UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE – UFAC
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – CFCH CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA – CBH
VAGNER TELES DO NASCIMENTO
O SURGIMENTO DA TELEVISÃO E A RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E POLÍTICA NO ACRE. UMA ANÁLISE SOBRE O TELEJORNAL BOM DIA
RIO BRANCO NAS ELEIÇÕES DE 2002.
RIO BRANCO-ACRE 2014
VAGNER TELES DO NASCIMENTO
O SURGIMENTO DA TELEVISÃO E A RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E POLÍTICA NO ACRE. UMA ANÁLISE SOBRE O TELEJORNAL BOM DIA
RIO BRANCO NAS ELEIÇÕES DE 2002.
Monografia apresentada à
coordenação do Curso Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito final para obtenção do Título de Bacharel em História, sob a orientação do Prof. Dr. Francisco Bento da Silva.
RIO BRANCO - ACRE 2014
O SURGIMENTO DA TELEVISÃO E A RELAÇÃO ENTRE MÍDIA E POLÍTICA NO ACRE. UMA ANÁLISE SOBRE O TELEJORNAL BOM DIA
RIO BRANCO NAS ELEIÇÕES DE 2002.
Monografia apresentada a
Coordenação do Curso Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito final para obtenção do título de Bacharel em História, sob a orientação do Prof. Dr. Francisco Bento da Silva.
BANCA EXAMINADORA
________________________________________________ PROF. DR. FRANCISCO BENTO DA SILVA
ORIENTADOR
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
______________________________________________ PROF. DR. NILSON EUCLIDES DA SILVA
MEMBRO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
_______________________________________________ PROF. ME. SÉRGIO ROBERTO GOMES DE SOUZA
MEMBRO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
RIO BRANCO -ACRE 2014
A Deus, pela sua infinita misericórdia.
A minha família, em especial ao Sr. Sebastião Vieira e a Sra. Maria Teles que sempre me incentivaram nessa trajetória.
Agradeço a UFAC enquanto instituição de ensino superior.
Aos professores do Curso Bacharelado em História da UFAC, que ao longo do curso contribuíram para a ampliação do conhecimento.
Ao professor Dr. Francisco Bento da Silva, cuja orientação foi extremamente importante para o desenvolvimento e conclusão deste trabalho.
Ao diretor de jornalismo da TV Rio Branco Márcio Nunes pela disponibilização do material analisado.
As eleições no Acre são períodos importantes que envolvem toda a sociedade acreana. É o momento no qual se destaca o comportamento dos meios de comunicação na formação da opinião pública. O poder de influência da TV é incomparável, devido à sua abrangência e capacidade comunicacional de entrar de modo direto na conversação cotidiana do seu público. A pesquisa mostra alguns aspectos do relacionamento entre Televisão e o poder político no Acre. Destacando, que os meios de comunicação tradicionais sempre foram propriedades privadas de indivíduos e grupos. Analisa o conteúdo do telejornal Bom Dia Rio Branco na cobertura das eleições no ano de 2002. Verifica alguns programas do telejornal, relacionadas à política acreana, no período da propaganda eleitoral gratuita. Assim como, o papel desempenhado pelo Bom Dia Rio Branco nas eleições.
Elections in Acre are important periods involving the entire Acre society. It is the moment which emphasizes the behavior of the media in shaping of public opinion. The power of TV’s influence is unmatched, because of its comprehensiveness and communicational ability to enter in a direct way in everyday conversation of its audience. This research shows some aspects of the relationship between television and political power in Acre. Highlighting that the traditional means of communication have always been private property of individuals and groups. Analyzes the content of the newscast Bom Dia Rio Branco in the coverage of elections in 2002. Verifies some television news programs, related to acreana policy, in the period of free electoral propaganda. As well as the role played by the Bom Dia Rio Branco in the elections.
RESUMO
INTRODUÇÃO 8
CAPÍTULO I: A TRAJETÓRIA DA TELEVISÃO NO ACRE 14
1.1 – O surgimento da Televisão no Brasil 14
1.2 – A televisão no Acre: o pioneirismo da TV Acre 18
1.3 – As outras emissoras de televisão no Acre 22
1.3.1 – TV Aldeia 22
1.3.2 – TV Rio Branco 23
1.3.3 – TV Gazeta 24
1.3.4 – TV 5 25
CAPÍTULO II: A RELAÇÃO ENTRE POLÍTICA E MÍDIA 27
2.1 – Primórdios da política nos meios de comunicação 29
2.2 – Política e comunicação no Acre 34
CAPÍTULO III: O TELEJORNAL BOM DIA RIO BRANCO E AS ELEIÇÕES NO ACRE EM 2002 38
3.1 – Telejornalismo no Brasil 38
3.2 – Complexo de Comunicação O Rio Branco 40
3.3 – Início do Relacionamento Político 40
3.4 – O Jornal Bom Dia Rio Branco 41
3.5 – Eleições Governamentais 2002 43
3.5.1 – Contexto Político 43
3.5.2 – A Cobertura nas Eleições de 2002. 52
CONSIDERAÇÕES FINAIS 58
INTRODUÇÃO
Estamos acostumados a receber informações diariamente de tudo que se passa ao nosso redor e em todo mundo. Assistimos notícias, anúncios, filmes, detalhes de atores e celebridades e assuntos gerais que ocupam o tempo e nos afastam da realidade. Toda essa comunicação nos oferece um padrão de vida e felicidade a ser alcançado, com objetivos e ideais muitas vezes impossíveis para todos, mas diante da televisão isso se torna possível. A realidade dos telejornais é vista por uma parcela da população como algo irrelevante, enquanto as novelas emocionam o país como se fossem problemas reais que afetam a todos, ou seja, esta inversão entre realidade e ficção é notável principalmente nas novelas. Assim a novela passa por um relato do real, enquanto o noticiário (que perdeu as referências temporais e espacias) torna-se “irreal”. A prova disso são telespectadores que se comovem em demasia com a morte de um personagem, enquanto um desastre real em algum lugar do mundo passa por ouvintes inertes e insensíveis ao fato.
As eleições no Acre são períodos importantes que envolvem toda a sociedade acreana. É o momento no qual se destaca o comportamento dos meios de comunicação na formação da opinião pública. Com isso, muitos pesquisadores se dedicam ao estudo dessa temática buscando entender o papel da imprensa em eleições.
Podemos observar que este fato não é novo na política acreana e, que o poder sempre procurou dominar os meios de comunicação. Ao abordar sobre o autoritarismo na primeira fase dos governadores nomeados (1921/1930) no Acre, SILVA (2002) nos conta como era o relacionamento entre o poder e a imprensa “A imprensa desde aquele período, como ainda é de praxe, já se caracterizava por estar a serviço de grupos e interesses políticos estabelecidos, onde cada grupo tinha um órgão de comunicação para atacar seus desafetos políticos”. (SILVA, p. 31).
No Brasil, o vínculo da televisão com o poder político é mais acentuado em função da origem e organização dos meios de comunicação eletrônicos. A dependência do Estado, por causa das concessões, torna-os mais suscetíveis. Uma vez, que o maior patrocinador dos meios de comunicação do Acre é o governo estadual e municipal. De modo que, algumas emissoras de televisão sem esse incentivo ou investimento do governo não teriam condições financeiras para continuarem com seus trabalhos.
Entendendo que a televisão tem a facilidade de atingir uma parcela significativa de pessoas, de fazer exposições e de transmitir informações, garante a ela considerável poder simbólico.
Para BOURDIEU1 (1989), “O poder simbólico é invisível e seu exercício cotidiano pressupõe a existência de uma cumplicidade entre aqueles que o exercem” (p. 07).
As mídias mantêm estreitas relações com as formas de controle e de poder simbólico, como forma de estabelecer poder sobre as pessoas que recebem essas informações, tornando muitas vezes os indivíduos apáticos sem senso-crítico, aceitando tudo que os meios de comunicação os transmitem, não incentivando a reflexão e consequentemente a discussão de diversos assuntos. O poder simbólico torna-se efetivo ao impor a vontade alheia sobre aqueles que a ele se submetem, enquanto parte manifesta de determinada relação de comunicação à vontade e os interesses da classe detentora de poder econômico, separando os que exercem o poder de comunicar e transformar a visão de mundo, daqueles que se colocam na condição de meros consumidores de informação.
