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“
MODELAGEM MATEMÁTICA DE SISTEMAS DINÂMICOS
”
4.1- INTRODUÇÃO
Inicialmente é necessário que se defina o que é sistema, sistema dinâmico e sistema estático. Um SISTEMA é uma combinação de componentes que atuam em conjunto para satisfazer um objetivo especificado. O sistema é dito ESTÁTICO, quando a saída atual do sistema depende somente da entra-da atual. A saíentra-da do sistema só varia se a sua entraentra-da variar.
O sistema é dito DINÂMICO, se a sua saída depende da entrada e dos valores passados da
entrada. Num sistema dinâmico a saída varia se ela não estiver num ponto de equilíbrio, mesmo que nenhuma entrada esteja sendo aplicada.
O modelo matemático de um sistema dinâmico é definido como sendo o conjunto de equa-ções que representam a dinâmica do sistema com uma certa precisão. O modelo matemático de um dado sistema não é único, isto é, um sistema pode ser representado por diferentes modelos depen-dendo da análise que se deseja fazer.
Na obtenção do modelo matemático para um dado sistema deve-se ter um compromisso en-tre a simplicidade do modelo e a sua precisão. Nenhum modelo matemático, por mais preciso que seja, consegue representar completamente um sistema.
Em geral deve-se obter um modelo matemático, que seja adequado para solucionar o pro-blema específico que esta em análise. Porém, é importante ressaltar que os resultados obtidos desta análise serão válidos somente para os casos em que o modelo é válido.
Quando vamos obter um modelo simplificado de um sistema, geralmente ignoramos algumas propriedades físicas deste sistema. Se os efeitos que estas propriedades causam na resposta do siste-ma são pequenos, então usiste-ma boa semelhança entre os resultados da análise siste-matemática e os resulta-dos práticos do sistema é obtido.
Em geral os sistemas dinâmicos são não lineares. Porém, os procedimentos matemáticos para a obtenção de solução de modelos lineares são muito complicados. Por isto, geralmente substituí-se o modelo não linear por um modelo linear, com validade somente em uma região limitada de opera-ção, ou para um ponto de operação.
A obtenção dos modelos que representam um dado sistema, são baseados nas leis que regem aquele sistema. Por exemplo, na modelagem de um sistema mecânico, deve-se ter em mente as leis de Newton; na modelagem de sistemas elétricos deve-se ter em mente as leis das correntes e das tensões de Kirchoff; na modelagem de sistemas térmicos deve-se ter mente as leis que regem os fe-nômenos térmicos, isto é, condução, radiação e convenção, etc...
Neste capítulo, nos preocupamos com a modelagem de sistemas mecânicos de translação e rotação e sistemas eletromecânicos. A modelagem de outros sistemas físicos, tais como, sistemas térmicos e sistemas hidráulicos não serão objeto de análise.
4.2- MODELAGEM MATEMÁTICA DE SISTEMAS MECÂNICOS
Os sistemas mecânicos são divididos em dois grupos, isto é, sistemas mecânicos de transla-ção, e sistemas mecânicos de rotação. A seguir, alguns conceitos importantes relativos a sistemas mecânicos, serão revisados.
- Massa
A massa de um corpo, é a quantidade de matéria deste corpo, a qual é constante. Fisicamen-te, a massa de um corpo é responsável pela inércia do mesmo, isto é, a resistência à mudança de mo-vimento de um corpo. O peso de um corpo, é a força com a qual a terra exerce atração deste corpo.
m g = ω Onde: m é massa (Kg) ω é o peso (Kgf) g é a aceleração da gravidade (≈ 9,81 m/s2)
Embora o peso de um corpo possa variar de um ponto para outro, a massa do mesmo não varia.
- Força
A força é definida como a causa que tende a produzir uma mudança na posição de um corpo,
no qual a força está atuando. As forças, podem ser classificadas de duas formas, FORÇAS DE
CONTATO e FORÇAS DE CAMPO. As forças de contato são aquelas que tem um contato direto com o corpo, enquanto as forças de campo não apresentam contato direto com o corpo, como por exem-plo, força magnética e força gravitacional.
- Torque
O torque, é definido como qualquer causa que tende a produzir uma mudança na posição angular (rotacional) de um corpo, no qual o torque esteja atuando.
- Deslocamento, Velocidade e Aceleração
O deslocamentoχ( )t é a troca de posição de um ponto, tomado como referência, para outro. A velocidade é a derivada temporal do deslocamentoχ( )t .
