SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
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Artigo
Original
Mortalidade
em
um
ano
de
pacientes
idosos
com
fratura
do
quadril
tratados
cirurgicamente
num
hospital
do
Sul
do
Brasil
夽
Marcelo
Teodoro
Ezequiel
Guerra
∗,
Roberto
Deves
Viana,
Liégenes
Feil,
Eduardo
Terra
Feron,
Jonathan
Maboni
e
Alfonso
Soria-Galvarro
Vargas
UniversidadeLuteranadoBrasil(Ulbra),HospitalUniversitárioMãedeDeus,Servic¸odeOrtopediaeTraumatologia,Canoas,RS,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem6dejaneirode2016 Aceitoem18deabrilde2016
On-lineem8deagostode2016
Palavras-chave:
Fraturasdoquadril Mortalidade Idoso
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Analisaramortalidade,emumanodeseguimento,depacientescomfraturada
extremidadeproximaldofêmursubmetidosaprocedimentocirúrgiconohospital universi-táriodanossainstituic¸ão.
Método:Foramrevisados213prontuários depacientesinternadoscom65 anosoumais,
conformeaordemdeadmissãonoServic¸odeOrtopediaeTraumatologiadejaneirode2012 aagostode2013.
Resultados: Ataxademortalidadeemumanofoide23,6%.Amortalidadefoimaiorem
mulheres,numaproporc¸ão3:1.Anemia(p=0,000)edemência(p=0,041)estiveram signi-ficativamenteassociadasaogrupoóbito.Pacientesquepermaneceraminternadosporaté 15diaseosquetiveramaltahospitalarematésetediasapósacirurgiaapresentaramum aumentonasobrevida.
Conclusão:Emnossaamostradepacientescomfraturadefêmursubmetidosaprocedimento
cirúrgico,ataxademortalidadefoide23,6%;asprincipaiscomorbidadesassociadasaesse desfechoforamanemiaedemência.
©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
One-year
mortality
of
elderly
patients
with
hip
fracture
surgically
treated
at
a
hospital
in
Southern
Brazil
Keywords:
Hipfractures Mortality Elderly
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective:Toanalyzethemortalityrateatone-yearfollow-upofpatientswithhipfracture
whounderwentsurgeryattheuniversityhospitalofthisinstitution.
Method:Theauthorsreviewed213medicalrecordsofhospitalizedpatientsaged65years
orolder,followingtotheordertheywereadmittedtotheorthopedicsandtraumatology servicefromJanuary2012toAugust2013.
夽
TrabalhodesenvolvidonoHospitalUniversitáriodaUniversidadeLuteranadoBrasil(Ulbra),Canoas,RS,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](M.T.Guerra). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.04.005
Results: One-yearmortalityratewas23.6%.Mortalitywashigheramongwomen,witha3:1 ratio. Anemia(p=0.000)anddementia(p=0.041)weresignificantly associatedwiththe deathgroup.Patients whoremained hospitalizedforless than15 days andwhowere dischargedwithinsevendaysaftersurgeryshowedincreasedsurvival.
Conclusion:Inthepresentsampleofpatientswithhipfracturewhounderwentsurgery,
one--yearmortalityratewas23.6%,andthemaincomorbiditiesassociatedwiththisoutcome wereanemiaanddementia.
