Guilherme Freire de Melo Barros
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EMPRESARIAL
Teoria da empresa
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TEORIA DA EMPRESA
• Adota um critério subjetivo, tendo por base a figura do empresário para delimitar o direito comercial moderno
Artigo 966: Considera‐se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
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• Profissional intelectual
Não está sujeito ao direito empresarial
Pode contratar auxiliares (ex.: secretária, estagiário)
• Exceção: a profissão como elemento de empresa
A individualidade se perde frente à organização
Perde‐se a pessoalidade do atendimento; a busca pelo serviço está ligada não ao profissional, mas sim à entidade
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• Quanto à atividade econômica empreendida
Sociedades simples
Sociedades empresárias
Ex.: Consultório médico X clínica
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• Empresa X empresário X sociedade X estabelecimento
Empresa é a atividade desenvolvida. É o objeto.
Empresário é o sujeito de direitos. É quem exerce a atividade.
A atividade empresária pode ser exercida por uma única pessoa física (empresário individual) ou por um conjunto de pessoas reunidas em uma sociedade
Estabelecimento empresarial é o local onde as atividades são exercidas
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Direito empresarial
Professor: Guilherme Freire de Melo Barros
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Apresentação
❖ GUILHERME FREIRE DE MELO BARROS
Graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
Pós-graduado em Direito Processual Civil pelo Instituto Romeu Bacellar
LLM em Contratos Internacionais e Resolução de Disputas pela Universidade de Turim/Itália
Mestre em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR Pesquisador visitante do Instituto Suíço de Direito Comparado Ex-Defensor Público do Estado do Espírito Santo
Procurador do Estado do Paraná Professor da PUC-PR
❖ LIVROS COMPLETOS PUBLICADOS
1. Estatuto da Criança e do Adolescente – Coleção Leis Especiais para Concursos 10ª edição – Ed. Juspodivm – 2017
2. Direito da Criança e do Adolescente – Coleção Sinopses para Concursos 5ª edição – Ed. Juspodivm – 2017
3. Poder Público em Juízo para Concursos 7ª edição – Ed. Juspodivm - 2017
❖ CAPÍTULOS DE OBRAS COLETIVAS
1. Direito da criança e do adolescente. In: Coleção OAB, v. 12 – Direitos Difusos (Consumidor, Ambiental e ECA)
2ª edição – Ed. Juspodivm – 2014
2. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. In: Revisaço: Defensoria Pública Estadual 2ª edição – Ed. Juspodivm – 2014
3. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. In: Revisaço: Defensoria Pública da União Ed. Juspodivm - 2014
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PROFESSOR GUILHERME FREIRE DE MELO BARROS DIREITO EMPRESARIAL – OAB
TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL
1. TEORIA DA EMPRESA
LIÇÕES PRELIMINARES
Transição: dos atos de comércio ao conceito de empresário
❖ O direito comercial brasileiro adotava o conceito de atos de comércio, que identificava a aplicação do direito comercial a partir dos atos praticados pela pessoa (ex.: operações de câmbio, banco e corretagem). Origem: França
❖ O Código Civil de 2002 unificou a matéria civil e comercial em um único diploma legal. Livro II: Direito de empresa
❖ Mudança de paradigma: teoria da empresa, de origem italiana.
CÓDIGO COMERCIAL (1850) CÓDIGO CIVIL (2002)
❖ Atividade econômica principal:
comércio
❖ Sociedade comercial: conceito limitado (atos de comércio)
❖ Sociedade civil: tudo não-comercial (prestação de serviços, venda de imóveis, produção agrícola)
❖ Sociedade civil X sociedade comercial:
regimes distintos
❖ Unificação parcial do direito privado
❖ Inexistência da sociedade civil
❖ Teoria da empresa: conceito amplo
❖ Sociedade empresária X sociedade simples
Teoria da empresa
❖ Adota um critério subjetivo, tendo por base a figura do empresário para delimitar o direito comercial moderno
Artigo 966: Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
Profissional intelectual
❖ Não está sujeito ao direito comercial
❖ Pode contratar auxiliares (ex.: secretária, estagiário)
Exceção: a profissão como elemento de empresa
❖ A individualidade se perde frente à organização
❖ Perde-se a pessoalidade do atendimento; a busca pelo serviço está ligada não ao profissional, mas sim à entidade
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Classificação quanto à atividade econômica empreendida
❖ Sociedades simples X sociedades empresárias
Exemplo: Consultório médico X clínica
Empresa X empresário X sociedade X estabelecimento
❖ Empresa é a atividade desenvolvida. É o objeto.
❖ Empresário é o sujeito de direitos. É quem exerce a atividade.
❖ A atividade empresária pode ser exercida por uma única pessoa física (empresário individual) ou por um conjunto de pessoas reunidas em uma sociedade
❖ Estabelecimento empresarial é o local onde as atividades são exercidas
2. EMPRESÁRIO
Capacidade
❖ Deve estar em pleno gozo da capacidade civil e não ser legalmente impedido
❖ Exemplos de impedimento legal: servidor público; magistrados, MP, militares
❖ Se não estiver em pleno gozo e exercer a atividade, responde pelas obrigações contraídas
❖ Obs.: a vedação é para ser empresário individual, não sócio
Incapacidade – empresário individual
❖ O incapaz pode continuar a empresa antes exercida enquanto capaz ou recebida por herança.
❖ Deve ser representado ou assistido e depende de autorização judicial
❖ Os bens que já possuía estranhos ao acervo não são alcançados por eventuais obrigações decorrentes da empresa
Incapacidade – sócio
❖ Não pode exercer a administração
❖ O capital social deve estar totalmente integralizado
Sócios casados (arts. 977 e 978)
❖ Os cônjuges podem contratar sociedade desde que não tenham adotado o regime da comunhão universal de bens ou o da separação obrigatória
❖ O empresário casado pode alienar imóveis integrantes do patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real, sem necessidade de outorga conjugal e independentemente do regime
EIRELI – Empresa individual de responsabilidade limitada Conceito e características
❖ Previsão: artigo 980-A do Cód. Civil
❖ O capital social já deve estar totalmente integralizado e o montante mínimo é de 100 salários-mínimos
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❖ Nome empresarial: firma ou denominação seguido de EIRELI
❖ A pessoa física só pode constituir uma EIRELI
❖ Pode decorrer de uma sociedade pluripessoal em que ocorreu a concentração das quotas em um único sócio (ex.: falecimento do sócio)
❖ A EIRELI pode ser constituída para prestação de serviços decorrentes de direito patrimoniais de autor, imagem, nome, marca ou voz, vinculados a atividades profissionais de seu titular.