O poder de olhar e de fazer olhar transmite poder ao olhar daquele que decide, corta, edita, seleciona e determina em última instância aquilo que irá ou não ao ar através das mídias. O poder exercido pelas pessoas que respondem pela produção e edição de um telejornal obedece a critérios e regras contratuais, passando pela escolha da pauta, mecanismos de leitura da informação até pelos interesses políticos e econômicos em que estão envolvidas as emissões de TV.
O poder político da televisão tem interessado aos próprios responsáveis pela indústria televisiva, pois, no processo, expandem-se as possibilidades de negócio e a capacidade de barganha desses grupos nas suas negociações com o Estado e com os diversos outros agentes econômicos.
Percebe-se que a televisão assume um posto de destaque dentro da mídia pela sua capacidade de sedução simbólica, pois, esta capacidade é também a de intervir no curso dos acontecimentos, de influenciar as ações dos outros e produzir eventos por meio da produção e da transmissão de formas simbólicas, representa o poder simbólico.
FERRÉS2 (1996), explica que mesmo sabendo que a Televisão constitui-se como um dos fenômenos sociais e culturais mais impressionantes da história da
1 BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro. Editora BERTRAND BRASIL S.A. 1989. 2 FERRÉS, Joan. Televisão e Educação. 1ª Ed. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1996.
humanidade, pois nenhum outro meio de comunicação na história havia ocupado tantas horas da vida cotidiana dos cidadãos, fascinando-os e penetrando no seu imaginário social, acredita que é um reducionismo pensá-la tanto como causadora de todos os males individuais e sociais, quanto pensar, ingenuamente, que ela representa uma culminância histórica na democratização e socialização da cultura ou uma diversão gratuita e ideologicamente neutra.
Esta pesquisa exploratória busca identificar através da análise de alguns programas exibidos durante o período eleitoral, se o telejornal Bom Dia Rio Branco nas eleições de 2002 sofreu alguma interferência política. Dessa perspectiva, indaga-se, sobre a importância da televisão que segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE, cerca de 88,52% dos domicílios visitados em 2002 possuíam televisores, o que de certa maneira, coloca a TV como o meio de comunicação de maior acessibilidade no estado do Acre.
Luís Carlos Lopes3 (2006) destaca: a televisão aberta consiste, no contexto do século XXI, no mais importante meio técnico de comunicação em uso no Brasil.
A TV foi muito mais longe do que o rádio em seu poder e alcance. Não se compara com o poder de fogo de qualquer outro meio técnico de comunicação maquínico ou industrial conhecido. Continuará sendo, por muitos anos, mais ou menos a mesma coisa. Mudará, se a sociedade e o estado sofrerem alterações significativas. Porque tudo que é feito na TV resulta de um texto ou, pelo menos, de um esboço resumido ou da intenção oral de escrevê-lo. Os telejornais, as telenovelas e os programas humorísticos usam de um texto previamente escrito. Os programas de auditório e de entrevista são construídos a partir de roteiros ou pontos a serem abordados. Mesmo quando estes textos não são decorados ou lidos, eles existem mentalmente na composição das características dos programas e nas práticas de execução dos mesmos.
Ela transmite representações aos seus públicos, onde são detectáveis múltiplos sujeitos e interesses diversos. Estas representações têm limites e códigos que indicam o que deve e o que não deve ser televisionado.
Para Luís Carlos Lopes4 (2006) os sujeitos da TV aberta brasileira são os seguintes: as empresas comerciais de TV, nos seus segmentos financeiros e de produção artística e técnica; os governos como poder concessionários e grandes anunciantes, tanto
3 UNIrevista – Vol. 1, n° 3: (julho 2006). 4 Ibid.
de suas empresas, como de seus setores administrativos e políticos; as empresas privadas que anunciam sistematicamente seus produtos de consumo de massa e de elite; o grande público consumidor das imagens e dos sons veiculados, o que inclui a publicidade de uma gama variada de bens e serviços, que é a mais poderosa que se conhece, em escala planetária. Estas forças se somam e se dividem no controle político e ideológico dos conteúdos e formas que passam na TV, de acordo com os seus interesses. Obviamente, o grande público é o sujeito mais fraco nesta disputa de poder, mimetizando a ordem social onde este meio de comunicação existe e funciona.
O poder de influência da TV é incomparável, devido à sua abrangência e capacidade comunicacional de entrar de modo direto na conversação cotidiana do seu público. Ao trabalhar com imagens, sons e com uma aproximação muito grande do cotidiano da vida, a televisão consegue ser o mais eficiente meio de comunicação conhecido. Ela foi capaz de se inserir profundamente na vida coletiva e individual, transformando-se em um objeto social básico da atual fase da modernidade.
A pesquisa pode contribuir para uma compreensão dos fenômenos de comunicação de massa num país onde a televisão é o instrumento de lazer, entretenimento, diversão entre outros adjetivos e, para fornecer elementos para um entendimento das relações sociais na cidade de Rio Branco. Pressupondo que os meios de comunicações são manipulados por políticos midiáticos, a pesquisa pretende examinar de que forma isso ocorre.
O meu interesse pelo tema surgiu da observação de programas – telejornalismo- e pela diversidade de informações veiculadas por várias emissoras. O tema se impõe pela recorrência das discussões sobre a mídia televisiva e pela contribuição que uma pesquisa desta natureza pode emprestar à compreensão do papel da televisão numa sociedade marcadamente composta de pessoas jovens (o IBGE considerada pessoa jovem a idade de 15 a 24 anos, que corresponde a 40% da população acreana em 2002). Por militar na área das ciências do social, o meu interesse também é uma tentativa de expor como se manifesta a influência dos meios de comunicação na cidade de Rio Branco. Através de métodos de observação e análise, mas interdisciplinarmente. De modo que, esse interesse está também em função de uma postura em prol de uma ciência disposta a se envolver mais efetivamente com o objeto de sua investigação. A pesquisa poderá mostrar como o poder político age para estabelecer a dominação sobre os meios de comunicação.
Por meio de observações realizadas durante a pesquisa exploratória, percebe-se que os meios de comunicação tradicionais sempre foram propriedades privadas de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública. Sabendo que, as notícias já não podem ser vistas como verdades absolutas, sem um processo reflexivo antecipado e também posterior, esse estudo busca analisar o telejornal Bom Dia Rio Branco nas eleições de 2002 na cidade de Rio Branco.
Como a televisão assume um papel importante na sociedade e que, toda e qualquer informação leva a intencionalidade de quem a escreveu, não podemos aceitá-la como verdade absoluta. Pode ser importante debater como um sistema de comunicação, supostamente, dominado por políticos garante a diversidade de informação e discussão necessária para uma efetiva cidadania.
Sabemos que o discurso político tem aparecido constantemente nas nossas casas, por meio de várias mídias. Faz-se necessário, uma análise de como o discurso político aparece no telejornal, podendo ou não influenciar as pessoas na tomada de decisões.
Na pesquisa, foi feito um levantamento dos jornais impressos, que circulam na cidade de Rio Branco. Entre os jornais analisados destacamos o jornal O Rio Branco, pelo fato, de que, o objeto de estudo está inserido no mesmo complexo de comunicação. E por ser, uma das poucas fontes encontradas para o desenvolvimento deste trabalho.
O estudo analisa algumas matérias, relacionadas à política acreana, do programa Bom Dia Rio Branco exibidas pela TV Rio Branco, no período da propaganda eleitoral gratuita, que corresponde temporalmente do dia 21 de Agosto a 06 de outubro de 2002. A partir das matérias apresentadas mediremos qual o espaço dado a um ou outro candidato, ou seja, qual o papel do telejornal e a quem ele estava favorecendo. Assim como, seu potencial de voto para os candidatos.