©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Asfraturasdequadrilsãoocorrênciasmuitocomunsesérias empacientesidosos.Tem-seobservadoumaumento signi-ficativoda incidênciade fraturas da extremidade proximal do fêmur nas últimas décadas principalmente devido ao aumentoda populac¸ãogeriátrica, visto quesua incidência éprogressivacomoavanc¸ardaidade.1Essetipodefratura representa84% das lesões ósseas encontradasempessoas acimados60anos,constitui-seumproblemadesaúdepública ecausaimportantedemortalidade,incapacidadefuncional, gastosmédico-hospitalaresexcessivoseproblemas sociofa-miliaresnessapopulac¸ão.2–4
Entre as fraturas da extremidade proximal do fêmur encontram-seasdocolofemoral,transtrocantéricase subtro-cantéricas.Otrauma,namaioriadasvezes,édebaixaenergia eestá relacionado afatores como desnutric¸ão, diminuic¸ão dasatividadesdavidadiária,diminuic¸ãodaacuidadevisual e dos reflexos, sarcopenia e, principalmente, fragilidade óssea.1,5,6
Namaioriadoscasos,otratamentocirúrgicoéindicado. O tratamento conservador é escolhido em casos de fratu-rasincompletas esemdesvioouquandonãohácondic¸ões clínicas para o procedimento. Um período entre 24 e 48 horas após a fratura é considerado ideal para o procedi-mentocirúrgico, leva-seemconsiderac¸ãoo estadogeralde saúde do paciente.7–12 Diversos estudos apontam a idade avanc¸ada,oestadofísico,osexomasculinoeoatrasodo tra-tamentocomofatoresdeterminantesnamortalidadedesses pacientes.6,11,13 Outrosfatoresrelacionadosaumresultado desfavorávelsãoaincapacidadedeambulatóriapréviaà fra-tura, deficiências cognitivas, ocorrência de uma segunda fratura, baixo nível funcional na data da alta e falta de reposic¸ãodebifosfonadosevitaminaD.6,14
Devidoaofatodeasfraturasdaextremidadeproximaldo fêmurocorreremempacientescomcomorbidades significati-vasealtoriscodecomplicac¸õespré-operatórias,essacondic¸ão apresentaelevadastaxasdemortalidadequandocomparada comoutrasfraturas.10,11,13,15 Porserumimportante indica-dorusadonaavaliac¸ãodocuidadoprestadoemservic¸osde saúde,ataxade mortalidadepodetambémserusadapara atenderadoisoutrospropósitos:adeterminac¸ãodo desempe-nhodeumhospitalaolongodotempoeoacompanhamento dodesempenhodeumconjuntodehospitais.16
Tendoemvistaaimportânciadessaquestão,esteestudo teve como objetivo determinar a taxa de mortalidade no
primeiro ano de seguimentode pacientes idosos com fra-turadequadriloperadosnohospitaluniversitáriodanossa instituic¸ãoeidentificarascomorbidadesassociadasaesses pacientes.
Material
e
métodos
Estudoretrospectivoedescritivofeitonohospital universitá-riodanossainstituic¸ão.Foramselecionadosestudopacientes idosos(65anosoumais)internadoscomfraturada extremi-dadeproximaldofêmuretratadoscirurgicamentedejaneiro de2012aagostode2013.
OpresenteestudofoisubmetidoaoeaprovadopeloComitê de Ética em Pesquisa da nossa instituic¸ão. A pesquisa foi desenvolvida conformepreconiza aResoluc¸ãon◦ 196/96do
ConselhoNacionaldeSaúdeparaPesquisaemSeresHumanos eaprovadaem01/10/13(CAAE:21388913.1.0000.5349).Dessa forma,nenhumainformac¸ãoquepermitaidentificaros indi-víduosenvolvidosnapesquisaserádivulgada,oquegarante oanonimatodossujeitoseaprivacidadedasinformac¸ões.
Apesquisafoifeitapormeiodarevisãodeprontuáriose via contatotelefônicocom ospacientes eseusparentes.A constatac¸ãodoóbitoesuadataforamobtidospormeiodo con-tatotelefônicoouviaSecretariadeSaúdedeCanoasquandoo contatodiretonãofoipossível.Foramexcluídosospacientes quenãotinhamprontuáriocompletoouquefaleceram previa-menteaotratamentocirúrgico.Nãoforamincluídospacientes tratadosconservadoramente.
