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RELAÇÕES HUMANAS NO HOSPITAL

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Academic year: 2021

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Doente e seu universo

 Para o indivíduo atingido pela doença, existe sempre a idéia que foi agredido pelo mundo que o rodeia.

 Dar um sentido a esta agressão é a preocupação deste indivíduo. “Que terei feito, para merecer este sofrimento? “

 Sofrer é merecer sofrer? – a culpabilidade do doente – culpabilidade mais ou menos inconsciente – aflora às vezes em sua consciência.

 Tem vergonha de estar doente, como se a doença fosse o próprio sinal de sua indignidade. Inveja os que têm boa saúde. Por um lado, deseja “fazer como se” não estivesse doente; por outro lado, gosta de falar nela, comporta-se como se apenas a sua doença fosse importante. Muitas vezes o agredido torna-se agressor. Isto faz com que muitas vezes avaliemos como “difícil” o caráter dos indivíduos doentes.

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A situação concreta do doente hospitalizado

 Ao indivíduo ver-se internado, surgem uma série de fatores novos, que vão influenciar ou determinar atitudes e ações. Recursos hospitalares e profissionais de saúde são mobilizados para atendê-lo. Cumpre a ele, adaptar-se a este tratamento, ao novo ambiente e ao pessoal desconhecido que o cerca.

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O mundo hospitalar

 O Hospital moderno se caracteriza por uma sofisticação de serviços, com aparelhagem altamente especializada e profissional especialmente habilitado em suas áreas.

 Muitas vezes este aparato tecnológico atemoriza a pessoa doente e seus familiares.

 É indispensável haver calor humano, comunicação e compreensão por parte de toda a equipe de saúde, para atenuar este impacto inicial, causado por este ambiente estranho e muitas vezes até hostil.

 Principalmente o pessoal de enfermagem deverá estar imbuído da importância da assistência psicológica ao paciente, tão bruscamente incluído no mundo hospitalar

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As necessidades do doente

 Para o doente, sua entrada no hospital pode trazer reações diferentes. No entanto, para todos, ela representa um choque, porque há ruptura no quadro habitual de vida, sem a necessária preparação para o que espera o doente hospitalizado. De uma hora para outra, ele encontra-se numa cama de hospital, vestido com uma roupa que não é sua, rodeado de objetos que não lhe pertencem, dependente de pessoas que não conhece...

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 Esta primeira impressão é atenuada ou reforçada, conforme a qualidade do ACOLHIMENTO dispensada quando da chegada ao hospital.

 O mais importante neste contato inicial é a COMPREENSÃO e principalmente vinda da parte do SERVIÇO DE ENFERMAGEM, que através dos seus componentes, forma o ponto de contato do doente com o hospital.

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A doença como uma experiência humana

 A experiência de uma enfermidade precipita muitos sentimentos e reações de estresse, tais como ansiedade, raiva, negação, vergonha, culpa e insegurança. Os exames diagnósticos, o tratamento médico, o prognóstico, as alterações corporais, as reações da família e dos amigos, e experiência da hospitalização e as alterações projetadas no estilo de vida toma parte na adaptação da pessoa a essa nova situação. Em geral, a pessoa doente é excepcionalmente sensível e vulnerável.

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 Sua vida inteira modificou-se, pelo menos temporariamente, e ela freqüentemente luta com o ressurgimento de experiência quando enfrenta a realidade atual e o futuro que se antecipa. O profissional de enfermagem é uma figura central na vida imediata do paciente. Através de compreensão sensível e ação inteligente, ele pode criar muitas oportunidades para o paciente manter sua segurança básica, auto-estima e integridade.

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Ansiedade

 Ansiedade é uma reação normal ao estresse e ao medo. É uma reação emocional à percepção de perigo, real ou imaginário, e é vivenciada fisiológica, psicológica e comportamentalmente. A ansiedade diferencia-se do medo, uma vez que o medo se refere a um receio específico, enquanto a ansiedade é inespecífica. A sua intensidade pode variar de ligeiro a grave, podendo causar pânico

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 A enfermidade e a hospitalização congregam os seguintes receios que precipitam a ansiedade: receio geral com relação à integridade da vida, da saúde, do corpo; exposição e embaraço; desconforto da dor, frio, fadiga e mudanças na dieta; restrição dos movimentos; isolamento; interrupção ou perda dos seus meios de vida; precipitação de uma crise financeira; desgosto, rejeição ou ridicularização de outros como resultado de sua condição; um comportamento inconsciente e imprevisível da autoridade que depende o seu próprio bem-estar; frustração de seus fins e das expectativas; confusão e incerteza acerca do presente e do futuro; separação da família e de seus amigos.

