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Congresso de História e Desporto

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Academic year: 2019

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Congresso

de História

e Desporto

OLIMPISMO

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2012

e Desporto

e Desporto

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Apoios

>> COORDENAÇÃO GERAL DA OBRA

Francisco Pinheiro

CEIS20 da Universidade de Coimbra

>> COMISSÃO ORGANIZADORA DO CONGRESSO

Francisco Pinheiro

CEIS20 da Universidade de Coimbra

João Tiago Pedroso de Lima

NICPRI da Universidade de Évora

Manuela Hasse

FMH da Universidade Técnica de Lisboa

Maria Fernanda Rollo

IHC/FCSH da Universidade Nova de Lisboa

Nuno Miguel Lima

IHC/FCSH da Universidade Nova de Lisboa

Rita Nunes

Academia Olímpica de Portugal/Conf. Desporto de Portugal

>> Para mais informações

http://congressodehistoriaedesporto.blogspot.com Email: [email protected]

>> Ficha técnica

Design: Isaque Correia

>> ISBN

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Em ano de Jogos Olímpicos (Londres-2012) e em que se comemorou também o cente-nário da primeira participação de Portugal nos Jogos Olimpícos (Estocolmo-1912), o I Congresso de História e Desporto foi dedicado ao Olimpismo, nas suas múltiplas facetas.

Universidade Nova de Lisboa

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

2012

31 de maio

1 de junho

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INTRODUÇÃO . . . 9

I. Madrid 1972: Unos Juegos Olímpicos para Franco

Juan Antonio Simón . . . 11

II. O Estado Novo e o desporto em Portugal na década de 1960: Futebol versus Olimpismo

Alcino Pedrosa . . . 21

III. First Mediterranean Games and Turkey with It’s Reflections on the Newspapers

Selami Özsoy . . . 31

IV. A Lex Olympica: reflexos de uma ilusão de independência

Artur Flamínio da Silva . . . 39

V. O rugby e o espírito olímpico: à volta da história de um regresso

João Tiago Lima . . . 51

VI. OS HERÓIS DE AMESTERDÃO A PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO INTERNACIONAL DA SELECÇÃO NACIONAL DE FUTEBOL

João Nuno Coelho . . . 59

VII. Da primeira regata à prata olímpica: Vela e velejadores em Cascais (1871-1948)

João Miguel Henriques . . . 69

VIII. História do atletismo e olimpismo - a evolução das técnicas, dos equipamentos e dos regulamentos

Vítor Milheiro . . . 79

IX. CONHECENDO OS JOGOS OLIMPICOS A PARTIR DA HISTÓRIA DAS CORRIDAS DE VELOCIDADE

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X. Os piratas da corrida – elementos para a democratização da prática desportiva em Portugal

Rahul Kumar . . . 95

XI. Considerações históricas sobre a desportivização e o reconhecimento olímpico da Capoeira

Ana Rosa Jaqueira e Paulo Coêlho Araújo . . . . 103

XII. Educar a Cultura Olímpica

Cláudia Santos . . . . 115

XIII. THE OLYMPIC TOURNAMENTS IN THE POLISH, CZECH

& SLOVAKIAN SOCCER TRADITIONS – A COMPARATIVE ANALYSIS

Adam Fryc . . . . 123

XIV. El movimiento deportivo y olímpico en la Cataluña de los años veinte y treinta del s. XX

Jordi Badia Perea . . . . 133

XV. Francisco Lázaro e a Data da Fundação do Comité Olímpico de Portugal

Gustavo Pires . . . . 145

XVI. A participação de Portugal nos Jogos Olímpicos: de 1912 às perspetivas para 2012

Rita Nunes . . . . 157

XVII. O COMITÉ OLÍMPICO INTERNACIONAL E O MEIO AMBIENTE: DE 1896 A 2008

Alcides Vieira Costa . . . . 165

XVIII. Um Espírito Olímpico Renovado para Portugal

Abel Santos, Fernando Tenreiro e João Boaventura . . . . 175

XIX. PARTICIPAÇÃO DAS ATLETAS PORTUGUESAS NOS JOGOS OLÍMPICOS

Caroline Ferraz Simões e Paula Silva . . . . 187

XX. Das Férras ao Pódio - um Percurso Histórico em Direção ao Olimpismo, nas Ilhas da Madeira e do Porto Santo

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introdução

comissão organizadora

O Grupo História e Desporto, desde a sua criação, em dezembro de

2011, definiu como prioritária a organização de um encontro científico na -cional que promovesse a investigação e a troca de conhecimentos entre os investigadores portugueses e estrangeiros dedicados ao campo da história e do desporto . Assim, realizou-se, nos dias 31 de Maio e 1 de Junho de 2012, o

I Congresso de História e Desporto, cujos contributos científicos agora se pu -blicam em forma de livro e que permitem ao leitor avaliar o conjunto de tra-balhos apresentados e, ao mesmo tempo, conhecer um conjunto de estudos e investigações versando o Olimpismo, no contexto nacional e internacional .

