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1. Principais Indicadores do CA Silves

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Academic year: 2022

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CA Silves – Relatório e Contas 2016

Índice

1. Principais Indicadores do CA Silves…………...2

2. Relatório da Administração: 2.1. Mensagem da Administração – Introdução ao Relatório de Gestão...3

2.2. Enquadramento Macroeconómico e Mercado Bancário...10

2.3. Grupo Crédito Agrícola – Evolução Recente e Perspetivas...29

2.4. Actividade do CA Silves – Apreciação Global: 2.4.1. Resumo da Actividade por áreas funcionais...39

2.4.2. Estrutura Patrimonial...44

2.4.3. Aplicações do Activo...45

2.4.4. Recursos...48

2.4.5. Empresas do Grupo C.A. e “cross-selling”...49

2.4.6. Capital Subscrito e Movimento de Associados...51

2.4.7. Solvabilidade e Situação Líquida...51

2.4.8. Evolução da Conta de Exploração...53

2.4.9. Resultado Após Impostos...59

2.4.10. Resumo dos principais Rácios...61

3. Proposta da Aplicação dos Resultados Líquidos...62

4. Documentos Financeiros: 4.1. Balanço e Demonstrações Financeiras...63

4.2. Notas Explicativas Anexas às Contas...69

5. Estrutura e práticas de governo societário da CA Silves………..………...111

6. Parecer do Conselho Fiscal...119

7. Certificação Legal de Contas...120

(2)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 2

1. Principais Indicadores do CA Silves

VALOR %

ACTIVO BRUTO 152.348.334 € 166.987.284 € 14.638.950 € 9,6%

ACTIVO LÍQUIDO 142.521.373 € 158.015.179 € 15.493.806 € 10,9%

APLICAÇÕES em INSTITUIÇÕES de CRÉDITO 38.378.315 € 47.813.509 € 9.435.194 € 24,6%

CRÉDITO BRUTO 91.452.646 € 97.210.673 € 5.758.027 € 6,3%

CRÉDITO LÍQUIDO 84.920.896 € 92.401.902 € 7.481.005 € 8,8%

CRÉDITO em RISCO (Instrução nº 24/2012 do BdP) 11.587.626 € 7.623.065 € -3.964.561 € -34,2%

CRÉDITO VENCIDO 6.711.000 € 4.845.573 € -1.865.427 € -27,8%

IMPARIDADES ACUMULADAS para CRÉDITO 6.531.750 € 4.808.772 € -1.722.978 € -26,4%

ACTIVOS NÃO CORRENTES DETIDOS para VENDA (valor líquido) 5.186.367 € 3.672.285 € -1.514.082 € -29,2%

RECURSOS 124.756.704 € 134.535.347 € 9.778.643 € 7,8%

SITUAÇÃO LÍQUIDA 12.029.052 € 12.162.580 € 133.529 € 1,1%

VALOR %

RESULTADO LÍQUIDO 101.349 € 213.069 € 111.721 € 110,2%

MARGEM FINANCEIRA 2.787.930 € 3.077.070 € 289.139 € 10,4%

COMISSÕES LÍQUIDAS 1.461.803 € 1.570.561 € 108.759 € 7,4%

PRODUTO BANCÁRIO 5.032.881 € 4.961.820 € -71.061 € -1,4%

GASTOS OPERACIONAIS de ESTRUTURA 3.279.123 € 3.295.069 € 15.946 € 0,5%

IMPARIDADES para CRÉDITO (líquidas) 1.154.859 € 184.355 € -970.504 € -84,0%

OUTRAS IMPARIDADES e PROVISÕES 395.346 € 1.098.316 € 702.970 € 177,8%

RÁCIOS de ESTRUTURA 2015 2016 RECOMENDAÇÃO CAIXA CENTRAL

MÉDIA das CCAM'S (Refª 2016)

Rácio de Solvabilidade global 15,7% 14,3% - N/D

Rácio Common Equity Tier I 14,8% 13,8% > 10% N/D

Rácio de Transformação (Crédito/Depósitos) 73,5% 72,4% <= 85% 67,4%

Rácio de crédito em risco (Instrução nº 24/2012 do BdP) 12,7% 7,8% - N/D

Rácio de crédito em incumprimento (Instrução nº 24/2012 do BdP) 7,3% 4,9% - N/D

Rácio de Crédito Vencido 7,3% 5,0% <= 5% 6,5%

Rácio de Crédito Vencido há mais de 90 dias 7,2% 4,9% <= 5% 6,4%

Rácio de Crédito Vencido Liquido 0,6% 1,0% <= 3% 1,2%

Crédito com garantias reais ou financeiras / Crédito Total 86,1% 88,2% > 65% 75,1%

RÁCIOS de RENTABILIDADE 2015 2016 RECOMENDAÇÃO CAIXA CENTRAL

MÉDIA das CCAM'S (Refª 2016)

Comissões Líquidas / Produto bancário 29,1% 31,7% > 20% 29,7%

Rácio de Eficiência 65,2% 66,4% < 60% 67,7%

Nº colaboradores 41 40 - -

Activo Líquido por Empregado 3.563.034 € 4.051.664 € > 3.000.000 € 4.559.897 €

Produto Bancário por Empregado 125.822 € 127.226 € > 110.000 € 129.637 €

Custo com Orgãos Sociais e Pessoal / Activo Líquido 1,23% 1,15% < 1,10% 0,97%

Gastos gerais Administrativos / Activo Líquido 0,88% 0,77% < 0,80% 0,76%

Rendibilidade do Activo Liquido Médio (ROA) 0,08% 0,14% - 0,71%

Rendibilidade dos Capitais Próprios (ROE) 0,85% 1,78% - 7,62%

EVOLUÇÃO dos PRINCIPAIS INDICADORES

RESULTADOS / CONTA de EXPLORAÇÃO BALANÇO

2015

2015 2016

2016 VARIAÇÃO

VARIAÇÃO

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 3

2. Relatório da Administração

2.1.

Mensagem da Administração - Introdução ao Relatório de Gestão Para dar cumprimento à Lei e aos Estatutos da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Silves C.R.L.

(CA Silves) vem o Conselho de Administração apresentar à Assembleia Geral, o Relatório, Balanço e Contas, bem como a proposta de aplicação de resultados, e ainda a Estrutura e práticas de governo societário da CA Silves, referentes ao ano de 2016.

Poderíamos resumir o exercício de 2016 do CA Silves, nos seguintes aspetos: superamos os nossos objectivos em quase todas as rubricas de Balanço e da Conta de Exploração, num contexto sócio-económico muito adverso à nossa actividade, que continua marcado por uma crise financeira que, na sua componente bancária, já vai no seu 9º ano, o que leva o esforço de todos ao limite. É de registar não só cumprimento das normas prudenciais, cada vez mais exigentes (de elevado consumo em tempo e dinheiro), como também destacamos o aumento do Crédito e dos Recursos, ou o crescimento das carteiras de seguros. Realçamos ainda a melhoria dos excedentes de liquidez do CA Silves, bem como a manutenção de um elevado rácio de solvabilidade. É com agrado que verificamos igualmente uma evolução melhor que os nossos pares, na medida em que face ao SICAM, crescemos mais no Crédito, na Margem Financeira, no Produto Bancário, e mantemos controlados Gastos de Estrutura, enquanto o SICAM volta a verificar um novo aumento. Assuntos que passamos a detalhar.