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 As reações fisiológicas da ansiedade são reações do Sistema Nervoso Autônomo e de natureza defensiva. Elas incluem aumento das freqüências cardíaca e respiratória, alterações da pressão sangüínea e temperatura, relaxamento da musculatura lisa da bexiga e do intestino, pele fria e úmida, aumento da sudorese, pupilas dilatadas e boca seca. O profissional de enfermagem deve ser capaz de avaliar o nível de ansiedade num paciente de forma que possa ser eficaz em reduzi-lo.

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A intervenção da equipe de enfermagem na

ansiedade inclui quatro aspectos;

 a) o reconhecimento de que o paciente está ansioso;

 b) encorajar verbalmente o paciente a reconhecer e expressar seu sentimento de ansiedade;

 c) procurar atenuar os fatores externos que estejam aumentando a ansiedade do paciente;

 d) ajudar o paciente a enfrentar o seu receio. Ele deve ser auxiliado na avaliação da situação. Muitas vezes, simplesmente o compartilhar de um sentimento reduz sua intensidade

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Estágios na adaptação da doença

No ciclo de saúde e enfermidade, muitas pessoas passam através de três estágios:

 1) a transição de saúde para a doença;

 2) o período de “aceitação” da enfermidade e;

 3) a convalescença. A duração e o tipo de experiência que um indivíduo tem nesses estágios variam com sua personalidade, alteração específica e mudanças que ocorrem em sua vida.

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Primeiro Estágio

 O desenvolvimento dos sintomas geralmente é acompanhado de sensações desagradáveis, perda do vigor e resistência, e uma diminuição da capacidade funcional. A ansiedade está freqüentemente presente e a pessoa estabelece um plano de luta. Surgem as seguintes questões: qual é realmente o problema; a capacidade do médico e/ou equipe ao diagnosticá-lo; a confiabilidade dos exames de apoio diagnóstico; aquisição de confiança na Instituição escolhida ou determinada para tratamento. Nesta fase, a ansiedade, culpa, vergonha, e negação são freqüentes e intensas. A equipe de enfermagem deve estabelecer com o paciente, uma postura profissional, de ouvinte não critica, aceitando a necessidade de o paciente enfrentar sua situação da maneira peculiar ao seu caso.

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Segundo Estágio

 Nesta fase o paciente reconhece e admite que está doente e que necessita de ajuda de outros, especificamente do médico e do grupo de enfermagem. Torna-se autocentrado e mostra dependência aumentada, bem como maior preocupação com sues problemas somáticos. É normal ocorrer uma regressão relativa, que permitirão ao paciente colocar-se nas mãos de profissionais para o tratamento necessário.

 Neste estágio é comum aparecer raiva, culpa e ressentimento. Pode ser muito crítico em relação aos cuidados administrados. O profissional de

enfermagem deve encorajar o paciente a expressar seus sentimentos, sem julgamentos, moralizações ou inquisições. Ele assume a responsabilidade de cuidar, porém deve respeitar a integridade do ser como individualidade.

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Terceiro Estágio

 Este estágio envolve o período de convalescença ou restituição. O retorno “da saúde e

da força física” freqüentemente precede o sentimento e a atitude de “estar bem” do paciente. Sentir-se bem implica desistir de uma dependência, de uma posição regressiva, e assumir a responsabilidade de adulto e relações normais com os outros. Embora algumas pessoas relutem em desistir do papel de paciente, a maior parte está motivada pela saúde, porém temerosa e hesitante para tentar novos horizontes. Isto é particularmente verdadeiro se a enfermidade e o tratamento requerem grandes alterações nas relações de trabalho e família.

 A equipe pode auxiliar o paciente neste estágio assumindo um papel análogo um pai de

um adolescente, gradualmente relaxa sua proteção e oferece orientação, conselho e encorajamento para o progresso. De uma maneira discreta, se retira para o lado, pronta para tranqüilizar o paciente, porém encorajando-o a experimentar novas habilidades; somente entra em cena quando se fizer realmente necessário.

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A Morte

 Ao indivíduo doente sempre assalta esta preocupação: será a sua doença um

sinal de aproximação da morte? Todo ser humano sabe que vai morrer. No entanto, mecanismos de defesa (planos, responsabilidades, etc.), levam esta possibilidade, para uma ocasião remota e longínqua. Quando vem uma

doença, porém, esta realidade volta ao presente e as possibilidades surgem bem aumentadas.

