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CURSO DE FORMAÇÃO DE CONSELHEIROS

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Academic year: 2019

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APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

O objetivo deste módulo é essencialmente instrumental, ao preparar o gestor para a compreensão dos

relatórios contábeis da empresa, bem como dos indicadores deles emergentes, auxiliando-o na escolha

das métricas financeiras que melhor traduzem o objetivo estratégico.

A Unidade 1 terá por objetivo apresentar os principais demonstrativos financeiros da empresa de

maneira sintética e sob um enfoque gerencial. Serão abordados, portanto, os aspectos essenciais para

uma interpretação básica da informação contida no Balanço Patrimonial, na Demonstração de

Resultado do Exercício e do Fluxo de Caixa Operacional. Assim, aqueles alunos que já tem

intimidade com esse demonstrativo poderão acelerar sua leitura, detendo-se com mais calma no caso

ilustrativo da Erald S.A. Para tais alunos, também são recomendados os materiais adicionais

indicados nas seções “Um passo a mais”.

Na Unidade 2 abordaremos os indicadores de liquidez, que buscam mensurar a solvência da empresa,

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da empresa, sob a ótica das finanças corporativas. Serão também trabalhados os conceitos de Ciclo

Operacional e Ciclo de Caixa, ambos de enorme importância para a gestão financeira de curto prazo.

A Unidade 3 aprofunda-se na análise da situação financeira de curto prazo da empresa ao apresentar a

Análise Dinâmica das contas circulantes do Balanço. O rearranjo proposto por essa análise, em

conjunto com algumas das informações reportadas pela DRE, permite-nos realizar uma verificação

mais completa da saúde financeira de determinada unidade de negócio, principalmente quando a

mesma apresenta-se ou em fase de rápida expansão, ou em crescente dificuldade financeira.

Por fim, a Unidade 4 traz algumas medidas adicionais de eficiência operacional ao abordar

indicadores de rentabilidade, lucratividade e geração de valor ao acionista. Para proporcionar uma

perspectiva mais concreta dos conceitos, ao longo de todas as unidades é apresentado o caso

ilustrativo da Erald S.A. com as devidas análises sobre a situação econômico-financeira da empresa.

Seu entendimento é de fundamental importância para a apreensão do conteúdo pertinente, bem como

para o desenvolvimento dos exercícios de fixação do guia didático e, posteriormente, das atividades

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UNIDADE 1 – REVISANDO OS PRINCIPAIS DEMONSTRATIVOS FINANCEIROS

O Balanço Patrimonial e as Demonstrações dos Resultados do Exercício (DRE) são os principais

demonstrativos contábeis exigidos pela legislação brasileira, visto que os demais relatórios são

elaborados com base nas informações neles contidas. Por esse motivo, a maior parte dos indicadores

financeiros utilizados são baseados nestes dois relatórios, justificando nossa opção por trabalhar

quase exclusivamente com eles ao longo deste módulo. Assim, essa seção tem por objetivo revisar os

conceitos fundamentais inerentes a esses dois demonstrativos, sob o enfoque de uma análise

gerencial. Isto é, nossa preocupação não será quanto aos conceitos contábeis/legais, mas

majoritariamente quanto à interpretação de suas contas e implicações das mesmas para com os

indicadores financeiros que norteiam a operacionalização da estratégia corporativa.

Balanço Patrimonial

Esse relatório busca refletir a situação econômico-financeira da empresa em um momento específico,

representando, portanto, uma configuração estática de seu status patrimonial. Assim, quando olhamos

para o Balanço Patrimonial de uma corporação, estamos analisando a posição acumulada de suas

contas, desde o início de sua atividade empresarial. Como consequência, o Balanço de um único

exercício social (ano fiscal) não é suficiente para medir a evolução da empresa naquele período,

diferentemente do que ocorre com a DRE. Tal exercício só será possível quando incluímos o Balanço

do período anterior, pois as variações apresentadas em cada conta indicarão a evolução das mesmas

naquele exercício social.

Descendo ao concreto, quando verificamos, por exemplo, que a conta Lucros Acumulados de 2015 de

certa empresa era de R$ 20 milhões, nada se pode afirmar sobre a evolução de seus lucros no período.

No entanto, caso a mesma empresa tivesse encerrado o exercício social de 2014 com um montante de

R$ 17 milhões nessa conta, poderíamos saber que houve uma retenção de lucros da ordem de 3

milhões ao longo de 2015.

O Balanço Patrimonial está estruturado em 3 partes inter-relacionadas. Do lado esquerdo são

apresentadas as contas pertencentes aos Ativos da empresa, isto é, aos seus bens (máquinas e

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utilização desses ativos que a empresa poderá gerar suas receitas. Os recursos utilizados na obtenção

desses ativos aparecem discriminados no lado direito do balanço, que reúne as contas do Passivo – o

qual agrega os recursos de terceiros utilizados na empresa –, e as contas do Patrimônio Líquido, que

por refletir o patrimônio dos proprietários, agrega os recursos de capital próprio da organização.

Assim, pode-se dizer que as contas do lado direito do Balanço (Passivo + Patrimônio Líquido)

aglutinam os recursos que financiam os ativos da empresa. A Figura 1 apresenta estes grupos de

forma esquemática.

Figura 1: Grupos de contas do Balanço Patrimonial Elaborado pelo autor (2016)

A relação entre essas três partes do balanço permite-nos definir o Patrimônio Líquido de uma empresa

como sendo a diferença entre seus Ativos e Passivos, conforme traduzido na equação abaixo:

ô í = − 2"3

Em outras palavras, ao subtrairmos os deveres (passivo) dos bens e direitos (ativos) de uma

organização, temos uma medida de seu patrimônio, o chamado valor contábil. Dessa forma, quanto

maior a diferença entre ativo e passivo, maior seu valor contábil. Isto é, maior o patrimônio

acumulado pelos seus proprietários. Analogamente, caso as obrigações de certa empresa superem

seus bens e direitos, a mesma terá Patrimônio Líquido negativo, indicando, evidentemente, uma

situação de grande fragilidade financeira. ATIVO

PASSIVO

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Contas Circulantes e Não Circulantes

As contas do Balanço Patrimonial são subdivididas em dois grupos em decorrência do tempo para

que os itens pertencentes a cada conta sejam realizados (isto é, pagos ou recebidos). Quando essa

realização se dá em um prazo menor que 1 ano, pertencerá às contas Circulantes (Ativo ou Passivo),

ao passo que irão compor as contas Não-Circulantes quando tal prazo for superior a 1 ano. A título de

exemplo, suponha a situação de uma construtora que está lançando um novo empreendimento. As

parcelas de suas vendas com vencimento durante o ano fiscal irão compor o Ativo Circulante (pois

são um direito de recebimento de uma venda já realizada), enquanto que as parcelas com vencimento

superior a esse prazo serão reunidas no Ativo Não Circulante. Analogamente, caso a empresa tenha

contratado um empréstimo bancário para financiar o empreendimento, as parcelas desta dívida com

vencimento em até 1 ano seriam alocadas no Passivo Circulante, ao passo que as com vencimento

superior a esse prazo fariam parte do Passivo Não Circulante.

Fazem parte, ainda, do Ativo Não Circulante, grande parte dos bens da empresa, como edificações,

licenças de softwares e mesmo a participação em outras empresas. Tais itens seriam alocados,

respectivamente, nas contas de Imobilizado, Intangível e Investimento, por exemplo.

