ESTATUTO DA CIDADE
– Lei 10257/2001
Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal,
estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras
providências
CAPÍTULO I – DIRETRIZES GERAIS
CAPÍTULO II – DOS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA URBANA CAPÍTULO III – DO PLANO DIRETOR
CAPÍTULO IV – DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA CIDADE CAPÍTULO V – DISPOSIÇÕES GERAIS
Inovações situam-se em três campos
1 – INSTRUMENTOS DE INDUÇÃO DE DESENVOLVIMENTO URBANO
Conjunto de novos instrumentos de natureza urbanística
voltados para induzir, mais do que normatizar, as formas de uso e ocupação do solo. São instrumentos que procuram coibir a
retenção especulativa de terrenos e que consagram a separação entre direito de propriedade e potencial construtivo dos terrenos atribuídos pela legislação urbana
2 – INSTRUMENTOS DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
Ampliação das possibilidades de regularização das posses
urbanas, situadas na fronteira entre o legal e o ilegal. Trata das áreas ocupadas e não tituladas da cidade
3 – INSTRUMENTOS DE DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO URBANA
Participação direta (e universal) dos cidadãos nos processos decisórios
CONTEXTO:
Distorções na estrutura das cidades brasileiras
áreas centrais ociosas em contraste com periferias superadensadas e precárias;
distribuição injusta dos recursos territoriais e investimentos públicos;
espraiamento e expulsão dos pobres rumo à periferia provocando sobrecarga do sistema viário e transportes
públicos, com ampliação infindável da infraestrutura urbana; segregação social
1 - INSTRUMENTOS DE INDUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO
Parcelamento, edificação e utilização compulsórios (art. 5º e 6º) IPTU Progressivo no tempo (art. 7º)
Desapropriação com pagamento de títulos (art. 8º) Consórcio imobiliário (art. 46)
estruturar a política fundiária que garanta a função social da propriedade;
ocupar terrenos vazios e subutilizados;
induzir a ocupação de áreas já dotadas de infraestrutura e equipamentos, mais aptas para utilizar ou povoar;
aumentar a oferta de terra e de edificação para atender à
demanda existente, principalmente daqueles de baixa renda que moram em áreas de risco e áreas longínquas
Outorga onerosa do direito de construir (art. 28 a 31) Direito de superfície (art. 21 a 24)
Separação do direito de propriedade do direito de construir Função social da propriedade.
EX: cobrança do poder público das empresas concessionárias de serviço público pelo uso do espaço aéreo ou subsolo
(eletricidade, telefonia, TV a cabo, infovia, etc)
Modelos experimentados na França (1975) para corrigir as distorções nos preços dos terrenos, através de coeficiente de aproveitamento único; Chicago (1973) em conjunto com
tombamentos, transferência do direito de construir
Acrescida em SP a discussão de obtenção de recursos para financiamento de equipamentos e infraestrutura
Transferência do direito de construir (art. 35)
permite que proprietários de imóveis a serem preservados sejam compensados
prevê também a transferência para os casos de regularização fundiária e programas de HIS
tem por objetivo viabilizar a preservação de imóveis ou áreas de importante valor histórico ou ambiental
Importante que municípios tenham cadastro e que as condições de transferência estejam claramente definidas Ex: parques de Curitiba
Operações urbanas consorciadas (art. 32 a 34)
Trata-se também de projeto urbano não apenas de controle Quando se quer a transformação estrutural de um setor da cidade
Envolve o redesenho, tanto do espaço público como privado e a combinação de instrumentos privados e públicos para a
