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CESAR AUGUSTO MORETTO

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CESAR AUGUSTO MORETTO

ANÁLISE DO CENÁRIO LOGÍSTICO – ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA NO RIO GRANDE DO SUL.

CURITIBA

2015

(2)

ANÁLISE DO CENÁRIO LOGÍSTICO – ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA NO RIO GRANDE DO SUL.

Trabalho elaborado para MBA em Gestão do Agronegócio, Universidade Federal do Paraná, sob orientação do Prof. Robson Mafioletti.

Curitiba

2015

(3)

RESUMO

O presente trabalho consiste numa análise dissertativa teórica, na qual foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica e coleta de dados de fontes fidedignas sobre o escoamento da safra da soja gaúcha, com esse estudo exploratório contemplará também a função da logística, esse processo de gerenciamento tão importante, uma vez que, a cultura de grãos tem sido uma das principais causas responsável pelo crescimento do PIB no país e consequentemente promovendo o desenvolvimento regional sustentado. Sendo assim, com uma análise de cenário, na região sul será abordada a questão de logística no agronegócio. Devido aos critérios usados estima-se que haverá um excelente desenvolvimento e crescimento quanto ao escoamento da safra no Rio grande do Sul, sendo a administração imprescindível desde o início do processo até o seu término. Em suma, o trabalho terá como finalidade identificar os gargalos logísticos no escoamento da safra da soja, bem como informar e sugerir alternativas que possam contribuir de alguma forma para um melhor desempenho da logística no setor agrícola. Para tal, retrata-se a importância da logística de transporte eficiente e infraestrutura adequada no cenário atual de modernização e avanços. Nesse sentido, os altos custos de transporte e estocagem dos produtos agrícolas carregam uma grande carga tributária, e consistem num quadro a ser revertido, este é o grande desafio, e para isso é necessária à criação de novas alternativas como o aumento e manutenção da malha ferroviária e incentiva ao transporte multimodal. As ferrovias, por sua vez, obsoletas e a escassez de hidrovias, sem falar no péssimo estado de conservação da malha rodoviária além dos armazéns e silos sobrecarregados constituem alguns desafios logísticos a serem considerados que acabam por prejudicar o escoamento da safra e a competitividade do agronegócio como um todo no Rio Grande do Sul. Portanto, com isso exposto prioriza o escoamento de grãos partindo da premissa de que, criadas as condições de infraestrutura de colheita, transporte, armazenamento, dando especial atenção na problemática da logística viária e oferecendo alternativas e sugestões para poder melhorar e de forma que viabilize ao setor a redução de custos e que se evitem futuros problemas na trajetória do grão.

Palavras-chave: Soja, gargalos logísticos, escoamento, transporte, armazenagem.

(4)

Figura 1 Lavoura de Soja...16

Figura 2 Colheita da Soja...27

Figura 3 Elementos Básicos da Logística...29

Figura 4 Comparativo dos modais em termos das dimensões de serviço...39

Figura 5 Malha Rodoviária do Rio Grande do Sul...42

Figura 6 Malha Ferroviária do Rio Grande do Sul...44

Figura 7 Navio graneleiro sendo carregado...45

Figura 8 Estruturas de Armazenamento de Grãos...46

Figura 9 Produção de Soja por Região Brasileira...51

Figura 10 Safra da Soja 2012/2013 por Área e Produtividade Dividida por Regiões no Rio Grande do Sul...52

Figura 11 Comparação entre Hidrovia, Rodovia e Ferrovia...53

Figura 12 Bacia Hidrográfica do Rio Grande do Sul...59

Figura 13 Mapa Região Hidrográfica do Guaíba...59

Figura 14 Vista aérea do Rio Jacuí que desemboca no Guaíba...60

Figura 15 BRs no Rio Grande do Sul...63

Figura 16 Mapa de Silos e Armazéns CESA no Rio Grande do Sul...71

Figura 17 Porto de Paranaguá – PR...78

(5)

Gráfico 1 Evolução da Produção de Soja no Brasil(1960-2007)...18

Gráfico 2 Distribuição da Produção Mundial de Soja...19

Gráfico 3 Exportações Mundial de Soja...20

Gráfico 4 Produção de Soja no Brasil...20

Gráfico 5 Área Plantada de Soja no Brasil...21

Gráfico 6 Consumo de Soja no Brasil...21

Gráfico 7 Exportação de Soja No Brasil...22

Gráfico 8 Produção Mundial de Soja em Grãos...23

Tabela 9 Tabela 9 Evolução do PIB...25

Gráfico 10 Distribuição Percentual da Produção Obtida de Cereais, Leguminosas e Oleaginosas no Brasil 2000-2006...26

Gráfico 11 Cotação do frete de soja em grãos de Passo Fundo-RS a Rio Grande- RS no período de 01/2007 até 06/2008;...67

Tabela 12 De Paridade para Exportação X Mercado Interno da Soja em Grão...69

Tabela 13 Custo da armazenagem...72

(6)

ABAG Associação Brasileira de Agribusiness

ABIOVE Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais ALL América Latina Logística

ANEC Associação Nacional de Exportadores de Cereais ANTT Agência Nacional dos Transportes Terrestres

ANUT Associação Nacional dos Usuários dos Transportes de Carga ASLOG Associação Brasileira de Logística

CEL Centro de Estudos em Logística

CEPEA-USP Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Universidade de São Paulo

CESA Companhia Estadual de Silos e Armazéns CI Soja Centro de Inteligência da Soja

CMA Mercado Financeiro Agrícola

CONAB Companhia Nacional de Abastecimento

COPPEAD Coordenação dos Programas de pós-graduação em Engenharia e Administração

EMATER/RS Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Expansão Rural

EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ESALQ Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

FAPRI Instituto de Pesquisa para Agricultura e Alimentação Politica FAO Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação FOB Free on Board ou preço sem frete incluso

GEIPOT Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes do Ministério dos Transportes

IAC Instituto Agronômico de Campinas

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços

IDET Índice de Desempenho Econômico do Transporte

(7)

PEP Prêmio para o Escoamento do Produto PGPM Política de Garantia de Preços Mínimos PIB Produto Interno Bruto

PNDA Plano Nacional de Desenvolvimento da Agricultura PNDR Plano Nacional de Desenvolvimento Rural

PRONAZEM Programa Nacional de Armazenagem

SCP/DEPLAN RS Secretaria do Planejamento do RS e Departamento de Estudos Econômicos e Sociais e Planejamento Estratégico

SECEX Secretaria do Comércio Exterior

SIARMA Sistema de Informação de Armazenagem SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática SNCR Sistema Nacional de Crédito Rural

UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro UNICAMP Universidade de Campinas

USDA Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

USSEC Conselho dos Estados Unidos de Exportação de Soja em Grãos

(8)

