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XIV Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB 2013) GT 9 – Museu, Patrimônio e Informação Comunicação Oral OS MUSEUS E SEUS SITES À LUZ DO VISITANTE-USUÁRIO-PÚBLICO

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XIV Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB 2013)

GT 9 – Museu, Patrimônio e Informação

Comunicação Oral

OS MUSEUS E SEUS SITES À LUZ DO VISITANTE-USUÁRIO-PÚBLICO

Cátia Rodrigues Barbosa- PPGCI/UFMG Renata Maria Abrantes Baracho- PPGCI/UFMG

Christiano Pereira Pessanha- PPGCI/UFMG

Resumo

O artigo apresenta uma etapa da pesquisa que, teve início em 2011 e cuja primeira análise foi apresentada no encontro nacional de pesquisa em Ciência da Informação, no ano de 2012. De caráter exploratório e empírico, o objetivo foi analisar o uso da internet pelos museus. De que forma os museus disseminam as suas informações via web e qual o nível de satisfação do visitante-usuário-público ao interagir com os sites que apresentam os museus. Importante salientar que, diferentemente, da análise do ano de 2012, entretanto a partir dela, houve possibilidade de demarcar novas questões sobre a interação visitante-usuário-público com os sites e novos critérios de análises. Trata-se de apresentação de exposições museológicas, linguagem textual, sentimento do visitante-usuário-público com relação à imagem de objetos museais presentes nos sites. Os dados irão subsidiar propostas para uma tipificação, um mapeamento dos sites criados pelos museus, no sentido de levantar elementos e ou criar categorias para elaborar um modelo mais amplo de análise e consequentemente, ampliar a amostra pesquisada. A fundamentação teórico-metodológica do estudo realizado é pautada na Comunicação Museológica e Arquitetura da Informação. Foram analisados 10 sites de museus brasileiros a partir do site do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Observou-se que os sites visitados possibilitaram um conhecimento maior sobre os museus. Entretanto a satisfação em navegar pelos sites dos museus ficou em torno de 35%. Com relação às informações disponibilizadas nos sites sobre o acervo do museu, 36% do grupo observado marcou que as informações foram satisfatórias. Desse grupo, 26% tiveram interesse em retornar ao site de algum museu, após navegar pelos demais museus. Observou-se que as questões abertas possibilitaram averiguar os conhecimentos específicos do campo da Museologia.

Palavras-chave: Museologia. Museu. Arquitetura da Informação. Comunicação Museológica.

Abstract

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and create categories to develop a broader model of analysis and consequently enlarge the sample studied. The theoretical and methodological basis of the study is guided in Museology Communication and Information Architecture. Ten sites of Brazilian museums were analyzed from the website of the Brazilian Institute of Museums (IBRAM). It was observed that the sites visited enabled a greater knowledge about museums. However the satisfaction of browsing through the museums website was around 35%. According to the information available in the sites about the museum's collection, 36% of users (researched group) marked that the information was satisfactory. Of this group, 26% were interested in returning to the museums site, after browsing by other museums. It was observed that the open questions allowed ascertain the specific knowledge of the museology field.

Keywords: Museology. Museum. Information Architecture. museological Communication

1 INTRODUÇÃO

Neste artigo, são analisados à luz do visitante-usuário-público os sites de museus brasileiros, no que tange à sua forma e seu conteúdo, dando continuidade à pesquisa Museus e Sistemas de Informação. Com a invenção da imprensa em 1439 por Gutenberg, os povos ampliaram o acesso à informação. No final do século XX, a internet se torna um dos meios de disseminação da informação de valor significativo. A partir da década de 1990, a rede de computadores passa a ser utilizada pelos museus. A primeira conferência sobre os museus e a internet foi realizada em 1997, na Califórnia, intitulada “Museums and Web” marcando o crescimento de pesquisas relacionadas à temática. Quando se coloca sobre o uso da internet pelos museus, pode relacionar a uma das formas de disseminação do conteúdo de suas ações culturais, educativas, suas coleções, suas pesquisas, missões, exposições.

