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Cad. Saúde Pública vol.24 número10

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2454

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(10):2452-2455, out, 2008

mo humano, em geral, pode tolerar turnos com duração

de até 12 horas

” (p. 305). A tolerância a turnos de 12

horas somente pode ser alcançada quando as

condi-ções ambientais e organizacionais são favoráveis, e

mesmo assim, observam-se significantes alterações no

alerta, principalmente ao longo das horas de trabalho

noturnas.

Outros erros graves deveriam ser corrigidos em

uma próxima edição. No capítulo 19 consta que “

a

melatonina é um hormônio secretado pela hipófise

” (p.

293), quando na realidade este hormônio é secretado

pela glândula pineal.

Trata-se de uma obra relevante para o campo da

saúde em função da gama de aplicações e da escassez

de materiais em nosso idioma. Entretanto, de forma

geral, percebe-se que os autores, com formação e

ex-periência em suas respectivas áreas, têm pouca

inti-midade com conceitos cronobiológicos. Ao enfocar a

cronobiologia como “

uma das ciências integradoras dos

seres vivos

” (p. 20), o livro dá um passo importante na

direção da disseminação da cronobiologia aos

profis-sionais da saúde, motivo pelo qual a iniciativa merece

todo o cuidado de elaboração. O leitor provavelmente

ficará fascinado com o mergulho na dimensão

tempo-ral dos seres vivos, mas correrá o risco de adquirir

con-ceitos equivocados.

Claudia Roberta de Castro Moreno

Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Lúcia Rotenberg

Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

Fernando Mazzilli Louzada

Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil.

Frida Marina Fischer

Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Luiz Menna-Barreto

Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

TRADITIONAL, COMPLEMENTARY AND

ALTER-NATIVE MEDICINE AND CANCER CARE: AN

TERNATIONAL ANALYSIS OF GRASSROOTS

IN-TEGRATION. Tovey P, Chatwin J, Broom A.

Lon-don: Routledge; 2007. 180 pp.

ISBN: 0-415-35993-7

Experiências que expandem fronteiras: o uso de

me-dicinas tradicionais, alternativas e complementares

por pacientes em tratamento do câncer em diferentes

países

O livro de Tovey, Chatwin & Broom,

Traditional,

Complementary and Alternative Medicine and Care

Cancer: An International Analysis of Grassroots

In-tegration

, foi publicado em 2007, simultaneamente

na Inglaterra, Canadá e Estados Unidos, pela Editora

Routledge. Discute os fenômenos das Medicinas

Tradi-cionais (MT) e Medicinas Alternativas e

Complemen-tares (MAC), e o cuidado a pacientes em tratamento do

câncer, pretendendo-se o primeiro estudo qualitativo

internacional sobre grupos de apoio a pacientes

onco-lógicos que utilizam MT/MAC no Reino Unido,

Austrá-lia e Paquistão.

O desejo de compreender esses “problemas”

so-ciais, com profundidade para além das correlações

quantitativas, e estudar uma área de interface que

arti-cula os campos de conhecimento da Saúde e das

Ciên-cias Sociais, se dá, por um lado, pela relevância atual do

tema, e, por outro, pela própria formação dos autores:

Tovey e Chatwin são sociólogos atuando

no Traditional,

Complementary and Alternative Medicine

Program/He-althcare School/University of Leeds,

e Broom, também

sociólogo, é no momento professor da

Humanities and

Social Sciences Division/University of Newcastle

,

embo-ra na época do lançamento do livro fosse pesquisador

da

Social Sciences School/University of Queensland

.

O livro está dividido em três partes, além da

intro-dução e da conclusão. Essa divisão em partes torna o

trabalho claro e bem articulado, proporcionando uma

visão do todo a partir das descrições pontuais dos

es-tudos nos três países envolvidos. A primeira parte

dis-cute o tema do uso de práticas não-biomédicas no

tra-tamento do câncer, no mundo, e quanto a uma visão

particular de cada país investigado. A segunda, a maior

delas, é constituída pelos capítulos 3, 4, 5 e 6, cujo foco

é interpretar e descrever as estruturas e processos dos

grupos de apoio, investigados nos países ricos: Reino

Unido e Austrália. A terceira parte, composta dos três

últimos capítulos, refere-se, especificamente, à

pesqui-sa conduzida no Paquistão.

