1.Pesquisadora - FAPEMIG/UFLA.
2.Professor Titular do Departamento de Zootecnia/UFLA
SILAGEM DE CAPIM-ELEFANTE
(
Pennisetum purpureum Schum
)
Josiane Aparecida de Lima1 Antônio Ricardo Evangelista2
1 Introdução
Apesar de ser relativamente fácil obter silagem de boa qualidade de milho e de sorgo, é também possível produzir sila-gens de média a boa qualidade utilizando-se capins, sendo mais
recomendado os capins do grupo elefante (Pennisetum
purpu-reum Schum). Após o milho e o sorgo, essa é uma das forragei-ras tropicais que apresenta melhores características para ensilar, em face de sua alta produtividade, elevado número de varieda-des, grande adaptabilidade, facilidade de cultivo, boa aceitabili-dade pelos animais e, quando novo, bom valor nutritivo.
Considerando-se que grande parte da produção anual das forrageiras concentra-se na época de chuvas e que o crescimen-to acumulado reduz o valor nutritivo, o capim-elefante, quando utilizado na forma de silagem, é mais uma alternativa na alimen-tação animal na época seca, além de possibilitar um aproveita-mento mais eficiente da produção da área cultivada.
2 Silagem Exclusiva de Capim-Elefante
Escolha da Variedade
Entre os capins do grupo elefante, para corte, principal-mente em função do rendimento, um dos destaques tem sido o cameroon. No caso de não se obterem mudas dessa variedade, outras podem ser utilizadas, como por exemplo, o napier, napier roxo, taiwan, mineiro, porto rico e vrukwona, entre outros. Existe diferença de rendimento entre essas variedades; entretanto, de maneira geral, quando bem manejadas, o rendimento é bom.
Quanto à qualidade da silagem, também há diferenças en-tre as variedades; porém, se toda a metodologia for seguida, a silagem de capim-elefante, de qualquer variedade, resulta em silagem de qualidade considerável.
Preparo do Solo
As gramíneas, principalmente as que são multiplicadas por mudas, necessitam de solo bem preparado para ocorrer o plantio com enraizamento mais profundo, evitando-se tombamento, con-ferindo maior tolerância à seca e maior rendimento. Nesse senti-do, o preparo do solo deve constar basicamente de uma ara-ção realizada a 20-30 cm de profundidade e duas gradagens.
Entretanto, as práticas de preparo do solo podem variar de acor-do com a área e com o uso antecedente desta.
Adubação
O capim-elefante, planta exigente, requer solos com boa fertilidade para expressar o seu elevado potencial de produção. O ideal é basear-se na análise de solo para que se possa realizar uma fertilização correta em função dos teores dos nutrientes no solo e da produção esperada.
A adubação de plantio deve suprir o fósforo e parte do po-tássio necessários para o ano de cultivo; o restante do popo-tássio e o nitrogênio total podem e devem ser fornecidos em cobertura e parcelados durante o ano de cultivo.
Como sugestão e suscetível de adaptação, conforme cada condição, colocar no sulco de plantio, 50 a 100 kg de P2O5/ha (280 a 560 kg de superfosfato simples/ha), 50 kg de K2O/ha (100 kg de cloreto de potássio/ha), 2 kg de zinco/ha (10 kg de sulfato de zinco/ha). Recomenda-se fazer uma rápida incorporação do fertilizante ao solo dentro do sulco, o que pode ser feito passan-do o ‘olho’ da enxada, que vai misturanpassan-do um pouco de solo e adubo, para, em seguida, colocarem as mudas.
Com relação ao enxofre, recomenda-se, para áreas com comprovada carência, a aplicação de 20 a 40 kg/ha. Entretanto,
quando o adubo fosfatado utilizado no plantio for o superfosfato simples, essas doses de enxofre são normalmente atendidas conjuntamente com o fósforo.
Recomenda-se, também, a colocação de esterco de cur-ral, até 30 toneladas/ha, a fim de garantir rápida formação da cultura e sua produtividade.