Esquematicamente, as contas do Ativo são distribuídas em ordem decrescente de liquidez. Isto é,

quanto mais fácil é para a empresa transformar aquele bem/direito em caixa, maior a prioridade do

referido item no ordenamento do Balanço. Por esse motivo, o ordenamento comumente encontrado UM PASSO A MAIS: Valor Contábil, Valor de Mercado e Valor Econômico da empresa

O Valor Contábil normalmente não reflete o Valor Econômico (ou intrínseco) de uma empresa. O

entendimento mais moderno em finanças é de que esse valor decorre da capacidade que a empresa tem em gerar caixa. Assim, tem-se três conceitos distintos: o Valor Contábil, que mede o Patrimônio Líquido da

empresa, o Valor de Mercado, que mede o valor atribuído à empresa pelo mercado acionário quando a

mesma é listada na Bolsa, e o Valor Econômico, que indica quanto a empresa vale realmente. Um exemplo emblemático da diferença entre o Valor Contábil e o Valor de Mercado é o da GOL Linhas Aéreas S.A. A

empresa é listada na Bovespa e encerrou 2015 com um Patrimônio Líquido negativo de R$ -4,5 bilhões. No

entanto, nesse mesmo período, seu Valor de Mercado na Bolsa era de R$ 10,8 bilhões. A diferença entre Valor Contábil e Valor de Mercado é tão comum, que o indicador que as relaciona (o chamado Preço/Valor

Patrimonial) é bastante utilizado para verificar o quão cara/barata uma ação está sendo negociada no

mercado. Neste contexto, uma ação com um Valor de Mercado muito maior que seu Valor Patrimonial será considerado “cara”, ao passo que será dita “barata” quando essa relação for menor do que 1. Indicamos o

site abaixo como uma interessante plataforma que reúne alguns dos principais indicadores contábeis das

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no Ativo Circulante será: Disponibilidades –> Contas a Receber –> Estoques, visto ser muito mais

rápido para a empresa converter em moeda uma aplicação financeira (disponibilidade) do que um

componente da matéria-prima (estoque). A Figura 2 apresenta um Balanço Patrimonial genérico com

algumas de suas principais contas.

Figura 2: Exemplo genérico de um Balanço Patrimonial Elaborado pelo autor

Alternativamente, as contas do Passivo também podem ser agrupadas em dois conjuntos conforme a

natureza da obrigação existente. Quando a obrigação se refere a uma dívida financeira, na qual há

incidência de juros em decorrência do empréstimo, ela é considerada um passivo oneroso, enquanto

que as obrigações inerentes às atividades operacionais (como faturas de fornecedores a pagar) são

chamadas de passivo não-oneroso. Neste contexto, vale observar que os valores que compõem o

passivo não-oneroso incluem não apenas eventuais contas em atraso, mas também aqueles itens com

prazo para pagamento. Assim, uma fatura de R$ 20.000 que a empresa tenha com um de seus

fornecedores para pagamento em 45 dias, por exemplo, irá compor a conta de “Fornecedores a pagar”

do Passivo Circulante. Da mesma forma, uma venda a prazo que ela tenha feito a um de seus clientes

será alocada no “Contas a Receber” do Ativo Circulante.

Demonstração do Resultado do Exercício – DRE

Conforme mencionado anteriormente, enquanto o Balanço Patrimonial fornece uma visão estática da

empresa, em virtude de seu caráter cumulativo, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

apresenta uma visão dinâmica do resultado econômico da empresa ao longo de um determinado Ativo Circulante Passivo Circulante

Disponibilidades Empréstimos e Financiamento Contas a Receber (Clientes) Contas a Pagar (Fornecedores)

Estoques Salários a pagar

Impostos a pagar Ativo Não Circulante

Realizável a longo prazo Passivo Não Circulante

Investimentos Exigível a longo prazo

Imobilizado Empréstimos e Financiamento

Intangível

Patrimônio Líquido Capital Social Lucros Acumulados

ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

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exercício social. Metaforicamente, poderíamos dizer que dois Balanços de exercícios sucessivos

fornecem os pontos de início e partida da trajetória econômica da organização, enquanto a DRE

mostra como ela percorreu esse trajeto. Em essência, esse relatório mostra de que forma as Receitas e

os Gastos (Custos e Despesas) contribuíram para a geração de resultado da empresa. A Figura 3

apresenta um modelo genérico da forma como a DRE é estruturada.

Figura 3: Modelo genérico de DRE Elaborado pelo autor

Esquematicamente, podemos dividir a DRE em três grupos: resultados operacionais, resultados não

operacionais, e resultados líquidos. O primeiro apresenta como a empresa gerou resultado a partir de

suas atividades operacionais, isto é, pela compra e venda de serviços. Neste grupo, os gastos

incorridos pela empresa são divididos em Custos do Produto Vendido e Despesas Operacionais, sendo

que os primeiros referem-se aos dispêndios relacionados ao processo produtivo (como matéria-prima,

por exemplo), e estes decorrem de gastos não-relacionados ao processo produtivo (como o aluguel,

por exemplo). A diferença entre esses grupos resultará no Lucro Operacional da empresa, informação

de enorme valia para o gestor da organização.

No segundo grupo são reunidas as receitas e gastos decorrentes de operações financeiras. Exemplos

desses itens são os juros auferidos pela empresa em suas aplicações financeiras, no caso das receitas,

e os juros pagos em eventuais empréstimos, no caso das despesas financeiras. Reunindo as

informações do primeiro e segundo grupos, tem-se o Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR) o

qual, após a dedução tributária, resulta no Lucro Líquido do exercício. A parte deste lucro que não for

distribuída aos proprietários em forma de dividendos será somada à conta de Lucros Acumulados do

Balanço Patrimonial. Assim, o Balanço se vincula à DRE pela conta de Lucros Acumulados. DRE

Receita Bruta

(-) Impostos sobre receitas (=) Receita Líquida

(-) Custo do Produto Vendido (=) Lucro Bruto

(-) Depreciação e Amortização (-) Despesas Operacionais (=) Lucro Operacional

(+/-) Receitas/Despesas Financerias Resultado Não Operacional (=) Lucro Antes do Imposto de Renda

(-) IR e CSLL Lucro Líquido

Resultado Operacional

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Regime de Competência e Fluxo de Caixa Operacional

Uma informação essencial na análise do Balanço e da DRE é que os registros realizados nestes

relatórios são feitos pelo critério do “regime de competência”. Isto é, as movimentações são

contabilizadas no momento em que são contratadas, e não quando são efetivamente desembolsadas.

Assim, por exemplo, uma venda realizada a prazo será imediatamente registrada como receita na

DRE, independentemente de seu pagamento. Concomitante a esse registro, tal venda será também

lançada no Balanço no item “Contas a Receber”, sendo baixado da mesma somente quando do

pagamento por parte do cliente. Analogamente, uma compra a prazo realizada com um fornecedor de

matéria-prima, por exemplo, será registrada na conta “Custo do Produto Vendido” da DRE, e lançada

no “Contas a Pagar” do Passivo no Balanço Patrimonial, sendo baixada desta última conta somente

quando a empresa pagar o fornecedor.

Tal entendimento é importante pois traz uma implicação prática na leitura da DRE: as informações

nela contidas não refletem necessariamente as movimentações (entradas/saídas) de caixa da empresa.

Assim, é necessário que se façam alguns ajustes na DRE para que se possa demonstrar as

movimentações de caixa geradas pela organização naquele exercício social. O relatório denominado

“Demonstração dos Fluxos de Caixa”, cuja divulgação é obrigatória para as empresas de capital

aberto, visa cumprir essa função. Por brevidade, não trataremos em detalhes esse relatório,

limitando-nos à análise somente do fluxo de caixa gerado pelas atividades operacionais da empresa, visto ser

essa a informação de maior validade ao gestor financeiro da organização. A Figura 3 sintetiza os

ajustes que devem ser realizados na DRE para que seja demonstrado o Fluxo de Caixa gerado pela

empresa em suas operações.

E NO CASO DAS COOPERATIVAS?