Do ponto de vista macro-económico 2016 mostrou uma ligeira deterioração face aos últimos anos, consubstanciada num crescimento anémico do PIB em torno dos 1,4%, apoiado no crescimento do consumo privado e das exportações. Num contexto de melhoria das condições no mercado de trabalho e de redução dos níveis de endividamento das famílias, a evolução do consumo espelha a aquisição de bens não duradouros, de onde se destacam as viaturas automóveis. Não podemos deixar de sublinhar a redução do investimento incorrida. É um facto muito negativo de 2016, que vemos com especial e profunda preocupação, na medida em que este dado constitui, uma restrição ao dinamismo da atividade económica. Até porque, os atuais níveis de investimento, continuam muito abaixo do nível verificado antes da crise. Sem a recuperação estrutural do investimento empresarial, reprodutivo, será muito difícil a Portugal e ao Algarve verificarem crescimentos sustentados a médio prazo.

Neste âmbito urge resolver o problema do elevado endividamento privado e público, da nossa economia. Pois apesar de verificar uma trajetória descendente, os rácios de endividamento em Portugal continuam elevados e superiores aos níveis médios da área do euro. Assim,

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 4 mantém-se a necessidade de redução dos rácios de endividamento de empresas e particulares, de modo a que este facto não constitua uma restrição ativa nas decisões de consumo e investimento dos agentes económicos.

Se temos constatado que o endividamento privado está em queda clara há vários anos, já para a dívida pública o cenário é o contrário. Verificar controlo e redução da dívida do Estado permanecerá como um dos grandes desafios atuais, e que se manterá por muitos anos futuros.

Apenas o cumprimento dos compromissos das autoridades nacionais no âmbito das regras orçamentais europeias (tratado orçamental) permitirá assegurar uma diminuição sustentada do atual nível de dívida pública em percentagem do PIB, que constitui uma enorme vulnerabilidade latente da economia portuguesa.

Este crescimento do endividamento público, bem como a consequente não melhoria do rating da Republica, não é positiva, em especial na perspetiva bancária.

O processo de ajustamento da Troika trouxe inúmeras consequências para a Banca. Duas das principais respeitam à redução da concessão de crédito (processo de desalavancagem) e ao crescimento do crédito vencido, no que se refere a Sociedades não financeiras e Famílias.

O CA Silves ao longo dos últimos anos tem apresentado, nestas duas rubricas, comportamentos muito melhores do que o mercado nacional.

No que respeita ao Crédito Vencido em 2016, temos a comunicar que a CA Silves teve um comportamento especialmente positivo, dado que reduziu-se em quase 1.900.000 € (-28%).

O que se consubstanciou numa diminuição do rácio de crédito vencido bruto para 4,98%. É uma melhoria muito significativa, sendo de realçar, que também se passou a cumprir com a recomendação da Caixa Central (<=5%), algo que não ocorria desde 2007.

Já o rácio de Crédito Vencido Líquido (muito mais relevante para análise) ficou confortavelmente em 1%, claramente abaixo do objetivo e recomendação de 3%.

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 5 Não obstante esta boa evolução, continuamos a constatar que se mantêm condições muito adversas à evolução positiva do crédito vencido. Não podemos deixar de referir que a “reforma do mapa judiciário”, implementada pelo ministério da Justiça no Verão de 2014, continua a prejudicar fortemente o bom andamento desta rubrica de crédito vencido no CA Silves. Os problemas operacionais associados a esta reforma continuam a adiar o avanço material das decisões nos processos judiciais. Por esta via, a capacidade do CA Silves em recuperar provisões e imparidades continuou fortemente condicionada, em 2016.

Em 2016 o CA Silves voltou a verificar uma significativa subida da carteira de crédito bruto.

Um dado em claro contraciclo com a concorrência, tanto mais positivo, se comparando com o facto do Crédito nacional a Particulares e Empresas ter continuado a diminuir, cerca de 3,9%.

Já no CA Silves, o aumento muito significativo do Crédito ascendeu a +6,2%, num valor aproximado de 5.700.000 €, superando claramente o

objetivo orçamentado de crescer 2%. É igualmente uma prestação muito superior à já boa evolução que as CCAM’s congéneres obtiveram, cujo crédito bruto subiu “apenas” 4,5%. Também nos comparamos muito bem com a evolução do mercado algarvio que decresceu 4,7%, como analisaremos no ponto 2.2.C..

Esta evolução muito positiva na carteira de crédito não será alheia ao forte ativismo que o CA Silves tem manifestado na procura de crédito novo e que traduz o forte empenho que colocamos no apoio ao financiamento da economia local. E que se consubstanciou num significativo aumento da concessão de crédito novo, que superou os 22.000.000 €, em 2016.

Vivendo uma contínua contração do crédito na Zona Euro, a política ultra-expansionista do BCE foi intensificada novamente em Março de 2016, através de medidas menos convencionais, devido à reduzida inflação e à persistência de alguma (menor) fragmentação financeira na zona euro, que tem imposto fortes restrições à eficaz transmissão dos mecanismos da política monetária. As medidas menos ortodoxas colocadas no terreno pelo BCE, vão desde as Targeted Long Term Refinancing Operations (TLTRO), operações de refinanciamento com termo em Março de 2021 (a que o SICAM e o CA Silves têm recorrido), bem como a redução da sua taxa diretora para 0%, ou ainda a cobrança de 0,4% de juros aos bancos, pelos depósitos mantidos junto do Banco Central. Adicionalmente, há a decorrer um programa aquisição de Asset-backed securities e de Covered bonds, ou seja, dívida titularizada. Daqui

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 6 resultou uma forte redução das taxas euribor, em todos os prazos, de onde destacamos a de 6 meses que caiu para mínimos históricos, negativos, de cerca de -0,22%.

Neste contexto imposto pelo BCE, e não obstante o aludido crescimento da carteira de crédito, registamos uma redução de 85.000 € nos proveitos com juros, resultado direto não só da nova quebra das taxas Euribor, para valores negativos, como também da maior concorrência pelo crédito novo, com a qual tivemos de voltar a lidar, desde meados de 2014.

A carteira de Recursos detida pelos nossos clientes também verifica um óptimo crescimento de quase 10.000.000 €. Uma prova clara da confiança que o mercado mantém no CA Silves.

Conseguimos superar largamente o objetivo de defesa da carteira de Recursos, apesar da continuada competição. Esta, não tendo desaparecido, está a um nível muito mais estável, não obstante permanecer em valores muito acima das Euribor. Estes factos são de realçar, não só pelo cumprimento do valor orçamentado para os custos com os juros, como também pela elevada carteira que os nossos clientes mantém no Grupo CA, em aplicações no CA Vida e CA Gest.