O período analisado, já citado no parágrafo anterior, corresponde o total de 33 (trinta e três) programas com duração de uma hora cada. Como não tivemos acesso a todos esses programas, trabalhamos com os que estavam disponíveis. Foram assistidas 09 (nove) fitas VHF contendo 13 (treze) programas somados. Nesses programas não continham somente matérias sobre política, mas uma variedade de matérias com os mais diversos assuntos.
Desses programas assistidos foram selecionados 04 (quatro) matérias para análise de conteúdo. As matérias que foram analisadas são as seguintes:
Dia 21 de Agosto de 2002, o telejornal apresentou a “Agenda dos Candidatos” que estavam disputando o cargo de governador do Estado.
No dia 23 de Agosto foram ao ar as matérias que abordavam a “passeata do PT” e a “impugnação de Edvaldo e Perpetua”.
No dia 23 de Setembro o telejornal apresentou uma “Entrevista com Narciso Mendes”. E no dia 03 de Outubro o “Debate” com os candidatos a governador. Esse debate foi realizado pela TV Acre.
O material foi coletado, de acordo com a disponibilidade dos mesmos, no arquivo da TV Rio Branco. O critério usado para a escolha das fitas foi selecionar aquelas que continham os programas relacionados às eleições de 2002.
A partir da análise de alguns fatos, o conteúdo que compõe o primeiro capítulo é uma abordagem sobre o surgimento da televisão no Brasil e, consequentemente, no Estado do Acre, observando de maneira rápida as transformações sociais, culturais e políticas ocorridas com esse advento. Assim como, mostrar de maneira compacta a história de algumas emissoras de televisão que, por sua vez, representam esse surgimento.
No segundo capítulo, mostramos como se dá o relacionamento entre política e mídia, destacando o papel desempenhado pela mídia. Assim como, o conteúdo político transmitido pela mídia. Foi feito um breve contexto histórico dessa relação. Foram apontados alguns aspectos dessa relação no Estado do Acre, destacando os três maiores grupos de mídia no nosso Estado.
Por último, foi feito um breve histórico do surgimento do telejornalismo no Brasil ressaltando a sua importância no comprometimento com a informação. A partir de então, passamos pela criação do telejornal acreano Bom Dia Rio Branco que vai ao ar de segunda a sexta-feira pelo Complexo de Comunicação O Rio Branco, filiado ao Sistema Brasileiro de Televisão - SBT. Foi abordada a importância das eleições na cidade de Rio Branco. Assim como, a cobertura pela mídia nas eleições de 2002. Nesse contexto político passamos pela cassação e impugnação de alguns candidatos, por exemplo, o candidato à reeleição o governador Jorge Viana e o candidato a deputado federal Narciso Mendes. Este último, proprietário do Complexo de Comunicação O Rio Branco. Daí, chegamos ao ponto central deste trabalho que é analisar se o jornal Bom Dia Rio Branco sofreu alguma interferência política nas eleições em 2002.
CAPÍTULO I: A TRAJETÓRIA DA TELEVISÃO NO ACRE
1.1 – O surgimento da televisão no Brasil
A luta que o ser humano enfrenta para criar meios para se comunicar, passando e recebendo muitas informações, nos leva a refletir sobre a existência dos códigos comunicativos. Torna-se uma necessidade vital do homem em se relacionar através da comunicação. Na busca pelo conhecimento criou-se a necessidade do homem se comunicar para se manter informado e passar essas informações para os outros.
O avanço da comunicação nos fez encurtar distâncias, visitar lugares adversos, conhecer culturas e costumes sem sairmos de nossas residências. A cada dia percebemos o aprimoramento desses meios através dos avanços tecnológicos que são desenvolvidos. De um simples sinal de fumaça ou um desenho nas paredes das cavernas, o homem conseguiu inventar aparelhos capazes de transmitir informações em tempo real. Nessa gama de transformações e desenvolvimentos está inserida a televisão, que é considerada uma das maiores invenções do homem.
O universo da televisão está em constante transformação, basta apertarmos um botão para notarmos essas transformações. A programação é bastante diversificada com músicas, filmes, esportes, notícias entre outras atrações. As pessoas podem ter acesso a essas informações diariamente.
Ao estudar o processo que deu o aparecimento da televisão como um novo e espetacular meio de comunicação a jornalista PATERNOSTRO (2006) escreve:
O telégrafo teve uma grande expansão com a descoberta das ondas de rádio no final do século XIX. O rádio, o telefone e o cinema surgiram na leva dos grandes inventos da virada do século.
As novidades tecnológicas se incorporavam à comunicação e os meios de informação se afirmavam. O homem na sua ânsia de vencer barreiras, no tempo e no espaço, os queria mais velozes e eficazes. É nesse processo que surge a televisão, com a informação na sua forma mais dinâmica e universal: a imagem5.
A história da televisão no Brasil tem como protagonista o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand, que na década de 1924 era diretor de O Jornal, dos Diários
5 PATERNOSTRO, Vera Íris. O texto na TV: manual de telejornalismo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, p. 20.
Associados. Houve o crescimento da empresa quando o jornalista, e futuro empresário, comprou O Jornal. Seus negócios cresceram ao incorporar outros importantes jornais, “Em 1950, Assis Chateaubriand era o proprietário do que se pode considerar o primeiro império de comunicação do país” (PATERNOSTRO, op. cit., p. 28).
A respeito desse crescimento, Florentina das Neves Souza escreve:
Os Diários Associados formavam o grupo dominante quando foi aprovada, pelo Congresso, no governo de João Goulart, a Lei 4.117, que introduziu o Código Brasileiro de Telecomunicações, ainda em vigor. O Código, aprovado em 27 de Agosto de 1962, regulamentava o sistema de concessões e dava esse poder total ao Executivo, deixando a distribuição de emissoras por conta do governo federal.6
Sobre o marco das origens da primeira transmissão, aponta PATERNOSTRO (2006) que “no dia 04 de Julho de 1950, o padre cantor, mexicano, Frei José Mojica, foi protagonista de uma transmissão em circuito fechado nas Associadas”. (idem, p. 30).
Com a instalação de uma antena transmissora na torre do Hospital das Clinicas e a receptora no edifício Saldanha Marinho, utilizando equipamentos da General Electric em conjunto com a E.R. Squibb & Sons do Brasil Inc. acontecem nos dias 20 à 26 de Julho transmissões de um show chamado “Vídeo Educativo”, no auditório da Faculdade de Medicina de São Paulo.7
PATERNOSTRO (2006) relata em seu livro que no dia 18 de setembro de 1950, Francisco de Assis Chateaubriand inaugura, oficialmente, a primeira emissora de TV no país. Nesse dia entrava no ar a PRF-3 TV Difusora, depois TV Tupi de São Paulo. O cenário do primeiro programa da televisão brasileira foram os estúdios instalados no Palácio do Rádio, em São Paulo. Cassiano Gabus Mendes comandou um show com artistas famosos, como Mazzaropi, Hebe Camargo entre outros. Chateaubriand mandou instalar 200 aparelhos em pontos de grande movimento em São Paulo como a Praça da República, para que o povo pudesse constatar o surgimento da TV no Brasil. Enfim, o programa TV na Taba, foi ao ar e, na base do improviso. (Idem, p. 30).
Em 1950 os aparelhos de televisão ainda não eram produzidos no Brasil. O preço do televisor não condizia com a realidade financeira da maioria da população. O púbico era pequeno e o mercado publicitário ainda era recente. De acordo com
6 SOUZA, Florentina das Neves. O Jornal Nacional e as Eleições Presidenciais: 2002 e 2006. Tese de doutorado – ECA\USP. São Paulo, 2007, p. 24.
7 O texto pode ser encontrado no endereço eletrônico: www.tudosobretv.com.br, pesquisado em 05 de novembro de 2012.
PATERNOSTRO (2006), com o passar do tempo, o preço dos televisores se tornou mais acessível, com isso, cresceu a produção. Todavia, as emissoras começaram a se instalar em outros locais, aumentando sua área de penetração e começam a atrair as agências de propaganda e anunciantes. Nos primeiros anos, os patrocinadores determinavam os programas que deveriam ser produzidos e veiculados, além de contratar diretamente os artistas e produtores.