De acordo com os autores, embora seja inegável

o progresso científico e tecnológico da medicina

mo-derna ocidental, genericamente denominada de

Bio-medicina, contraditoriamente nota-se o crescimento

exponencial do uso de práticas terapêuticas

não-bio-médicas. Se, por um lado, a Biomedicina tem seu

pa-radigma pautado no modelo biomecânico, positivista

e representacionista, por outro, as MT/MAC ampliam

este modelo trazendo nova perspectiva para a doença

e para o indivíduo, com: a reposição do sujeito doente

como centro do cuidado médico; a relação

médico-pa-ciente como fundamental para a terapêutica; a busca

de meios terapêuticos simples como alternativa às

prá-ticas dependentes de tecnologias caras; a construção

da autonomia do paciente como princípio; e a busca

da saúde e não mais a doença como centro do processo

de cuidado e cura

1

.

É nesse contexto de ampliação de possibilidades

terapêuticas que as MT/MAC vêm despertando o

inte-resse de acadêmicos, profissionais, gestores de serviços

de saúde, que buscam estudos com abordagem

quali-tativa, expandindo as fronteiras das informações

quan-titativas, quase sempre empenhadas em descrever: o

uso das técnicas, a população consumidora e a

evidên-cia científica produzida sobre estas práticas

2

.

As pesquisas descritas no livro discutem como

indi-víduos ou grupos de pessoas se apropriam e negociam

uma pluralidade de opções terapêuticas em contextos

pessoais particulares e em situações sociais

específi-cas. A escolha de três países distintos tem, pois, uma

relevância sociológica, uma vez que abarca os aspectos

sociais tanto de países ricos, como o Reino Unido e a

Austrália, quanto de países pobres, como o Paquistão;

além de representar uma inovação metodológica de

grande envergadura para os estudos acadêmicos no

campo da sociologia das MT/MAC.

(2)

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dos estudos de MT/MAC e câncer; (2) a natureza, a

es-trutura e a evolução de grupos de apoio a pacientes; (3)

a configuração da prática cotidiana destes grupos; (4)

a extensão destes grupos de apoio e a maneira como

eles orientam suas condutas terapêuticas e

organiza-cionais; e (5) o processo de negociação terapêutica por

pacientes com câncer.

O livro apresenta uma proposta teórica e

meto-dológica audaciosa, apontando mudanças na agenda

de estudos relacionados à sociologia das MT/MAC no

tratamento do câncer. Assim, os autores esboçam

al-gumas prioridades da agenda de pesquisa sobre a

te-mática, além de chamar atenção para a ampliação da

perspectiva do cuidado, proporcionada pelo uso das

MT/MAC, o que garante mais possibilidades

terapêu-ticas que devem ser levadas em conta pelos serviços de

saúde. Na conclusão do livro, os autores retomam os

principais aspectos discutidos ao longo das três partes,

para, então, refletir, com maior profundidade, sobre: a

dimensão do problema nos contextos social e

acadêmi-co; a importância dos temas correlatos no Reino Unido,

Austrália e Paquistão; e, por fim, a unidade

metodológi-ca e temátimetodológi-ca que os trabalhos constituem.

Conclui-se que se trata de um livro importante

so-bre a temática recente no campo da saúde, do uso de

Medicina Tradicional, Alternativa e Complementar por

pacientes em tratamento do câncer, sobretudo por se

calcar na perspectiva da interface entre a pesquisa

so-ciológica e qualitativa de um tema relevante em

dife-rentes lugares do mundo rico e pobre.

Cristiane Spadacio

Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campi-nas, CampiCampi-nas, Brasil.

[email protected]

Nelson Filice de Barros

Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campi-nas, CampiCampi-nas, Brasil.