execução e alteração, manejo e transação dos direitos de uso e edificabilidade do solo e obrigações de urbanização
surgiu em função da escassez de recursos públicos e a necessidade de transformação de algumas áreas das cidades
teve origem na Europa, principalmente na França, que o Estado
desapropria, faz todas as intervenções e revende à iniciativa privada e ou utiliza para equipamentos comunitários públicos
cuidado com gentrificação; onde somente o mercado imobiliário tem interesse e com investimento somente público
Direito de preempção (art. 25 a 27)
Tem por objetivo facilitar por parte do poder público de áreas de seu interesse para a realização de projetos específicos de:
regularização fundiária; HIS;
reserva fundiária;
ordenamento e direcionamento de expansão urbana; implantação de equipamentos comunitários;
espaços públicos de lazer e áreas verdes;
criação de unidades de conservação ou proteção de outras áreas
de interesse ambiental;
proteção de áreas de interesse histórico ou paisagístico
PODER PÚBLICO TEM PREFERÊNCIA
2 - INSTRUMENTOS DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA Dimensão jurídica:
Usucapião de imóveis urbanos privados (art. 9-14);
Concessão de uso especial para fins de moradia (Medida provisória 2220/2001)
Dimensão urbanística
ZEIS (alínea f, inciso V, art. 4º) Regularização fundiária é:
“O processo de intervenção pública sob os aspectos jurídico, físico e social que objetiva legalizar a permanência de
populações moradoras de áreas urbanas em desconformidade com a lei para fins de habitação, implicando melhorias no
ambiente urbano do assentamento, no resgate da cidadania e da qualidade de vida da população beneficiária” (ALFONSIN, Betânia.
Instrumentos e experiências de Regularização Fundiária nas Cidades Brasileiras. FASE/GTZ/IPPUR/UFRJ, p. 24)
Usucapião especial de imóvel urbano (art. 9º a 14)
Concessão de uso especial ( M. Provisória 2220/2001) CDRU decreto lei 271/1967 - públicos ou particulares
Exigência:
• viver há mais de 5 anos sem oposição • uso predominante para moradia
• área de até 250m²
• o ocupante não pode ser proprietário de outro imóvel urbano e rural
• O usucapião e a concessão de uso podem ser individual ou coletiva
• O usucapião é para áreas particulares e a concessão de uso para áreas públicas federais, estaduais ou municipais ou do Distrito Federal, localizadas em área urbana.
• Cuem – posse anterior a 30 junho 2001
ZEIS – Zonas especiais de interesse social (alínea f, inciso V, art. 4º)
Inclusão no zoneamento da cidade, de uma categoria que permita, mediante plano específico de urbanização, o
estabelecimento de uma padrão urbanístico próprio para o assentamento.
Servem para:
• reservar terrenos ou prédios vazios para moradia popular; •Facilitar a regularização de áreas já ocupadas;
•Facilitar a regularização de cortiços. EX: Recife; Diadema, BH
3 - INSTRUMENTOS DE DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO URBANA (CAP. V)
CONTEXTO
Baixo nível de interlocução do poder público com os diversos segmentos da sociedade;
Política urbana tende a transformar em assunto apenas em círculos técnicos fechados;
Política urbana tem reproduzido padrões e parâmetros que
refletem apenas a maneira como as elites se instalam na cidade Órgãos colegiados de política urbana; debates e consultas
públicas; conferências sobre assuntos de interesse (art. 43-45) EIV - Estudo de impacto de vizinhança (art. 36-38)
3 - INSTRUMENTOS DE DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO URBANA (CAP. V)
CONSELHOS – órgão em que a sociedade civil participa do planejamento e da gestão cotidiana da cidade. São órgãos colegiados com representação tanto do governo como de
diversos setores da sociedade civil. É parte integrante do poder executivo mas independe dele.
