RELATO DE EXPERIÊNCIA ESTÁGIO OBRIGATÓRIO I: APAAS
SAMID YNGRED GOMES DE SOUSA1; JOILTON PRIMO DOS SANTOS2;
YTALLO RANGELL DIAS3.
RESUMO
O estágio obrigatório é uma etapa de grande importância por fixar na prática tudo o que foi aprendido durante a vida acadêmica. O referido trabalho é relevante por se tratar de uma visão do acadêmico que está prestes a se formar, a experiência que adquire e como estende seu trabalho para a comunidade, sendo utilizada a amplitude de áreas de atuação a ele oferecida pela instituição na qual estuda. Conclui-se que se obteve uma imprescindível experiência fisioterapêutica, através da observação e assistência na ala pediátrica, principalmente nas crianças com PC, ressalta-se a importância da continuação desta parceria APAAS e Faculdade Rsá para maturação do ensino adquiridos pelos acadêmicos.
Palavras-Chave: Estágio. Fisioterapia. Paralisia Cerebral.
ABSTRACT
Compulsory traineeship is a very important step in establishing in practice all that has been learned during the academic life. This work is relevant because it is a vision of the academic who is about to graduate, the experience that he acquires and how he extends his work to the community, using the range of areas offered by the institution in which he studies. It was concluded that an essential physiotherapeutic experience was obtained through observation and assistance in the pediatric ward, especially in children with CP, it is important to continue this partnership between APAAS and Faculdade Rsá for maturation of the teaching acquired by the students.
Keywords: Internship. Physiotherapy. Cerebral Palsy.
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Acadêmica do curso bacharelado em Fisioterapia. 8º período. Instituto de Educação Superior Raimundo Sá. [email protected].
2 Fisioterapeuta, especialista em UTI. [email protected] 3
1- INTRODUÇÃO
O estágio obrigatório é uma etapa de grande importância por fixar na prática tudo o que foi aprendido durante a vida acadêmica. É um desafio e, portanto, o acadêmico deve se portar como profissional e começar a descaracterizar as dúvidas quanto à área que irá atuar.
Segundo o CREFITO 11, o estágio obrigatório é aquele que faz parte integrante do projeto pedagógico do curso e o cumprimento da carga horária é requisito obrigatório para formação acadêmica e obtenção do diploma, devendo, ainda, ter a supervisão direta por docente fisioterapeuta do curso devidamente contratado pela Instituição de Ensino Superior (IES).
E no cumprimento desta etapa, foi nos lançado o desafio de uma instituição que tem conseguido grande repercussão pela assistência a patologias de relatos raros ou de cunho neurológico e até mesmo no atendimento pediátrico contando com um atendimento multiprofissional, a APAAS.
A prática do que se aprende em sala de aula é que põe em questão o aprendizado acadêmico, se este se encontra preparado para o mercado de trabalho e como se sobressairá nas diversas situações. O acadêmico fixa uma linha de trabalho/atuação na vivência do estágio, busca-se minimizar déficits e progredir aperfeiçoando as técnicas até então vistas.
O referido trabalho é relevante por se tratar de uma visão do acadêmico que está prestes a se formar, a experiência que adquire e como estende seu trabalho para a comunidade, sendo utilizada a amplitude de áreas de atuação a ele oferecida pela instituição na qual estuda. Contribuindo para assistir os acadêmicos que ainda vivenciarão e as instituições envolvidas a melhorar o programa e instigar o estagiário a buscar pela sua progressão rotineiramente, oferecendo-o a oportunidade de tornar-se um profissional com um amplo conteúdo teórico e prático pronto para o mercado de trabalho.
2- EXPERIÊNCIA VIVENCIADA NA APAAS- PICOS/PI
No ciclo realizado na Associação Piauiense de Atenção e Assistência em Saúde (APAAS) no período 2017.1, no mês de abril, pode se observar o grande acervo de patologias assistidas e da vivência com outros profissionais, na realização do tratamento com uma equipe multiprofissional.
A importância dessa interação fisioterapeuta e os demais profissionais como TO (terapeuta ocupacional), psicólogo, fonoaudiólogo, dentre outros, se encontra na parceria e no compartilhamento de manobras que irão tornar o tratamento do paciente mais rápido e eficaz.
“A presença de distúrbios associados, como déficits visuais, de linguagem e cognitivos podem estar presentes nos diferentes níveis do GMFCS4 e se tornarem fatores limitantes da evolução motora esperada dentro de cada nível” (VASCONCELOS et at 2009).
O que torna mais necessário esse atendimento multiprofissional, e isso, traz muitas vantagens para a população como também para a equipe como um todo, como por exemplo, menciona Mayer et al (2007), na “discussão em torno dos pacientes, criação de vínculos com a comunidade, ampliação da atuação profissional gerando maior compromisso com a população”.
O estágio na APAAS se tornou uma experiência nova, e bastante produtiva. O acadêmico se vê diante de um vasto programa que engloba patologias, até mesmo raras, que necessitem da reabilitação, um dos principais focos trabalhados pelo profissional fisioterapêutico. E isso, o instiga a buscar mais sobre a patologia, o paciente, e a si mesmo como futuro profissional. Considera-se uma parceria eficaz, principalmente para o estagiário, que está disposto a absorver o máximo de práticas e desafios a ele lançados.