Sumário

1. INTRODUÇÃO ... 10

1.1 ESTRUTURAS DO TRABALHO ... 11

1.2 IDENTIFICAÇÃO E JUSTIFICATIVA DO ASSUNTO ... 12

1.3 OBJETIVO ... 12

1.3.1 Objetivo Geral ... 13

1.3.2 Objetivos específicos ... 13

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 13

2.1HISTORIA DA SOJA ... 13

2.2 A EXPANSÃO DA SOJA NO BRASIL ... 15

2.3 PERSPECTIVAS DA SOJA BRASILEIRA ... 17

2.4 PRODUÇÃO MUNDIAL DA SOJA ... 21

2.5 EXPORTAÇÕES MUNDIAIS ... 22

2.6 AGRICULTURA BRASILEIRA ... 23

2.7 PRODUÇÃO E COLHEITA DE GRÃOS NO BRASIL ... 25

2.8 LOGÍSTICAS E O TRANSPORTE NO ESCOAMENTO DA SOJA ... 26

2.8.1 Conceito da logística ... 27

2.8.2 Missão da logística ... 30

2.8.3 Evolução da logística ... 30

2.8.4 Importância da logística ... 32

2.8.5 Gerenciamento logístico ... 33

2.9 MOVIMENTAÇÕES RODOVIÁRIAS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS ... 34

2.9.1 A logística da soja em grãos ... 35

2.9.2 Logística de transporte ... 36

2.9.3 Especificidade das modalidades de transporte ... 38

2.10 ARMAZENAGENS DE PRODUTOS ... 44

2.11 OS DESAFIOS LOGÍSTICOS NA ARMAZENAGEM DO GRÃO ... 45

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 46

3.1 DELINEAMENTOS DA PESQUISA... 47

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 48

4.1 O ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA E OS PROBLEMAS NA INFRAESTRUTURA ... 48

4.2 PERÍODOS DE GARGALOS NO ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA ... 49

4.3 PRODUÇÃO DE SOJA ... 50

(9)

4.4 COMPARAÇÕES ENTRE OS MODAIS ... 52

4.5 TRANSPORTES INEFICIENTES PREJUDICAM O ESCOAMENTO DA SOJA ... 54

4.5.1 Alternativas à rodovia: falta de investimento ... 55

4.5.2 A questão das ferrovias e dos portos ... 56

4.6 NAVEGAÇÕES NO RIO JACUÍ ... 58

4.7 A MALHA FERROVIÁRIA NO RIO GRANDE DO SUL ... 59

4.8 AS POUCAS INICIATIVAS DO GOVERNO ... 60

4.9 PEDÁGIOS ONERAM EM 30% O TRANSPORTE DE GRÃOS ... 61

4.9.2 A intermodalidade no transporte de grãos ... 62

4.9.3 Barreiras legais para a intermodalidade... 63

4.10 PERFIS DA LOGÍSTICA DE TRANSPORTE DA SOJA ... 63

4.11 DESAFIOS AO SISTEMA DE TRANSPORTE ... 64

4.12 CUSTOS DE TRANSPORTE ... 65

4.13 FRETE ... 65

4.13.1Aspectos do mercado de fretes rodoviários ... 67

4.14 OS CUSTOS RELACIONADOS À SOJA ... 67

4.15 ARMAZENAGENS DA SOJA ... 69

4.15.1Custo de Armazenagem no Rio Grande do Sul ... 71

4.16 PROBLEMAS ENCONTRADOS ... 72

4.17 ESTUDOS DE ALTERNATIVAS ... 72

CONCLUSÃO ... 75

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ... 77

ANEXOS ... 79

5. ANÁLISES SINÓPTICAS DAS RESPOSTAS DADAS AO QUESTIONÁRIO QUE

FOI DIRECIONADO AOS PRODUTORES, EMPRESAS E AFINS DO AGRONEGÓCIO.

... 80

(10)

1. INTRODUÇÃO

Anualmente, a safra da soja no Rio Grande do Sul sofre com os gargalos de escoamento de sua produção. O período de colheita é em torno de 45 a 50 dias, mas toda produção da soja será ainda demandada para o mercado interno e externo durante todo o ano, gerando gargalos no sistema de transporte, no escoamento para os portos e principalmente problemas na armazenagem do grão, uma vez que a produção supera a quantidade de locais ideais de estocagem.

Constata-se que dificilmente a fábrica está localizada perto da matéria- prima, perto do produto ou serviço, mas esses devem estar na hora, local e forma desejada pelo consumidor, como também os suprimentos para o bom funcionamento de uma fábrica. Nessa ótica é que entram os processos logísticos de distribuição, envolvendo movimentação e armazenagens de produto. Quanto mais as cidades crescem e a população mundial aumenta, maiores e mais complexas ficam as cadeias de suprimentos, e a logística está aí para lidar com essa realidade.

Também se observou que nas últimas safras de verão as dificuldades existentes quanto a filas de espera para descargas nos terminais portuários de Rio Grande do Sul ocasionaram congestionamento de caminhões, fazendo com que estes ficassem esperando por mais de cinco dias para a sua descarga. Esta demora ocasiona o aumento de tempo dos fretes no período de pico, gerando também um desperdício financeiro elevado para os embarcadores, pois precisam escoar sua produção via porto.

O objetivo deste trabalho é fazer uma leitura do cenário logístico dos problemas encontrados para o escoamento da safra de soja na região sul e com isso oferecer alternativas e sugestões que possibilitem ao setor reduzir os custos logísticos e analisar onde ocorre os gargalos e o porquê.

Primeiramente serão analisados os principais gargalos no sistema de

transporte visando caracterizar os principais serviços oferecidos por cada modal e

identificar os principais corredores logísticos para a safra da soja na região sul, bem

como os seus custos. A seguir salienta a importância do sistema de armazenagem

(11)

do grão, outro problema logístico, que pode ser retificado e consequentemente reverter-se em lucro.

Sendo assim, para que aconteça a comprovação da teoria com a prática da logística da soja foram colhidos dados junto às empresas do agronegócio, cooperativas, comerciantes e produtores rurais, buscando sempre enfocar também a capacidade instalada de armazenagem e o que é consumido pelo mercado interno através das indústrias situadas no Rio Grande do Sul, para que se possa identificar e equacionar as melhores alternativas para o escoamento da safra.

1.1 ESTRUTURAS DO TRABALHO

Este trabalho está estruturado em seis partes, incluindo a introdução. A divisão dos capítulos tem por finalidade organizar o entendimento sobre o assunto a ser abordado.

No capítulo 2 será mostrado o contexto histórico da soja na agricultura brasileira e sua participação no PIB nacional. Neste mesmo capítulo, será abordada a origem da soja, sua expansão no Brasil, focando principalmente o Rio Grande do Sul, e analisando o seu escoamento principalmente no que tange ao transporte, armazenagem e as perspectivas para o futuro deste grão. Num contexto regional da commodity de soja em grãos será apresentada uma visão geral do agronegócio da soja, com enfoque na logística de transporte e armazenagem.

No capítulo 3 será enfocada a metodologia e as fontes de dados utilizados para elaboração deste trabalho.

O capítulo 4 será destinado à apresentação e discussão dos resultados sobre o objeto de estudo, enfocando o custo de fretes e a capacidade de armazenagem da soja.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o capítulo 5 é constituído da conclusão de tudo o que foi relatado e discutido no trabalho.

A parte final consta das referências bibliográficas e os anexos que

complementam a finalização do trabalho.

(12)

1.2 IDENTIFICAÇÃO E JUSTIFICATIVA DO ASSUNTO

Entra ano, sai ano, o escoamento da produção da safra de soja gaúcha ainda é um problema logístico que ainda não se conseguiu equacionar. Salvo algumas tentativas isoladas, a realidade não tem se mostrado numa logística desejável.

A perspectiva de uma excelente safra de soja para este ano, deve gerar alguns problemas logísticos no Rio Grande do Sul. A preocupação é que se verifique falta de caminhões para o transporte dos grãos e pouca capacidade de armazenagem. Diante da estimava de supersafra de soja gaúcha para este ano, de cerca de 14 milhões de toneladas, já se espera que ocorra certa desordem no sistema de transporte.