Neste sentido, cabe pensar a informação sobre os museus na web como uma infinidade de interfaces que se relacionam permitindo múltiplas leituras das ações museais. Leituras que se dão na interação visitante-usuário com os sites elaborados pelos museus e ou sites, blogs que abordam sobre os museus. Parte-se do pressuposto que a informação sobre os museus na web caracteriza-se como um discurso, uma proposta conceitual e que, inclusive tem possibilidades de produzir e difundir conhecimentos além de explorar novas formas de mediação por meio da tecnologia.

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sobre museus e patrimônio cultural. A partir da análise dos estudos levantados e dos artigos jornalísticos, a autora conclui que “os sites de museu estão em expansão sendo disponibilizados cada vez mais, pelos museus físicos para dar acesso às suas coleções, obterem maior visibilidade, fidelizarem seus públicos e atraírem novos segmentos.” Outra conclusão, não menos importante pelo fato de não ser o foco da nossa análise, entretanto apresenta-se subjacente às questões levantadas na nossa pesquisa, é o conceito de Museu Virtual.

Verificou-se que museu virtual é aquele construído sem equivalência no espaço físico, com obras criadas digitalmente, não sendo substituto equivalente ou evolução dos primeiros. Confirmou-se que este conceito ainda não é conhecido e levado em conta pelas instituições públicas que formulam políticas para museus, assim como pela sociedade de forma clara. Na atualidade o que vem sendo mais demandado pelos internautas são os museus online, que podem ser uma representação do museu físico, desde que utilize também as mídias sociais e possibilitem a interação do visitante no ambiente virtual. (CARVALHO, 2012)

Os sites, blogs dos próprios museus, vídeos disponibilizados por outras instituições que não necessariamente museológicas são locais virtuais onde se concentram e circulam idéias. Sua produção resulta da manipulação de conceitos e referências disponíveis para serem explicitadas. Vale lembrar, que o seu caráter público, abarca um quadro de visitante-usuário heterogêneo. Tal diversidade reforça o desafio da informação sobre os museus na web, na perspectiva que se apresenta como uma infinidade de interfaces que se relacionam permitindo múltiplas leituras das ações museais. Ou seja, o fato de que a leitura realizada pelo visitante-usuário implica em análises, aferições e inferências sobre o que está vendo e sobre a forma como está vendo, incluindo a estética de apresentação do site, como se realiza a navegação pelo site, as informações existentes, bem como a percepção das não existentes, as cenas apresentadas.

Convém ressaltar que a informação sobre os museus disponibilizada na web deve ser entendida para além de uma ferramenta complementar às ações da comunicação museológica, mas como um meio de produção do conhecimento do campo da Museologia e dos Museus. Por meio da tecnologia, ir além, no sentido de criar e experimentar novas formas de mediação.

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apresentam os museus? Questões relacionadas à interface, à estética, à navegação no site, à informação textual (sintaxe), aos recursos tecnológicos, ao objeto museológico, às exposições museológicas e, sobretudo relevante para futuras análises, as questões relacionadas à satisfação, ao interesse específico sobre o campo da Museologia.

Como referencial teórico tem-se o estudo de websites como estratégia comunicacional- informacional dos museus, uma descrição sobre o trinômio visitante-usuário-público e conceito de Arquitetura da Informação.

A pesquisa utiliza métodos qualitativos e quantitativos, enquadrando-a como híbrida. De acordo com Creswell (2003), a combinação dos métodos qualitativos e quantitativos tem o objetivo de enriquecer a base contextual para interpretação e validação dos resultados.

Foram selecionados dez museus brasileiros, a partir do site do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), verificou-se o acesso a cada site, no sentido de validar o endereço eletrônico disponibilizado na página do portal. Os museus analisados: Museu de Arte de São Paulo, Museu da Pessoa, Museu da Inconfidência, Museu Casa de Portinari, Museu da Imagem e do Som do Paraná, Museu da Música de Mariana, Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, Museu de Arte Moderna do RJ, Museu Carlos Costa Pinto.