Dentre as patologias ali assistidas, a ala pediátrica foi a de maior contato, e a Paralisia Cerebral (PC) foi a que mais se observou, dentre algumas como a síndrome de Down, síndrome de West, Hipotonia Congênita, entre outras.
A paralisia cerebral (PC), também conhecida como encefalopatia crônica não progressiva da infância, é consequência de uma lesão cerebral estática, ocorrida no período pré, peri ou pós-natal que afeta o sistema nervoso central (SNC) em fase de maturação estrutural e funcional. São disfunções sensoriais e motoras, que envolvem distúrbios no tônus muscular, na postura e na movimentação voluntária. Tais distúrbios são caracterizados pela falta de controle sobre os movimentos, por modificações adaptativas do comprimento muscular e em alguns casos, levando a deformidades ósseas. Sendo assim, faz se necessário a realização de um tratamento objetivando a correção dos movimentos executados erroneamente e obtendo com isso os movimentos mais fisiológicos e precisos (CARGNIN e MAZZITELLI, 2003).
Os objetivos da fisioterapia com esse tipo de paciente são aperfeiçoar as atividades já realizadas pela criança, melhorar seu desempenho motor, cognitivo, desenvolver funções que
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ainda não foram estereotipadas em decorrência de sua lesão e inseri-lo socialmente. Para isso se faz necessário uma avaliação de mobilidade, tônus, estabilidade articular observando a fase em que a criança se encontra e o seu atraso e contribuir para progressão das atividades diárias de forma eficaz.
Os pacientes observados durante essa prática eram orientados, mas nem todos são colaborativos, dependendo do grau da patologia. Assim, torna o protocolo de tratamento individualizado e dependendo do feedback que o terapeuta recebe dos familiares e da criança, conseguirá traçar um atendimento especializado de acordo com o que a família espera que o seu filho alcance, sendo estes instruídos sobre o que a patologia agride e o que a fisioterapia conseguirá minimizar. Orientando-os quanto às limitações da criança, mas sempre objetivando melhorar a qualidade de vida dela.
Segundo Oliveira et al (2013) menciona as áreas que podem estar contribuindo para o tratamento do paciente com PC, as quais destaca: hidroterapia, equoterapia, cinesioterapia, além de equipamentos como esteiras, bancos de várias alturas, bolas, rolos, e também cita o uso do FES (Estimulação Elétrica Funcional), além de jogos e brinquedos.
O tratamento fisioterapêutico deve consistir no treinamento específico de atos como: levantar-se, dar passos ou caminhar, sentar-se, pegar e manusear objetos, além de exercícios com o objetivo de a inibição da atividade reflexa anormal para normalizar o tônus muscular e facilitar o movimento normal, com isso haverá uma melhora da força, da flexibilidade, da amplitude de movimento, dos padrões de movimento e, em geral, das capacidades motoras básicas para a mobilidade funcional. As metas de um programa de reabilitação são reduzir a incapacidade e aperfeiçoar a função (LEITE E PRADO, 2004).
Um dos conceitos utilizadas com eficácia no atendimento fisioterapêutico pediátrico é o Bobath que utiliza os “postos-chaves” de controle corporal, visando à facilitação do movimento normal.
Os protocolos fisioterapêuticos segundo Gomes e Golin (2013) adotados com maior frequência e que realizados durante o estágio foram:
• Inibição do padrão patológico com extensão de MMSS e flexão de MMII em cela, alinhamento de tronco e cabeça;
• Alongamento muscular de rotadores e inclinadores cervicais, elevadores de ombro, peitorais, flexores de cotovelo, punho e dedos, adutores de polegar, isquiotibiais, tríceps sural, adutores e flexores de quadril;
• Treino de rolar com ponto chave de quadril e cotovelo;
• Em prono, facilitação do controle cervical e de cintura escapular com apoio em antebraço, estabilização de quadril e uso de rolo terapêutico sob axilas / facilitação do controle cervical e de cintura escapular em prono com tapping de pressão, apoio em cotovelo, transferência de peso com e sem rolo;
• Facilitação do controle cervical e cintura escapular com ponto chave de cintura escapular e transferência de peso em MMSS, na postura quadrúpede, com tala extensora em MMSS, estabilização de MMII e auxílio de rolo terapêutico sob abdômen;
• Em sedestação (sentado), facilitação do controle cervical ede cintura escapular, com tala extensora em MMSS, padrão de inibição em MMII e liberação de um membro para brincar assistido;
• Ortostatismo com uso de tala extensora em MMSS e MMII e órtese suropodálica bilateral, com apoio anterior no rolo Bobath e posterior do terapeuta na pelve estimulando controle cervical e de cintura escapular e dissociação de cintura escapular.
“Doença respiratória pulmonar é uma importante causa de morbidade e mortalidade em pessoas com paralisia cerebral. Pelo menos dois terços desses pacientes apresentam tosse, chiado, a grande maioria apresenta tosse e rouquidão durante a alimentação e, alguns, apneias” (CARAM et al., 2010).
