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Praça da Alfândega vai voltar no tempo

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Academic year: 2021

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Praça da Alfândega vai voltar

no tempo

Obra, com remoção de palmeiras, devolverá ao local característica de 1924.

A partir do final do ano, a Praça da Alfândega, no centro da Capital, será cercada por tapumes. A ideia é recompor o aspecto que o local tinha na segunda década do século passado. O primeiro passo será o transplante de 10 palmeiras no próximo final de semana.

Localizadas entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul, as árvores brotaram indevidamente naquele trecho, pois não integravam o projeto original. O trabalho de transplante levará dois dias e será feito por uma empresa especializada. Segundo o supervisor de Praças, Parques e Arborização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Luiz Alberto Carvalho Júnior, as palmeiras têm alta capacidade de adaptação a novo terreno. Apenas três delas terão uma mudança brusca de endereço, indo para a a Praça Brigadeiro Sampaio e para o canteiro central da Avenida João Pessoa. As demais serão remanejadas de área dentro da própria praça.

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palmeira, suas folhas e a raiz são embrulhadas – diz Carvalho. Uma vala é cavada ao redor de cada uma das plantas, para manter o máximo de terra junto à raiz. Após ser colocada em novo buraco, escoras a sustentam até que volte a ficar firme. A prefeitura tem interesse econômico de que nada saia errado. – A cada árvore que morra, a prefeitura terá de depositar R$ 20 mil no Fundo Municipal do Meio Ambiente – diz o supervisor. O trabalho é a preliminar do que o Programa Monumenta (programa do Ministério da Cultura de recuperação e preservação do patrimônio histórico) fará na praça. Depois da Feira do Livro, a área será fechada. Quando os tapumes forem levantados, o resultado será uma viagem no tempo. Entre as mudanças, está a remoção dos banheiros para uma das vias paralelas. A vegetação será podada, abrindo caminho para a luz natural.

– Vamos recuperar o projeto original da Praça da Alfândega, datado de 1924. Hoje, ela é escura, úmida e as flores não conseguem viver. Ficará mais iluminada – promete Luiz Merino Xavier, arquiteto da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural.

Quem cuida do que é nosso

Cada bairro da Capital abriga em suas ruas, casarios e edifícios um conjunto de registros do passado que revelam detalhes sobre os hábitos de antigos e recentes moradores. A preservação dos valores históricos e paisagísticos de cada um desses bens é garantido pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), que administra o patrimônio da cidade.

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Dentre as ações mais conhecidas para a proteção desse redutos, está o processo de tombamento, regido por lei. Os bens tombados representam a valorização de manifestações culturais e tradições de uma região, por isso, suas conservações são fiscalizadas pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural. Conheça algumas dessas riquezas históricas:

Os locais

Patrimônio verde

Conhecido pela arborização, o Moinhos tem preservada parte da sua cobertura vegetal, como a da Rua Marquês do Pombal. Graças ao tombamento, previsto no Código Estadual do Meio Ambiente (artigo 51), cada árvore é protegida, sob o risco de multa. Igreja Nossa Senhora da Conceição

Avenida Independência, em frente à Praça Dom Sebastião Tombamento: 29/11/2007

Proprietário ou responsável: prefeitura Cervejaria Brahma

Avenida Cristóvão Colombo, números 545, 691 e 695 Tombamento: 14/05/1999

Proprietário ou responsável: particular Casarios da Félix

Rua Félix da Cunha

Tombamento: as nove casas foram tombadas entre 1989 e 1996 Proprietário ou responsável: particular

Casa Boni

Rua Marquês do Pombal, 1.111 Tombamento: 27/08/2001

Proprietário ou responsável: particular Casa Torelly

Avenida Independência, 453 Tombamento: 15/12/2007

Proprietário ou responsável: prefeitura Casarão na Independência

Avenida Independência, 1.005 Tombamento: 26/12/1996

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Proprietário ou responsável: particular

Residência Multifamiliar Comendador Coruja, números 261, 275, 277, 285 e 295

Tombamento: 29/11/1993

Proprietário ou responsável: particular Casa Godoy

Avenida Independência, 456 Tombamento: 26/11/1996

Proprietário ou responsável: prefeitura de Porto Alegre Palacete H. Theo Möller

Rua Castro Alves, 162 Tombamento: 25/10/1994

Proprietário ou responsável: particular Tombado ou inventariado

– Além de tombadas, edificações podem ser classificadas como inventariadas. Conforme a SMC, são as que fazem parte de um processo de avaliação na forma de preservá-las. Dessa, resulta uma segunda classificação: há as de Estruturação, que preservam o perfil e a identidade do bairro, e as de Compatibilização, cujas mudanças devem ser compatíveis com os bens no entorno.

