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Código Deontológico da Perícia Contábil.

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Código Deontológico da Perícia

Contábil.

Prof. MSc. Wilson Alberto Zappa Hoogi

Resumo:

Apresentamos o Código de Deontologia, dividido em seis artigos, com uma breve análise sobre a desejável e perseguida figura do decoro pericial, que aqui é tratada como sendo deontologia.

Este estudo tem como principais referentes a moderna teoria pura da contabilidade, a lógica contabilística, a ciência, as tecnologias, a ética de Aristóteles, a neoética, os princípios gerais da justiça e os valores brasileiros.

Prestigiando a importância dos valores deontológicos, separa-se a ética da moral. Este Código representa um conjunto metódico e sistemático de disposições relativas ao decoro, que vêm a instituir as normas que regulam as relações deontológicas individuais e coletivas de trabalho pericial contábil, nele previstas. Cabe destacar que o artigo possui características de cunho geral, por isso, com a devida vênia, optamos por incluir de forma detalhada o sentido e alcance que se pretende dar à norma.

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A deontologia é aqui tratada como um estudo dos princípios, fundamentos e preceitos de moral e ética; logo, um tratado dos deveres profissionais.

Palavras-chave:

Código deontológico da perícia contábil; filosofia contabilística; ética e moral.

Desenvolvimento:

Antes de adentrarmos o Código Deontológico, tornam-se necessárias algumas reflexões sobre a filosofia contabilística, a ética e a moral:

a)A filosofia contabilística é o conhecimento que provoca e adiciona valor à carreira de um contador. Portanto, é um conjunto muito complexo de conhecimentos da ciência, que gera o pensamento da contabilidade, pois envolvem as riquezas, as pessoas, as teorias e a vida social em que estão inseridas. Necessário se faz, assim, conhecer a teoria pura da contabilidade e o neopatrimonialismo, entre outras tantas teorias; portanto, tem-se a busca de uma compreensão bastante precisa e profunda da ciência contábil. É o conhecimento obtido a partir do

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estudo da filosofia contábil; é por meio dela que se desenvolve a vida do profissional.

b)A ética é coletiva; são os valores de consenso da categoria profissional em uma situação corporativa, o bem da corporação ou de um povo. Logo, estudar a ética representa estudar os juízos de apreciação, que têm como referente à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, relativamente determinada a uma coletividade ou à parte dela.

c) A moral é subjetiva, e de cunho pessoal a

responsabilidade moral do perito; pode ter mais rigor que a responsabilidade ética. É uma forma de autocensura. Por isso o foro é íntimo, sendo a própria alma do perito-contador, que julga e sentencia os seus atos; funciona como juiz, júri e carrasco.

E diante deste aporte, conclui-se que um contador amoral não possui condições mínimas para respeitar, entender e pautar as suas ações por um Código deontológico, ou seja: pela ética. As deturpações da moral são as indisposições da alma que a psicologia procura tratar. E um código de ética representa um ideal de comportamento.

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A importância dos valores deontológicos.

Nos ensinamentos de Aristóteles, a ética é a ciência das condutas e a menos exata de todas as ciências, uma vez que se ocupa com assuntos passíveis de modificação. Nota-se que o estudo da ética não se preocupa com aquilo que no ser humano é essencial e não se pode mudar, mas, sim, com aquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições natas ou adquiridas por hábitos que constituem as virtudes do bem e a desmoralização do mal. Seu objetivo último é possibilitar a conquista da felicidade de todos; um ideal.

Aristóteles observou os arranjos particulares sobre o bem e o mal, de cada homem, e concluiu que eles constituem o seu caráter. E que a ética mostra como essas disposições devem se transformar para que se ajustem à razão na busca de um ideal de comportamento humano.

Para Aristóteles, o direito é um mero desdobramento da ética, por ser um conhecimento pautado na dialética1. E um profissional de perícia contábil presta serviço à justiça, logo apartada da arte do direito. As virtudes do labor pericial se realizam sempre no âmbito da justiça e não têm mais sentido quando a verdade científica desaparece diante de uma possível falácia oriunda do direito.

