ALEXANDRE ABDALA
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Programa de Pós-Graduação
Stricto-Sensu
em Educação Física
A PERCEPÇÃO DE ESCOLARES SOBRE PRECONCEITO:
Um estudo de caso
Autor: Alexandre Teixeira Abdala
Orientadora: Profª. Drª. Gislane Ferreira de Melo
Brasília - DF
ALEXANDRE ABDALA
A PERCEPÇÃO DE ESCOLARES SOBRE
PRECONCEITO: Um estudo de caso
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física da
Universidade Católica de Brasília como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação Física.
Orientadora: Profª. Drª. Gislane Ferreira de Melo
DEDICATÓRIA
7,5cm
A135p Abdala, Alexandre Teixeira Abdala.
A percepção de escolares sobre preconceito: um estudo de caso. / Alexandre Teixeira Abdala – 2014.
69 f.; il.: 30 cm
Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2014.
Orientação: Profa. Dra. Gislane Ferreira de Melo
1. Educação física. 2. Preconceitos. 3. Discriminação. 4. Estudantes. 5. Comportamento. 6. Violência. I. Melo, Gislane Ferreira de, orient. II. Título.
ERRATA
A dissertação apresentada e aprovada pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu, em
Educação Física da Universidade Católica de Brasília, em 26 de junho de 2014, teve uma
modificação no titulo, sendo originalmente “A percepção de escolares sobre a presença do preconceito nas aulas de Educação Física e a possível prevalência de Bulling” passando a
ser “A percepção de escolares sobre preconceito: um estudo de caso”.
AGRADECIMENTOS
Grandes desafios forçados no calor da batalha, Fortalecem o corpo; Enaltecem o espírito e Guardam para a posteridade, a grandiosidade
de cada belo momento da vida que vivemos.
RESUMO
o presente estudo tem como objetivo analisar a percepção de escolares de uma escola particular de ensino fundamental, sobre a presença de diversos tipos de preconceitos. essa é uma questão atual, que tem uma relevância bastante ampla, tendo em vista que um dos temas que mais chamam atenção na sociedade escolar da atualidade, diz respeito às relações construídas no ambiente escolar e as aulas de educação física. para levar a termo o estudo foi realizada uma pesquisa de campo com 211 alunos do ensino fundamental, os quais foram convidados a responder questões com perguntas que fazem parte da dinâmica relacional e da vivência na disciplina de educação física. Os resultados apontam que 49% dos entrevistados já haviam sofrido alguma forma de preconceito na escola e que aqueles percebidos a aparencia física e o desempenho escolar são as duas variaveis que mais são precursoras de preconceito.. Um numero signficativo destas crianças e adolescentes já apresentam sintomas que devem ser melhor investigados como falta de sono, se sentem deprimidos, com raiva e ansiosos. As piadinhas são muito criticadas por todos da amostra Quanto a quem não gostam de se relacionar, estes afirmam que são homossexuais e pessoas com faixas etaria diferenciadas (mais novas e mais velhas). Com relação relacao as aulas de Educação Física as respostas deixam claro que nesta escola, o preconceito de gênero não é prevalente e a grande maioria dos estudantes percebem as aulas como um momento ideal de confraternização entre os alunos. Conclui-se que existe o preconceito generalizado na escola, tanto que alguns relatam o sofrimento com relação a eles e outros afirmam ter preconceitos principalmente com relação a homossexuais e pessoas de faixas etarias diferentes. A aula de Educação Física é percebida como agregadora e capaz de modificar conportamentos preconceituosos.
ABSTRACT
The present study aims to analyze the perception of students in a particular elementary school, about the presence of various types of prejudices. This is a current issue, which has a fairly broad relevance, considering that one of the themes that draw more attention in school society today, concerns the relationships built within the school environment and physical education classes. To carry forward the study a field survey of 211 elementary school students, who were asked to answer questions with questions that are part of the relational dynamics and experience in the discipline of physical education, was conducted. The results show that 49 % of respondents had experienced some form of prejudice in school and those perceived physical appearance and academic performance are the two variables that are precursors to more prejudice significant. A number of these children and adolescents have symptoms that should be further investigated as lack of sleep, feel depressed, angry and anxious. The jokes are much criticized by the entire sample as for those who do not like to relate, they say they are gay and people (younger and older) different age groups. Relationship with respect to PE lessons responses make it clear that this school, gender bias is not prevalent, and the vast majority of students perceive lessons as an ideal time for socializing among students. It is concluded that there is widespread prejudice in school, so much so that some have reported suffering towards them and others say they have prejudices especially regarding homosexuals and people of different age groups. The Physical Education class is perceived as capable of aggregating and modifies comportments prejudiced.
LISTA DE SIGLAS
LISTA DE TABELAS
LISTA DE GRÁFICOS
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 15
2 OBJETIVOS ... 18
2.1 Obejtivo Geral ... 18
2.2 Objetivos Específicos... 18
3 REVISÃO DA LITERATURA ... 19
3.1 UMA VISÃO ACERCA DO PRECONCEITO ... 19
3.2 ALGUNS TIPOS ESPECÍFICOS DE PRECONCEITO ... 22
3.2.1 Preconceito de Gênero ... 22
3.2.2. O Preconceito Racial No Brasil ... 25
3.2.3 Preconceito de Orientação Sexual ... 27
3.2.4 Preconceito Fisico ... 28
4 MATERIAIS E MÉTODOS ... 32
4.1 TIPO DE PESQUISA ... 32
4.2AMOSTRA ... 32
4.3. INSTRUMENTOS ... 32
4.4. PROCEDIMENTOS ... 32
4.5 ANÁLISE DOS DADOS ... 32
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 33
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 55
APÊNDICE I ... 61
APÊNDICE II ... 65
APÊNDICE III ... 66
TERMO DE CONSENTIMENTO DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS – DE 12 A 19 ANOS ... 66
APÊNDICE IV ... 68
TERMO DE CONSENTIMENTO AOS PAIS E RESPONSÁVEIS ... 68
MENORES DE 12 ANOS ... 68
APÊNDICE V ... 70
1 INTRODUÇÃO
A Educação Física tem como função primordial a cultura da saúde física, mental e social (MEDINA, 1990; DARIDO, et al.; 1999). A respectiva área, insere-se no contexto
escolar enquanto uma disciplina que vincula a prática do exercício físico à construção de um estilo de vida saudável (DARIDO et al, 1999; BRACHT, 1999; GUEDES; GRONDIN,
1999).
Desde os anos iniciais do processo de escolarização, o profissional de Educação Física deve, em parceria com os demais profissionais da área de Educação, construir estratégias que auxiliem o aluno a ter uma postura mais proativa, conscientizando-o do valor factual que o exercício físico tem na manutenção da saúde (DARIDO et al, 1999). Porém, tal
conscientização passa, também, pela introjeção de valores que possam beneficiar não apenas o próprio aluno, mas a sociedade a que pertence. Isto significa a não restrinção em ensinar a fazer exercícios fisicos, mas a formular políticas pedagógicas capazes de produzir na sociedade os resultados oriundos das práticas propagadas por essa disciplina (GUEDES; GRONDIN, 1999).Neste contexto, observa-se que a Educação Física, enquanto disciplina educacional tem uma importância fundamental na formação dos hábitos de toda a sociedade, uma vez que pode revelar a seus alunos não só fatores fisiologicos mas também fatores culturais, sociais e emocionais.
Discutir o papel da disciplina de Educação Física como meio de propagar uma cultura de sociabilidade é importante porque a atividade docente tem essa perspectiva profissional como algo natural da carreira de educador. Neste contexto, há que se observar que o Profissional de Educação Física não tem como proposta apenas cuidar da interação entre o corpo e o indivíduo, mas, sobretudo tem competência para estimular uma ampla formação da criança, do adolescente ou da pessoa adulta nos moldes de uma cultura humanista que privilegie a reflexão de valores sociais como base para a harmonização da vida em comunidade (DARIDO, et al, 1999, MEDINA, 1990).