Mesmo com a falta de profissionais experientes no novo meio de comunicação,
A televisão surgiu como uma fórmula mágica para a venda de produtos – todos os produtos. Os anunciantes, antes tímidos, passam então a comandar as produções e os programas começam a ter os nomes associados ao patrocinador: Grande Gincana Kibon, Espetáculo Tonelux, Divertimentos Ducal, Cine Max Factor, Mappin Movietone, Boliche Royal, Sabatinas Mayzena, Concertos Matinais Mercedes-Benz, Teledrama Três Leões, Teatro Wallita, Histórias Maravilhosas Bendix.8
Em 1951 começam a serem produzidos no país receptores da marca Invictus. Neste momento, o televisor era vendido por mil cruzeiros, três vezes mais que o valor da vitrola da época. “A programação da TV foi sendo aprimorada, ano após ano. Assis Chateaubriand lançou uma campanha publicitária para estimular a compra, mas o preço era muito alto para a classe média. Ao final deste ano, haviam 7 mil televisores em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde foi inaugurada a emissora Tupi Rio”.9
Até os anos 1960, novas emissoras foram inauguradas, como a TV Excelsior, a TV Globo, a TV Bandeirantes e a Rede Record. Nesse período, a TV Tupi entrou em decadência e teve a concessão cassada em 1980. A respeito das concessões e cassações, SOUZA (2007) relata:
O controle das concessões e cassações por problemas políticos, como fechamento da TV Excelsior, e a cassação da pioneira TV Tupi exibem nitidamente o interesse do governo e emissoras e dos grupos econômicos em manter a situação política para se perpetuarem no poder da radiodifusão. Além disso, a forma como foi feita a distribuição do espólio da Tupi comprova a manipulação da distribuição de canais. Quando a Tupi foi cassada, em 1980, segundo seus dirigentes, não foi por inoperância administrativa conforme anunciado, mas por interesse do governo João Batista Figueiredo em distribuir um canal para o outro grupo mais próximo, no caso o grupo
8 PATERNOSTRO, op. cit., p. 31.
9 UNISUL. Equipe O Meu Futuro. 60 anos da TV no Brasil. Publicado no dia 01 de outubro de 2010. Pode ser visto no endereço eletrônico: http://www.omeufuturo.com.br/blog/2010/estudante/60-anos-da-tv-no-brasil. Acesso em Setembro de 2013.
Abril. Para o governo interessava buscar outra rede forte, já que a Globo era quase um monopólio e na época tentava se distanciar do regime e apagar a imagem de aliada dos militares.10
Na década de 1958 já existiam no Brasil mais de 340 mil aparelhos receptores de televisão. O intervalo comercial era fixado em três minutos e era proibida a participação de menores de 18 anos em programação de debates.
Nessa primeira fase da televisão, no Brasil, até a metade dos anos de 1960, somam-se 58 empresas de comunicação, entre jornais e emissoras de TV e rádio. A atividade econômica que prevalecia no país era a agrícola e a maior parte da população vivia na área rural, sem ter sequer energia elétrica. Isso somado limitação técnica fez com que o Brasil tivesse uma evolução lenta no desenvolvimento da televisão. Em 1956, havia apenas 250 mil aparelhos de televisão em todo país, concentrados basicamente no eixo Rio-São Paulo. O baixo índice de televisores no país deve-se aos altos preços dos aparelhos. As imagens das emissoras tinham um sinal limitado e a programação era voltada pra os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. (OLIVEIRA, 2012, p.17)
A partir da década de 1970, a televisão no Brasil adquiriu um perfil mais empresarial. A TV Globo foi o primeiro canal de televisão a operar em rede. A emissora tornou-se experiente em telenovelas, um dos principais produtos televisivos. A Copa de 70 também impulsionou a venda de aparelhos (a TV em cores surgiu em 1972).
Em 1971, 31% das residências brasileiras estão equipadas com televisores. O ministério das comunicações começa a considerar a utilização de satélites para telecomunicações domésticas e regulamenta a exibição de comerciais de 3 minutos para cada 15 minutos de programação. Em 19 de fevereiro de 1972, acontece a primeira transmissão em cores, via Embratel. A geração da nova imagem fica a cargo da TV Difusora, com a colaboração do caminhão de externas e pessoal técnico da TV Rio e apoio de outras. A TV Bandeirantes torna-se a primeira televisão brasileira a transmitir sua programação em cores.11
No dia 01º de Janeiro de 1990, ocorre à transmissão da posse de Fernando Collor de Melo, o primeiro presidente civil eleito pelo voto direto depois do golpe de 1964. Assim como, algum tempo depois as emissoras também transmitem, ao vivo, o impeachment de Fernando Collor, quando assumiu o vice-presidente, Itamar Franco.
10 SOUZA, op. cit., p. 29.
11 O texto pode ser encontrado no endereço eletrônico: www.tudosobretv.com.br, pesquisado em 05 de novembro de 2012.
Em meados da década de 90, o Brasil torna-se o sexto produtor de aparelhos de TV, produzindo cerca de 7,5 milhões e é o terceiro maior consumidor, perdendo para os Estados Unidos e Japão. Em 1997 foi criada a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) para regularizar o setor de telecomunicações.12
O surgimento desse meio de comunicação no Brasil foi um dos maiores acontecimentos nacionais. É a partir deste momento que a mídia televisiva começa a fazer parte de uma pequena parcela da população brasileira, passando a difundir e a incorporar informações à população. A televisão é considerada por muitas pessoas um eletrodoméstico simples, mas que se tornou, com o passar do tempo, o veículo de comunicação de massa mais utilizado no mundo. Oferecendo-nos informações envolvendo sons e imagens nos mais variados ângulos. São filmes, notícias, esportes, músicas, novelas entre outras. Através deste meio de comunicação o homem pode chegar a vários lugares, conhecer diversas culturas, ainda que, esse conhecimento seja superficial.
Vale lembrar, que a chegada da televisão no Brasil, em 1950, como observado, coincidiu com um intenso processo de industrialização que provocou um aumento da migração do campo para as zonas urbanas das cidades brasileiras.
1.2 – A televisão no Acre: o pioneirismo da TV Acre
No Acre, coube ao pioneirismo do empresário amazonense Phillipe Daou, dirigente da Rede Amazônica de Televisão – RAT, que ao concorrer a uma concessão de canal, teve o privilégio de beneficiar o Estado do Acre com uma emissora de TV. As imagens eram geradas através de um pequeno transmissor instalado no Palácio do Bispo, ao lado da Catedral, no centro de Rio Branco. No mês de Junho, ainda em processo de experiência a TV Acre entrou no ar no canal 4. As imagens gravadas em fitas foram fornecidas pela TV Amazonas de Manaus. Nas fitas continham cenas da copa do mundo de 1974 na Alemanha. Na ocasião, a Seleção Brasileira de Futebol ficou em quarto lugar na competição. Antes da inauguração “O Sr. Tufic Assmar afirma que o avdento do maior veículo de comunicação de massa, mudará completamente os hábitos acreanos...” 13.
12 Ibid.
Nesta época, um episódio inesperado e ao mesmo tempo histórico, foi à improvisação que foi estabelecida para aproximar os telespectadores. A chegada da nova Rede de Televisão fascinou a população de Rio Branco, que em sua maioria não possuía aparelho de televisão. Para expandir de forma rápida a emissora recém-instalada para o alcance de um maior número de pessoas. As primeiras transmissões tiveram como palco a praça pública. Durante a checagem dos testes de imagens a cidade já sentiu a mundança operada com a presença da TV, cessou totalmente o movimento nas ruas, com todo mundo em suas casas ou nas casas dos vizinhos, vendo filmes e novelas. A novidade trouxe uma corrida das pessoas para adquirirem um aparelho televisor. Segundo o jornal diário O Rio Branco: “Lojas como a Roraima, esgotaram os aparelhos de TV (Philco, 22 polegadas, Cr$ 2.200,00 em média) e a Kapital, também vendendo Philco, em um só dia vendeu o estoque de 30 aparelhos e mais 150 pessoas pediram reservas”.14 Com isso, a Philco mandou representantes para prestigiarem tanto a inauguração da emissora, como ainda para uma pesquisa de mercado e consequente análise do potencial, além dos contatos com os revendedores acreanos.
