UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA CENTRO DE LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE MESTRADO EM HISTÓRIA SOCIAL
Disciplina: Literatura e Historiografia no Brasil OitocentistaCarga Horária: 60 horas Créditos: 4
Linha de Pesquisa: Cultura, Representações e Religiosidades Docente: Prof.ª : Dr.ª Célia Regina da Silveira
Ano Letivo: 2010
Ementa - Estudar a inter-relação entre política, literatura e historiografia na construção de
representações da nacionalidade brasileira no século XIX.
Objetivo Geral
O curso visa apresentar a produção historiográfica sobre o século XIX, privilegiando a articulação entre política e cultura na construção do imaginário nacional.
Objetivos específicos
1) Fornecer subsídios teórico-metodológicos para a discussão da formação da identidade nacional.
2) Mostrar o entrelaçamento entre a narrativa literária e historiográfica na elaboração de um passado e história nacionais.
3) Proporcionar instrumental analítico acerca do universo letrado brasileiro na interface entre política, letras e imprensa.
4) Inserir a literatura no campo social de produção.
Conteúdo programático (Bibliografia básica) – 15 encontros (60 h) Bloco I - A “Fundação da Nação” – literatura e historiografia
1. Letras, política e nacionalidade
16/03/10
RICUPERO, Bernardo. “A independência Literária”. In: O romantismo e a idéia de
Nação no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004, pp. 85-111.
___________________. “No passado as bases da Nação”. In: (idem, pp. 113-151) 23/03/10
__________________. “O indianismo como mito nacional”. (idem), pp. 153-178.
ALONSO, Angela. Epílogo do Romantismo. Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro. Vol. 39, n.1, 1996, pp. 139-162.
30/03/10
PUNTONI, Pedro. "O Sr. Varnhagem e o patriotismo caboclo". In: JANCSÓ, István (org.).
Brasil: Formação do Estado e da Nação. São Paulo: Hucitec; Ed. Unijuí; Fapesp, 2003,
pp. 633-675.
1.1 - Martius e a escrita da história do Brasil
06/04/10
MARTIUS, C. F. Ph. Von. “Como se deve escrever a história do Brasil”. Rio de Janeiro,
Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1953, pp. 187-205.
GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. “A disputa pelo passado a cultura histórica oitocentista no Brasil”. In: CARVALHO, J. M. de (org.). Nação e Cidadania no Império:
novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, pp. 93-122.
13/04/10
CEZAR, Temístocles. “Como deveria ser escrita a história do Brasil no século XIX. Ensaio de história intelectual”. In: PESAVENTO, Sandra. Porto Alegre. Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003, pp. 173-208.
2. Literatura e historiografia: subjetivações, sociabilidades e atuações 20/04/10
NAXARA, Márcia Regina. “Domínio da palavra/Domínio da cidade. In: Cientificismo e
sensibilidade romântica. Brasília: Ed. UNB, 2004, pp.83-138.
27/04/10
FERREIRA, Antonio Celso. “O pequeno mundo letrado da Província: figurações da identidade regional em fins do século XIX”. In: A epopéia bandeirante: letrados,
instituições, invenção histórica (1870-1940). São Paulo: Editora UNESP, 2002, pp. 29-92. Bloco II – O universo de produção e recepção literária
1. Imprensa, crítica, leitores e editoras
04/05/10
MEYER, Marlyse. “O romance-folhetim atravessa os mares”. In: Folhetim: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, pp. 279-318.
_______________. “Folhetim olé! folhetim bel-canto. In: (idem), pp. 319-358. 11/05/10
NASCIMENTO, José Leonardo. O primo Basílio na imprensa do século XIX: estética e
18/05/10
EL FAR, Alessandra. Páginas de sensação – Literatura popular e pornográfica no Rio
de Janeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. (capítulos a selecionar)
25/05/10
FERREIRA, Tânia Maria Bessone da Cruz. “Os Livros na imprensa: as resenhas e a divulgação do conhecimento no Brasil na segunda metade do século XIX.” In: CARVALHO, J. M. (org.). Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, pp. 185-204.
1. Crítica, história e polêmicas
01/06/10
VENTURA, Roberto. Estilo Tropical: História cultural e polêmicas literárias no Brasil
(1870-1914). São Paulo: Companhia das Letras, 1991. (capítulos 1 a 4, da parte II, pp.
71-120) 08/06/10
VENTURA, Roberto. (idem), (capítulos 5 a 7, da parte II, pp. 121-168) 15/06/10
LAJOLO, Marisa. “Regionalismo e história da literatura: “Quem é o vilão da história?”. In: FREITAS, M. C. (org.). Historiografia Brasileira em Perspectiva. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1998, pp. 297-327.