O preconceito, resultados destes estereotipos, pode ser entendido como um mecanismo que atua com base em juízos pré-estabelecidos, desencadeando uma atitude discriminatória, contra pessoas, ideologias, crenças, sentimentos, tendências comportamentais e modus de vida
que sejam considerados, pelo discriminador, como desvinculados de padrões de normalidade (ABRAMOVAY, 2002; COSTANTINI, 2004; FANTE, 2005).
A escola é o ambiente natural para se trabalhar esses conceitos e desestimular o surgimento de preconceito. Neste contexto, é preciso, também se trabalhar em nível social, a noção da igualdade entre as diferenças, visto que o preconceito é algo que está consolidando no imaginário coletivo (TOSCANO, 2000, SALLES-COSTA, et, al, 2004). Para Darido el al.
(1999) esta é uma prática nefasta ao desenvolvimento social dos indivíduos e deve ser debatido sob um viés reflexivo, levando o aluno a identificar no outro, não um risco para sua hegemonia dentro de um grupo, mas, sobretudo como alguém cuja importância na sociedade é tão relevate como qualquer outra pessoa.
O preconceito no âmbito da escola tem crescido nos últimos ano e reflete os valores propagados pela sociedade, na qual, a resolução de conflitos e a aceitação das diferenças deixaram de ser tratados sob uma perspectiva racional e passaram a ser tratados sob a perspectiva da imposição do poder e da força dos mais fortes, em detrimento daqueles percebidos como mais fracos (CONSTANTINI, 2004; FANTE, 2005). Desarticular esse tipo de comportamento demanda tempo e impõe a exposição do indivíduo que pratica o preconceito em situações, nas quais, o confronto com seus pontos de vista, seja inevitável, a fim de que se possa desconstruir, a partir desse confronto, um nova concepção (ABRAMOVAY, 2002; FANTE, 2005).
O professor de EducaçãoFísica pode utilizar-se da disciplina para incentivar a interação dos alunos em diferentes níveis, a fim de torna-los mais próximos e mostrar a eles que as diferenças existentes entre eles não pode ser o que os separa no plano social, mas sim o que deveria acrescentar-lhes mais conhecimentos (DARIDO, et al,1999, GARCIA, 2009).
2 OBJETIVOS
2.1 Obejtivo Geral
Analisar a percepção de escolares do Ensino Fundamental sobre a presença de diversos tipos de preconceitos.
2.2 Objetivos Específicos
a. Avaliar quais as principais formas de preconceitos percebidos de meninos e meninas em fase escolar nas aulas de Educação Física;
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 UMA VISÃO ACERCA DO PRECONCEITO
De acordo com Crochik (2006) o preconceito é a tentativa natural do ser humano de categorizar o outro. O fato de julgar o outro com antecedência, sem sequer conhecê-lo é uma forma de minorar a influencia que o outro exerce no meio e atrair para si mesmo fatores hegemônicos e de poder. Como toda construção social, o preconceito surge em função do aprendizado, embora que de valores distorcidos (COSTANTINI, 2004, FANTE, 2005).
Goffman (2004) infere que o preconceito é uma manisfestação social dinâmica muitas vezes nefasta, que um ser humano pode apresentar. Para o autor os resultados oriundos de práticas balizadas em preconceito podem produzir efeitos devastadores para a construção da identidade das vítimas, porém em nenhuns espaços de dialogo. Esse tipo de distorção é produzida pela diferenciação equivocada a qual baseia-a na cultura e que surge em função da estigmatização gerada pela falsa ideia de hegemonia, de uma classe ou de uma pessoa sobre outra (PADOVANI, et. al, 2010).
Como o preconceito é formatado segundo cada cultura, antes de querer debelá-lo é preciso primeiro, trabalhar nas bases que o constituem, entendendo como funciona, suas causas e seus efeitos (ADORNO, HORKHEIMER, 2000). Desta forma o preconceito reflete os valores propagados pela sociedade, na qual, a resolução de conflitos e a aceitação das diferenças deixaram de ser tratados sob uma perspectiva menos racional ou, pelo menos, de forma menos dialética (CONSTANTINI, 2004; FANTE, 2005).
A introjeção do preconceito é uma realidade que ocorre, em primeiro plano nas gerações mais novas, cujas representações sociais foram construídas sobre pilares que reproduzem tais preconceitos, num modus continuo e cíclico, onde pais passam aos filhos e os
No âmbito da Educação Física escolar, o preconceito surge, em diversos tipos de situações e pode ser práticado por qualquer um dos entes sociais que estão inseridos no contexto escolar: aluno, professor, pessoal de apoio educacional, entre outros (FANTE 2005). Como dito anteriormente, quando um indivíduo ou grupo tem um concepção preconcebida sobre tipos ideiais de comportamento, aparencia fisica, opção sexual, classes sociais, raças haverá a tendencia de gerar preconceitos com relação aquelas pessoas que não estão dentro das verdades que se tem em mente. Isso gera uma postura equivocada, na qual determinados tipos de inter-relações são sublimadas, uma vez que pessoas com atitudes e comportamentos diferenciados representam um risco para sua supremacia (SALLES-COSTA, 2004). Nestes casos prevalece a falsa noção de que um determinado tipo de pessoa é mais forte ou mais capacitada do que outra e dessa forma, uma dessas pessoas acaba sendo excluída das possibilidades de interação (SALLES-COSTA, 2004).
A luta pela supremacia no ambiente escolar é refleto da luta pela supremacia no espaço social e pode se manifestar em função de conflitos que tem como “pano de fundo”
divergências de cunho intelectual, social, fisico, emocional e sexual (ABRAMOVAY, 2002, COSTANTINI , 2004, FANTE, 2005). Corroborando esta ideia Goffman (2004) afirma que existe muito preconceito no ambiente escolar e que nem sempre a construção desse tipo de prática se dá de forma rápida e declarada. Normalmente isso faz parte de um aprendizado que demanda tempo para ser introjetado, se institui de forma lenta e escondida em cada indivíduo (COSTANTINI, 2004; GOFFMAN, 2004).
Assim, ser diferente do que determinada cultura impoe gera um estima, o qual pode ser entendido, em termos de comportamento, como algo que não é comum aos padrões estabelecidos. Assim, pessoas que têm hábitos diferentes podem ser alvo de estigmas, o que também pode ser concebido como um tipo de preconceito social. Muitos desses estigmatizados fazem questão de reforçar o estigma para manter distantes as pessoas que os oprimem (DEJOURS, 2002; GOFFMAN, 2008).
A palavra estigma está assemelhada a alguns tipos de marcas fáceis de serem vistas, quase cicatrizes, o que pode muito bem ser entendido como uma forma depreciativa de se referir a alguém, ou seja, pelos seus sinais e não pelos seus ideais ou seu caráter (GOFFMAN, 2008). As pessoas que sofrem estigmas tendem a se tornar vítimas de pessoas mais inescrupulosas, que prometem resolver os problemas dos estigmatizados, apenas com o intuito de ganhar algum tipo de vantagem em relação a esses. Os estigmatizados, por sua vez, na vontade de se livrarem daquilo que os importuna acabam aceitando a condição de vítima e se entregam a esses oportunistas, buscando a resolução de seus problemas, relacionados mais a questão de sua autoimagem do que propriamente do estigma que tem (GOFFMAN, 2008).