A TV Acre entrou no ar em definitivo no dia 16 de outubro de 1974. Após quatro meses de testes, com as primeiras imagens geradas através de um pequeno transmissor instalado no Palácio do Bispo. Segundo o Jornal O Rio Branco: “os testes feitos experimentalmente têm sido ótimos com a imagem apresentando nitidez excepcional e prendendo em casa os possuidores e atraindo os chamados televizinhos. A presença da TV marca uma nova fase para o Acre, fechando o ciclo das comunicações. A área acreana contava com três emissoras de rádio (Difusora Acreana, Rádio Novo Andirá e Difusora de Cruzeiro do Sul), um jornal diário (O Rio Branco), três cinemas (Rio Branco, Recreio e Acre), uma revista (Tudo), um semanario em off-set (O Jornal) e apartir de então, a Televisão”.15
No dia 15 de Outubro de 1974 a festa estava montada para a grande inauguração da TV Acre que aconteceria no dia seguinte com diversos profissionais da comunicação, empresários, políticos entre outros convidados. O Sr. Phillipe Daou afirma, segundo O Rio Branco, que “a inauguração da TV Acre – Canal 4 é uma festa do governador Wanderley Dantas, pelo o apoio total que soube dar para que o Acre tivesse sua estação de TV”.16
14 O Rio Branco, ano VI n° 1242, 16 de Outubro de 1974. TV Acre presença efetiva.
15 O Rio Branco, ano VI nº 1241, 15 de Outubro de 1974. Televisão no Acre é uma realidade. 16 Ibid.
Em 1974, o Jornal O Rio Branco publicou uma matéria sobre a efetiva presença da TV no Acre:
A televisão no Acre foi um pleito distante e quase inatingivel e marca o ápice no tocante às comunicações. Em 1910 o Acre ganhava sua primeira agência dos correios e telegráfos (o instalador, o cearense Otávio de Oliveira Rola ainda vive, internado no Hospital das Clinicas, só e abandonado), veio em 1944 a Radio Difusora Acreana, seguida posteriormente pela Radio Novo Andirá, em 1964. O RIO BRANCO, dos “Diarios Associados” dotou o Acre de seu primeiro jornal diário. A Embratel, em 1972, permitiu aos acreanos a comuicação instantânea pelo sistema de tropodifusão com o país e o mundo. Seu primeiro cinema, o cine Rio Branco, apareceu em 1939. Do pequeno avião anfibio “Taquary” que há 38 anos riscou os céus acreanos até o Super-Boeing Advanced da Vasp e os Caravelles da Cruzeiro, jatos puros, são três décadas superadas paulatinamente para interligar o territorio acreano às capitais brasileiras. Ligação fluvial e um sistema rodoviário federal fizeram do Acre um Estado sedento de progresso e em compassado desenvolvimento. O empresário Phellipe Daou venceu a concorrência para a exploração do Canal 4, em Abril, imediatamente Rio Branco passou a girar em torno do sistema de comunicação mais poderoso que existe. Uma emissora de televisão como a acreana, a cores, equipamento avançado “Maxwell”, fabricado em São Paulo, tem um custo médio de 3,5 milhões de cruzeiros (equipamentos, obras civis e treinamento de pessoal). A nossa, tem um quilowatt na antena e a imagem pode ser captada em todo municipio de Rio Branco, Brasiléia, Xapuri e Sena Madureira.17
Em 1975, a TV Acre passa a ter sua própria produção através da Embratel e aos poucos foi inovando. Segundo o Jornal Página 20 “Nessa época, as fitas com a programação, inclusive com as novelas, eram enviadas de Manaus com um dia de atraso. As cenas eram mostradas em um único televisor colocado na esplanada do Palácio Rio Branco, onde centenas de pessoas se reuniam para assistirem às notícias do Brasil. Tanta dificuldade servia de estímulo para o empresário Luiz Margarido e os jornalistas Milton Cordeiro e Phelippe Daou, líderes do grupo Rede Amazônica.” 18.
Na década de 1990 a TV Acre, passou exibir um telejornal local e nos intervalos da programação, agregava o Jornal 24h. Em 2001, a TV Acre mudou todos os equipamentos para se transformar de analógica para digital e se tornou hoje a emissora de TV mais moderna no Estado.
17O Rio Branco, ano VI n° 1242, 16 de Outubro de 1974. TV Acre presença efetiva.
18 Jornal Pagina 20 on-line. TV Acre, a pioneira, completa 30 anos. Publicada no dia 15 de Outubro de 2004. Acesso dia 17 de Dezembro de 2013.
Quem conheceu a TV Acre na década de 70 ainda lembra do equipamento usado na época e da dificuldade em operá-lo quase que manualmente. Mas essa é uma página virada. A emissora é hoje a empresa de comunicação mais moderna do Estado. Há 4 anos ela teve todo o seu equipamento renovado para a tecnologia digital, incluindo câmeras, ilhas de edição e exibição.
De segunda a sábado são apresentados três programas diários e ao vivo, sendo eles: ACTV, Globo Esporte e o Jornal do Acre, além das inserções do Jornal 24 Horas. Diariamente, mais de 95% da população acreana recebe informações ao vivo do Jornal do Acre via satélite.19
Em matéria divulgada no Portal Amazônia.com, podemos perceber que em 2010 houve a estadualização dos sinais das emissoras da Rede Amazônica em seus respectivos estados, o que significa que cada emissora em seu estado de origem envia a programação local para seus próprios municípios (antes as emissoras do interior dos estados cobertos pela Rede Amazônica recebiam a programação originada pela TV Amazonas, de Manaus). Com isso, a TV Acre ganhou um sinal de satélite próprio no BrasilSat B4 para essa finalidade.20
Para SOUZA (2007): “A TV prevalece como a mídia com o maior poder de influência em todo mundo, mas é no Brasil que ela se torna mais forte. A presença da televisão na vida das pessoas chega a ser desproporcional em relação a outros meios, atribuindo-lhe status de veículo monopolizador” (Souza, p. 19).
O IBGE apontou em 2002 que 88,52% dos domicílios acreanos possuíam pelo menos um aparelho de televisão, enquanto, os que possuíam rádio eram apenas 74,81% e a internet em toda região norte apenas 10,6%. O que de certa maneira, coloca a TV como o meio de comunicação de maior acessibilidade no estado do Acre.
Sabemos que a História não é estática, que os momentos mudam e que os partidos e líderes, de tempo em tempo, se revezam no poder, mas a televisão brasileira em grande medida e ao longo do tempo vem mantendo sua dependência econômica e atrelamento a governos. A dependência do estado, por causa das concessões, torna essas emissoras mais suscetíveis. Não apenas pelas amarras provocadas pelo sistema de concessões, mas pelo atrelamento publicitário, no qual o maior investidor é o governo e pelo fato de muitas emissoras concessionárias serem ligadas a políticos.
19 Ibid.
20 Portal Amazônia.com. Rede Amazônica implanta programação regionalizada em quatro estados do Norte. Publicado em 28 de Abril de 2010. Acesso 13 de Setembro de 2013. http://portalamazonia.globo.com
Para uma emissora de TV, a programação é algo de maior estudo e análise por parte dos especialistas e acadêmicos em todo mundo, daí as imensas obras escritas a respeito do tema. No Brasil a diversidade de programas exibidos diariamente nas TV’s abrange todas as idades e a oportunidade de investimento para os mais diversos segmentos do comércio, graças à audiência que cada programa possui. Mas os telejornais possuem uma particularidade especial quando se fala em audiência, tanto em um telejornal nacional ou local, sendo um atrativo especial para saber o que aconteceu e acontece, o que é notícia.