1 O direito está pautado na dialética, por ser simplesmente a arte do diálogo ou da discussão, quer num sentido de louvor, de uma força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas, ou seja, argumento de alguém com o fim de embaraçar outrem. Por ser um produto de teses e antíteses, estas não são necessariamente verdadeiras. O direito configura-se cada vez mais como uma arte e menos, como uma ciência.

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Atribui-se ao filósofo Aristóteles, a seguinte máxima.

“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito”.

A apresentação do Código Deontológico.

Este Código deontológico tem como principais referentes a moderna teoria pura da contabilidade, a lógica contabilística2, a ciência3, as tecnologias4, a ética de

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LÓGICA CONTABILÍSTICA – diz-se da sequência coerente, regular e necessária aos acontecimentos ligados à riqueza das células sociais. Está lastreada em um conjunto de regras e princípios que orientam de uma forma implícita ou explícita o desenvolvimento de um raciocínio ou de uma alegação. Pode também ser, resumidamente, a forma pela qual as assertivas, hipóteses, documentos, informações, inspeções, análises e instruções são organizadas em um planejamento para a implementação de um programa de valorimetria, de controles e segurança, de organização e de emissão de relatórios. Em termos clássicos, temo-la como sendo um conjunto de estudos que visam determinar os processos científicos e intelectuais que são as condições gerais do conhecimento contabilístico. Logo, temos na lógica todo um conjunto de estudos predispostos a noticiar em linguagem científica contábil as estruturas e operações do raciocínio, com amparo em princípios gerais de direito e de justiça, axiomas, e com a intenção de criar uma elocução rigorosamente adequada ao pensamento científico contemporâneo. É possível atribuir a Tales, o pai da filosofia (640-550 a.C.), a criação embrionária da lógica, ainda que a lógica, ciência e raciocínio, seja atribuível a Aristóteles. A lógica é o método correto de pensamento e interpretação que prestigia a verdade real em detrimento da verdade formal de uma política para um ramo de uma ciência; dessa maneira, a lógica afasta o dogmático e atrai os ensaios para a criação da segurança científica. Ou seja, com Tales a lógica foi fecundada e com Aristóteles ela nasceu. Um raciocínio lógico-contabilístico nos permite afirmar, para fins de especulação acadêmica sobre a lógica contabilística, que o balanço patrimonial surgiu, ou teve a sua origem tecnológico-científica, com a separação de dois postos: ativo, aplicação, e o passivo, origem, logo, se tem no balanço patrimonial um equilíbrio de impulsões patrimoniais. E o perito em contabilidade que fez a separação dos opostos, ama a sua ciência, porém, por uma questão de lógica, busca sempre a verdade real. E adaptando a frase atribuída à mente filosófica e prática de Aristóteles (A história

da Filosofia – Will Durante, Nova Cultura, 1996, tradução de Luiz Carlos do

Nascimento Silva. p. 78), e para tal se está substituindo Platão por ciência, temos:

Amica est scientia, sed magis amica veritas: “querida é a ciência, mas ainda mais

querida é a verdade”.

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CIÊNCIA – ciência em seu sentido amplo, acadêmico e profissionalizante, é a atividade de investigação vinculada ao objeto, e tem métodos, teorias, teoremas, e

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Aristóteles, a neoética5, os princípios gerais da justiça e os valores brasileiros6.

E sem embargos aos referentes desta versão do Código deontológico, enfatizamos que este Código foi desenvolvido com significativa profundidade, quer nos direitos, quer nos deveres dos peritos, uma vez que procurou atender à complexidade e diversidade do exercício da profissão. Está regulado por princípios7. Porém não foi

axiomas próprios; busca o(s) objetivo(s) específico(s) e próprio(s), e está comprometida com a evolução do conhecimento humano.

