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Fluxo sazonal de preços e quantidade de cebola comercializada nos

Ceasas de Minas Gerais, de 1995 a 2010

Franciele Morlin Carneiro1; Karoline Maso dos Reis1; Hamilton César de Oliveira Charlo1

1

Instituto Federal do Triângulo Mineiro - IFTM, Campus Uberaba. Rua João Batista Ribeiro, 4000,

38064-790, Uberaba - MG, [email protected], [email protected],

[email protected]

RESUMO

Este trabalho teve o objetivo de avaliar o fluxo sazonal de preços e quantidade de cebola comercializada, nas seis unidades do Ceasa de Minas Gerais, no período de 1995 a 2010. Para a realização deste trabalho foram amostrados dados dos seis Ceasas de Minas Gerais: Belo Horizonte (CEAMG), Juiz de Fora (CEARM), Caratinga (CECAT), Uberlândia (CEART), Governador Valadares (CEARD) e Barbacena (CEARB). Os dados foram levantados mensalmente, no período de 1995 a 2010. Os preços foram deflacionados pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) para a base de janeiro de 2011. Verificou-se que os preços mais elevados ocorrem nos meses de março a maio. Enquanto os menores preços ocorrem entre os meses de junho a novembro, sendo a unidade de Belo Horizonte a que comercializa a maior quantidade de cebola (81%) no estado de Minas Gerais. De acordo com os resultados apresentados, sugere-se

aos produtores brasileiros investir em novas técnicas de cultivo de cebola para ofertar o produto no mercado no período de março a maio.

PALAVRAS-CHAVE: Allium cepa,

oferta, preços.

ABSTRACT

Seasonal flow prices and amount of onions sold in Ceasas of Minas Gerais, from 1995 to 2010

This study aimed to evaluate the seasonal flow of prices and amount of onions sold in the six units of Ceasa Minas Gerais in the period 1995 to 2010. For this study data were sampled from six unites of Ceasas of Minas Gerais: Belo Horizonte (CEAMG), Juiz de Fora (CEARM), Caratinga (CECAT), Uberlândia (CEART) Governador Valadares (Ceard) and Barbacena (CEARB). The data were collected monthly in the period 1995 to 2010. Prices were deflated by the IGP-DI (General Price Index - Internal Availability) for the base in January 2011. The highest prices occur from

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march to may, while lower prices occur from june to november. Belo Horizonte is the unit that sells the largest amount of onion (81%) in the state of Minas Gerais. According to the results

presented, Brazilian producers should invest in new techniques of cultivation of onion to offer the product to market in the period from march to may.

Keywords: Allium cepa, offer, prices.

INTRODUÇÃO

A cebola (Allium cepa L.) é uma das plantas cultivadas de mais ampla difusão no mundo, sendo a segunda hortaliça em importância econômica, com valor da produção estimado em cerca de US$ 6 bilhões anuais. A produção mundial apresentou aumento de cerca de 25% na última década, o que coloca a cebola como uma das três hortaliças mais importantes ao lado do tomate e da batata (BOITEUX; MELO, 2004).

A cebola pertence à família Alliaceae que abrange, como por exemplo, alho, alho-porró e cebolinha. Possuindo características que suas flores estão dispostas em umbela. No Brasil, a cebola era cultivada de início, somente no sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Aos poucos, foi interessando a outras regiões, sendo, cultivada em maior ou menor escala desde Pernambuco até o estremo sul do país (MURAYAMA, 1975).

De acordo com Filgueira (2008), a cebola é uma planta tenra, atinge 60 cm de altura e apresenta folhas tubulares, cerosas. O caule verdadeiro é um disco comprimido, na base da planta, de onde partem folhas e raízes. As bainhas foliares formam um pseudocaule, cuja parte inferior é um bulbo. As raízes crescem no sentido vertical, concentrando-se em um cilindro de 60 cm de altura por 25 cm de diâmetro, aproximadamente.