Desta evolução de Crédito vs Recursos resultou uma redução do rácio de transformação de 73,5% para 72,4%. Uma diminuição inesperada, consequência direta do excelente crescimento da carteira de Recursos.

O CA Silves continua a apresentar uma posição largamente excedentária de liquidez, consubstanciada nos cerca de 47.800.000 € com que se fechou o ano de 2016. Uma significativa subida homóloga de 24,6% nos depósitos colocados na Caixa Central, em aproximadamente de 9.400.000 €. Entendemos que este excedente tem sido umas das principais forças estruturais, para a superação da actual crise financeira. Um excedente que importa preservar apesar da enorme redução de proveitos, que o corte das taxas de juro pagos pela Caixa Central tem representado para a nossa CCAM, conforme veremos no ponto 2.4.8..

Fica clara a grande pressão sobre os ganhos, a que o CA Silves foi sujeito. Tendo sido possível evitar a redução da margem financeira, apenas por via da forte redução dos custos dos juros pagos a clientes, em linha com o orçamentado, dada a evolução negativa que verificaram os juros recebidos do Crédito e da Caixa Central, apesar dos aumentos significativos das respetivas carteiras destas rubricas.

Conjugando estes efeitos na conta de exploração, registamos um forte aumento da Margem Financeira de aproximadamente 290.000 € (+10,4%).

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 7 Já o Produto Bancário superou largamente o objetivo orçamentado de 4.310.000 €, em mais de 650.000 €, terminando 2016 aproximadamente nos 4.950.000 €. Ainda que tenha verificado uma ligeira redução de 71.000 € (-1,4%) face a 2015, vemos esta evolução de forma muito positiva se atendermos ao facto de, em 2016, não se ter auferido o elevado nível de Outros Resultados de Exploração extraordinários, não recorrentes, de que havíamos beneficiado em 2015. Nomeadamente a mais-valia de 430.000 € registada em 2015 com a venda da participação na CA Vida; ou ainda, a recuperação de créditos e juros abatidos ao activo que haviam ascendido a 445.000 € em 2015, mas que em 2016 se fixaram em apenas 73.000 €.

Ou seja, em 2016 não se obteve receitas extraordinárias de cerca de 800.000 €, que tinham sido verificadas em 2015. O que significa que a actividade recorrente de 2016 conseguiu compensar tais receitas, conforme será pormenorizado no ponto 2.4.8.

Passando à análise dos gastos de estrutura há a destacar que o CA Silves manteve controlados os gastos operacionais, na medida em que tiveram um aumento marginal de 16.000 €. Tal como previsto no Plano de Atividades para 2016, a Administração do CA Silves procurou agir sobre as variáveis que controla

diretamente, sempre no sentido de minorar os impactos impostos por condicionantes exógenas à CA Silves, acompanhando mudanças, de modo a precaver o futuro.

Desde 2009, que são reduzidos sucessivamente os custos operacionais, apesar dos elevados gastos incorridos, todos os anos, por imposições legais (seja o Acordo Coletivo de Trabalho, seja do Regulador ou do Estado). Quando comparando 2016 com o “pico” dos gastos atingido em 2009, verifica-se uma redução de gastos operacionais de 8,8%. As poupanças conseguidas ascendem a quase 320.000 €/ano, com base nos valores alcançados em 2016. As poupanças “acumuladas” desde 2009 elevam-se a 1.225.000€.

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 8 O CA Silves terá de continuar fortemente empenhado, neste domínio, dado que é das poucas variáveis que controla minimamente. Pelo que, é das que pode usar para fazer face às elevadas quedas do Produto Bancário já incorridas em exercícios anteriores a 2015. Algo que poderemos voltar a incorrer, com elevada probabilidade, enquanto não se verificar a subida regular da carteira de Crédito e/ou o BCE resfriar a sua política monetária ultra-expansionista.

O CA Silves não esquece o seu papel social, como agente de apoio ao desenvolvimento local, bem como a manutenção de uma política de proximidade a clientes e associados. Assim sendo, não se deixou de apoiar sempre que possível, a comunidade local dos dois concelhos em que desenvolve a sua actividade, dando inúmeros apoios em géneros, patrocínios e donativos aproximadamente a 20 entidades locais. Esta é uma política de responsabilidade social com impacto financeiro muito

significativo nos resultados, que o CA Silves nunca deixou de fazer ao longo dos últimos anos, apesar da crise que o sector bancário atravessa desde 2008. Conforme fica patente no presente quadro:

Como fator muito positivo de 2016, é de sublinhar a melhoria da Situação Líquida para um novo máximo histórico. Um dos aspetos mais positivos da estratégia de prudência que temos seguido reside no facto de mantermos um dos melhores rácios de solvabilidade da Banca nacional.

No âmbito da solvabilidade, nunca é demais relembrar que nem o CA Silves nem o Crédito Agrícola tiveram de recorrer ao Estado para reforçar o seu capital próprio, ao contrário de alguns dos maiores bancos em Portugal. Essa fragilidade estrutural que a banca comercial verifica, é algo que não sofremos. O que nos tem permitido continuar a apoiar todos os nossos clientes e sócios, que desta forma nunca tiveram os seus pedidos de crédito cortados por razões meramente administrativas/regulamentares.

Estes são factos muito positivos, para todos sócios e clientes que confiam no CA Silves.

Face ao exposto estamos agradados com a evolução do Resultado Líquido, que ascendeu a cerca de 200.000 €, na medida em que supera o valor orçamentado no Plano de Actividade para 2016. Ainda que se mantenha a um nível demasiado reduzido para a dimensão do Balanço

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 9 do CA Silves. Não poderemos deixar de continuar a implementar todas medidas operacionais necessárias para inverter esta tendência de baixos resultados, indissociável do contexto bancário que vivemos há 9 anos, e que deverá perdurar no futuro próximo.

Manifestamos o nosso reconhecimento a todos os colaboradores, pelo empenho, dedicação e sentido de profissionalismo que demonstraram na execução das funções atribuídas, e do esforço desenvolvido para a concretização das metas traçadas. Agradecemos igualmente aos membros da Mesa da Assembleia-Geral, Revisor Oficial de Contas, e aos elementos do Conselho Fiscal, pela colaboração e acompanhamento prestados.

Dando cumprimento à Lei e aos Estatutos da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Silves C.R.L.

vem a Administração apresentar e solicitar a aprovação pela Assembleia-Geral, do Relatório e Contas elaborado, a respectiva aplicação de resultados e anexos, referentes ao ano de 2016, constantes no presente documento.

O Conselho de Administração José Manuel Guerreiro Estiveira Gonçalves

Diogo Manuel Calvário Cabrita Manuel António da Conceição Nunes

O Adjunto do Conselho de Administração

João Pedro Rodrigues Gonçalves

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 10

2.2. Enquadramento Macroeconómico e Mercado Bancário

Enquadramento Macroeconómico

A. Economia Mundial

A estimativa mais recente aponta para que se tenha verificado um crescimento do PIB mundial de 3,1% em 2016, valor inferior aos 3,2% alcançados em 2015. A confirmar-se esta expectativa, este será o ritmo de crescimento económico mais fraco desde o ano da recessão mundial de 2009.