Com efeito, tratando-se 2012 de um ano olímpico (Jogos de Londres) e simultaneamente o momento comemorativo do centenário da primeira participação portuguesa nos Jogos Olímpicos (Estocolmo-1912) tornou-se quase óbvia a escolha do olimpismo como tema do congresso que, juntamen-te com outras iniciativas, marcou decisivamenjuntamen-te o primeiro ano de atividades do Grupo História e Desporto . Recorde-se que a participação olímpica

portu-guesa na Suécia ficara marcada pela morte do maratonista Francisco Lázaro,

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de um calor tórrido em 14 de julho de 1912 . Ora, esse acontecimento foi devi-damente assinalado neste I Congresso de História e Desporto com a exibição,

até então inédita em Portugal, de um filme dessa prova que constituiu, sem

dúvida, um dos momentos mais dramáticos e simbólicos de toda a história do olimpismo português .

O I Congresso de História e Desporto contou com a participação de um alargado conjunto de atletas, jornalistas e dirigentes desportivos de re-levo nacional . Merece especial destaque a intervenção do Professor Mário Moniz Pereira, treinador durante largas décadas da secção de atletismo do Sporting Clube de Portugal e treinador do primeiro atleta português que ven-ceu uma medalha de ouro, o maratonista Carlos Lopes . O Professor Moniz Pe-reira deliciou os participantes no Congresso com uma palestra que foi, acima de tudo, um testemunho vivo de um dos maiores protagonistas da história do desporto português .

A uma significativa presença internacional, envolvendo investiga -dores da Roménia, Espanha, Inglaterra, França, Brasil e Polónia, associou-se uma importante presença de investigadores portugueses, pertencentes a 18 instituições diferentes, promovendo-se assim uma colaboração mais estreita entre a universidade e a sociedade em geral .

As temáticas abordadas foram muito diversificadas, embora todas

elas incidissem no olimpismo e na história do movimento olímpico . Políti-ca, sociedade, media, legislação, pensamento, cultura, educação, ideologia, género, memória – foi a partir de todos estes ângulos e perspetivas que se revisitou um século português de Jogos Olímpicos, nas suas plurifacetadas dimensões .

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madrid 1972:

unos Juegos olÍmpicos

para Franco

Juan Antonio Simón

Centro de Estudios Olímpicos. Universidad Autónoma de Barcelona (CEO-UAB)

Los trabajos que en los últimos años han tratado de profundizar en el estudio del papel que representó el deporte durante el franquismo, han pasado por alto el análisis de uno de los acontecimientos que muestran con mayor claridad las contradicciones que tendrá el régimen de Franco respecto a esta actividad . La candidatura de Madrid a los Juegos Olímpicos de 1972 y, en especial, la utilización de la diplomacia española como medio para conseguir asegurar el éxito del proyecto olímpico, son los elementos que han centrado esta investigación .

Después de exponer brevemente las fases por las que transitó la

política deportiva durante este periodo, se examinarán de forma específica los principales factores que definieron a la candidatura española. A

continuación, se analizará detalladamente el desarrollo de la asamblea general del Comité Olímpico Internacional (COI) celebrada en Roma en abril de 1966, y los múltiples problemas que rodearán al proyecto del Comité Olímpico Español (COE) durante los días previos a dicha designación . Por último, se examinará la implicación del Ministerio de Asuntos Exteriores en

su intención de influir en la decisión de los miembros del COI a través de los

representantes diplomáticos españoles .

Un recorrido por la historia del deporte durante el franquismo

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como partido único y uno de los principales pilares del Movimiento, y la Delegación Nacional de Deportes (DND), la principal institución deportiva del país . El deporte vivirá una fase inicial de aislamiento y autarquía que

abarcará desde el final de la guerra civil hasta 1950, y en la que se reducirán

sus relaciones deportivas al entorno de los países ideológicamente cercanos como Alemania, Italia y Portugal (Fernández, 1990: 77-83) .