ϑ( )t dχ( )t χ ( )
dt t
= =
A aceleração é a derivada temporal da velocidade:
a t d t dt d t dt t t t ( )= ϑ( ) = χ( ) ∴ ( )=ϑ ( ) ( )=χ 2 2 a
- Deslocamento Angular, Velocidade Angular e Aceleração Angular
O deslocamento angular “θ(t)”, é definido como a troca de posição angular, sobre um eixo, de um ângulo tomado como referência e outro. É medido em radianos. A direção anti-horário é to-mada como positiva.
A velocidade angular “ω(t)”, é a derivada temporal do deslocamento angular “θ(t)”.
ω( )t d tθ( ) θ( )
dt t
= =
A aceleração angular “α(t)”, é a derivada temporal da velocidade angular “ω”.
α( )t dω( )t θ( ) α( ) ω ( ) ( )θ
dt
d t
dt t t t
Obs:
Se a velocidade ou a velocidade angular é medida em relação a uma referência fixa, então chamamos de velocidade absoluta ou velocidade angular absoluta. Caso contrário serão grandezas relativas. O mesmo é válido para a aceleração.
LEIS DE NEWTON
Das três leis que foram formuladas por Newton, a segunda lei é a mais importante, para a obtenção de modelos matemáticos de sistemas mecânicos.
- Segunda lei de Newton (Translação)
“A aceleração adquirida por de qualquer corpo rígido é diretamente proporcional as forças que atuam neste corpo, e inversamente proporcional a massa deste corpo”.
- Segunda lei de Newton (Rotação)
“A aceleração angular de qualquer corpo rígido é diretamente proporcional aos torques que atuam neste corpo, e inversamente proporcional ao momento de inércia deste corpo”.
Onde: J → Momento de inércia;
4.2.1- SISTEMAS MECÂNICOS DE TRANSLAÇÃO
Nos sistemas mecânicos de translação, há três elementos mecânicos envolvidos que são: ele-mento de inércia, eleele-mento de amorteciele-mento, eleele-mento de elasticidade.
- Elemento de Inércia (Massa)
M → massa;
f(t) → força aplicada;
χ(t) → deslocamento.
É assumido que a massa é rígida. Desta forma a conexão superior, não deve se mover em relação a conexão inferior, isto é, ambas conexões se deslocam segundoχ(t).
f t M a t md t dt M d t dt ( )= . ( )= ϑ( ) = χ( ) 2 2 Onde:
a(t) → aceleração; ϑ(t) → velocidade; χ(t)→ deslocamento.
Σ
forças = m.a- Elemento de Amortecimento (Amortecedor)
No caso deste elemento existe um deslocamento relativo entre o ponto de conexão superior e o ponto de conexão inferior. Portanto, existe a necessidade de duas variáveis deslocamento para descrever este elemento. A realização física deste elemento é a fricção viscosa associa-da ao óleo ou ar. Força de Amortecimento f t B d t dt d t dt ( )= ( )− ( ) χ1 χ2 f(t) = B(ϑ1(t)- ϑ2(t)) B → Coeficiente de amortecimento;
ϑ1(t) → Velocidade relativa ao deslocamento χ1( )t
ϑ2(t) → Velocidade relativa ao deslocamento χ2( )t . - Elemento de Elasticidade (Mola)
Este elemento, pode ser deformado por uma força externa, tal que a deformação é diretamente proporcional a esta força.
f t( )=K
(
χ1( )t −χ2( )t)
Força de elasticidadeUma vez que os elementos mecânicos dos movimentos de translação estão definidos, as equações de sistemas mecânicos de translação podem ser escritas seguindo as leis de Newton.
Ex1:
Neste sistema, três forças exercem influências sobre a massa M: força aplicada f(t), a força de amortecimento e a força de elasticidade.
A função de transferência , pode ser obtida, considerando-se a força aplicada como entrada e o deslocamento χ( )t como saída.
F(s) = MS2X(s) + BSX(s) + KX(s) Md t dt f t B d t dt K t 2 2 χ( ) χ χ ( ) ( ) ( ) = − − X s F s G s MS BS K M S B MS K M ( ) ( ) = ( )= + + = + + 1 1 2 2
Ex2:
Este sistema mecânico, é o modelo simplificado de um sistema de suspensão de uma das rodas de um automó-vel, onde:
M1→ Massa do automóvel;
M2→ Massa do roda;
K1 → Cte de elasticidade (mola);
K2 → Cte de elasticidade (pneu);
B → Cte de amortecimento (amortecedores).
