A Equação da Corda Vibrante
Centro de Ciên ias Físi as e Matemáti as
Departamento de Matemáti a
A Equação da Corda Vibrante
João Carlos Bez Batti
Orientador: Gustavo Adolfo Torres da Costa
DE CURSO no Curso de Matemáti a - Habilitação Li en iatura, e aprovada em sua
formanal pelaBan aExaminadora designada pela Portaria n o
01/CCM/08.
Prof a
Carmem Suzane Comitre Gimenez
Professora da Dis iplina
Ban aExaminadora:
Prof. Gustavo Adolfo Torres da Costa
Orientador
Prof. Eliezer Batista
Introdução 3
1 Equações Diferen iais 5
1.1 Terminologiae DeniçõesBási as . . . 5
2 EDO's de 1 a e 2 a Ordem 8 2.1 EDO Linear de 1 a Ordem . . . 9 2.2 EDO Linear de 2 a Ordem . . . 11
2.3 Casos Espe iais daEquação (2.6) . . . 18
3 Convergên ia Uniforme e Série de Fourier 20 3.1 Convergên ia Uniforme . . . 20
3.2 Sériesde Fourier . . . 26
3.3 Funções Periódi as de Período2L . . . 32
3.4 Extensão Par eÍmpar de UmaFunção . . . 33
4 A Equação da Onda 36 4.1 Equação Diferen ial Para Pequenas Os ilaçõesde UmaCorda . . . 36
4.3 Uni idadede Solução . . . 56
4.4 Harmni os, Freqüên iae Amplitude . . . 58
5 Solução de D'Alambert 60
5.1 Soluçãoda Equaçãoda Onda porD'Alambert . . . 60
5.2 Problemade Cau hy . . . 63
As Equações Diferen iais possuem uma apli ação muito ampla naárea da
Mode-lagemMatemáti a. Umexemploquejusti aessa armaçãoéaEquaçãodaOnda,queé
usada para modelar fenmenosondulatórios omo, porexemplo: as ondas noo eano, as
vibraçõesde uma orda,et .
Estetrabalhoé onstituídopor in o apítulos. Oprimeiro apítulopossuialgumas
denições bási as a respeito das equações diferen iais,assim omo suas lassi ações de
a ordo om tipo,ordem elinearidade.
O segundo apítuloestá dividido em três seções. As duasprimeirasseções tratam
das soluções gerais de EDO`s lineares de primeira e segunda ordem, respe tivamente.
Além disso, apresenta-se na segunda seção dois teoremas. O primeiro teorema é um
ritériopara analisar seduas funções são linearmentedependentes, fatoimportantepara
a ara terização das soluções das EDO`s lineares, homogêneas de segunda ordem, que é
oresultado dosegundo teorema. Ater eira seçãoé destinadapara alguns asosespe iais
dasolução de EDO`s lineares,homogêneas de segunda ordem.
No ter eiro apítulo serão enun iados alguns teoremas, sem prova, e denições
sobre onvergên ia de funções: pontual e uniforme, que serão úteis no desenrolar dos
apítulos seguintes. Além disso, será introduzida a denição de séries de Fourier para
funções periódi as de período 2
π
e 2L, juntamente om a denição de extensão par e ímpar de funções.uma orda, usandopara tal aSegunda Leide Newton. Depoisdisso, en ontrar-se-áuma
solução para a equação da onda, no aso de uma orda de omprimento nito, usando
para tal a té ni a de separação de variáveis e através da demonstração de um teorema
mostrar-se-á que de fato essa solução é geral. Para nalizar será provada a uni idade
dessa solução.
A solução da equação da onda, numa orda innita, através do método de
D`Alambert será o assunto prin ipal do apítulo in o, porém, também será resolvido
o problema de Cau hy.
O estudo da equação da onda em dimensões maiores do que um (equação da
membrana retangular, ir ular,...) mere ia uma atenção maior, que devido ao pou o
tempoque se tinha disponível não foi possível in orporá-lo nesse trabalho, ando omo
Equações Diferen iais
1.1 Terminologia e Denições Bási as
Denição 1.1 Uma igualdade que in lui uma função e as suas derivadas em relação a
uma ou mais variáveis independentes, é hamada de equação diferen ial (ED). A função
é ain ógnitana equação.
As equações diferen iaissão lassi adasde a ordo om o seutipo,ordeme
linea-ridade.
Classi ação Pelo Tipo
Emrelaçãoaoseutipo,umaequaçãodiferen ialpodeser lassi adaem: ordinária
oupar ial.
Equação Diferen ial Ordinária (EDO): éumaequaçãoque ontémapenasderivadas
ordinárias totais de uma função de uma variável om relação a esta úni a variável
independente.
a)
du
dx
− 5u = 1
b)(u − x) + 4x
du
dx
= 0
)d
2
u
dx
2
−
du
dx
= x
d)d
2
u
dx
2
− 2
2u
dx
+ 6u = 0
Equação Diferen ial Par ial (EDP): éuma equação que envolve as derivadas
par i-aisde uma função de várias variáveisem relação aestas variáveis independentes.
São exemplos de EDP:
a)
∂u
∂y
= −
∂u
∂x
b)x
∂u
∂x
+ y
∂u
∂y
= u
)∂
2
u
∂x
2
=
∂
2
u
∂y
2
− 2
∂u
∂y
Nos exemplos a ima,
u
é a função in ógnita ou variáveldependente ex
,y
são as variáveisindependentes.Classi ação Pela Ordem
Chama-seordemde umaequaçãodiferen ial,aordemdaderivadade maiorordem
daequação.
Considere os seguintes exemplos:
a)
d
2
y
dx
2
+ 3
dy
dx
!
3
+ 2y = e
x
ab)
a
2
∂
4
u
∂x
4
+
∂
2
u
∂y
2
= 0
Essa equação é uma equaçãodiferen ial par ialde 4 a
ordem.
Neste trabalho, vamos onsiderar apenas equações diferen iais de 1 a
e 2 a
ordem,
no aso das EDO esomentede 2 a
ordem, no aso das EDP.
Classi ação Como Linear ou Não-Linear
Uma equaçãodiferen ial é hamadade linear se pode ser olo ada naforma
∂
n
u
∂x
n
+
∂
n−1
u
∂x
n−1
+ . . . +
∂u
∂x
+ u = 0.