Nesse sentido, não há disponibilidade de caminhões suficiente para atender à demanda de forma acelerada e o produtor não tem na fazenda uma estrutura de armazenagem satisfatória. Sendo assim, como o produtor não tem a estrutura de armazenagem na fazenda, ele é obrigado a colher e mandar para o porto ou enviar para a indústria. Essa situação implica riscos de perdas por motivos imetorológicos e um encarecimento do frete rodoviário. Esse gargalo logístico contribui para reduzir as margens de rentabilidade.

É importante observar que as principais dificuldades encontradas são os atrasos e os custos do transporte e da descarga dos grãos nos portos. Nesse sentido, a falta de silos na propriedade rural faz com que os produtos colhidos sejam levados imediatamente para as unidades coletoras, geralmente localizadas nos centros urbanos, diante dos quais se formam enormes filas para descarregar. Além dos custos dos caminhões parados, ainda há falta de silos, que além de tudo, ainda gera perdas na comercialização após a colheita, sem permitir condições de o produtor realizar uma política de preços.

A carência de silos faz com que os caminhões sejam requisitados todos ao mesmo tempo e dada à demanda se elevam os preços de deslocamento da massa colhida e ainda há a demora no transporte por falta de boas rodovias, por excesso de veículos em movimento e a espera para descarga.

Sendo assim, a razão principal de escolha da temática é de que a agricultura precisa superar os gargalos para crescer mais, pois ainda há muitos espaços a avançar, uma vez que são os gargalos que dificultam o escoamento da safra agrícola prejudicando a continuidade do processo de logística. É importante entender que gargalo é qualquer obstáculo no sistema produtivo que restringe e determina o seu desempenho e a sua capacidade de obter uma maior rentabilidade.

Em um processo produtivo, o gargalo é a etapa com menor capacidade produtiva e que impede o complexo em atender até a demanda dos seus produtos.

1.3 OBJETIVO

(13)

1.3.1 Objetivo Geral

Identificar, analisar e avaliar o escoamento da safra do Rio Grande do Sul e observar os períodos e por que ocorrem os gargalos.

1.3.2 Objetivos específicos

 Verificar em que período ocorre os gargalos logísticos no Rio Grande do Sul;

 Comparar os valores de fretes utilizados em períodos de safra e não safra gaúcha;

 Determinar aspectos positivos e negativos da movimentação de soja do Rio Grande do Sul;

 Identificar as dificuldades enfrentadas pelo setor de transporte no Rio Grande do Sul;

 Apontar sugestões e alternativas para o melhor escoamento do grão a fim de viabilizar a diminuição de custos e tempo de entrega na região sul.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo será relatado o contexto histórico da soja e sua importância na expansão agrícola, principalmente enfocando a participação do Rio Grande do Sul neste cenário. Neste mesmo capítulo, tratam-se dos conceitos, dimensões e características referentes ao escoamento do grão através dos modais viários e a importância da armazenagem deste produto, dando origem então ao embasamento teórico a fim de que se obtenham dados para formular idéias sobre o tema e que serão analisadas posteriormente no capítulo 4.

2.1HISTORIA DA SOJA

A soja é uma das mais antigas plantas cultivadas no planeta, mas só foi

introduzida no Ocidente nos últimos 300 anos, disseminou-se no século XX

principalmente na América, onde serviu primeiro como adubo orgânico, crescendo

depois como fonte de óleo comestível, medicamentos e tintas. Em torno dela

(14)

organizou-se uma complexa teia de atividades econômicas denominadas Agrobusiness, que envolve todos os continentes. Ao lado do arroz, do milho e do trigo, é uma das principais lavouras do planeta, com produção anual que supera 180 milhões de toneladas.

O engenheiro agrônomo Gustavo Dutra, um dos pioneiros da agricultura brasileira, foi o introdutor da soja no Brasil. Plantou na Bahia , em 1882, não sendo conhecidos os resultados. Não dando muita atenção, sendo passada despercebida. O engenheiro agrônomo Daffert, outro pioneiro há quem muito deve nosso país, plantou no Instituto Agronômico de Campinas, em 1892. Imigrantes japoneses cultivaram-na em escala mínima, a partir de 1908 no planalto paulista. “( Gomes (1976), p55)”

Em 1928, introduziram 60 variedades de soja no município de Santa Rosa - RS. No mesmo município, posteriormente construíram a primeira fábrica brasileira destinada a extrair o óleo. (Gomes, 1976).

A soja surgiu no Rio Grande do Sul no início do século passado e até aproximadamente o ano de 1950 foi muito utilizada nas propriedades rurais em alimentação de suínos. Na década de 50, o trigo recebeu incentivos governamentais à produção, em sequência, a necessidade de encontrar-se uma leguminosa para o cultivo em sucessão. A soja foi à solução e, a partir de 1957, com as frequentes frustrações da lavoura de trigo, iniciou sua escala como sustentáculo da economia regional e de milhares de famílias rurais. Com bons preços, liquidez, forte mercado interno e externo ganhou rapidamente a adesão dos produtores, experimentando um acelerado aumento da área, fato que lhe rendeu a difamação de ter, como sua monocultura, causando diminuição dos produtos básicos à alimentação das famílias e danos à estrutura do solo. Mas, seu único pecado foi remunerar os produtores.

Outro fato positivo da cultura é a proteção que oferece ao solo, durante o ciclo vegetativo, com sua massa verde cobrindo toda a superfície e, ainda, por ser leguminosa, enriquecer o solo com nitrogênio através de processos biológicos

1

.

A soja pode ser cultivada em todas as regiões tropicais e subtropicais e mesmo em muitas regiões temperadas. Em certas regiões cujo clima não lhe permite frutificar, é cultivada como forragem. Na Ásia Oriental constitui o alimento básico de milhões de homens, segundo Gomes (1976).

A soja demonstrada na figura 1 abaixo é considerada uma commodity devido à padronização e a expressiva comercialização, tanto nos mercados internos e externos.

1FEPAGRO (Porto Alegre, RS). Indicacoes técnicas para a cultura da soja no Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Fepagro / Embrapa Trigo / Emater-Rs / Fecoagro-Rs, 2001. 135 p. (Boletim Técnico, 7).Biblioteca(s): Epagri-Sede

(15)

Figura 1: PLANTA DE SOJA

2.2 A EXPANSÃO DA SOJA NO BRASIL

A soja chega ao Brasil em 1882, através dos Estados Unidos. Somente em 1891, é que se iniciaram os testes de adaptação de cultivares, realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no estado de São Paulo. (FONTOURA et al, 2004). Entre 1900 e 1901, o IAC, distribuiu as primeiras sementes de soja para produtores paulistas, sendo que nessa mesma data, têm-se registros do primeiro plantio de soja no Rio Grande do Sul, onde a cultura encontrou efetivas condições para se desenvolver e expandir, devido às semelhanças climáticas com a de origem dos materiais genéticos vindo dos EUA.

Em meados dos anos 50, a cultura da soja foi igualmente incentivada

através do programa oficial de incentivo à triticultura nacional, desde o ponto de vista

técnico, quanto econômico que visava melhor aproveitamento das máquinas,

implementos, infraestrutura e mão-de-obra. (FONTOURA et al, 2004).