En una segunda fase, encuadrada a lo largo de los años cincuenta y dentro de un periodo de clara consolidación de la dictadura, se subrayará en pleno contexto de Guerra Fría su radical anticomunismo, quedando patente a nivel deportivo en la taxativa prohibición de mantener cualquier tipo contacto con los países del Este y sobre todo con la Unión Soviética . Por último, a partir de 1960 se puede constatar una nueva estrategia

en la política deportiva, definida por el interés del régimen en intentar

transformar a través del deporte su devaluada imagen exterior . Por este

motivo, se intensificará la utilización propagandística de esta actividad a

nivel internacional, tratando de este modo de mostrar una nueva imagen más abierta y moderna del país (Bahamonde, 2002; Bielsa, 2003; González, 2005; Santacana, 2011; Shaw, 1987) .

De la negativa a enfrentarse contra la Unión Soviética en el Campeonato Europeo de Naciones de 1960 - actual Eurocopa -, se pasará

en 1963 a permitir al Real Madrid de baloncesto disputar la final de la Copa

de Europa frente al CSKA de Moscú . Pero los gestos de apertura deportiva

se multiplicarán a partir de 1964, cuando España acoja la fase final del

Campeonato Europeo de Naciones, presente en diciembre de 1965 la candidatura de Madrid a los Juegos Olímpicos y consiga que la FIFA en 1966 les conceda la organización del Mundial de 1982 (Simón, 2012) .

El proyecto olímpico de Madrid-72

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Olímpicos por los que España se está preparando para contribuir en su mayor medida al movimiento olímpico” . Las autoridades franquistas y los miembros del COE recibieron del presidente del COI Avery Brundage una primera respuesta positiva en relación a una posible futura candidatura olímpica, lo

que convencerá al régimen respecto a los beneficios que podría suponer su

apoyo a dicho proyecto (Comité International Olympique, 1965:63)

El 26 de diciembre de 1965 se hará pública la decisión del COE de proponer la candidatura de Madrid para la celebración de la vigésima edición de los Juegos Olímpicos, dejando sorprendentemente a Barcelona como subsede de las pruebas de vela, pese a que esta ciudad también había presentado su propia candidatura (Meléndez, 1965:6) . En la próxima asamblea general del COI que se celebraría en abril de 1966 en Roma, los miembros con derecho a voto de esta organización elegirían a la ciudad que acogería las olimpiadas de 1972 . La prensa destacó que dicha noticia suponía “una formidable revalorización del deporte español, que llevaría parejo una serie de instalaciones de primer orden y una mejora estimable en muchos de los problemas de transporte y urbanización, que actualmente acomete el Municipio madrileño” (Habrá candidatura española, 1965: 103) .

El proyecto olímpico de Madrid incluiría los 21 deportes oficiales,

añadiendo la pelota vasca como nueva especialidad deportiva . Uno de los principales hándicaps con los que contaba la candidatura española era la poca experiencia que existía en este país en albergar eventos deportivos de nivel internacional . La celebración en Barcelona de los Juegos del Mediterráneo en 1955, el mencionado Campeonato Europeo de Naciones en 1964 o los Campeonatos Mundiales de Ciclismo disputados un año más tarde en San Sebastián, eran las únicas experiencias previas de un nivel similar .

Respecto a las instalaciones deportivas, Madrid dependía en gran

medida de los clubes privados. Este factor era el reflejo de un sistema

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deportivos privados-el complejo deportivo de la Ciudad Universitaria, las instalaciones del Instituto Nacional de Educación Física (INEF), el estadio Vallehermoso, Parque Sindical Deportivo, la ciudad deportiva del Real Madrid CF, las instalaciones de la Marina, los estadios Santiago Bernabéu y Vicente Calderón, el Palacio de Deportes, Gimnasio Moscardó, la Piscina Municipal, el Club Canoe, la Real Sociedad Hípica Española Club de Campo, el Tiro de Somontes y el Tiro de Canto Blanco, el Hipódromo de la Zarzuela, Club de Polo de Puerta de Hierro, Club Náutico de Madrid y la Plaza de Toros de las Ventas- . Por otro lado, Barcelona se encargaría de acoger las diferentes pruebas de vela, con los inconvenientes que esto supondría por la considerable lejanía entre las dos sedes (Madrid solicita los Juegos de la XX olimpiada, 1966: 40-41) .