Uma equaçãoque não é linear é hamada não-linear
Exemplos de equações não lineares:
a)
d
2
y
dx
2
+ cos
dy
dx
+ y = 0
b)dy
dx
+ x cos y = y
2
)∂
2
y
∂x
2
+ y
2
∂y
∂t
= sen y
Exemplos de equações lineares:
a)
cos x ·
d
2
y
dx
2
+
dy
dx
+ x
2
y = 0
b)y
′′
− 2y
′
+ y = 0
)x
2
d
2
y
dx
2
+ 3x
dy
dx
+ 5y = e
x
d)∂
2
u
∂x
2
= 2
∂
2
u
∂y
2
+ u cos x
e)∂
2
u
∂x
2
+
∂
2
u
∂y
2
= 0
EDO's de 1 a
e 2
a
Ordem
Denição 2.1 (Solução de Uma Equação Diferen ial) Chama-se solução de uma
equação diferen ial num determinado intervalo aberto
I
, qualquer função denida emI
, que satisfaz àequação.Exemplo 2.1 A função
y = xe
x
,
x ∈ (−∞, +∞)
é uma solução para aequação linear:d
2
y
dx
2
− 2
dy
dx
+ y = 0
poisd
2
dx
2
(xe
x
) + (−2)
dx
d
(xe
x
) + xe
x
= (xe
x
+ 2e
x
) − 2(xe
x
+ e
x
) + xe
x
= 0
para todo
x ∈ (−∞, +∞)
. Logoy = xe
x
é soluçãodessa equação diferen ial.
Vejaqueafunção
y(x) = 0
,x ∈ R
,também satisfazamesmaequaçãoe,portanto, é outrasolução.Uma função identi amente nula que é solução de uma equação diferen ial num
determinadointervalo
I
édita solução trivial.Uma equação diferen ial, em geral, pode possuir uma innidade de soluções. Por
exemplo,poruma simplessubstituição veri a-se que para adavalorde
c ∈ R
, afunçãoé uma soluçãoparti ular da equação
dy
dx
− 2xy = 0.
Da mesma forma, veri a-se quepara ada valorde
c ∈ R
,a funçãoy = cxe
x
é uma soluçãoparti ular da equação
d
2
y
dx
2
− 2
dy
dx
+ y = 0.
2.1 EDO Linear de 1 a OrdemDenição 2.2 Umaequação diferen iallinear,de 1 a
ordem, om oe ientes onstantes
é uma equação daforma:
du
dx
+ au = f (x),
x ∈ I
(2.1)onde supomos que
f
é uma função denida e ontínua num intervaloabertoI
ea ∈ R
.Solução Geral
Aomultipli arambosos membros daequação (2.1) por
e
ax
obtém-se:e
ax
du
dx
+ aue
ax
= e
ax
f (x)
oud
dx
(ue
ax
) = e
ax
f (x)
(2.2) Comof
é ontínuaemI
,e
ax
f (x)
admiteprimitivaem
I
,entãode(2.2),integrando ambos osmembros, tem-se:ue
ax
= k +
Z
e
as
f (s)ds.
Multipli ando ambos osmembros por
e
−ax
, obtém-se:
u(x) = ke
−ax
+ e
−ax
Z
e
as
f (s)ds
(2.3)
om
k
uma onstante. Para adavalordek ∈ R
,u(x)
éumasoluçãoparti ulardaequação (2.3). Portanto,aequação (2.3) admiteuma innidade de soluções. Vamos hamar(2.3)de solução geral daequação (2.1).
Exemplo 2.2 Considereaequação
du
dx
−3u = e
x
,
x ∈ (−∞, +∞)
. Vamosobterasolução geral e asolução parti ular quesatisfazu(0) = 1
.a) Como foi vistoa solução geral é daforma daequação (2.3) om
a = −3
ef (x) = e
x
, então tem-se:u(x) = ke
3x
+ e
3x
Z
e
−3x
· e
x
dx
u(x) = ke
3x
+ e
3x
Z
e
−2x
dx
mas,Z
e
−2x
dx =
−e
−2x
2
,
logou(x) = ke
3x
+ e
3x
·
−e
−2x
2
u(x) = ke
3x
−
e
x
2
b) Agora pre isa-se determinar
k
para se teru(0) = 1
.1 = ke
3·0
−
e
0
2
1 = k · 1 −
1
2
k =
3
2
Com issoa soluçãoque satisfaz a ondição
u(0) = 1
é dada por:u(x) =
3
2
e
3x
−
e
x
2
u(x) =
3e
3x
− e
x
2
2.2 EDO Linear de 2 a
Ordem
Denição 2.3 (Dependên ia Linear) Diz-se que as funções
f
1
(x)
ef
2
(x)
são linear-mentedependentes (LD)numintervaloI
seexistem onstantesc
1
, c
2
nãosimultaneamente nulas tais quec
1
f
1
(x) + c
2
f
2
(x) = 0
(2.4)para todo
x
no intervaloI
.Denição 2.4 (Independên ia Linear) Diz-sequeasfunções
f
1
(x)
ef
2
(x)
são linear-mente independentes (LI)num intervaloI
seaequação (2.4) ésatisfeita para todox ∈ I
apenas parac
1
= c
2
= 0
.Teorema 2.1 Suponha que
f
1
(x)
ef
2
(x)
,x ∈ I
, sejam deriváveis no intervaloI
. Se o determinante:f
1
(x) f
2
(x)
f
′
1
(x) f
2
′
(x)
6= 0,
emtodopontodointervalo
I
,entãoasfunçõesf
1
(x)
ef
2
(x)
sãolinearmenteindependentes nesse intervalo. O determinante a ima é denotado porW (f
1
(x), f
2
(x))
e é hamado de wronskiano das funçõesf
1
ef
2
.Exemplo 2.3 As funções
f
1
(x) = cos βx
ef
2
(x) = sen βx
, omβ 6= 0
,x ∈ I
,I ⊆ R
são LI.De fato,
f
1
ef
2
são deriváveis ef
′
1
(x) = −β sen βx
,f
′
2
(x) = β cos βx
. Com isso temosque:W =
f
1
(x) f
2
(x)
f
′
1
(x) f
2
′
(x)
=
cos βx
sen βx
−β sen βx β cos βx
= β cos
2
βx + β sen
2
βx = β(sen
2
βx + cos
2
βx) = β · 1
Portanto,
W(f
1
, f
2
) = β
.Teorema 2.2 Sejam
f
1
ef
2
, duas soluções LI de uma EDO linear, homogênea de 2 aordem num intervalo
I
. Então toda solução dessa equação é uma ombinação linear def
1
ef
2
. Com issoa soluçãogeral para essa EDO éu(x) = c
1
f
1
(x) + c
2
f
2
(x), x ∈ I.