(16)

Apesar do importante crescimento da produção nos anos 60, a soja se consolidou como principal cultura do agronegócio brasileiro somente na década de 70. Em 1979, a produção alcançou mais de 15 milhões de toneladas. Este crescimento deve-se ao expressivo incremento da produtividade que passou de 1,14 t/ha para 1,73 t/ha, devido às tecnologias disponibilizadas aos produtores pela pesquisa brasileira e, também pelo aumento da área plantada que passou de 1,3 para 8,8 milhões de hectares. Nesta época, mais de 80% do volume produzido concentrava-se na região sul do Brasil. (FONTOURA et al, 2004)

Na década de 1970, a soja iniciou nos cerrados, sendo parte no centro e norte do Mato Grosso do Sul e no sudeste de Mato Grosso. Nessa época a região Centro Oeste representava menos de 2% da produção nacional de soja. Nos anos 80, a produção do estado passou para 20% e na década de 90 houve significativo aumento da produção nas zonas dos cerrados, sendo que na região Centro-Oeste a produção de soja já representava mais de 40% da produção nacional. (FONTOURA et al, 2004)

Em 2000, o centro-oeste figurava como a segunda região brasileira na produção de soja, com 1.509.967 toneladas, correspondendo a 10,9% da produção nacional (13.769.119 t), atrás apenas da região sul com 11.052.518 t. Em 2002 a produção de soja no Centro-Oeste era de 58% e havia tendência a ocupar maiores espaços a cada nova safra. Essa transformação impulsionou o Estado do Mato Grosso, tornando-o líder nacional de produção e produtividade de soja, com boas perspectivas de estabilizar-se nessa posição.

A dinâmica do crescimento foi resultado de muitos incentivos, em termos de empréstimo, de pesquisa, apoio técnico, além de outros. A região centro-oeste concentra boa parte da produção no cerrado. A média de produtividade estimada para a safra 2013/14 é de 2.854 kg/ha esse valor é superior ao da safra 2012/13, segundo levantamento efetuado em 2013 pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

Segundo relatório de novembro de 2013 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a produção de brasileira de soja foi de 82 milhões de toneladas. Dentre os maiores produtores de soja mundiais, o Brasil se tornou na safra 2012/2013 o maior exportador mundial de soja, o país exportou em 2013 quase 42 milhões de toneladas, sendo a região sul de extrema relevância nesse sentido.

A produção brasileira de soja na safra 2014/2015, segundo o relatório de

setembro de 2014 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi

de estimada em 91 milhões de toneladas, um crescimento de 4% sobre o estimado

para a atual safra: um volume de 87,5 milhões. O USDA justificou sua projeção nas

expectativas de ganhos de área e produtividade na próxima safra.

(17)

Gráfico 1 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL.

2.3 PERSPECTIVAS DA SOJA BRASILEIRA

A soja tornou-se produto líder do agronegócio nacional, devido ao crescimento notável da cultura nas últimas quase cinco décadas. Em 48 anos, o mercado de soja passou de 206 mil para 88 milhões de toneladas produzidas com uma grande tendência de crescimento, considerando as áreas extensas, aptas e disponíveis para seu cultivo no Brasil. Há uma crescente demanda pelo grão de soja tanto no mercado nacional como internacional que busca farelo, elaboração de rações animais e o óleo para uso doméstico.

Nos países onde concentram populações de baixa renda, o potencial de

consumo da soja é crescente, devido ao aumento aquisitivo das pessoas, como por

exemplo, China, Índia, Coréia, Vietnã, Tailândia, Malásia, entre outros. Outro fator

importante é o aumento do consumo de carnes que estimula o consumo de soja,

pois seu farelo é utilizado como ração de bovinos confinados, suínos e aves. E,

também a restrição no uso da farinha de carne nas rações para alimentações de

bovinos, devido à doença da vaca-louca, contribui para o aumento da demanda por

farelo de soja, sendo seu substituto mais provável.

(18)

Há uma tendência nas indústrias do uso do grão de soja para a produção de biodisel, tintas, vernizes e lubrificantes, entre outros, sendo mis um fator de indução para o aumento da demanda pelo produto.

Entre os produtos do complexo soja nacional, mais de 70% são exportados. O consumo interno está aumentando e o que tudo indica irá crescer ainda mais, estimulado principalmente pelas indústrias de carnes e de frango.

As pressões pelos países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) para a redução do protecionismo e subsídio disponibilizado à soja entre os países ricos tenderão a diminuir, conseqüentemente haverá uma redução nos preços internacionais.

A produção de soja no Brasil tenderá a concentrar-se cada vez mais no Centro-Oeste em grandes propriedades, onde o uso de tecnologia é uma prática constante. A produção de soja nas pequenas e médias propriedades na Região Sul, devido à falta de competitividade, tenderá a ser substituída por outras atividades agrícolas mais rentáveis, como produção do leite, criação de suínos e aves, cultivo de frutas e de hortaliças, ecoturismo, entre outras. (DALL AGNOLL, 2006)

O Brasil tem possibilidade de se tornar o principal produtor e exportador mundial de soja, devido o cerrado ter disponível mais de 50 milhões de hectares de terras ainda virgens e aptas para a produção de grãos e, também possibilidade de melhoria de produtividade. Uma vez que, os Estados Unidos, Argentina e China, principais concorrentes do Brasil na produção e exportação de soja, tenderão a estabilizar-se por falta de áreas disponíveis para expansão em seus territórios. E, também pela troca de culturas como é o caso atual dos Estados Unidos, diminuindo a área de soja e aumentando a área de milho para a produção do etanol.

As perspectivas para a safra de 2015/16, aponta que a produção mundial de soja alcançará 277 milhões de toneladas, mais de 27% sobre a safra de 2005/2006. A produção tornar-se-á mais concentrada: em 2015/16, os três maiores produtores (Estados Unidos, Brasil e Argentina) representarão 85% da produção mundial.

Gráfico 2: DISTRIBUIÇÃO DA PRODUÇÃO MUNDIAL DE SOJA

(19)

Em 2015/16, o Brasil será o maior exportador mundial de soja em grãos.

Segundo o FAPRI, a participação dos Estados Unidos no mercado mundial cairá de 42,2% para 28,8% em 2015/16 e a participação do Brasil passará de 41% para 54,5%.

Exportaçõe s M undiais de Soja e m grão

9,4 25,0 13,3

46,4

25,7 24,5

0,9 1,0

60,9

85,1

0 20 40 60 80 100

2005/06 2015/16

Fonte: FAPRI e AGE milhões

toneladas

Argentina Brasil Estados Unidos Outros Total

Gráfico 3: EXPORTAÇÕES MUNDIAL DE SOJA

As projeções para a produção de soja até 2017/18, no Brasil, mostram

uma produção de 75,3 milhões de toneladas. O consumo da soja em grãos deverá

atingir 36,7 milhões de toneladas, representando 51% da produção. As exportações

serão 41,4% superiores às exportações de 2005/2006.

(20)

Gráfico 4 PRODUÇÃO DE SOJA NO BRASIL

Gráfico 5 ÁREA PLANTADA DE SOJA NO BRASIL

Gráfico 6 CONSUMO DE SOJA NO BRASIL

(21)

Gráfico 7 EXPORTAÇÃO DE SOJA NO BRASIL

2.4 PRODUÇÃO MUNDIAL DA SOJA

A produção mundial da soja vem crescendo nos últimos 10 anos.

Segundo dados disponibilizados pelo USDA, mostram que em 2014 a produção mundial de soja alcançou 314,4 milhões de toneladas com crescimento de 10,8%

em relação ao ano anterior. Esse incremento é resultante do aumento da produção da América do Sul que passou de 140,7 milhões para 150,5 milhões, o crescimento foi maior ainda devido à safra dos Estados Unidos ter aumentado de 91,4 milhões para 108 milhões de toneladas. Na safra 2012/13 a produção mundial de soja, segundo o relatório do USDA, foi de 268, milhões de toneladas, sendo o Brasil responsável por 30,2% da produção mundial.