No tratamento terapêutico também poderão ser realizadas manobras de higiene brônquica com o uso do massageador terapêutico e técnicas vibratórias como o shaking, drenagem postural. Observou-se que poderia haver um estudo mais aprofundado sobre as características pneumológicas e a porcentagem de crianças com esses acometimentos e assim, favoreceria uma maximização do tratamento. Para os pacientes não orientados, em específico, deve-se frisar a prevenção de disfunções respiratórias e melhora da mecânica.
Segundo Mcilwaine, Button e Dwan (2015) a compressão e oscilação aplicadas durante a vibração produzem efeitos fisiológicos, tais como: aumento do pico expiratório, aumento expiratório do fluxo aéreo, carregando o fluxo de muco para a orofaringe, aumento
do transporte de muco pelo mecanismo de diminuição da viscosidade da secreção, utilizando como ideal uma frequência entre 3-17 Hz e a otimização do mecanismo da tosse via estimulação mecânica das vias aéreas. A vibração é aplicada manualmente no tórax durante a expiração após uma inspiração máxima.
Os músculos abdominais, incluindo o reto, o transverso do abdome e os oblíquos interno e externo, geralmente são descritos como músculos expiratórios que aumentam o recuo passivo dos pulmões. Sabendo disso, poder-se-ia acrescentar ao tratamento já realizado o fortalecimento dessa musculatura, por estes músculos também atuarem na rotação de tronco inferior o que irá possibilitar uma mudança de decúbito. Além de um treinamento da musculatura diafragmática – principal músculo responsável pela atividade pneumofuncional - para expansão pulmonar, melhorando a atividade respiratória e o movimento ativo de rolar.
A mobilização passiva de cinturas escapular e pélvica eram realizadas no rolo, tanto em decúbito ventral, como sentado em “cavalo”. A mobilização refere-se aos movimentos acessórios passivos que visam à recuperação da artrocinemática entre as superfícies articulares. O seu restabelecimento promove a congruência articular, diminui o atrito mecânico na articulação, melhora a dor, edema e, consequentemente, a função do segmento corporal comprometido (GREEN, REFSHAUGE e CROSBIE, 2001; DENEGAR, HERTEL e FONSECA, 2002).
Para iniciar esta etapa deve-se realizar um pré-treinamento através da dissociação de cinturas, que reduzirá a espasticidade presente e favorecerá a mudança de decúbitos e o desenvolvimento da marcha. É imprescindível conhecer as consequências da patologia, reconhecendo a individualidade de cada paciente, para assim elaborar e realizar um ptotocolo que atenda as necessidades daquela criança.
Figura 1 - Diagrama mostrando a patologia neuro-musculoesquelética na paralisia cerebral. Kerr Graham e Selber (2003).
Uma das características encontradas no atendimento pediátrico foram graus elevados de espasticidade ou o extremo de hipotonia muscular. A espasticidade é um sinal de lesão do Sistema Nervoso Central, com potencial incapacitante, podendo produzir dificuldades funcionais, deformidades e dor (Consenso Médico Espasticidade - SBMFR) caracterizado pelo aumento exacerbado do reflexo de estiramento com exasperação dos reflexos profundos e aumento do tônus muscular.
“O desequilíbrio muscular gerado pela espasticidade poderá levar a um encurtamento muscular, e este a uma deformidade torcional óssea, instabilidade articular e deformidade estruturada incapacitante” (KERR GRAHAM E SELBER, 2003).
Sabendo disso, realizávamos mobilização articular para estimular a propriocepção e o líquido sinovial, além de orientações quanto ao uso de órteses, liberação miofascial em pacientes espásticos e treinamento com recrutamento de fibras musculares nos pacientes que apresentavam fraqueza e hipotonia muscular.
“A espasticidade pode ser agravada por dor, stress, fadiga, febre, resfriados, doenças sistêmicas, dificuldades no sono, constipação, diarréia, roupas apertadas, órteses mal adaptadas, imobilização e alterações hormonais” (PATEL e SOYODE, 2005).
Devido a isso realizávamos uma avaliação prévia do estado físico do paciente e com isso, se pode analisar que no período dos atendimentos, havia um surto epidêmico de virose, e assim, a maioria das crianças estavam resfriadas e algumas ainda apresentavam estados febris. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que se obteve uma imprescindível experiência fisioterapêutica, através da observação e assistência na ala pediátrica, principalmente nas crianças com PC, ressalta-se a importância da continuação desta parceria APAAS e Faculdade Rsá para maturação do ensino adquiridos pelos acadêmicos. Destaca-se que o estagiário terapêutico deve buscar formas de aprimorar suas técnicas e praticar o conteúdo absorvido, e para isso necessita-se de uma autonomia na avaliação funcional e elaboração de um protocolo para cada paciente assistido. Além do desenvolvimento de um raciocínio clínico, contribuindo para progressão do tratamento oferecendo uma melhora na qualidade de vida desses pacientes, ressaltando as particularidades de cada um por terem o mesmo quadro clínico, a abordagem terapêutica pode mudar respeitando a individualidade de cada paciente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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