Se observarmos a figura, existem 2 deslocamentos independentes χ1( )t e χ2( )t . Isto significa
que, conhecer o deslocamento χ1( )t não implica em conhecer o deslocamento χ2( )t . Portanto
deve-se escrever 2 equações.
(
)
M d t dt K t t B d t dt d t dt 1 2 1 2 1 1 2 1 2 χ χ χ χ χ ( ) ( ) ( ) . ( ) . ( ) = − − − − “1”(
)
M d t dt f t K t t B d t dt d t dt K t 2 2 2 2 1 2 1 2 1 2 2 χ χ χ χ χ χ ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) = − − − − − “2”Supondo que deseja-se obter a função de transferência entre a força aplicada f(t) e o deslo-camento do carro χ1( )t .
M1S2X1(s) = - K1(X1(s) - X2(s)) - B(SX1(s) - SX2(s)) “3”
M2S2X2(s) = F(s) - K1(X2(s) - X1(s)) - B(SX2(s) - SX1(s)) - K2X2(s) “4”
Pela equação “3”; resulta X1(s)(M1S 2 + K1 + BS) = X2(s)(K1 + BS) X s BS K M S BS K X s 1 1 1 2 1 2 ( )= + . ( ) + + “5”
Pela equação “4”, resulta X2(s)(M2S 2 + K1 + K2 + BS) = F(s) + (K1 + BS)X1(s) X s M S BS K K F s BS K M S BS K K 2 2 2 1 2 1 2 2 1 2 1 ( )= . ( ) + + + + + + + + X (s)1 “6” X s1( )=G s X s1( ). 2( ) “5” X s2( )=G2( ).s X s1( )+G s F s3( ). ( ) “6” As equações “5” e “6” fornecem as seguintes representações:
Caminho direto: M1 = G1. G3 Laços individuais: La = G1. G2 Determinante do sistema: ∆ = −1 G G1 2 Função de transferência: X F 1 = − G G G G 1 3 1 2 1 Onde:
(
) (
)
G G BS K M S BS K BS K M S BS K K 1 2 1 1 2 1 1 2 2 1 2 = + + + + + + + .(
) (
)
G G BS K M S BS K M S BS K K 1 3 1 1 2 1 2 2 1 2 1 = + + + . + + +Com isto, a função de transferência deste sistema é dada por:
(
) (
)
(
)(
) (
)
(
)(
)
X s F s BS K M S BS K M S BS K K M S BS K M S BS K K BS K M S BS K M S BS K K 1 1 1 2 1 2 2 1 2 1 2 1 2 2 1 2 1 2 1 2 1 2 2 1 2 ( ) ( ) . = + + + + + + + + + + + − + + + + + +(
)
(
)
X s F s BS K M M S M M BS M K M K M K S BK S K K 1 1 1 2 4 1 2 3 1 1 1 2 2 1 2 2 1 2 ( ) ( ) = + + + + + + + + +Esta função de transferência, descreve completamente, a dinâmica do sistema apresentado. Uma vez conhecido, a massa do carro “M1”, massa da roda “M2” e a elasticidade do pneu “K2”, a
suavidade ou conforto do carro é determinado pela definição dos valores de K1 e B.(B →
amortece-dor; K1→ mola).
Como o coeficiente de amortecimento B varia com o desgaste do amortecedor, a função de transferência também varia com o tempo mudando o conforto do carro.
4.2.2- SISTEMAS MECÂNICOS DE ROTAÇÃO
⇒ Diagrama de blocos
⇒ Gráficos de fluxo de sinais
Os elementos mecânicos envolvidos nos sistemas mecânicos de rotação, são os mesmos já definidos para os sistemas mecânicos de translação. A diferença é que agora os deslocamentos são angulares.
- Elementos de inércia (Momento de Inércia) Onde: J → Momento de inércia; T(t) → Torque aplicado; θ(t) → Deslocamento angular. α(t) → Aceleração angular; ω(t) → Velocidade angular.