Os países que representam 88% das importações são a China, União Européia, Japão, México, Taiwan, Tailândia, Coréia do Sul e Indonésia. De acordo com o relatório de projeções publicado pelo USDA, as importações mundiais da soja tendem a aumentar ano a ano, sendo que a safra de 2014/15 deva alcançar 108,8 milhões de tonelada, aumento de 8,9% sobre os embarques de 2012/2013.

A partir de dados obtidos através da USDA, em 2014 segue abaixo a gráfico

com os maiores produtores mundiais de soja por produção:

(22)

Gráfico 8 PRODUÇÃO MUNDIAL DE SOJA EM GRÃOS

Como se observa os maiores estados brasileiros produtores de soja são:

Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul, minas Gerais e Bahia.

2.5 EXPORTAÇÕES MUNDIAIS

As exportações mundiais do complexo soja vêm aumentando a cada ano, em 2014 atingiu 112,8 milhões de toneladas. De acordo com o relatório do USDA, publicado em janeiro de 2015.

Os três principais produtores mundiais de soja são os Estados Unidos, Brasil, e a Argentina, que juntos representam 82% da soja exportada no mundo. O Brasil, maior exportador de soja, segundo Conselho dos Estados Unidos de Exportação de Soja em Grãos (USSEC), publicado em janeiro de 2015, as exportações de soja em grãos no ano de 2014 alcançaram 46,8 milhões de toneladas, para a safra 2012/13 foi de 41,9 milhões de toneladas e para a safra 2014/15 uma redução de -1,8% de 46,0 milhões de toneladas.

Em 2013, as exportações da soja em grãos pela Argentina atingiram 7,7 milhões de toneladas, em 2014 de 7,8 milhões e em 2015 projeção de 8,0 milhões de tonelada. (USSEC)

No Brasil as exportações do complexo soja, em 2014 alcançaram US$

9.477 milhões, em 2007 foi de US$ 10.038 milhões. Atualmente, o Brasil ocupa uma

posição de destaque no ranking das exportações (grãos, farelo e óleo), sendo

(23)

considerado o segundo maior exportador, perdendo ainda somente para os Estados Unidos.

Quanto aos maiores importadores da soja brasileira, destacam-se: China, Holanda, Alemanha, Espanha, Itália e Taiwan.

2.6 AGRICULTURA BRASILEIRA

A partir dos anos 70, a agricultura brasileira acelerou seu processo de modernização, através de mudanças tanto técnicas como econômicas da produção agrícola. Em 1973, as políticas de modernização foram fortalecidas através de apoio financeiro ao custo e investimento. Sendo fator importante à criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) com a finalidade de fortalecer a tecnologia agropecuária visado, o aumento da produtividade e a diminuição dos custos de produção.

O principal instrumento de política agrícola empregado para estimular a produção agropecuária na década de 70 e inicio da década de 80 foi à criação do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), contribuindo para a expansão do setor agropecuário. Nessa época, segundo Araújo e Almeida (1996), existia uma predominância de crédito subsidiado, isto é, com taxas de juros reais negativas alcançando, em muitos casos, valores próximos a 40% ao ano, isto desencadeava uma excessiva procura por crédito.

A política de preços mínimos deveria substituir o crédito rural como política de estímulo à produção agropecuária, observa-se que a partir da década de 80, devido às dificuldades fiscais e de controle de inflação, os subsídios e recursos direcionados à agropecuária têm reduzido. Ferreira Filho (1997) evidenciou que o mecanismo de ajustamento da economia brasileira à crise da década de 80 desenvolveu as condições necessárias para que a agricultura tivesse um melhor desempenho que a indústria. Outro fator importante nessa década foi à queda nos custos de produção agrícola, devido, em parte, pela redução de custo dos principais fatores de produção utilizados pela agricultura. Neste período houve consideráveis ganhos de produtividade no setor, além da redução do volume de recursos transferidos pela agricultura.

Segundo Goldin e Rezende (1993), na tentativa de compensar o volume

de crédito rural nos anos 80, ocorreram alterações na Política de Garantia de Preços

Mínimos (PGPM) que permitiram a expansão da produção agropecuária,

principalmente na região Centro-Oeste do país. Na primeira metade da década de

90 as dificuldades financeiras do Tesouro Nacional levaram a uma sensível redução

no uso da política de PGPM. E, na segunda metade da mesma década, o governo

brasileiro estabeleceu um novo mecanismo seletivo para executá-la. Os gastos

realizados pelo setor público na agricultura reduziram sensivelmente a partir de

1988, implicando na diminuição das atividades de extensão rural.

(24)

A escassez de recursos para execução da PGPM e a dificuldade de vender e manusear produtos adquiridos levou o governo, em 1997, a criar o programa de Prêmio para o Escoamento do Produto (PEP). Através do PEP o Governo Federal compromete-se a comprar um produto agrícola a seu preço mínimo como os Contratos de Opções de Venda. O governo federal adquiria os produtos, mas evitava estocá-los, realizando um leilão de prêmios para um arrematante comprar o produto diretamente do produtor. O governo federal, através deste programa foi mais seletivo nos produtos e regiões a serem beneficiadas com o PGPM. (BACHA E ROCHA, 2002).

Os principais programas de desenvolvimento setorial da agricultura formam o Plano Nacional de Desenvolvimento da Agricultura (PNDA) e o Plano Nacional de Desenvolvimento Rural (PNDR), instituído em 1989 com a finalidade de repassar os recursos do Banco Mundial a serem investidos em atividades agroindustriais, objetivando a modernização do setor em todo território nacional.

A partir de 1986, houve menor utilização dos instrumentos de estímulo à expansão da produção agropecuária, mas observou-se que não houve drástica redução da participação da agropecuária na composição do Produto Interno Bruto (PIB), passando em 1994 de 30,45% para 28,07% em 1999. (CEPEA-USP, 2006)

A participação do agronegócio no PIB em 2005 em relação ao PIB brasileiro é de 27,8%, de acordo com os dados disponibilizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA, 2006), apesar da queda nos últimos três anos, o PIB do agronegócio ainda é bastante significativo em relação ao PIB Nacional.

O PIB brasileiro cresceu somente 2,5 % em 2013 em relação ao ano anterior, conforme dados do IBGE. O resultado atingiu R$ 4,844 trilhões. Entre os setores da economia de melhor desempenho foi à agroindústria.

A evolução do PIB no país conforme crescimento em relação ao ano anterior, segundo dados do IBGE em 2013, em % é apresentado na tabela 9:

Tabela 9 EVOLUÇÃO DO PIB.

ANO 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

% 6,1 5,2 -0,3 7,5 2,7 1,0 2,5

Fonte: IBGE( 2015)

(25)

Gráfico 10 DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DA PRODUÇÃO OBTIDA DE CEREAIS, LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS NO BRASIL 2000-2006.

2.7 PRODUÇÃO E COLHEITA DE GRÃOS NO BRASIL

Para WEBER(1995) o Brasil deve aumentar a sua produção para satisfazer as necessidades internas, pois existem milhões de brasileiros que passam fome, e gerar excedentes exportáveis, fazendo desta atividade uma rentável fonte de divisas.

No entanto, afirma WEBER(1995) produzir grãos, cada vez mais difere do simples lançar a semente ao solo e colher. Diz respeito a toda uma estrutura de recursos materiais, tecnológicos, correção do solo, recursos financeiros e clima.