 Nesta situação, inicia-se um processo de auto-análise e auto-avaliação, quando

a pessoa deprime-se ao ver quanto tem a realizar e a impossibilidade de faze-lo.

 Ela pode adotar um comportamento de luta ou de entrega. Podem voltar

sentimento passado, emoções antigas, comportamentos afetivos infantis, supervalorização de seus feitos, etc.

 Existe grande importância na compreensão do doente, por parte da equipe de

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Atitudes em relação à morte e ao morrer

 O paciente encara a morte de muitos modos. De acordo com os estudos de Elizabeth Kübler-Rosss, as respostas emocionais de uma pessoa que enfrenta a morte podem ser traçadas através de cinco estágios, que ocorrem nem sempre em seqüência, podendo estar misturados ou ser vivenciados como fases sobrepostas. Às vezes um paciente parece mover-se para frente e para trás através dos estágios.

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Negação e Isolamento

 O reconhecimento e aceitação da morte iminente são difíceis; a reação comum é isolar-se até que outras defesas sejam estruturadas. A negação permite que se tenha esperança. Por vezes, o paciente tem consciência da proximidade da morte, enquanto sua família continua a expressar a negação. O período de negação e isolamento é curto, pois o paciente começa a pensar sobre o trabalho não terminado; assuntos pessoais que devem ser orientados; crianças a considerar e arranjos financeiros que devem ser feitos.

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Raiva

 A próxima expressão emocional é a raiva. “Porque eu?”. Não é necessária uma resposta, porém o paciente estará sendo ajudado se o profissional de enfermagem estiver presente para oferecer-lhe apoio e ouvi-lo. O comportamento do paciente neste estágio é difícil porque nada que é feito para ele parece ajudá-lo. Pode-se esperar essa expressão de raiva dele, e ao invés de tomá-la como pessoal, o profissional deve procurar determinar o que está causando isso. Deve ser permitindo ao paciente expressar sua raiva, seu sentimento de desamparo e seu ultraje, pois quando todos os sentimentos forem exalados, ele será capaz de superar sua crise.

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Barganha

 È uma fase de luta durante a qual a pessoa que vai morrer tenta negociar uma troca. Comumente envolve um negócio com Deus, com o médico ou com o profissional de enfermagem. “Se eu pudesse viver tempo suficiente para esperar o casamento de meu filho, estaria pronto para morrer”. Até onde for possível, devemos atender o pedido do paciente.

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Depressão

 O quarto estágio é a depressão; neste período, o impacto total do inevitável é evidente. Os mecanismos de defesa não são eficazes e ele expressa sua tristeza e angústia, chorando, ele também pede o apoio daqueles que o amam ou do pessoal do hospital.

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Aceitação

 Este é um período de paz e contentamento. O paciente parece desejar ter tempo a sós com seus pensamentos. Visitas silenciosas com um mínimo de verbalização são o mais aceito. Parece ser o período para que o paciente reveja seu passado e contemple o futuro desconhecido.

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A família como paciente

 Primeiro é essencial que a família compreenda a natureza de qualquer alteração de saúde e as implicações sobre os seus membros. O profissional pode dar explicações individualmente aos membros da família ou incluí-los em quaisquer discussões com o paciente. Se esse tiver que adquirir novos conhecimentos ou novas habilidades para a manutenção da saúde, tais como novos medicamentos a serem tomados ou métodos de higiene especial, é essencial que um familiar participe. Desse modo, poderá ajudar a assumir os cuidados para com o paciente quando esse adoecer ou ficar incapacitado. Geralmente, a família como um todo se torna aprendiz do profissional de enfermagem.

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 A situação econômica da família é um fator de influência fundamental e determina como ela e o indivíduo comportam-se em relação à saúde. O profissional pode precisar indicar um assistente social para fazer uma análise cuidadosa da situação financeira da família. Ele também deve estar apto a ajudar os pacientes a obterem um tratamento de saúde a custos mais baixos. Por exemplo, se um paciente precisa de assistência em casa para tratar de uma ferida, não é necessário comprar materiais caros para o curativo. Além disso, se um paciente receber uma prescrição, o profissional pode aconselhá-lo a indagar seu médico a respeito da utilização de medicações semelhantes, mas mais baratas.

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 O consenso de todos os familiares é um modo para resolver esses conflitos de tarefas. Um outro método consiste na delegação de responsabilidade sobre as resoluções de problemas para um ou mais familiares. A abordagem mais útil para o enfermeiro parece ser a de ajudar as famílias a aprenderem ambos os métodos e ajudá-las a determinar a necessidade de variar seu uso, dependendo das exigências da situação

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