No caso das cooperativas, a estrutura do Balanço será virtualmente a mesma apresentada acima. Apenas no

caso da DRE é que haverá algumas mudanças de nomenclatura, em função do caráter de não-finalidade de lucros apresentado por essas organizações. Assim, para tais entidades, não falamos de “lucro” em um

exercício social, mas sim de “sobras”. Consequentemente, as contas de resultado da cooperativa são

renomeadas para sobras operacionais (análoga ao lucro operacional), sobras líquidas do exercício (análoga ao lucro líquido), e sobras à disposição da Assembleia Geral Ordinária (isto é, o resultado líquido após as

reservas legais e estatutárias). Os conceitos subjacentes a essas contas, bem como sua interpretação,

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Figura 4: Fluxo de Caixa Operacional gerado pela empresa Elaborado pelo autor

A título ilustrativo, vamos supor que uma certa empresa tenha realizado, logo antes do final de seu

exercício social, uma venda a prazo no valor de R$ 50.000, bem como uma compra a prazo no valor

de $ 30.000 junto a um de seus fornecedores de matéria-prima. Ora, pelo princípio do regime de

competência, as duas movimentações terão sido registradas na DRE, mas sem o respectivo

desembolso financeiro, dado que foram feitas a prazo. Assim, para refletirmos a real circulação

financeira, devemos diminuir os R$ 50.000 da venda a prazo da DRE (pois, de fato, a empresa não

recebeu esse valor) e aumentar o resultado em R$ 30.000 (pois, de fato, a empresa não pagou esse

valor). Conforme já citado, no Balanço Patrimonial a venda a prazo estaria no “Contas a Receber” do

Ativo, e a compra a prazo, no “Contas a Pagar” do Passivo. Generalizando este raciocínio, os

aumentos do Contas a Receber devem ser diminuídos do resultado do exercício mostrado na DRE, ao

passo que os aumentos do Contas a Pagar, devem ser somados. O termo “aumento” é necessário pois,

conforme já exposto, o Balanço reflete uma posição estática (acumulada) das contas da empresa.

Assim, para sabermos quanto uma empresa gerou de “Contas a Receber” em determinado exercício,

por exemplo, devemos medir a variação dessa conta ao longo do período.

O mesmo raciocínio vale para as outras contas operacionais do passivo/ativo, ilustradas na Figura 4.

Já a conta “Depreciação e Amortização”, deve ser sempre somada, pois se trata apenas de uma

informação contábil que visa refletir a deterioração dos bens da empresa em função do uso dos

mesmos, não refletindo um desembolso financeiro propriamente dito. Em termos coloquiais, a

empresa não “paga” a ninguém a despesa de depreciação. Logo, esse “gasto”, que diminui o resultado

na DRE, deve ser novamente somado para refletir a movimentação financeira que de fato foi

realizada.

FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL Lucro Líquido

(+/-) Diminuição/Aumento do Contas a Receber (+/-) Diminuição/Aumento dos Estoques (+/-) Aumento/Diminuição do Contas a Pagar (+/-) Aumento/Diminuição de Salários a Pagar (+/-) Aumento/Diminuição de Impostos a Pagar

(+) Depreciação e Amortização

(=) Fluxo de Caixa das atividades Operacionais

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Caso Ilustrativo: as demonstrações financeiras da Erald S.A.

Abaixo são apresentados o Balanço Patrimonial da Erald S.A. nos últimos dois exercícios sociais,

bem como a DRE de 2015. Com base neles, responda as questões que seguem:

BALANÇO PATRIMONIAL - Erald S.A. 2.015 2.014

Ativo Circulante 321.045 254.000

Caixa 16.590 19.410

Aplicações Financeiras 39.455 49.590

Contas a receber 124.100 80.500

Estoques 140.900 104.500

Ativo Não Circulante 1.108.555 1.098.390

Imobilizado 1.097.135 1.087.730

Intangível 11.420 10.660

ATIVO TOTAL 1.429.600 1.352.390

Passivo Circulante 147.710 120.720

Empréstimos e Financiamentos 58.760 34.270

Fornecedores 47.600 49.500

Salários a pagar 23.500 21.070

Impostos a pagar 17.850 15.880

Passivo Não Circulante 742.115 716.650 Empréstimos e Financiamentos 715.990 693.690

Impostos diferidos 26.125 22.960

Patrimônio Líquido 539.775 515.020

Capital Social 144.770 144.770

Lucros Acumulados 395.005 370.250

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01.Qual foi o aumento exibido pelas contas de curto e de longo prazo da empresa em 2015?

Curto Prazo: Ativo Circulante = 321.405 – 254.000 = 60.956 Passivo Circulante = 147.710 – 120.720 = 26.990

Longo Prazo: Ativo Não Circulante = 1.108.555 – 1.098.390 = 10.165

Passivo Não Circulante = 742.115 – 716.650 = 25.465

02.Pode-se afirmar que a empresa contraiu empréstimos em 2015? Justifique.

Sim. Pois a conta “Empréstimos e Financiamentos” sofreu um aumento tanto no curto quanto no longo

prazo, denotando que a empresa adquiriu mais empréstimos no período. Especificamente, esse aumento foi de 24.490 no curto prazo (58.760 – 34.270) e de 22.300 no longo prazo (715.990 – 693.690), totalizando 46.790.

03.Qual foi a evolução da conta “Lucros Acumulados” no período, e qual o % do resultado

líquido que a empresa reteve?

Lucro Acumulado_2014 = 370.250

Lucro Acumulado_2015 = 395.005, logo: Variação = 24.755 Lucro Líquido_2015 = 49.510

% Retido = 24.755 / 49.510 = 50%. Logo, concluímos que a empresa reteve 50% de seu lucro e distribuiu como dividendos os outros 50%.

04.A empresa possui mais bens e direitos ou obrigações no curto prazo? Justifique.

Bens e direitos. Ativo Circulante_2015: 321.045. Passivo Circulante_2015: 147.710.

05.A empresa financia suas operações majoritariamente com Capital Próprio ou com Capital de

Terceiros? Justifique.

DRE - Erald S.A. 2.015

Receita Bruta 1.491.600

(-) Impostos sobre receitas 223.740 (-) Custo do Produto Vendido 745.800

(=) Lucro Bruto 522.060

(-) Depreciação e Amortização 88.946

(-) Despesas Operacionais 250.700

(=) Lucro Operacional 182.414

(-) Despesas Financerias 107.399

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda 75.016

(-) IR e CSLL 25.505

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Com Capital de Terceiros. Capital Próprio: 539.775. Capital de Terceiros: 889.825 (=147.710 + 742.115).

06.Qual foi o Fluxo de Caixa Operacional gerado pela empresa em 2015?

Fluxo de Caixa Operacional = Lucro Líquido – Aumento Contas a Receber – Aumento dos Estoques + Aumento dos Fornecedores a pagar + Aumento Salários a pagar + Aumento Impostos a pagar + Depreciação

e Amortização.

Aumento Contas a Receber = 124.100 – 80.500 = 43.600 Aumento Estoques = 104.500 – 140.900 = 36.400

Aumento Fornecedores a pagar = 47.600 – 49.500 = – 1.900 (diminuição, portanto)

Aumento Salários a pagar = 23.500 – 21.070 = 2.430 Aumento Impostos a pagar = 17.850 – 15.880 = 1.970

Fluxo de Caixa Operacional = 49.510 – 43.600 – 36.400 + (- 1.900) + 2.430 + 1.970 + 88.940 = 60.956

REFERÊNCIAS

BERK, J.; DEMARZO, P. Finanças Empresariais. Porto Alegre: Bookman, 2009.

FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. O Modelo Fleuriet. A dinâmica financeira das empresas brasileiras. Rio de Janeiro. Editora Campus, 2003

GITMAN, L. Princípios de Administração Financeira. 12ª ed. São Paulo. Editora Pearson, 2010

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UNIDADE 2 – INDICADORES FINANCEIROS DE CURTO PRAZO

Como vimos na unidade anterior, as contas do Balanço Patrimonial podem ser divididas em dois

grupos: contas de curto prazo (circulantes) e de longo prazo (não-circulantes). Assim, quando falamos

da análise financeira da empresa no curto prazo estamos nos referindo ao seu comportamento

econômico inferior a um ano. Consequentemente, indicadores que envolvam a mensuração de sua

situação financeira neste prazo terá seu foco nas contas circulantes do Balanço, bem como em todos

os itens da DRE, dado que esta compreende a geração de resultado ao longo de 1 ano fiscal.

Neste contexto, a presente unidade busca apresentar os principais indicadores financeiros de curto

prazo. Para tanto, a mesma está subdividida em duas partes: Indicadores de Liquidez e Indicadores de

Atividade. Boa leitura!