Produzir, na verdade, começa na pesquisa de laboratórios, na busca de novas variedades de sementes melhoradas, mais resistentes e de maior produtividade, aclimatadas as condições regionais.

WEBER(1995) ainda comenta que a colheita, mesmo contando com o equipamento combinados de boa qualidade, continua existindo elevada perda na lavoura. A operação e a regulagem dos equipamentos, nem sempre se adequam na hora da colheita promovem perdas e danificam os grãos favorecendo a deterioração futura por ataque de fungos e insetos.

Sem dúvida a agricultura é a atividade econômica que mais se destaca

em importância social. Dentro do complexo que é a agricultura, Webber (1995)

(26)

destaca que a armazenagem no Brasil, se ressente de definições e investimentos.

Em 1970 o Pronazem (Programa de incentivo a Armazenagem) foi criado especialmente da armazenagem em nível de fazendas, entre outros programas de financiamentos a silos e armazéns. Para a produção de grãos que precisa atingir nos próximos anos, com a finalidade de suprir a demanda reprimida interna e o crescimento populacional, a necessidade de investimentos em armazenagens de boa qualidade, localização estratégica, inclusive com propriedade para as unidades de produtor rural.

Conforme Weber (1995) com relação à qualidade dos grãos armazenados, observa-se que a produção, a disponibilidade nos volumes necessários e a geração de excelentes exportáveis são elementos fundamentais para a ampliação da competitividade. Porém, quantidade não nos diz nada, é necessário unirmos qualidade e quantidade.

Figura 2 COLHEITA DA SOJA.

2.8 LOGÍSTICAS E O TRANSPORTE NO ESCOAMENTO DA SOJA

A logística do agronegócio relaciona-se ao planejamento e operações dos

sistemas físicos, informacionais e gerenciais necessários para que os produtos se

movimentem de forma integrada no espaço – através do transporte – e no tempo –

através do armazenamento – no momento certo, para o lugar certo, em condições

adequadas e que se gaste o menos possível com isso.

(27)

Os grãos normalmente são movimentados a granel, por transportadores rodoviários autônomos (na maior parte dos casos, agregados a empresas de transporte rodoviário) que se utilizam predominantemente de carretas rodoviárias com capacidade de 32 t, e mais recentemente dos bi-trens, com capacidade de 40 t.

Já analisando e discutindo os problemas encontrados, nota-se que o transporte entre o produtor e a indústria, ou entre o produtor e o armazenamento do grão, pode vir a representar um custo elevado em função das estradas rurais não serem pavimentadas, acarretando um deslocamento mais lento (que pode ser agravado por períodos de interrupção pelas chuvas), além de implicar maior elevação nos custos de manutenção do caminhão. O transporte do grão armazenado para a indústria de processamento, ou dos armazéns ou indústrias de exportação com destino ao mercado externo, normalmente ocorre em rodovias pavimentadas, não necessariamente em boas condições.

É comum a situação em que o agricultor arca com os custos de transporte, mas com a agroindústria ou trading representando-o nas negociações.

Os ofertantes de transporte são, normalmente, tomadores de preços nesse mercado. A vantagem deste sistema é a administração de logística fornecida por esses grandes compradores de commodities, que proporcionam menor volatilidade do mercado de frete e o uso de menor número de veículos, além da possibilidade de utilização de outras modalidades de transporte, o que seria ainda pouco viável aos agricultores. Principalmente no caso de distâncias maiores, o comprador da soja adquire o produto FOT (free on truck), se responsabilizando assim pelo transporte.

2.8.1 Conceito da logística

Na sua origem, o conceito de logística estava essencialmente ligado às operações militares. Ao decidir avançar suas tropas seguindo uma determinada estratégia militar, os generais precisavam ter, sobre suas ordens, uma equipe que providenciasse o deslocamento, na hora certa, de munição, viveres, equipamentos de socorro médico para o campo de batalha. Por se tratar de um serviço de apoio, sem o glamour de estratégia bélica e sem o prestígio das batalhas ganhas, os grupos logísticos militares trabalhavam quase sempre em silêncio. “(Novaes, 2001, p.31):

Na concepção de Ching (2001), o conceito de logística sempre foi muito utilizado pelas forças armadas, o termo logística foi aplicado inicialmente como a tarefa de organizar o suprimento de armas, equipamentos e alimentos às forças armadas distantes.

No entendimento de Lovelock (1996), ao longo da história as guerras têm

sido ganhas e perdidas através do poder e da capacidade logística.

(28)

Para um dos mais prestigiados grupos norte-americanos de profissionais de logística, o Council of Logistics Management, define a logística como:

Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. (NOVAES, 2001, p.35)

Na Figura 3 é apresentado um quadro sinóptico, contendo os principais elementos conceituais da logística, segundo Novaes (2001).

Figura 3 ELEMENTOS BÁSICOS DA LOGÍSTICA.

Conforme o autor, todos esses elementos do processo logístico devem ser enfocados com o objetivo fundamental: satisfazer as necessidades e

Processo de

planejar, operar, controlar

Fluxo e Armazenagem Matéria-prima Produtos em processo Produtos acabados Informações Dinheiro

de forma econômica, eficiente e efetiva

satisfazendo as necessidades e Preferências dos clientes do ponto

de origem

ao ponto de destino

(29)

preferências dos consumidores finais. É preciso conhecer as necessidades de cada um dos componentes do processo, buscando satisfação plena.

Assim a moderna logística procura incorporar:

- prazos previamente acertados e cumpridos integralmente, ao longo de toda a cadeia de suprimento;

- integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da empresa;

- integração efetiva e estreita (parcerias) com fornecedores e clientes;

-busca da otimização global, envolvendo a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos;

- satisfação plena do cliente, mantendo nível de serviço preestabelecido e adequado.

Conforme Stock et al. (1998), a logística é entendida como um processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de bens, serviços e informações relacionados, do ponto de origem até o ponto de consumo.

Cristopher (1998) define logística como a gestão estratégica da obtenção, movimentação e armazenagem dos estoques de materiais, peças e produtos acabados e os respectivos fluxos de informações ao longo da organização e de seus canais de marketing de tal modo que a lucratividade atual e futura sejam maximizadas por meio da realização de pedidos de compra de maneira eficaz em termos de custo. Nesse contexto a logística passa a definir uma nova visão de como administrar os recursos materiais e as informações que atingem o mercado produtivo. Trata-se de uma maneira de desenvolver novas estratégias empresariais diante das transformações vividas pela sociedade.

É a gestão de fluxos entre funções de negócio... Engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples entrada de matérias – primas ou o fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística. Hoje, no entanto, essa definição expandiu-se e inclui todas as formas de movimentos de produtos e informações.”

(Dornier et al., 2000, p. 39)”

De acordo com Cavanha Filho (2001), logística é a parte do processo da cadeia de suprimento que planeja, implementa e controla o eficiente e efetivo fluxo e estocagem de bens, serviços e informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender aos requisitos dos consumidores.

Nas palavras de Ching (2001), a logística inclui todas as atividades de

movimentação interna e externa de produtos, envolvendo a troca de bens e serviços

por dinheiro ou sem a interveniência do mesmo, sendo fundamental um sistema de

informações e comunicações de dados para maior eficácia e eficiência de

atendimento ao consumidor, avançando assim do depósito e do pátio da expedição

para a alta administração tanto das empresas públicas quanto privadas, ou seja, é a

(30)

logística que dá as condições reais de garantir a posse do produto, por parte do consumidor, no momento e lugar desejado, ao menor custo possível.