El COE era consciente que la infraestructura deportiva con la

que contaba Madrid estaba muy lejos de ser suficiente y de contar con la

mínima calidad exigida . En el proyecto inicial se incluía la construcción de un estadio olímpico para 100 .000 espectadores, un velódromo descubierto con capacidad para 6 .000 personas que se podría ampliar a 20 .000, una piscina olímpica con 12 .000 asientos, junto con un pabellón polideportivo, un gimnasio para las competiciones gimnásticas, un polígono de tiro, campo de regatas y un puerto deportivo . En la documentación presentada al COI se aseguraba que todas estas obras estarían concluidas un año antes de iniciarse los Juegos Olímpicos . En el informe de la delegación española también se mencionaba la construcción de una villa olímpica, con capacidad para 15 .000 personas que se ubicaría en la zona norte de la ciudad, dejando de lado el plan inicial de crear dos villas olímpicas separadas por sexos . Una vez concluidas las competiciones, y siguiendo el ejemplo de la anterior olimpiada de Roma, la villa olímpica se adaptaría para viviendas (Madrid solicita, 1966: 54, Martin, 2011:151) .

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con una capacidad máxima para 4 .000 personas-, acogerían a los restantes 60 .000 visitantes . Cifra, esta última, que era imposible de alcanzar en aquellos momentos y que obligaba a tener que aumentar considerablemente las plazas hoteleras disponibles .

La decisión final: la asamblea general del COI en Roma

El 17 de abril de 1966, pocos días antes de que diera inicio la asamblea del COI en la que se decidiría la ciudad que albergaría las olimpiadas de 1972, la prensa española informaba sobre algunos rumores que apuntaban a que dentro del Gobierno la candidatura de Madrid no había encontrado la unanimidad de todos los ministros, dado “lo muy elevado del presupuesto que tal organización lleva consigo y, en consecuencia, los cuantiosos gastos que supondría para nuestro país” (Madrid retirará su candidatura,1966: 63; Pina, 1966:2) . Sorprendentemente, hasta el 22 de abril, cuatro días antes de

la votación final, no se despejarán oficialmente las dudas sobre la posible

retirada de Madrid . El Gobierno hará pública una nota en la que informaba que se había reconsiderado el estudio previo, decidiendo mantener la candidatura española para competir con Múnich, Montreal y Detroit . Pese a todo, las vacilaciones y la falta de seguridad que había transmitido el régimen en los últimos días, provocarán el cambio de opinión de gran parte de los miembros del COI . Esta falta de unidad a la hora de respaldar la candidatura, nos obliga a preguntarnos cuál era la prioridad que realmente tuvo la olimpiada para el franquismo .

En sus memorias, Manuel Fraga, ministro de Información y Turismo entre 1962 y 1969, menciona que en el Consejo de Ministros del 25 de marzo se produjo un “amplio debate sobre la propuesta de presentar a España como candidato para la próxima Olimpíada”, y que dicho proyecto encontró una “fuerte resistencia de los ministros económicos, que pensaban en el elevado gasto público; otros argumentábamos en la conveniencia de dejar a Madrid, con este motivo, organizado y ordenado para un siglo” . En las sucesivas reuniones que se mantendrán volverá a discutirse este aspecto,

reconociendo que “naufraga definitivamente el tema de la Olimpiada”, o que

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Fraga recoge en su diario que “los ministros económicos aceptan que nos ofrezcamos para la Olimpiada de 1972” . Estos testimonios demuestran que la información previa que se había publicado no eran “rumores”, y que verdaderamente llegó a peligrar la presencia de la candidatura de Madrid (Fraga, 1980:164,167) .

El problema fundamental residía en la viabilidad económica del proyecto . Los diferentes informes que realizará la Comisión Interministe-rial, creada por orden del Consejo de Ministros para el estudio de las inversiones relacionadas con la futura olimpiada, se verán obligados a

reducir repetidamente los costes del proyecto inicial. A finales de marzo

de 1966, un primer documento disminuía el montante de las inversiones a 29 .335 millones de pesetas . Pero la negativa de los ministros, obligará a tener que realizar una nueva revisión que se plasmará en el documento del 13 de abril, en el que se ajustaba nuevamente el total de las inversiones a 20 .827 millones de pesetas . Partidas concretas como las destinadas a infraestructuras (carreteras, obras hidráulicas, transportes, etc .) y alojamientos hoteleros, pasarán de 23 .765 millones de pesetas en el primer

informe, a 15.705 millones de pesetas en el estudio final. El dinero destinado

a las instalaciones deportivas se recortará de 2 .000 a 1 .897 millones de

pesetas. Pese a todo, y fiándonos del propio testimonio de Manuel Fraga,

las autoridades franquistas seguirían manteniendo considerables dudas respecto al futuro del sueño olímpico español (Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (AMAE), R 8612, EXT 12) .