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As tecnologias contábeis representam um conjunto de conhecimentos científicos e especiais, oriundos da ciência da contabilidade, como os princípios contábeis, convenções, que são aplicados pelo cientista contábil e desenvolvidos pelos professores doutrinadores. Envolve ferramentas como: dissertações, teses, axiomas, teorias e teoremas para realizar a ciência contábil, ou seja, o uso da biocontabilidade e das teorias, enunciados e teses contábeis consuetudinárias no procedimento de valorimetria da riqueza. Como exemplos de ferramentas tecnológicas contábeis puras temos: o método holístico de avaliação do aviamento, o balanço de determinação e o método Zappa de avaliação do valor imaterial da carteira de cliente. Técnica é diferente de tecnologia, pois técnica vem do empírico, e tecnologia, do científico, mas não são estas tecnologias que determinam o caráter científico da ciência e sim, o método. Tecnológico também não é sinônimo de ciência. Neste ponto de vista devemos ressaltar também que ciência contábil é diferente de política contábil, pois a ciência utiliza-se das tecnologias para descrever a riqueza, enquanto que a política contábil prescreve como devem ser os registros da riqueza. Tecnologia contábil em perícia é a aplicação do conhecimento contábil em uma posição de juízo de realidade. Conhecimento além da técnica (empírico), pois é científico, portanto, tecnológico, sendo pautado em axiomas e teoremas.

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NEOÉTICO – (De ne(o) + etico) comportamento que vai além da pragmática da ética profissional, pregando um maior rigor filosófico no estudo dos juízos de apreciação do bem e do mal

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VALORES BRASILEIROS – estes são constituídos por um Estado democrático com a imprensa livre, onde exista um equilíbrio entre vida pessoal e profissional, pelo exercício dos direitos e desenvolvimentos sociais coletivos e individuais, pela liberdade, pela segurança e bem-estar, pela igualdade e uma justiça sem preconceitos e pautada na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, priorizando a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; com garantia de um desenvolvimento nacional que busque erradicar a pobreza e a marginalização, além de reduzir as desigualdades sociais e regionais, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

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PRINCÍPIO – considera-se que a categoria “princípio”, aplicado à ciência da contabilidade, constitui a essência da própria estrutura científica da contabilidade com uma multifunção, pois serve de exemplo ao legislador, no fundamento de normas jurídicas contábeis; serve também como um manancial doutrinário para orientar o intérprete. Os princípios funcionam como parte estrutural do sistema

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possível, nem mesmo tem a pretensão de prever todas as situações com que no dia a dia os peritos se confrontam. Até porque estas inúmeras situações terão as suas soluções encontradas na definição de um conjunto de regras procedimentais, as quais determinam os comportamentos entre os profissionais, além de delinear as formas de proceder com os institutos e clientes a quem prestam serviços.

Apesar da existência deste Código, a composição de um grupo de resoluções, seja pelo CFC, seja por associações de peritos, ou pelos órgãos do poder judicial, não deixará de constituir, para os profissionais da perícia, um elemento importante de clarificação e definição da forma e condições do exercício da sua profissão.

Com base na liberdade de cátedra, e nos nossos trabalhos e pesquisas em casos reais onde a justiça foi provocada para se manifestar sobre direitos e obrigações patrimoniais, adentramos a realidade do exercício da profissão, onde se emite uma opinião com liberdade de juízo científico, que tem o extrato de prova, sobre assuntos de ciências, tecnologia e ética, que foi objeto de análise e discussão com colegas peritos, professores, advogados e juízes; a partir disto, elaboramos a presente proposta de Código de comportamento neoético, estando convencidos

contábil, na aplicação de regras para a escrituração e elaboração de relatos e demonstrativos. Isto posto, é possível concluir que os princípios, de forma ampla, auxiliam a criação das normas jurídicas contábeis, ou seja: na elaboração da

política contábil, e sãoaplicáveis como fonte de direito contábil, além da sua função

norteadora na concretização da ciência contábil. O princípio sempre antecede a criação de uma norma jurídica contábil.