2.8.2 Missão da logística

A missão da logística é dispor a mercadoria ou o serviço certo, no lugar certo, no tempo certo e nas condições desejadas, ao mesmo tempo em que fornece a maior contribuição à empresa.”(Ballou, 2001, p.21)”

A logística de uma empresa é um esforço integrado com o objetivo de ajudar a criar valor para o cliente pelo menor custo total possível. A logística existe para satisfazer às necessidades do cliente, facilitando as operações relevantes de produção e marketing. Do ponto de vista estratégico, os executivos de logística procuram atingir uma qualidade predefinida de serviço ao cliente por meio de uma competência operacional que represente o estado-da-arte. O desafio é equilibrar as expectativas de serviços e os gastos de modo a alcançar os objetivos do negócio. ”(Bowersox e Closs, 2001, p.

23)”.

2.8.3 Evolução da logística

Conforme Magee (1977, p.1); a palavra logística é de origem francesa;

era um termo militar que significava a arte de transportar, abastecer e alojar as tropas. Tomou, depois, um significado mais amplo, tanto para o uso militar como industrial: a arte de administrar o fluxo de materiais e produtos, da fonte para o usuário. Ainda conforme o autor, a história da logística teve um progresso considerável a partir da Segunda Guerra Mundial, devido à logística militar.

No entendimento de Ballou (2001, p. 29): antes de os negócios

mostrarem interesse em administrar as atividades logísticas de maneira coordenada,

os militares estavam organizados para executá-las. Mais de uma década antes do

começo do período de desenvolvimento da logística, os militares executavam o que

foi chamada de a mais complexa e mais bem – planejada operação logística na

história – a invasão da Europa durante a 2ª Guerra Mundial.

(31)

Segundo Novaes (2001), após a segunda guerra mundial, a logística vem apresentando uma evolução contínua como elemento chave na competitividade das empresas, a indústria procurou preencher importantes lacunas de demanda existentes no mercado consumidor, aproveitando a capacidade ociosa e nos novos processos de produção em série.

Para Novaes (2001) a partir de 1950 a economia dos EUA (Estados Unidos da América) experimentou rápido crescimento, devido parcialmente a demanda reprimida dos anos de desalento e a posição da indústria americana no mercado mundial. O clima era produzir e vender, os lucros eram altos. Com isso na década de 60 aconteceu à decolagem da logística, apresentando uma evolução constante, progressos na tecnologia do processamento de informações, como cartões perfurados e fitas magnéticas e nas comunicações contribuíram para permitir a administração do sistema, sendo hoje elemento chave na estratégia competitiva das empresas.

Na concepção de Ching (2001) entre as décadas de 1950 e 1970, com o ambiente voltado para a novidade na área administrativa, realmente houve a decolagem da teoria e prática da logística, sendo que algumas condições econômicas e tecnológicas contribuíram também para o desenvolvimento da logística, tais como: alterações nos padrões e atitude da demanda dos consumidores, pressão por custos nas indústrias, avanço na tecnologia de computadores e experiência militar.

Sobre o assunto Novaes (2001) apontou que no inicio da década de 1970 aconteceu à crise do petróleo, encarecendo subitamente o transporte de mercadorias e os produtos, com isso, houve necessidade de ter um controle de custos, produtividade e qualidade dos serviços. Nas rodovias passou-se a observar congestionamentos mais freqüentes, gerando redução das velocidades médias e conseqüentemente aumento dos custos. Outro elemento que gerou novas alternativas de escoamento dos fluxos logísticos foi à utilização intensiva de multimodalidade no transporte de mercadorias, ou seja, o uso combinado de caminhão, navio, trem e até mesmo avião, começaram a ser explorados, visando redução de custos e ao aproveitamento da capacidade ociosa nas diversas modalidades.

Para Ching (2001) a partir da década de 80, o desenvolvimento da logística tornou-se revolucionário em virtude de fatores, como explosão da tecnologia de informação, alterações estruturais surgidas nos negócios e na economia dos países emergentes, formação de blocos econômicos e no fenômeno da globalização.

Desta época em diante, segundo Novaes (2001), passou-se observar maior preocupação com a satisfação plena do cliente, entendendo como tal, não somente o consumidor final, como também todos os elementos intermediários, que por sua vez são clientes dos fornecedores que os antecedem na cadeia de suprimento. Surgiu também a busca utópica pelo estoque zero, ou seja, perseguir redução continuada dos estoques de forma sistemática e continua.

De acordo com Fleury (2000), a competitividade do mercado fez com que

as mudanças tecnológicas tornassem possível o gerenciamento eficiente e eficaz de

operações logísticas cada vez mais complexas.

(32)

Na concepção de Christopher (1997), a passagem de uma perspectiva pontual para uma perspectiva estratégica, torna a logística um processo coordenado e integrado, que se centraliza em alguns aspectos considerados essenciais.

Para Pires e Ayres (2000), a integração das funções alinha a logística aos objetivos e estratégias empresariais, o que contribui para a desempenho da empresa como um todo.

De acordo com Ross (1998) a organização da logística é considerada taticamente importante e seu conceito tem evoluído da preocupação com o transporte e armazenagem, para a organização contemporânea, na dimensão da logística integrada à atividade empresarial como um todo.

Segundo Dornier (2000) a logística começa a ser entendida dentro do contexto mais amplo da administração de materiais.

Nas palavras de Ching (2001) hoje a logística é entendida como a integração tanto da administração de materiais como da distribuição física. Isto leva a crer que futuramente a produção e a logística se aproximarão cada vez mais não só em conceito, mas também em prática.

2.8.4 Importância da logística

Para Bowersox e Closs (2001), o objetivo central da logística é o de atingir um nível de serviço ao cliente pelo menor custo total possível buscando oferecer capacidades logísticas alternativas com ênfase na flexibilidade, na agilidade, no controle operacional e no compromisso de atingir um nível de desempenho que implique um serviço perfeito.

Segundo Ching (2001) a logística exerce a função de responder por toda a movimentação de materiais, dentro do ambiente interno e externo da empresa, iniciando pela chegada da matéria-prima até a entrega do produto final ao cliente.

Ainda conforme o autor, a logística procura agrupar as diversas atividades da empresa relacionadas aos processos de produção e distribuição de seus produtos aos clientes e consumidores finais. Esse agrupamento vai permitir a empresa maior controle e maior integração dos diferentes departamentos, que originalmente tinham visão limitada de sua área de atividade.

No entendimento de Novaes(2001), é a logística que dá condições reais de garantir a posse de produto, por parte do consumidor, no momento desejado.

Na concepção de Novaes (2001) melhoria nos transporte e na tecnologia

de manipulação de materiais propiciam maior número de opções no projeto de

sistema logístico. Durante os últimos anos do desenvolvimento, universidades

começaram a oferecer cursos na área, empresas começaram a por em práticas

novas idéias proporcionando o desenvolvimento do mercado. As mudanças

econômicas criam novas tendências competitivas e as mudanças tecnológicas um

gerenciamento mais eficiente e eficaz das operações logísticas A disponibilidade de

(33)

uma infraestrutura adequada potencializa grandes ganhos de eficiência ao sistema produtivo final, incrementando a produtividade, ao mesmo tempo em que reduz o custo por unidade de insumo.