- Elemento de Amortecimento (Amortecedor)
- Elemento de Elasticidade (Mola)
Exemplos:
1) Considere o sistema mecânico rotacional, mostrado a seguir:
Aplicando T.L, resulta: T(s) = JS.Ω(s) +B.Ω(s) Ω( ) ) . s T(s = J S+B 1
2) Considere o sistema mecânico rotacional, mostrado a seguir:
Este sistema é um exemplo de relógios de pêndulo. O momento de Inércia do pêndulo, é representado por J; a fricção entre o pêndulo e o ar é representado por B, e a elasticidade do pên-dulo é representada por K.
Jα( )t = ∑T t( ) T t J t Jd t dt J d t dt ( )= α( )= ω( ) = θ( ) ∴ 2 2 T(t) = J( )θ t
(
)
T(t)=Bθ ( ) ( )1 t −θ2 t ( ) ( ) θ1 t −θ2 t = Velocidade Relativa; T = Torque aplicado;B = Coef. de amortecimento Rotacional.
(
)
T(t)=K θ1( )t −θ2( )t T (t) = Torque aplicado;
θ1(t)- θ2(t) = Desloc. angular relativo.
J t T t J t T(t B t T(t J t B t α ω ω ω ω ( ) ( ) ( ) ) ( ) ) ( ) ( ) = = − = +
∑
Jd t dt T(t B d t dt K t 2 2 θ( ) θ θ ) ( ) ( ) = − −Aplicando T.L, resulta:
J S. 2θ( )s =T s( )−BS. ( )θ s −K. ( )θ s A função de transferência, será então:
θ( ) . s B S K T(s) = 1 J.S2 + +
4.3- MODELAGEM MATEMÁTICA DE SISTEMAS ELÉTRICOS
A modelagem de sistemas elétricos é baseada nas leis das tensões e das correntes de Kirchoff. Devido a nossa familiaridade com circuitos elétricos, a modelagem dos mesmos torna-se facilitada.
Os elementos envolvidos nos circuitos elétricos são: Resistores, Indutores, Capacitores, am-plificadores, etc...
4.3.1- CIRCUITO RLC
Aplicando a T.L nas expressões acima, resulta: L.S.I(s) + R.I(s) + Vc(s) = Ei(s)
I(s) = C.S.Vc(s)
Substituindo-se a expressão de I(s) na primeira equação, tem-se: L.S.C.S.Vc(s) + R.C.S.Vc(s) + Vc(s) = Ei(s) Como: Vc(s) = E0(s) LCS2. E0(s) + R.CSE0(s) + E0(s) =Ei(s) E s Ei s L C S R C S 0 2 1 1 ( ) ( ) = . . + . . + Obs:
Em invés trabalharmos com o elemento elétrico podemos trabalhar com o circuito de impe-dância complexa, facilitando a obtenção da Função de Transferência.
Ldi t dt Ri t c t i t i t Cd c t dt e ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) + + = = ϑ ϑ
ELEMENTO IMPEDÂNCIA CARACTERÍSTICA
R R
L LS
2)
(
)
Ei s R I s C S I s I s ( )+ 1 1( )+ ( )− ( ) = 1 1 2 1 0 I s I s C S Ei s R I s 1 2 1 1 1 ( ) ( ) ( ) ( ) − = −(
)
1 0 1 1 2 2 2 0 C S I s( )−I s( ) +R I s( )+E s( ) = I s I s C S E s R I s 1 2 1 0 2 2 ( ) ( ) ( ) ( ) − = + I s C SEi s C SE s R C S 1 1 2 0 1 1 1 ( )= ( )+ ( ) + I s2( )=C SE s2 0( ) Ei s R C SEi s C SE s R C S E s R C SE s ( )− . ( )+ ( ) ( ) ( ) + = + 1 1 2 0 1 1 0 2 2 0 1(
)
(
)(
)
Ei s( )1+R C S1 1 −R C S1 1 +R C SE s1 2 0( )= +1 R C S1 1 1+R C S E s2 2 0( )(
)(
)
E Ei R C S R C S R C S 0 1 1 2 2 1 2 1 1 1 = + + + 4.4- SISTEMAS ANÁLOGOSSistemas análogos, são sistemas que embora apresentem características físicas diferentes, são descritos pelos mesmos modelos matemáticos. A existência deste conceito é muito utilizada na práti-ca. Uma vez que um determinado sistema físico esteja estudado e analisado, um outro sistema análo-go a este também estará. Em virtude da construção de um protótipo de um sistema mecânico, hi-dráulico, etc, ser mais complicado, estes sistemas podem se estudados e analisados através do cir-cuito elétrico análogo.