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de sua necessidade para se estabelecer uma equidade em relação a aplicação da ciência contábil. Abono este referendo, que passará a constituir um documento com a intenção de um viés de doutrina, que todos os peritos podem observar e sobre ele refletir no exercício da sua profissão.

E para uma dimensão maior que esta, é imprescindível a participação de todos os colegas que compõem a escol da perícia brasileira, analisando, refletindo, melhorando e referendando a presente proposta, pois, só assim, ela terá uma legitimidade mais ampla.

Nesse ensejo e no dever que todos temos de participar na construção de laudos periciais, com fundamento científico, sanciono este Código, que possui um viés mais de moral do que de ética, com base na liberdade de cátedra, para que fique disponibilizado um referente inicial

deontológico, pari passu com a teoria pura da

contabilidade.

O Código Deontológico.

Este Código representa um conjunto metódico e sistemático de disposições relativas ao decoro, que vêm a instituir as normas que regulam as relações deontológicos, individuais e coletivas de trabalho pericial contábil, nele previstas. Cabe destacar que o artigo segundo possui

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características de cunho geral, por isso com a devida vênia optamos por incluir de forma detalhada o sentido e o alcance que se pretende dar à norma.

Artigo 1.º

Âmbito de aplicação

O Código Deontológico pericial contábil aplica-se a todos os peritos em contabilidade que exerçam a sua atividade, integrados ou não, em sociedades coletivas de profissionais de contabilidade.

Considera-se que o perito judicial, mesmo sem concurso público, está entre os servidores públicos, constantes do CPC, art. 139; logo, aplica-se a este, o regime principiológico da administração pública, responsabilidade intranomeação que está baseada nos princípios constitucionais, que vertem da CF, art. 37. São eles: o da publicidade, da impessoalidade, da eficiência, da moralidade, da legalidade, da diligência, da probidade e da ética.

Artigo 2.º

Deveres Gerais

§ 1º - No exercício das suas funções os peritos em contabilidade devem respeitar as normas legais e os princípios universais de contabilidade.

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Além de serem bacharéis em Ciências Contábeis, devidamente inscritos no Conselho Regional de Contabilidade, com jurisdição na comarca onde se discute a causa, devem ter notáveis conhecimentos teóricos e práticos. Por tratar-se de uma alta especialização, é de vital importância o domínio da matéria que será periciada.

§ 2º - É defesa qualquer interferência na

independência em razão de interesses pessoais ou de pressões exteriores.

Portanto, consiste em dever a equidistância do perito em relação aos interesses dos litigantes e dos patronos das ações.

§ 3º - Deve o perito pugnar preferencialmente pela verdade real contabilística, a essência; se não for possível, pela verdade relativa, a formal.

Deste modo está presente a supremacia dos valores científicos, auferidos por meio de método científico de pesquisa, em respeito aos princípios da veracidade e da fidelidade.

§ 4º - Deve o perito dar ciência do trabalho pericial a ser realizado a quem de direito.

Tal determinação tem o sentido do conhecimento, ou seja: o contador passa a ter conhecimento dos atos, fatos e documentos utilizados na elaboração do laudo e consequentemente; servem para o

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convencimento do perito. Logo, é o

acompanhamento pleno das inspeções e

informações contabilísticas. Desta forma se tem ciência com uma ampla a irrestrita análise dos documentos solicitados na diligência e entregues ao perito. Este é o espírito ou razão do CPC, artigo 431-A: acompanhar efetivamente o labor do perito. Pois, em caso contrário, o ato da perícia deverá ser repetido. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações que reputem de interesse para a causa.

§ 5º - Defender o decoro contábil.