Para Guimarães Júnior (2008), “são inegáveis as implicações sociais, culturais e políticas progressivamente geradas pelas difusões midiáticas no mundo moderno desde o aperfeiçoamento e exploração comercial da imprensa, nos séculos XVIII e XIX, até o advento das possibilidades de armazenamento e transmissão digital de informações, contemporaneamente, possibilitadas pelas tecnologias da computação e da comunicação”.21
E ainda, complementa dizendo que:
Esse ritmo de transformações no universo comunicacional, aliado ao avanço da ideologia do livre mercado e ao incremento do consumo como elemento estruturador da vida social, não poderia deixar de exercer enorme impacto na dinâmica social, cultural e política mesmo
naquelas sociedades aparentemente distanciadas daqueles
considerados os grandes centros irradiadores dos padrões de vida capitalista. Nas condições de intensas trocas e fluxos de informações, o contato com outras culturas, em geral mediado por prioridades de mercado, torna-se praticamente inevitável, fazendo-se acompanhar de rupturas e fragmentações de valores considerados tradicionais.22.
1.2 – As outras emissoras de televisão no Acre 1.3.1 - TV Aldeia
O governo do estado do Acre já havia implantado um sistema de rádio pública através da Rádio Difusora Acreana. Em seguida, entra com um pedido de concorrência no Ministério das Comunicações para instalação de uma emissora de televisão,
21 GUIMARÃES JUNIOR, Isac de Souza. A Construção Discursiva da Florestania: Comunicação,
Identidade e Política no Acre, 2008, p. 14.
denominada TV Aldeia. As imagens eram geradas em Rio Branco e retrasmitidas, em tempo real, para as repetidoras instaladas em todo o Estado.
A TV Aldeia é a única emissora estatal, retrasmite a programação da TV Educativa. Além da TV, o governo tem a sua disposição a Rádio Aldeia FM (96.9 MHZ). Todas fundadas e sustentadas pelo poder público.
O jornal Página 20 on-line esclarece que, em 1990 a TV Aldeia transmitiu ao vivo, pela primeira vez no Acre, as imagens de escolas e blocos carnavalescos que passavam na Avenida Getúlio Vargas, os brincantes do calçadão da prefeitura. Naquele mesmo ano seria abandonada à própria sorte até sair do ar alguns anos depois.23.
A emissora é reativada em 2002, quando até seus transmissores já estavam desligados. Elson Martins em entrevista ao jornal Página 20 esclarece:
Em 1988 formamos uma equipe composta pelos jornalistas Toinho Alves, Simony, Aníbal Diniz, Altino Machado e a colaboração de outros grandes nomes da nossa imprensa. Foi um grande momento. Tudo se acabou no descaso, mas reativamos agora graças ao apoio do governo do Estado, investindo numa boa equipe e em equipamentos que nos permitem chegar aos 22 municípios levando uma programação que casa a acreanidade com a florestania. Ou seja, mostramos o modo acreano de viver.24
Simony D’Ávila recorda que a reativação da TV Aldeia é fruto de um trabalho conjunto da Secretaria de Estado de Educação e Secretaria de Comunicação, que tiveram seu gabinete na Fundação Elias Mansour como ponto de referência para o debate de ideias e propostas.25
Entre 2002 a 2005, as retransmissoras foram instaladas em todos os 22 municípios acreanos.
1.3.2 - TV Rio Branco
No período da inauguração da TV Rio Branco quem governava o Acre era Edson Cadaxo (PMDB). Entrou ao ar em 1989 transmitindo a programação do Sistema Brasileiro de Televisão – SBT. Já existiam três TVs em funcionamento na cidade de Rio Branco, a TV Acre inaugurada em 1974, a TV Aldeia inaugurada em 1982 (depois
23 Pagina 20 on-line: “Radio e tevê que levam o Acre até você”. 11 de janeiro de 2005. 24 Ibid.
reinaugurada em 2002) e a TV União em 1988. Desde o inicio dos trabalhos a TV Rio Branco continua, na Região Norte, como uma das mais antigas afiliadas ao SBT.
O empresário Narciso Mendes, proprietário e político acreano – foi deputado federal pelo PPB e candidato ao senado em 1994, candidato á camara federal em 1998 pelo mesmo partido, na ocasião, ficou conhecido nacionalmente como o “Senhor X” por ter gravado conversas de parlamentares nas quais ficou clara a compra de votos para a aprovação de uma emenda constitucional - foi responsável pela criação da emissora, investiu alto na nova emissora acreana antes e depois da entrada no ar. Na inauguração apresentou uma estrutura grande, comparado com o que já existia no Estado, em termos de televisão.
Apesar do investimento o “Complexo O Rio Branco de Comunicação” sempre dependeu exclusivamente da verba do governo. Segundo PAIVA (2000), “Por pertencer a um grupo que sempre está em evidência na política local, a linha editorial da TV Rio Branco é pautada por uma identificação visível com interesses políticos e partidários.” (p. 25).
1.3.3 - TV Gazeta
A TV Gazeta é uma emissora de televisão afiliada à Rede Record, instalada na cidade do Rio Branco, capital do estado do Acre. A emissora entrou no ar em 15 de fevereiro de 1990 no canal 11 VHF, retransmitindo a programação da Rede Manchete, que nasceu com um desafio e uma missão: levar imagem de qualidade e informação confiável à população de Rio Branco e municípios adjacentes. Sabemos que a maioria das emissoras de televisão no Estado são mantidas ás custas da verba do governo, com a TV Gazeta não foi diferente.
A TV Gazeta iniciou as transmissões com equipamentos da tecnologia Umatic da marca Sony (na época o que havia de mais moderno no mercado para se fazer televisão). Preocupado com a qualidade das imagens que chegariam às residências, o empresário e dono da emissora, Roberto Moura, passou a investir nisso. A emissora também operou com equipamentos Betacam, embora por pouco tempo, mas ainda é guardado hoje em dia em estúdios para qualquer eventualidade.
Em 2000, a TV Gazeta deixa a RedeTV! e afilia-se à Central Nacional de Televisão (CNT). Em 2001, a TV Gazeta deixa a CNT, que começou ter programação
afetada com o fim da parceria CNT/Gazeta (em São Paulo) e vai para a Rede Record, a atual afiliada. Nesse processo de transição Silvino (2010) destaca:
Através de uma iniciativa privada, a TV Gazeta inicia sua transmissão como afiliada da extinta Rede Manchete, que fazia parte do Grupo Bloch. No ano de 2001, a TV Gazeta passa a transmitir o sinal da Rede Record, sintonizada através do canal 11, na frequência UHF, onde permanece até hoje com uma grade de programação diversificada.26
A TV Gazeta é de propriedade do empresário Roberto Moura que tem ligações de parentesco e amizade com muitas pessoas da cena política acreana. O que de certa forma, mostra a inconstância no apoio político expressso do seu canal de televisão. Sobre essa inconstância Paiva escreve:
Em 92 apoiou o candidato vitorioso a prefeito da capital Jorge Viana. Em 94 o apoio na eleição para governador recaiu novamente sobre o candiadato do PMDB, Flaviano Mello. Decisão mantida na eleição para prefeito da capital em 96, quando então, Mauri Sérgio, atual prefeito, recebeu seu apoio. Já em 98 Jorge Viana foi quem recebeu apoio na eleição vitoriosa para governador.27
1.3.4 - TV 5
Em 15 de abril de 1996, a TV 5 entra no ar no Canal 5 VHF (daí o nome da emissora), como uma nova opção de TV em Rio Branco e região, que tinha como propósito fazer uma televisão diferente. Sob a direção do sócio-proprietáio Roberto Vaz, que foi candidato em 1998 pelo PMDB, sendo sócio-majoritario a época o deputado estadual Alércio Dias (PFL). Este disputou a eleição de 1998 para governo com o apoio de Narciso Mendes, tendo feito dobradinha com Célia Mendes, esposa de Narciso para o senado. O mesmo, após a campanha eleitoral, vendeu as ações da TV 5. A emissora entra no ar como afiliada à Rede Record, na época uma rede em formação. Nesse período, a TV5 se consolidou como um dos mais importantes instrumentos da imprensa do Acre.