4.4.1- ANALOGIA ENTRE SISTEMAS ELÉTRICOS E MECÂNICOS
Entre os sistemas elétricos e mecânicos, existem dois tipos de analogias:
• Analogia Força-Tensão;
• Analogia Força-Corrente.
a) Analogia Força-Tensão
Abaixo é mostrado as grandezas análogas entre os sistemas Elétricos e Mecânicos para este caso. E s C S I s 0 2 2 1 ( )= . ( )
SISTEMA ELÉTRICO SISTEMA MECÂNICO DE TRANSLAÇÃO
SISTEMA MECÂNICO DE ROTAÇÃO
Tensão ϑ(t) Força F(t) Torque T(t)
Indutância L Massa M Momento de Inércia (J)
Resistência R Coef. de Atrito B Coef. de Atrito B
Inverso da Capacitância 1/C Coef. de Elasticidade K Coef. de Elasticidade K
Carga Elétrica q(t) Deslocamento χ( )t Desloc. Angular θ(t)
Corrente i(t) Velocidade ( )χ t Veloc. Angular ( )θ t =ω( )t
Sejam os sistemas elétricos e mecânicos, abaixo representados.
Para o sistema mecânico, tem-se que:
Md t dt B d t dt K t f 2χ χ χ ( ) ( ) ( ) + + = “1”
Para o sistema elétrico, tem-se que: Ldi t dt Ri t C i t dt t ( ) ( ) ( ) ( ) + + 1
∫
=ϑ mas, i t dq t dt ( )= ( ) → Ldq t dt R dq t dt Cq t t 2 2 1 ( ) ( ) ( ) ( ) + + = ϑ “2”onde: q(t) → Cargas elétricas.
As equações diferenciais “1” e “2” são idênticas e portanto os dois sistemas apresentados são análogos.
b) Analogia Força-Corrente
A equação que define o sistema mecânico já foi obtida acima, em “1”. Para o sistema elétrico, tem-se que:
iL(t) + iR(t) + iC(t) = is(t) “3” 1 L t dt t R C d t dt is t ϑ( ) +ϑ( )+ ϑ( ) = ( )
∫
mas: ϑ( )t dφ( )t dt= ; onde: φ→ fluxo magnético.
Cd t dt d t dt t is t R L φ φ φ 2 2 1 1 ( ) ( ) ( ) ( ) + + = “4”
As equações “1” e “4”, são idênticas e portanto os dois sistemas apresentados são análogos. Abaixo é mostrado as grandezas análogas entre os sistemas elétricos e mecânicos para o caso da analogia Força-Corrente.
SISTEMA ELÉTRICO SISTEMA MECÂNICO DE
TRANSLAÇÃO
SISTEMA MECÂNICO DE ROTAÇÃO
Corrente i(t) Força F(t) Torque T(t)
Capacitância C Massa M Momento de Inércia (J)
Inverso da Resistência 1/R Coef. de Atrito B Coef. de Atrito B
Inverso da Indutância 1/L Coef. de Elasticidade K Coef. de Elasticidade K
Fluxo Magnético φ(t) Deslocamento χ( )t Desloc. Angular θ(t)
4.5 - SISTEMAS ELETROMECÂNICOS
Os sistemas eletromecânicos a serem analisados são o servomotor de corrente contínua e o gerador de corrente contínua.
4.5.1- SERVOMOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA
Um servomotor de corrente contínua é um motor de corrente contínua, com características dinâmicas especiais, para serem usados em sistemas realimentados.
As características desejáveis de um servomotor de CC são:
• Inércia reduzida;
• Máxima aceleração possível;
• Alta relação torque-inércia;
• Constante de tempo extremamente pequena.
Os servomotores CC de baixas potências são usados em equipamentos computacionais como acionadores de disco, impressoras, acionadores de fita e também em instrumentação. Já os servo-motores CC de médias e altas potências são usados em sistemas robotizados, controles de posição, etc...
ϑa(t) → Tensão aplicada na armadura; Ra→ Resistência de armadura; La→ Indutância de armadura; Ea(t) → Força eletromotriz ia(t)→ Corrente da armadura; Lf→ Indutância de campo; Rf→ Resistência de campo;
ϑf(t) → Tensão aplicadano campo;
if(t) → Corrente de campo;
T(t) → Torque desenvolvido pelo motor; Lf, Rf→ Enrolamento de campo;
Ra, La→ Enrolamento de armadura.