Denição 2.5 UmaEDOlinearde2 a
ordem, om oe ientes onstantes, éumaequação
daforma:
d
2
u
dx
2
+ b
du
dx
+ cu = f (x),
x ∈ I ⊆ R
(2.5)om
b, c ∈ R
,I
um intervaloaberto ef
é uma função ontínuadenida emI
.Quando
f (x) = 0
em todoI
, aequaçãod
2
u
dx
2
+ b
du
dx
+ cu = 0
(2.6)é hamadahomogênea, do ontrário,é hamada não-homogênea.
Solução Geral da Equação Homogênea
Suponha quepara um erto
λ
,u = e
λx
é solução de (2.6). Então,d
2
dx
2
(e
λx
) + b
d
dx
(e
λx
) + ce
λx
= 0,
o quedáλ
2
e
λx
+ bλe
λx
+ ce
λx
= 0
e
λx
(λ
2
+ bλ + c) = 0,
que sóé válida seλ
2
+ bλ + c = 0
(2.7)Podemos on luirque,
u = e
λx
Teorema 2.3 Suponha que(2.7) tenha raízes reais
λ
1
eλ
2
. Então:i) Se
λ
1
6= λ
2
a equação (2.6)tem soluçãogeralu(x) = Ae
λ
1
x
+ Be
λ
2
x
,
(2.8)
om
A, B ∈ R
.ii) Se
λ
1
= λ
2
a equação (2.6)tem soluçãogeralu(x) = Ae
λ
1
x
+ Bxe
λ
1
x
,
(2.9)
om
A, B ∈ R
.iii) Se asraízes forem omplexas,istoé,
λ = α ± βi
,nesse aso,u(x) = e
αx
[A cos βx + B sen βx],
(2.10)om
A, B ∈ R
.Demonstração: Sejam
λ
1
eλ
2
as raízes reais daequaçãoλ
2
+ bλ + c = 0
Nesse aso,λ
1
+ λ
2
= −b
λ
1
· λ
2
= c
Substituindo em (2.6):d
2
u
dx
2
− (λ
1
+ λ
2
)
du
dx
+ λ
1
λ
2
= 0
ouainda,d
dx
"
du
dx
− λ
1
u
#
− λ
2
"
du
dx
− λ
1
u
#
= 0
Denag(x) =
du
dx
− λ
1
u
(2.11)temos:
d
dx
g(x) − λ
2
g(x) = 0
(2.12)Vamos provar que
u(x)
é solução daequação (2.6) se e somente seg(x)
é solução daequação (2.12).Comparando (2.12) om (2.1), uja soluçãogeral é dada por(2.3),segue que:
g(x) = ke
λ
2
x
(2.13)
Então
u(x)
é soluçãodaequação (2.6), se esomentese, satisfazdu
dx
− λ
1
u = ke
λ
2
x
(2.14)
Comparando esta últimaequação om as equações (2.1) e(2.3), obtemos que
u(x) = Ce
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
Z
e
(λ
2
−λ
1
)x
dx
(2.15)
Analisemosa solução (2.15)nos asos:
1 o
Caso:
Para
λ
1
6= λ
2
segue queu(x) = Ce
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
·
e
(λ
2
−λ
1
)x
λ
2
− λ
1
= Ce
λ
1
x
+
k
2
λ
2
− λ
1
!
e
λ
2
x
DenindoA = C
eB =
k
2
λ
2
− λ
1
tem-seu(x) = Ae
λ
1
x
+ Be
λ
2
x
(2.16) 2 o Caso: Paraλ
1
= λ
2
:u(x) = Ce
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
Z
dx
u(x) = Ce
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
[x + D]
u(x) = Ce
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
x + kDe
λ
1
x
u(x) = (C + kD)e
λ
1
x
+ ke
λ
1
x
x
FazendoA
′
= C + kD
eB
′
= k
,segue queu(x) = A
′
e
λ
1
x
+ B
′
e
λ
1
x
x
u(x) = e
λ
1
x
(A
′
+ B
′
x)
(2.17) 3 o Caso:Sejam
u
eg
taisqueu(x) = e
−
b
2
x
· g(x)
(2.18)
Armamos que a função
u(x)
é solução da equação (2.6) se, e somente se,g
é solução daequaçãod
2
dx
2
g +
−∆
4
!
g = 0
(2.19)onde
∆
é o dis riminante daequaçãoλ
2
− bλ + c = 0
(2.20)ouseja,
∆ = b
2
− 4c
(2.21)Nesse aso,
∆ < 0
eλ = α ± βi
. De fato, temos qued
2
dx
2
u + b
d
dx
u + c
=
d
2
dx
2
e
−
b
2
x
g
+ b
d
dx
e
−
2
b
x
g
+ c
(2.22) Comod
dx
e
−
b
2
x
g
= −
b
2
e
−
b
2
x
g + e
−
b
2
x
d
dx
g
e
d
2
dx
2
e
−
b
2
x
g
=
d
dx
−
b
2
e
−
2
b
x
g + e
−
b
2
x
d
dx
g
= −
b
2
−
b
2
e
−
b
2
x
g + e
−
b
2
x
d
dx
g
−
b
2
e
−
b
2
x
d
dx
g + e
−
2
b
x
d
2
dx
2
g
=
b
2
4
e
−
b
2
x
g −
b
2
e
−
2
b
x
d
dx
g −
b
2
e
−
2
b
x
d
dx
g + e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g
=
b
2
4
e
−
b
2
x
g − be
−
b
2
x
d
dx
g + e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g.
substituindo esses resultados em (2.22) obtém-se:
b
2
4
e
−
2
b
x
g − be
−
b
2
x
d
dx
g + e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g + b
−
2
b
e
−
b
2
x
g + e
−
b
2
x
d
dx
g
+ c
= e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g −
b
2
4
e
−
b
2
x
g + c
= e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g +
c −
b
2
4
g
(2.23) Mas,∆ = b
2
− 4c ⇒ −
∆
4
= c −
b
2
4
Então,d
2
u
dx
2
+ b
du
dx
+ c = e
−
b
2
x
d
2
dx
2
g +
−
∆
4
g
= 0
se, e somente se,
d
2
dx
2
g −
∆
4
g = 0
provando a armação.