A cobertura é feita quando o capim estiver com cerca de 40 a 50 cm de altura. Nesse momento, podem-se usar 200 kg de cloreto de potássio/ha e 300 kg de sulfato de amônio/ha, distribu-ídos a lanço sobre a cultura ou entre as linhas de plantio do ca-pim, em dias chuvosos. Nova adubação em cobertura deve ser feita imediatamente após o primeiro corte, colocando-se nova-mente 200 kg de cloreto de potássio/ha e 300 kg de sulfato de amônio/ha.
Plantio
Com relação à época, o plantio deve ser realizado durante o verão, mais precisamente no início das chuvas. A utilização de mudas de boa qualidade é de extrema importância para o bom estabelecimento da cultura, e as mudas (que são os colmos) pa-ra plantio devem estar com ±100 dias de crescimento. A planta ideal para ser utilizada como muda deve apresentar gemas late-rais bem protuberantes, porém, sem qualquer início de brotação.
Sabe-se que as melhores mudas são obtidas dos 2/3 inferiores do colmo. Em geral, utilizam-se em torno de quatro toneladas de mudas para plantar um hectare, ou seja, um hectare fornece mu-das para dez hectares.
Com relação ao plantio propriamente dito, as mudas po-dem ser colocadas inteiras no sulco sem a necessidade de se-rem desfolhadas. Duas mudas paralelas permitem maior perfi-lhamento por metro. Se as mudas forem cortadas em frações contendo 3 a 5 gemas, o perfilhamento aumenta.
Com relação ao espaçamento, este varia em função do método de plantio, ou seja, covas ou sulcos. No plantio em co-vas, recomenda-se o espaçamento de 0,8 a 1,0 m entre linhas e de 0,5 a 0,8 m entre covas. No plantio em sulcos, recomenda-se o espaçamento de 0,8 a 1,0 m entre linhas. Espaçamentos maio-res facilitam o desenvolvimento das plantas invasoras, em função da demora na cobertura do solo pela cultura.
Outro aspecto que deve ser considerado é a forma de co-locação das mudas dentro do sulco de plantio. Elas devem ser colocadas de forma que o "pé" de uma trespasse a "ponta" da outra. Essa prática tem a finalidade de garantir uniformidade de brotação, quando não é possível colocar duas mudas empare-lhadas. Recomenda-se, também, colocar pouca terra por cima da muda, devendo-se cobri-las com aproximadamente 5 cm de solo.
Para colher o capim-elefante, deve-se aliar rendimento e qualidade, e para que isso ocorra após o primeiro corte, o capim deve ser colhido com idade entre 60 e 90 dias. Entretanto, nessa idade, ocorre uma grande limitação da forrageira para ensilagem, que é a excessiva umidade, característica comum da espécie na idade ideal de corte. Na Tabela 1 pode-se observar as caracterís-ticas da forragem do capim-elefante submetido a diferentes tra-tamentos.
TABELA 1. Teor de matéria seca, carboidratos solúveis e capa-cidade tampão do capim-elefante cv. Taiwan A-148 no momento da ensilagem
Matéria Seca Carboidratos Solú-veis Capacidade Tampão
Controle 15,94 c 14,50 a 23,23 ab 20% de sabugo 22,22 ab 11,15b c 14,80 c 30% de sabugo 22,10 ab 10,04 c 12,74 cd 40% de sabugo 31,38 ab 7,50 d 11,11 d Emurchecido 12 h 21,61 ab 14,77 a 23,86 a Emurchecido 24 h 30,22 ab 12,42 b 23,54 a Esmagamento + emurcheci-mento 24 h 33,75 a 10,50 c 20,88 b Médias com letras diferentes na coluna diferem (P<O.05) pelo teste de Tukey
FONTE: Tosi et al., 1999.
