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Soc. estado. vol.27 número3

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Revista Sociedade e Estado - Volume 27 Número 3 - Setembro/Dezembro 2012

O planejamento governamental como discurso:

tensões entre políica e técnica (1930-2003)

Bruno Morei

Orientador: Mariza Veloso Mota Santos

Tese de Doutorado

Data da defesa: 30.07.2012

O

trabalho tem por objeivo abordar o planejamento como discurso no interior do Estado, cujos enunciados procuram obter o crédito da ra

-cionalização da aividade estatal, conferindo-lhe o poder de deinir, por exemplo, os critérios para o bom gasto público. Essa disinção ganhará formas especíicas, de acordo com os modelos de Estado construídos historicamente no Brasil. Estes procuram obter legiimidade a parir de senidos do interes -se geral, predicados a categorias como “modernização” e “de-senvolvimento”.

A tese parte da perspeciva de que tais linguagens, ao se tornarem oiciais, convertem-se em práicas insitucionais. Estas constroem o espaço de possi

-bilidades para a intervenção estatal, deinindo o que é ou não possível de se fazer e dizer. O foco do trabalho é a Reforma do Estado da década de 1990. Sua mensagem é que o Brasil é um país cujos problemas decorrem da persis

-tência dos fatores de atraso que o impedem de ser uma nação moderna. Esses fatores se concentram num Estado deinido como patrimonial e burocráico. Assim, o senido que a Reforma atribui ao interesse coleivo autoriza a dissolu

-ção das estruturas intervencionistas construídas entre 1930 e 1980, nas quais

o planejamento teve papel central. Em seu lugar, seria organizado um

Esta-do voltaEsta-do à eiciência, praicanEsta-do uma administração por resultaEsta-dos, focada

nos interesses dos cidadãos, negando a si própria como uma posição de valor

e ideniicando-se como racional e desapaixonada. Sua eicácia reside em sua transposição para um sistema de práicas, que, ao mesmo tempo, denegam seu conteúdo valoraivo e realizam a interpretação do Estado como fonte dos pro

-blemas nacionais – o Estado como negaividade. Enim, a interpretação passa a ser válida na medida em que monopoliza o senido do bem comum, inscre -vendo-se como pontos de controle do processamento de demandas sociais e

induzindo a aitudes de controle e prudência que refratam, para o coidiano das práicas estatais (paricularmente, o planejamento), um sistema causal que aricula Estado e ineiciência. É nesse contexto que será retomado o planeja

-mento governamental, atualizando seu pleito de iltro racionalizante, agora,

não mais construído como ferramenta para ampliar a intervenção estatal, mas

como procedimentos que reivindicam o compromisso axiologicamente neutro

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técnicas autorizadas a exercer o controle das ações estatais e restringir seu pró

-prio espaço de possibilidades, cristalizando o imaginário do Estado como nega

-ividade.

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