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Weeleni, A Chamada. Uma premissa

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Academic year: 2021

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Weeleni, A Chamada

A peça interroga individualmente cada bailarino sobre o invisível, ignorado pela razão, que tece o próprio fundamento das nossas vidas e das nossas relações com os outros e connosco.

O invisível que a consciência surda das nossas culturas se esforça por calar, escapa-nos, ques-tiona-nos, inspira-nos temor e maravilhamento.

Este APPEL (Chamamento), fora do sentido e do domínio, desactiva a nossa razão consciente e ecoam em nós como as palavras vazio, medo, solidão ou criação.

Podemos optar por não o escutar ou, pelo contrário, de nos abrirmos a ele.

Através de Gestes (Gestos) com coreografi a de Salia Sanou, Waati, le temps (Waati, o tempo) com coreografi a de Ousséni Sako e Fémininmasculin (Femininomasculino) com coreografi a de Seydou Boro dança-se a alma da companhia Salia nï Seydou, o seu empenho numa busca sincera e profunda sobre aquilo que nos leva a nascer, a viver e a criar.

Uma premissa

Enquanto novo desafi o para os coreógrafos, o solo justifi ca-se no próprio tema da peça.

Ele testemunha o percurso singular de artistas numa aventura comum.

Três solos, não como uma sucessão de painéis, mas inscritos numa única e mesma energia, onde a existência de cada peça só é possível através da observação das outras. No fi o da criação, reco-nhece-se, trio de solos.

Diálogo de danças e de músicas

A peça é composta por quatro músicos. Com uma paleta de cores musicais tão diferentes quanto o djembé da África Ocidental, a viola folk que pontua as melodias mandingas e a ligeireza dos instru-mentos de percussão marroquinos, a companhia Salia nï Seydou afi rma novamente o seu desejo

de inscrever as suas criações coreográfi cas além fronteiras.

Exploração de sons novos através do encontro de universos musicais diferentes, esta é a linha de criação musical destinada a sustentar a peça.

Gestes (Gestos)

Coreografi a: Salia Sanou

Assistido por Seydou Boro, Ousséni Sako

Composição Musical: Youssef el Mejjad, Dramane Diabaté

O chamamento do gesto, o dever do movimento, o voo da alma, umas costas desnudadas para ilu-minar olhos adormecidos, escondidos sob as pál-pebras. A surpresa feita pelo espírito ao corpo. O corpo que se revela ao espírito. Um corpo pleno de desejo de dançar a sua vida. Um corpo que se interroga para enfrentar o olhar dos outros. Um corpo que interroga o seu futuro através do pre-sente e da memória. As minhas costas são a minha face e a minha face é as minhas costas.

O chamamento do gesto espera oferecer aos olhares exactamente aquilo que não pode ser visível a olho nu. O não visível, o não manejável, o sem sentido, esta vida interior e interiorizada, esta palavra de bailarino proferida do interior, este fervilhar cá de dentro que temos permanen-temente vontade de traduzir em todas a línguas. Precisamente este estado de ser que vai interpelar um bailarino, levá-lo a ceder o seu corpo aos jogos da representação.

Salia Sanou

waati, le temps (Waati, o tempo)

Coreografi a: Ousséni Sako

Assistido por Salia Sanou, Seydou Boro

Composição Musical: Youssef el Mejjad, Dramane Diabaté

Waati, o tempo em língua malinké, convida-nos a tocar as fronteiras da nossa passagem da vida para a morte. Despertado pelos nossos sonhos, pelos nossos medos e desejos, dúvidas e certezas,

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o corpo evolui neste espaço turvo, colide, emerge, fere-se e cicatriza, assinalando a sua viagem com uma singular escrita.

Levar a dança aos espaços múltiplos e caóticos da nossa relação com o tempo e colocar a questão da nossa capacidade de fazer deste diálogo um espaço de criação, liberto dos nossos medos, ser actor das nossas próprias vidas.