PARTE 1:ÍNDICES DE LIQUIDEZ

Em finanças corporativas, o termo “liquidez” se refere à solvência financeira da empresa, isto é, à sua

capacidade de honrar com as obrigações de curto prazo (passivo circulante). Dessa forma, os

indicadores de liquidez relacionam de alguma maneira, as contas do ativo e do passivo circulantes da

empresa. Dentro da perspectiva da disciplina, tais índices enquadram-se, normalmente, como sendo

medidas de sobrevivência, uma vez que a deterioração dos mesmos é comumente associada a

problemas graves de fluxo de caixa ou mesmo da insolvência iminente do negócio. Neste material,

destacaremos três dentre os diversos existentes: a) índice de liquidez corrente; b) índice de liquidez

seca; e c) índice de liquidez imediata.

Índice de Liquidez Corrente

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De modo geral, quanto maior o índice de liquidez corrente, mais líquida é a empresa, isto é, maior sua

capacidade de honrar suas dívidas de curto prazo. Por exemplo, uma liquidez corrente de 2,0 indica

que para cada $1,00 em obrigações de curto prazo, a empresa detém $ 2,00 em ativos, apresentando,

portanto, capacidade de sobra para honrar com essas obrigações.

A análise da saúde financeira da empresa por meio dos índices de liquidez deve sempre ser colocada

sob a perspectiva do setor em que a empresa está inserida. Setores industriais associados a bens

duráveis (isto é, produtos cujo uso é prolongado, como veículos e imóveis, por exemplo)

demandarão, normalmente, um maior investimento da empresa em ativos circulantes – basta pensar

no valor dos estoques para as empresas de construção civil, por exemplo. Já empresas prestadoras de

serviço com ampla participação de mercado, como as concessionárias de serviço público, por

exemplo, demandam um investimento muito menor em seus ativos circulantes, o que lhes permite

manter níveis de liquidez bem menores. Assim, um índice de liquidez de 1,2 para uma construtora

poderá ser muito mais preocupante que um índice de liquidez 0,8 de uma prestadora de serviços.

Analogamente, uma empresa com um índice de liquidez muito acima da média do seu setor

provavelmente não estará fazendo bom uso de seus ativos de curto prazo (por exemplo, mantendo

níveis de estoques elevados em excesso), indicando possível ineficiência em suas operações.

Logo, um nível satisfatório de liquidez será definido por meio da comparação com empresas do

mesmo setor em igual período ou da comparação deste índice para a mesma empresa ao longo de

períodos sucessivos.

Índice de Liquidez Seca

Na unidade anterior mencionamos que as contas do Ativo Circulante são classificadas em ordem de

liquidez, isto é, da capacidade que a empresa teria de transformas aqueles direitos em caixa. Dentre as

contas de curto prazo clássicas do ativo (Disponibilidades, Contas a Receber e Estoques), os Estoques

são as menos líquidas, visto apresentarem maior dificuldade de serem convertidas em dinheiro. Nesse

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suas obrigações circulantes ao excluir do Ativo Circulante a conta “estoques”. Além disso, conforme

exposto anteriormente, uma empresa com um nível de estoques excessivamente elevado teria uma

liquidez corrente alta, o que não implica, necessariamente, em maior saúde financeira, dado que este

excesso poderia denotar o acúmulo de produtos desatualizados ou obsoletos. Dessa maneira, a

liquidez seca estrutura-se assim:

= − (3)

Índice de Liquidez Imediata

A liquidez imediata vai um passo além da seca ao excluir todos os ativos circulantes que não sejam

“caixa” – dinheiro em conta corrente – ou “Equivalentes a Caixa” – aplicações financeiras de

altíssima liquidez. A proposta desse indicador é medir a capacidade da empresa honrar imediatamente

todas as obrigações de curto prazo, se necessário. A junção dessas contas é comumente denominada

“disponibilidades”, termo bastante comum de ser encontrado nos informes financeiros. Assim, o

índice é calculado da seguinte forma:

= (4)

Novamente, a análise desse indicador deve ser feita de forma relativa. Uma empresa com liquidez

imediata excessiva em relação a seus pares, ainda que objetivamente tenha grande saúde financeira de

curto prazo, pode apresentar uma gestão demasiadamente conservadora, deixando de lado

oportunidades de negócio a fim de buscar a geração de resultados financeiros, fugindo de suas

competências essenciais.

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# $ %$ $ $ & '

Utilizando o Balanço Patrimonial da Erald S.A, disponibilizado na página 10, determine a liquidez

corrente, seca e imediata da empresa em 2014 e 2015 e avalie, com base nesses indicadores se a

empresa melhorou ou piorou sua situação financeira de curto prazo (Nota: por simplicidade, a figura

abaixo apresenta apenas as contas de curto prazo da empresa).

01.Liquidez:

a) Liquidez Corrente2014 = 254.000/120.720 = 2,10 Liquidez Corrente2015 = 321.045 / 147.710 = 2,17 b) Liquidez Seca2014 = (254.000 – 104.500) / 120.720 = 1,24

Liquidez Seca2015 = (321.045 – 140.900) / 147.710 = 1,22

c) Liquidez Imediata2014 = (19.410 + 45.590) / 120.720 = 0,54 Liquidez Imediata2015 = (16.590 + 39.455) / 147.710 = 0,38

02.Análise.

O índice de Liquidez Corrente apresenta um leve aumento, o que poderia, inicialmente, indicar uma pequena melhora da situação financeira da empresa. No entanto, ao analisar os demais índices mais a fundo,

percebemos que esse aumento foi provocado pelo incremento dos Estoques e do Contas a Receber, que são ativos menos líquidos. Com isso, o índice de Liquidez Imediata sofreu uma sensível deterioração, indicando

que a empresa aumentou sua fragilidade financeira de curto prazo.

PARTE 2:ÍNDICES DE ATIVIDADE

Como se depreende de seu nome, os indicadores de atividade monitoram a eficiência da empresa no

exercício de suas atividades operacionais. Em finanças corporativas, o termo “operação” da empresa BALANÇO PATRIMONIAL - Erald S.A. 2.015 2.014

Ativo Circulante 321.045 254.000

Caixa 16.590 19.410

Aplicações Financeiras 39.455 49.590

Contas a receber 124.100 80.500

Estoques 140.900 104.500

Passivo Circulante 147.710 120.720

Empréstimos e Financiamentos 58.760 34.270

Fornecedores 47.600 49.500

Salários a pagar 23.500 21.070

(18)

! ".

# $ %$ $ $ & '

refere-se ao seu ciclo produtivo, isto é, aos prazos associados à compra da matéria-prima,

processamento do produto, venda e efetivo recebimento financeiro da venda de sua mercadoria.

Quanto menores estes prazos, mais eficiente é a empresa, inclusive do ponto de vista econômico,

dado que a redução desses prazos irá implicar em uma menor necessidade da empresa investir capital

em estoques ou no giro do negócio. Neste material enfatizaremos os seguintes índices de atividade:

Prazo Médio de Estoques, Prazo Médio de Recebimento e Prazo Médio de Pagamento, Giro de

Estoques e Giro do Ativo Total

Prazo Médio de Estoques

Este indicador mede quantos dias, em média, os produtos comercializados pela empresa ficam em

estoques. Ele compreende tanto o tempo médio que a empresa leva entre a compra da matéria-prima

junto a seus fornecedores e a transformação desta em produto acabado, quanto ao número de dias que

seus produtos acabados levam até serem efetivamente vendidos. Seu cálculo se dá pela seguinte

fórmula:

= × 360

% (5)

O valor de 360 se refere ao número de dias convencionado para um ano. Sua multiplicação se faz

necessária para compatibilizar os prazos envolvidos nas contas de Estoque e de Custo do Produto

Vendido. Isso porque, conforme mencionado na Unidade 1, a conta de Estoques deriva do balanço

patrimonial que, por sua vez, mostra a posição contábil da empresa em um determinado dia, ao passo

que a DRE, de onde provém a informação do Custo do Produto Vendido, reúne informações

financeiras anuais da empresa. Assim, para que as contas sejam padronizadas, deve-se anualizar os

estoques, multiplicando por 360, ou transformar em dias o Custo dos Produtos Vendidos, dividindo-o

por 360. Por simplicidade, optamos pela primeira alternativa.