Como tombar um bem (Porto Alegre/RS)

– Se você tem interesse em tombar um bem, deve entrar em contato com Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) na segunda, na quarta ou na sexta-feira, das 9h ao meio-dia, pelo telefone 3219-2385.

– Quanto à proteção da cobertura vegetal, o contato deve ser com a Equipe de Fiscalização ao Ambiente Natural (Efan). Para reclamações de depredação dessas áreas, os telefones da Smam são: 3289-7541 e 3289-7542.

Os bens e o plano diretor

– Para parte da comunidade, a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA) vai de encontro às tentativas de preservação. Isso porque o projeto do Executivo Municipal prevê a liberação de áreas especiais para a

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construção de grandes edifícios. A verticalização do bairro afetaria ruas já tombadas, como Fernando Gomes, Luciana de Abreu e Dinarte Ribeiro.

O

exemplo

da

Benjamin

Constant

Texto enviado por Osorio Queiroz Jr., arquiteto urbanista, mestre e doutorando em Planejamento Urbano e Regional ao jornal Zero Hora.

“O Inventário do Patrimônio Cultural do Quarto Distrito (abrangendo Floresta, São Geraldo e Navegantes) foi concluído em 2003 e, recentemente, divulgado. Na listagem de bens, imóveis foram agrupados em estruturação e compatibilização, segundo critérios da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) da Secretaria Municipal da Cultura.

De acordo com a equipe, os critérios estão em conformidade com as especificidades do Quarto Distrito. Isso significa que a valoração atribuída a cada uma das diferentes instâncias (cultural, morfológica e paisagística) teve, aqui, pesos diferentes de outros bairros de Porto Alegre. Ou seja, um imóvel no Moinhos pode ser considerado de valor cultural inexpressivo e ser condenado à demolição por estar localizado ‘erradamente’ na cidade, segundo a avaliação oficial adotada. Este distanciamento crítico, sem a consulta e o aval da população, pode gerar sérias distorções e equivocos na seleção dos bens inventariados.

O Quarto Distrito apresenta, como seu principal atributo histórico e cultural, a função de ter abrigado as primeiras e

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principais fábricas e oficinas industriais, constituindo-se, desde o século 19, no eixo de ligação da cidade com a região colonial, consolidando o acesso ferroviário pelo eixo do Caminho Novo ou Voluntários da Pátria.

Sempre com essa função, a região teve etapas de ocupação que ainda podem ser observadas pelo patrimônio existente e pelas práticas e manifestações sociais e culturais da população local. Mas preservar o histórico industrial não significa inviabilizar intervenções contemporâneas. Valorizar a natureza fabril da região como um processo histórico que deixou registros é um desafio maior na escala urbanística do que na preservação de unidades isoladas.

O Quarto Distrito deve ser objeto, em primeiro lugar, de uma proposta de revitalização urbana e qualificação ambiental que contemple a valorização e a preservação de determinados elementos, mas que possibilite a sua sustentabilidade econômica e social. Que se tenha em vista as potencialidades de hoje, como a expressiva rede hoteleira e de restaurantes, e uma interação maior com a orla do Guaíba e com os eixos de ligação com a Região Metropolitana.

Esse projeto de revitalização deve partir de uma reavaliação criteriosa do inventário, com a participação de setores da sociedade civil e, acima de tudo, sob novas perspectivas de desenvolvimento urbano. A iniciativa da Associação Benjamin Constant de reivindicar uma participação na reavaliação pode contribuir para que a utilização desse procedimento se constitua num instrumento de gestão urbana, capaz de fornecer elementos para a formulação de políticas públicas de revitalização de espaços estagnados. O conceito de patrimônio cultural é rediscutido em todo o mundo e deve integrar-se, aos poucos, ao desenvolvimento sustentável.

A concepção tradicional de inventariar bens e catologar objetos em gabinete, de forma dissociada do processo de transformação da cidade, está fadada ao fracasso. Está de

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parabéns, portanto, a associação, e que outras entidades se espelhem nessa iniciativa, pois estamos num ano de revisão do Plano Diretor da cidade.”

Referências

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