AVES DE QUIXABA: UMA PEQUENA AMOSTRA
Por Maurício Dália Neto – Discente da disciplina Ecologia Geral II – Curso de Ciências Biológicas ênfase Ciências Ambientais da UFPE, sob coordenação do prof. Gilberto Rodrigues
Quixaba é um município do interior de Pernambuco, cerca de 330 Km de Recife, caracterizada pelo seu clima seco e vegetação original denominada: Caatinga. Situada na microrregião do Pajeú, possui 6.855 habitantes do qual basicamente vivem do comércio, da agricultura e criação de galinhas. Essa região possui uma altitude de 543m em relação ao nível do mar, tornando-a úmida e fria em períodos de inverno e resistindo a degradação da mata original devido ao modo peculiar que é manejada (Fig. 1). Esse fato faz com que a presença da fauna seja mais evidente ao contrário do que vem sendo observado em regiões mais degradadas do Sertão Pernambucano. Devido a isso, essa microrregião torna-se importante para a preservação e da biodiversidade e conservação dos ecossistemas.
A biodiversidade (animais, plantas e micro organismos) possui um papel importante para os serviços ecossistêmicos, como a dispersão de sementes, polinização, entre outros - fatores dos quais a biota não sobreviveriam sem. Entende-la e compreender suas funções é de grande importância para aprendermos a conciliar as ações degradantes do homem e a preservação do meio ambiente, a relação homem/sociedade-natureza.
Uma forma de entender a complexidade da biodiversidade é fazer inventários e identificação das espécies das regiões postas em questão, pois se podem evidenciar espécies que ocorrem apenas nessa região (podendo ser endêmicas – que unicamente em uma determinada área), tornando-a uma espécie com risco de entrar em extinção. Para isto, foi feito em algumas áreas de Quixaba o registro e a identificação de algumas espécies de aves, propondo mais estudos para entender mais a biologia das mesmas.
Em três dias de observação (de 4 a 7 de Julho de 2013), com o uso de máquina fotográfica (objetiva 300mm), foram registradas 24 espécies de 14 famílias diferentes de aves (Quadro 1).
Porém, muitas outras espécies não foram adicionadas aos registros devido à falta de informações adequadas para a identificação.
VOLUME 1; EDIÇÃO 1; RECIFE, 04 de Julho de 2013 .
Fig. 1 - Microrregião do Pajeú
Foto do autor.
AVIFAUNA REGISTRADA
Nome popular: Casaca-de-couro
Nome científico: Pseudoseisura cristata Família: Furnariidae
Descrição: Mede cerca de 30 cm de comprimento.
Apresenta plumagem ruiva uniforme, íris amarela e um longo topete. Onívoros que vivem principalmente no alto das árvores, indo eventualmente ao solo para se alimentar. Habita a caatinga seca e florestas de galeria, freqüentemente em áreas pantanosas. É endêmico do Nordeste, ocorrendo nos estados da Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Piauí.
Nome popular: Casaca-de-couro Nome científico: Volatinia jacarina Família: Emberizidae
Descrição: Tem cerca de 10 centímetros de comprimento. O macho é todo preto com brilho azul-metálico, exceto por uma pequena mancha branca na parte inferior das asas. Estes pequenos pássaros são vistos com grande freqüência, geralmente aos pares, em áreas alteradas, descampados, savanas, campos e capoeiras baixas da América do Sul, exceto no extremo sul. Presente em todo o Brasil e também do México ao Panamá e em todos os países da América do Sul.
Nome popular: Rolinha-roxa
Nome científico: Columbina talpacoti Família: Columbidae
Descrição: Medem 17 centímetros de comprimento e pesam 47 gramas. O macho, com penas marrons avermelhadas, cor dominante no corpo do adulto, em contraste com a cabeça, cinza azulada. Adapta- se aos ambientes artificiais criados pela ação humana. Vive em áreas abertas; o desmatamento facilitou sua expansão, em especial nas áreas formadas para pasto ou agricultura de grãos.
Ocorre em todo o Brasil, porém raramente vista em áreas densamente florestadas da Amazônia.
Foto do autor.
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Nome popular: Rolinha-picui Nome científico: Columbina picui Família: Columbidae
Descrição: No nordeste, a plumagem é toda branca, vindo daí um dos nomes comuns. No Pantanal, domina um tom pardo-amarronzado. Na asa, a listra escura (iridescente, sob ótimas condições de luz) é característica. É comum em regiões semi- abertas, capoeiras, beiras de matas mesófilas, matas secas, cerrados, plantações, campos e pastos sujos. Apresenta uma ampla distribuição no Brasil Centro-Meridional.
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Nome popular: Cardeal-do-nordeste Nome científico: Paroaria dominicana Família: Thraupidae
Descrição: É conhecido também como galo-da- campina, cabeça-de-fita e cabeça-vermelha. Mede cerca de 18cm. Plumagem de cabeça vermelha, curta e ereta, sobretudo na nuca do macho. Habita mata baixa rala e bem ensolarada (caatinga); beira de rios (cerrado). Um dos pássaros mais típicos do interior do Nordeste do Brasil. É uma das espécies que mais paga pesado tributo ao comércio ilegal de aves silvestres.