A sede de buscar o fim da causa de sofrimento psíquico é tão grande que o indivíduo deixa de pensar racionalmente e passa a querer a todo custo resolver o problema que lhe aflige (COSTANTINI, 2004; FANTE, 2005; GOFFMAN, 2008). O indivíduo vítima do estigma social quase sempre se isola e evita até mesmo o contato familiar mais intenso, quase sempre, quando alguém chega, ele prefere ficar recluso e só volta ao convívio das pessoas, no mesmo ambiente, quando o indivíduo estranho ao seu convívio social já foi embora. Isso decorre do fato de o próprio indivíduo sentir-se inferiorizado em relação a terceiros, prefere não se mostrar. O estigmatizado fica o tempo todo se comparando com as demais pessoas e buscando formas de se parecer com elas, como se estivesse negando sua própria existência e buscando ser aquilo que não é, tudo isso para ser aceito socialmente (GOFFMAN, 2008).
Sucessivas experiências de fracasso escolar podem levar o aluno a desenvolver um conceito muito baixo a respeito de suas potencialidades e, com isso, ele passa a conceber que é incapaz de acompanhar os demais alunos. O passo seguinte parte da forma como seus colegas de classe o veem. Ele passa a ser evitado pelos colegas em seus trabalhos escolares, que apenas enxergam suas inapetências. Esse fato faz com que o aluno passe a se sentir desvalorizado e isso tem uma forte repercussão consigo mesmo, pois ele começa a se achar desvalorizado pelos colegas, ampliando os riscos de que seus fracassos escolares só aumentem (OLIVEIRA, 2001).
3.2 ALGUNS TIPOS ESPECÍFICOS DE PRECONCEITO
O significado da palavra preconceito, segundo do dicionário Aurélio Buarque de Holanda (2013) está relacionado com um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento.
O preconceito na visão de Guimarães (2005) é uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento fático é introjetado na cultura das pessoas ainda na infância e coexiste com o indivíduo por toda a vida e, são poucos os que conseguem se livrar deles ao longo da vida.
3.2.1 Preconceito de Gênero
O conceito de gênero, na visão de Simião (2005) é bastante amplo, mas pode ser entendido como “como uma linguagem, uma forma de comunicação e ordenação do mundo, que orienta a conduta das pessoas em suas relações específicas, e que é, muitas vezes, base
para preconceitos, discriminação e exclusão social”. Já para Felipe e Guizzo apud Simião (2005), gênero está “relacionado fundamentalmente aos significados que são atribuídos ao ser mulher ou ao ser homem em diferentes sociedades e épocas” (2003). Scott (1995) apud Simião (2005) por sua vez considera que as relações de gênero são também relações de poder.
Assim, o preconceito de gênero seria uma forma de discriminação provocada pela falta de tolerancia com o genero oposto, constituindo-se portanto em uma luta por poder, em face da significação e da prevalencia que o conceito de gênero desencadeia no ambiente social.
De acordo com Garcia (2009), na atualidade o preconceito de gênero, embora seja bastante negado, principalmente entre as sociedades mais desenvolvidas economicamente, é uma realidade constante em diversos paises do mundo. No entanto, como bem salienta o esse mesmo autor, essa não é uma questão recente, visto que o preconceito de gênero é uma forma específica de preconceito que visa o status de dominação desde a Antiguidade.
Hoje há na sociedade contemporânea um movimento de universalização de direitos humanos, que é bastante forte, que depois da segunda metade do século XX passou a garantir legalmente mais direitos para as mulheres. Isso garantiu a elas o amparo legal para conter a
discriminação, no entanto, ainda persiste na sociedade um “ranço” de maxismo sectário,
Na concepção de Oliveira (2001) são essas manifestações de caráter sexista que ainda são usadas como justificativa para homens assassinem suas esposas ou companheiras, sob a esfinge do direito de defender sua própria honra. No entanto o autor salienta que por trás dessa premissa de defesa da honra, existe na verdade a introjeção de uma cultura de dominação que se fundamental durante séculos, na qual a mulher deveria ser vista como submissa e, aquelas que resolvessem se rebelar contra o dominio masculino, deveriam ter seu impeto amainado por meio de imposição da força física masculina. Força essa que sempre balizou a dominação. No entanto, antes de prosseguir, faz-se necessário lançar uma luz sobre o conceito de gênero.
O gênero, quando visto de uma perspectiva sociológica designa uma categorização social que não se preocupa em diferenciar homens e mulheres apenas em função dos caracteres sexuais, mas, sobretudo em função de diversificadas acepções. Pode ser entendido também como um conjunto de acepções sociais e comportamentais e a valores associados arbitrariamente em função do sexo, porém não apenas restrita a ele, mas, também em função do conceito autodeclarado de cada indivíduo e sua percepção identitária (VIANELLO, CARAMAZZA, 2011).
A questão de gênero não se restringe apenas ao estudo das relações discriminatórias ou de poder entre homens e mulheres. No entanto, em função da sociedade atual ter se fundamentado em torno da religiosidade e de comunidades tribais, nas quais, a hegemonia patriarcal consolidou a prevalência do poder nos homens (STREY, 2004). No entanto, já há algum tempo, a mulher passou a ter um novo papel na configuração social. Se antes ela era vista apenas como genitora e cuidadora da prole, na atualidade ela faz parte de práticamente todos os cenários sociais existentes (AUGUSTI, 2009).
Para Augusti (2009) a maior participação da mulher na sociedade, deu-se em virtude de várias conquistas sociais estabelecidas participação, contudo, não foi feita sem que houvesse consequências para o núcleo familiar. Com uma entrada maior das mulheres na sociedade de consumo, no mercado de trabalho também se iniciou um processo de desmantelamento do modus único de família, que deixou de ser apenas tradicional e passou a
dividir espaço com outros tipos, nos quais já é possível encontrar famílias unipatriarcais, homoafetivas e, aquelas formadas por laços de adoção heteroafetivas (BEAUVOIR, 2004).
condições normais, não se alteram ao longo da vida, atualmente são insuficientes para determinar o gênero, visto que na visão moderna do conceito, o gênero não ser restringe apenas aos aspectos hormonais ou genitais (VIANELLO, CARAMAZZA, 2011).
Ao se pensar em gênero é preciso primeiro repensar tal conceito, observando que o mesmo não se limita apenas as característica anatômicas, mas, também, as representações e aos papeis sociais que surgem em virtude de uma cultura massificada ao longo dos séculos. Neste contexto, o conceito de gênero demanda também de aspectos relacionais que são, ao mesmo tempo, opostos e complementares (VIANELLO, CARAMAZZA, 2011).
O preconceito de gênero no âmbito da escola é uma manifestação que está associada a introjeção de uma cultura sexista, sectária ou mesmo com objetivos de dominação (SAYÃO, 2002; STREY, 2004; VIANELLO, CARAMAZZA, 2011). Geralmente, o preconceito de gênero manifesta-se na discriminação da pessoa do sexo oposto e pode ocorrer em virtude de várias situações, como por exemplo, quando mulheres são impedidas de participar de atividades tidas como masculinas, quando o salário pago aos homens é superior ao pago as mulheres, mesmo em face das atividades e funções serem as mesmas, quando a prevalência do poderio imposto pela força física oprime e se impõe no sentido de controlar os comportamentos femininos, um caso típico são as mulheres que tem seu clitóris extirpado em tribos africanas, a fim de evitar que a mulher tenha prazer sexual, nesse caso o poder do homem sobre o corpo da mulher se dá por meio de um mecanismo cultural no qual a imposição da vontade masculina se faz a força (TOSCANO, 2000; OLIVEIRA, 2001; SALLES-COSTA, et, al, 2004; GARCIA, 2009).
Quase sempre o preconceito está associado ao machismo ou ao sexismo introjetado pela cultura social (TOSCANO, 2000). Meninos evitam brincar com meninas, pois temem ser
vistos pelos colegas como fraco ou receberem apelos ou estereótipos como “fresco,
mulherzinha, bicha, afrescalhado, afeminado”. Da mesma forma, ocorre com as meninas, que
passam a ser chamadas de “sapatão”. Esse tipo de posicionamento, quando não denota o
preconceito de gênero, denota homofobia (TOSCANO, 2000; SAYÃO, 2002, SALLES-COSTA et, al, 2004, FILHO 2011).