❖ Aplicação subsidiária das regras da soc. limitada
3. REGISTRO REGISTRO (ARTS. 967 E 998)
Lições preliminares
❖ A aquisição da personalidade jurídica decorre da inscrição dos atos constitutivos no registro próprio (art. 985)
❖ Resultado prático: separação do patrimônio dos sócios em relação ao patrimônio da sociedade
❖ A sociedade passa a ser titular do patrimônio; os sócios passam a deter o direito de participar dos lucros sociais
❖ Dívidas e créditos de sócios e sociedade não se confundem
❖ Sociedades simples: Registro Civil de Pessoas Jurídicas
❖ Sociedades empresárias: Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial)
Empresário rural
❖ Pode optar entre a caracterização de sua atividade como simples ou empresária (art. 971)
Cooperativa
❖ Sempre simples, independentemente de sua atividade (art. 982, p.ú.)
Sociedade por ações
❖ Sempre empresária (art. 982, p.ú.)
Consequências da falta de registro
❖ É o que se chama sociedade em comum (arts. 986 a 990)
❖ Leva à responsabilidade ilimitada dos sócios pelas obrigações da sociedade
❖ Não pode pedir falência, nem recuperação judicial
4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Conceito e características
❖ Afastamento da personalidade jurídica da sociedade para imputação de responsabilidade aos sócios e seu patrimônio pessoal
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❖ Coibir abusos na utilização temerária e fraudulenta das sociedades por seus sócios
❖ É hipótese excepcional, a ser aplicada com parcimônia
Previsões no ordenamento jurídico CDC, art. 28, caput e § 5º
❖ Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
Código Civil, art. 50
❖ Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
5. NOME EMPRESARIAL
Conceito e características – arts. 1.155 a 1.168
❖ É a identificação do sujeito que exerce a atividade empresária
❖ Não pode ser objeto de alienação
❖ Espécies: firma e denominação – distinção quanto a estrutura e função
❖ Firma: tem por base o nome civil do empresário ou dos sócios (ex.: ‘Pereira e Cia Ltda.’). O administrador assina o nome da firma. O nome do sócio não pode ser mantido em caso de falecimento, exclusão ou retirada
❖ Denominação: deve designar a atividade, o objeto da empresa e pode conter também o nome civil (ex.: ‘Construtora Pôr do Sol Ltda.’). O adm. assina seu próprio nome, não a denominação.
❖ Empresário individual: só pode usar firma; pode abreviar (ex.: A. S. Pereira) e acrescentar designação mais precisa ou gênero de atividade
❖ Cooperativa: denominação integrada pelo termo cooperativa
❖ Sociedade em conta de participação: não possui firma, nem denominação
❖ Sociedade em nome coletivo: firma
❖ Sociedade em comandita por ações: firma ou denominação designativa do objeto, com a expressão ‘comandita por ações’
❖ Sociedade limitada: pode optar por firma ou denominação, com a inclusão ao final da expressão ‘limitada’ ou Ltda. (ex.: Pereira e Cia Ltda.; Alvorada Comércio de Livros Ltda.). A omissão do ‘Ltda.’ determina a responsabilidade ilimitada dos administradores.
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❖ Sociedade anônima: só pode usar denominação, acompanhado de ‘sociedade anônima’ ou ‘companhia’ ou abreviação (Ex: Petróleo Brasileiro S/A). Pode constar o nome do fundador ou acionista ou pessoa que haja concorrido para sua formação
6. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL
Conceito e caraterísticas
❖ É o conjunto de bens que o empresário reúne para exploração de sua atividade econômica (art. 1.142).
❖ Natureza jurídica: universalidade de fato
❖ Inclui não só o imóvel, mas também estoque, equipamentos, marcas etc.
❖ Título do estabelecimento não significa nome empresarial
❖ O valor do estabelecimento não é alcançado pela simples soma dos bens materiais e imateriais, pois a forma como estão organizadas gera um valor agregado superior, o aviamento ou fundo de empresa
Alienação do estabelecimento – trespasse
❖ O estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com sua natureza
❖ Só produz efeitos quanto a terceiros depois de averbado na Junta Comercial
❖ Se não restarem bens suficientes, a alienação depende do pagamento de todos os credores ou de seu consentimento, expresso ou tácito, em 30 dias a contar de sua notificação
❖ A alienação irregular pode caracterizar ato de falência
Alienação do estabelecimento – sucessão empresarial
❖ O adquirente responde pelos débitos anteriores à transferência, desde que contabilizados; o devedor primitivo responde solidariamente pelo prazo de 1 ano, a contar:
o Vencidos: da data da publicação o Vincendos: da data do vencimento.
❖ Esse regramento é para dívidas civis e empresariais. Para dívidas tributárias (CTN, art. 133) e trabalhistas (CLT, art. 448), há regras próprias. Não depende de
contabilização.
❖ Cessão dos créditos: produz efeitos frente aos devedores desde a publicação da transferência, mas o devedor fica exonerado se pagar de boa-fé ao credor primitivo.
❖ Dever de não concorrência: o alienante não pode fazer concorrência ao adquirente por 5 anos, salvo previsão contratual em contrário.
❖ Sub-rogação: a alienação importa transferência para o adquirente dos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, salvo os de caráter pessoal.
❖ Terceiros podem rescindir o contrato em 90 dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, hipótese em que o alienante será responsável pela rescisão.
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7. LOCAÇÃO EMPRESARIAL
Lições preliminares
❖ Proteção ao ponto de negócio do empresário
❖ Possibilidade renovação compulsória do contrato de aluguel
❖ Direito de inerência ao ponto: prerrogativa de permanecer no ponto mesmo quando o locador não pretende renovar
❖ Disciplina: Lei n. 8.245/1991, seção III – locação não residencial, artigo 51 a 57
Requisitos para renovação compulsória
Requisitos cumulativos (art. 51)
I. o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado;
II. o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos;
III. o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos.
Prazo para propositura da ação (art. 51, § 5º)
❖ Redação legal: “Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor.”