Antes da crise financeira (2008), as economias emergentes vinham apresentando ritmos de crescimento superiores a 7,0%, tendo nos anos mais recentes (2008-2016) apresentado um crescimento em torno dos 4,0%. Efectivamente, para 2016, o FMI antecipa um crescimento no conjunto dos países emergentes de 4,2%, valor aquém dos 4,4% registados em 2015.

Parte deste abrandamento perspectivado para a economia global em 2016 é explicado pela evolução da segunda maior economia do mundo – a China que, com uma variação estimada de 6,7% no PIB deste ano, regista o mais baixo crescimento desde 1990 (3,9%).

Este valor contrasta, ainda assim, com o ritmo de crescimento dos países desenvolvidos, que se estima ter sofrido uma desaceleração de 2,1%, em 2015, para 1,6%, em 2016. A quebra no desempenho dos EUA, cujo crescimento anual reduziu de 2,6% em 2015 para 1,6% em 2016, encontra explicação na componente das exportações (que foram prejudicadas, entre outros, pelo fortalecimento do dólar americano) e na componente do investimento (condicionado pelo comportamento dos preços do petróleo que durante o ano de 2016 se mantiveram baixos).

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 11 A economia da Zona Euro acelerou

ligeiramente no final de 2016 (1,6%), mas o crescimento que se perspectiva é tímido e inferior ao registado em 2015 (2,0%), o que deverá contribuir para a divergência de posições entre os responsáveis monetários quanto ao fim dos estímulos na região da moeda única.

Os ataques terroristas tiveram um forte impacto negativo no desempenho do sector

do turismo da França (a 2ª maior economia da Zona Euro). Por outro lado, o FMI assinala que, apesar dos avanços registados na Grécia, com o PIB a progredir de -0,2% em 2015 para +0,3% em 2016, as dívidas da Grécia continuam “insustentáveis” a longo prazo (180% do PIB). No médio prazo, os riscos para o crescimento económico na Zona Euro são legados da crise recente1, o voto do Reino Unido para deixar a União Europeia, potenciais disrupções ao comércio internacional e um aperto mais forte da política monetária nos Estados Unidos que poderá ter consequências negativas nas economias emergentes (algumas das quais com fortes relações comerciais com a Europa).

A taxa de desemprego na Zona Euro foi diminuindo paulatinamente ao longo do ano, atingindo no final de 2016 uma taxa prevista de 10,5%, valor mais baixo desde 2011 e que compara com os 11,0% registados no final de 2015. Não obstante a redução do nível de desemprego nos últimos anos, esta continua ainda em níveis historicamente elevados.

Nos EUA, 2016 foi um bom ano para o mercado de trabalho, com o desemprego americano a situar-se nos 4,8%, apresentando níveis mínimos semelhantes aos registados em 2007. No que toca à remuneração média por hora, esta aumentou 2,9% face a Dezembro de 2015, o que traduz o maior aumento desde 2009.

1Com os sectores público e privado a apresentarem níveis de endividamentos elevados e com processos de desalavancagem em curso, os problemas no sector bancário não completamente resolvidos e os níveis de desemprego a permanecerem persistentemente elevados.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 12 Em termos agregados da Zona Euro, a inflação perspectivada para 2016 foi de 0,2%, que compara com os 0,0%

registados em 2015. Esta recuperação, ainda assim para um nível inferior ao objectivo de 2,0% definido pelo BCE, muito contribuiu a combinação dos aumentos no preço da energia e uma modesta recuperação económica.

A autoridade monetária europeia estendeu até final do ano o plano de compra de activos no sector público como forma de dar força à inflação através de incentivos à economia. Mas com a subida dos preços a encaminhar-se progressivamente para um ritmo que o BCE considera adequado para assegurar a estabilidade económica, alguns responsáveis avaliam a hipótese de antecipar o fim do programa de quantitative easing.

Também a inflação nos EUA foi subindo ao longo de 2016, principalmente na segunda metade do ano, estimando-se que fique nos 1,3%, acima dos 0,1% registados em 2015. Este aumento foi suportado pelo fim do ciclo de quedas nos preços do petróleo, ditando que o sector energético deixasse de ter uma contribuição negativa em 2016 e começasse mesmo a contribuir positivamente para o aumento dos preços ao consumidor.

O ano de 2016 ficou ainda marcado pela ocorrência de diversos eventos políticos de consequências potencialmente muito disruptivas.

Na Europa, o ano de 2016 ficou decisivamente marcado pela vitória do Brexit no Reino Unido, evento que poderá condicionar a situação económica e a evolução dos mercados em função dos recuos e avanços que se venham a verificar no desenrolar do processo negocial de saída do Reino Unido da União Europeia. Theresa May, a chefe do governo britânico, prometeu activar o Artigo 50 antes do final de Março de 2017, pelo que esta questão será um tema importante no debate político associado à realização de eleições em França e na Alemanha e condicionará o futuro da União Europeia nos próximos anos.

Nos EUA, Donald Trump venceu as eleições presidenciais constituindo uma incógnita o rumo esperado da política americana, sendo certo que o actual discurso político é marcadamente

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 13 proteccionista (limitações à livre circulação de pessoas e bens) e de confronto com a política convencional (ruptura com o status quo).

B. ECONOMIA NACIONAL

A economia portuguesa, penalizada por um crescimento fraco do investimento e por fragilidades ao nível das exportações, no primeiro semestre de 2016, manteve a tendência de desaceleração iniciada no último trimestre de 2015, tendo crescido apenas 0,9% em termos homólogos. A aceleração registada no segundo semestre de 2016, muito por conta da evolução da actividade turística e do consumo privado, permitiu que o crescimento anual se situasse nos 1,3% em 20162, valor 3 p.p. abaixo do crescimento registado em 2015 (1,6%).

O comportamento das exportações nacionais foi condicionado pela ocorrência de diversos factores, de entre os quais se destacam a persistente precariedade da situação económica em Angola (em termos homólogos, entre Janeiro e Outubro, as exportações de bens para Angola diminuíram 41,9%), muito afectada pelo baixo preço de petróleo e pelo facto de uma refinaria ter estado temporariamente parada no início do ano (o que fez com que as exportações de combustíveis diminuíssem 29,1% até Outubro).

Em sentido inverso, o sector do turismo mostrou um crescimento nas exportações de serviços de 9,2%.

2Neste enquadramento, a Comissão Europeia melhorou as estimativas para 2017 e 2018, esperando agora que a economia cresça 1,6% e 1,5%, respectivamente (em contraste com as previsões de Outono para o crescimento do PIB de 1,2% em 2017 e 1,4% em 2018).

