREIRA, 2010, p. 83).

Conforme o artigo 46 da IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, são isentas da contribuição do PIS/PASEP:

I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista;

II – da exportação de mercadorias para o exterior;

III – dos serviços prestados a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;

IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3 º ;

V – do transporte internacional de cargas ou passageiros;

VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei n o 9.432, de 8 de janeiro de 1997;

VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei n o 9.432, de 1997;

VIII – de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei n o 1.248, de 29 de novembro de 1972, e

alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e

IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Ext erior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

X - decorrentes de comercialização de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

§ 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 2º As isenções previstas neste artigo não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; e

III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.

A contribuição para o PIS/PASEP não incide sobre “o faturamento correspondente a vendas de materiais e equipamentos, bem assim da prestação de serviços decorrentes dessas operações, efetuadas diretamente a Itaipu Binacional,” conforme descrito no artigo 44 da IN 247/2002.

A apuração e o pagamento da contribuição para o PIS/PASEP será efetuada mensalmente, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica e o pagamento deverá ser efetuado até o dia 25 do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores.

Para melhor entendimento de cada regime de apuração para a contribuição do PIS/PASEP, na sequência será demonstrado algumas de suas particularidades separadamente.

2.4.3.1 Regime Não-cumulativo

Estão obrigadas ao regime de incidência não cumulativa as pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que apuram o IRPJ com base no lucro real, exceto as instituições financeiras, as cooperativas de crédito, as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros, as operadoras de planos de assistência à saúde, as empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, e as sociedades cooperativas (exceto as sociedades cooperativas de produção agropecuária e as sociedades cooperativas de consumo) (CFC, 2013).

A alíquota do PIS faturamento para o regime de incidência não cumulativa está descrita no Artigo 2º da Lei 10.637/2002, sendo de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento).

Para a realização da apuração da contribuição a recolher é permitido o desconto dos créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. O pagamento da diferença entre débitos e créditos deverá ser recolhida no código de receita 6912 para o ramo de comércio varejista de produtos alimentícios.

2.4.3.2 Regime Cumulativo

Estão obrigadas ao regime de incidência cumulativa da contribuição para o PIS/PASEP, as pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que apuram o IRPJ com base no lucro presumido ou arbitrado (CFC, 2013).

A alíquota para o regime da cumulatividade é de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e não são permitidos os descontos de créditos. O recolhimento da contribuição deverá ser realizada no código de receita 8109 para o ramo de comércio varejista de produtos alimentícios.

No documento Análise tributária em supermercado (páginas 37-40)