Juegos Olímpicos y diplomacia unidos por un objetivo común

El 25 de marzo de 1966 el Director General del Ministerio de Asuntos Exteriores, Ramón Sedo, enviará una circular reservada a los representantes diplomáticos españoles de 38 países, para ordenarles que inicien los contactos con los diferentes delegados del COI para asegurar su voto favorable a Madrid:

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en contacto privadamente con: [nombre del delegado] Miembro del Comité Olímpico Internacional en ese país y tratase de conseguir su apoyo a la candidatura española” (AMAE, R 8410, EXT 24).

Algunos de los despachos más significativos hacen referencia a la

comunicación entre el Ministerio y el embajador de España en Pretoria, Rafael Morales . Este último escribe el 13 de abril de 1966 informando que había almorzado con Reginald Honey, y que el representante del COI pensaba que “por el emplazamiento de España y por la cordialidad y corrección de los españoles podría resultar ideal que los Juegos Olímpicos se celebrasen allí . Aclaró que no podía prometer nada pero que miraba con simpatía la propuesta española” . Finalmente Honey no votaría a favor de España (AMAE, R 8410, EXT 24) . El encargado de negocios en El Cairo, también se dirigirá el 6 de abril al Ministerio comunicando que “he visitado discretamente al ingeniero Touny al que he expuesto deseo comité olímpico español…”, habiendo manifestando “su especial cariño y admiración por España que ha visitado en varias ocasiones y me aseguró podíamos contar con máximo apoyo” . El diplomático subrayaba que su “impresión sobre la entrevista con

señor Touny no puede ser más optimista”, confirmándose posteriormente

con el voto favorable a Madrid (AMAE, R 8410, EXT 24) .

En los informes posteriores a las votaciones se conocerá que los países del Este de Europa, a excepción de Rumanía, habían votado por Montreal . Los 16 miembros que supuestamente habían apoyado a Madrid fueron: Avery Brundage, el barón de Güell como representante español, los dos miembros italianos, François Piétri por Francia, junto con los votos de Colombia, Venezuela, Filipinas, Líbano, los dos representantes de México, Rumanía, Chile, Perú, Túnez y la República Árabe Unida . Mientras tanto, el embajador de España en Roma, Alfredo Sánchez Bella, no mostraba ninguna duda respecto a cuáles habían sido los verdaderos motivos que habían provocado la derrota:

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la primera votación, ya que en la misma hubiéramos podido quedar prácticamente empatados con Múnich y nuestra posición hubiese sido mucho mejor al pasar a la segunda votación.

Pero quizá lo que nos ha perjudicado fundamentalmente ha sido la inseguridad creada en torno a la presentación de la candidatura española. Bastantes días antes de la reunión del Comité Olímpico Internacional, la prensa italiana, y la de casi todos los países, según parece, dio por segura la retirada de la candidatura española. Como esta información no fue desmentida, muchos delegados la dieron por

cierta y comprometieron su voto a favor de Múnich. La decisión final tomada por nuestro país en el último momento no fue suficiente a

desvirtuar el equívoco y éste ha actuado en contra nuestra” (AMAE, R 8410, EXT 24).

Ramón Sedó enviará el 14 de mayo de 1966 una carta a varios embajadores, con la intención de descubrir “a título de simple información, la postura de los diferentes delegados durante esta reunión” . Era consciente

que las votaciones eran secretas, lo que dificultaba el poder armar “un

panorama total y completo de lo acontecido”, pero no le impedirá transmitir el interés del Ministerio en “esclarecer ciertas zonas oscuras con objeto de poder percibir el matiz político de las actuaciones de cada cual” . Les solicitará que averiguasen “en forma discreta la actitud adoptada” por el delegado de su país, “con objeto de poder completar las informaciones que nos han llegado de otras representaciones y de la Delegación Nacional de Deportes . Ello nos ayudaría mucho para gestiones futuras y tener la visión de conjunto adecuada” (AMAE, R 8410, EXT 24) .