Vamos noque segue, obtera solução geral daequação (2.19). Observe que:
d
dx
(cos βx) = −β sen βx
ed
2
dx
2
(cos βx) = −β
2
cos βx
de modoquea função
cos βx
é soluçãoda equação (2.19)para−β
2
=
∆
4
⇒ β
2
= −
∆
4
Como
∆ < 0 ⇒ −∆ = |∆|
, entãoβ = ±
p
|∆|
2
. Logo,cos
p|∆|
2
x
é solução dad
2
dx
2
g −
∆
4
g = 0
.Analogamente, a função
sen
p|∆|
2
x
também ésolução dad
2
dx
2
g −
∆
4
g = 0.
Sejam então
u
1
(x) = cos
p|∆|
2
x
eu
2
(x) = sen
p|∆|
2
x
duas soluçõespara a
equação(2.19) (EDOlinear,homogêneade 2 a
ordem)num intervalo
I
. Do exemplo(2.2) tem-se queu
1
(x)
eu
2
(x)
são linearmente independentes.Usando o teorema2.2 pode-se obter a solução geral para a equação (2.6) no aso
omplexo. Como
g(x) = A cos
p|∆|
2
x
+ B sen
p|∆|
2
x
deduz-se queu(x) = e
−
b
2
x
"
A cos
p|∆|
2
x
+ B sen
p|∆|
2
x
#
.
Mas de (2.7) temos que:
λ =
−b ±
√
b
2
− 4c
2
, b
2
− 4c = ∆ < 0
∴
λ = −
b
2
|{z}
α
±i
p
|∆|
2
| {z }
β
⇒ α = −
b
2
eβ =
p
|∆
2
.
Com isso, es reve-se a solução geralda equação (2.6):
u(x) = e
αx
[A cos βx + B sen βx]
Isso on luia prova doTeorema 2.3
Observação 2.1 No Teorema 2.3, item i), as funções
f
1
= e
λ
1
x
e
f
2
= e
λ
2
x
LI. De fato,
W(f
1
, f
2
) =
f
1
f
2
f
′
1
f
2
′
=
e
λ
1
x
e
λ
2
x
λ
1
e
λ
1
x
λ
2
e
λ
2
x
= λ
2
e
x(λ
1
+λ
2
)
− λ
1
e
x(λ
1
+λ
2
)
= (λ
2
− λ
1
)e
x(λ
1
+λ
2
)
6= 0,
∀x ∈ R
pois
λ
2
6= λ
1
, porhipótese.Para oitem item ii) temos que
f
1
= e
λ
1
x
e
f
2
= xe
λ
1
x
também são LI, pois
W(f
1
, f
2
) =
f
1
f
2
f
′
1
f
2
′
=
e
λ
1
x
xe
λ
1
x
λ
1
e
λ
1
x
(1 + xλ
1
)e
λ
1
x
= (1 + xλ
1
)e
2λ
1
x
− xλ
1
e
2λ
1
x
= e
2λ
1
x
+ xλ
1
e
2λ
1
x
− xλ
1
e
2λ
1
x
= e
2λ
1
x
6= 0,
∀x ∈ R
Analogamente, para o item iii),temos
f
1
= e
αx
cos βx
ef
2
= e
αx
sen βx
, portantoW(f
1
, f
2
) =
f
1
f
2
f
′
1
f
2
′
=
e
αx
cos βx
e
αx
sen βx
e
αx
(α cos βx − sen βx) e
αx
(α sen βx + cos βx)
= e
2αx
cos βx(α sen βx + cos βx) − e
2αx
sen βx(α cos βx − sen βx)
= e
2αx
[α cos βx sen βx + cos
2
βx − α cos βx sen βx + sen
2
βx]
= e
2αx
[cos
2
βx + sen
2
βx]
= e
2αx
6= 0,
∀x ∈ R
logo,
f
1
ef
2
são LI.2.3 Casos Espe iais da Equação (2.6)
Na equação (2.6) onsideremosos seguintes asos espe iais:
a)
b = c = 0
. Com isso sua equação ara terísti aéaqual tem úni a solução:
λ = 0
.Pelo Teorema2.3, a soluçãogeral da equação (2.6)é
u(x) = A + Bx
(2.24)b)
b = 0
ec > 0
. Nesse aso, a equação ara terísti aéλ
2
+ c = 0
ujasraízes são omplexas edistintas:
λ
1
= i
√
c
eλ
2
= −i
√
c
Portanto, a soluçãogeral daequação, pelo Teorema2.3, item iii),édada por
u(x) = A cos(
√
cx) + B sen(
√
cx)
(2.25)) Para
b = 0
ec < 0
,a equação ara terísti aéλ
2
+ c = 0
ujasraízes são reais e distintas pois
−c > 0
:λ
1
=
√
−c
eλ
2
= −
√
−c
Nesse aso, peloTeorema2.3, asolução geral daequação é
u(x) = Ae
√
−c x
+ Be
−
√
−c x
Convergên ia Uniforme e Série de
Fourier
3.1 Convergên ia Uniforme
Denição 3.1 (Convergên ia Pontual) Uma seqüên ia de funções
(f
n
(x))
onverge para a funçãof (x)
no pontox ∈ B
,B ⊆ R
, se para todoε > 0
, existen
0
(ε, x) ∈ N
tal quen > n
0
⇒ |f
n
(x) − f(x)| < ε.
(3.1)Observação 3.1 Ovalorde
n
0
,depende,emgeral, dopontox
(daíonome onvergên ia pontual) e deε
para garantir que aseqüên iaf
n
onvirja no pontox
. Agora, quandon
0
sódepende deε
,diz-se quef
n
onverge uniformemente,poisnesse aso, para um dadoε
,n
0
é o mesmopara todox
dointervalo.Denição 3.2 (Convergên ia Uniforme) Diz-sequeaseqüên iadefunções
(f
n
)
on-verge uniformemente paraf
num intervaloB
se, para todoε > 0
, existir um número naturaln
0
(que só depende deε
) talque, para todox ∈ B
,Em ambosos asos de onvergên ia, indi a-se:
f (x) = lim
n→+∞
f
n
(x),
x ∈ B.
Interpretação Grá a
Dadeniçãode onvergên iauniformenumintervalo
B
tem-sequeparatodox ∈ B
existen
0
= n
0
(ε)
talquen > n
0
⇒ f(x) − ε < f
n
(x) < f (x) + ε.