As seguintes variáveis foram estudadas: idade, sexodo paciente, comorbidades,tipo defratura,feiturade procedi-mentocirúrgicocorretivo,tipodematerialdesínteseusado, tempomédioentreafraturaeacirurgia,complicac¸ões pós--operatóriaseóbito.Acausadeterminantedoóbitonãoentrou emquestãoporjátersidoidentificadaemtrabalhofeito ante-riormentenesteservic¸oeporqueacausadoóbito,namaioria doscasos,nãotemrelac¸ãodiretacomoprocedimento cirúr-gico.
Tabela1–Comparac¸ãoentreosgruposvivoeóbitodeacordocomosexoeidadedospacientes
Grupo
Óbito(n=47) Vivo(n=152) Total(n=199)
Variável n % n % n % pa
Sexo
Feminino 34 72,3 114 75 148 74,4 0,849
Masculino 13 27,7 38 25 51 25,6
Idade
65-75 9 19,1 54 35,5 63 31,7 0,021
76-86 20 42,6 67 44,1 87 43,7
Maisde86 18 38,3 31 20,4 49 24,6
Fonte:Osautores.
a Testedequi-quadrado.
Resultados
Dejaneirode2012aagostode2013,osprontuáriosde213 paci-entescomfraturadaextremidadeproximaldofêmurforam selecionadosparainclusãonoestudo.Desses,12foram excluí-dosdevidoaprontuárioincompletoedoisporfalecimento antesda cirurgia,o queresultouemumaamostra finalde 199pacientes.Desses,153foramcontatadosdiretamente e 46pormeiodosistemadaSecretariadeSaúde.
Dototaldaamostra,47(23,6%)pacientesvieramaóbito dentrodeumanoe152(76,4%)permaneceramvivos.Atabela1 apresentaacomparac¸ãoentreosgruposvivoeóbitodeacordo comafaixaetáriaesexodospacientes.Ogrupovivoesteve significativamenteassociadoàfaixadeidade65-75anoseo grupoóbitoàfaixademaisde86anos(p=0,021).Nãohouve diferenc¸aentreosgruposemrelac¸ãoàvariávelsexo(p=0,849). Em relac¸ão ao número de comorbidades por paciente, observa-sequenenhuma comorbidadeesteveassociadaao grupovivoetrêscomorbidadesestiveramassociadasaogrupo óbito(p=0,004)(tabela2).Duascomorbidadesestiveram signi-ficativamenteassociadasaogrupoóbito:demência(p=0,041) eanemia(p=0,000)(tabela3).
Afraturamaisprevalentenogrupoestudadofoia trans-trocantérica(56,8%),seguidapela docolo femoral(37,7%)e subtrocantérica(5%).Entreasosteossínteses,omaterialmais usadofoioDynamicHipScrewem42,7%doscasos.Natabela4,
percebemosquetrêsvariáveisestãoassociadasaogrupoque foiaóbitoeaogrupovivo:tempoentrefratura/alta hospita-lar(p=0,018),tempoentrecirurgia/altahospitalar(p=0,003)e osteossíntese(p=0,011).Narelac¸ãotempoentreafraturaea alta,evidenciou-sequeogrupovivoestevesignificativamente associadoaotempo<15diaseogrupoóbitoaotempo>30dias (p=0,018).Navariáveltempoentreacirurgiaeaalta,ogrupo vivomostrou-seassociadoaotempo<7diaseogrupoóbito aotempo8-15diase>15dias(p=0,003).Quantoaomaterial usadonaosteossíntese,oDynamicHipScrewesteveassociado significativamenteaogrupovivoeapróteseparcialdequadril cimentadaaogrupoóbito(p=0,011).
Em relac¸ão às complicac¸ões, a sepseno pós-operatório estevesignificativamenteassociadaaogrupoóbito(p=0,001). Entreasdemaiscomorbidadesestudadas,nãofoiobservada relac¸ãosignificativacomogrupoóbito(tabela5).