Diz-se decoro contábil, o comportamento pautado em uma correção ética; logo com compostura; é sinônimo de decência contabilística. Representa a firmeza de ânimo e disposição ética resoluta e inalterável, nas situações cotidianas, nas obscuras, nas penosas e delicadas. Agir com decoro é atuar com equidade e em conformidade com a ética, com relação ao assunto em que se está laborando. Decoro é também um termo utilizado para designar o código de ética e conduta. Pois o decoro é a conduta que precisa ser prestigiada e adotada por todos os profissionais de contabilidade. É incompatível com o decoro, além dos casos definidos no código de ética dos profissionais de contabilidade, o tráfico de influência; o abuso das prerrogativas; a percepção de vantagens indevidas; o uso de expressões que configurem prejuízo à

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honra e ao patrimônio; a prática de apologia a ilícitos ou delitos; o abuso de poder; a prática de ato de desídia quando no desempenho de suas funções; não pode o perito orientar o cliente a promover atos contrários às normas jurídicas positivadas; nem revelar o conteúdo de informações e documentos considerados protegidos pelo segredo comercial ou profissional.

§ 6º - Manter a educação contábil continuada.

Esse é o processo de desenvolvimento da capacidade intelectual e moral do ser humano em geral, visando à sua melhor integração com os conhecimentos da contabilidade. Esta categoria: educação contábil, tem o sentido e alcance dos conhecimentos ou das aptidões resultantes do processo de preparo pelo viés contabilístico. A educação básica consiste nos estudos sobre a riqueza, sua geração, manutenção e distribuição; envolve os aspectos de renda, gastos e poupança. A educação intermediária consiste nos ensinamentos dos cursos de graduação, e a educação avançada, consiste nos cursos de pós-graduação e tem importante lastro na filosofia. Não obstante esta sequência de educação, o conhecimento, ou seja, a educação contábil básica é necessária para todos, pois envolve também aspectos do patrimônio familiar, renda, poupança, investimentos e gastos das pessoas físicas e jurídicas, além da inter-relação com os outros ramos ou formas de conhecimento humano, como: o direito, a economia, a

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administração, a engenharia, a sociologia, a matemática e a física, entre tantos outros conhecimentos que se apoiam ou se correlacionam com o contabilístico. A educação prepara o profissional para a investigação dos atos e fatos ligados à gestão do patrimônio, distinguindo entre muitas coisas: a economia nos gastos, menos desembolso com despesas e custos, a geração de poupança, que é a parte da renda direcionada a investimentos, que podem ser de médio ou longo prazo, aidentificação de atos temerários, desvios de poder ou de direito. E há também aspectos gerais de valoração da riqueza.

§ 7º - Prestigiar a metacontabilidade.

Essa é a arte da contabilidade, pari passu com o biocontabilidade, que estuda a filosofia, as patologias, a hermenêutica e a neoética, transcendendo as normalizações legislativas e territoriais. É deveras sutil, pois se diz do estilo científico puro, caracterizado pela adjetivação filosófica profunda. Pertence à disciplina: teoria pura da contabilidade, e cuida de questões tais como: O que é real, necessário e útil no exercício da empresa? O que é essencialmente verdadeiro e natural? E esta parte da teoria pura da contabilidade investiga o patrimônio e a sua movimentação e as relações entre causas e efeitos. A metacontabilidade também busca explicações de como e em que se fundamenta um diagnóstico econômico, financeiro, ambiental e social, incluindo o nexo de causalidade

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entre as origens, aplicações, ações e reações. E neste diapasão, a metacontablidade tem como referente analógico, a metafísica de Aristóteles. A metacontabilidade examina o que pode ser diagnosticado sobre qualquer riqueza patrimonial. A metacontablidade ocupa-se dos motivos, origens e finalidades da riqueza patrimonial e da prosperidade desejada. Estes motivos são assim divididos em causas:

1-) Causa real – pela distinção entre a forma e a essência dos fenômenos patrimoniais.

2-) Causa corpórea e incorpórea, que é a substância em que um ativo é visto e composto.

3-) Causa do movimento – são as impulsões patrimoniais, negativas ou positivas, que geram a causa final.

4-) Causa final – é o resultado da utilidade de um ativo. A metacontabilidade é um neologismo de Hoog. Isto posto, a metacontabilidade tem o sentido de uma reflexão crítica e refere-se ao conhecimento das condições a priori e, além da política contábil, é ultracontábil; logo, as ideias mais avançadas ou extremas e essenciais.