❖ Primeiros 6 meses do último ano do contrato de locação
Defesa do locador – exceção de retomada
Hipóteses em que o locador não é obrigado a renovar (art. 52)
I. Necessidade de realização de obras significativas impostas pelo Poder Público ou que gerem aumento do valor do negócio ou do bem
II. O imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente
o O ramo de atividade não pode ser o mesmo do locatário o Não é aplicável a shopping center
❖ O locatário tem direito a indenização pelos prejuízos e lucros cessantes em razão da mudança, perda do lugar e desvalorização do seu fundo de comércio se:
o A renovação não ocorrer por proposta melhor de terceiro
o O locador não iniciar reformas, nem der a destinação alegada, no prazo de 3 meses
8. ESCRITURAÇÃO
❖ A atividade empresarial está sujeita a manter escrituração de seus negócios
❖ As funções da escrituração são: gerencial, documental e fiscal
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❖ O Cód. Civil exige que a sociedade empresária possua o Diário (art. 1.180), que pode ser substituído por fichas mecanizadas ou eletrônicas.
❖ Desde 2006, o DNRC autoriza a escrituração em meio puramente eletrônico (livro digital).
❖ O pequeno empresário fica dispensado do dever de escrituração (art. 1.179, § 2º)
❖ Devem constar do Diário, de forma individualizada, todas as operações relativas ao exercício da empresa (art. 1.184)
❖ O balanço patrimonial deve indicar com clareza e fidelidade o ativo e o passivo da sociedade empresária (art. 1.188)
❖ A sociedade limitada deve possuir livro de atas da assembleia (art. 1.075, § 1º); de atas e pareceres do Conselho Fiscal, se possuir (art. 1.069, II); de atas da administração para termo de posse de administrador não nomeado por contrato social (art. 1.062).
❖ Em regra, a escrituração é sigilosa (art. 1.190), mas sua exibição pode ser exigida por autoridade judicial para resolver questões de sucessão, sociedade, administração, gestão(art. 1.191) ou fazendária (art. 1.193).
Força probatória (art. 226)
❖ A favor do empresário e da sociedade: se estiverem corretamente escriturados, sem vício extrínseco ou intrínseco, e forem corroborados por outros subsídios
❖ Contra o empresário e a sociedade: em qualquer situação.
❖ Obs.: A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos
9. PREPOSTOS E AUXILIARES
Características (arts. 1.169 a 1.178)
❖ O empresário (individual ou sociedade) conta com pessoas que lhe auxiliam a realizar a empresa
❖ O empresário tem no preposto alguém a quem delega poderes de representação
❖ De modo específico, o Cód. Civil trata do gerente e do contabilista
❖ O preposto não pode:
o Transferir a outrem essa função sem autorização escrita, sob pena de responsabilidade pessoal pelos atos do substituto e pelas obrigações contraídas
o Negociar por conta próprio ou de terceiro, nem participar de operação do mesmo gênero, sob pena de responder por perdas e danos (vedação à concorrência)
❖ Gerente é o preposto permanente que exerce suas funções na sede, em sucursal, filial ou agência
❖ Podem ser apontados mais gerentes; atuação solidária, salvo estipulação diversa
❖ É autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício de sua função, salvo exigência legal específica
❖ Limitações aos poderes concedidos valem perante terceiros desde que arquivado o instrumento na Junta Comercial, salvo prova de que a pessoa sabia da limitação
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❖ Contabilista é o responsável pela escrituração de livros da sociedade empresária.
A escrituração feita pelo contabilista, salvo má-fé, é válida como se fora feita pelo próprio empresário
❖ Responsabilidade do preposto:
o Perante o preponente: pelos atos culposos
o Perante terceiros: pelos atos dolosos, solidariamente como preponente. Ex.:
caixa 2
❖ O empresário é responsável por qualquer ato de prepostos praticado no estabelecimento e relativo à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito
❖ Quanto a atos praticados fora do estabelecimento, o empresário se obriga nos limites dos poderes conferidos por escrito
DIREITO SOCIETÁRIO
10. CLASSIFICAÇÃO
Sociedade simples x sociedade empresária (art. 982)
❖ O que define a natureza empresarial é o objeto social
❖ Se explorado nos termos do art. 966 (profissionalismo, organização de fatores de produção, intelectualidade como elemento de empresa), a sociedade é empresária
❖ Ausente esse caráter, a sociedade é simples
❖ Exceções: cooperativa sempre simples; sociedade por ações sempre empresária
Tipos societários da sociedade empresária (art. 983) I. Em nome coletivo (arts. 1.039 a 1.044) II. Em comandita simples (arts. 1.045 a 1.051) III. Limitada (arts. 1.052 a 1.087)
IV. Sociedade anônima (arts. 10.88 e 1.089; Lei n. 6.404/1976) V. Em comandita por ações (arts. 1.090 a 1.092)
*EIRELI: não é considerada sociedade, mas sim um novo tipo jurídico
Tipos societários da sociedade simples
❖ Algum dos tipos societários das sociedades empresárias: em nome coletivo, em comandita simples, limitada
ou
❖ Tipo societário simples (arts. 997 a 1.038)
❖ A expressão ‘sociedade simples’ designa também um conjunto de regras de um tipo societário
❖ Regras gerais em matéria de direito societário
❖ Serve de aplicação supletiva a outros tipos societários
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Quanto à personalidade jurídica 1. Sociedades não-personificadas
a) Em comum (arts. 986 a 990)
b) Em conta de participação (arts. 991 a 996)
2. Sociedades personificadas a) Simples
b) Empresária
11. SOCIEDADE EM COMUM
Conceito e características (arts. 986 a 990)
❖ É aquela que ainda não inscreveu seus atos constitutivos no registro competente (Junta Comercial ou RCPJ)
❖ É a sociedade contratual em formação – para alguns, sociedade de fato ou irregular
❖ Não possuem personalidade jurídica
❖ Os sócios somente podem provar sua existência por meio escrito; terceiros o fazem por qualquer meio
❖ Bens e dívidas formam patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum
❖ Os bens sociais respondem pelas obrigações contraídas por qualquer sócio, salvo limitação de poderes expressa que o terceiro conhecia ou deveria conhecer
❖ Os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais – sem benefício de ordem para aquele que contratou pela sociedade
12. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO
Conceito e características (arts. 991 a 996)
❖ Tem características de um contrato especial de investimento
❖ Não possui personalidade jurídica
❖ Constituição por qualquer meio (usualmente contrato)
❖ Efeitos estritos entre os sócios. Eventual registro não acarreta personalidade jurídica
❖ Também chamada de sociedade secreta em razão da duplicidade de sócios:
ostensivo e participante
❖ Ostensivo: é quem exerce a atividade em seu próprio nome e responsabilidade
❖ Participante: é o investidor. Não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente
13. SOCIEDADE SIMPLES Conceito e características
❖ Exerce atividade econômica não empresarial
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❖ Exemplo: sociedades uniprofissionais
❖ Regramento geral de direito societário aplicável supletivamente aos demais tipos
Constituição
❖ Constitui-se mediante contrato social: instrumento escrito, público ou privado, que regula o funcionamento da sociedade
❖ Deve ser levado a registro no RCPJ no prazo de 30 dias
❖ Prevê as regras a que se submeterão a sociedade empresária e seus sócios
❖ É composta de cláusulas contratuais obrigatórias e facultativas
Constituição – cláusulas obrigatórias do contrato social (art. 997)
I. nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas;
II. denominação [ou firma], objeto, sede e prazo da sociedade;
III. capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária;
IV. a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;
V. as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços;
VI. as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições;
VII. a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
VIII. se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais.
Capital social
❖ É o montante de contribuições dos sócios para a sociedade para ela desempenhar suas atividades
❖ Tais contribuições podem já ter sido transferidas (‘integralizadas’) ou os sócios se obrigaram a transferir (‘subscrever’) para constituir a sociedade
❖ É divido em quotas
❖ A contribuição pode ser em dinheiro, bens, direitos ou serviços
❖ O sócio que transmitir um bem responde pela evicção; o que transmitir crédito, responde pela solvência do devedor
❖ Se a contribuição for em serviços, o sócio não pode trabalhar fora da atividade societária (salvo estipulação em contrário)
❖ Quem deixa de contribuir para o capital social na data aprazada é chamado de sócio remisso
❖ O sócio remisso responde pelos danos decorrentes da mora
❖ Ao invés da indenização, os demais sócios podem decidir pela sua exclusão ou redução de sua participação ao montante já integralizado
Administração
❖ A sociedade atua e manifesta sua vontade pela atividade de seus administradores
❖ Somente pessoas físicas podem ser administradores
❖ A atuação é personalíssima; pode constituir mandatários com poderes específicos para certos atos e operações
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❖ Se a nomeação ocorrer em ato separado, é preciso averbar
❖ Enquanto não requerida a averbação, o administrador responde pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que praticar
❖ Impedimento: não podem ser administradores: pessoas impedidas por lei, condenados a pena que vede acesso a cargo público, crime falimentar, prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação
Administração – forma de atuação
❖ Pode ser definida no contrato social ou em ato apartado
❖ Omisso a indicação, a administração cabe a cada um dos sócios separadamente
❖ Um sócio pode impugnar a operação pretendida pelo outro, cabendo a decisão por maioria de votos
❖ O administrador que realizar operações sabendo estar em desacordo com a maioria responde por perdas e danos
❖ Os administradores podem praticar todos os atos de gestão, ressalvadas restrições constantes do contrato social
❖ A oneração ou venda de bens imóveis depende da decisão da maioria dos sócios (salvo quando o objeto social for ligado a operações imobiliárias)
Administração – responsabilidade
❖ Em regra, a sociedade responde pela conduta dos administradores
❖ A sociedade não responde pelo excesso do ato do administrador nos seguintes casos (art. 1.015, p.ú.):
❖ A limitação de poderes está inscrita ou averbada no registro da sociedade
❖ O terceiro sabia da atuação em excesso
❖ Operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade
❖ Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e terceiros por culpa no desempenho de suas funções
❖ Se a sociedade for cobrada por terceiros, pode cobrar em regresso do administrador
❖ O administrador deve prestar contas de sua administração anualmente, bem como balanço patrimonial e resultado econômico
Administração – revogação de poderes (art. 1.019)
❖ Os poderes do administrador-sócio investido no contrato social somente podem ser revogados por decisão judicial
❖ Os poderes de administrador-sócio nomeado em ato separado ou não-sócio (qualquer nomeação) podem ser revogados a qualquer tempo
Sócios – responsabilidade (art. 1.023-1.025)
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❖ Art. 997, VIII: “se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais”
❖ Os sócios podem limitar sua responsabilidade
❖ Se não o fizerem respondem na proporção das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária
❖ O sócio admitido em sociedade já constituída não se exime de dívidas anteriores
Resolução da sociedade em relação a um sócio
❖ Qualquer sócio pode se retirar da sociedade de prazo indeterminado mediante notificação aos demais sócios, com antecedência de 60 dias; se de prazo determinado, provando justa causa judicialmente
❖ Um sócio pode ser excluído judicialmente por iniciativa da maioria dos demais sócios por fata grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade superveniente
❖ Em caso de morte do sócio, sua quota deve ser liquidada, salvo:
a) Estipulação diversa em contrato
b) Dissolução total da sociedade decidida pelos remanescentes c) Substituição do falecido (em acordo com os herdeiros)
❖ Para dissolução em relação a um sócio, salvo disposição contratual em contrário, deve ser apurada a situação patrimonial com balanço especialmente levantado
❖ O pagamento deve ser feito em dinheiro em 90 dias contados da liquidação, salvo estipulação em contrário
❖ O capital social deve sofrer a correspondente redução ou os demais sócios podem aumentar sua participação
❖ O sócio que se desliga (ou seus herdeiros) continua responsável pelas obrigações sociais anteriores, até 2 anos após averbada a resolução da sociedade; e pelas posteriores enquanto não requerida a averbação
Dissolução – hipóteses extrajudiciais (art. 1.033)
I. o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado;
II. o consenso unânime dos sócios;
III. a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado;
IV. a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias; [salvo transformação para EIRELI]
V. a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.
Dissolução – hipóteses judiciais (art. 1.034)
❖ Anulada sua constituição
❖ Exaurido o fim social ou verificada a sua inexequibilidade
❖ Outras causas estabelecidas no contrato social
Dissolução – características
❖ O ato de dissolução não leva à extinção de imediato da sociedade
❖ Ela subsiste para ultimar suas obrigações
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❖ Os administradores nomeiam liquidante e restringem a gestão aos negócios inadiáveis, vedadas novas operações
14. SOCIEDADE LIMITADA
Conceito e características
❖ O termo ‘limitada’ se refere à responsabilidade dos sócios; não da sociedade, que é ilimitada; nem de sua atuação, que pode ser ampla
❖ Surgimento na Alemanha, em 1892. No Brasil, Dec. 3.708/1919
❖ Modelo societário mais simples do que a sociedade anônima
❖ É o modelo mais usado no Brasil por atividades empresárias de pequeno e médio portes.
Legislação aplicável
❖ Código Civil: artigos 1.052 a 1.087
❖ Em caso de omissão: normas da sociedade simples (art. 1.053 c/c arts. 997 a 1.038)
❖ O contrato social pode prever a aplicação das normas da Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76)
Capital social
❖ É expresso em moeda corrente nacional e dividido em quotas.