Por outro lado, nas atividades onde há determinado nível de competição, os meninos evitam juntar-se as meninas por considerá-las fracas para a prática da atividade, retirando da sua equipe a competitividade para vencer. Esse tipo de postura é acirrado pela sociedade cada vez mais competitiva que se impõe nos tempos modernos (TOSCANO, 2000).
3.2.2. O Preconceito Racial no Brasil
Segundo Santos (2010) definir um conceito para o preconceito racial não é tarefa da mais faceis, visto que antropologicamente o próprio conceito de raça é algo que é muito questionável. No entanto, em um esforço conceitual, pode-se definir esse tipo de preconceito como sendo:
(...) aquele que é delimitado pelos caracteres próprios de um determinado grupo com base nas semelhanças próprias desse grupo, o qual guarda características anatômico-morfológicas comuns, mas que não se restringe apenas a questão corpórea, adentrando também por áreas como a religiosidade, a sociedade e o modus de vida de cada indivíduo pertencente ao grupo (SANTOS, 2010, p. 103).
O preconceito racial no Brasil é um processo histórico que inicia-se ainda na época da colonia, na qual, os negros eram tratados pura simplesmente como mercadoria e mão de obra, desprovidos do sentimento de humanidade e relegados a um plano inferior dentro do contexto da religiosidade, sendo considerados pelos primeiros colonizadores, seres sem alma e, portanto, justificavel é fato de serem tratados como escravos (JESUS, 1980).
Em face das atrocidades cometidas durante os anos de escravidão, os negros foram então o foco de um movimento de libertaçao, capitaneado pela elite intelectual do final do século XVIII, que viam no escravismo uma violencia desmedida que, apesar de ser aceita pela Igreja Católica, não se coadunava com as novas posições de uma sociedade dita civilizada, que recentemente havia sido varrida pelos novos ares oriundos do pós-iluminismo (JESUS, 1980).
trazia o “ranço” cultural de considerá-los incapazes para as tarefas mais qualificadas (CABRAL; ANDRADE, 2001).
O preconceito não se relegava apenas a questão da cor da pele, mas, sobretudo extendia-se também por outros pilares como a religiosidade, que perante a sociedade, balizada em valores cristãos e judáicos considerava os ritos religiosos propagados pelos negros como pagãos e, em muitos casos ofensivos e divergentes a religiosidade dominante, que era cristã. Assim, não raro, o preconceito que num momento inicial era basicamente de raça, passou também a ser religioso (NOGUEIRA, 2008).
Esse tipo de preconceito, no entanto não se resumia aos brasileiros, mas era um processo que se extendeu por todos os lugares onde a escravidão foi uma prática institucionalizada. Entre o povo Cubano, quase 40% da população era formada de negros na década de 1950 e, desses, quase que sua totalidade vivia sob o jugo racial da elite cultural branca e sofria forte preconceito, não apenas por serem considerados individuos incapazes de construir legados intelectuais, mas também por não contribuir para o desenvolvimento dos
valores cristãos, uma vez que entre os negros a religião dominante era a “Santeria”, uma
espécie de Candomblé (CABRAL, 1998).
O preconceito racial, que tanto havia afastado brancos e negros, voltou com força total nos Estados Unidos após a Guerra da Secessão e adentrou o século XX, extendendo-se até os anos de 1960, quando eclodiram lutas por direitos civis em diversos estados americanos, capitaneados por vários ativistas brancos e negros, que pediam o fim do Regime de Segregação Racial, institucionalizado por leis como a “Jim Brow”, que proibia que negros se sentassem em locais reservados aos brancos e que houvesse uma separação de ambientes para ambas as raças (SANTOS, 2012).
O discurso do Reverendo King, morte alguns anos depois por um ativista da Ku Klux Klan, foi um marco na luta pelos direitos civis americanos e que reverberou em toda a América, repercutindo no Brasil, com uma maior inserção dos negros dos mecanismos sociais, dessa forma, a partir dos anos de 1970 já haviam varios negros que faziam parte do universo acadêmico, dos postos de trabalho na mídia, atores, cantores, literatos e artistas performaticos, também já era possível se verificar negros como professores universitários e tantos outros postos. Embora o negro tenha conseguido se inserir mais no contextos social, a partir do fim dos anos de 1960, estudos mostram que o preconceio racial ainda é visivel, tanto em termos profissionais, como em termos sociais (SANTOS, 2012).
Estudo do Instituto Ethos (2010) mostra que no Brasil, o preconceito racial, embora negado pelas autoridades e pela maioria da população é real e facilmente detectável. Um exemplo disso é que o Instituto comparou o salário de brancos e negros em 5 categorias diferentes e em todos, os salários de brancos é aproximadamente 28% acima dos valores pagos aos negros.
Por outro lado, os índices de violência policial é maior entre os negros, alcançando cerca de 58,5% entre os jovens negros, contra 21,8% contra os brancos. O desemprego entre negros chega a 43% enquanto entre os brancos não passa de 21,5%. O percentual de negros que consegue terminar a Educação Superior e´em média 53% mais baixo que o número de brancos. O sistema penitenciário nacional possui uma massa carceraria de aproximadamente 500 mil pessoas, sendo que 58, 9% desses, são negros ou afrodescentes.
Para Milton Santos, um dos mais proeminentes pesquisadores da cultura social no
Brasil, “dizer que no Brasil não existe preconceito é o mesmo que dizer que todos os negros
pertecem a classe A, e todos sabemos que isso não é uma verdade” (SANTOS, 2010, p. 105).
3.2.3 Preconceito de Orientação Sexual
De acordo com Borillo (2010), o preconceito sexual pode ser definido como sendo aquele que se dá em função da discrimiação causada pela orientação sexual. Esse tipo de preconceito é manifesto quando há uma inaceitação da condição sexual diferenciada, por parte de terceiro, em comparação com aquela manifesta pela pessoa que apresenta o preconceito.
O tipo mais comum de preconceito sexual ocorre em relação aos homossexuais e bissexuais que por não terem uma orientação hetero, passam a sr agredidos por não serem
Em face desse tipo de preconceito, muitas pessoas escondem sua orientação sexual, por medo de insultos e preconceitos de outra ordem. Para Borrilo a visão que se tem da sexualidade é totalment equivocada, uma vez que essa é tratada como se fosse uma opção e isso é incoerente, visto que as pessoas não tem orientação por opção, mas por não terem o mesmo modus de interpretar a sexualidade que os demais.
Para Borillo (2010), a maioria das sociedades contemporâneas é ignorante que ainda pensam que a heterossexualidade é a única manifestação do desejo sexual, interpretando as demais manifestações como dignas de sanção moral. Criticam e descriminam a opção sexual de cada um, no entanto a mesma sociedade que recrimina se esquece que a constituição federal de 1988 prevê liberdade igualitária, direitos e deveres não importando a orientação sexual.
Pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo (2013) mostra que a violência contra homossexuais no Brasil é crescente. Sobre a questão, ao serem questionados sobre a existência ou não de preconceito contra a comunidade LGBT, a maior parte dos entrevistados respondeu que possui esse tipo de preconceito , sendo que desses, 93% indicaram preconceito contra travestis; 91% contra transexuais; 92% cotra gays e lésbicas e 90% contra bissexuiais.
3.2.4 Preconceito Fisico
De acordo com Mittler (2003), não existe um conceito pleno a respeito do que seja o preconceito sobre a deficiência física. No entanto, algumas legislações como o Decreto nº 5296, de 2 de dezembro de 2004, em seu Art. 5º, inciso I e alinea a descreve a pessoa portadora de deficiencia física nos seguintes termos:
Art. 5º:
I - pessoa portadora de deficiência, além daquelas previstas na Lei no 10.690, de 16
de junho de 2003, a que possui limitação ou incapacidade para o desempenho de atividade e se enquadra nas seguintes categorias:
a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções;
Segundo Caiado (2003), em vários países do mundo a inclusão já é uma realidade. Na Finlândia, por exemplo, a inclusão de deficientes físicos já é uma realidade desde a década de 1960. Porém, foi na França em 1782, que R. Och-Ambroise Cucurron Sicard, fundou a primeira escola de surdos do mundo e inseriu de vez o tema inclusão social no debate com a sociedade, a partir daí, outras modalidades de deficiência passaram a ser vistas de forma diferenciada, com um viés mais humanizado.