§ 8º - Prestigiar o princípio da socialidade.

Considera-se que o princípio da socialidade para o ramo da contabilidade, perícia, e no abrigo da

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teoria da substância sobre a forma, é um princípio que tem por finalidade valorizar uma tendência para a vida em uma sociedade democrática. E guarda uma familiar relação com a eticidade, pois assim como as regras dotadas de conteúdo social são, fundamentalmente, éticas aquela tem afinidade com a vida dos peritos em uma sociedade neoética pautada na verdade real sobre a verdade formal. A socialidade busca pela via do equilíbrio entre os interesses dos litigantes, o registro e a certificação fundamental da verdade real, o que representa um avanço significativo e necessário na integração entre peritos, do juiz e das partes, em harmonia com a ética e com o direito contábil.

§ 9º - Respeitar a responsabilidade intranomeação.

Esse múnus público cria para o perito do juiz, a responsabilidade intranomeação, que é a alma da lei, a exemplo do constante no art. 431-A do CPC, pois o perito, mesmo sem concurso público, está entre os servidores públicos, constantes do CPC, art. 139; logo, aplica-se a este, o regime principiológico da administração pública, responsabilidade intranomeação, que está baseada: no princípio da publicidade, no princípio da impessoalidade, no princípio da eficiência, no princípio da moralidade, no princípio da legalidade e no princípio da diligência, probidade e ética.

§ 10 - Não tergiversar.

Tergiversar, para a perícia contábil, tem o sentido de falta de lealdade dos peritos, seja nomeado pelo

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juiz ou indicado pelos litigantes, que estão apresentando ou utilizando-se de evasivas; ou subterfúgios. Não tergiversar é, portanto, uma apresentação, oral ou escrita, na qual se tem o dever de esclarecer, e não apenas ladear os fatos sem abordá-los diretamente. Isso não significa dizer que um perito tem o dever de esclarecer ou opinar sobre assuntos estranhos à ciência da contabilidade, como é o caso do direito ou de outros ramos do conhecimento humano.

§ 11 - Possuir humildade científica.

Essa é a virtude que dá ao perito o respeito necessário e imprescindível ao seu múnus público, ou seja: atividade de notória honra pelo altruísmo e justiça e que procede de autoridade pública ou da lei, e obriga o indivíduo a certos encargos em benefício da coletividade, da segurança jurídica ou da ordem social e econômica. Deste modo deve o perito judicial ouvir e respeitar todas as opiniões dos colegas, do perito-assistente, o que não significa aceitá-las como verdadeiras. Inclui-se neste parágrafo, a possibilidade de se realizar entre o perito e os assistentes indicados pelos litigantes o espancamento científico da tese e antítese, como do

benefício ou adequação de procedimentos

investigatórios, sem que, com isto, o perito venha a revelar as suas convicções pessoais. Esta possibilidade de se efetuar um espancamento científico vem a contribuir com a escolha de uma melhor tecnologia, ou com uma melhor absorção

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dos pontos essenciais, constantes de doutrina ou de pesquisas científicas. O espancamento científico aqui referenciado, consiste em permitir, por meio do debate pautado na neoética, dissipar os pontos controvertidos, difusos, e resolver os necessários à convicção, com o rigor próprio da ciência que faz procriar a vigorosa prova, com uma segurança e certeza contabilística. Afastam-se com isto,

hipóteses que representam uma miragem

considerada especiosidade, ou quiçá, uma falácia. O perito do juiz, reconhecendo a divergência, quando do espancamento científico, dará a sua interpretação a ser observada pelos litigantes, cabendo a cada perito assistente, emitir o seu parecer com uma exposição fundamentada. Esta interpretação será ofertada somente quando da conclusão do labor do perito e seu requerimento de juntada do laudo aos autos.

Artigo 3.º

Princípios deontológicos gerais aplicados à perícia contábil.