Nome popular: Sanhaçu-cinzento Nome científico: Tangara sayaca Família: Thraupidae
Descrição: Com tamanho aproximado de 18 centímetros e 42 gramas de peso (macho), tem o corpo cinzento, ligeiramente azulado, com as partes inferiores um pouco mais claras. Quando um macho apronta-se para agredir outro, seu canto torna-se rouco e monótono. Também é visto junto com outra espécie de sua família, como o sanhaçu-do- coqueiro, cujo canto é bem parecido. Ocorre nas regiões tropicais e subtropicais ao sul da Amazônia e a leste dos Andes.
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Nome popular: Gaturamo-verdadeiro Nome científico: Euphonia violacea Família: Fringillidae
Descrição: O gaturamo-verdadeiro mede entre 11 e 12cm e pesam cerca de 15g (macho). A espécie apresenta dimorfismo sexual. É comum em bordas de florestas, florestas de galeria, clareiras, jardins, plantações de cacau e citrinos, fruteiras em plantações, árvores densas em parques, evitando áreas abertas mais áridas. Encontrados na Amazônia brasileira, no Nordeste e em direção sul até o Rio Grande do Sul. Encontrado também nas Guianas, Venezuela, Paraguai e Argentina.
Nome popular: Cambacica
Nome científico: Coereba flaveola Família: Corebidae
Descrição: Mede aproximadamente 10,8 centímetros e pesa cerca de 10 gramas. Vive solitária ou aos pares e é bastante ativa. Toma banho muitas vezes, por causa do contato com o néctar pegajoso. Seu canto é relativamente forte, simples e monótono, e emitido incansavelmente.
Ocorre em quase todas as regiões do país, podendo estar ausente de regiões extensivamente florestadas. É encontrada desde o México, e em todos os países da América do Sul, com exceção do Chile.
Nome popular: Golinho
Nome científico: Sporophila albogularis Família: Emberezidae
Descrição: Mede cerca de 10 cm. de comprimento.
O macho possui a cabeça enegrecida e o restante das partes superiores cinza, a garganta branca, cuja tonalidade estende-se para cima, formando um colar incompleto na nuca, a fêmea e os filhotes são marrom-acinzentados nas partes superiores e amarelo-esbranquiçados nas inferiores. Encontra-se em todo o nordeste, excepcionalmente no norte do Espírito Santo e Minas Gerais.
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Nome popular: Casaca-de-couro-amarelo Nome científico: Furnarius leucopus Família: Furnariidae
Descrição: Mede de 16,5 a 19 cm de comprimento.
Um pouco menor do que o joão-de-barro(Furnarius rufus), possui o mesmo formato de corpo e proporções gerais. É muito comum em paisagens abertas - como campos, cerrados, pastagens, áreas agrícolas e florestas de galeria. Vive solitário ou aos pares, andando no chão. Vive nas áreas abertas da Região Amazônica, Mato Grosso, Goiás, Região Nordeste e Minas Gerais. Encontrado também na Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
Nome popular: Asa-de-telha-pálido Nome científico: Agelaioides fringillarius Família: Icteridae
Descrição: Mede cerca de 18 centímetros é também conhecido no Nordeste por cajaca e casaca-de- couro. É uma ave parasita e tem hábitos bem parecidos com os da espécie vira-bosta.
Nome popular: Tuim
Nome científico: Forpus xanthopterygius Família: Psittacidae
Descrição: É a menor ave da família dos papagaios e periquitos no Brasil, com o corpo todo verde, um pouco mais escuro nas costas mede 12 centímetros e pesa em media 26 gramas. Vivem em bandos de até 20 e sempre que pousam, se agrupam em casais. Habitam as bordas das mata ribeirinha, mata seca e cerrados. Muito ativos, deslocam-se por grandes áreas, sempre com gritos de contato.
Ocorre no nordeste, leste e sul do Brasil até o Paraguai e Bolívia, também no alto Amazonas até o Peru e a Colômbia.
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Nome popular: Lavadeira-mascarada Nome científico: Fluvicola nengeta Família: Tyrannidae
Descrição: Mede cerca de 16 centímetros de comprimento. Seu habitat é, preferencialmente, junto a rios ou lagoas. Podendo ser encontrada em parques e jardins em centros urbanos. Vem frequentemente ao chão, mesmo barrento, em busca de alimento. É ave de espaços abertos. A distribuição desta ave é curiosa, pois existem duas populações muito distantes, uma no leste brasileiro e outra no noroeste da América do Sul.
Nome popular: Garça-branca-pequena Nome científico: Egretta thula
Família: Ardeidae
Descrição: Mede de 51 a 61 centímetros de comprimento e apresenta grandes egretes no período reprodutivo. Habita bordas de lagos, rios, banhados e à beira - mar. Comum em manguezais, estuários e poças de lama na costa, sendo menos numerosa em pântanos e poças de água doce.
Vivem em grupos e migram em pequenas distâncias para dormir. Todo o Brasil e desde o sul dos Estados Unidos e Antilhas à quase totalidade da América do Sul.
Nome popular: Risadinha
Nome científico: Camptostoma obsoletum Família: Turannidae
Descrição: Também conhecido como alegrinho, assovia-cachorro, miudinho (Pernambuco) e papa- mosquito, mede cerca de 9,5 centímetros. Está sempre movimentando-se bastante, desde a copa das árvores mais destacadas até próximo ao chão.
Aprender a identificá-lo bem auxilia no encontro das outras espécies de tiranídeos pequenos, parecidas no formato, cores ou que possuem cantos próximos. Além do tamanho e comportamento, característica marcante é o canto.