Na atualidade a deficiência física se enquadra numa categoria mais ampla, a de portadores de necessidades especiais, que é um termo mais técnico e mais abrangente para designar pessoas que tenham algum tipo de defasagem ou deficiência cognitiva, sensitiva ou motora.
Caiado (2003) explica ainda que não existe também nos parâmetros curriculares nacionais uma definição exata de como esse tipo de educação inclusiva deva ocorrer, tendo em vista que os parâmetros curriculares nacionais tratam a inclusão social do portador de necessidades especiais de uma forma bastante genérica, sem delimitar que tipos de intervenções e políticas pedagógicas que devam ser adotadas por cada uma das diferentes espécies de deficiências contempladas pela inclusão nos PCNs.
Dessa forma, a linha de raciocínio básica da inclusão se fundamenta na existência da necessidade de inserir o portador de deficiência no âmbito da escola. Porém, se essa escola não for tiver as adaptações necessárias para receber os portadores de necessidades especiais, sua inclusão plena será sempre uma proposta, jamais um fato.
Mantoan (2005) ensina que a Declaração de Salamanca surgiu como uma forma de orientar os governos e a sociedade civil para combater o preconceito gerado pela falta de inclusão e também no sentido de buscar políticas públicas que tornassem visíveis a tentativas dos portadores de necessidades especiais e de deficiências físicas e cognitivas de se integrar a sociedade. O Texto do preâmbulo da Declaração de Salamanca da UNESCO reflete o seguinte, a partir do seu segundo parágrafo:
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA
2. O direito de todas as crianças à educação está proclamado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e foi reafirmado com veemência pela Declaração sobre Educação para Todos. Todas as pessoas com deficiência têm o direito de expressar os seus desejos em relação à sua educação. Os pais têm o direito inerente de ser consultados sobre a forma de educação que melhor se adapte às necessidades, circunstâncias e aspirações dos seus filhos.
condições colocam uma série de diferentes desafios aos sistemas escolares. No contexto deste Enquadramento da Acção, a expressão "necessidades educativas especiais" refere-se a todas as crianças e jovens cujas carências se relacionam com deficiências ou dificuldades escolares. Muitas crianças apresentam dificuldades escolares e, consequentemente, têm necessidades educativas especiais, em determinado momento da sua escolaridade. As escolas terão de encontrar formas de educar com sucesso estas crianças, incluindo aquelas que apresentam incapacidades graves. Existe o consenso crescente de que as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ser incluídos nas estruturas educativas destinadas à maioria das crianças, o que conduziu ao conceito da escola inclusiva. O desafio com que se confronta esta escola inclusiva é o de ser capaz de desenvolver uma pedagogia centrada nas crianças, susceptível de as educar a todas com sucesso, incluído as que apresentam graves incapacidades.
A Declaração de Salamanca tem um caráter apenas consultivo, tendo em vista que não tem força de lei nos diferentes países que fazem parte da ONU, porém, o Brasil, desde 1992, assinou a Declaração de Salamanca e inclui diversas diretrizes da Declaração em seus programas sociais de inclusão.
De acordo com Estudo do Instituto Nacioanal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP (2010), os preconceitos no Brasil possuem um expressão multifacetada, e uma pesquisa sobre o tema realizada entre 2007 e 2010 demonstra isso. Os resultados apontam que no tocante ao preconceito, várias foram as modalidades demonstradas pela população e no tocante ao preconceito que atinge os deficientes físicos, o estudo detectou que 96,5% dos que responderam ao questionário manifestaram essa forma de preconceito.
3.2.5 Preconceito de Classe social
A ótica relacionada ás classes sociais deriva de uma visão que tanto pode ser sociológica, quanto religiosa. Neste contexto, Aguiar (2007) salienta que uma classe social é formada por um grupo de pessoas que compartilham do mesmo status social balizado em critérios diversos e, com enfase no economico. Para os marxistas as classes sociais são o substrato de toda a sociedade e na qual as lutas pela hegemonia do poder economico e social se travam. Para Karl Marx a divisão social em classes é uma consequencia natural das diferenças entre os indivíduos que se agregam em grupos, os quais tem afinidades e padrões de comportamento e economicos bastante próximos. As classes sociais estão relacioandas, também aos meios de produção, as afinidades políticas e ideológicas.
Forte. et. al, (2012), salienta que o preconceito social é uma questão cultura fruto de
social é por natureza eugênico e se baseia na visão equivocada que determinada classe social é superior a outra. Os estudos sobre preconceitos preconizados por Forte et. al (2012) demonstram que o preconceito social no Brasil é visivel na distribuição de oportunidades, visto que indivíduos que pertencem as classes dominantes têm uma propensão maior de serem
escolhidos “para os postos de destaque”, por aqueles que tem uma condição social similar.
Embora tenha havido nos últimos anos do século XX uma transformação social considerável no Brasil, seria uma utopia dizer que o preconceito social é uma questão superada, uma vez que a maior parte da população brasileiras ainda continua no subemprego e e, condições sociais que denotam uma qualidade de vida mais isonomica com as demais classes. Mesmo a ascensão das classes menos favorecidas para a economica de consumo conseguiu delimitar o fim do preconceito de classes, que vem diminuindo, de forma extremamente vagarosa, mas que já é possível se notar o desenvolvimento das classes menos favorecidas, mesmo que de forma bastante timida.
4 MATERIAIS E MÉTODOS
4.1 TIPO DE PESQUISA
Trata-se de um estudo descritivo transversal observacional quali-quanti (MARCONI, LAKATOS, 2010).
4.2AMOSTRA
A amostra foi constituída de 211 meninos e meninas estudantes do Ensino Fundamental, de quatro turmas de 5ª a 8ª séries de uma escola particular do Distrito Federal com idade entre 9 e 13 anos.
4.3. INSTRUMENTOS
Foi construido um instrumento pelos próprios pesquisadores, com base no referencial teórico sobre preconceito. Foram construidas 19 questões fechadas que pudessem subsidiar os objetivos específicos desta pesquisa (APÊNDICE I).
4.4. PROCEDIMENTOS
O pesquisador entrou em contato com a escola para pedir autorização, a fim de aplicar o instrumento de pesquisa. Para tanto, explicou o objetivo do mesmo aos pais dos adolescentes que participaram da amostra. Aqueles que concordaram que seus filhos participassem da pesquisa assinaram o TCLE.
Para que não houvesse intervenção do pesquisador no estudo, a entrega do questionário e seu respectivo recolhimento se deram com a ajuda professor responsável pela turma. A duração para que os alunos e alunas respondessem o instrumento foi de, em média, de 20 minutos.
4.5 ANÁLISE DOS DADOS
Inicialmente foram rodados os dados descritivos da amostra por meio da média, desvio padrão e frequência. Para as análises inferenciais (comparação por sexo e por idade) foram realizadas análises de Qui-Quadrado por se tratar de dados qualitativos.
O software SPSS-IBM 22.0 utilizado para a análise dos dados com um nível de
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O questionário teve como objetivo captar a percepção de alunos acerca do tema proposto. Neste capítulo, serão descritos os resultados e a cada um deles será realizacda a discussão do mesmo sempre em coerência com o referencial teórico. A apresentação foi feita de forma sequencial, na ordem em que as questões foram expostas na instrumento de pesquisa, e após a apresentação destes, os objetivos especificos serão respondidos.