(19)

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Esse índice busca medir quantos dias, em média, a empresa leva entre a venda de seu produto e o

efetivo pagamento por parte dos clientes. Assim, tal indicador será influenciado tanto pelos prazos de

pagamento que a empresa concede, quanto por eventuais inadimplências por parte de seus clientes.

Seu cálculo se faz da seguinte forma:

& = & × 360

& (6)

Prazo Médio de Pagamento

Esse indicador busca determinar, em dias, o prazo que a empresa consegue negociar junto de seus

fornecedores, sendo parametrizado da seguinte maneira:

= ' × 360

% (7)

Deve-se salientar que, no uso desses indicadores de atividade, é assumido que os valores contidos

nessas contas do Balanço Patrimonial ao final do período são uma boa aproximação do saldo médio

da conta ao longo de todo o período de análise. A título de ilustração, imaginemos uma empresa que,

a poucos dias do final do ano, realizou uma grande venda a prazo. Na elaboração de seu balanço

anual em 31/12, em função dessa venda atípica, seu Contas a Receber receberia um valor alto que

distorceria seu Prazo Médio de Recebimento, se o mesmo fosse calculado com base apenas na

informação do Balanço desse dia. Consequentemente, decisões baseadas em tal indicador estariam

enviesadas por um evento atípico que não reflete a operação da empresa na grande maioria de seus

dias. Logo, sempre que possível, é aconselhável que se utilize Balanços Trimestrais ou mesmo

Balancetes Mensais na determinação dos prazos médios dos índices de atividade da empresa,

diminuindo a distorção trazida por eventos fora do padrão, ou pela sazonalidade enfrentada por certos

(20)

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Outra observação pertinente é que tais prazos devem ser colocados sob a perspectiva do setor a que a

empresa pertença. Assim, para avaliar se um índice está ou não adequado, deve-se compará-lo ou

com indicadores de empresas do mesmo setor, ou com os índices apresentados pela empresa em um

período correlato do passado. Evidentemente, empresas pertencentes à Construção Civil, por

exemplo, apresentarão prazos de estoque e de recebimento bastante altos, dada a natureza do bem que

produzem (afinal, um prédio leva considerável tempo para ser construído e vendido – prazo médio de

estoques – e outro longo período para que os apartamentos vendidos sejam efetivamente pagos –

prazo médio de recebimento).

Giro de Estoques

O giro do estoque busca medir a eficiência operacional da empresa no que diz respeito à sua

capacidade de renovação dos estoques. Quanto maior for esse índice, maior é a eficiência da

organização, indicando que os produtos da empresa ficam, em média, poucos dias em estoque1, pois os mesmos “giram” muitas vezes ao longo do período. Ele é dado pela seguinte relação:

( = % (8)

Giro do Ativo

De forma análoga ao indicador anterior, o giro do ativo também mede a eficiência da empresa, mas

neste caso, não se limitando apenas às suas atividades operacionais, mas sim quanto ao uso de seus

ativos. Portanto, níveis elevados deste indicador sugerem que a empresa faz bom uso de seus ativos.

O índice é dado pela seguinte equação:

1

(21)

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( = %

* (9)

Caso Ilustrativo: Os Prazos Médios da Erald S.A.

Utilizando o Balanço Patrimonial da Erald S.A, disponibilizado na página 10, determine os Prazos

Médios de Estoque, de Recebimento e de Pagamento da empresa em 2015. Sabendo que a média do

setor para esses prazos é a seguinte: PME: 72 dias, PMR: 35 dias PMP: 20 dias, avalie se a empresa

apresenta uma situação financeira de curto prazo melhor ou pior que seus pares setoriais. Avalie

também o Giro do Estoque e o Giro do Ativo Total, sabendo-se que a média do setor é de 4,2 e 0,95,

respectivamente. (Nota: por simplicidade, a figura abaixo apresenta apenas as contas de curto prazo

e parte da DRE da empresa).

PME = 140.900 x 360/745.800 = 68 dias

PMR = 124.100 x 360/1.491.600 = 30 dias PMP = 47.600 x 360/745.800 = 23 dias

BALANÇO PATRIMONIAL - Erald S.A. 2.015

Ativo Circulante 321.045

Caixa 16.590

Aplicações Financeiras 39.455

Contas a receber 124.100

Estoques 140.900

Passivo Circulante 147.710

Empréstimos e Financiamentos 58.760

Fornecedores 47.600

Salários a pagar 23.500

Impostos a pagar 17.850

DRE - Erald S.A. 2.015

Receita Bruta 1.491.600

(-) Impostos sobre receitas 223.740 (-) Custo do Produto Vendido 745.800

(=) Lucro Bruto 522.060

(-) Depreciação e Amortização 88.946

(-) Despesas Operacionais 250.700

(=) Lucro Operacional 182.414

(-) Despesas Financerias 107.399

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda 75.016

(-) IR e CSLL 25.505

(22)

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Giro Estoques = 745.800 / 140.900 = 5,3

Giro do Ativo Total = 1.491.600 / 1.429.600 = 1,04

Seu PME é inferior ao da média do setor, indicando que a empresa é mais eficiente em suas operações. Seu

PMR também é menor que o setorial, significando que a empresa consegue receber de seus clientes antes do que seus concorrentes. Por fim, seu PMP é superior ao do setor, o que mostra que a empresa consegue

negociar prazos maiores com seus fornecedores, obtendo mais “fôlego” para seu giro. Essa eficiência se

reflete nos índices de giro, visto que ambos ficaram acima da média setorial, indicando que seus estoques e ativos giram mais ao longo do ano do que o observado por seus pares. Por tais motivos, pode-se dizer que a

empresa apresenta uma situação financeira de curto prazo mais confortável do que a média do setor.

Ciclo de Caixa e Ciclo Operacional

Os indicadores de atividade acima apresentados permitem determinar ainda duas valiosas

informações financeiras: o Ciclo Operacional e o Ciclo de Caixa. O primeiro, refere-se ao período

compreendido entre a compra da matéria prima e o recebimento efetivo da venda por parte do cliente.

Da forma como é definido, o Ciclo Operacional implica na soma dos Prazos Médios de Estoque e de

Recebimento. Quanto mais longo esse prazo, maior a ineficiência operacional da empresa, dado ter

sido maior o tempo consumido na elaboração, venda e recebimento de seus produtos.

Já o Ciclo de Caixa indica por quanto tempo a empresa deve financiar suas atividades operacionais,

ou seja, o tempo compreendido entre o pagamento a seus fornecedores pela compra da matéria-prima

e o efetivo recebimento da venda a seus clientes. Quanto mais longo for esse prazo, maior será o

investimento em giro demandado por sua operação. A figura 5 ilustra esses ciclos:

Figura 5: Ciclo Operacional e Ciclo de Caixa Elaborado pelo autor

Compra da Matéria Prima a prazo

Venda do produto acabado a prazo

Pagamento da compra pelo cliente

Ciclo Operacional

Ciclo de Caixa

PME PMR

(23)

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A partir da interação entre os Prazos Médios ilustrados na figura, é possível deduzir as seguintes

expressões:

+ = + & (10)

- = + − = + & − (11)

Novamente, a comparação com a média setorial é necessária para a qualificação dos prazos

apresentados pela empresa. Setores de grande investimento em capital, como a construção civil,

demandarão longos prazos de caixa e operacional, ao passo que empresas prestadoras de serviço, por

não acumularem estoques e não comercializarem bens de alto valor de face, terão ciclos normalmente

bastante reduzidos.

Caso Ilustrativo: O Ciclo de Caixa e o Ciclo Operacional da Erald S.A.

Utilizando os prazos médios da empresa calculados anteriormente, determine o ciclo de caixa e o

ciclo operacional da Erald, e compare com os ciclos do setor.

a) Erald: Ciclo Operacional = 68 + 30 = 98 dias

Ciclo de Caixa = 98 – 23 = 75 dias

b) Setor: Ciclo Operacional = 72 + 35 = 107 dias Ciclo de Caixa = 107 – 20 = 87 dias

A empresa encontra-se em situação financeira mais confortável que a média do setor, pois precisa financiar

suas operações (investimento em capital de giro) por menos tempo. E NO CASO DAS COOPERATIVAS?