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

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CA Silves – Relatório e Contas 2016 14 O consumo privado cresceu 2,1% em 2016 i.e. 5 p.p. abaixo do verificado em 2015. Por seu lado, o investimento interrompeu em 2016 uma tendência de recuperação gradual, mas constante, iniciada no final de 2013. A formação bruta de capital fixo registou ainda assim decréscimos homólogos sucessivamente menores nos 3 primeiros trimestres (-2,7%, -2,4% e -1,5%). Os factores que mais contribuíram para este cenário foram as incertezas externas (volatilidade dos mercados no início do ano e incertezas políticas) e incertezas internas (viabilidade da solução política e problemas na banca portuguesa) que afastaram os investidores. Para além disso, observou-se também uma descida do investimento público para níveis historicamente baixos (até Setembro registou-se uma quebra de 27,6% na formação bruta de capital fixo por parte das administrações públicas).

No mercado laboral, depois de um período entre Junho de 2015 e Março de 2016 em que a taxa de desemprego aumentou de 11,9% para 12,4%, o 2º e 3º trimestres de 2016 mostraram uma tendência de melhoria, com a taxa a descer para os 10,5% entre Julho e Setembro, o valor mais baixo desde o final de 2009, o que permitiu fechar o ano com uma taxa de desemprego de 11,0%.

Indicadores macroeconómicos (2014-2016)

2014 2015 2016

Procura Externa tav 4,6 3,8 2,0

EUR/USD Taxa de Câmbio (%) tav -11,97 -10,22 -3,18

Preço do Petróleo (%) tav -41,0 -27,6 57,0

Produto Interno Bruto tav 0,9 1,6 1,3

Consumo Privado tav 2,1 2,6 2,1

Consumo Público tav -0,7 0,8 1,0

Formação Bruta de Capital Fixo tav 2,3 4,5 -1,7

Exportações tav 3,4 6,1 3,7

Importações tav 6,2 8,2 3,5

Índice Harmonizado de Preços no Consumidor tav 0,7 0,5 0,8

Taxa de Poupança (%) vma 6,9 7,0 5,0

Taxa de Emprego % 50,7 51,3 52,0

Taxa de Desemprego % 13,9 12,4 11,0

Remunerações por Trabalhador (sector privado) tav -1,3 0,0 1,5

Balança Corrente e de Capital (%PIB) tav 2,1 1,7 1,1

Balança de Bens e Serviços (%PIB) tav 1,1 1,8 2,2

Taxa de referência do BCE (média) % 0,16 0,05 0,00

Euribor 3 meses (média) % 0,21 0,00 -0,30

Yield das OT Alemãs 10 anos (média) % 0,54 0,63 0,20

Yield das OT Portuguesas 10 anos (média) % 2,69 2,52 3,76

Fonte: Banco de Portugal (Dezembro 2016), Banco Central Europeu (Dezembro 2016) e Bloomberg (Janeiro 2017) tav: Taxa anual de variação; vma: variação média anual

(15)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 15 Em termos da evolução dos preços, em 2016 verificou-se praticamente uma manutenção do nível registado no ano anterior já que a inflação média para 2016 deverá rondar os 0,8%, ligeiramente acima dos 0,5% registados em 2015.

Em 2016, a dívida pública portuguesa somou 241,1 mil M€, o que representa um aumento de 9,5 mil M€ face a 2015. Para o aumento de 4,1% contribuíram as emissões líquidas de títulos, com destaque para as emissões de Tesouro de rendimento variável (um novo instrumento que permitiu captar cerca de 3,3 mil M€ de aplicações das famílias) e para as emissões de certificados do Tesouro (que aumentaram 3,4 mil M€). Por seu lado, os empréstimos caíram 5,6 mil M€, com o contributo do reembolso antecipado de 4,5 mil M€ concedidos pelo FMI no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira.

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que a dívida pública tenha subido para 130,2% do PIB no conjunto de 2016. Esta estimativa, a confirmar-se, significa um decréscimo face ao valor registado no final do terceiro trimestre de 2016, de 133,4% do PIB, mas significa igualmente um aumento em relação a 2015 e um desvio face ao previsto para o final do ano pelo Ministério das Finanças no âmbito do Orçamento do Estado para 2017 (129,7%). Para este desvio terá contribuído o acréscimo de depósitos da administração central de 13,3 mil M€

no final de 2015 para 17,3 mil M€, quando se encontrava prevista no OE2017 uma estabilização.

A UTAO estima que a dívida pública líquida (i.e. excluindo os depósitos da administração central) poderá atingir 120,8% do PIB no final de 2016, o que representa um decréscimo de 0,8 p.p. face a 2015. A Comissão Europeia, nas previsões económicas de Inverno, estima que

Fonte: Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, Janeiro 2017

(16)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 16 a dívida pública portuguesa, na óptica de Maastricht, tenha subido para 130,5% do PIB em 2016.

A Comissão Europeia, nas previsões económicas de Inverno, estima ainda que o défice orçamental português tenha descido para 2,3% do PIB em 2016, ficando abaixo da meta definida para o fim do processo de sanções (2,5%) mas ainda revelando a fragilidade das finanças públicas nacionais. A arrecadação de receita foi inferior ao orçamentado em 2016, tendo esse efeito sido parcialmente compensado por receitas adicionais (que valeram 0,25%

do PIB, através do Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado) e pela contenção de despesa, estimando-se que, sem as medidas extraordinárias, o défice orçamental português ficaria nos 2,6% do PIB.

C. MERCADO BANCÁRIO NACIONAL

O ano de 2016 e o início de 2017 foram marcados por uma reestruturação significativa dos principais bancos portugueses e, em alguns casos, com mudanças na gestão e nas estruturas de controlo accionista. Em termos sucintos, temos: o plano de recapitalização e a nomeação de uma nova equipa de gestão para a CGD (o banco de capitais públicos); a entrada e reforço de um novo accionista (fundo chinês Fosun) no BCP e o pagamento da última fatia de 700M€

do empréstimo obrigacionista de acções convertíveis (que chegou a totalizar 3.000M€); a oferta pública de aquisição lançada pelo grupo catalão CaixaBank sobre o capital do BPI que lhe permitiu adquirir uma posição de 84,52% (participação que compara com os anteriores 45,5%); o veto do Parlamento às propostas PCP/BE de nacionalização do Novo Banco, a entrada do BES em processo de liquidação e o reforço das negociações entre Banco de Portugal e o Fundo de Resolução e os candidatos à aquisição do Novo Banco (ex. fundo Lone Star) para conclusão deste processo.

Evolução do mercado nacional de depósitos (Dezembro 2011 – Dezembro 2016) Segundo a informação mais recente disponibilizada pelo Banco de Portugal referente a Dezembro de 2016, o volume de depósitos aumentou 2,3% em Dezembro de 2016 face ao período homólogo de 2015. Para essa evolução contribuíram o acentuado crescimento dos depósitos de empresas em 8,4% (+8,2 p.p. que em 2015) e um ligeiro crescimento nos depósitos de particulares em 1,0% (-2,8 p.p. que em 2015).