A logística também tem importância numa escala global, segundo Fleury (2000), com a globalização o consumidor pode comprar e vender mercadorias em diversos locais ao redor do mundo. Mas implicações desse fenômeno para logística são várias e importantes, tais como o aumento das incertezas econômicas, proliferação de produtos, ciclos de vida menores dos produtos e maiores exigências de serviços são as principais mudanças econômicas que afetam a logística. A diversificação do número de clientes e o aumento dos pontos de vendas crescem o número de fornecedores e os locais de fornecimento, aumentam as distâncias a serem percorridas e a complexidade operacional, envolvendo legislação, cultura e modais de transporte. Tudo isso se reflete em maiores custos e aumento da complexidade logística. Na economia mundial, sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio e a manutenção de um alto padrão de vida nos países desenvolvidos. Muitas vezes certas regiões detêm uma vantagem sobre as demais no que diz respeito a alguma especialidade produtiva.

Para Ribeiro (2007), esta é uma área de grande potencial. Vale ressaltar a importância desta área em todo o setor industrial. Dados da Unicamp indicam que a logística representa, aproximadamente, 20% do custo de produtos industrializados.

O setor de serviços logísticos tem apresentado crescimento acentuado no país, nos últimos anos. Dados do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontam para um crescimento de 286% da receita total das empresas, entre 2000 e 2003, uma média anual de 57%. Em valores monetários, este percentual corresponde a uma elevação da receita de R$ 1,5 bilhão para R$ 6 bilhões.

Nessa perspectiva Fleury (2000) declarou que a implantação de um sistema de logística na empresa deve estar sempre buscando um aperfeiçoamento tanto do sistema de informação quanto de equipamentos necessários para realizar esta atividade, abastecendo-se a partir do varejo sendo o negócio final para a venda de produtos, canal esse que liga os fabricantes e seus fornecedores, a atacadistas e varejistas, e esses ao consumidor final.

2.8.5 Gerenciamento logístico

Uma das mais importantes tendências comerciais do século XX foi à emergência da logística como conceito integrado que abrange toda a cadeia de suprimentos, desde a matéria prima até o ponto de consumo.

Na concepção de Novaes (2001), o gerenciamento logístico visa planejar

e coordenar todas as atividades necessárias para alcançar níveis desejáveis dos

serviços e qualidade ao custo mais baixo possível. Portanto, a logística deve ser

vista como um elo entre o mercado e a atividade operacional da empresa

estendendo o seu raio de ação sobre toda a organização.

(34)

Segundo Wanke (2000), instrumentos gerenciais e operacionais visam à coordenação e controle da parceria logística, como: estabelecimento de procedimentos e métodos, definição de indicadores de desempenho, política para troca de informações, formalização contratual e política de investimento.

Do ponto de vista de Novaes (2001), há situações em que o ciclo de vida é menor que o prazo estratégico; ou seja, a vida do produto no mercado é menor que o tempo necessário para projetar, fazer aquisições, fabricar e distribuir aquele mesmo produto, sendo que as implicações são enormes prejuízos para o planejamento e para as operações.

Gerenciar o transporte significa tomar decisões sobre um amplo conjunto de aspectos. No entender de Fleury (2002) estas decisões podem ser classificadas em dois grandes grupos: decisões estratégicas e decisões operacionais. As decisões estratégicas se caracterizam pelos impactos de longo prazo, e se referem basicamente a aspectos estruturais. As decisões operacionais são geralmente de curto prazo e se referem às tarefas do dia a dia dos responsáveis pelo transporte.

São basicamente quatro as principais decisões estratégicas no transporte: escolha de modais; decisões sobre propriedade da frota; seleção e negociação com transportadores; política de consolidação de cargas e dentre as principais decisões de curto prazo podemos destacar: planejamento de embarques; programação de veículos; roteirização; auditoria de fretes; e gerenciamento de avarias.

2.9 MOVIMENTAÇÕES RODOVIÁRIAS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Na concepção de Soares, Galvani e Caixeta-Filho (1998) a safra da soja

é, sem dúvida, a que mais desestabiliza o mercado de frete. O pico da safra de soja

começa na segunda quinzena de março e vai até a segunda quinzena de abril,

sendo que a sinalização de preços pode ser visualizada até 90 dias antes desse

período, em função da entrada da soja “safrinha” e a colheita de outras culturas

como o milho. Podem-se estabelecer algumas etapas do processo: a primeira

consiste no transporte entre o produtor e a indústria de esmagamento, ou

armazenamento do produto. Essa etapa representa um custo mais elevado em

decorrência das estradas rurais não serem pavimentada, ocasionando um

deslocamento mais lento, períodos de interrupção por causa das chuvas, além de

elevação dos custos de manutenção do caminhão; a segunda caracteriza pelo

transporte do grão armazenado para a indústria do processamento ou armazéns ou

indústrias de exportação. Os principais portos de escoamento da produção são

Santos (São Paulo), Paranaguá (Paraná), Rio Grande (Rio Grande do Sul) e São

Francisco do Sul (Santa Catarina).

(35)

2.9.1 A logística da soja em grãos

Conforme dados da ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), a partir de 1968 teve início o plantio de soja no extremo sul do país. Com fábricas modernas e um melhor aproveitamento da matéria prima no esmagamento, às indústrias foram capazes de produzir um óleo comestível de alta qualidade. Bem aceito pelo consumidor, o óleo de soja ganhou rapidamente os espaços nas prateleiras dos supermercados nas regiões sul e sudeste. Esse fato foi decisivo no impulsionamento da cultura da soja, que rapidamente se alastrou pela região sul do país.

Iniciava-se assim um ciclo importante da atividade onde a exportação de soja em grão foi decisiva na contribuição para liquidez da atividade, segundo Soares, Galvani e Caixeta-Filho (1997), a soja normalmente é transportada a granel, mas pode ser ensacada antes de ser carregada. É corriqueira a utilização dos serviços de transporte autônomo, no escoamento da safra da soja devido a sua disponibilidade e possibilidade de usar carretas não específicas, provocando grande desestabilização no mercado de fretes. Isso é ocasionado pelo fato da oferta de veículos não ser suficiente para cobrir a demanda existente para movimentação da soja e outros produtos agrícolas, proporcionando aumento significativo dos fretes.

Soares e Caixeta-Filho (1997), alegaram que, grande parte dos agricultores não possui um local adequado para o armazenamento da produção, o que obriga que os grãos sejam colocados nas carretas de transporte logo no momento da colheita, desse modo a operação de carga fica, além de mais demorada, totalmente dependente das condições climáticas. Quando ocorrem imprevistos, o motorista fica retido na propriedade rural, sem poder seguir viagem.

Com a utilização intensa dos serviços de transporte, os veículos disponíveis tornam- se escassos e os valores dos fretes sobem consideravelmente. A curva de valores de frete observa violentos picos nos meses da colheita. Grande parte da soja fica retida em pontos intermediários e vai sendo escoada em outros meses. Os valores de frete, após sofrerem uma queda bruta, continuam a decrescer de maneira discreta, até que se inicie a próxima safra.

Conforme Ribeiro (2007), a falta de investimentos em infraestrutura de logística pode comprometer a competitividade da produção de grãos no Brasil.

Estradas esburacadas, portos congestionados e falta de armazéns fazem parte do agronegócio nacional e com avanço da fronteira agrícola, o crescimento das exportações de grãos em geral e a falta de alternativa de roteiros para o transporte do produto ao porto pode se tornar um entrave às vendas externas, prejudicando até os agricultores que estão próximos aos locais de escoamento.

De acordo com Roessing e Santos (1997), o transporte do complexo soja

no Brasil em 1995 incidiu com uma concentração maior na utilização do modal

rodoviário, com 67%, seguido pelo ferroviário, com 28% e pelo hidroviário com

apenas 5% do total.

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