[email protected]

1. Camargo Jr. KR. Biomedicina, saber & ciências:

uma abordagem crítica. São Paulo: Editora

Hu-citec; 2003. (Coleção Saúde em Debate, 151).

2. Barros NF, Tovey P, Adams J. Investigações

quali-tativas em práticas alternativas, complementares

e integrativas. In: Barros NF, Cecatti JG, Turato ER,

organizadores. Pesquisa qualitativa em saúde:

múltiplos olhares.

São Paulo: Editora Hucitec;

2005.

EPIDEMIOLOGIA NUTRICIONAL. Kac G, Sichieri R,

Gigante DP, organizadores. Rio de Janeiro:

Edi-tora Fiocruz/EdiEdi-tora Atheneu; 2007. 580 pp.

ISBN: 978-85-7541-146-9

A investigação da dieta e seus componentes, sejam por

deficiência ou excesso, constitui-se ainda um grande

desafio. Para realização desta avaliação é necessário

considerar também outros aspectos em relação ao

es-tilo de vida, tais como: prática de atividade física, fumo,

álcool, entre outros. A epidemiologia nutricional

des-taca a importância na utilização de metodologia

ade-quada para avaliar a dieta, com instrumentos validados

que possam investigar a associação entre

dieta-doen-ça. No contexto mundial os fatores nutricionais

desem-penham importante papel na morbi-mortalidade das

doenças crônicas não-transmissíveis. O crescente

au-mento de doenças relacionadas a esses aspectos como

a obesidade, hipertensão e diabetes, associado aos

im-pactos das doenças cardiovasculares, exige um maior

entendimento por parte dos profissionais da saúde das

bases epidemiológicas destas situações.

O livro

Epidemiologia Nutricional

, lançamento

re-cente da Editora Fiocruz/Editora Atheneu, organizado

pelos professores Gilberto Kac, Rosely Sichieri & Denise

Petrucci Gigante, com a colaboração de 54 professores

do país, contribui com esse conhecimento devido à sua

abrangência e descrição metodológica dos temas, bem

como a apresentação dos problemas nutricionais mais

importantes no nosso território.

Os autores apresentam na primeira parte os

princi-pais conceitos e métodos para o diagnóstico

nutricio-nal da população (avaliação antropométrica em

dife-rentes estágios de vida, análise da composição

corpo-ral, métodos de inquérito alimentar, desenvolvimento

de instrumentos de aferição epidemiológicos e análise

de dados de medidas repetidas). Destacamos o avanço

no aprimoramento das técnicas de mensuração da

die-ta e do esdie-tado nutricional da população, com discussão

dos padrões de referência e utilização dos marcadores

bioquímicos.

Esses aspectos podem ser complementados por

in-formações sobre a análise das dietas, com ferramentas

descritas no livro

Inquéritos Alimentares: Métodos e

Ba-ses Científicas

1

.

Na segunda parte descrevem os principais

pro-blemas nutricionais brasileiros das carências

(desnu-trição infantil, anemia ferropriva e hipovitaminose A)

aos excessos (obesidade, diabetes, doenças

cardiovas-culares, hipertensão arterial e síndrome metabólica);

e finalmente, na terceira parte, tópicos especiais em

epidemiologia nutricional (amamentação, transição

nutricional, epidemiologia da atividade física,

obesida-de e saúobesida-de mental, segurança alimentar, alimentação e

nutrição dos povos indígenas, políticas públicas de

ali-mentação e nutrição).

O público-alvo, alunos de graduação e

pós-gra-duação de nutrição e outros cursos da saúde, tem

dis-ponível o texto básico com os principais conceitos em

epidemiologia nutricional de forma ampla, indicando

caminhos para aprofundar os diferentes temas. O livro

reúne pesquisadores na área de nutrição e

epidemiolo-gia com experiência nesta área do conhecimento, e que

vêm colaborando para melhoria do estado nutricional

da população.

Regina Mara Fisberg

Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

[email protected]

1. Fisberg RM, Slater B, Marchioni DML, Martini LA.

Inquéritos alimentares: métodos e bases

científi-cas. São Paulo: Editora Manole; 2005.

Referências

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