Discussão
Opresenteestudoinvestigouataxademortalidadede pacien-tesidososoperadoscomfraturadaextremidadeproximaldo fêmurapósumanodeseguimento.Osresultadosmostraram umataxade23,6%associadaavariáveiscomoidade, comorbi-dades,osteossíntese,tempoentrefraturaealtaetempoentre cirurgiaealta.
Tabela2–Comparac¸ãoentreosgruposvivoeóbitodeacordocomonúmerodecomorbidadesapresentadas
Grupo
Óbito Vivo Total
N◦decomorbidades n % n % n % pa
Nenhuma 1 2,1 32 21,1 33 16,6 0,004
Uma 13 27,7 45 29,6 58 29,1
Duas 14 29,8 47 30,9 61 30,7
Três 16 34 22 14,5 38 19,1
Maisde3 3 6,4 6 3,9 9 4,5
Total 47 100 152 100 199 100
Fonte:Osautores.
Tabela3–Comparac¸ãoentreosgruposvivoeóbitodeacordocomapresenc¸adecomorbidades
Grupo
Óbito(n=47) Vivo(n=152) Total(n=199)
Comorbidade n % n % n % pa
DM 13 27,7 35 23 48 24,1 0,560
HAS 33 70,2 92 60,5 125 62,8 0,300
AVC 8 17 11 7,2 19 9,5 0,053
CNI 7 14,9 18 11,8 25 12,6 0,616
CI 5 10,6 5 3,3 10 5 0,058
Demência 8 17 10 6,6 18 9 0,041
Depressão 4 8,5 4 2,6 8 4 0,091
DPOC 1 2,1 4 2,6 5 2,5 1,000
IRC 2 4,3 4 2,6 6 3 0,628
Neoplasia 2 4,3 12 7,9 14 7 0,526
Anemia 8 17 1 0,7 9 4,5 0,000
Hipotireoidismo 4 8,5 3 2 7 3,5 0,055
Dislipidemia 1 2,1 5 3,3 6 3 1,000
Tabagismo/etilismo 2 4,3 6 3,9 8 4 1,000
Outros 3 6,4 21 13,8 24 12,1 0,208
Fonte:Osautores.
AVC,acidentevascularcerebral;CI,cardiopatiaisquêmica;CNI,cardiopatianãoisquêmica;DM,diabetesmellitus;DPOC,doenc¸apulmonar obstrutivacrônica;HAS,hipertensãoarterialsistêmica,IRC,insuficiênciarenalcrônica.
a Testedequi-quadradoetesteexatodeFisher.
Tabela4–Comparac¸ãodasvariáveisdeestudoentreosgruposvivoeóbito
Grupo
Óbito(n=47) Vivo(n=152) Total(n=199)
Variável Resposta n % n % n % pa
Fratura Colodefêmur 22 46,8 53 34,9 75 37,7 0,450
Trocantérica 22 46,8 91 59,9 113 56,8
Subtrocantérica 3 6,4 7 4,6 10 5
Colofêmur+Trocant - - 1 7 1 0,5
Tempofratura/cirurgia Até7dias 5 10,6 29 19,1 34 17,1 0,352
8-15dias 20 42,6 64 42,1 84 42,2
Maisde15dias 22 46,8 59 38,8 81 40,7
Tempofratura/internac¸ão Até7dias 35 74,5 104 68,4 139 69,8 0,578
8-15dias 9 19,1 41 27 50 25,1
Maisde15dias 3 6,4 7 4,6 10 5
Tempofratura/alta Até15dias 7 15,6 48 31,6 55 27,9 0,018
16-30dias 23 51,1 79 52 102 51,8
Maisde30dias 15 33,3 25 16,4 40 20,3
Tempocirurgia/alta Até7dias 25 55,6 123 80,9 148 75,1 0,003
8-15dias 11 24,4 15 9,9 26 13,2
Maisde15dias 9 20 14 9,2 23 11,7
Osteossíntese DCS 9 19,1 15 9,9 24 12,1 0,011
DHS 14 29,8 71 46,7 85 42,7
Parafusocanulado - - 5 3,3 5 2,5
PFN 1 2,1 9 5,9 10 5
PFNcurto 2 4,3 5 3,3 7 3,5
PPQcimentada 8 17 9 5,9 17 8,5
PPQnãocimentada 6 12,8 4 2,6 10 5
PTQcimentada 2 4,3 11 7,2 13 6,5
PTQnãocimentada 5 10,6 22 14,5 27 13,6
Fonte:Osautores.