A primeira questão do instrumento buscou investigar se a amostra investigada já havia sofrido algum tipo de preconceito. Observou-se que 49% do total da amostra, afirmaram já ter sofrido algum tido de preconceito no ambiente da escola. Destes 51% eram do sexo feminino.
Este valor não foi uma surpresa, já que como afirma Adorno e Horkheimer (2000), o preconceito e a aversão a diferença é algo que está introjetado na cultura humana a milênios e, em ambientes propícios à convivência social de diferentes tipos. Este tipo de comportamento não raro, produz consequências ruins para o desenvolvimento da civilidade.
Para aqueles que afirmaram jpa ter sofrido algum tipo de preconceito quaetionou-se quais eram as razões pelas quais eles percebiam ter sofrido o preconceito. O gráfico 1 mostra quais foram estas razões.
Percebe-se que os valores mais referenciados estão relacionados a aparencia física, a dificuldade de aprendizado e outras causas, as quais estão, sem sua maiora relacionadas a aparencia fisica como pode ser visto na Tabela 1 a seguir.
Tabela 1 – Tipos de preconceitos relacionados à aparência física
PRECONCEITO Nº RESPOSTAS (%)
Preconceito com o tipo de cabelo 18 45
Preconceito com uso de óculos 8 20
Preconceito com o nariz 6 15
Preconceito com altura 2 5
Preconceito com gordura corporal 6 15
Fonte:pesquisa de campo – 2014
Pode-se observar pelos resultados apresentados que a aparência física é o principal aspecto percebido por meninas e meninos na faix etária de 9 a 13 anos. De acordo com Zimmermann (2011), a aparência física é um dos maiores fatores de preconceitos e discriminação. Para esse autor, as demandas estéticas da sociedade atual estão fortemente ligadas à sociedade de consumo que dita as regras de comportamento e de aceitação do outro.
Para a pesquisadora, na atualidade não são poucos os padrões disseminados pelos mecanismos de mídia, que tem por objetivo vender uma imagem ideal para mulheres e homens. Na tentativa de ser aceito a grande maioria buscará seguir estes padrões culturais, muitas vezes destorcidos, os quais prejudicaram seu autoconceito.
Os jovens são alvo preferencial desse tipo de mída, uma vez que estão mais sucetiveis ao intenso panorama de competição social e buscam na diferenciação estética uma forma de se sobressair (ZIMMERMANN, 2011). As demandas sociais de beleza, muitas vezes estereotipadas, produzem um elevado nível de rejeição daqueles que não conseguem ou simplesmente não se interessam em se adequar a tais padrões, o que, por sua vez, também acaba gerando certa separação entre os que aceitam, buscam e propagam os padrões e aqueles que simplesmente não se adequam a eles (ZIMMERMANN, 2011; ROCHA, et. al, 2012).
Segundo Rocha et. al, (2012), no ambiente escolar, a diferenciação estética busca uma
comportamento e estéticos relativamente comuns. Um exemplo é o uso intensivo de tatuagens por grande parte dos jovens da atualidade. Mais do que um modismo, a tatuagem tem como simbologia, a libertação do controle externo (pais ou responsáveis) e a afirmação da autonomia do indivíduo. No entanto, se no passado a tatuagem era usada como simbolo de diferenciação marginal (marcar bandidos e presidiários, segundo o tipo de crime que haviam cometido) hoje elas passaram a ser usadas como forma de criar vinculos entre jovens de uma mesma faixa etária, que possuem interesses comuns.
O preconceito causado pela aparência física tem como conotação mais forte, segregação ao diferente, ao que não se parece ou não se comuna com os padrões da maioria, em sintese é uma estratificação imposta pela aparência padronizada e de forma coletiva. Essa mesma estratificação imposta pela aparência também é usada para justificar o preconceito contra as pessoas portadoras de deficiências, porém, no caso do deficiente, há outros componentes, equivocados, que também geram o preconceito, um dos mais errôneos é a concepção de que esse tipo de pessoa é incapaz de produzir atividades como as demais (ZIMMERMAN, 2011).
De acordo com Campbell (2011) alguns tipos de deficiências determinam limitações, no entanto, em face da melhoria das condições de educação e o uso de diferentes tipos de tecnologia de inclusão, tem-se diminuido sobremaneira tais limitações, sendo que nos dias atuais, as deficiências físicas já não podem mais ser justificadoras para a exclusão social, restando, então apenas, o componente da rejeição cultural.
Outra razão que vale a pena ser discutido é o preconceito com pessoas com dificuldades de aprendizagem. Para Fante(2005) o medo de ser objeto de atitudes preconceituosas quanto ao seu nível de desenvolvimento e conhecimento faz com que muitos desenvolvam problemas de depressão, baixa autoestima, bulimia, complexos variados e comece a ter aversão pelo ambiente escolar, tendo em vista que tal convivência com seus pares passa a significar um momento de tortura psicológica para a criança. Ainda segunda a autora, a consequência desse desassossego causa bloqueios na aprendizagem, já que a criança
ou adolescente com baixo desempenho escolar passa a ser visto pelos colegas como “burro”
entre outros jargões comuns entre alunos.
no ambiente escolar e aquelas que são trazidas pelo aluno, decorrentes do ambiente familiar e social.
O preconceito racial também foi percebido nas respostas dos adolescentes (8%). Para Abramovay (2002) este tipo de preconceito é uma das justificativas mais comuns para os conflitos em escolas. Oliveira (2001) afirma que, embora pareça desmedido que em uma sociedade moderna e multiracial exista a presença de fortes conotações racistas preconceituosas, está ainda é muito presente em todas sociedades, mesmo aquelas como as afro decendentes.
No Brasil, onde mais da metade da população tem origens afrodescendentes esse tipo de preconceito é combatido por legislação específica (Lei nº 7.716, de 5 de Janeiro de 1989), no entanto, conforme salienta Goffman (2008), o preconceito racial, tanto quanto outros tipos de preconceito é uma questão cultural que se formata a partir da infância e que passa a fazer parte da cultura social do indivíduo ao longo da vida.
Embora países como o Brasil aprentem uma multiplicidade de raças bastante diversificadas, o preconceito de raça é uma postura que está presente em parte da população, que, evita reconhecer publicamente o caráter desse preconceito, visto que o mesmo é socialmente inaceitável, mas que, embora não seja reconhecido pela maioria, existe de maneira latente, conforme explica Guimarães (2008).
Uma comprovação fática de que o preconceito de raça é uma realidade no Brasil é o fato de existirem leis específicas para combater esse tipo de prática e, inclusive uma Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, ligada à Presidência da República, que somente no bienio 2011-2012, tomou ciência por meio de sua ouvidoria, de 1.604 casos de denuncias de práticas de racismo em todo o território nacional.
Dessa forma, não é de se causar nenhuma surpresa que 8% dos alunos tenham relatado ter sofrido preconceito racial, visto que a escola representa um microcosmos social onde diversos tipos de pessoas convivem em um ambiente único e, parte dessas pessoas traz em sua formação cultural o preconceito racial, que, conforme mostrado por Goffman (2008) é uma construção comportamental que tem origem ainda na infância, justamente na fase onde as relações sociais estão sendo desenvolvidas no ambiente escolar.
de moradia) foi uma das questões que mais chamou atenção, numa pesquisa realizada pela a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do INEP, realizado em 501 escolas com 18.599 estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública de todos os estados do país (2009).
O percentual de pessoas que admitiram ter preconceito territorial foi de 75.95%, ou seja, mais de 14 mil pessoas do universo amostral pesquisado reconhece esse tipo de preconceito.
Para Albuquerque Jr. (2012), esse tipo de preconceito é causado em primeiro plano pelas condições sociais a que muitos brasileiros estão submetidos, morando em condições precárias e em locais onde a falta de políticas sociais acaba interferindo no desenvolvimento de determinadas comunidades, criando uma sociedade estratificada, onde a distribuição de renda mal feita provoca distorções sociais, que geram modelos de preconceito territorial.