Com isso, para que
f
n
onvirja uniformemente emB
, o grá o def
n
(x)
quando tomamosn > n
0
(ε)
, deve permane er dentro da faixa determinada pelos grá os das funções:y = f (x) − ε
ey = f (x) + ε
, omx ∈ B
.ε
ε
By = f (x) − ε
y = f (x) + ε
f (x)
f
n
(x)
Exemplo 3.1 Considere a seqüên ia de funções
f
n
(x) = x
n
,
n > 1
e sejaf (x) = 0
parax ∈ [
−1
2
,
1
2
]
. Mostrar que aseqüên ia(f
n
)
onverge uniformementeparaf
em[
−1
2
,
1
2
]
. Objetivo: Queremos mostrar quedadoε > 0
existen
0
= n
0
(ε)
tal quen > n
0
⇒ |x
n
− 0| < ε.
Como|x| 6
1
2
, então|x|
n
6
1
2
n
,para todox ∈ [
−1
2
,
1
2
]
.Assim,paraque
|x
n
| < ε
,∀x ∈ [
−1
2
,
1
2
]
,bastatomar1
2
n
< ε
,ouseja,n >
− ln ε
ln 2
. Es olhendo-sen
0
∈ N
de tal formaquen
0
>
− ln ε
ln 2
resulta quen > n
0
⇒ |x
n
| < ε
∴
n > n
0
⇒ |x
n
− 0| < ε.
Observe que a es olhade
n
0
depende apenas deε
e não depende dex
. Portanto, a seqüên iaf
n
(x) = x
n
onverge uniformemente para
f (x) = 0
em[
−1
2
,
1
2
]
.Noque segue,enun iamos, sem prova,vários resultados importantes sobre
onver-gên ia uniformeque serão utilizadosposteriormente.
Teorema 3.1 Seja
f
n
uma seqüên ia onvergente de funções e sejaf : B −→ R
dada porf (x) = lim
n→+∞
f
n
(x)
Se
f
n
onverge uniformemente af
emB
e se adaf
n
for ontínua emx
0
∈ B
entãof
também será ontínua emx
0
.Teorema 3.2 Seja
f : [a, b] −→ R
dada porf (x) = lim
n→+∞
f
n
(x)
onde ada
f
n
ésuposta ontínuaem[a, b]
. Nesta ondições,sef
n
onvergiruniformemente af
em[a, b]
,entãoZ
b
a
f (x)dx = lim
n→+∞
Z
b
a
f
n
(x)dx
ouseja,Z
b
a
lim
n→+∞
f
n
(x)
dx = lim
n→+∞
Z
b
a
f
n
(x)dx.
Teorema 3.3 Seja
f
n
uma seqüên ia de funções de lasseC
1
nointervalo
I
e sejamf
eg
funçõesdeI
emR
dadas por:f (x) = lim
n→+∞
f
n
(x)
eg(x) = lim
n→+∞
f
′
n
(x).
Nessas ondições, se a seqüên ia de funções
f
′
n
onvergir uniformementeag
emI
então, para todox ∈ I
,f
′
(x) = g(x)
ouseja,lim
n→+∞
f
n
(x)
′
= lim
n→+∞
f
′
n
(x).
Note que o Teorema 3.3 exige que
f
′
n
onvirja uniformemente parag
emI
, mas não exige quef
n
onvirja uniformementeparaf
.Teorema 3.4 (Critério
M
de Weierstrass) Seja+∞
X
k=0
f
k
uma sériede funçõesesupo-nhamos que exista uma série numéri a
+∞
X
k=0
M
k
tal que, para todox ∈ B
e para todo naturalk
,|f
k
(x)| 6 M
k
.
Nestas ondições, se a série
+∞
X
k=0
M
k
for onvergente, então a série+∞
X
k=0
f
k
onvirgirá uni-formemente, emB
, àfunçãos(x) =
+∞
X
k=0
f
k
(x)
. Apli andoo Teorema 3.4: Exemplo 3.2Verique quea série
+∞
X
k=1
1
x
2
+ k
2
onverge uniformemente, emR
,à funçãos(x) =
+∞
X
k=1
1
x
2
+ k
2
.
Note quepara qualquer
x ∈ R
−1
k
2
6
1
x
2
+ k
2
6
1
k
2
Então,1
x
2
+ k
2
6
1
k
2
. Como,+∞
X
k=1
1
k
2
é onvergente, peloTeorema3.4, segue que asérie+∞
X
k=1
1
x
2
+ k
2
on-verge uniformemente, emR
, para afunçãos(x) =
+∞
X
k=1
1
x
2
+ k
2
.
Teorema 3.5 Seja
s : B −→ R
dada pors(x) =
+∞
X
k=0
f
k
(x).
Se a série de funções+∞
X
k=0
f
k
onvergir uniformemente paras
, emB
, e se adaf
k
for ontínuaemx
0
∈ B
,entãos
também será ontínua emx
0
.Teorema 3.6 (Integração Termo a Termo) Seja
s = s(x)
,x ∈ [a, b]
, dada por:s(x) =
+∞
X
k=0
f
k
(x).
Se ada
f
k
for ontínuaem[a, b]
ese a série onvergir uniformementeas
em[a, b]
, entãoZ
b
a
s(x)dx =
+∞
X
k=0
Z
b
a
f
k
(x)dx,
ouseja,Z
b
a
"
+∞
X
k=0
f
k
(x)
#
dx =
+∞
X
k=0
Z
b
a
f
k
(x)dx.
Teorema 3.7 (Derivação Termo a Termo) Seja
s : I −→ R
,I
intervalo,dada pors(x) =
+∞
X
k=0
Se ada
f
k
for de lasseC
1
emI
e sea série+∞
X
k=0
f
′
k
onvergir uniformementeemI
, então,s
′
(x) =
+∞
X
k=0
f
′
k
(x)
,para todox ∈ I
, ouainda,+∞
X
k=0
f
k
(x)
!
′
=
+∞
X
k=0
f
′
k
(x).
Exemplo 3.3 Sejas(x) =
+∞
X
k=1
sen kx
k
3
, a) Qual odomínio des(x)
? b) Justique:s
′
(x) =
+∞
X
k=1
cos kx
k
2
,
para todox ∈ R
. Solução: a) Tem-se que−1 6 sen kx 6 1 ⇒
−1
k
3
6
sen kx
k
3
6
1
k
3
,
para todok > 1
. Logo,sen kx
k
3
6
1
k
3
.Portanto, pelo Teorema 3.4,
s(x)
onverge uniformemente. Então, temos que sua onvergên ia independe dos valoresdex
, ouseja, odomíniodes(x)
éR
.b) Noteque
sen kx
k
3
é de lasseC
1
e que+∞
X
k=1
sen kx
k
3
′
=
+∞
X
k=1
cos kx
k
2
.