Buscou-se, por meio do instrumento utilizado, analisar características referentes aos princípios da Arquitetura da Informação e como estas influenciam a experiência dos usuários ao acessar os museus na internet e verificar, também, a percepção do grupo selecionado sobre conceitos específicos da Museologia. Foi desenvolvido instrumento para coleta de dados composto de 25 questões fechadas, sendo oito questões mistas, buscando aprofundar detalhes das percepções explicitadas na parte fechada da questão.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O referencial teórico baseia-se na disseminação da informação sobre os museus, por meio da Web, como estratégia comunicacional dos Museus, à qual implica na mediação entre a Web e o visitante-usuário-público. Desenvolvem-se também no referencial teórico, conceitos da arquitetura da informação.

2.1 OS SITES OU WEB SITES COMO ESTRATÉGIA COMUNICACIONAL DOS MUSEUS

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visitante-usuário com a interface apresentada, ou seja, começa com a primeira imagem que surge

ao abrir um site e continua durante todo o caminho percorrido. É nessa interação que se inicia o significado da mensagem. Nesse sentido, ocorre uma reciprocidade entre o visitante-usuário e o site visitado, assim como os distintos visitantes-usuários entre si.

Nesse contexto, há um trinômio que surge, visitante-usuário-público criado para revelar nuanças significativas da nossa pesquisa. Enquanto trata-se da interação do sujeito com a máquina, na recuperação de informações e do sujeito com a máquina, na consulta do site sobre museus e ou criado pelos museus, sendo esse escolhido pelo sujeito para visitar o museu que se encontra na web, permanece-se no binômio visitante-usuário. O sujeito visita o museu e é um usuário do sistema de informação. O sujeito é o

próprio indivíduo que interage com a máquina. Quando se trata do binômio usuário-público considera-se o conjunto de sujeitos, de pessoas que são usuários do sistema de

informação. Ou seja, numa análise onde o coletivo é importante. Assim, no universo da nossa análise torna-se relevante considerar o trinômio visitante-usuário-público. Não é por acaso que temos o termo usuário entre visitante e público. O visitante é um usuário, é um indivíduo que acessa o site e faz a sua visita e o público é o usuário, um conjunto de sujeitos que são usuários. Nos bastidores da criação de um site temos presente um sistema de informação, a elaboração da interface, os conceitos de entidades e relacionamentos de banco de dados e num contexto mais amplo, a arquitetura da informação, toda a gestão dos fluxos informacionais, navegação, busca e recuperação da informação e todo o comportamento do sistema. Um trabalho em equipe, minucioso que resulta nas interfaces dos sites dos museus e que será disponibilizado, exposto na web. Interessa-nos a exposição desse trabalho minucioso, disponibilizado na internet para os visitantes-usuários-públicos, ou seja, os websites de museus; os quais apresentam nas

suas exposições um discurso, objetos expográficos e cenográficos, menus como se fossem “portas” para visitação dos seus múltiplos espaços virtuais que em algumas situações dão acesso ao acervo museológico, à documentação museológica. Nossa pesquisa analisa questões relativas aos websites de museus considerando-os como uma estratégia informacional/comunicacional dos museus. Entretanto há pesquisas que apontam uma reduzida utilização dos sites pelos museus, como importante ferramenta nas ações de disseminação e divulgação dos conteúdos e das atividades dos museus.

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(...) Independentemente das diferentes características de gestão administrativa, tamanho, recursos financeiros e humanos e da dificuldade na veiculação de bases de dados, a análise dos resultados confirma uma reduzida utilização do

site como importante ferramenta nas ações de disseminação e divulgação, quer seja da instituição e/ou, de seus conteúdos informacionais. (MIRANDA, 2001).

De fato, a estratégia informacional /comunicacional dos museus por meio da internet, não é a única forma de disseminação da informação que possa com a interação do visitante-usuário gerar conhecimentos. Há a possibilidade do visitante recorrer à publicação de periódicos, em meios não virtuais, elaboração de vídeos e programas educativos em outras mídias, visitar o museu de maneira não virtual.