O aparato midiático auxilia na construção de estereótipos de violência em comunidades desse tipo ou da violência práticada por pessoas vindas dessas comunidades, o que reforça ainda mais o sentimento de aversão e preconceito das pessoas das classes de maior faixa de renda.
A situação, as políticas publicas voltadas para as populações mais carentes são incipientes a ponto de não produzirem efeitos de curto prazo, que sejam capazes de produzir um desenvolvimento real dessas comunidades.
Ainda segundo o autor, as periferias e as localidades de menor faixa de renda acabam adentrando um ciclo vicioso de inanição de desenvolvimento, que não corrobora para o desenvolvimento das populações que pertencem a esses locais e, em virtude disso, contribui também para que o preconceito com as pessoas dessas comunidades seja maior.
O preconceito territorial demonstrado pelos alunos da pesquisa nada mais é do que um reflexo do preconceito latente que já existe na sociedade e que é reformado no âmbito familiar. Uma situação muito comum é que os pais orientem os seus filhos para não se envolverem com pessoas de comunidades onde os indices de criminalidade são altos, muitas vezes para que os filhos não fiquem expostos a situações de riscos.
diferentes classes, o que, de certa forma é benéfico para a formação sociocultural do jovem (ALBUQUERQUE JR, 2012).
Ao se privar de estabelece contato e se relacionar com pessoas que moram em comunidades carentes, os jovens também se privam de conhecer uma realidade diferente da sua, o que poderia auxilia-los a formar uma nova consciência e uma nova concepção da realidade e, até dos seus hábitos de consumo (ALBUQUERQUE JR, 2012).
Ocorre que essas opiniões diversificadas são respondidas por um percentual de apenas uma resposta para cada tipo de preconceito, ou seja, não se constituem em uma tendência majoritária.
Para Goffman (2008), a tendência das crianças que sofre algum tipo de preconceito é ficar em silencio com medo de que se houver a denúncia haverá ainda mais outros tipos de preconceito, como por exemplo ser “filhinho da mamãe ou do papai”, o que degrine sua imagem perante seus colegas.
Para não parecer mais frágil do que realmente são, estas crianças e adolescente tendem muitas vezes preferem ficar caladas e tentar resolver as coisas à sua maneira a ter que acionar os pais, como receio que isso piore ainda mais o quadro de preconceito.
Para Fante (2005), a estratégia do silêncio é, sobremaneira equivocada, visto que sem saber o que está acontecendo em sala de aula os pais tendem a pensar que está tudo bem e não interferem, isso pode aumentar ainda mais o assédio e tornar a situação ainda mais insustentável.
De acordo com Abramovay (2002); Costantini (2004) e Fante (2005) o preconceito provoca consequências que, não raro, podem repercutir por toda a vida do aluno. Um dos problemas mais sérios detectados nesta pesquisa, também relatados na pesquisa diz respeito aos fatores psicosomáticos.
Entre estes, os mais comuns são a depressão, o medo, a desmotivação pelos estudos e o descontrole emocional que tem como maior repercussão, o baixo rendimento escolar do aluno, atrapalhando o processo de ensino-aprendizagem.
Grafico 2 – reações ao preconceito Fonte: Pesquisa de campo – 2014.
A perda de sono, relatado por 6 alunos (3%) também se enquadra como um elemento que prejudica o desempenho escolar, visto que tira o poder de concentração e de assimilação do aluno, uma vez que o sono tem um quociente reparador das funções vitais que é indispensável no processo de aprendizagem.
Reação contra o preconceito
Dos 101 que responderam a questão, 76 responderam que ignoram as provocações do agressor e não dão importância, enquanto 25 responderam que, em face do preconceito sofrido, costuma retribuir da mesma forma.
Essa é uma questão importante de ser discutida, visto que Abramovay (2002) relata que a grande parte dos conflitos existentes entre alunos no ambiente escolar surgem de desavenças internas por questões diversas e também em função dos preconceitos que os mesmos trazem introjetados em sua cultura social. Uma vez descontente com uma determinada pessoa, é comum que os preconceitos tornem-se públicos, em virtude de discussões entre os colegas de classes ou de outras classes distintas. Quando esse tipo de situação acontece é comum que os alunos cheguem ao conflito físico, com brigas e violência direta.
constrangedora para a vítima, principalmente quando seu carater e sua personalidade são expostas para terceiro, agredindo sua integridade e sua honra, o ordenamento jurídico nacional tem mecanismos legais para punir o agressor, sem que seja necessário um revide verbal ou físico da mesma natureza. Nesses casos o mais indicado é que a vítima procure os meios legais para resolver a situação, porém, em se tratando do ambiente escolar, o mais adequado é que os responsáveis pela administração da instituição sejam acionados e, em face das denúncias, o procedimento a ser adotado não deve partir da vítima, mas daqueles que administram a instituição.
O próximo item questiona sobre a postura do aluno em relação ao preconceito, buscando conhecer a cadeia que se gera a partir do circulo social a que o aluno pertence.
Gráfico 3: Postura do aluno em relação ao preconceito Fonte: Pesquisa de campo – 2014
Os dados acima corroboram o estudo feito por Pereira et. al, (2003), o qual relata que
o preconceito geralmente envolve um conjunto de personagens que formam conceitos e propagam o preconceito. Não raro, esse tipo de estigma tem uma origem na célula mater da sociedade: a família. No entanto, também são introjetados por meio da convivência com terceiros e quanto maior for essa convivência, maior será o nível de assimilação do preconceito do grupo a que se pertence.
O preconceito, na visão de Pereira et. al, (2011) tende a ser transmitido por gerações e,
que atinge não apenas um único indivíduo isoladamente, mas tende a ser propagar por toda a sociedade.
A pesquisa demonstra dois fatos interessantes, o primeiro diz respeito aos alunos que assumiram ter preconceito (30,2%). Assumir uma questão que envolta de reprovação social é tarefa difcil, tendo em vista que o juizo das pessoas tende a determinar que o preconceito se mantenha latente, sem ser reconhecido publicamente. Assim, a atitude de reconhecer que tem preconceito é valorosa no sentido de reconhecer a existência de algo que é socialmente reprovável.
Por outro lado, chama atenção, também, o percentual daqueles que afirmam não ter preonceito de nenhuma espécie (39,6%). Esse dado vai contra o exposto por Goffman (2008), que afirma em sua obra - A representação do eu na vida cotidiana - que o preconceito é algo que existe em todas as sociedades, e é muito dificil encontrar pessoas que não tenham nenhuma forma de preconceito, pois o mesmo é uma construção social que se introjeta no comportamento dos indivíduos sem que os mesmos percebam.
Porém, é comum que as pessoas afirmem que não tem preconceito, pois admitir tal fato é admitir que possui um sentimento reprovável do ponto de vista moral e esta atitude protege este indivíduo de ser vítima de sofrer alguma repreensão por ser preconceituoso (GOFFMAN, 2008). No entanto, o que para muitos não é preconceito, pode ser sim entendido dessa forma, só que muitas vezes recebe uma nova roupagem e é visto apenas por um ponto de vista menos polêmico, uma vez que qualquer critério de exclusão, seja qual for torna-se uma forma intuitivas de preconceito (GOFFMAN, 2008). Embora a noção de um sociedade perfeita, sem preconceitos seja utópica, há que se observar que as instituições deveriam agir mais ativamente para que esses, não se disseminassem com tanta facilidade.