Ressalta-se que o elevado teor de umidade da forrageira pode ser reduzido pela prática do emurchecimento, que é indica-do como um indica-dos métoindica-dos mais eficientes, técnica e economica-mente, na elevação do teor de matéria seca de forrageiras a se-rem ensiladas. Nesse sentido, recomenda-se cortar o capim e
deixá-lo exposto ao sol, por um período de seis a oito horas, para posterior trituração. Essa prática é realizada com o objetivo de reduzir a ocorrência de fermentações secundárias. Aliado a esse fato, o emurchecimento da forrageira também pode eliminar a produção de efluentes após a forragem ser ensilada, fato muito comum ao ensilar esse capim com umidade superior a 70%. Po-rém, o emurchecimento é inviável quando se emprega colheita totalmente mecanizada, o que normalmente é feito quando se trabalha com produções de silagem acima de 100 toneladas/ano. Na Tabela 2 podem ser observados os efeitos da adição de sa-bugo ou do emurchecimento do capim-elefante sobre algumas características da silagem, características essas indicadoras da qualidade de fermentação que ocorreu no interior do silo.
TABELA 2. Teor de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), valo-res de pH, digestibilidade 'in vitro' da matéria seca (DIVMS) e crescimento de clostrídeos nas silagens de capim-elefante Tai-wan A-148
Tratamentos MS (%) (%) PB pH DIVMS (%) Clostrídeos Log UFC* Controle 16,26 cd 8,57ab 3,71 ab 57,95 a 6,73 a
20% de sabugo 25,27 b 8,07 ab 3,93 a 53,30 b 4,39 b 30% de sabugo 29,41 ab 7,47 b 3,89 ab 50,66 bc 7,11 a 40% de sabugo 33,41 c 6,88 b 3,94 a 49,10 c 7,06 a Emurchecido 12 h 20,64 ab 10,47 a 3,66 c 59,33 a 3,55 c Emurchecido 24 h 31,50 a 7,66 a 3,95 a 57,04 a 3,68 c Médias com letras diferentes na coluna diferem (PL<0.05) pelo teste de Tukey *Logaritmo do número de Unidades Formadoras de Colônias/gMS.
FONTE: TOSI et al., 1999 (Adaptado).
Colheita manual - Neste caso, faz-se o corte e transporta-se o material para transporta-ser picado próximo ao silo. No processo de picagem, é mais comum o uso de motores elétricos para acionar os equipamentos. Outra estratégia é a picagem do material no próprio campo, o que leva à redução nos gastos com transporte e, neste caso, para picagem, utilizam-se equipamentos aciona-dos por meio de motores a óleo ou tratores.
Colheita mecânica - recomendável para produções acima de 100 toneladas/ano, sendo esta realizada com as chamadas ensiladeiras, que realizam o corte e a picagem simultânea do material.
Quanto à altura de corte, recomenda-se cortar o capim-elefante o mais baixo possível; entretanto, na prática, isso geral-mente ocorre entre 15-20 cm do solo.
Rendimento: o capim-elefante bem conduzido, com 60 a 90 dias de crescimento, tem cerca de dois metros de altura. Nes-sas condições, apresenta, em média, rendimento de 50-80 tone-ladas/ha por corte, dependendo, é claro, do manejo da cultura, principalmente no que se refere ao número e às épocas de corte e adubação de reposição de nutrientes ao solo.
Uso da Silagem
A silagem de capim, em função da menor qualidade e do menor custo em relação às silagens de milho e de sorgo, aplica-se para vacas de menor potencial produtivo, para animais que não estão produzindo leite e para engorda de bovinos. É lógico que para animais com maiores requerimentos nutricionais, como é o caso de vacas leiteiras, haverá necessidade de complemen-tar a silagem com o fornecimento criterioso de concentrados. O ideal seria, após conhecer a qualidade da silagem, fazer a com-posição da dieta diária, ou seja, volumoso e concentrado. Para produções acima de 20 kg de leite/dia, recomenda-se associar a silagem de capim com outro volumoso de melhor qualidade, tais como: silagem de milho ou um bom feno.