Os indicadores apresentados nessa unidade são perfeitamente replicáveis nas contas patrimoniais das cooperativas. A única ressalva fica por conta da análise comparativa com empresas comerciais (ou seja,

com fins lucrativos), ainda que do mesmo setor. Como usualmente os principais clientes das cooperativas

são os próprios cooperados, estas organizações podem gerar valor a estes comprando níveis elevados de estoques, em prejuízo de sua eficiência econômica. Por tal motivo, recomenda-se que a análise relativa

dessas entidades seja feita com outras organizações de mesma natureza.

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REFERÊNCIAS

BERK, J.; DEMARZO, P. Finanças Empresariais. Porto Alegre: Bookman, 2009.

FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. O Modelo Fleuriet. A dinâmica financeira das empresas brasileiras. Rio de Janeiro. Editora Campus, 2003

GITMAN, L. Princípios de Administração Financeira. 12ª ed. São Paulo. Editora Pearson, 2010

(25)

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UNIDADE 3:ANÁLISE DINÂMICA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

A análise dinâmica das demonstrações financeiras é de grande importância no acompanhamento da

situação econômica da empresa, pois apresenta uma visão mais aprofundada da saúde financeira

empresarial do que a análise clássica de liquidez. Inicaremos esse capítulo apresentando um exemplo

ilustrativo.

Na figura abaixo são apresentadas as contas circulantes de duas empresas pertencentes ao mesmo

setor. Ambas apresentaram vendas de $ 1.000.000 e um custo do produto vendido de $ 600.000. Com

base nessas informações, determine a liquidez corrente e seca e os índices de atividade e avalie qual

das empresas apresenta a melhor situação financeira de curto prazo.

Conforme o exposto na unidade anterior, os índices de liquidez serão os seguintes:

Empresa A: Liquidez Corrente = 125.000 / 120.000 = 1,04

Liquidez Seca = (125.000 – 45.000) / 120.000 = 0,67

Empresa B: Liquidez Corrente = 120.000 / 90.000 = 1,33

Liquidez Seca = (120.000 – 55.000) / 90.000 = 0,72

Como a Empresa B apresentou índices de liquidez superiores, concluímos que sua situação financeira

é superior ao da empresa A. Analisemos agora os índices de atividade.

Empresa A: PME = 45.000 x 360 / 600.000 = 27 dias

PMR = 20.000 x 360 / 1.000.000 = 7 dias

Empresa A Empresa B

Ativo Circulante 125.000 120.000

Caixa 5.000 2.000

Aplicações Financeiras 55.000 18.000

Contas a Receber 20.000 45.000

Estoques 45.000 55.000

Passivo Circulante 120.000 90.000

Empréstimos 15.000 40.000

Fornecedores 50.000 25.000

Salários a pagar 30.000 10.000

(26)

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PMP = 50.000 x 360 / 600.000 = 30 dias

Ciclo de Caixa = 27 + 7 – 30 = 4 dias

Empresa B: PME = 55.000 x 360 / 600.000 = 33 dias

PMR = 45.000 x 360 / 1.000.000 = 16 dias

PMP = 25.000 x 360 / 600.000 = 15 dias

Ciclo de Caixa = 33 + 16 – 15 = 34 dias

Como a empresa B leva mais tempo para produzir, vender e receber a venda de seus produtos, ao

passo que apresenta menor prazo de pagamento junto a seus fornecedores seu Ciclo de Caixa

mostra-se muito superior que o da empresa A, o que indica uma situação financeira de maior fragilidade.

Assim, enquanto os índices de liquidez indicam que a empresa B possui maior solidez financeira, os

índices de Atividade apontam para a empresa A. Por que tais resultados são contraditórios? Como

avaliar qual empresa realmente apresenta a melhor situação financeira? A análise dinâmica dos

demonstrativos financeiros fornece resposta a essas perguntas

PARTE 1:NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO E SALDO DE TESOURARIA

Em muitas circunstâncias, a classificação tradicional das contas de curto prazo do balanço se mostra

inadequada para uma análise dinâmica da situação econômico-financeira da empresa, fazendo com

que certos indicadores contábeis se mostrem imprecisos na mensuração da saúde financeira

empresarial. Isso ocorre porque certas contas do ativo circulante como os Estoques e o Contas a

Receber representam uma aplicação permanente de recursos da empresa. Assim, aumentos sucessivos

nessas contas implicam necessariamente na diminuição do caixa gerado pela empresa (ver Unidade

1), podendo prejudicar sua situação financeira quando esse aumento é pronunciado.

Por outro lado, as contas de curto prazo do passivo representam uma fonte de financiamento

empresarial que, quando administrada em patamares razoáveis, alivia a demanda por capital para a

manutenção das operações da empresa e aumenta a geração de caixa operacional. Incrementos na

conta de Fornecedores, por exemplo, representa um aumento no prazo médio de pagamento que a

empresa negocia com seus fornecedores, diminuindo o tempo no qual a empresa deve financiar o seu

ciclo de caixa. Algo análogo ocorre com as contas de Salários ou Impostos. Como tais pagamentos

(27)

! ,5

# $ %$ $ $ & '

trabalho, e o imposto é recolhido no mês subsequente à venda), os mesmos “aliviam” o ciclo de caixa

da empresa, pois permitem a ela receber a venda antes mesmo de ter que pagar os envolvidos nesse

processo (fornecedores, funcionários ou governo), ou, na pior das hipóteses, evita pagar aos

envolvidos muito antes do recebimento da venda efetivada.

Dessa forma, percebemos que certas contas do passivo circulante diminuem a necessidade de

investimento em capital de giro (ciclo de caixa) ao passo que outras contas do ativo de curto prazo

aumentam essa necessidade. No entanto, os índices clássicos de liquidez dão um tratamento contrário

a essas contas, visto que níveis altos da conta Fornecedores, por exemplo, irão prejudicar o indicador,

ao passo que valores representativos da conta de Estoque ou do Contas a Receber irão beneficiar o

índice.

O Modelo Dinâmico de Análise de Empresas, também conhecido por Modelo Fleuriet busca tratar

dessa questão ao propor um modelo que reclassifica as contas de curto prazo da empresa, de acordo

com o ciclo operacional dela. Assim, as contas de curto prazo são reclassificadas em 2 grupos:

a. Contas Operacionais (ou cíclicas): neste grupo são reunidas aquelas contas diretamente

relacionadas com o ciclo de atividade da empresa. Ex.: contas a pagar, estoques, fornecedores,

salários, etc.

b. Contas de Tesouraria (ou erráticas): aquelas que não estão diretamente relacionadas com a

operação da empresa. Ex.: caixa, aplicações financeiras, empréstimos, etc.

Estas contas são então agrupadas, sendo que a inter-relação entre as contas do ativo e do passivo dão

origem a dois conceitos fundamentais para esse modelo: a Necessidade do Capital de Giro e o Saldo

de Tesouraria.

Necessidade de Capital de Giro

Como se deduz de seu nome, a Necessidade de Capital de Giro (NCG) busca mensurar a demanda

que a empresa apresenta de investimento em seu giro operacional. Empresas com alta NCG indicam

que sua operação necessita de um alto volume de financiamento em suas operações seja por recursos

próprios, seja por recursos de terceiros. Tais empresas apresentam um descompasso entre o prazo de

(28)

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# $ %$ $ $ & '

necessitando que, nesse ínterim, suas atividades sejam financiadas de alguma forma. Assim, tem-se

que valores altos e crescentes da NCG normalmente estarão associados a prazos longos e crescentes

do Ciclo de Caixa. Ela é determinada da seguinte forma:

. ( = + − + (12)

Quanto maiores os valores do Contas a Receber e dos Estoques, por exemplo (ambos classificados

como Ativos Operacionais pela definição acima), em relação à conta de Fornecedores (passivo

operacional), maior será o descasamento entre os prazos de Estoque-Recebimento e o prazo de

Pagamento, implicando em maior necessidade de financiamento de suas atividades (NCG).