Contudo, para todo
x ∈ R
ek > 1
cos kx
k
2
6
1
k
2
Agora, pelo Teorema 3.4 (Critério
M
de Weierstrass), segue que a série+∞
X
k=1
cos kx
k
2
Termo),tem-se
+∞
X
k=1
sen kx
k
3
!
′
=
+∞
X
k=1
sen kx
k
3
′
,
ouseja,s
′
(x) =
+∞
X
k=1
cos kx
k
2
.
3.2 Séries de FourierDenição 3.3 (Série Trigonométri a) Chama-se Série Trigonométri a,uma série de
funçõesda forma:
α +
∞
X
k=1
(a
k
cos kx + b
k
sen kx)
(3.3) sendoα
,a
k
,b
k
,k = 1, 2, . . .
onstantes.Denição 3.4 (Série de Fourier) Seja
u : [−π, π] −→ R
integrávelem[−π, π]
. Asérie de Fourier deu
é a série (2.1) onde,α =
a
0
2
,
(3.4)a
k
=
1
π
Z
π
−π
u(x) cos kxdx,
k = 0, 1, 2, . . .
(3.5) eb
k
=
1
π
Z
π
−π
u(x) sen kxdx,
k = 1, 2, . . .
(3.6)Exemplo 3.4 En ontrar asérie de Fourierda função
u(x) = |x|
,x ∈ [−π, π]
. Solução: Determinandoa
k
:a
k
=
1
π
Z
π
−π
|x| cos(kx)dx
=
1
π
Z
0
−π
|x| cos(kx)dx +
Z
π
0
|x| cos(kx)dx
=
1
π
−
Z
0
−π
x cos(kx)dx +
Z
π
0
x cos(kx)dx
=
1
π
Z
π
0
x cos(kx)dx +
Z
π
0
x cos(kx)dx
=
2
π
Z
π
0
x cos(kx)dx
Mas,para
k 6= 0
,Z
x cos(kx)dx = x
sen(kx)
k
−
Z sen(kx)
k
dx
=
x sen(kx)
k
−
1
k
− cos(kx)
k
=
x sen(kx)
k
+
cos(kx)
k
2
Com isso,Z
π
0
x cos(kx)dx =
x sen(kx)
k
−
cos(kx)
k
2
π
0
=
π sen(kπ)
k
+
cos(kπ)
k
2
−
0 · sen(k · 0)
k
+
cos(k · 0)
k
2
=
cos(kπ)
k
2
−
1
k
2
,
k 6= 0
Logo,a
k
=
2
π
cos(kπ)
k
2
−
1
k
2
a
k
=
2
k
2
π
(cos(kπ) − 1)
parak = 1, 2, 3, . . .
Parak = 0
, tem-se:a
0
=
1
π
Z
π
−π
|x| cos(0x)dx
a
0
=
1
π
Z
π
−π
|x|dx
a
0
= π
Determinandob
k
:b
k
=
1
π
Z
π
−π
|x| sen(kx)dx
=
1
π
Z
0
−π
(−x) sen(kx)dx +
Z
π
0
x sen(kx)dx
=
1
π
−
Z
0
−π
x sen(kx) +
Z
π
0
x sen(kx)dx
Fazendo
x = −t
na 1 a integral:=
1
π
−
Z
0
π
(−t) sen(−kt)(−dt) +
Z
π
0
x sen(kx)dx
=
1
π
−
Z
π
0
t sen(kt)dt +
Z
π
0
x sen(kx)dx
= 0.
Então, a sérieπ
2
−
4
π
cos x +
1
3
2
cos 3x +
1
5
2
cos 5x + · · ·
é asérie de Fourierde
u(x) = |x|
.Teorema 3.8 (Riemann) Seja
u
periódi a emR
, om período2π
, ontínua porpartes em[−π, π]
. Então, em todopontox ∈ R
ondeu
tem derivadas lateraisnitas, aSérie de Fourier deu
onverge para1
2
[u(x + 0) + u(x − 0)] ,
(3.7) ondeu(x ± 0) = lim
h→0
u(x ± h).
(3.8)Exemplo 3.5 Seja
f
uma função periódi a, om período2π
e, em[−π, π]
,f
é ontínua por partese denida omo:f (x) =
−1
se− π < x < 0
1
se0 6 x 6 π
Cal ulara série de Fourierde
f (x)
. Grá o def (x)
em[−π, π]
:1
−1
π
−π
Vamos al ularos oe ientes
a
k
: Parak = 0
:a
0
=
1
π
Z
π
−π
f (x)dx
=
1
π
Z
0
−π
(−1)dx +
Z
π
0
(1)dx
=
1
π
[−(π) + π]
= 0.
Parak 6= 0
:a
k
=
1
π
Z
0
−π
(−1) cos(kx)dx +
Z
π
0
cos(kx)dx
=
1
π
−
Z
0
−π
cos(kx)dx +
Z
π
0
cos(kx)dx
=
1
π
−
Z
0
π
cos(kt)(−dt) +
Z
π
0
cos(kx)dx
=
1
π
[0]
= 0
Cal ulando os oe ientesb
k
:b
k
=
1
π
Z
0
−π
(−1) sen(kx)dx +
Z
π
0
+1 sen(kx)dx
=
1
π
−
Z
0
π
− sen(kt)(−dt) +
Z
π
0
sen(kx)dx
=
1
π
2
Z
π
0
sen(kx)dx
=
2
π
− cos(kx)
k
π
0
=
−2
kπ
[cos(kπ) − 1]
=
−2
kπ
(−1)
k
− 1
Então, a série de Fourierde
f (x)
é∞
X
k=1
2
kπ
1 − (−1)
k
sen(kx)
=
2
π
∞
X
n=0
2
2n + 1
sen [(2n + 1)x]
=
4
π
∞
X
n=0
sen[(2n + 1)x]
2n + 1
Vejamos agora para que função esta série onverge. Em
x = 0
os limites laterais são:lim
h→0
f (0 + h) = +1
lim
h→0
f (0 − h) = −1
Logo, pelo Teorema3.8,no ponto
x = 0
asérie de Fourier onverge para1
2
[+1 − 1] = 0
Analogamente, nos pontos
x
k
= kπ.