Este servomotor pode ser acionado de 2 formas, que são:
• Controle da Armadura;
• Controle de Campo;
No CONTROLE DE ARMADURA, o enrolamento de campo é excitado separadamente. A cor-rente de campo é mantida constante e o controle do motor é exercido pela corcor-rente de armadura.
No CONTROLE DE CAMPO, a corrente de armadura é mantida constante e a velocidade é
con-trolada pela tensão de campo. O controle pelo campo dos servomotores, apresenta como desvanta-gens, o fato de trabalhar com constantes de tempo maiores e também a maior dificuldade de obten-ção de uma fonte de corrente contínua.
4.5.1.1- CONTROLE PELA ARMADURA DE SERVOMOTORES CC
Considere o diagrama esquemático do controle de servomotores CC pela armadura. A cor-rente de campo é mantida constante.
As equações que definem o motor CC em Regime Permanente estão abaixo definidas. O torque eletromagnético desenvolvido pelo motor CC é dado pela seguinte expressão:
T(t) = Ka.φ(t).ia(t) “1” Onde:
φ→ Fluxo no entreferro; Ka→CTE;
Pela curva de magnetização mostrada, o fluxo no entreferro na região linear, é proporcional a corrente de campo.
φ(t) = Kf . if (t) “2”
Como neste caso a corrente de campo é constante, resulta que o fluxo também será:
Substituindo “3” em “1”, tem-se:
“4”
Pela expressão “4”, o torque eletromagnético produzido pelo motor CC é diretamente pro-porcional a corrente de armadura.
A força eletromotriz “Ea(t)” induzida na armadura é dada por: Ea(t) = Ka.φ (t).ωm(t) “5” Onde:
ωm(t) → Velocidade angular do motor;
Como o fluxo é constante, resulta:
Ea( )t = K3.ωm( )t ou “6” E K d dt a(t) (t) = 3. θ
A equação diferencial associada a armadura do motor CC, isto é, a equação do motor CC é definida em “7”. ϑa a a a a a L d i dt R i E t (t)= . (t)+ . (t)+ ( ) “7”
A equação diferencial mecânica associada ao sistema representado na figura, é definido em
“8”. T(t Jd t dt B d t dt )= θ ( )+ θ( ) 2 “8”
Assumindo condições iniciais nulas, a transformada de Laplace das expressões “6”, “7”, “8” e “4”, será:
Ea(s) = K3.S.θ(s) “9”
Va(s) = La.S.Ia(s) +Ra.Ia(s) +Ea(s) “10”
T(s) = J.S2.θ(s) + B.S.θ(s) “11”
T(s) = K2.Ia(s) “12”
Considerando que a tensão aplicada na armadura da máquina “Va(s)” é a entrada do sistema, o deslocamento angular do eixo do rotor “θ(s)” é a saída, pode-se então obter a Função de Transfe-rência deste sistema.
φ(t) = K1 “3”
Inicialmente, mostra-se o diagrama de blocos para o sistema apresentado.
O diagrama de fluxo de sinais, é mostrado a seguir:
(
)
(
)
(
)
(
)
(
)
( ) θ( ) θ ( ) . . . . . . . . ( ) ( ) . . . . . . s V s K L S R J S B S K K S L S R J S B S s V s K L S R S J S B K K S a a a a a a a a = + + + + + ∴ = + + + 2 2 2 3 2 2 2 3 1(
)
( ){
}
θ( ) ( ) . . . s V s K S K K L S R J S B a a a = + + + 2 2 3 “13”(
)
(
)
θ( ) ( ) . . . . . . s V s K S L J S L B R J S R B K K a a a a a = + + + + 2 2 2 3 “14”Considerando-se que La é pequena e pode ser desprezada, temos:
(
)
θ( ) ( ) . . . . s V s K S R J S R B K K a a a = + + 2 2 3 “15” Ou: θ( ) ( ) . . . . s V s K R B K K S R J R B K K S a a a a = + + + ⇒ 2 2 3 2 3 1(
K)
S T S s V s m m a . . ( ) ( ) +1 = θ “16” T R J R B K K m a a = +. . 2. 3 K K R B K K m a = + 2 2 3 . .Km= ganho constante da máquina; Tm= constante de tempo da máquina.