Cabe ressaltar a pesquisa de Lena Vania Ribeiro Pinheiro sobre a documentação e informação nos museus de arte que, numa perspectiva mais ampla, no seu artigo intitulado “Arte, Objeto Artístico, Documento e Informação em Museus” defende a ideia que a automação em organismos de informação pode ser um fator de aproximação entre bibliotecas, museus e arquivos.

A emergência dos computadores e da automação em organismos de informação pode ser considerada um fator de aproximação, integração e articulação, notadamente de bibliotecas, museus e arquivos, pelas exigências de sistemas integrados ou redes e a necessidade de metodologias, formatos, técnicas e tecnologias de processamento com essa finalidade e visando a proporcionar um amplo intercâmbio de dados, daí a importância de vocabulários controlados e tesauros, entre outros instrumentos, por mais avançadas que sejam as novas tecnologias. (PINHEIRO, 1996)

Pelo seu caráter dinâmico, os websites de museus e ou blogs, sites que divulgam os museus configuram-se como um meio de expor os conhecimentos gerados no campo da Museologia e dos Museus. Daniel M.V. Souza (2009), nas suas considerações finais do seu artigo Informação e Construção de Conhecimento no Horizonte Museológico esclarece:

O museu que não se organiza em torno da estrutura de um sistema informacional, que contemple de maneira enfática as questões referentes à recuperação e difusão da informação com vistas à construção de conhecimento, se mantém ao largo da realidade social em que está inserido, além de contribuírem ainda, para delinear práticas regulares de exclusão. Não basta, entretanto, que o museu documente e exponha. (SOUZA, 2009)

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hoje no museu de ontem e em outros trabalhos aborda enfaticamente a figura do visitante e sua relação com o museu. O visitante atribui significados às exposições.

O usuário é o que usa o sistema de informação, o que faz uso dos computadores, o que acessa os sites, mas não quer dizer que se tornará visitante dos sites de museus, blogs criados pelos museus e ou que apresentam os museus.

O público é o conjunto dos visitantes, grupos heterogêneos ou homogêneos quando se pretende criar categorias. Denise Studart (2009) escreve sobre o público de famílias em Museus de Ciência. No seu trabalho, Studart evidencia os interesses e preferências dos grupos familiares visitantes do Museu de Astronomia e Ciências Afins no Rio de Janeiro.

O trinômio visitante-usuário-público no contexto abordado, significa que o sujeito é ao mesmo tempo visitante, usuário e público. O sujeito é quem percebe, é quem faz uso e é quem está entre demais sujeitos.

2.2 ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO – MUSEUS.

O termo Arquitetura da Informação foi cunhado por Richard Saul Wurman, colocando o problema de organização e apresentação da informação como análogo aos problemas enfrentados por um arquiteto frente ao projeto de um edifício que deverá servir às necessidades de seus moradores. Sua definição de arquitetura da informação enfatiza a organização e apresentação da informação, sendo que o arquiteto da informação seria “o indivíduo que organiza os padrões inerentes aos dados, tornando o complexo claro. A pessoa que cria as estruturas ou mapas da informação que permite aos outros encontrarem seus próprios caminhos para o conhecimento” (WURMAN, 1997).

Por sua vez, ampliando o conceito, Rosenfield e Morville (2006) adotam uma perspectiva dotada de múltiplas características para a arquitetura da informação, onde se caracterizam pelo:

- Design estrutural de ambientes de informação compartilhadas.

- Combinação de organização, busca e navegação e esquemas de navegação em web sites e intranets.

- Uma disciplina emergente de práticas comuns focadas em trazer princípios de design e arquitetura ao cenário digital.

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mas busca agregar estrategicamente múltiplos espaços informacionais construídos sobre diferentes plataformas, simplificando a informação visando um melhor entendimento.

Como claramente a web deixou de ser um espaço de navegação intertextual por hiperlinks, o objetivo da arquitetura da informação passa a ser, não apenas prover meios para que se encontrem informações, mas gerenciar o seu fluxo e o seu uso. No rastro dessa evolução, em que o chamado cyber espaço tornou-se uma parte necessária e cada vez mais presente na vida das pessoas, tarefas como organizar e conectar informações, identificar caminhos de navegação, criar ferramentas e regras que organizem a informação criada e difundida em ambientes colaborativos, agregando espaços informacionais diversos, a arquitetura da informação passa a trabalhar em conjunto com outras disciplinas como a usabilidade, design gráfico, design de interação, entre outros (DING E XIA, 2010).