A silagem de capim é também indicada para bovinos de corte suplementados a pasto e em confinamento, animais de
serviço, vacas secas e outros animais que não estejam em pro-dução.
Atualmente há uma procura pela obtenção de máximo rendimento por área explorada e, nesse caso, propriedades com limitações de área têm na silagem de capim uma boa alternativa para maximizar a eficiência dos recursos disponíveis, principal-mente instalações e equipamentos.
Nesse sentido, na EMBRAPA (CPPSE), vem sendo estu-dado o manejo da pastagem, intensificando-se os sistemas de produção de capim-tanzânia, em que os animais são mantidos com a forragem oriunda do pastejo na época de chuvas e suple-mentados com silagem produzida do excesso da forragem do período das chuvas. Com relação à qualidade, as silagens pro-venientes do capim-tanzânia apresentaram: 20 - 22% de matéria seca, 5,8 - 7,0% de proteína bruta, pH 4,4 - 4,7, 46 - 50% de di-gestibilidade 'in vitro' da matéria seca e 1,6 - 1,7 kg de consumo de matéria seca/100 kg de peso vivo.
3 Aditivos na Ensilagem de Capim-Elefante
O capim-elefante colhido em estágios novos tem um razo-ável valor nutritivo, mas tem inconvenientes para ensilagem: alto teor de umidade e baixos teores de carboidratos solúveis. Esses
fatores interferem negativamente no processo fermentativo e, conseqüentemente, na qualidade da silagem.
A não-obtenção de um pH baixo na silagem, fato que ocor-re em função da deficiência de carboidratos solúveis e, ou umi-dade excessiva, resulta em fermentações butíricas, com degra-dação da proteína, o que causa maior volume de perdas do ma-terial ensilado, bem como rejeição das silagens pelos animais.
Os aditivos são substâncias que são adicionadas à forra-gem no momento da ensilaforra-gem, com o objetivo de melhorar os padrões fermentativos da massa ensilada e, conseqüentemente, seu valor nutritivo. Entretanto, é fundamental lembrar que a utili-zação de aditivos não elimina os cuidados normais para obten-ção de boas silagens (época de corte, compactaobten-ção da forragem, vedação do silo, etc.). Deve-se, também, considerar alguns fato-res em relação aos aditivos: custo e facilidade de aplicação, efi-ciência na fermentação e melhoria do valor nutritivo. Assim, o sucesso na utilização de aditivo na silagem de capim-elefante depende da boa escolha:
1.Cana-de-açúcar
A cana-de-açúcar é um volumoso rico em carboidratos, o que facilita a fermentação, embora tenha baixo valor protéico. Essa é uma opção vantajosa pelo baixo custo e sua aplicação
deve ser da ordem de 20% do capim-elefante. Deve-se usar ca-na mais madura, o que proporcioca-na maiores teores de carboidra-tos e menor teor de umidade.
TABELA 3 -Carboidratos solúveis no capim-elefante ensilado em função de horas de pré-murchamento e níveis de cana-de-açúcar
Pré-murchamento (horas)
Cana-de-açúcar (%) 0 4 8
0 7,64 7,44 8,85
15 12,86 12,82 12,55
30 16,77 15,99 17,48
Fonte: Almeida et al. (1985).
2. Melaço
Este aditivo, por apresentar concentrações elevadas de carboidratos solúveis, favorece a fermentação lática, resultando em silagens com menores perdas dos princípios nutritivos. O me-laço melhora também a palatabilidade e a digestibilidade, propor-cionando, conseqüentemente, maior consumo da silagem.
Salienta-se que precauções devam ser tomadas na incor-poração do melaço que, por ser muito viscoso, requer, para me-lhor distribuição, diluição em água quente (1:3 - melaço:água
quente), possibilitando que maior volume seja adicionado sem que ocorram perdas por drenagem. Recomenda-se a adição de 1 a 3% (10 a 30 litros/tonelada de foragem de capim-elefante).