❖ A contribuição para o capital social deve ser em bens ou dinheiro; é vedada a contribuição em serviços.
❖ Todos os sócios respondem solidariamente pela estimação dos bens conferidos ao capital social pelo prazo de 5 anos do registro da sociedade
❖ Função interna: determina o peso do voto de cada sócio nas decisões sobre a condução da sociedade
❖ Função externa: sinaliza ao mercado o porte da sociedade e serve de garantia à satisfação dos créditos
Capital social – responsabilidade dos sócios (art. 1.052)
❖ A responsabilidade de cada sócio está limitada pelo valor de suas quotas
❖ Exceção: todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.
❖ Exemplo: três sócios constituem uma soc. limitada. Capital social: R$ 100 mil.
Sócio A: 10%; Sócio B: 20%; Sócio C: 70%
❖ A e B integralizam imediatamente e C integraliza apenas R$ 35 mil. Se a
sociedade não suportar as dívidas, A e B também respondem pelo aporte dos R$
35 mil restantes, com direito de regresso.
Capital social – sócio remisso
❖ Os outros sócios podem assumir as quotas, transferi-las a terceiros, excluir o primitivo titular devolvendo-lhe o que houver pago, deduzidos juros de mora e eventuais despesas
❖ Podem também cobrar perdas e danos
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Capital social – cessão de quotas (art. 1.057)
❖ Na omissão do contrato:
a) o sócio pode ceder suas quotas a outro sócio independentemente da anuência dos demais;
b) pode ceder a estranhos, se não houver oposição de titulares de mais de ¼ do capital social
❖ O contrato pode regular a matéria de modo diverso
Administração da sociedade
❖ É feita por pessoa designada no contrato social ou em ato separado
❖ A administração pode caber qualquer pessoa, sócia ou não
❖ A designação de administrador não-sócio depende aprovação de 2/3 do capital social se integralizado; não integralizado, unanimidade.
❖ A designação de administrador sócio nomeado no contrato social: ¾ do capital social; em ato em separado: mais da metade do capital (maioria absoluta).
❖ A nomeação em ato separado tem efeito com assinatura do termo de posso no livro de atas da administração, que deve ser registrado na Junta Comercial em 10 dias; se não registrado, responsabilidade pessoal e solidária com a sociedade
❖ O mandato pode ser com prazo determinado ou indeterminador
❖ O contrato social pode limitar a atuação do poder de administração do administrador
Administração da sociedade – destituição do administrador
a) Administrador-sócio nomeado no contato social: 2/3 do capital social, salvo estipulação diversa (art. 1.063, § 1º)
b) Administrador não-sócio nomeado no contrato social: ¾ do capital (art. 1.076, I) c) Administrador nomeado em ato separado: maioria absoluta (art. 1.076, II)
Administração da sociedade – destituição do administrador – eficácia (art. 1.063)
❖ Deve ser averbada na Junta Comercial, no prazo de 10 dias
❖ A renúncia é eficaz:
a) Em relação à sociedade: da comunicação escrita b) Em relação a terceiro: após averbação e publicação
Conselho fiscal (art. 1.066-1.070)
❖ É um órgão opcional da sociedade; pode ser previsto no contrato social
❖ Só tem sentido quando os sócios não participam do cotidiano da sociedade
❖ Composição: 3 ou mais membros (e suplentes), sócios ou não, residentes no Brasil
❖ Eleição em assembleia anual (ou reunião)
❖ Minoritários com 1/5 do capital tem direito de eleger separadamente um dos membros e seu suplente
Vedação: não pode ser conselheiro (art. 1.011, § 1º):
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❖ Pessoas impedidas por lei especial;
❖ Condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos
❖ Condenados por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação.
❖ Membros dos demais órgãos da sociedade ou outra por ela controlada;
empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores; cônjuge ou parentes destes até o 3º grau
Funções (exemplos):
❖ examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira, devendo os administradores ou liquidantes prestar- lhes as informações solicitadas;
❖ denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerindo providências úteis à sociedade;
❖ convocar a assembleia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes;
Deliberação dos sócios: reunião x assembleia
❖ São tomadas em reunião ou assembleia; mais de 10 sócios, assembleia obrigatória
❖ Assembleia: mais formal, regras dos artigos 1.074, 1.075 e 1.078 (ex.:
convocação; presidência; cópias autenticadas; livros de atas; publicação 3x em imprensa oficial).
❖ Reunião: pode dispensar tais formalidades através de previsão no contrato.
Regras da assembleia só se aplicam na omissão do contrato social
❖ Assembleia: deve ser realizada, ao menos, uma por ano: tomar conta dos administradores; votar o balanço patrimonial e de resultados; eleger administradores (caso de prazo determinado).
❖ A ata da assembleia ou reunião deve ser arquivado na Junta Comercial
❖ Reunião ou assembleia pode ser dispensada quando todos os sócios decidirem por escrito a respeito (art. 1.072, § 3º)
Deliberação dos sócios: matérias e quórum (art. 1.071 c/c 1.076)
❖ a aprovação das contas da administração; maioria simples
❖ a designação dos administradores, quando feita em ato separado; maioria absoluta
❖ a destituição dos administradores; maioria absoluta
❖ o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; maioria absoluta
❖ a modificação do contrato social; ¾ do capital
❖ a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; ¾ do capital
❖ a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas;
maioria simples
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❖ o pedido de concordata. maioria absoluta
❖ Demais deliberações: maioria simples ou previsão contratual diversa
Deliberação dos sócios: direito de recesso (art. 1.077)
❖ Direito do sócio que dissentiu da decisão a retirar-se da sociedade
❖ Situações: modificação do contrato, fusão, incorporação
❖ Prazo: 30 dias subsequentes à reunião ou assembleia
❖ Procedimento (art. 1.031): liquidação com base na situação patrimonial da sociedade, verificado em balanço especialmente levantado
15. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO
Conceito e características
❖ CC, arts. 1.039 a 1.044
❖ Sócios somente pessoas físicas, vinculadas por contrato social
❖ Responsabilidade ilimitada, solidária, mas subsidiária dos seus sócios
❖ Entre si, os sócios podem delimitar suas responsabilidades
❖ Administração: compete exclusivamente aos sócios
❖ Nome empresarial: firma
❖ Regramento suplementar: sociedade simples
16. SOCIEDADE EM COMANDITA
SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES Conceito e características
❖ CC, arts. 1.045 a 1.051
❖ Duas categorias de sócios, indicados no contrato social:
❖ Comanditados: pessoas físicas; responsabilidade solidária e ilimitada; podem estabelecer limitações à responsabilidade entre si (= soc. nome coletivo)
❖ Comanditários: pessoas físicas ou jurídicas; responsabilidade limitada ao valor de sua quota
❖ Administração: é feita pelos comanditados; veda-se a prática de atos de gestão pelos comanditários, sob pena de responderem como comanditados.
SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES Conceito e características
❖ CC, arts. 1.090 a 1.092; em caso de omissão, Lei n. 6.404/1976
❖ Capital social divido em ações
❖ Nome empresarial: firma ou denominação seguido de ‘comandita por ações’
❖ Administração: deve ser exercida por um acionista; como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade
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17. SOCIEDADE COOPERATIVA
Previsão legal
❖ Código Civil, arts. 1.093 a 1.096
❖ Lei n. 5.764/1971 – Política Nacional do Cooperativismo
❖ Aplicação supletiva da sociedade simples
Características
❖ Capital social variável ou dispensável
❖ Número mínimo para compor a administração; sem número máximo
❖ Limitação das quotas que cada sócio pode possuir
❖ Vedação de transferência das quotas a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança
❖ Quórum de assembleia baseado em número de sócios, e não no capital social presente
❖ Cada sócio tem um voto nas deliberações, independentemente do capital social
❖ Distribuição de resultados proporcionalmente aos valores da produção do sócio
❖ Indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, mesmo em caso de dissolução
❖ Responsabilidade dos sócios é limitada quando o sócio responde apenas pelo valor de suas quotas e pelo prejuízo na proporção de sua participação na respectiva operação
❖ Responsabilidade ilimitada quando o sócio responde solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais
18. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA
Modalidades
❖ Transformação
❖ Incorporação
❖ Fusão
❖ Cisão
Transformação
❖ É a operação de mudança de tipo societário
❖ Ex.: mudança de sociedade limitada para sociedade anônima
❖ Não extingue a personalidade jurídica, nem cria uma nova
Incorporação
❖ É a operação em que uma sociedade absorve outra ou outras
❖ As incorporadas deixam de existir
Fusão
❖ Consiste na união de duas ou mais sociedades
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❖ Dá nascimento a uma nova sociedade
Cisão
❖ Transferência de parcelas do patrimônio social para uma ou mais sociedades
❖ A parcela transferida pode dar origem a uma nova sociedade ou se incorporar a outra
19. SOCIEDADE ANÔNIMA
LIÇÕES PRELIMINARES
❖ Regramento: Lei n. 6.404/1976; nas omissões, aplica-se o Código Civil (art. 1.089)
❖ Sociedades por ações: sociedade anônima (ou companhia) e sociedade em comandita por ações
❖ É uma sociedade de capital: o que une os sócios são interesses econômicos; logo, um acionista não pode impedir o ingresso de outros no quadro associativo
❖ A companhia é sempre empresária (CC, art. 982, p.ú.; LSA, art. 2º, § 1º)
❖ Capital social dividido em ações
❖ Limite da responsabilidade: ações de sua titularidade; preço de integralização de suas ações
❖ Objeto: qualquer empresa (atividade) com fim lucrativo; inclusive o objeto pode ser participar de outras sociedades, mesmo sem previsão no estatuto social
❖ Registro: na Junta Comercial
LIÇÕES PRELIMINARES – nome empresarial (art. 3º)
❖ A companhia adota obrigatoriamente denominação, acompanhada de
‘companhia’ ou ‘sociedade anônima’, por extenso ou abreviadamente (S/A ou Cia.)
❖ O termo Cia. não pode ser utilizado ao final
❖ O nome do fundador, acionista ou pessoa que contribuiu pode figurar na denominação
❖ Por exigência do CC, é preciso indicar o ramo da atividade (art. 1.160)
CLASSIFICAÇÃO
❖ Abertas: seus valores mobiliários (ações, debêntures etc.) podem ser negociados em mercado de valores (bolsa ou balcão)
❖ Fechadas: não admitem tal negociação
❖ Companhias abertas possuem maior liquidez do investimento do acionista
❖ A companhia aberta precisa de autorização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM (regulada pela Lei n. 6.385/76), a quem compete fiscalizar o mercado
❖ Bolsa: é uma entidade privada (ex.: BM&Fbovespa é uma companhia; pode ser uma associação) responsável por manter o pregão dos valores mobiliários; sua criação depende de autorização do Bacen e o funcionamento é controlado pela CVM. Opera apenas no mercado secundário, ou seja, compra e venda; não há emissão de ações na bolsa.
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❖ Balcão: compreende as operações de valores mobiliários realizadas fora da bolsa, por meio de corretoras e instituições financeiras. Opera com compra e venda e também subscrição.
❖ Sociedade de economia mista: é formada pela união de capital privado e recursos do Poder Público
Previsão constitucional: Art. 173
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade;
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;
III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da administração pública;
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários;
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores.
§ 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.
CONSTITUIÇÃO
Pode ser visualizada em 3 etapas
❖ Requisitos preliminares (arts. 80 e 81)
❖ Modalidades de constituição (arts. 82 a 93)
❖ Providências complementares (arts. 94 a 99)
Requisitos preliminares (arts. 80 e 81)
❖ Subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto;
❖ Realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro;
❖ Depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro.
Modalidades Subscrição pública
❖ Os fundadores buscam recursos para constituição da sociedade junto a
investidores. Nesse caso, há regramento na Lei da CVM (Lei n. 6.385/1976, art.
19).
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❖ Apresenta-se pedido à CVM com estudo de viabilidade econômica e financeira do empreendimento; projeto de estatuto e prospecto. Conta-se com a
participação de instituição financeira, que será responsável pela oferta das ações ao público.
❖ Com todo o capital subscrito, convoca-se assembleia de fundação
❖ Nessa assembleia, todas as ações, de qualquer espécie ou forma, conferem ao titular o direito de voto
❖ Não havendo oposição da maioria absoluta do capital social, proclama-se a sua constituição
❖ Nessa oportunidade, elegem-se os administradores e fiscais
Subscrição particular
❖ Tem a participação apenas dos fundadores
❖ É mais simples; constitui-se por deliberação dos subscritores reunidos em assembleia de fundação ou por escritura púbica
Providências complementares
❖ Registro e publicação dos atos constitutivos; após a publicação é que a companhia pode iniciar suas atividades comerciais de forma regular
❖ Se houver incorporação de bem ao capital social, deve ser providenciada a transferência da titularidade para a companhia (imóvel no RGI; marca no INPI).