IV – Avaliações
- 1 (um) seminário, com peso 10 (dez).
- 1 (um) trabalho individual, com peso 10 (dez).
OBS.: O trabalho deverá ser redigido em formato Times New Roman (12), espaço 1,5 com o texto justificado, indicando: o nome do aluno, do curso e da professora que o ministrou. (mínimo de sete páginas e máximo de quinze).
Neste texto deverão ser abordados pelo menos três (03) autores discutidos durante o curso e, se possível, inserindo-os nos temas trabalhados por vocês nas suas dissertações ou projetos em andamento.
Ainda deve obedecer a seguinte ordem:
Introdução: deve apresentar os autores e as questões que serão discutidas no trabalho
Desenvolvimento: deve conter a discussão proposta na introdução que deverá ser realizada
de forma articulada e coerente.
Conclusão, Considerações Finais, ou ainda (In) conclusões:
deve finalizar o texto, apontar dúvidas, ou encaminhamentos para o futuro.
V – Critérios de avaliação
- Leitura prévia dos textos e participação nas discussões.
- Serão levados em conta a coerência na sistematização do texto (introdução,
desenvolvimento e conclusão), o domínio conceitual, a noção de historicidade e a articulação das idéias.
VI – Bibliografia Geral:
1. Livros, Artigos e Teses
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. "Vida Privada e ordem privada no Império" In: NOVAIS, Fernando (coord.) História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1997, v.2.
ALONSO, Angela. Idéias em Movimento: a geração de 1870 e a crise do Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
______. Epílogo do Romantismo. Dados, Rio de Janeiro: Iuperg, v. 39, n.1, 1996.
BERBEL, Márcia. A nação como artefato. Deputados do Brasil nas cortes portuguesas. 1821/1822. São Paulo: FAPESP/Hucitec, 1999.
BOSI, Alfredo. "A escravidão entre dois liberalismos". In: Dialética da Colonização. 4.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem/ Teatro de Sombras. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2003.
______. Rui Barbosa e a Razão Clientelista. Dados, Rio de Janeiro: Iuperg, v. 43, n. 1, 2000.
CHALHOUB, Sidney. Visões da Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. ______. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravidão no Brasil. MEC/Civilização Brasileira, 1975.
COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia a República: momentos decisivos. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, 1979.
______. "Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil". In: MOTA, C. G. (org.).
Brasil em Perspectiva. São Paulo: Diel, 1977.
COSTA, Wilma. A Espada de Dâmocles. O Exército, a Guerra do Paraguai e a crise do Império. São Paulo: Hucitec/Unicamp, 1996.
DIAS, Maria Odila Leite. "A interiorização da Metrópole, 1808-1853". In: MOTA, Carlos Guilherme. 1822: Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1986.
______. "Sociabilidades sem história: votantes pobres do Império". In: FREITAS, M. C. de. Historiografia Brasileira em Perspectiva. São Paulo: Contexto, 1999.
DOLHNIKOFF, Miriam. O pacto federal: origens do federalismo no Brasil. São Paulo, Globo, 2005.
ENDERS, Armelle. O plutarco brasileiro: a produção dos vultos nacionais no II Reinado.
Estudos Históricos, 25. Rio de Janeiro, 2001.
FERNANDES, Paula Porta. Elites dirigentes e o projeto nacional: a formação de um corpo de funcionários do Estado Imperial. Tese Doutorado, História Social/USP, São Paulo, 2000.
FERREIRA, Antonio Celso. A epopéia paulista: letrados, instituições, invenção histórica (1870-1940). São Paulo: Editora UNESP, 2002.
FERREIRA, Gabriela Nunes. Centralização e descentralização no Império: o debate entre Tavares Bastos e visconde de Uruguai. São Paulo: Editora 34, 1999.
FLORENTINO, Manolo e GOES, José Roberto. A Paz nas Senzalas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1987.
FRAGOSO, João. Homens de Grossa Aventura - Acumulação e Hierarquia na Praça do Rio de Janeiro, 1790-1830. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
GRINBERG, Keila. O Fiador dos brasileiros: escravidão, cidadania e direito civil no tempo de Antonio Pereira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
GUIMARÃES, Manoel. Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional. Estudos Históricos, 1, Rio de Janeiro, 1988.
HOLANDA, Sérgio Buarque. História Geral da Civilização Brasileira. Tomo II (vols. 3,4,5,6,7). Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2003/2004/2005.
JANCSO, Istvan e PIMENTA, João P. Peças de um Mosaico ou apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional Brasileira". Revista História das Idéias, vol 21, Fac. Letras, Coimbra, 2000, 389-439.
KARASH, Mary. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo: Cia das Letras, 2000.