3. Cama de Frango
A cama de frango é um subproduto interessante, pois a-lém de possuir alto teor de matéria seca (mais de 75%), tem um razoável valor nutritivo, constituído não só de proteína (15 a 20%) como também resíduos de alimentação das aves. Assim, seu uso na ensilagem do capim-elefante pode aumentar o valor nutritivo da silagem e corrigir a alta umidade no momento da ensilagem. Na tabela 4 pode-se observar que o nível de inclusão de aproxi-madamente 14% de cama de frango resultou em aumento nos teores de matéria seca, proteína bruta, digestibilidade da matéria seca (DIVMS) e ganho de peso dos animais.
TABELA 4 - Efeito da adição de cama de frango ao capim-elefante na qualidade das silagens
Níveis de cama de frango (%)
Parâmetros 0 5 10 15 20 25 MS (%) 20,7 22,7 26,3 28,8 32,6 33,7
PH 4,3 5,4 5,3 5,4 5,4 5,4
Ácido lático (%) 6,4 3,6 5,0 4,9 3,7 4,5 DIVMS (%) 26,1 26,0 26,7 29,8 31,2 31,9 Consumo (g/UTM) 62,9 80,2 88,2 74,2 83,5 71,0 Ganho de peso (kg) 2,6 16,0 20,0 13,3 20,1 8,3 Fonte: Lavezzo e Campos (1977).
4. Parte Aérea da Mandioca
É um subproduto com bom valor nutritivo e permite a ob-tenção de boas silagens. Os percentuais ideais de adição vão de 5% (quando pré-secada) até 25% (quando fresca).
TABELA 5 - Efeito da parte aérea da mandioca (PAM) na quali-dade da silagem de capim-elefante (CE)
Ácidos (%) MS
pH Acético Lático Butírico
N-NH3 %Total CE 100% 3,99 2,70 18,1 0,0 9,36 PAM 100% 3,93 10,10 16,1 0,0 6,16
CE50% PAM50% 3,83 5,49 20,4 0,0 10,17 CE25% PAM75% 3,90 2,37 15,9 0,0 11,31 CE75% PAM25% 3,68 2,25 16,5 0,0 9,51 Fonte: Carvalho et al. (1984).
5. Polpa Cítrica
A polpa cítrica é um subproduto da agroindústria, apresen-tando cerca de 6-8% de proteína bruta e teor energético alto, ou seja, da ordem de 78% de NDT. Com relação à quantidade, em-bora haja efeitos positivos com adição de até 30% em peso, os melhores resultados são obtidos com níveis entre 4 e 15%, que devem ser misturados ao capim-elefante no momento da ensila-gem.
Y=24,02 + 0,4904X R2 = 1 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 0 5 10 15 20 25 30
Nível de polpa cítrica (%)
MS (%)
FIGURA 1 - Efeito da polpa cítrica adicionada ao capim-elefante cv. Napier no momento da ensilagem sobre o teor de matéria seca
Fonte: Evangelista et al., 1996.
6. Milho desintegrado com palha e sabugo
(MDPS)
É um subproduto de alta eficiência, pois associa a capaci-dade de baixar a umicapaci-dade (palha e sabugo) com o fator nutricio-nal (milho quebrado e fubá). Dessa forma, é um aditivo muito adequado para o uso na produção de silagem de capim-elefante. A quantidade a ser utilizada é dependente do aspecto econômi-co, e, geralmente, bons resultados são obtidos com a adição de
4 a 10% da massa ensilada, misturadas ao capim-elefante no momento da ensilagem.
TABELA 6 - Efeito de adição de milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS) ao capim-elefante cv. Cameroon para produção de silagem*
Tratamento
Consumo MS
g/UTM Digestibilidade “in vitro”(%) Matéria seca Proteína bruta
0% MDPS 30 49 41
2% MDPS 30 52 48
4% MDPS 34 57 48
6% MDPS 35 52 48
* Capim até 90 dias, 20% MS e 8% PB FONTE: Evangelista, 1988.