§1 - No exercício das suas funções os peritos em contabilidade devem orientar a sua atuação pelos seguintes princípios:

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1. O princípio da integridade e imparcialidade - determina que o exercício da profissão seja pautado nos padrões de probidade, justiça e boa-fé;

2. O princípio da legalidade - o qual determina que todos os atos e fatos do perito devem se desenvolver na forma e nos limites da lei.

3. O princípio da idoneidade e capacidade científica - implica que os peritos em contabilidade devem aceitar apenas os trabalhos para os quais se sintam aptos a desempenhar;

4. O princípio da independência de juízo científico - implica que os peritos em contabilidade devem

manter-se equidistantes de qualquer pressão

resultante dos seus próprios interesses ou de influências de terceiros. Isso não impede de ouvir a opinião dos assistentes técnicos, ou discutir com eles aspectos de ciência e tecnologia;

5. O princípio da responsabilidade - implica que os peritos em contabilidade assumam as consequências pelo labor pericial;

6. O princípio da aptidão - implica que os peritos em contabilidade devem exercer as suas atribuições de forma proba e diligente, valendo-se da doutrina, dos conhecimentos e tecnologias disponíveis, respeitando a lei;

7. O princípio da confidencialidade - implica que os peritos em contabilidade e seus auxiliares guardem

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sigilo profissional sobre os fatos e os documentos de que tomem conhecimento no exercício das suas funções. A obrigação de guardar sigilo profissional permanece, mesmo depois de encerrado o labor pericial e inclui também a proibição de utilização, em proveito próprio ou de terceiros, de informação obtida no exercício da função. O segredo profissional é um direito inviolável e um dever fundamental do perito que, no exercício de seu labor científico, é um fiel protetor.

8. Os princípios da equidade e isonomia - implicam que os peritos em contabilidade devam garantir igualdade de tratamento e de atenção a todos os litigantes e seus representantes;

9. O princípio da impessoalidade - determina aos peritos, um tratamento isento de convicções de juízo de valor. Prevalecem os aspectos científicos. Este princípio prega que o direito não se refere ou não se dirige a uma pessoa em particular, mas às pessoas em geral: independentemente de qualquer circunstância ou particularidade. Logo, determina condutas obrigatórias e impede a adoção de comportamentos de favoritismo e serve para orientar a correta interpretação das normas positivadas.

10. Os princípios da lealdade e eticidade e sociabilidade - implicam que os peritos em contabilidade devem, nas suas relações recíprocas, proceder com correção e

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civilidade, abstendo-se de qualquer ataque pessoal ou alusão depreciativa, pautando a sua conduta no respeito pelas regras da ética e normas legais vigentes, para dignificar a profissão. Logo deve o perito, em relação aos colegas, evitar referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras.

§2 - Os peritos em contabilidade devem eximir-se da prática de atos que não sejam da sua competência profissional, nos termos da lei, sem que, com isto, estejam impedidos de participarem de trabalhos interprofissionais nos termos da CPC, pois a transdisciplinaridade, na perícia judicial ou extrajudicial, representa a sinergia de um labor que envolve duas ou mais áreas do conhecimento humano.

§3 - Os profissionais da perícia contábil devem zelar pela sua competência exclusiva na orientação científica e tecnológica dos serviços a seu cargo:

a. De forma continuada e atualizada, devem

desenvolver e aprimorar os seus conhecimentos e qualificações científicas e tecnológicas e as dos seus colaboradores;

b. Planejar, promover a logística e supervisionar a execução de qualquer serviço por que sejam responsáveis, bem como avaliar a qualidade do trabalho realizado por si e pelos seus auxiliares;

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c. Utilizar os meios tecnológicos mais adequados ao desempenho das suas atribuições.

§4 - Devem comunicar, imediatamente à justiça, eventual circunstância adversa que possa influir na conclusão da perícia, como embaraços à perícia, existência de impedimentos ou suspeição. E, se substituído em suas funções, deve informar à justiça qualquer fato de natureza sigilosa que deva chegar ao conhecimento de seu substituto, a fim de garantir a continuidade do serviço pericial. Devem evitar declarações públicas sobre os motivos da sua substituição ou renúncia.