LARA, Silvia. Campos da violência. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
LEITE, Renato. Republicanos e libertários: pensadores radicais no Rio de Janeiro (1822). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
MACHADO, M.H. Um mitógrafo no Império: a construção dos mitos na história nacionalista do século XIX. Estudos Históricos, 25, Rio de Janeiro, 63-82.
MALERBA, Jurandir. A corte no exílio. São Paulo: Cia das Letras, 2000.
MARSON, Izabel. "Hannah Arendt e a Revolução. Ressonâncias da Revolução americana no Império do Brasil". In: MAGALHÃES, M. B. et alli (orgs). A Banalização da
Violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004, 227-243.
MATTOS, Ilmar Rohloff. O tempo saquarema: a formação do Estado Imperial. São Paulo: Hucitec, 1990.
MATTOSO, Kátia. Ser escravo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1988.
MENDONÇA, Joseli M. N. Entre a mão e os anéis: a lei dos sexagenários e os caminhos da abolição no Brasil. Campinas: Ed. Unicamp, 1999.
MELLO, Evaldo Cabral de. A outra independência. São Paulo: Ed. 34, 2004.
NAXARA, Márcia Regina. Cientificismo e sensibilidade romântica. Brasília: Ed. UNB, 2004.
NOVAIS, Fernando. "As dimensões da Independência". In: MOTA, C. G. 1822:
Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1986.
OLIVEIRA, Cecília Helena Salles. "Política, memória histórica: Gonçalves Ledo e a questão da independência". In: BRESCIANI, M. S. et all (orgs.). Jogos da Política:
imagens, representações e práticas. ANPUH/Marco Zeroi, São Paulo, 1982, 153-169.
PENA, Eduardo Spiller. Pajens da casa imperial: Jurisconsultos, escravidão e a lei de 1871. Campinas: ed. Unicamp, 2001.
PUNTONI, Pedro. O sr. Varnhagen e o patriotismo caboclo. São Paulo: Hucitec, 2004. REIS, João José. Rebelião Escrava no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1986.
RICUPERO, Bernardo. O romantismo e a idéia de Nação no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SALLES, Ricardo Henrique. A nostalgia imperial: a construção da identidade nacional no Brasil do segundo reinado. Rio de Janeiro, Topbooks, 1996.
SCHWARCZ, Lilia M. As Barbas do imperador. São Paulo: Cia das Letras, 1989.
______. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Cia das Letras, 1993.
SCWHARZ, Roberto. "As idéias fora do lugar". In: Ao vencedor as batatas. São Paulo: Ed. 34/Duas Cidades, 2002.
SILVEIRA, Célia Regina da. Erudição e Ciência: as procelas de Júlio Ribeiro (1845-1890). São Paulo: Editora UNESP, 2008.
SOUZA, Iara Lis. A Pátria coroada: o Brasil como corpo político autônomo. São Paulo: UNESP, 1999.
SQUEFF, Letícia Coelho. O Brasil nas letras de um pintor: Manuel de Araújo Porto Alegre. Campinas: Ed. Unicamp, 1995.
URICOECHEA, Fernando. O minotauro imperial: a burocratização do Estado Patrimonial brasileiro no século XIX. São Paulo: Difel, 1978.
VENTURA, Roberto. Estilo Tropical: históira cultural e polêmicas literárias no Brasil. São Paulo: Cia da Letras, 1991.
VILLALTA, Luís Carlos. Pernambuco 1817: encruzilhada de desencontros do Império Luso-Brasileiro - notas sobre a idéia de pátria, país e nação. Revista USP, São Paulo, 58, p. 58-91. Junho-ag 2003.
WEBER, João Hernesto. A Nação e o paraíso: a construção da nacionalidade na historiografia literária brasileira. Florianópolis: Editora UFSC, 1997.
2. Ensaios clássicos
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte: Ed. Itatitiaia, 1981.
COSTA, Emília Viotti da. Da Senzala à Colônia. São Paulo: Brasiliense, 1987.
FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. Vols.1,2. 10.ed. São Paulo: Globo; Publifolha, 2000 (1959)
FRANCO, Maria Silvia Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata. 4.ed. São Paulo: UNESP, 1997.
NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. São Paulo, Publifolha, 2000 (1883) FREYRE, Gilberto. Sobrados e mocambos. Rio de Janeiro: ed. Record (1936)
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26.ed. São Paulo: Cia das Letras, 1995 (1936).
NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. São Paulo, Publifolha, 2000 (1883) PRADO Jr., Caio. Evolução Política do Brasil. São Paulo: Brasiliense (1933).
Londrina, março de 2010 Prof.ª : Dr.ª Célia Regina da Silveira