7. Farelos
Os farelos de trigo ou arroz também podem ser utilizados para auxiliar na redução do teor de umidade do capim-elefante. A exemplo do MDPS, a quantidade a ser utilizada depende do as-pecto econômico e, geralmente, a proporção utilizada é de 4 a 10% da massa ensilada.
Esta associação tem como objetivo principal a elevação do teor de proteína bruta da silagem do capim-elefante. Para essa prática, não é possível utilizar o consórcio e, nesse caso, podem ser associados até 40-50% de soja ao capim-elefante, no mo-mento da ensilagem, tendo-se também o cuidado de homogenei-zar bem a mistura. Na Figura 1 pode-se observar o efeito de dife-rentes níveis de soja adicionados ao capim-elefante no momento de ensilar. 0 20 40 60 80 100 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Y = 9,51 + 0,0063 X R
2= 0,92
FIGURA 2 - Efeito da adição de soja sobre o teor protéico da silagem de ca-pim-elefante.
FONTE: Evangelista et al., 1992.
Como o capim-elefante destinado à produção de silagem deve ser colhido dos 60 aos 90 dias de idade, nessa época, a soja, que será utilizada para associação com o capim, no mo-mento da ensilagem deverá estar no estádio de enchimo-mento de grãos. Nesse sentido, as variedades de soja que apresentam ciclo médio são as mais indicadas, uma vez que, sendo semea-das em novembro, estariam no estádio indicado para colheita em fevereiro, ocasião que poderá coincidir com o segundo corte do capim-elefante.
Outra característica importante que deve ser observada nas variedades de soja é o hábito de crescimento, sendo indica-das as que apresentam crescimento determinado, ou seja, que não formam cipoal na extremidade do caule. Produção de massa verde e adaptação à região de cultivo também são características importantes que devem ser observadas ao escolher uma varie-dade de soja.
Colheita
Na colheita manual, colocam-se ao lado da ensiladeira montes de cada uma das culturas, juntando-se os feixes de ca-pim com os de soja; o material picado, neste caso, já sai homo-geneizado.
Por outro lado, uma vez que as forrageiras são colhidas separadamente, a colheita manual permite o emurchecimento das espécies, que consiste na exposição ao sol por algumas ho-ras, cujo objetivo é reduzir o teor de umidade da forragem. Ge-ralmente, um período de oito horas de exposição do capim ao sol é suficiente para se obter um processo adequado de fermenta-ção. Na Figura 3 pode-se observar o efeito do emurchecimento da forragem sobre os valores de pH da silagem.
0 20 40 60 80 100 4 4.4 4.8 5.2 5.6 6 Com emurchecimento Sem emurchecimento Y b = 4,19 + 0,011 X R2= 0,88 Ya = 4,19 + 0,017 X R2 = 0,94
FIGURA 3 - Valores de pH das silagens mistas de capim-elefante e soja, com (a) e sem (b) emurchecimento.
FONTE: Lima et al., 1992.
A colheita do capim e da soja também pode ser realizada mecanicamente; entretanto, no caso da soja, essa prática
so-mente é possível quando se dispõe de boa ensiladeira, pois não são todas as máquinas que desempenham uma boa colheita ex-clusiva da soja.
Quando a colheita é mecânica, a mistura de ambas as es-pécies é realizada no momento de ser colocada no silo, e, nesse aspecto, vale enfatizar que a mistura deve ser bastante homogê-nea, para que o processo fermentativo ocorra de igual forma em todas as camadas do silo.
Quando as espécies são cultivadas em áreas contíguas, pode-se fazer o contorno dos dois cultivos no momento da colheita; dessa forma, passa-se a colhedeira ora na cultura do capim-elefante, ora na cultura da soja. Com a adoção dessa estratégia, a mistura das duas espécies inicia-se no momento do corte, completando-se com o espalhamento e compactação da forragem no interior do silo.