§5 No exercício das suas funções os peritos em contabilidade devem considerar defeso:

a. angariar, direta ou indiretamente, serviços por meio de aviltamento dos seus honorários;

b. auferir qualquer provento, que não decorra

exclusivamente de sua prática intelectual;

c. assinar relatórios, pareceres ou laudos

elaborados por outrem, alheios à sua orientação, supervisão e fiscalização;

d. fazer apologia ou afluir para a realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la.

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e. solicitar ou receber das partes envolvidas, qualquer importância sem o consentimento do juiz, condutor da causa;

f. estabelecer entendimento, sobre a utilização de tecnologias, com um dos assistentes das partes sem ciência da outra ou do juiz;

g. descumprir o prazo estabelecido pela justiça, exceto por motivo que possa ser justificado;

h. lavrar interpretações tendenciosas sobre a

matéria que constitui objeto da perícia, mantendo absoluta independência científica na elaboração do respectivo labor;

i. deve abster-se de dar a conhecer sua convicção pessoal sobre os direitos de qualquer das partes interessadas, mantendo seu laudo no âmbito científico e legal;

j. emitir laudo ou parecer sem estar

suficientemente informado sobre o assunto;

k. aceitar trabalho de auxiliar do juiz quando qualquer das partes esteja ligada à pessoa do perito por laços de parentesco, consanguíneo ou afim, ou que o perito tenha interesse no resultado ou tenha orientado a parte.

Artigo 4.º

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Na fixação de honorários, deve ser evitada a

concorrência desleal por aviltamento, considera os

princípios da boa-fé e dignidade; portanto, devem ser levados em conta os seguintes elementos:

a. o benefício econômico, financeiro e social

almejado, a complexidade, os procedimentos a serem adotados e a dificuldade do serviço a executar;

b. o valor da hora e o tempo que se estima para a realização do trabalho, e o lugar em que o serviço será prestado, se na própria cidade de seu domicílio ou dela distante. Incluem-se as horas que serão consumidas em cada fase da realização do trabalho, inclusive a possibilidade de esclarecimento em audiência. Na hipótese de quesitos complementares, devem ser complementados os honorários, como também devem ser complementados, no caso de repetição de atos;

c. a logística necessária à boa condução do labor, incluindo os gastos com a depreciação de bens e demais

gastos como viagens, estadas, remuneração de

auxiliares, e a responsabilidade;

d. os pontos controvertidos fixados pelo juiz, as diligências que forem necessárias e os quesitos a serem respondidos.

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Artigo 5.º

Da transgressão.

Toda a forma de transgressão deste Código constitui uma não conformidade, tida como um ato profano, segundo a gravidade da irregularidade, devendo o perito sujeitar-se aos tribunais de ética, de sua classe, bem como aos procedimentos investigatórios instalados pela justiça, e a responder pelos atos que demandem responsabilidades, tanto na área civil como na área criminal.

Artigo 6.º

Das Disposições Finais.

Todas as normativas éticas, contidas em diplomas legislativos efetivados pelo Conselho Federal de Contabilidade, associações de peritos e pelo poder judiciário, consideram-se como uma regência suplementar às disposições correspondentes deste Código.

Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem ética e científica, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social e a justiça oriunda do nobre serviço de perito em contabilidade, que busca revelar a verdade real como sua contribuição à solução do litígio.

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Curitiba, fevereiro de 2011. Wilson Alberto Zappa Hoog

Mentor deste Código.

ii Informações sobre o autor e o seu currículo podem ser obtidas no seu sítio

eletrônico: www.zappahoog.com.br. O presente código deontológico, é uma criação do autor, e todo este artigo científico, é uma reprodução fiel de parte do livro: Perícia contábil uma abordagem racional cientifica, Editora Juruá – 2011.

Referências

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