Ousséni Sako

Fémininmasculin (Femininomasculino)

Coreografi a: Seydou Boro

Assistido por Salia Sanou, Ousséni Sako Composição Musical: Saïdou Khanzaï, Ibrahim Boro

Procurar num corpo fi xo as suas contradições e o seu esplendor. Orientar a gestualidade no sentido de uma confusão reparadora, tal é a vida. Derreter-se, tornar-se mais macio, mistu-rar-se, endurecer-se para existir. Fémininmasculin (Femininomasculino) fala-me, eu sou-o, todos nós o somos, sem o querer deixar transparecer. Algumas vezes escapa-nos, qual uma verdade de um corpo que surpreende.

Seydou Boro

nasce de um desejo de deixar a sua assinatura numa nova dança africana, através de uma escrita contemporânea, singular e profunda.

Oito anos após a sua primeira criação, sou-beram impor na cena internacional a imagem de uma dança criativa, mais ligada ao sentido e à emoção que à estética pura. Conscientes do que está actualmente em jogo na criação coreográfi ca em África, Salia e Seydou trabalham com vista a estabelecer um centro de desenvolvimento coreo-gráfi co dedicado à criação e às trocas artísticas.

Pelo seu trabalho enquanto bailarinos/coreó-grafos no Burkina-Faso e no resto do mundo, Salia Sanou e Seydou Boro receberam do governo francês a condecoração de Mérito das Artes e Letras, em Julho de 2002.

Actualmente, com a cumplicidade de Ousséni Sako, os dois coreógrafos assinam a sua quarta criação, uma peça para três bailarinos e qua-tro músicos originários do Burkina-Faso e de Marrocos, Weeleni, A Chamada, que a Culturgest agora apresenta.

Seydou Boro

Nascido em Ouagadougou, no Burkina-Faso, segue, desde 1990, uma formação artística profi ssional no seio da companhia de teatro Feeren. Enquanto actor e a partir de 1991 foi, entre outras coisas, intérprete dramático em Marafootage, de Amadou Bourou (primeiro prémio no Festival Internacional de Teatro do Benim), e depois em Oedipe-Roi de Sophocle (encenação de Eric Podor); em cinema, desempenhou um papel num fi lme de Dani Kouyaté L’héritage du griot (premiado no Festival Pan-Africano de Cinema de Ouagadougou) e em Le royaume du passage de Eric Cloué (França Zimbabwe). Integrou a companhia de Mathilde Monnier em 1992, onde participou em diferentes criações, Pour Antigone; Nuit; Arrêtez, arrêtons, arrête; Les lieux de là. No quadro dos projectos de sensibilização do Centro Coreográfi co Nacional de Montpellier Companhia Salia nï Seydou

Percurso

Com formações multidisciplinares, iniciados nas lides do teatro, do cinema, da dança e da música, Salia Sanou e Seydou Boro fazem parte desta nova corrente de coreógrafos africanos que de-fendem e reivindicam na cena internacional uma criatividade simultaneamente forte e original.

Em 1993, a sua colaboração com Mathilde Monnier abriu-lhes as vias de um novo campo de criação. Diante desta “porta aberta”, Salia Sanou e Seydou Boro souberam aproveitá-la para viver a experiência de culturas artísticas diferentes e explorar as vias de interpretação. Um ano depois, fundam no Burkina-Faso a companhia Salia nï Seydou e produzem a sua primeira peça, um duo a meio caminho entre a tradição africana e a mo-dernidade gestual. Trata-se de Le siècle des fous (O século dos loucos), primeiro prémio nacional do concurso internacional de dança contemporânea (Afrique en Créations, 1994).

Descobrem então, e ao mesmo tempo que um público estupefacto, o sucesso de uma peça que contém já os germes da sua criação vindoura. Confrontam-se igualmente com as duras reali-dades das programações europeias, com a difícil administração das produções... mas a cumplici-dade dos dois coreógrafos ressurge daí enrique-cida e a sua criação amadureenrique-cida, forte e fértil de novos projectos.