26 SILVINO, Rairo dos Santos. “Os 20 anos de telejornalismo da TV Gazeta”. Monografia. Comunicação Social/Jornalismo. Instituto de Ensino Superior do Acre – IESACRE. 2010, p. 15.
27 PAIVA, Maria Angélica. O controle da informação como forma de dominação: as relações do
poder político com os meios de comunicação no Acre – 1994/1998. Monografia. Departamento de
Em 2001, troca a Rede Record pela RedeTV!, quando a TV Gazeta passa transmitir a Record. Pouco mais de um ano de transmitir a RedeTV!, a emissora passa transmitir a Rede Bandeirantes. Vale ressaltar, que a TV 5 sempre dependeu da verba do governo.
O surgimento da televisão é sem dúvida algo extraordinario, com suas imagens e sons diversificados garante a atenção de muitas pessoas. Assim como, podem influenciá-las na tomada de decisões através dos interesses dos donos dos meios de comunicação, neste caso, a televisão.
CAPÍTULO II – A RELAÇÃO ENTRE POLÍTICA E MÍDIA
No decorrer da história brasileira, o campo das comunicações se revelou como um dos mais suscetíveis a pressões de grupos econômicos e políticos com grande poder de influência na opinião pública, na política e no mercado. Entre esses grupos estão os conglomerados privados de mídia audiovisual e impressa.
Poder político e meios de comunicação sempre andaram juntos. Na história recente do Brasil, emissoras de rádio e TV serviram, pelo menos até a Constituição Federal de 1988, como “moeda de troca” e mercadoria de alto valor político a fim de obter apoio ou atender a interesses de determinado grupo ocupante do Governo Federal. Esta instância de poder tinha a competência exclusiva de conceder e renovar licenças para o funcionamento de emissoras de radiodifusão28.
Dentre as transformações do campo midiático no campo da política notamos a existência cada vez mais influente de um novo ator político: a mídia e seu campo específico. O comportamento representado pela mídia enquanto ator político na contemporaneidade não pode hoje ser desconsiderado em nenhum estudo rigoroso do tema das eleições. Com isso, temos um novo cenário social para a disputa política e eleitoral: o espaço eletrônico. Esta nova conjuntura impõe a política e as eleições a se deslocarem das ruas, praças, parlamentos e etc., para as telas. Mas não exclusivamente nesses espaços.
RUBIM & COLLING (2004) descrevem sobre em quais circunstancias as campanhas se desenvolveram em meio às mutações que aconteceram nas eleições presidenciais em 1960, dizendo que:
Em 1960, ela se pautou pelos espaços geográficos, apesar das dificuldades e das dimensões continentais do país: comícios, caravanas, visitas, passeatas, contato direto com os eleitores marcaram as campanhas presidenciais de Jânio Quadros e Henrique Lott. A disputa eleitoral se fazia centralmente nas ruas, praças, auditórios e parlamentos. A precária mídia de então – com o radio, principalmente, e a imprensa escrita á frente – apenas noticiava e realizava a cobertura jornalística da campanha, primordialmente acontecida nos espaços geográficos29.
28 http;//vilsonjornalista.blogspot.com.br/2008/04/palanque-eletrnico-politicos-controlam.html, acessado em 18/07/2013.
29 RUBIM, Antonio Albino Canelas & COLLING, Leandro. Mídia e eleições presidenciais no Brasil pós-ditadura. In: Diálogos de la Comunicación. Lima, 2004, p. 172.
As representações mediáticas sobre a política elaboradas pela televisão são algumas fontes para a formação da opinião do brasileiro porque essa mídia predomina entre os demais meios de comunicação no Brasil. As redes de televisão podem colocar em situação de fragilidade a democracia brasileira porque reflete os interesses políticos e econômicos de grupos hegemônicos que, em muitos casos, concentram em suas mãos as concessões de televisão no país.
O conteúdo político é transmitido pela mídia, que é um dos principais meios de contato entre líderes partidários e o conjunto de cidadãos. Essa relação de troca configura-se em um duplo sentido, pois enquanto a mídia precisa alimentar seu conteúdo com informações sobre política, os políticos necessitam confirmar sua existência pública para alcançar suas bases eleitorais e se legitimar no jogo político através da televisão e outros meios de comunicação.
Para João Carlos Correia, “a mídia não funciona apenas como um elo de intermediação (passiva) entre política e cidadãos. Nesta mediação há intervenção ativa de muitos atores sociais, tais como proprietários das empresas, profissionais, anunciantes, fontes, entidades, forças políticas presentes na sociedade. Além disso, ela sofre os efeitos da cultura e rotinas de produção, que inevitavelmente irão envolver seleções, agendamentos, silenciamentos, enquadramentos, etc.” (2005, p. 41).
Do ponto de vista político, o papel central da mídia, sobretudo da mídia eletrônica, em particular a televisão, foi inicialmente reconhecido durante o regime autoritário. Foram os militares e seus aliados civis que criaram as condições de infraestrutura física indispensáveis para a consolidação de uma mídia nacional. E foram também eles que primeiro fizeram uso político dela, não só com o recurso da censura, mas, sobretudo com o apoio “conquistado” das principais redes impressas e eletrônicas, algumas consolidadas durante o próprio período militar (Lima, 2006).
O período de ditadura militar no Acre foi marcado pelas cassações que atingiram uma parcela significativa da população. SILVA (2002) nos conta que “Os direitos democráticos de liberdade de imprensa, de reuniões, de contestação política, de partidos de esquerda e associações sindicais foram proscritos e, suas lideranças presas ou colocadas sob vigilância contínua pelos aparelhos repressivos” (idem, p. 91). O que de certa forma acaba por restringir à liberdade de expressão.
A restrição à liberdade de expressão, como é de praxe nestes casos, atingiu logo de início a imprensa acreana. Jornais como O Rio Branco e A Tribuna do Povo, - este último pertencia a pessoas ligadas ao PTB, - passam a sofrer limitações com este novo quadro político estabelecido
pela ditadura. Contudo, outros órgãos de imprensa acreanos aderiram de imediato ao golpe militar, louvando-o como sendo necessário para o restabelecimento da ordem, que estava passando naquele momento por uma momentânea perda de legitimidade. Quase de forma unânime, o golpe militar foi tratado como uma revolução, que restabeleceu o princípio da autoridade, colocado em risco pelas forças oposicionistas que defendiam ideologias “socializantes”.30
COSTA SOBRINHO (2000) destaca que “A violência contra a liberdade de imprensa pouco a pouco fora ganhando estatuto legal através dos sucessivos decretos e leis de teor restritivo, que visavam regulamentar para controlar e tornar dócil os meios de comunicação. Como se não bastasse no ano de1970 o Decreto-lei 1.077 instituíra a censura prévia; daí por diante, parte da grande imprensa tivera a redação ocupada por uma malta de censores: Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo, Tribuna da Imprensa etc. na imprensa alternativa então, a tesoura fora ainda mais afiada.” (idem, p. 09).
2.1. Primórdios da política nos meios de comunicação
Para Luís Felipe Miguel a imprensa chegou tardiamente no Brasil. A metrópole portuguesa proibia o uso desse meio de comunicação, pois acreditava que era subversiva. Somente com a vinda da família Real, saindo de Lisboa para o Rio de Janeiro em 1808, é que foi permitida. Ao decorrer do século XIX, alguns jornais ligados a famílias oligárquicas consolidaram-se. Em destaque, em primeiro momento, estava A Província de São Paulo, depois O Estado de São Paulo. Entretanto,
O marco inicial da imprensa moderna no Brasil é a formação dos Diários Associados, rede de jornais e, mais tarde, rádio e televisão construída pelo empresário Assis Chateaubriand... Foi o primeiro que se dispôs a fundar uma rede de órgãos de comunicação com alcance nacional – e conseguiu, primeiro com dezenas de jornais diários, espalhados de Norte a Sul do país, mais tarde com a revista ilustrada O Cruzeiro, com a rádio Tupi, do Rio de Janeiro (e suas co-irmãs), e, por fim, a partir de 1950, com a Rede tupi de Televisão.31
30 SILVA, Francisco Bento da. As raízes do autoritarismo no executivo acreano – 1921/1964. Recife – PE. UFPE/Programa de Pós-Graduação em História, 2002. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Pernambuco. p. 93.