Nos demais pontos
x
ondef
é ontínua, a série onverge paraf (x)
. Grá o dafunçãof (x)
˜
para a qual onverge a série de Fourier def
.1
−1
b
b
b
b
Corolário 3.1 Se no Teorema de Riemann, a hipótese de que
u
é ontínua por partes em[−π, π]
for substituída pela hipótese de queu
é derivável em ada parte de(−π, π)
, entãou
é ontínuaem(−π, π)
. Nesse aso,asérie deFourier onvergeparau(x)
em ada ponto de(−π, π)
.Exemplo 3.6 Seja
f (x) = x
,x ∈ (−π, π)
e periódi a de período2π
. Cal ulara série de Fourier def
.π
2π
3π
−π
−2π
−3π
b
b
π
−π
Os oe ientes
a
k
eb
k
são dados por (3.4),(3.5) e (3.6). No entanto,a
k
= 0
,k = 0, 1, 2, 3 . . .
, poisf (x) cos(kx)
é uma função ímpar.
Para
b
k
tem-seb
k
=
1
π
Z
π
−π
x sen(kx)dx
=
1
π
x
−
cos(kx)
k
−
Z
−
cos(kx)
k
dx
π
pi
=
1
π
−2π
cos(kπ)
k
= −
2
k
(−1)
k
.
Logo, a Sériede Fourier dafunção
f (x)
é∞
X
k=1
2
k
(−1)
k+1
sen(kx),
k = 1, 2, 3, . . .
Para todo
x ∈ (−π, π)
,f (x)
éderivável,e om isso ontínua, então peloCorolário 3.1, doTeorema de Riemann, a Série de Fourier da funçãof (x)
onverge paraf (x) = x
em ada ponto de(−π, π)
. Nos pontosx
n
= (2n + 1)π
,n ∈ Z
,a série onverge para zero omoseguedoTeorema(3.8),relações(3.7)e(3.8),poisf (x
n
− 0) = π
ef (x
n
+ 0) = −π
.π
2π
3π
−π
−2π
−3π
b
b
b
b
b
π
−π
3.3 Funções Periódi as de Período 2L
Denição 3.5 No aso de uma função
f
de período2L
,L > 0
, tem-se que sua série de Fourier édada por:a
0
2
+
∞
X
k=1
a
k
cos
kπx
L
+ b
k
sen
kπx
L
(3.9) oma
k
=
1
L
Z
L
−L
f (x) cos
kπx
L
dx,
k = 0, 1, 2, . . .
(3.10) eb
k
=
1
L
Z
L
−L
f (x) sen
kπx
L
dx,
k = 0, 1, 2, . . .
(3.11)Importante: Ao onsiderar-se funções periódi as de período
2L
ao invés de período2π
, não se perde nenhuma das propriedades, teoremas e oroláriosanteriores,poisessaextensão de funções de período
2π
para período2L
édada pela funçãos =
πx
L
o qualtransformao intervalo
−L < x < +L
em−π < s < +π
.Exemplo 3.7 Seja
f
uma função periódi a de período2L
. Mostre quea
k
= 0
sef
é ímpar eb
k
= 0
sef
épar. Cal ulandoa
k
:a
k
=
1
L
Z
L
−L
f (x) cos
kπx
L
dx
a
k
=
1
L
Z
0
−L
f (x) cos
kπx
L
dx +
Z
L
0
f (x) cos
kπx
L
dx
Fazendo
x = −t
e sendof
uma função ímpar,tem-se:Z
0
−L
f (x) cos
kπx
L
dx =
Z
0
L
f (−t) cos
kπ
(−t)
L
(−dt)
= −
Z
L
0
f (t) cos
kπt
L
dt
Substituindo esse resultado naexpressão de
a
k
obtêm-sea
k
= 0
. Parab
k
tem-se:b
k
=
1
L
Z
L
−L
f (x) sen
kπx
L
dx
b
k
=
1
L
Z
0
−L
f (x) sen
kπx
L
dx +
Z
L
0
f (x) sen
kπx
L
dx
Fazendo
x = −t
e sendo agoraf
uma função par, tem-se:Z
0
−L
f (x) sen
kπx
L
dx =
Z
0
L
f (−t) sen
kπ
(−t)
L
(−dt)
= −
Z
L
0
f (t) sen
kπt
L
dt
Substituindo esse resultado naexpressão de
b
k
,obtêm-se queb
k
= 0
.3.4 Extensão Par e Ímpar de Uma Função
É omumem ertas apli açõesser ne essário representar em Sériede Fourieruma
função ontínua por partes num intervalo da forma
(0, L)
. Tal problema a resolvido quando obtêm-se uma representação em Séries de Fourier de uma funçãof
˜
periódi a de período2L
, ujarestriçãoaointervalo(0, L)
éigualaf
. Afunçãof
˜
denomina-seextensão periódi a def
.Quando sedeseja obteruma representação de Fourierde
f
é onvenientefazersua extensão par ou ímpar, tendo-se em vista a simpli ação da Série de Fourier para essasDenição 3.6 (Extensão Par) A extensão par de
f (x)
é a função parf
˜
P
(x)
denida por:˜
f
P
(x) =
f (x),
0 < x < L
f (−x),
−L < x < 0
f (0 + 0),
parax = 0
f (L − 0),
parax = L
oux = −L
f (x − 2L),
parax > L
f (x + 2L),
parax < −L
Denição 3.7 (Extensão Ímpar) A extensão ímpar de
f (x)
é a funçãof
˜
I
(x)
denida daseguinteforma:˜
f
I
(x) =
f (x),
0 < x < L
−f(−x),
−L < x < 0
−f(0 + 0),
parax = 0
f (L − 0),
parax = L
−f(L − 0),
parax = −L
f (x − 2L),
parax > L
f (x + 2L),
parax < −L
Exemplo 3.8 Seja
f (x) = x
,x ∈ [0, L]
. En ontre umaextensão par paraa funçãof (x)
. Considere a extensão par def (x)
dada pela funçãof
˜
p
(x) = |x|
,x ∈ [−L, L]
e periódi a de período2L
.L
L
−L
Usando as fórmulas (3.10) e(3.11) obtemos:
a
k
=
2L
k
2
π
2
(cos(kπ) − 1)
ea
0
= L.
e
b
k
= 0
Agora, omo
f (x)
˜
é ontínua, tem-se pelo Corolário 3.1 que a série de Fourier onverge paraf
˜
p
(x)
, em adax
. Portanto,˜
f
p
(x) =
L
2
+
∞
X
k=1
2L
k
2
π
2
(cos(kπ) − 1)
Restringindo odomínio dasérie para
x ∈ [0, L]
, e omo˜
f
p
(x) = f (x),
x ∈ [0, L]
A Equação da Onda
4.1 Equação Diferen ial Para Pequenas Os ilações de
Uma Corda
Chama-se de ordaum ono e exível.