Para isso, basta a certidão de registro do estatuto na Junta Comercial (dispensa escritura pública).
CAPITAL SOCIAL
Conceito e características
❖ Para cumprir o objetivo para o qual foi criada, a sociedade anônima precisa de recursos, que advém dos acionistas
❖ Pode ser integralizado em dinheiro, bens ou créditos
❖ É preciso observar o procedimento específico em relação aos bens em razão da responsabilidade dos envolvidos
Integralização com bens (art. 8º)
❖ Deve ser feita sua avaliação por 3 peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembleia geral dos subscritores
❖ O laudo deve ser fundamentado, com indicação de critérios de avaliação e documentos pertinentes
❖ O laudo é levado a votação em assembleia geral da companhia e os peritos (ou empresa) devem estar presentes para prestar informações
❖ Se o valor for aprovado em assembleia e aceito pelo subscritor, aperfeiçoa-se a integralização do capital social com o bem. Do contrário, fica sem efeito o projeto de constituição da companhia
❖ O valor do bem não pode ser superior ao que tiver atribuído inicialmente o subscritor
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❖ Os avaliadores e o subscritor respondem perante a cia, os acionistas e terceiros por danos decorrentes da avaliação do bem (culposa ou dolosamente)
Hipóteses de aumento de capital social
❖ Emissão de ações: há efetivo ingresso de novos recursos no patrimônio social. O aumento é deliberado em assembleia geral extraordinária. Pode ser deliberado também em assembleia geral ou pelo conselho de administrador no caso de capital autorizado (art. 166, II).
❖ Valores mobiliários: conversão de debêntures ou partes beneficiárias conversíveis em ações.
❖ Capitalização de lucros e reservas: parcela do lucro ou das reservas pode ser dirigido ao reforço do capital social, com ou sem emissão de novas ações (art.
169)
Hipóteses de redução de capital social
❖ Excesso de capital social: se ficar demonstrado que o objeto social exercido não demanda o capital social inicialmente previsto
❖ Irrealidade do capital social: quando houver prejuízo no exercício da atividade da companhia.
ACIONISTA Conceito
❖ Pessoa física ou jurídica que detém ações de uma sociedade anônima.
Obrigação do acionista
❖ Integralizar as ações subscritas, nas condições previstas no estatuto ou no boletim de subscrição
Opções da cia em caso de mora do acionista (sócio remisso)
❖ Cobrança do sócio remisso (Execução de título extrajudicial (boletim de subscrição– CPC-2015, art. 784)
❖ Venda em bolsa de valores, por conta e risco do acionista (mesmo cia. fechada)
❖ Integralização pela própria cia com reservas; entesouramento das ações
❖ Se não tiver reservas suficientes, prazo de 1 ano para encontrar comprador;
findo o prazo, reduz-se o capital social
DIREITO DOS ACIONISTAS
1. Participar dos lucros sociais
❖ Verificado o lucro, o acionista tem direito a receber dividendos
❖ Valor fixado no estatuto social - mínimo: 25% do lucro líquido
❖ Omisso o estatuto: 50% do lucro líquido (descontadas as reservas legais)
2. Participar do acervo da companhia em caso de liquidação
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❖ Se a sociedade for liquidada, o remanescente deverá ser rateado entre os acionistas.
❖ Não aplicável às ações de fruição
3. Fiscalizar a gestão dos negócios sociais
❖ Direito a ser exercido nos termos da Lei n. 6.404/76, sob pena de tumulto na administração da cia. (ações pulverizadas). Fiscalização indireta
❖ Obrigatoriedade de a cia tornar públicos relatórios da administração,
demonstrações financeiras, pareceres de auditores independentes, parecer do Conselho Fiscal
❖ Possibilidade de acionistas com 5% do capital social solicitarem exibição de livros sociais
❖ Possibilidade de acionistas com 5% do capital solicitarem informações ao
Conselho fiscal ou convocarem assembleia-geral quando os administradores não o fizerem
4. Direito de preferência
❖ Os acionistas, em regra, têm preferência para subscrição do aumento de capital, na proporção do número de ações que já possuem (art. 171)
❖ Objetivo: garantir ao acionista a possibilidade de manter seu percentual de participação acionária
❖ Exceção: cia de capital autorizado pode estabelecer que o aumento não será precedido do direito de preferência aos antigos acionistas
5. Direito de recesso
❖ Possibilidade de acionistas dissidentes deixarem a companhia
❖ Hipóteses (ex.): criação de ações preferenciais ou classes distintas; alteração nas preferências das ações; redução do dividendo obrigatório; fusão, incorporação;
mudança de objeto; cisão
❖ Prazo: 30 dias da publicação da ata da assembleia
6. Direito de voto
❖ Não é direito essencial do acionista
❖ Ações preferenciais podem dispensar o direito a voto
❖ Exceção 1: na assembleia de constituição da cia, cada ação tem direito a voto, independentemente de espécie ou classe (art. 87, § 2º)
❖ Exceção 2: ações preferenciais passam a ter direito a voto se a cia deixar de pagar dividendos fixos ou mínimos (art. 111, § 1º)
VALORES MOBILIÁRIOS Conceito
❖ São os títulos de investimento que a companhia emite para obtenção de recursos de que necessita
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Espécies
❖ Ações
❖ Debêntures
❖ Partes beneficiárias
❖ Bônus de subscrição
AÇÕES
Conceito e características
❖ Valores mobiliários representativos de unidades do capital social da companhia, indicados no estatuto social
❖ Concede aos titulares um conjunto de direitos e deveres
❖ Podem ser classificadas quanto à sua espécie, classe e forma
Classificação quanto à espécie (natureza dos direitos) Ordinárias
❖ Conferem aos titulares direito do acionista comum
❖ São de emissão obrigatória (não há cia sem ações ordinárias)
❖ Dão direito a voto
Preferenciais
❖ Podem prever prioridade na distribuição de dividendos, em valor fixo ou mínimo;
ou no reembolso do capital
❖ A concessão de direito de voto é opcional
❖ O limite de ações preferenciais sem direito a voto (ou com restrição ao voto) é de 50 % das ações emitidas
De fruição
❖ São ações que já receberam amortização, ou seja, cujos acionistas já receberam, a título de antecipação, de quantias que seriam cabíveis em caso de liquidação da companhia
❖ Caso a sociedade venha a ser liquidada posteriormente, as ações de fruição somente concorrem ao acervo líquido depois de assegurado às ações não amortizadas valor igual ao pago antecipadamente, devidamente corrigido
Classificação quanto à classe
❖ Ações preferenciais podem ser divididas em classes, com diferentes direitos, como por exemplo: classe A – direito a dividendo fixo de R$ 5 sem direito a voto;
classe B – direito a dividendo fixo de R$ 2 com direito a voto em determinadas matérias
❖ Ações ordinárias de cia fechadas podem ser dividas em classes (art. 16):
Conversibilidade em ações preferenciais; exigência de nacionalidade brasileira do acionista; direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos
❖ Ações ordinárias de companhias abertas não podem ser divididas em classes
Quanto vale uma ação? O valor depende do objeto analisado:
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a) Valor nominal: é o resultante da divisão do capital social pelo número de ações; o estatuto pode prever o valor nominal ou não. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal (art. 13).