(17)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 17 Evolução do mercado nacional de crédito (Dezembro 2011 – Dezembro 2016) Ao invés, o crédito bruto total concedido a clientes registou um decréscimo de 3,2% em Dezembro de 2016 face ao registado no final de 2015. A quebra mais significativa verificou-se no crédito a empresas (-5,5%), mas também foi assinalada uma redução no crédito a particulares (-1,6%), ambos face a Dezembro de 2015.

(18)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 18 De acordo com a informação divulgada pelo Banco de Portugal, entre Dez.2015 e Dez.2016, o crédito total reduziu 3,2% com uma quebra percentual mais expressiva (de dois dígitos) no segmento das empresas nas regiões autónomas e nos distritos de Viana do Castelo, Setúbal e Portalegre. Em Lisboa, o crédito a empresas caiu 2,6 mil milhões de euros, o que explica mais de 55% da quebra registada no país.

Analisando detalhadamente o crédito a particulares, verifica-se que o decréscimo deveu-se essencialmente à diminuição do crédito à habitação (-3,0% em Dezembro de 2016 face ao período homólogo de 2015) que representa 80,8% do total do crédito a particulares.

Relativamente ao crédito vencido de clientes particulares, esse situou-se nos 3,9%, agravado, principalmente, pelo crédito a outros fins que, ainda assim, tem vindo a perder peso no agregado de crédito.

No caso do crédito a empresas, o decréscimo de 5,5% deveu-se principalmente à redução do crédito a empresas do sector da construção, actividades imobiliárias e água e saneamento.

Valores em milhares de euros

Evolução do crédito total por região - Dez.2016

Particulares Empresas Total Particulares Empresas Total

Aveiro 5.598 2.834 8.432 4,3% -3,9% -5,1% -4,3%

Beja 1.290 442 1.732 0,9% -2,5% -0,7% -2,0%

Braga 6.293 3.467 9.760 5,0% -2,8% -8,9% -5,1%

Bragança 903 264 1.167 0,6% -2,3% 10,9% 0,4%

Castelo Branco 1.437 404 1.841 0,9% -3,7% -1,5% -3,2%

Coimbra 3.833 1.291 5.124 2,6% -3,6% 1,2% -2,4%

Évora 1.676 897 2.573 1,3% -4,1% 26,7% 4,8%

Faro 4.661 1.747 6.408 3,3% -6,9% 1,5% -4,7%

Guarda 879 272 1.151 0,6% -2,9% -5,2% -3,4%

Leiria 4.121 2.489 6.610 3,4% -4,4% -1,5% -3,3%

Lisboa 44.162 43.090 87.252 44,9% 1,7% -5,8% -2,1%

Portalegre 869 276 1.145 0,6% -3,8% -16,1% -7,1%

Porto 17.168 12.246 29.414 15,1% -3,0% -4,1% -3,4%

Santarém 4.024 1.507 5.531 2,8% -3,7% -0,4% -2,8%

Setúbal 9.337 1.769 11.106 5,7% -2,9% -15,2% -5,1%

Viana do Castelo 1.641 488 2.129 1,1% -3,3% -24,2% -9,1%

Vila Real 1.337 346 1.683 0,9% -2,5% 4,2% -1,2%

Viseu 2.531 1.084 3.615 1,9% -1,7% 6,3% 0,5%

Reg. Autónoma Açores 2.607 796 3.403 1,8% -4,4% -31,4% -12,5%

Reg. Autónoma Madeira 2.931 1.328 4.259 2,2% -3,8% -14,4% -7,4%

Total 117.296 77.037 194.335 100% -1,6% -5,5% -3,2%

Fonte: Banco de Portugal

Crédito Peso total

%

Var. Homóloga

(19)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 19 Apenas nos sectores da agricultura e pescas, alojamento e restauração, saúde e apoio social e indústrias extractivas foi possível verificar um aumento do crédito concedido (5,0%, 2,7%, 1,4% e 0,8%, respectivamente).

Relativamente ao crédito vencido a empresas, este situou-se nos 15,7%, sendo que os sectores com maior incumprimento continuam a ser o da construção, do comércio, das actividades imobiliárias e das indústrias extractivas, que mantêm elevada representatividade no total do crédito a empresas.

D. ANÁLISE COMPETITIVA DO SECTOR BANCÁRIO

Desempenho comparativo do Crédito Agrícola com referência a Junho 2016

Olhando à última data de referência disponível para a presente analise, 30 de Junho de 2016, há a referir que o Crédito Agrícola, a par com o Santander, neste caso por via da aquisição do Banif, apresentou uma evolução favorável relativamente aos restantes principais concorrentes,

Actividade económica Var. Homóloga Total Crédito Peso % % Crédito Vencido

Agricultura e Pescas 5,0% 2.294 3,0% 5,9%

Indústrias Extractivas 0,8% 256 0,3% 10,5%

Indústrias Transformadoras -0,3% 12.844 16,7% 10,1%

Energia -8,1% 2.313 3,0% 0,7%

Água e Saneamento -12,3% 1.358 1,8% 2,0%

Construção -11,8% 11.343 14,7% 35,8%

Comércio -0,9% 12.127 15,7% 14,6%

Transporte e Armazenagem -5,3% 6.837 8,9% 7,5%

Alojamento e Restauração 2,7% 4.567 5,9% 10,4%

Actividades Imobiliárias -15,2% 9.508 12,3% 25,6%

Saúde e Apoio Social 1,4% 1.291 1,7% 4,7%

Outros -4,7% 12.298 16,0% 10,4%

Total -5,5% 77.037 100% 15,7%

Fonte: Banco de Portugal

Valores em milhões de euros

Evolução do mercado de crédito a empresas por CAE - Dez.2016 Evolução do mercado de crédito a particulares por tipologia - Dez.2016

Tipologia Volume de crédito (M€) Var. Homóloga Peso total % Crédito vencido %

Habitação 94.780 -3,0% 80,8% 2,5%

Consumo 13.725 12,7% 11,7% 6,2%

Outros fins 8.792 -5,8% 7,5% 15,4%

Total 117.297 -1,6% 100% 3,9%

Fonte: Banco de Portugal

(20)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 20 tendo registado um crescimento no crédito bruto total de 4,1% em Junho de 2016 face ao período homólogo.

No que se refere aos recursos de clientes, estes cresceram 6,5% no Crédito Agrícola, registando o segundo maior crescimento do mercado, tendo sido apenas ultrapassado pelo Santander, uma vez mais devido à aquisição do Banif. É ainda de referir o crescimento anémico dos recursos de clientes verificado no BPI, e a redução líquida de depósitos no BCP, Novo Banco e Montepio.

Fonte: Informação disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. Nos casos do Montepio, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco, os valores são consolidados e nos casos do BCP, BPI e Santander referem-se à actividade em Portugal.

O BPI e o Santander, foram os únicos bancos que registaram um aumento no crédito a empresas e no crédito a particulares. O Crédito Agrícola, por sua vez, aumentou apenas o crédito a empresas e não registou qualquer evolução no crédito a particulares, enquanto os restantes concorrentes (CGD, Novo Banco e BCP) registaram uma variação negativa em ambos os segmentos.