Pelas expressões acima observa-se que quanto menor for “Ra” e “J”, menor será a constante de tempo da máquina.
As expressões “15” e “16” representam a Função de Transferência para o sistema eletrome-cânico mostrado. Para obtermos a representação por espaço de estado, basta que se tenha as equa-ções diferenciais relacionadas as expressões “15” e “16”.
Da expressão “15”, resulta:
R Ja. .( )θ t +
(
R Ba. +K K2. 3)
θ( )t =K2.ϑa( )t “17” Sejam χ1( )t e χ2( )t as variáveis de estado.A saída θ(t) será: y(t) =θ(t) =χ1(t) e a entrada: ϑa(t) =µ(t)
(
)
( ) ( ) ( ) . . . . . ( ) χ χ χ χ ϑ 1 2 2 2 3 2 2 t t t R B K K R J K R J t a a a a = = − + +A representação por Espaço de Estado para a equação “17” resulta:
( ) ( ) . . . . ( ) ( ) . . ( ) χ χ χ χ µ 1 2 2 3 1 2 2 0 1 0 0 t t R BR JK K t t R JK t a a a = − + + “18”
[ ]
y t t t ( ) . ( ) ( ) = 1 0 1 2 χ χEm função dos termos “Km” e “Tm”, já definidos, a representação por espaço de estado, resulta: ( ) ( ) . ( ) ( ) . ( ) χ χ χ χ µ 1 2 1 2 0 1 0 1 0 t t T t t KT t m m m = − +
[ ]
y t t t ( ) . ( ) ( ) = 1 0 1 2 χ χO uso do controle eletrônico de servomotores CC, também conhecido como servo aciona-mento, melhora significamente a operação dos servomotores. A seguir é mostrado um diagrama de blocos de um servoacionamento para controle de velocidade de um servomotor CC.
χ1( )t =θ( )t
Ei→ referência de velocidade (volts); E0 → velocidade de saída (volts);
TN → sensor de velocidade.
O diagrama acima, representa o controle de velocidade de um servomotor CC. O servoacio-namento, transforma o erro entre a Velocidade de Referência e a Velocidade medida, num aumento ou diminuição da tensão que alimenta a armadura do servomotor.
A seguir é mostrado, um diagrama simplificado, para o controle de posição de um servomo-tor. O bloco K
S
a
, representa o ganho do servoacionamento Ka e o integrador 1 S.
Atualmente, através do uso de servoacionamentos incorpora-se ao sistema (servoaciona-mento + servomotor) duas malhas de controle de velocidade e posição, conforme mostrado abaixo.
4.5.1.2- GERADOR CC
O modelo básico do gerador CC, é mostrado a seguir:
As equações que regem este sistema são:
Equação de campo: ϑf t R if f t Lf f d dti t ( )= ( )+ ( ) “19” Equaçã Equação de Armadura: E t R i t L d dti t t a( )= a a( )+ a a( )+ ϑa( ) “20”
o de carga: ϑa( )t =Z i. ( )a t “21”
Pela equação “5” temos que: E t K d t
dt
a( ) a. .
( )
= φ θ
Considerando-se que a velocidade do gerador é constante, e que pela equação “2” o fluxo no entreferro é diretamente proporcional a corrente de campo if(t), resulta:
Ea( )t = K i4. ( )f t “22”
Desta forma, as transformadas de Laplace das equações “19”, “20”, “21” e “22”, são dadas por: V sf( ) =(Rf +L S I sf. ). f( ) “23” E sa( )=K i s4. ( )f “24” I s R Z L SE s a a a a ( ) . ( ) = + + 1 “25” V sa( ) =Z I s. a( ) “26”
O diagrama de bloco para o sistema é mostrado abaixo:
A função de transferência entre Va(s) e Vf(s) é dada por:
V s V s K Z L S R L S R Z) a f f f a a ( ) ( ) . ( . )( . = + + + 4 “27”
Pela expressão acima, verifica-se que a carga “Z” afeta tanto a dinâmica do gerador como também a própria saída ϑa(t).