b) Valor patrimonial: é o resultante da divisão do patrimônio líquido da companhia pelo número de ações. É obtido pelas demonstrações contábeis
c) Valor de negociação: é o preço que o titular consegue obter na sua alienação;
depende de fatores econômicos, perspectivas de rentabilidade; desempenho do setor etc.
d) Valor econômico: é o calculado por avaliadores de ativos, por meio de técnicas contábeis (Ex.: fluxo de caixa descontado); afere o valor da ação com base na perspectiva de rentabilidade
e) Preço de emissão: é o preço pago por quem subscreve a ação; mede a contribuição do acionista para o capital social e fixa o limite de sua responsabilidade
DEBÊNTURES (arts. 52 a 74) Conceito e características
❖ Títulos representativos de um crédito. Os debenturistas têm direito de crédito perante a companhia
❖ Condições do crédito estão previstas na escritura de emissão
❖ A negociação de debêntures no mercado depende a intermediação de um agente fiduciário (ex.: instituição financeira), que representa os interesses dos debenturistas
❖ As debêntures podem prever sua conversibilidade em ações
Classificação das debêntures segundo a garantia:
❖ Com garantia real: um bem, pertencente à cia. ou não, é onerado (ex.: hipoteca de imóvel)
❖ Com garantia flutuante: concede privilégio geral sobre o ativo da cia, o que coloca os debenturistas à frente dos credores quirografários em caso de falência
❖ Quirografária: o debenturista concorre com os demais credores sem garantia na massa falida
❖ Subordinada (ou subquirografária): o titular tem preferência apenas sobre os acionistas
PARTES BENEFICIÁRIAS (arts. 46 a 51) Conceito e características
❖ Títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social
❖ Concedem ao seu titular direito de crédito eventual consistente na participação nos lucros da companhia
❖ A companhia pode destinar até 10% de seus lucros para partes beneficiárias
❖ A cia. aberta não pode emitir partes beneficiárias
❖ Podem conter cláusulas de conversibilidade em ações
BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO (arts. 75 a 79) Conceito e características
❖ Confere ao titular o direito de subscrever ações da companhia no futuro, quando houver aumento de capital social
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❖ Pouco utilizado no mercado brasileiro
❖ O titular do bônus não está dispensado de pagar o preço de emissão das ações no momento futuro.
ÓRGÃOS SOCIAIS
Principais órgãos
❖ Assembleia- geral
❖ Conselho de administração
❖ Diretoria
❖ Conselho Fiscal
❖ O estatuto social pode prever outros órgãos técnicos de assessoramento ou de execução
Assembleia geral
❖ É o órgão máximo da sociedade anônima
❖ Caráter exclusivamente deliberativo
❖ Reúne todos os acionistas com ou sem direito a voto (estes têm sempre direito de participação e voz)
❖ Realização de, no mínimo, uma assembleia geral por ano, nos 4 meses seguintes ao término do exercício social.
❖ Competência da AGO: tomas as contas dos adm.; deliberar sobre destinação de lucros e dividendos; eleger adm. e fiscais.
❖ Para temas diversos, deve ser convocada assembleia extraordinária
❖ Quorum de instalação: ¼ do capital social votante em primeira convocação; com qualquer número em segunda convocação
❖ Quorum de instalação com pauta que prevê reforma do estatuto: 2/3 do capital votante em primeira convocação; qualquer número em segunda convocação
❖ Deliberações: em regra, são tomadas pela maioria do capital social com direito a voto presente à assembleia
❖ Deliberação com quórum qualificado (art. 136): maioria das ações com direito a voto do capital social, se maior quórum não for exigido.
Deliberação com quórum qualificado (art. 136 – exemplos):
❖ criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto;
❖ fusão da companhia, ou sua incorporação em outra;
❖ mudança do objeto da companhia;
Conselho de administração
❖ Colegiado deliberativo que detém parcela de competência da assembleia geral, com o objetivo de agilizar o processo decisório
❖ É obrigatório em companhia abertas e nas sociedades de economia mista
❖ Número de mínimo de 3 conselheiros
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❖ Mandato: prazo máximo de 3 anos, eleitos pela assembleia geral
❖ As decisões no conselho são tomadas por maioria de votos, salvo previsão diversa no estatuto
Conselho de administração – atribuições (exemplos)
❖ fixar a orientação geral dos negócios da companhia
❖ eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto
❖ fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos
❖ convocar a assembleia-geral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132
❖ manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da diretoria
❖ manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir
Diretoria
❖ É o órgão de representação legal da companhia
❖ Executa as deliberações tomadas pela assembleia geral e pelo conselho de administração
❖ Mínimo de 2 membros (o estatuto pode prever mínimo e máximo)
❖ Mandato não superior a 3 anos
❖ Atribuições e poderes de cada diretor devem ser previstas no estatuto
❖ São eleitos pelo conselho de administração; se não houver este, pela assembleia geral
❖ Até 1/3 dos membros do conselho pode integrar também a diretoria
❖ Tanto membros da diretoria, quanto do conselho de administração são reelegíveis
Conselho fiscal
❖ É órgão de existência obrigatória, mas de funcionamento facultativo
❖ Se o estatuto previr funcionamento facultativo, cabe à assembleia geral acionar o conselho fiscal
❖ Mínimo de 3 e máximo de 5 membros, acionistas ou não
❖ Não pode ser eleito para o conselho fiscal um membro de órgão de
administração, empregado da cia ou de sociedade por ela controlada, ou do mesmo grupo, bem como cônjuge ou parente até 3º grau de administrador da cia (art. 162 e § 2º)
❖ Os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com restrições a voto, podem eleger membro do conselho fiscal em separado.
❖ Minoritários que representem 10% do capital votante também.
Funções (exemplos)
❖ fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários;
❖ analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela companhia;