Relativamente ao crédito a empresas, este cresceu 7,6% face ao período homólogo no Crédito Agrícola, tendo apenas sido superado pelo BPI (11,5%) e pelo Santander (38,6%).

(21)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 21 Fonte: Informação disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. Nos casos do Montepio, Caixa Geral de Depósitos e Novo

Banco, os valores são consolidados e nos casos do BCP, BPI e Santander referem-se à ctividade em Portugal.

Analisando o crédito concedido por distrito, verifica-se que, no primeiro semestre de 2016, todos os distritos viram o crédito reduzir face a Dezembro de 2015, tendo o Porto apresentado a maior queda (-2,9%). O distrito de Lisboa, que representa 45% do crédito nacional, observou um ligeiro decréscimo de 0,4%.

Evolução do crédito nacional vs SICAM por distrito a Junho 2016 (em mil milhões €)

Fonte: PIN Mercado

O Crédito Agrícola apresentou um desempenho acima do mercado, registando apenas uma redução na evolução do crédito concedido no distrito de Lisboa. Os distritos com maior crescimento incluem Viseu, Porto, Braga e Santarém, com taxas de crescimento superiores a 3,0%.

Crédito Bruto a Particulares

0,0%

-3,6%

1,3%

16,9%

-3,5%

-2,9%

0,0%

Montepio BCP BPI Santander Novo Banco CGD SICAM

Crédito Bruto a Empresas

0,0%

-6,4%

11,5%

38,6%

-14,8%

-0,9%

7,6%

Montepio BCP BPI Santander Novo Banco CGD SICAM

n.d. n.d.

Variações homólogas

3,5%

3,5%

13,6%

4,5%

7,9%

8,3%

7,7%

9,9%

4,2%

1,7%

QM Total de crédito=4,3%

25,3%

12,9%

15,3%

10,6%

16,7%

25,6%

12,9%

10,5%

Distrito Jun-16 % Total Jun-16 % Total QM%

Lisboa -0,4% 88,9 45% -0,7% 1,5 17% 1,7%

Porto -2,9% 29,6 15% 3,7% 1,0 12% 3,5%

Setúbal -2,7% 11,4 6% 1,8% 0,5 6% 4,2%

Braga -0,9% 10,2 5% 3,6% 0,4 4% 3,5%

Aveiro -1,2% 8,7 4% 1,7% 0,4 5% 4,5%

Leiria -1,1% 6,8 3% 1,5% 0,6 7% 8,3%

Faro -2,1% 6,6 3% 2,1% 0,7 8% 9,9%

Santarém -1,0% 5,6 3% 3,4% 0,4 5% 7,7%

Coimbra -0,4% 5,2 3% 1,6% 0,4 5% 7,9%

Viseu -0,1% 3,6 2% 4,1% 0,5 6% 13,6%

Outros -2,8% 21,6 11% 2,2% 2,3 27% 10,6%

Total -1,3% 198,1 100% 2,0% 8,6 100% 4,3%

Mercado nacional SICAM

Dez.15/Jun-16 Dez.15/Jun-16

(22)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 22 Com referência aos dados de Junho de 2016, o rácio de crédito vencido a empresas tem vindo a seguir uma trajectória ascendente no mercado desde Dezembro de 2015, efeito não reflectido no comportamento da carteira do Crédito Agrícola (9,3% em Junho 2016 versus 9,4% em Dezembro de 2015 versus 10,1% em Junho 2015).

Em contrapartida, o crédito vencido a particulares no mercado sofreu uma ligeira redução face ao período

homólogo,

situando-se nos 6,0% em Junho de 2016 face aos 6,8% em Junho

de 2015. No Crédito Agrícola o rácio de crédito vencido de particulares acompanhou essa tendência de quebra (6,0% em Junho 2016 versus 6,1% em Dezembro de 2015 versus 6,8%

em Junho 2015).

O aumento do crédito vencido de empresas é particularmente notório na região de Lisboa – com um aumento de 16,9% em Dezembro de 2015 para 18,4% em Junho de 2016 – embora seja na região do Algarve que se verifica o rácio de crédito vencido mais alto (29,4%). Nos últimos 4 anos, o rácio total de crédito vencido de empresas quase triplicou, passando de 5,6% (Junho de 2011) para 16,5% (Junho de 2016).

O arquipélago dos Açores constitui a região onde o aumento do crédito vencido a empresas tem sido menos acentuado e com menor expressão, cifrando-se em 9,2% em Junho de 2016.

2016

Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun

Norte 5,7 6,9 8,9 9,8 11,2 11,6 12,8 13,0 13,5 13,9 13,9

Centro 5,9 7,3 8,9 9,4 11,5 11,7 12,1 12,2 12,5 12,6 13,3

Lisboa 5,1 6,4 9,1 10,6 12,7 14,3 15,3 16,4 18,0 16,9 18,4

Alentejo 5,9 6,9 8,3 8,7 10,4 11,1 11,9 13,2 16,4 15,9 16,4

Algarve 7,4 11,6 18,9 18,6 24,5 25,3 25,4 25,6 27,5 30,3 29,4

Açores 5,6 6,3 8,2 8,3 9,1 8,5 8,7 8,1 8,8 8,2 9,2

Total 5,6 7,0 9,6 10,6 12,6 13,4 14,4 15,0 16,0 15,8 16,5

Fonte: Banco de Portugal, Boletim Estatístico (dados a Agosto 2016) Regiões

2011 2012 2013 2014 2015

RÁCIO DE CRÉDITO VENCIDO DE EMPRESAS (%) POR REGIÃO Fontes: Portal de informação de negócio

Rácio de Crédito Vencido - Empresas vs Particulares

15,5% 15,9% 16,3% 16,3% 16,4% 16,3%

15,4% 15,5% 15,9%16,0% 16,2% 16,2% 16,2%

10,1% 9,8% 9,9% 10,1% 10,1% 10,2% 9,4% 9,6% 9,6% 9,6% 9,5% 9,4% 9,3%

4,4% 4,4% 4,4% 4,4% 4,4% 4,4% 4,2% 4,3% 4,3% 4,3% 4,3% 4,3% 4,3%

6,8% 6,7% 6,7% 6,5% 6,6% 6,5% 6,1% 6,1% 6,2% 6,1% 6,1% 6,0% 6,0%

jun-15 jul-15 ago-15 set-15 out-15 nov-15 dez-15 jan-16 fev-16 mar-16 abr-16 mai-16 jun-16 Banca-Particulares Banca-Empresas CA-Particulares CA-Empresas

(23)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 23 Desde o fim de 2015 até Junho de 2016, observou-se no mercado uma ligeira redução da taxa de juro média de novos empréstimos a empresas. No segmento de particulares, tanto o mercado como o Crédito Agrícola têm vindo a reduzir as taxas de juro médias de novas operações de crédito à habitação e de crédito ao consumo e outros fins.