Evidentemente, a NCG depende em grande medida do setor ao qual a empresa se insere. Empresas de

bens duráveis, como construtoras, demandarão alta necessidade de financiamento de seu giro em

virtude de seu longo ciclo operacional. Da mesma forma, empresas varejistas em geral também

apresentarão uma NCG alta, pois precisam manter níveis mínimos de estoques de produto acabado

para evitar perdas em suas vendas. Por outro lado, será comum que empresas prestadoras de serviço

apresentem baixos valores de NCG, visto que seus estoques são comumente irrisórios.

Saldo de Tesouraria

As demais contas não classificadas como operacionais no circulante, são então reunidas no grupo

“Tesouraria”. De forma análoga ao que ocorre na NCG, o Saldo de Tesouraria será determinado pela

diferença entre as respectivas contas do Ativo e Passivo, conforme a expressão abaixo:

* = * − * (13)

Valores altos e/ou crescentes do Saldo de Tesouraria indicam que a empresa vem apresentando um

acúmulo de recursos próprios (caixa e aplicações financeiras) em relação a recursos de terceiros

(empréstimos e financiamentos no curto prazo), representando uma melhoria de sua saúde financeira.

(29)

! ,6

# $ %$ $ $ & '

crescente por recursos de terceiros no curto prazo, e um consequente aumento de sua fragilidade

financeira.

A associação entre esses conceitos (Necessidade de Capital de Giro e Saldo de Tesouraria) permite

uma visão dinâmica da evolução financeira das operações da empresa. Assim, valores altos de NCG

não seriam preocupantes, desde que lastreados por saldos positivos na Tesouraria. Por outro lado,

quando associados a saldos negativos na tesouraria, significam que a empresa financia sua atividade

com capital de terceiros. Quando tais demandas (de giro e de empréstimo de curto prazo) são

crescentes, tem-se uma empresa a caminho da insolvência. De maneira análoga, uma NCG pequena,

indica que a empresa possui um ciclo de caixa desafogado, permitindo um baixo investimento em

suas operações. Quando negativa, demonstra que ela não necessita buscar recursos para financiar suas

operações, pois as mesmas são financiadas pelos fornecedores.

Voltando ao exemplo que abriu a unidade, as contas circulantes seriam reclassificadas conforme a

figura abaixo:

E, da reclassificação, teríamos que:

Empresa A:

NCG = (20.000 + 45.000) – (50.000 + 30.000 + 25.000) = - 40.000

Tesouraria = (5.000 + 55.000) – (15.000) = + 45.000

Empresa B:

NCG = (45.000 + 55.000) – (25.000 + 10.000 + 15.000) = + 50.000

Tesouraria = (2.000 + 18.000) – (40.000) = - 25.000

Empresa A Empresa B

Ativo Circulante 125,000 120,000

Caixa 5,000 2,000 Tesouraria

Aplicações Financeiras 55,000 18,000

Contas a Receber 20,000 45,000

Estoques 45,000 55,000

Passivo Circulante 120,000 90,000

Empréstimos 15,000 40,000

Fornecedores 50,000 25,000 Operacional

Salários a pagar 30,000 10,000

(30)

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# $ %$ $ $ & '

A empresa A apresenta confortável situação financeira, pois não demanda nenhum investimento em

suas operações, dado ter uma NCG negativa, o que a permite acumular em tesouraria todo o resultado

operacional. Já a empresa B apresenta dificuldade financeira, pois sua necessidade de investimento

em giro (NCG > 0) é financiada com empréstimos (Tesouraria < 0). Tais resultados mostram-se

consistentes com o comportamento de seus indicadores de atividade.

Caso Ilustrativo: Análise Dinâmica do Balanço da Erald S.A.

Reclassifique as contas de curto prazo da Erald S.A de acordo com o modelo de análise dinâmica e

avalie sua situação financeira de curto prazo.

Contas Operacionais: Contas a Receber e Estoques (no Ativo Circulante) e Fornecedores, Salários a pagar e Impostos a pagar (no Passivo Circulante).

Contas de Tesouraria: Caixa e Aplicações Financeiras (no Ativo Circulante) e Empréstimos e

Financiamentos (no Passivo Circulante).

Assim, teremos que:

Em 2014:

NCG = (80.500 + 104.500) – (49.500 + 21.070 + 15.880) = 98.550 Tesouraria = (19.410 + 49.590) – (34.270) = 34.730

Em 2015:

NCG = (124.100 + 140.900) – (47.500 + 23.500 + 17.850) = 176.050 Tesouraria = (16.590 + 39.455) – (58.760) = - 2.715

BALANÇO PATRIMONIAL - Erald S.A. 2.015 2.014

Ativo Circulante 321.045 254.000

Caixa 16.590 19.410

Aplicações Financeiras 39.455 49.590

Contas a receber 124.100 80.500

Estoques 140.900 104.500

Passivo Circulante 147.710 120.720

Empréstimos e Financiamentos 58.760 34.270

Fornecedores 47.600 49.500

Salários a pagar 23.500 21.070

(31)

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0-# $ %$ $ $ & '

Os resultados demonstram que a empresa piorou substancialmente sua situação financeira de curto prazo,

pois ela aumentou a necessidade de financiar suas operações (aumento do NCG em quase 80%) no período. No entanto, essa necessidade não foi acompanhada de uma geração de caixa em igual proporção. Com isso, a

empresa se viu obrigada a financiar sua operação com recursos de terceiros - veja o aumento substancial em empréstimos de curto prazo – levando o seu saldo de tesouraria a patamares negativos. Caso a empresa não

reaja a essa situação, em pouco tempo poderá apresentar problemas severos de solvência.

PARTE 2:AUTOFINANCIAMENTO E CICLO FINANCEIRO

Em termos gerais, a situação mais comum encontrada nas empresas é a ocorrência de uma

Necessidade de Capital de Giro positiva, pois o usual é que o Ciclo Operacional (lembrando, o prazo

entre adquirir, produzir, vender e receber a venda) seja superior ao prazo que a mesma negocia com

seus clientes. Como a NCG está diretamente relacionada às atividades que a empresa exerce, é natural

que ela apresente uma NCG crescente à medida que suas vendas cresçam. Tal comportamento não

representa, por si mesmo, nenhum indicativo de turbulência financeira, desde que tal aumento seja

acompanhado por uma geração de caixa coerente. Neste contexto, cabe o seguinte questionamento:

como avaliar se o crescimento da NCG decorrente de sua expansão operacional é sustentável, isto é,

não irá prejudicar sua saúde financeira de curto prazo? A resposta a essa pergunta é de fundamental

importância, principalmente em vista de organizações, ou unidades de negócios em fase de

crescimento. A comparação entre as taxas de autofinanciamento e o ciclo financeiro auxilia a elucidar

essa questão.

Taxa de Autofinanciamento e Ciclo Financeiro

O termo autofinanciamento aqui empregado refere-se à capacidade que a empresa demonstra de gerar

caixa a partir de suas atividades operacionais. Em vista desse objetivo, o autofinanciamento assume

expressão quase idêntica ao do fluxo de caixa operacional apresentado na Unidade 1, sendo, portanto,

calculado da seguinte forma:

(32)

! 0"

# $ %$ $ $ & '

Quando o crescimento das vendas da empresa se dá de forma sustentável, o autofinanciamento por

ela gerado é suficiente para cobrir sua necessidade de investimento em giro (NCG). Do contrário,

quando sua geração de caixa é inferior a seu NCG, tal necessidade deve ser coberta com fontes não

operacionais, isto é, com o caixa acumulado pela empresa. Tal fato, em si, não é problemático, sendo

bastante comum em unidades de negócio em fase de crescimento, conforme já exposto. No entanto,

caso tal tendência não se reverta, cedo ou tarde a empresa se verá impelida a buscar recursos com

terceiros (bancos e factorings) para financiar suas operações, quando então passará a apresentar

Saldos de Tesourarias negativos. Se este comportamento for mantido, a empresa fatalmente

caminhará para a insolvência.