Como o capim-elefante e a soja apresentam elevado con-teúdo de umidade no momento adequado de corte para ensilar, torna-se necessário adicionar produtos com bom teor de matéria seca, uma vez que o processo de emurchecimento não é possí-vel quando a colheita é realizada mecanicamente.
Normalmente a silagem de capim deixa a desejar quanto ao teor de matéria seca, e, por essa razão, geralmente resulta em baixo consumo. Quando associado com a soja, geralmente o teor de proteína bruta e de matéria seca da silagem aumenta, resultando em maior consumo. Dessa forma, a silagem de ca-pim-soja pode ser fornecida para qualquer categoria animal, des-de que o concentrado seja ades-dequadamente balanceado. Na Figu-ra 4 pode-se observar o efeito da soja adicionada ao capim, so-bre o consumo de matéria seca.
0 20 40 60 80 100 40 50 60 70 80 Y = 47,28 + 0,29 X R2 = 0,79
FIGURA 4 - Consumo de matéria seca (g/UTM/dia) de silagens mistas de capim-elefante e soja.
FONTE: Evangelista e Lima, 1993.
ALMEIDA, E, X. de. Pré-murchamento, cama de frango e ca-na-de-açúcar na qualidade da silagem de Pennisetum
pur-pureum Schum cv. Cameroon. Lavras, MG. Dissertação
(Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Lavras, 1985.
CARVALHO, J. L. H. A parte aérea da mandioca na alimentação. Informe Agropecuário, v.10, n.119. 19984.
COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE
MI-NAS GERAIS (Lavras, MG). Recomendações para o uso de
corretivos e fertilizantes em Minas Gerais, 4a aproximação. Lavras, 1989. 176 p.
EVANGELISTA, A. R. Formação e manejo de pastagens tropi-cais. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Apoio ao Produtor Rural. Lavras, 1995. 35p. (Boletim da Coordenadoria de Extensão, v.4, n.59).
EVANGELISTA, A. R. Manejo e uso de capineiras.
La-vras:ESAL, 1988. 24p. (Boletim Técnico, 10).
EVANGELISTA, A. R., LIMA, J. A. Valor nutritivo das silagens mistas de capim-elefante (Pennisetum purpureum, Schum) e soja (Glycine max (L.) Merrill). Ciência e Prática, Lavras, v.17, n.3, p.292-297, 1993.
EVANGELISTA, A. R., LIMA, J. A., REZENDE, P. M. Efeito da
adição de soja ao capim-elefante (Pennisetum purpureum,
Schum) variedade cameroon sobre os teores de matéria seca, proteína bruta e pH da silagem. Ciência e Prática, Lavras, v.16, n.1, p.142-146, 1992.
EVANGELISTA, A. R., REIS, S. T. Uso da cana na alimentação animal. Lavras: UFLA. 1996. 54 p. (Boletim Técnico- Série Ex-tensão, 16).
EVANGELISTA, A. R., ROCHA, G. P. Forragicultura. Lavras:
UFLA/FAEPE, 1997. 246 p.
EVANGELISTA, A. R., ROCHA, G. P., ARRUDA, N. G. Silagem, ensilagem e tipos de silos. Lavras: UFLA. 1997. 27p. (Boletim da Coordenadoria de Extensão, v.4. n.93).
FERREIRA, J. J., ZUÑIGA, M. C. P., VIANA, M. C. M. Silagem mista de capim-elefante e milho versus mistura de silagens de capim-elefante e milho no desempenho de novilhas confina-das. R. Soc. Bras. Zoot., Viçosa, v.24, n.6, p. 1.027-1.037, 1995.