Os mesmos autores argumentam que, na perspectiva de um processo de design centrado no usuário, a arquitetura da informação funciona integrando todos estes elementos, estando o arquiteto da informação envolvido do início do processo até o seu final.

Organizar e conectar informações, identificar caminhos de navegação, criar ferramentas e regras que organizem a informação criada e difundida, ou seja, o que compete à arquitetura da informação entrelaçada com as ações de mediação museológica e com a gestão museológica torna-se premente um conhecimento por parte dos responsáveis pela arquitetura da informação, na criação de sistemas para os museus e para o visitante-usuário, público de museu, um diálogo com os conceptores de exposições, curadores, museólogos.

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Nesse contexto torna-se relevante refletir e analisar pesquisas que visam estudos sobre a arquitetura da informação e situações de mediação no campo da Museologia.

3 METODOLOGIA - ANÁLISE DOS DADOS

Nesta seção, será apresentada a metodologia de coleta e, também, da análise dos dados referentes aos museus previamente selecionados. Para a composição do corpus da pesquisa, foram selecionados dez museus brasileiros, a partir do site do IBRAM1 por meio de um teste de verificação de acesso, validando o endereço eletrônico disponibilizado na página do portal, somado à busca por um corpus, o mais representativo possível de diferentes tipologias de museus. Após a filtragem pelas regras do parágrafo anterior, o corpus selecionado para o experimento mostrou-se composto pelos seguintes museus:

1 - Museu de Arte de São Paulo, 2 - Museu da Pessoa, 3 - Museu da Inconfidência, 4 - Museu Casa de Portinari, 5 - Museu da Imagem e do Som do Paraná, 6 - Museu da Música de Mariana, 7 - Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia, 8 - Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, 9 - Museu de Arte Moderna do RJ, 10 - Museu Carlos Costa Pinto.

Buscou-se analisar características referentes às estratégias comunicacionais dos museus, por meio da Web, à qual envolve a mediação web com o visitante-usuário-público e conceitos da arquitetura da informação; como estas influenciam a experiência dos usuários ao navegar pelos websites. Para a Arquitetura da Informação, o usuário é a figura central do projeto com foco na usabilidade, um termo substituto da expressão Userfriendly e passou a ser usado, sinalizando características como a facilidade de

aprendizagem, design de navegação, interface adequada, satisfação subjetiva do usuário, entre outras. Tendo tais características da arquitetura da informação como baliza, buscando verificar, também, a percepção do grupo observado sobre os conceitos específicos da museologia, foi desenvolvido instrumento para coleta de dados composto de 25 questões fechadas, sendo que oito possuem um complemento aberto, buscando aprofundar detalhes das percepções explicitadas na parte fechada da questão. Como exemplos de algumas questões do instrumento: O site foi aberto com facilidade? A navegação pelo site apresenta facilidade? Você foi capaz de retornar com facilidade para a página inicial? Conseguiu encontrar a informação que você buscava?

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O experimento foi realizado nos laboratórios de tecnologia da informação da Escola de Ciência da Informação da UFMG, com alunos do curso de graduação em museologia. Após uma exposição do experimento e seus objetivos, uma vez obtido o consentimento dos alunos em participar, foi-lhes apresentada uma lista dos museus previamente selecionados seguidos dos respectivos endereços eletrônicos, para que se fizesse o acesso via internet para posterior preenchimento do instrumento de coleta de dados. Este último, foi distribuído em formato eletrônico, na forma de um arquivo com extensão .doc, permitindo sua abertura em programas de processamento de textos facilmente encontrados (proprietários ou de código livre) como o Microsoft Office, Libre Office, Open Office, entre outros. À medida que acessavam os endereços eletrônicos e navegavam em cada site referente aos museus, um formulário àquele museu foi preenchido permitindo o registro das impressões sobre cada museu.