CONFERÊNCIAS DE POLÍTICA URBANA – grandes encontros, repetidos periodicamente, alcançando ampla participação
popular. Neles são definidas políticas e plataformas de
desenvolvimento urbano para o período seguinte, onde há consensos e pactos entre sociedade civil e poder público DEBATES, CONSULTAS E AUDIÊNCIAS PÚBLICAS – são
amplas apresentações e discussões, nas quais são expostos e debatidos análises e projetos de interesse público
Órgãos colegiados de política urbana; debates e consultas
Importante atentar para: COMUNICAÇÃO; FORMAÇÃO;
CAPACITAÇÃO;
DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES
DAR CONDIÇÕES AOS PARTICIPANTES DESSES
ESPAÇOS PARA ANALISAR OS PROBLEMAS, DISCUTIR SOBRE AS OPÇÕES E ASSUMIR POSIÇÕES
Órgãos colegiados de política urbana; debates e consultas
Objetiva democratizar o sistema de tomada de decisões sobre grandes empreendimentos a serem realizados na cidade; dar voz a bairros e comunidades expostas a grandes
empreendimentos; condicionar o direito de propriedade Lei municipal conterá os critérios que definirão quais
empreendimentos que dependerão de estudo prévio de impacto de vizinhança
Deve analisar no mínimo:
Adensamento populacional; equipamentos urbanos e
comunitários; uso e ocupação do solo; valorização imobiliária; geração de emprego e demanda por transporte público,
ventilação e iluminação; paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.
PLANO DIRETOR
Art. 39 . A propriedade urbana cumpre sua função social
quando atende às exigências fundamentais de ordenação
da cidade expressas no plano diretor, assegurando o
atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à
qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento
das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes
previstas no art. 2º desta lei
O que é o Plano Diretor?
O Plano Diretor é uma lei municipal, a ser aprovada na
Câmara, que corresponde ao conjunto de regras básicas
de uso e ocupação do solo, que orientam e regulam a
ação dos agentes sociais e econômicos, públicos ou
privados, sobre o território do município como um todo.
O Plano Diretor é parte integrante do processo de
planejamento municipal. O plano plurianual, as diretrizes
orçamentárias e o orçamento anual devem incorporar as
diretrizes e as prioridades nele contidas.
É o instrumento básico da política de desenvolvimento e
expansão urbana, e deve ser elaborado e implementado
obrigatoriamente com ampla participação popular.
Quais as funções de um Plano Diretor?
V) Fazer cumprir as determinações do Estatuto da
Cidade.
IV) Garantir que a propriedade urbana sirva aos objetivos
anteriores, ou seja, que cumpra sua função social;
III) Garantir o atendimento às necessidades dos cidadãos
quanto à qualidade de vida e justiça social;
II) Indicar a mais adequada forma de crescimento da
cidade no município, garantindo a legalidade dos
assentamentos e a qualidade ambiental de todo o
município;
I) Propiciar o crescimento e
O Plano Diretor é obrigatório para os municípios:
I) com mais de 20 mil habitantes;
II) integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; III) Onde o poder público pretenda utilizar parcelamento ou edificação
compulsórios; IPTU progressivo no tempo e desapropriação com
pagamento mediante títulos da dívida pública
IV) integrantes de áreas de especial interesse turístico, segundo as definições dos estados e da União;
V) situados em áreas de influência de empreendimentos ou
atividades com significativo impacto ambiental na região ou no País, como usinas hidrelétricas, aeroportos, portos, grandes obras
Quem participa do Plano Diretor?
Os diversos setores que atuam na cidade durante o
processo de elaboração e votação, e, sobretudo, na sua
implementação e gestão. Mais do que um documento
técnico, o Plano é um espaço de debate dos cidadãos e
de definição de opções, conscientes e negociadas, por
É desejável contratar apoio técnico?
A prioridade é aproveitar o conhecimento dos técnicos locais sempre que possível. No entanto, nem sempre existe no
município um conjunto de técnicos especializados para a construção de todo o Plano Diretor. Nestes casos, havendo recursos, consultorias e assessorias especializadas podem e devem ser utilizadas, envolvidas nas várias etapas e produtos definidos, como suporte ao Plano.
A contratação de consultorias deve ter como finalidade principal
construir conhecimento local e capacitar os gestores do Plano para sua implementação.