As flores estão reunidas em uma inflorescência tipo umbela simples na ponta do escapo floral. São hermafroditas, predominando polinização cruzada. O fruto é uma cápsula contendo seis sementes de coloração negra (FILGUEIRA, 2008).

A cebola é planta tipicamente bienal, com ciclo biológico completo, compondo-se de duas etapas: a vegetativa (desenvolvimento e amadurecimento de bulbos) e a reprodutiva. No Brasil, é uma das raras culturas oleráceas nas quais o fotoperíodo pode torna-se o fator limitante (FILGUEIRA, 2008).

Segundo Filgueira (2008) o desempenho da cultura é condicionado pela adaptação da cultivar as condições agroecológicas e agrotecnológicas vigentes. Conforme a duração

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reunidas em três grupos: precoces (ciclo curto, duração de 4 à 5 meses, da semeadura à colheita; medianas (duração do ciclo é de 5 à 6 meses) e tardias (ciclo mais longo de 6 à 8 meses).

A comercialização da cebola no atacado se dá em sacos de aniagem ou de nylon de 20 kg. No varejo, o produto é normalmente exposto à granel. Supermercados de regiões mais nobres estão iniciando a prática de embalar 6 a 8 bulbos, de tamanho e coloração uniformes, em bandejas de poliestireno envoltas com filme de PVC, agregando informações como procedência, nome da cultivar, composição nutricional e, em alguns casos, até receitas (MORETTI, 2004).

O tamanho, cor e formato do bulbo são variáveis e dependentes de fatores genéticos, climáticos e edáficos, dentre outros. Cebolas de alta qualidade devem possuir bulbos firmes e catáfilos compactos. Os bulbos devem ser livres de danos mecânicos, danos causados por insetos ou doenças, desordens fisiológicas como aspecto aguado, esverdeamento dos catáfilos externos, brotamento, “pescoço de garrafa” (cebolas com engrossamento anormal do pescoço e bulbos pouco desenvolvidos), dentre outros (MORETTI, 2004).

Segundo Lana et al. (2011), os melhores meses para se comprar cebola: janeiro, fevereiro, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, quando os preços estão baixos.

Informações sobre o fluxo sazonal de preços podem auxiliar produtores, mostrando os melhores meses para o investimento em tecnologia de produção, para se obter melhores preços do produto comercializado no mercado.

Diante do exposto, este trabalho teve o objetivo de avaliar o fluxo sazonal de preços e quantidade de cebola comercializada, nas seis unidades do Ceasa de Minas Gerais, no período de 1995 a 2010.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização deste trabalho foram compilados dados dos seis Ceasas de Minas Gerais: Belo Horizonte (CEAMG), Juiz de Fora (CEARM), Caratinga (CECAT), Uberlândia (CEART), Governador Valadares (CEARD) e Barbacena (CEARB). Os dados foram levantados mensalmente, no período de 1995 a 2010, exceto os dados de Barbacena os quais foram computados durante o período de 2007 a 2010. Os preços

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foram deflacionados pelo IGP-DI (Índice Geral de Preço -Disponibilidade Interna) para a base de janeiro de 2011.

Avaliou-se a porcentagem de cebola comercializada em cada uma das unidades do Ceasa de Minas Gerais, bem como o fluxo sazonal de preços e quantidades comercializadas no período de 1995 a 2010, e a sazonalidade média de preços e quantidade média comercializada mensalmente nas seis unidades do Ceasa – Minas dos últimos 15 anos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As duas unidades que comercializam as maiores quantidades de cebola são: Belo Horizonte (81%) e Governador Valadares (12%), que juntas retêm 93% do produto comercializado nas centrais de abastecimento de Minas Gerais, enquanto as demais unidades do Ceasa - Minas retêm apenas 7% (Figura1). Belo Horizonte é a capital do Estado e boa parte da população do estado encontra-se na capital e/ou em cidades circunvizinhas, o que justifica a grande quantidade de cebola comercializada nesta unidade.