Em 1997, montam Figninto, l’oeil troué (Figninto, o olho vazado), uma peça para três bailarinos e dois músicos, coreografada por Seydou Boro assistido por Salia Sanou. Em 1999, é a vez de Taagalà, le voyageur (Taagalà, o viajante), uma peça para três bailarinos, uma bailarina e dois músi-cos, coreografada por Salia Sanou assistido por Seydou Boro, que será apresentada no Festival de Montpellier Danse, como testemunho de uma nova criação artística africana.

A cumplicidade entre Salia Sanou e Seydou Boro, alternadamente coreógrafos/intérpretes,

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Nuit; Arrêtez, arrêtons, arrête; Les lieux de là. Em 1994, assistido por Seydou Boro, coreografou Le siècle des fous (primeiro prémio nacional do Concurso de Dança Contemporânea Africana Afrique en Créations). Um ano mais tarde, Salia e Seydou associam-se e criam a companhia Salia nï Seydou. Paralelamente, Salia coreografou l’héritage (1996 – primeiro prémio em artes do espectáculo na Semana Nacional da Cultura no Burkina-Faso) e entre 1994 e 1998 interveio no meio escolar, no quadro dos projectos de sensibilização do Centro Coreográfi co Nacional de Montpellier Languedoc-Roussillon, no âmbito do tema ‘em torno de África’ (iniciação à tradição africana, dança, contos, cantares e músicas do Burkina--Faso) e em ‘habiter’ projecto comum do centro coreográfi co e da associação Art en thèse. Em 1998, a companhia Salia nï Seydou foi premiada na segunda edição dos Encontros da Criação Coreográfi ca Africana, em Luanda, Angola com Figninto, l’oeil troué, coreografi a de Seydou Boro (Setembro de 1997), assim como galardoada com o prémio revelação RFI espectáculo vivo 98. No quadro do Festival Internacional Montpellier Danse 2000, coreografou, assistido por Seydou Boro, Taagalà, le voyageur, uma peça para quatro bailarinos e dois músicos. Em 2001, coreografou Kupupura, para a companhia Tumbuka Dance do Ballet Nacional de Moçambique. Actualmente, Salia Sanou é director artístico dos Encontros Coreográfi cos da África e do Oceano Índico.

Ousséni Sako

Nascido em Ouagadougou, no Burkina-Faso, foi em 1992 que Ousséni Sako descobriu a dança com Dha Léon e Théodor Kafando, com os quais viria, um ano mais tarde, a criar o grupo de dança Kongoba. Paralelamente, prosseguiu com o seu trabalho junto de Alphonse Tierou, o primeiro director artístico dos Encontros Coreográfi cos da África e do Oceano Índico. Em 1995, no âmbito de intercâmbios culturais, o grupo partiu em di-Languedoc-Roussillon, interveio no meio escolar

em 1994, no âmbito do tema ‘em torno de África’ (iniciação à tradição africana, dança, contos, cantares e músicas do Burkina-Faso) e, em 1998, interveio em ‘habiter’ projecto comum do centro coreográfi co e da associação Art en thèse. Em 1995 revelou-se autor, assinando um conto para a companhia Cry d’Err, interpretado pelos alunos do colégio Ulysse. Seydou Boro colaborou na coreo grafi a de Salia Sanou Le siècle des fous (1995) (primeiro prémio nacional do Concurso de Dança Contemporânea Africana Afrique en Créations), com quem se associou para criar a companhia Salia nï Seydou. Juntos foram premiados na segunda edição dos Encontros da Criação Coreográfi ca Africana, em Luanda (Angola, Abril de 1998) com Figninto, l’oeil troué, que Seydou Boro coreografou, assistido por Salia Sanou (Setembro de 1997), recebendo ainda o prémio revelação RFI espectáculo vivo 1998. No mesmo ano decorreu ainda a rodagem do fi lme Papadodyma, de Fotini, uma co-produção entre a França e a Grécia. Seydou Boro é realizador de dois documentários sobre dança africana contemporânea La Rencontre (1999, 52 mn), La danseuse d’ébene (2002, 56 mn). No quadro do Festival Internacional Montpellier Danse 2000, foi coreógrafo assistente de Salia Sanou para a criação Taagalà, le voyageur.