As 25 questões foram elaboradas por profissionais da Ciência da Informação, Ciência da Computação e Museologia, no sentido de buscar uma lógica de proposições, ao considerar a priori a abertura do site pelo visitante-usuário. Por exemplo, a questão 10 que questiona se o visitante-usuário foi capaz de retornar com facilidade para a página inicial. Esta questão não poderia estar no início do questionário ou mesmo ser a questão 4 ou 6; uma vez que ela exige, necessariamente um tempo de navegação no site, um tempo de visita ao site. E assim por diante, a última questão do questionário: dentre os museus que você não visitou fisicamente, qual deles você escolheria para visitar? Porquê? Essa questão aplicada no final do questionário, só faz sentido após o visitante-usuário ter acessado todos os sites dos museus e ou quase todos os sites dos museus

apresentados a eles, no início do experimento.

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navegar: Qual: Por quê? A navegação pelo site foi um processo prazeroso? Você ficou envolvido na navegação? Você considerou fácil navegar pelo site? Você foi capaz de retornar com facilidade para a página inicial? O texto estava disposto de uma maneira que facilitava a leitura? O site despertou em você algum interesse específico do campo da museologia? Você já esteve fisicamente nesse museu? Você já navegou no site desse museu?

Para o desenvolvimento da análise temos as categorias: 1) Navegação: refere-se à facilidade que o visitante-usuário tem para abrir o site, navegar no site, retornar com facilidade para a página inicial. 2) Estética- Design- Linguagem: refere-se à interface da página, no que tange ao prazer de navegar no site, à disposição dos textos, harmonia entre conteúdo e forma, facilidade de encontrar a informação buscada, linguagem clara para o leitor 3) O Museu: refere-se às relações entre o que há nos museus e o que é apresentado nos sites dos museus e ou que abordam sobre os museus. Questões como: você conseguiu encontrar alguma exposição museológica dentro do site? O site despertou em você algum interesse específico do campo da Museologia? Você já esteve fisicamente nesse museu? 4) Interesse do visitante-usuário: refere-se à interesses múltiplos em permanecer no site, qual o ponto que despertou interesse para navegar naquele site, se o visitante-usuário ficou envolvido na navegação, se o visitante-usuário teve interesse em retornar a algum site visitado.

Com relação ao primeiro grupo, sobre a navegação dos sites, referente à facilidade de abrir os sites, de navegar nos sites e de retornar à página inicial; apresenta-se uma média de 32,8% do grupo obapresenta-servado tiveram facilidade em navegar nos sites. No segundo grupo, as questões relacionadas à estética do site, à satisfação em navegar no site, à informação atualizada, se a disposição do texto facilitava a leitura, obteve-se uma média de 35% de aprovação dos sites visitados. No terceiro grupo, que foi nomeado O Museu obteve-se uma aprovação de aproximadamente 36%, o interesse específico pelo campo da Museologia, o fato de encontrar no site informações sobre o acervo, documentação museológica. No quarto grupo sobre o interesse do visitante-usuário-público em permanecer no site, ou retornar ao site em outro momento houve

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quantidade de museus visitados, a escolha aleatória de visitação dentre os museus apresentados no período de início e término do experimento.

No que tange à parte qualitativa do experimento, cabe ressaltar as questões abertas, que possibilitam uma compreensão sobre as demandas do público e ao mesmo tempo fornece um discurso balizado à luz do

visitante-usuário-público para que se possam desenvolver pesquisas relacionadas ao real e virtual, à

estética do objeto museológico, ao papel da disseminação da informação pela web. No caso específico, por tratar–se de um grupo selecionado de alunos do terceiro período do curso de graduação em Museologia, houve condições de averiguar os conhecimentos específicos do campo da Museologia.