Na figura 2, verifica-se que há um aumento da quantidade média de cebola comercializada nos meses de março, abril, maio e junho, sendo que o melhor período para o produtor ofertar produto no mercado é de março a maio, pois o preço médio do produto comercializado encontra-se mais alto. Já entre os meses de junho a novembro - embora ocorram pequenas variações nos preços- estes são menores que no período de março a junho. Isto demonstra, que no caso da cebola, nem sempre menor quantidade de produto no mercado é garantia de maiores preços. Este fato vai contra o equilíbrio da lei de oferta e preços, porém pode ser explicado pela entrada de produto estrangeiro no mercado, principalmente o argentino, que pelo custo da importação faz com que os preços se elevem no período de março a maio (período posterior ao verão, com grandes dificuldades de produção nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil).

Na figura 3 observa-se que no período de 16 anos (1995 a 2010), não houve um aumento significativo do preço médio, mostrando que o produto comercializado tem seu IGP-DI estável, desde 2009. Observa-se também que as quantidades de cebola comercializada em Minas Gerais estão crescendo no período avaliado, o que provavelmente tem influenciado para o não aumento dos preços do produto. No período

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unidades do CEASA Minas, o que certamente contribui para a diferença no preço médio da cebola 60,87 % menor no ano de 2010 em relação a 1995.

Diante deste cenário de aumento da quantidade ofertada e queda do preço de comercialização, pode-se inferir que produtores de cebola têm enfrentado grandes dificuldades para se manter na atividade, visto que o preço pago pelo produto tem diminuído e/ou se mantido, enquanto o preço pago pelos insumos agrícolas têm se elevado. De acordo com os resultados apresentados, sugere-se aos produtores brasileiros investir em novas técnicas de cultivo de cebola para ofertar o produto no mercado no período de março a maio.

REFERÊNCIAS

BOITEUX LS; MELO PCT de. 2004. Sistema de Produção de Cebola (Allium cepa L). Disponível em http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/cebola/index.htm. Acessado em 30 de abril de 2011.

FILGUEIRA FAR. 2008. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3. ed. Viçosa: UFV. 255-261p.

LANA MM; MELO MF de; TAVARES SA; SANTOS FF dos; LUENGO R de FA; MATOS MJLF. Embrapa Hortaliças: cebola. Disponível em http://www.cnph.embrapa.br/paginas/dicas_ao_consumidor/cebola.htm. Acessado em 19 de abril de 2011.

MORETTI CL. 2004. Embrapa Hortaliças: sistema de produção de cebola (Allium

cepa, L). Disponível em

http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/cebola/colheita_e_pos.htm. Acessado em 19 de abril de 2011.

MURAYAMA S. 1975. Horticultura. 2. ed. Campinas: Instituto de Ensino Agrícola. 213-232p.

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81% 4%

12% 1%

2% 0%

Belo Horizonte Juiz de Fora Govenador Valadares Caratinga Barbacena

Figura 1. Análise feita no período de 1995 a 2010, com as quantidades totais (Kg) de

cebola em cada Ceasa de Minas Gerais.

Ceasas-MG, 1995 a 2010 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 Jane iro Feve reiro Mar ço Abr il Mai o Junh o Julh o Ago sto Set embr o Out ubro Nov embr o Dez embr o P re ç os m é di os e m K g 1000000 1050000 1100000 1150000 1200000 1250000 1300000 Q ua nt ida de s e m K g

IGP-DI Quantidade média (kg)

Figura 2. Variação sazonal de preços e volume comercializados de cebola nos

Ceasas-MG, média mensal, no período de 1995 a 2010. Valores deflacionados pelo IGP-DI para base de janeiro de 2011. 0 10000000 20000000 30000000 40000000 50000000 60000000 70000000 80000000 90000000 100000000 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Q ua nt ida de e m K g 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 P re ç o m é di o e m K g Quantidade em Kg IGP-DI

Figura 3. Variação sazonal de preços e volume comercializados de cebola nos

Ceasas-MG entre os anos de 1995 a 2007. Valores deflacionados pelo IGP-DI para base de janeiro de 2011.

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