4.6- TRANSFORMADORES E ENGRENAGENS
Em um circuito elétrico, um transformador é um dispositivo de acoplamento magnético, cuja finalidade é transformar os níveis de tensão e corrente de um lado do acoplamento para o outro. Em nosso estudo todos os transformadores serão considerados ideais, sendo desta forma, a potência de entrada do mesmo igual a sua potência de saída. A seguir é mostrado o modelo de um transformador ideal. P t1( )=e1( ). ( )t i t1 P t2( )=e2( ). ( )t i2 t P t1( )=P t2( ) e e t t i t i t 1 2 2 1 ( ) ( ) ( ) ( ) =
Pela Lei de Faraday sabe-se que a tensão induzida em um bobina é diretamente proporcional a taxa de variação do fluxo magnético e ao número de espiras da bobina. Com isto, tem-se que:
e t N d t dt 1( ) 1 ( ) = φ e e t N d t dt 2( ) 2 ( ) = φ Portanto: e t e N t N 1 1 2 2 ( ) ( ) = e N N t t i t i t e e 1 2 1 2 2 1 = ( ) = ( ) ( ) ( )
A função da engrenagem em um sistema mecânico é a mesma, do transformador em um sis-tema elétrico, isto é, propiciar o acoplamento mecânico. Seja o acoplamento mecânico mostrado a seguir:
Em uma outra perspectiva, o sistema de engrenagens pode ser representado como mostrado abaixo. O produto entre o número de dente de uma engrenagem (N1) e o deslocamento angular desta
engrenagem (θ1), deve ser igual ao mesmo produto relativo a outra engrenagem. Portanto:
N1.θ1( )t =N2.θ2( )t ou N N t t 1 2 2 1 = θθ ( ) ( )
Já os torques T1(t) e T2(t) são diretamente proporcionais aos números de dentes das
engre-nagens. Portanto: N N T t T t 1 2 1 2 = ( ) ( )
Por outro lado, o número de dentes de uma engrenagem é diretamente proporcional ao raio (ou diâmetro) da engrenagem, isto é, N
N R R na 1 2 1 2 = = .
4.7- LINEARIZAÇÃO DE MODELOS MATEMÁTICOS NÃO-LINEARES
Conforme já foi comentado anteriormente, os modelos mais precisos de sistemas físicos são não-lineares. Entretanto, a transformação de Laplace não pode ser utilizada na solução de equações diferenciais não-lineares. Por isto, é necessário que seja introduzida uma técnica de linearização de sistemas não-lineares.
Onde:
T1(t), T2(t) → Torques;
θ1(t), θ2(t)→ Deslocamentos angulares;
Seja o sistema de um pêndulo mostrado abaixo:
L → comprimento do pêndulo; M → massa do pêndulo; f → força que atua no pêndulo; g → gravidade.
A equação diferencial que descreve o movimento do pêndulo, é: L g d t dt t . ( ) sen ( ) 2 2 θ θ = −
Esta equação é não linear, devido a presença do termo sen θ(t). A característica não-linear para a função f(θ) = sen θ é mostrada abaixo.
O procedimento usual de linearização é substituir a característica da função por uma linha reta, o que fornece uma precisão razoável para uma pequena região de operação. Por exemplo, su-ponha que deseja-se linearizar a função f(θ) = sen θ em torno do ponto f(θ0). Através de expansão
em Série de Taylor, representa-se a função f(θ) em torno do ponto “θ0”, por:
f f df d d f d ( ) ( ) .( ) .( ) ! ... ( ) ( ) θ θ θ θ θ θ θ θ θ θ θ θ = + − + − + = = 0 0 0 2 2 0 0 2 2 “2”
Se a variação “θ - θ0” é pequena, os termos de maior grau podem ser desprezados na série de
Taylor. Isto resulta em:
f f df d ( ) ( ) . ( ) ( ) θ θ θ θ θ θ θ ≅ + − = 0 0 0 “3”
Seja portanto: f(θ) = sen θ. Com isto temos:
{
}
(
)
senθ=senθ0+ cosθ θ θ0 . − 0 “4”
Como, o pêndulo mostrado, opera na região em que θ =00, pode-se linearizar a fun-ção em torno do ponto θ0 =00.
(
)
Substituindo “5” em “1”, resulta: L g d t dt t . ( ) ( ) 2 2 θ θ = − “6” ou ( ) ( ) θ t gθ L t + =0 “7”
Portanto, para linearizar uma função f ( )χ em torno do ponto “χ0”, deve-se⇒ expandir esta
função através de Série de Taylor, considerando-se desprezível os termos (θ − θ0)n, ⇒para n > 1.
f f df
d
( )χ = (χ0)+ ( )χχ χ χ= (χ χ− )
0 0