Em virtude da falta de mecanismos que possam ser plenamente eficazes, para conter esse tipo de prática, o que se tem observado é que a sociedade atual está cada vez mais cultivando determinados tipos de preconceitos, até como forma de proteger o status quo de
algumas minorias, em detrimento da grande maioria de pessoas, que sofre com tais preconceitos, sem sequer saber onde eles se originam (ADORNO; HORKHEIMER, 2000).
sociedades civilizadas da atualidade os preconceitos são punidos penal ou civilmente, o que faz com que a pessoa que tenha esse tipo de postura, prefira mantê-los no plano interno e só manifestá-los em situações onde haja uma conivência de outros que aceitam ou que compartilham das mesmas concepções preconceituosas.
Tipos de pessoas que os alunos não gostam de se relacionar
O perfil dessa questão é mostrado no gráfico 4
Grafico 4: Tipos de pessoas com as quais não gosta de se relacionar Fonte: Pesquisa de campo – 2014
As pessoas com quem os pesquisados não gostam de se relacionar é bastante eclético: 5,04% responderam que não gostam de se relacionar com negros (preconceito racial); 44,54% afirmam que não gostam de se relacionar com homossexuais (homofobia); 26,89% não gostam de se relacionais com pessoas mais jovens ou mais velhas; 4,2% apresentam não
gosto de se relacionar com pessoas de outras religiões (preconceito religioso ou sectario), para 10,08% a maior fonte de preconceitos é contra estrangeiros (xenofobia). Já o preconceito territorial, que é aquele provocado por pessoas de classes sociais diferentes é responsável por (9,25%) dos pesquisados.
tempos onde o nível de competição torna-se maior, em virtude de crises economicas, que tornam o ambiente social ainda mais competitivo.
Para Goffman (2008) desarticular o comportamento preconceituoso nem sempre é uma tarefa simples, visto que isso depende de uma reeducação social do indivíduo, haja vista que o
preconceito não nasce da “noitepara o dia”, mas é uma prática que vai sendo introjetado aos
poucos até se enraizar na cultura social do indivíduo e, depois que isso acontece é preciso fazer um trabalho de base, mostrando ao indivíduo que sua concepção sobre o outro é equivocada, e que a diferença que ele considera inferior à sua visão de existência, na verdade é algo que torna a especíe humana dominante, tendo em vista que é a soma das multiplas habilidades desenvolvidas por diferentes pessoas ao longo dos séculos é que possibilitou o desenvolvimento cognitivo do ser humano, ao estagio evolutivo da atualidade.
Posturas eugênicas ou preconceituosas tendem a empobrecer culturalmente o indivíduo, já que esse deixa de receber, do outro, a quem tem preconceito, parte do legado que poderia auxiliar ainda mais o desenvolvimento da cognição, do comportamento, do caráter e as habilidades do indivíduo preconceituoso. O historiador Eric Hobsbawn (1917-2012), em
sua obra “A Era dos Extremos”, corrobora com o ponto de vista de Crochik (2006), e amplia
esse raciocínio, mostrando que o preconceito contra as mulheres e os negros tem raízes bastante parecidas.
No entanto, a Xenofobia (aversão a estrangeiros) nasce em virtude da escassez de oportunidades de trabalho. A xenofobia é um tipo de preconceito que está diretamente relacionado a competição pelo mercado de trabalho, embora esse tipo de sentimento seja muito comum nos países desenvolvidos, ainda é pouco declarado pelos brasileiros, porém existe e é uma realidade, conforme mostra a pesquisa de campo.
O preconceito contra homossexuais foi o mais expressivo. Esse tipo de preconceito tem sido fartamente pesquisado pela literatura. Segundo Garcia (2009), o preconceito contra homossexuais tem arrefecido ao longo dos anos. Se antes da década de 1970 esse era um assunto que despertava reprovação por grande parte da população, nos dias atuais, este é uma temática amplamente discutida, inclusive no ambiente escolar, sob a premissa da não reprodução desse preconceito, visto que o homossexualismo já não é mais visto como um tabu, pela grande maioria, como era há alguns anos atrás.
relacional dos alunos no ambiente escolar. Políticas públicas são necessárias para a diminuição do preconceito, no entanto há que se observar que essa é uma questão que demanda da formação de uma nova cultura de igualdade sem discriminação e, esse tipo de situação não se constroi apenas por meio de uma legislação específica, mas também, desarticulando o preconceito em todas as esferas da sociedade e resguardando o direito das minorias, como homossexuais, negros, pessoas com limitações, estrangeiros e das mulheres, de forma que esses possam se defender contra a discriminação (GARCIA, 2009).
Tipos de ações entre alunos no ambiente escolar
O gráfico 5, a seguir, apresenta os tipos de ações discriminatórias mais observadas no
ambiente escolar.
Gráfico 5: tipos de ações sofridas de outros aluno Fonte: pesquisa de campo - 2014
Nesse tipo de questão foi permitido ao pesquisado responder mais de um item. Note-se que os dados da pesquisa mostram números bastante instigantes, já que 56 (14,66%) dos pesquisados afirmaram que não sofreram discriminação, isso no entanto não impede que outros tipos de ações tenham sido cometidas contra eles.
explicita, como é o caso da agressão física ou verbal, ela pode ocorrer, por exemplo, por meio do uso de brincadeiras que tem como proposta humilhar, desacreditar, descredenciar, envergonhar, diminuir ou constranger a vítima. Não raro, é possível observar brincadeiras que, por trás de uma simples piada, escondem o preconceito dos seus autores. Piadas de cunho racista, geralmente trazem uma conotação jocosa, mas por trás da inocente brincadeira manifesta-se uma opinião ou um ponto de vista iminentemente discriminatório.
Os resultados expressam o potencial nefasto das brincadeiras de mal gosto, que, quase sempre são feitas na forma de brincadeira, a fim de mascarar um preconceito que o indivíduo não tem coragem de assumir e, em função disso, prefere ofender, humilhar ou intimidar sua vítima, mascarando tais práticas com brincadeiras, de maneira que não se possa configurar um confronto direto entre as partes.
Quando a vítima se posiciona contra a piada, muitas vezes é enquadrada como
“apelona”, pela pessoa que intencionalmente a descredenciou, mas que, em face da reação
assume a postura de vítima, como se fosse, ele, o agressor que estivesse sendo alvo da brincadeira de mal gosto, invertendo os papeis e colocando a vítima na posição de pessoa que
não “sabe brincar”, de “apelona”.
Esse tipo de situação funciona como estopim para que o conflito entre as partes se desenvolva e torne-se factivel um possível confronto físico. O fato é que as piadinhas são um ponto de conflito entre as partes, muitas vezes a vítima recebe a piada, não se estressa e nem reage para não gerar uma briga, mas, grande parte das pessoas, que são alvo desse tipo de ação, acabam guardando algum sentimento negativo da pessoa que as prática.
Na questão de número 11, pergunta-se ao aluno, qual o tipo de prática que deixa o aluno mais chateado ou triste, em relação a postura dos seus colegas. Os resultados nos permitem avaliar que o que mais incomada os jovens na faixa etária estudada são as brincadeiras de mal gosto (55%) e a colocação de apelidos (21,3%).
Por haver alguma questão mal resolvida ou por não existir sintonia entre uma das partes, o conflito pode se iniciar com uma simples brincadeira. Entre o tipo de brincadeira mais comum que geralmente acarretam situações de conflitos no ambiente escolar estão os apelidos, as intromissões de uma pessoa na vida da outra, as fofocas (calúnias) e os comentários postados na internet.
Aulas de Educação Física e a presença do Preconceito de Gênero
Ao avaliar os tipos de preconceitos mais prevalentes nas aulas de Educação Física observamos que grande parte (80,1%) dos estudantes não percebem, de forma significativa essa prática nas aulas. No entanto, isso não quer dizer que tais práticas não existam, mas tão somente que não são percebidas pela grande maioria, ou que, muitas vezes os que a percebem preferem desqualificá-la, não levando a sério o tipo de preconceito sofrido.
O gráfico 6 apresenta todos os resultados.
Gráfico (6): Percepção da discriminação por parte dos outros aluno
Fonte: Pesquisa de campo - 2014