GOMIDE, J. A. Formação e utilização de capineira de capim-elefante. In: CARVALHO, M. M., ALVIM, M. J., XAVIER, D. F. et al. (eds.). Capim-elefante: produção e utilização. Coronel Pacheco, MG: EMBRAPA-CNPGL, 1994. p. 81-115.
LAVEZZO, W. Ensilagem do capim-elefante. In: PEIXOTO, A. M.,
MOURA, J. C., FARIA, V. P. (eds.). Manejo do
capim-elefante. Piracicaba: FEALQ, 1994. p.169-275.
LAVEZZO, W. Silagem de capim-elefante. Inf. Agrop., Belo Hori-zonte, v.11, n.132, p 50-57, 1985.
LAVEZZO, W., CAMPOS, J. Efeito da adição de cama de gali-nheiro sobre o valor nutritivo da silagem de capim-elefante Napier (Pennisetum purpureum Schum). Revista Ceres, v.24, n.134, p.363-370. 1977.
LEAL, J. A. Produção de leite em pastagem, com ênfase em
capim-elefante. Teresina:EMBRAPA-CNPAMN, 1977. 23p. (EMBRAPA-CNPAMN. Circular Técnica, 15).
LIMA, J. A. Qualidade e valor nutritivo da silagem mista de capim-elefante (Pennisetum Purpureum, Schum) e soja
(Glycine max (L.) Merrill), com e sem adição de farelo de
trigo. Lavras, MG. 69 p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Lavras, 1992.
LIMA, J. A., ANDRADE, A. D., EVANGELISTA, A. R. Qualidade da silagem mista de capim-elefante (Pennisetum purpureum, Schum) emurchecido e soja (Glycine max (L.) Merrill) com e sem emurchecimento. Ciência e Prática, Lavras, v.16, n.4, 559-564, 1992.
LIMA, J. A., EVANGELISTA, A. R., ROCHA, G. P. et al. Qualida-de e valor nutritivo da silagem mista Qualida-de capim-elefante ( Pen-nisetum purpureum, Schum) e soja (Glycine max (L.) Merrill). Ciência e Prática, Lavras, v.16, n.3, p.425-431, 1992.
MARTIN, L. C. T. Bovinos - volumosos suplementares. São
Paulo: Nobel, 1997. 143 p.
MARTINS, C. E., MOZZER, O. L., CÓSER, A. C. et al. Implanta-ção de pastagens de capim-elefante para produImplanta-ção de leite. Inf. Agropec., Belo Horizonte, v.19, n.192, p.22-27, 1998. MONTEIRO, F. A. Adubação para estabelecimento e
manuten-ção de capim-elefante. In: CARVALHO, M. M., ALVIM, M. J., XAVIER, D. F. et al. (eds.). Capim-elefante: produção e utili-zação. Coronel Pacheco, MG: EMBRAPA - CNPGL, 1994. p. 49-79.
MONTEIRO, F. A. Nutrição mineral para forrageira. Piracicaba, SP:ESALQ-USP, 1994. 35 p.
TOSI, P., MATTOS, W. R. S., TOSI, H., JOBIM, C. C., LAVEZZO, W. Avaliação do capim-elelfante (Pennisetum purpureum S-chum) cultivar Taiwan A-148, ensilado com diferentes técnicas de redução de umidade. Rev. Soc. Bras. Zootec., v.28, n.5, p.947-955. 1999.
VILELA, D. Sistemas de conservação de forragem. 1) Silagem. Coronel Pacheco:EMBRAPA-CNPGL. 1985. 42p.
VILELA, D. Utilização do capim-elefante na forma de forragem conservada. In: CARVALHO, M. M., ALVIM, M. J., XAVIER, D. F. et al. (eds.). Capim-elefante: produção e utilização. Coro-nel Pacheco, MG: EMBRAPA - CNPGL, 1994. p. 118-164.
1 Introdução... 05
2 Silagem Exclusiva de Capim-Elefante... 06
3 Aditivos na Ensilagem de Capim-Elefante... 15
4 Associação Capim-Elefante Soja ... 22