31 MIGUEL, Luís Felipe. Meios de comunicação de massa e política no Brasil. Diálogos Latinoamericanos, 2001, p. 45. , 2001. Pesquisado no dia 14/03/2014. Disponível em: www.redalyc.or/articulo.oa?id=1620030>ISSN1600-0110.
Nessa fase de crescimento dos Diários Associados quem demonstrava simpatia pelo projeto de uma grande cadeia de jornais, vendo nele uma ferramenta da união nacional era Getúlio Vargas. Havia certa disposição dos Diários Associados para intervir nas questões públicas. Luís Felipe Miguel descreve que Assis Chateaubriand desempenhou um papel destacado na deflagração da Revolução de 1930.
Ele ajudou a convencer Antônio Carlos, o governador de Minas Gerais, a apoiar a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República, viabilizando a formação da “Aliança Liberal”, e colocou sua cadeia de jornais (e a importante revista O Cruzeiro) a serviço da campanha. Quando, após a derrota nas eleições fraudadas, o candidato a vice-presidente na chapa de Vargas, João Pessoa, foi assassinado, os Diários Associados tiveram papel decisivo na dramatização e amplificação do acontecimento, criando o clima de opinião favorável à eclosão do movimento revolucionário. A rigor, o homicídio de pessoa era um evento da esfera privada, pois tratou-se de um crime passional. Chateaubriand deu-lhe conotação política e mobilizou a revolta popular, naquela que foi uma das primeiras grandes manifestações do poder da imprensa na política brasileira.32
MIGUEL (2001) complementa essa atuação do jornalista e, depois político, falando de sua presente atuação nos principais acontecimentos da história política do Brasil.
Apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932 e os golpes de 1945 e 1964, influenciou o resultado de eleições, exerceu poder de veto sobre a composição de ministérios, arrancou reformas na legislação para promover seus interesses privados. Por duas vezes, forçou renúncias de parlamentares para conseguir se eleger senador; mais tarde, impôs a si próprio como embaixador do Brasil em Londres. Comparadas às de seus equivalentes posteriores, as ações de Chateaubriand eram demasiado espalhafatosas.33
Desde a Era Vargas, que vai de 1930 até o início da década de 1950, quando surge a televisão no Brasil, os meios de comunicação eram usados como ferramentas para disseminar idéias e ações, especificamente, o rádio. Conforme Cristiane do Prado:
Grande parte da população votante tem pelo menos um aparelho de televisão em sua residência, facilitando assim as campanhas políticas sejam elas em ano eleitoral ou para mostrar as obras/eventos que determinado político esteja desenvolvendo. Nem sempre foi assim, tudo começou ao longo do século XX, com a utilização do rádio, que
32 Ibid.
foi considerado o símbolo da política, mas ao surgir à televisão, o rádio ficou em segunda instância.34
No governo de Getúlio Vargas, foram estabelecidas as primeiras leis e regulamentações para a área de radiodifusão. Mas acontece que essas leis duraram mais de 20 anos sem nenhuma mudança significativa. O que se tinha, de fato, era um decreto que trouxe dependência ao setor de radiodifusão e criava o Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP. Este tinha entre suas funções a obrigatoriedade de fazer a censura prévia e organizar programas radiofônicos. Desta forma, fica evidente o controle do rádio pelo governo. O decreto 29.783 de Julho de 1951 foi revogado em 1954, depois da morte de Getúlio Vargas.
Segundo Florentina das Neves no governo de João Goulart, foi aprovada a Lei 4.117, que introduziu o Código Brasileiro de Telecomunicações. O código, aprovado em 1962, regulamentava o sistema de concessões e dava esse poder total ao Executivo, deixando a distribuição de emissoras por conta do governo federal. Ou seja,
O projeto refletia a vontade dos proprietários das companhias de radiodifusão e do poder militar. Foi durante os debates para a criação do Código que os empresários se mobiliaram e, liderados pelo empresário João Calmon, fizeram lobby no congresso. Os congressistas derrubaram os 41 vetos do governo João Goulart ao projeto e os empresário de radiodifusão acabaram formando a ABERT - Associação Brasileira de Radio e Televisão. Assim, a Associação nascia acoplada aos políticos e, como ela mesma reconhece: nos corredores do congresso.35
Em plena ditadura militar, Costa e Silva anulou e mudou artigos da lei para, além de ter domínio sobre as concessões, dominar as atividades das emissoras criando o Ministério das Comunicações e o Departamento Nacional de Telecomunicações, órgão que era responsável por fiscalizar o Governo. Nesse período, foram concedidas 67 licenças para novas emissoras de TV em todo o país.
O período de 1930 para cá é de ligeira e constante expansão da mídia no Brasil. Dois processos são essenciais: a formação dos Diários Associados, que tem início na década de 20 e atinge seu ápice no final dos anos 50, e a da Rede Globo, após o golpe militar de 1964. Cada um a seu tempo e com os instrumentos de que dispunham na
34 PRADO, Cristiane do. Política e Mídia são inseparáveis. Artigo publicado no endereço eletrônico: http://monografias.brasilescola.com/historia/politica-midia-sao-inseparaveis.htm. Pesquisado dia 22/02/2013.
época (rede de jornais, revistas e rádio ou rede de televisão), ambos são vetores fundamentais do processo de integração nacional. Ainda no início da construção do império Diários Associados de Assis Chateaubriand, seu projeto era visto pelos líderes políticos da época, a começar pelo deputado federal Getúlio Vargas, como ferramenta da união nacional. Quando, em setembro de 1969, estréia o primeiro telejornal transmitido simultaneamente de Norte a Sul do País (O Jornal Nacional), o processo está próximo de sua conclusão (SOUZA, 2007).
Segundo Florentina das Neves, a barganha, moeda de troca ou rede de clientelismo hoje institucionalizada entre o poder público e os donos de emissoras de rádio e televisão tiveram sua arrancada nos anos 30 com a colaboração do governo no desenvolvimento das empresas de comunicação privadas. Mas foi no período pós-64 que esse favoritismo atingiu seu apogeu (SOUZA, 2007).
Para PINTO (2009) A ditadura militar de 1964 proporcionou condições econômicas e institucionais para o desenvolvimento de um sistema nacional de telecomunicações e de radiodifusão compatível com as novas exigências do capitalismo. O governo militar idealizou um projeto de integração com incentivo para formação de grupos midiáticos capazes de abranger o país. (Idem, p. 4-5).
SOUZA (2007) nos conta que, a estruturação da televisão no Brasil, como rede nacional, por meio de micro-ondas, deve-se ao sistema consolidado durante o período da ditadura militar, mais precisamente no final dos anos de 1960. Onde o interesse do governo militar não era o progresso do país, como se pregava. Naquele momento se estruturava um sistema de poder das emissoras de TV e um controle do governo que perdura até hoje. “A televisão tornou-se a partir da década de 60 o suporte dos discursos que identificam o Brasil para o Brasil... Sem a televisão a integração nacional pretendida pelo regime militar jamais teria se cumprido” (Bucci, 2004, p.32).
Alzira Alves de Abreu considera que durante o período de 1974 a 1989 ocorre a transição do regime autoritário para a Democracia no Brasil. Em 1974, quando o general Ernesto Geisel assumiu a presidência da Republica, começou a ser posto em prática um projeto de abertura política; em 1989, quando Fernando Collor de Melo foi eleito presidente pelo voto direto, a transição democrática foi efetivada (Abreu, 2005).
Os jornais, o rádio e a televisão tornaram-se os principais vetores da imagem pública dos candidatos, com impacto significativo, portanto, sobre seu desempenho nas urnas. Ou mesmo fora delas, como foi o caso da eleição indireta de 1985 (Idem).