DCS,parafusocondilardinâmico(dynamiccondylarscrew);DHS,parafusodinâmicodoquadril(dynamichipscrew);PFN,proximalfemurnail;PPQ, próteseparcialdequadril;PTQ,prótesetotaldequadril.
Tabela5–Comparac¸ãoentreosgruposvivoeóbitodeacordocomapresenc¸adascomplicac¸õesnopós-operatório
Grupo
Óbito(n=47) Vivo(n=152) Total(n=199)
Complicac¸ões n % n % n % pa
ITU 3 6,4 17 11,2 20 10,1 0,418
BCP 6 12,8 11 7,2 17 8,5 0,370
IFO 4 8,5 7 4,6 11 5,5 0,464
Infecc¸ãosíntese 1 2,1 2 1,3 3 1,5 1,000
Quebra/luxac¸ãosíntese 1 2,1 5 3,3 6 3 1,000
Delirium 2 4,3 5 3,3 7 3,5 1,000
Sepsesemfoco 8 17 3 2 11 5,5 0,001
IRA 1 2,1 3 2 4 2 1,000
Anemia 1 2,1 5 3,3 6 3 1,000
TEP 3 6,4 2 1,3 5 2 0,087
Outros 3 6,4 3 2 6 3 0,145
Fonte:osautores.
BCP,broncopneumoniapulmonar;IFO,infecc¸ãoferidaoperatória;IRA,insuficiênciarenalaguda;ITU,infecc¸ãodotratourinário;TEP, trombo-embolismopulmonar.
a Testedequi-quadrado.
Nossointuitocomadescric¸ãodessesdadoséestimularo aprimoramentodaqualidadedosnossosservic¸os,acomec¸ar pordeixarcientesasautoridadesdesaúde,os administrado-reshospitalares,médicosedemaisprofissionaisdaáreapara orealproblemaqueessesresultadosrepresentam.
Evidenciamosumamaiorincidênciadepacientesdosexo feminino(74,4%),dadoquecondizcomaliteratura,naqual há uma variac¸ão de duas até cinco mulheres para cada homem.1,3–5,9,13,15–21 A idade média dos paciente incluídos no estudo foi de 79,84 anos, semelhante à encontrada na literatura.1,3,17,21,22
Astaxasdemortalidadeemumanoapresentamgrande variabilidade na literatura.2,12,17–20 A taxa de mortalidade encontradanopresenteestudofoide23,6%.Riccietal.20 ana-lisaram202pacienteseobtiveramumataxademortalidade de28,7%apósumanodeseguimento.JáPereiraetal.18 apre-sentaramumataxade35%emumaamostrade246pacientes comfraturadequadril.EmumestudofeitonaItália,Meessen
etal.,23comumaamostrade828pacientes,evidenciaramuma mortalidadedesomente20,7%.
Observou-se,nopresenteestudo,quepacientescommais de86anosapresentaramumaumentonamortalidade.Pugely
et al.,24 em um estudo prospectivo com 4.331 pacientes, demonstraramumaumentosemelhantedamortalidadeem pacientescommaisde80anoscomfraturadequadril, signi-ficativoparasuataxademortalidade.