Cabe citar duas questões abertas e correlacionadas presentes no questionário, cujas respostas apresentam no seu discurso um universo de possibilidades propício para um estudo da Arquitetura da Informação, no sentido de elaborar projetos cada vez mais eficientes quanto à organização e recuperação da informação nos sites que apresentam os museus. Na questão escolha e cite um objeto museológico surgiram respostas como: o quadro de Portinari; as histórias do ser humano contadas por eles mesmos; a foto da penteadeira. Em seguida a questão que sentimento você teve ao observar esse objeto museológico, no site? Surgiram respostas como: o de ver a realidade, reparar nos detalhes; ouvir, ler e a curiosidade de presenciar as histórias; o de lembrar pois, na casa da minha avó tem uma igual. Na questão dentre os museus que você não visitou fisicamente, qual deles você escolheria visitar? Por quê? Houve um número significativo que escolheu o Museu de Arte de São Paulo por ele ser muito interativo, interessante; por buscar mais tópicos de arte. Importante salientar que mais de 50% indicou o Museu da Pessoa porque interessou bastante o enfoque que o museu dá à história das pessoas; é muito interessante a forma que o museu é formado, com a história dos próprios cidadãos. O Museu da Inconfidência também foi citado, porém enfatizaram que eles já haviam visitado o museu, mas gostariam de deixar registrado que ao visitar o site, querem retornar ao museu.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os indicadores da análise são: 1) Navegação: refere-se à facilidade que o visitante-usuário tem para abrir o site, navegar no site, retornar com facilidade para a

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tange ao prazer de navegar no site, à disposição dos textos, harmonia entre conteúdo e forma, facilidade de encontrar a informação buscada, linguagem clara para o leitor 3) O Museu: refere-se às relações entre o que há nos museus e o que é apresentado nos sites dos museus e ou que abordam sobre os museus. 4) Interesse do visitante-usuário: refere-se à interesrefere-ses múltiplos em permanecer no site, qual o ponto que despertou interesrefere-se para navegar naquele site, se o visitante-usuário ficou envolvido na navegação, se o visitante-usuário teve interesse em retornar a algum site visitado.

O interesse em visitar os museus que não foram visitados fisicamente, a partir da visita realizada nos seus espaços virtuais- Websites devido à interatividade apresentada pelas interfaces dos sites, a facilidade de usabilidade do site, à dimensão estética, ou seja, harmônica entre conteúdo e forma disponibilizada nos sites ensejam eficiência na relação da comunicação museológica, no sentido da mediação entre Websites dos museus e o vistante-usuário-público. Apresenta-se como uma área incipiente de pesquisa ao considerar os Websites de museus como uma estratégia informacional/comunicacional dos museus.

Desenvolver um estudo destinado a mapear, tipificar os sites de museus, a utilização da internet pelos museus, a mediação com o visitante-usuário- público possibilita uma construção de prognósticos, no que se refere à arquitetura da informação e comunicação museológica, mediação web e seus públicos de museu. Os efeitos decorrentes do mapeamento sobre os sites de museus para a práxis museológica são significativos, sobretudo na inserção do visitante-usuário-público nos espaços museais.

A pesquisa mostra que: 32,8% visitante-usuário-público do grupo analisado tiveram facilidade em navegar nos sites; 35% de aprovação dos sites visitados, no que tange à estética, disposição do texto; 36% apresentaram interesse específico pelo campo da Museologia, o fato de encontrar no site informações sobre o acervo, documentação museológica; 26% tiveram interesse em permanecer no site, ou retornar ao site em outro momento. Os dados apontam uma provável insatisfação do visitante-usuário-público em navegar e ter uma atenção voltada para as informações disponibilizadas nos sites dos museus. Leva-se em consideração as condições da realização do experimento, como a escolha do grupo observado, o tempo de acesso em relação à quantidade de museus visitados, a escolha aleatória de visitação dentre os museus apresentados no período de início e término do experimento.

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avaliação criteriosa da arquitetura da informação para o campo da Museologia, abrangendo responsáveis por exposições, museólogos, curadores e o público de museu.

Uma avaliação criteriosa da arquitetura da informação para o campo da Museologia torna-se premente, uma vez que envolvem as tarefas como organizar e conectar informações, identificar caminhos de navegação, criar ferramentas e regras que organizem a informação nos sites, blogs criados pelos museus e ou que apresentam os museus.

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Referências

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