Assim, para que a expansão de suas operações se dê de forma saudável, é de se esperar que seu

autofinanciamento supere sua necessidade de capital de giro (Autofinanciamento > NCG).

Dividindo-se esDividindo-ses indicadores pelo faturamento, temos o conceito de taxa de autofinanciamento e de ciclo

financeiro, conforme as expressões:

* - / = /

% (15)

' = . (

% (16)

Consequentemente, espera-se que: Taxa de autofinanciamento > Ciclo Financeiro. Caso não seja

observado esse comportamento ao longo de períodos sucessivos, teremos um cenário no qual o

crescimento em vendas é sustentado por valores crescentes da NCG que, por sua vez, é financiada em

proporções maiores por capital de terceiros, levando a valores negativos e crescentes do Saldo de

Tesouraria da empresa. Temos assim, de um lado, um crescimento contínuo das vendas e do NCG e,

do outro, uma queda contínua do Saldo de Tesouraria. Esse fenômeno é denominado de “Efeito

Tesoura” em uma alusão à crescente dispersão apresentada pela NCG e Tesouraria da empresa ao

longo do tempo.

Esse efeito é uma das causas mais comuns para o falecimento de empresas geradoras de receita (e,

mesmo, lucrativas até certo momento) que passam por forte processo de expansão. Como em tais

empresas, o crescimento é sustentado por patamares crescentes de capital de terceiros, eventuais

(33)

! 0,

# $ %$ $ $ & '

de sua NCG, levando a empresa à insolvência. Arapuã, Mesbla, Disapel, entre outros, são exemplos

de grandes redes varejistas vitimadas por esse efeito.

Caso Ilustrativo: Taxa de Autofinanciamento e Ciclo Financeiro da Erald S.A.

Determine a taxa de autofinanciamento e o Ciclo Financeiro da Erald S.A. em 2015 e compare com a

análise realizada anteriormente.

UM PASSO A MAIS: Startups: Crescimento nas receitas ou geração de caixa?

Um dos grandes fenômenos do capitalismo nos últimos anos são as Startups. Capitaneadas por exemplos

emblemáticos como Facebook e Google, essas organizações vêm se multiplicando ao redor do planeta, ao

propor modelos de negócios inovadores, normalmente associados a novas tecnologias. Após um intenso movimento inicial, os investidores dessas empresas agora cobram delas resultados mais concretos. Em

outras palavras, a aposta em boas ideias agora cobra a entrega de resultados, isto é, lucro. Cedo ou tarde, a

unidade de negócio em expansão será cobrada por gerar caixa (autofinanciamento), pois o investidor sabe que crescimento sem a correspondente geração de caixa para financiá-lo (taxa de autofinanciamento < ciclo

financeiro) torna a empresa insustentável. O trecho abaixo foi retirado de uma matéria veiculada no jornal

Valor Econômico em 24/05/2016 e traz uma interessante síntese sobre esse tema:

“Em setembro passado, a SpoonRocket vinha ficando sem dinheiro. Fundadores da empresa de entrega de

refeições com sede em Berkeley, na Califórnia, haviam vendido a investidores de planos de expansão agressivos a promessa de um negócio de alto ritmo de crescimento. No momento em que conseguiu

concretizar seu plano de expansão em San Diego e Seattle, no início de 2015, o cenário de financiamento

disponível havia se transformado. Investidores de capital de risco haviam passado a dar prioridade ao lucro em vez do crescimento das operações. Depois de apenas alguns meses, a SpoonRocket

abandonou os novos mercados e voltou o foco para a melhora dos fundamentos econômicos de seus

negócios.”

Se tiver interesse, leia a íntegra da reportagem em:

http://www.valor.com.br/empresas/4575089/startups-usam-criatividade-para-definir-lucro

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(34)

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Do exemplo anterior, temos que: NCG2014 = 98.550 e NCG2015 = 176.050. Logo: NCG = 77.500

Autofinanciamento = 49.510 + 88.946 – 77.500 = 60.956

Taxa de autofinanciamento = 60.956 / 1.491.600 = 4,1%

Ciclo Financeiro = 176.050 / 1.491.600 = 11,8%

Em 2015, o Ciclo Financeiro mostrou-se superior à taxa de autofinanciamento da empresa, o que indica

crescente dificuldade financeira, pois o caixa gerado pela empresa em tal ano não foi suficiente para financiar seu aumento de NCG. Como a empresa não detinha grande reserva de recursos em sua tesouraria (caixa e

aplicações financeiras), ela se viu obrigada a financiar suas operações com capital de terceiros.

REFERÊNCIAS

BERK, J.; DEMARZO, P. Finanças Empresariais. Porto Alegre: Bookman, 2009.

DRE - Erald S.A. 2.015

Receita Bruta 1.491.600

(-) Impostos sobre receitas 223.740 (-) Custo do Produto Vendido 745.800

(=) Lucro Bruto 522.060

(-) Depreciação e Amortização 88.946

(-) Despesas Operacionais 250.700

(=) Lucro Operacional 182.414

(-) Despesas Financerias 107.399

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda 75.016

(-) IR e CSLL 25.505

Lucro Líquido 49.510

E NO CASO DAS COOPERATIVAS?

No caso das cooperativas, ao invés do lucro líquido, deve-se empregar a conta de sobras líquidas do

exercício para o cálculo do auto financiamento (e da taxa de autofinanciamento). Uma vez feito esse ajuste, os demais princípios e índices permanecem análogos ao utilizado em empresas comerciais. A única ressalva

deve ser feita quanto à análise comparativa com empresas comerciais, pelo já exposto na unidade anterior.

Além disso, no caso particular das cooperativas agrícolas, como tais organizações recebem os produtos de seus cooperados, pagando à vista, as contas da Necessidade de Capital de Giro são normalmente elevadas,

resultado em tesourarias negativas, que usualmente são financiadas com créditos governamentais

(35)

! 01

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FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. O Modelo Fleuriet. A dinâmica financeira das empresas brasileiras. Rio de Janeiro. Editora Campus, 2003

GITMAN, L. Princípios de Administração Financeira. 12ª ed. São Paulo. Editora Pearson, 2010

(36)

! 04

# $ %$ $ $ & '

UNIDADE 4:ÍNDICES DE RENTABILIDADE

Existem diversos indicadores de rentabilidade. Em linhas gerais, tais índices irão relacionar um certo

nível de lucro (bruto, operacional, líquido, etc.) a determinada informação da DRE (vendas,

normalmente) ou determinada conta do balanço (Ativo Total, Patrimônio Liquido, etc.). Por

brevidade, dado que são diversos, optamos por apresentar apenas os indicadores que consideramos

essenciais dentro da literatura clássica – margens operacionais, ROE e ROA – dando espaço a

indicadores mais utilizados no mercado financeiro – margem Ebitda e ROIC – a fim de proporcionar

ao aluno uma visão mais coerente com a prática financeira.

Margens Operacionais

Quando falamos em “margens operacionais” neste material, estamos nos referindo à relação entre

determinado nível de lucro e as respectivas vendas geradas pela empresa no mesmo período.

Concretamente, são apresentados os seguintes conceitos: margem bruta, margem operacional e

margem líquida, conforme as seguintes formulações:

3 4 = 4

% =

% − %

% (17)

3 + = +

% =

5 &

% (18)

3 í = í

% = % (19)

Logo, tais índices informam qual o percentual da receita que é transformada em lucro (bruto,

operacional ou líquido), servindo de medida, conforme o exposto, da eficiência operacional da

empresa. Dessa forma, uma margem líquida de 15% indicará que a empresa converte em lucro $ 0,15

para cada $ 1,00 de vendas. De forma análoga, uma margem bruta de 40% mostra que o custo do

produto vendido da empresa representa 60% de suas vendas. Evidentemente, o uso de tais indicadores

Imagem

Figura 1: Grupos de contas do Balanço Patrimonial  Elaborado pelo autor (2016)
Figura 2: Exemplo genérico de um Balanço Patrimonial  Elaborado pelo autor
Figura 3: Modelo genérico de DRE  Elaborado pelo autor
Figura 4: Fluxo de Caixa Operacional gerado pela empresa  Elaborado pelo autor
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Referências

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