Adotandoumsistemade oordenadas artesianas,supomosque,emestadode
equi-líbrio,a orda oin ida omoeixodos
x
,tendosuasextremidadesxadasnaorigem(0, 0)
e no ponto(0, L)
,L > 0
. Consideraremos aqui apenas o estudo de pequenas os ilações transversaisda orda,ouseja, adapontoda ordasedeslo aapenasperpendi ularmenteao eixo
x
, no planoxy
. No instantet
, sejau(x, t)
a ordenada do ponto da orda uja abs issa éx
. Portanto, a funçãou(x, t)
representa o deslo amentoou amplitude de ada ponto da orda noinstantet
, a partir de sua posiçãode equilíbrio.Para a realizaçãodas onsideraçõesposteriores vamos admitirasseguintes
hipóte-ses.
1) A função
u(x, t)
,x ∈ [0, L]
,t > 0
, é ontinua e tem derivadas primeiras e segundas ontínuas.2) As amplitudes
u(x, t)
das os ilações e suas derivadas são supostas pequenas. Seus produtos e seus quadrados não serão onsiderados nos ál ulos omparados om aunidade.
Noquesegue,oobjetivoseráodeobterumaequaçãosatisfeitapelafunção
u(x, t)
. Para um determinado instantet
xo, suponhamos que o perl da orda seja o representado naFigura 4.1 abaixo,x
u
x
1
b
x
2
b
A
1
A
2
T
1
T
2
0L
Figura 4.1:Do urso de ál ulosabemos que o omprimento
s
do ar oA
1
A
2
⌢
, no instante xo
t
, é dado pelaseguinteintegral:s =
Z
x
2
x
1
q
1 +
du
dx
2
dx
Mas, omo onsideramos a hipótese (2), temos que
du
dx
2
é muito pequeno, logo o
om-primento doar o pode ser es rito daseguinteforma:
s =
Z
x
2
x
1
√
1dx =
Z
x
2
x
1
dx = x
2
− x
1
.
Pode-semostrar,também,queatensão
T
~
na ordapode sertomadaindependente dex
, ou seja, pode ser onsiderada igual aT
0
. Com isso, temos que asforças que atuam noar oA
1
A
2
⌢
i) astensões nos pontos
A
1
eA
2
que são tangen iais à orda. ii) forças externas,se existirem.iii) forças de inér ia.
Devido a onsideração feita no iní io, a qual diz respeito ao movimento de ada
pontoda ordaserrealizadonadireçãoverti al,istoé,perpendi ularaoeixodos
x
, junta-mente om ofatodasforças externasede inér iateremdireçõestambémperpendi ularesaomesmo eixo, on lui-se quearesultantedas forças, nadireção
x
,no ar oA
1
A
2
⌢
é nula,
ouseja, o ar o não tem a eleração nadireção
x
.Mostrar-se-á agoraque
T
~
nãodependedex
,ouseja,T
~
poderáser identi adapor~
T
0
para todox
et
. Para isso, sejamα
eβ
os ângulos agudos que as direções deT
~
1
eT
~
2
formam om oeixo dosx
respe tivamente, noinstantet
:x
u
x
1
x
2
T
1
T
2
T
1
x
T
1
u
T
2
x
T
2
u
b
b
β
β
α
α
0L
Figura 4.2: SendoT
~
1
u
eT
~
2
u
as omponentes na direção perpendi ular ao eixox
das tensões~
T
1
eT
~
2
respe tivamente, eT
~
1
x
eT
~
2
x
as omponentes na direçãox
das tensõesT
~
1
eT
~
2
respe tivamente, temos:Sóque, pelo fatode onsiderarmos pequenas os ilações, temos que:
sen
2
α + cos
2
α = 1 ⇒
sen
2
α
cos
2
α
+
cos
2
α
cos
2
α
=
1
cos
2
α
(α 6=
π
2
+ kπ, k ∈ Z)
⇒ tan
2
α + 1 =
1
cos
2
α
⇒ cos
2
α =
1
tan
2
α + 1
⇒ cos α =
√
1
tan
2
α + 1
,
(0 < α <
π
2
).
Mas,tan α =
du
dx
, então:cos α =
q
1
du
dx
2
+ 1
,
pela hipótese(2),du
dx
2
≈ 0
, logo:cos α ≈
√
1
0 + 1
≈ 1.
Com ra io ínio análogopara oângulo
β
, tem-seque:T
1
cos α − T
2
cos β ∼
= 0
T
1
− T
2
∼
= 0
T
1
∼
= T
2
Pelo fato dos pontos
A
1
eA
2
serem genéri os, temos queT
não depende dex
e o identi aremos porT
0
paratodox
et
.Deduziremos a equação diferen ial de pequenas os ilações de uma orda om a
apli açãoda2 a
LeideNewton,segundo aqual,amassadosistemavezes asuaa eleração
éigualàresultantedetodasasforçasneleapli adas. Devidoàs ondiçõesimpostas,temos
que as forças responsáveis pelo movimento são, as omponentes das tensões na direção
dos deslo amentos
u
, as forças externas e as forças de inér ia. Cal ulando essas forças, obtemos:a) Resultante das tensões na direção
u
:sendo
sen α = tan α cos α =
tan α
1
cos α
=
√
tan α
sec
2
α
=
tan α
√
1 + tan
2
α
,
omotan α =
∂u
∂x
, temos:sen α =
∂u
∂α
q
1 +
∂u
∂α
2
,
epelahipótese (2):sen α ≈
∂x
∂α
.
Usando ra io ínio análogo para oângulo
β
,tem-se:sen α =
∂u
∂x
x=x
1
esen β =
∂u
∂x
x=x
2
.
Então:F
r
u
= T
0
"
∂u
∂x
x=x
2
−
∂u
∂x
x=x
1
#
T.F.C= T
0
Z
x
2
x
1
∂
2
u
∂x
2
dx
b) Forças externas: representando-se por
p(x, t)
adistribuição das forças externaspor unidade de omprimentoatuando sobre a orda na direçãou
. Daí, temosque a forçaF
extque atua sobre oar o
A
1
A
2
⌢
édado por:F
ext=
Z
x
2
x
1
p(x, t)dx
) Forças de inér ia: seja
ρ(x)
a densidade de massa da orda. A massa da orda no ar oA
1
A
2
⌢
≈ x
1
x
2
éρ(x)∆x
. Com isso a força de inér iaF
I
sobre ada ponto desse segmentoé dada por:F
I
= ρ(x)∆x
∂
2
u
∂t
2
.
Logo, aforça resultantede inér iasobre o ar o