Analisando os principais indicadores dos 7 maiores bancos em Portugal é possível aferir que:

 Os principais bancos a operar em Portugal apresentaram um crescimento da margem financeira devido essencialmente à redução do custo de funding quer de depósitos de clientes quer de outras fontes de financiamento. O Santander destaca-se com um crescimento de 30,9% face ao mesmo período do ano anterior, essencialmente explicado pela aquisição do Banif;

 Em termos de eficiência destacam-se o BCP, o Crédito Agrícola e o Santander, com níveis de cost-to–income inferiores a 65%;

 Em relação à rentabilidade no mercado interno, o Montepio, o Novo Banco, o BCP e a CGD apresentaram resultados líquidos negativos, contrastando com Crédito Agrícola (SICAM), Santander e BPI que apresentaram resultados positivos;

 No que concerne à qualidade do crédito, o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias no Novo Banco perfaz 15,7%. Em contraposição, o BPI e o Santander apresentam os mais baixos indicadores do mercado (3,6% e 4,2%, respectivamente);

 O Crédito Agrícola e o Santander apresentam a maior cobertura de crédito vencido há mais de 90 dias por provisões, tendo registado um rácio de 128,9% e 150,7%, respectivamente. Entre os 7 bancos, o rácio de cobertura mais baixo é o do BCP com 89,3%;

Indicadores Jun.2016 SICAM CGD Novo Banco Santander BPI BCP Montepio

Total de crédito bruto 8.594 70.674 34.614 34.011 21.804 40.719 15.599

Variação homóloga Margem Financeira 16,7% 2,8% 22,0% 30,9% 17,7% 8,8% 1,0%

Variação homóloga Produto Bancário -13,1% -34,6% 3,5% 36,7% 4,0% -32,5% -31,9%

Cost-to-income 64,1% 82,5% 68,0% 46,6% 74,3% 47,8% 100,9%

Resultado líquido Portugal 22,9 n.d. n.d. 192,8 24,5 -305,1 -68,0

Resultado líquido Total 22,9 -205,0 -362,6 192,8 105,9 -197,3 -68,0

Rácio de crédito em Risco 11,3% 12,2% 23,9% 6,9% 4,7% n.d. 15,4%

Rácio de crédito vencido >90 dias 7,6% 7,4% 15,7% 4,2% 3,6% 9,2% 9,2%

Rácio de cobertura >90 dias 128,9% 99,1% 104,3% 150,7% 109,0% 89,3% 120,5%

Rácio de transformação 67,9% 90,1% 114,0% 112,0% 105,2% 108,2% 113,4%

CET 1 12,8% 10,0% 12,0% 16,6% 11,1% 12,3% 10,3%

Nº de agências em Portugal 675 663 576 734 469 646 332

Fonte: Informação disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. No caso do Montepio, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco, os valores são consolidados.

(24)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 24

 O Crédito Agrícola destaca-se uma vez mais por apresentar o menor rácio de transformação do sistema bancário nacional, o que comporta uma pressão na margem financeira. Todos os bancos apresentaram a Junho de 2016 um rácio de transformação inferior aos 120% recomendados pelo regulador.

 Os sete maiores bancos do sistema bancário nacional respeitam o Aviso 6/2013 do BdP que estabelece a obrigatoriedade das entidades assegurarem a manutenção, em permanência, de um rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) não inferior a 7,0%, sendo certo que todos apresentam rácios iguais ou superiores a 10% ainda que nalguns casos com instrumentos de capitalização do Estado (e.g. BCP, CGD); e

 Em Junho de 2016, o Santander apresenta a rede mais capilar com 734 agências (influenciado pela aquisição da rede de retalho do Banif), seguida do Crédito Agrícola com 675 agências e da CGD com 663 agências.

E. MERCADOS FINANCEIROS Mercados accionistas

No final do primeiro trimestre de 2016, o sentimento global de aversão ao risco perdeu força.

O BCE reforçou a sua política monetária acomodatícia. A China apresentou uma nova série de medidas de estímulos e controlo do valor da sua moeda. Os EUA divulgaram dados económicos prometedores e a Reserva Federal Americana indicou que iria adiar uma subida das taxas de juro. Ainda assim, excluindo os índices americanos e britânicos, a quase totalidade dos principais índices accionistas

registou perdas superiores a 10%, particularmente relevantes nos mercados asiáticos. Com desvalorizações desta magnitude, este acabou por ser o pior arranque de ano para as bolsas desde 2008.

A finalizar a primeira metade do ano, o resultado do referendo realizado no Reino Unido retirou um valor recorde de $3 biliões dos mercados globais em apenas dois dias, levando a uma queda abrupta dos índices accionistas. Em contraposição, as perspectivas de políticas mais expansionistas nos EUA com a vitória de Trump nas eleições americanas, a recuperação dos

0,62 0,95 1,28 1,78 1,66 1,87

0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 2,00

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

Índices Accionistas (base 2010)

PSI 20 IBEX 35 CAC 40 SP 500 DAX NIKKEI

(25)

CA Silves – Relatório e Contas 2016 25 preços do petróleo e uma actividade económica resiliente levaram os índices americanos a atingirem novos máximos históricos no final de 2016, com o Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq a registarem valorizações anuais de 15%, 12% e 9%, respectivamente.

Os factores que foram afectando a Europa ao longo do ano, combinados com os dados económicos pouco surpreendentes, embora positivos, levaram as bolsas da Europa a terem um desempenho mais contido. Em termos anuais o Stoxx 600 registou uma perda de 1,2%, mas o DAX alemão teve uma evolução bastante positiva (+6,87%). Os países da periferia foram os mais vulneráveis aos desenvolvimentos na Europa, com o PSI 20 e o índice de referência italiano a registarem perdas de 11,9% e 10,2%, respectivamente. Em Espanha a descida não foi tão acentuada (-2%).

Mercados monetários - Taxas de câmbio e taxas de juro de referência

Em 2016, foram registadas quedas do euro (EUR) face ao dólar (USD), pelo terceiro ano consecutivo, algo que não acontecia desde finais de 2001. Num período marcado pela disparidade entre as políticas

monetárias do BCE e da FED, o Euro recuou 2,9% para os 1,0539 USD no final do ano, tendo chegado a negociar em mínimos de Dezembro de 2002.

O resultado do Brexit afectou significativamente a libra esterlina,

tendo esta tido um dos piores desempenhos em 2016, tendo-se fixado a cotação nos 1,2340 USD. Num contexto de elevada incerteza, o Iene continuou a representar o seu papel de moeda refúgio e, em 2016, o USD perdeu terreno face ao Iene, caindo 2,97% e com cada USD a valer 116,96 Ienes no final do ano.

Não obstante a desvalorização face ao Iene, o USD, em relação ao índice de referência das principais moedas mundiais (DXY), ultrapassou os 103 pontos em Dezembro, valor que não era registado desde final de 2002 (dando a 2016 a denominação de “o ano da nota verde”).

No que se refere ao mercado monetário na Zona Euro, verificou-se ao longo de todo o ano a progressiva descida das taxas Euribor. No final do ano, a taxa Euribor a um mês estava a - 0,368% e a Euribor a 1 ano apresentava o valor de -0,082%. Nos EUA, as taxas LIBOR do

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2017

Referências

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