Salia Sanou

Nascido em Léguéma, no Burkina-Faso, estudou arte dramática na escola de teatro da União Nacional dos Agrupamentos Dramáticos de Ouagadougou. Fez a sua formação em dança africana com Drissa Sanon (Ballet Koulédafrou de Bobo-Dioulasso), Alasane Congo (Casa dos Jovens e da Cultura de Ouagadougou), Irène Tassembedo (companhia Ebène) e Germaine Acogny (Ballet do 3º mundo). Integrou a com-panhia de Mathilde Monnier em 1992, onde

participou em diferentes criações, Pour Antigone; Tradução: Rute Paredes

gressão para Lome com Mmr. Sodjaphe, e depois para França com a Associação Demande Moi La Lune. Em 1998, passou uma audição com a coreó-grafa Irène Tassembedo e foi seleccionado para bailarino do Ballet Nacional do Burkina-Faso. No período que se seguiu, trabalhou com as coreó-grafas Elsa Wolliaston e Mathilde Monnier e em 1999 integrou a companhia Salia nï Seydou, como bailarino intérprete para a peça Taagalà, le voyageur. Ousseni passou a dividir a sua vida artística en-tre as criações da companhia Salia nï Seydou e a companhia Kongo Ba Téria com a qual alcançou o terceiro prémio dos Encontros Coreográfi cos da África e do Oceano Índico (edição de 2001), com a peça Vi Neem, de que é co-autor juntamente com Lassina Coulibaly.

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Coreografi a Salia Sanou, Seydou Boro, Ousséni Sako Bailarinos Seydou Boro, Salia Sanou, Ousséni Sako

Músicos Dramane Diabaté (percussão), Ibrahim Boro (guitarra), Seydou

Sana (guitarra),Youssef El Mejjad (teclado, canto)

Luzes Laurent Cauvain Cenografi a Fousséni Compaoré Figurinos Martine Somé

Produção e Divulgação Nicolas Girardin, Ousmane Boundaoné

Co-produção Festival International des Théâtres Francophones en Limousin;

Centre Culturel Jean Pierre Fabrègue - ville de St Yrieix; Théâtre National de Bretagne; Centre Culturel Français Georges Méliès – Ouagadougou; Centre Culturel Français Henry Matisse – Bobodioulasso; Cie Salia nï Seydou

Com o apoio de Maison des Arts et de la Culture de Créteil; Centre

Choégraphique National de Montpellier Languedoc-Roussillon; Ministère des Arts, de la Cutture et du Tourisme du Burkina Faso; Programme de Soutien aux Initiatives Culturelles (PSIC); Association Française d’Actions Artistique (programme Afrique en Créations); Agence Intergouvernementale de la Francophonie (AIF); 651 ARTS Black Dance: Tradition and Transformation program, Afrique Exchange; Bernard Schmidt productions; Les fi lms Pénélopes

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Conselho de Administração

Presidente Manuel José Vaz Vice-presidente Miguel Lobo Antunes Vogal Luís dos Santos Ferro Director Técnico Eugénio Sena

Produção Margarida Mota da Costa, Paula Tavares

dos Santos, António Sequeira Lopes, Catarina Carmona, Patrícia Blázquez, Marta Cardoso, Rute Sousa, Maria do Céu Jimenez, Filipe Folhadela Moreira, Cristina Ribeiro, Paulo Silva, Tiago Bernardo, Álvaro Coelho, Nuno Cunha, Teresa Figueiredo, Sofi a Fernandes

Direcção de Cena e Iluminação Horácio Fernandes Maquinaria de Cena José Luís Pereira Audiovisuais Américo Firmino, Paulo Abrantes Operador de Luzes Fernando Ricardo Técnicos de Palco Alcino Ferreira, Nuno Alves Bilheteira Manuela Fialho, Edgar Andrade

Referências

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