Ascomorbidadesmaisprevalentesforamhipertensão arte-rialsistêmica,diabetesmelittus,cardiopatias,acidentevascular cerebral,anemiaedemência.Esseperfiléconcordantecom ocitadoemdiversosestudos,justificadopeloprocesso natu-raldoenvelhecimento.1,9,16,17,24Apesardehipertensãoarterial sistêmica e diabetes mellitus representarem juntas mais de 80% da prevalência, essas comorbidades não são determi-nantesparaumdesfechodesfavorável.Anemiaedemência estiveramsignificativamenteassociadasaogrupoóbitoesão citadasnaliteraturacomo fatoresassociadosamaior mor-bidadeemortalidade.20,25–28Nopresenteestudo,observou-se
aumentodamortalidadeentreospacientesqueapresentaram três comorbidadespreviamenteàfratura.Estudosmostram que o número de doenc¸as prévias influencia na mortali-dade dospacientes com fraturas da extremidade proximal do fêmur e que a presenc¸a de duas ou mais comorbida-desestáassociadaaumaumentodastaxasdemorbidadee mortalidade.29
O tempo ideal entre a fratura e a instituic¸ão do trata-mentocirúrgicotemsidoamplamentediscutidonaliteratura. Operíodoidealparaacirurgiaétidocomoentre24e48horas apósafratura.9–12,15,17,22Nopresenteestudo,ointervalomédio paraainstituic¸ãodotratamentocirúrgicofoi de16,19dias, commínimo dedoisemáximode100dias. Apesarda dis-cordância comaliteratura,nãoseevidenciourelac¸ãoentre o atraso da cirurgia com o grupo óbito.Por serum hospi-tal de atendimento terceirizado,temos umviés quanto ao tempoentreafraturaeoprocedimentocirúrgico.Devidoà ausênciadeumaunidadedeprontoatendimento,opaciente acabatendodeserprimeiramenteatendido noHospitalde ProntoSocorroesomenteapósestabilizac¸ãopodeser transfe-ridoparaotratamentodefinitivo.Acreditamosqueessedado impõeumviésimportantenodesfechodessespacientes,visto queraramenteotratamentoéempregadoemsuaformaideal porinviabilidadedoprópriosistema.
Otempoentreafraturaeaaltahospitalarsemostrou sig-nificativonapresenteanálise.Pacientesquepermaneceram internadospormaisde30diasapresentaramumaumentona mortalidade.Asturetal.3descreveramumaumentodemaisde cincovezesnamortalidadeempacientescommaisde10dias de internac¸ão hospitalaremcomparac¸ãocom aqueles que permanecerammenosde10dias.Otempoentreacirurgiaea altahospitalarapresentousignificânciaestatísticanaanálise, porémnãofoiencontradaamesmarelac¸ãonaliteratura.
Aosteossíntesemostrou-serelevante paraasobrevidae a mortalidadedospacientes.OmaterialDynamic HipScrew
materialusadoeamortalidadedospacientescomfraturasda extremidadeproximaldofêmur.18,21
Quanto às complicac¸ões, apenas 10% estiveram ligadas àcirurgiaeàsínteseusada. Ascomplicac¸õesclínicas mais prevalentesforaminfecc¸ãodotratourinário(10,1%), broncop-neumonianosocomial (8,5%),sepse(5,5%) edelirium(5,5%), todasfrequentementecitadasnaliteratura.10,13,14,16,24Asepse estevesignificativamenteassociadaaogrupoóbito(p=0,001). Gibsonetal.30mostraram,emestudopublicadoem2014,que umterc¸odospacientespós-fraturadefêmurproximal admi-tidosnaunidadedeterapiaintensivacomquadrodesepse faleceramnaunidadeeoutroumterc¸ofaleceuforadaunidade antesdaaltahospitalar.
Conclusão
Emnossaamostradepacientescomfraturadequadril subme-tidosaprocedimentocirúrgico,ataxademortalidadeemum anofoide23,6%easprincipaiscomorbidades significativa-menteassociadasaessedesfechoforamanemiaedemência.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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s
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