Un último ejemplo sirve para corroborar la línea argumental de esta investigación, en relación con el despacho que se enviará a José Ibáñez Martín, embajador en Lisboa, para que descubra “por qué no asistió a la reunión de Roma” el general Raoul Pereira de Castro, miembro del Comité Olímpico Portugués, debido a que “todo permite creer, dado el desarrollo

de las votaciones, que dicha ausencia influyó de manera importante en el resultado final” (AMAE, R 8410, EXT 24).

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Las dudas existentes días antes del inicio de la asamblea de Roma, dejaban muy claro que el interés del COE y de la DND en conseguir que Madrid pudiera albergar una olimpiada chocaban radicalmente con la opinión de algunos ministros, poniendo en duda si realmente el deporte era una actividad prioritaria para el franquismo y, al mismo tiempo, mostrando una clara falta de consenso respecto a la política deportiva iniciada en los años sesenta .

Por otro lado, la documentación utilizada ha permitido demostrar la implicación directa del Ministerio de Asuntos Exteriores en el intento de asegurar la elección de Madrid . La diplomacia se pondrá al servicio del proyecto olímpico del franquismo, mientras que algunos sectores dudaban

de los beneficios que podría aportar al país este acontecimiento. Los

problemas económicos y la falta de convencimiento en una verdadera política deportiva global, reducirá al deporte a poco más que una herramienta de propaganda interna y a un medio con el que poder favorecer las relaciones internacionales .

Bibliografía

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Circular reservada de Ramón Sedo . R 8410, EXT 24 .

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Correspondencia de Rafael Morales, embajador de España en Pretoria . R 8410, EXT 24 .

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Comisión interministerial para el estudio de las inversiones relacionadas con la olimpiada de 1972 . R 8612, EXT 12 .

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Comunicación de Ramón Sedó a los embajadores . R 8410, EXT 24

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Despacho del encargado de negocios en El Cairo . R 8410, EXT 24 .

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Despacho del embajador de España en Roma . R 8410, EXT 24 .

Archivo del Ministerio de Asuntos Exteriores (1966) . Orden reservada para el embajador en Lisboa José Ibáñez Martín . R 8410, EXT 24 .

Bahamonde, A . (2002) . El Real Madrid en la historia de España . Madrid: Taurus .

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novembre .

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Juegos Olímpicos de 1972 . El Mundo Deportivo, 2 .

Santacana, C . (2011) . Espejo de un régimen. Transformación de las estructuras deportivas y su

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o estado novo e o desporto

em portugal na década de 1960:

Futebol versus olimpismo

Alcino Pedrosa

Professor do Ensino Secundário

Membro da APHES e da Associação Ibérica de História do Pensamento Económico

A minha comunicação focaliza-se na década de 1960, marcada por sucessivos êxitos do futebol nacional, que, no entanto, vieram sublinhar, no plano desportivo, as assimetrias de uma sociedade marcada pelas vicissitu-des de um quotidiano de precariedade e contingência . O terceiro lugar no Campeonato Mundial de Futebol de 1966, a despeito da sua enorme reper-cussão na vida nacional, deixou, no entanto, perceber uma mobilização que estava longe de ser reduzida à simples reunificação de uma comunidade sob a mesma paixão . Com efeito, a um ano dos Jogos Olímpicos, num momento em que o país se vê confrontado com a Guerra Colonial, a participação por-tuguesa na prova vai abrir a porta a discussões e confrontos ideológicos, que começando por se situar nas opções políticas relativamente ao movimento olímpico, acabam por questionar a ordem vigente, dominada pelas marcas de um regime ditatorial .

O isolamento diplomático

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Taça dos Campeões Europeus (1961 e 1962), do Sporting Clube de Portugal, na Taça dos Vencedores das Taças (1964) e o terceiro lugar obtido pela sele-ção, no Campeonato do Mundo de 1966 . Pelo meio e coroando o final deste período, contabilizam-se três presenças do clube da Luz na final da Taça dos Campeões Europeus, em 1963, 1965 e 1968 .

Este ciclo de vitórias ocorreu num contexto político externo adverso para o país . Longe iam os tempos da Exposição do Mundo Português, em 1940, símbolo de um regime que, procurando refletir a imagem de uma nação “una e multirracial”, se pretendia internacionalmente orgulhoso do seu Império . A entrada dos novos países africanos recém-independentes na ONU, provocando alterações nas relações de forças existentes no seio da or-ganização, viria a criar um clima propício à adoção de princípios genéricos sobre a questão colonial, que estabeleceriam a rutura total com as teses em que se fundamentava a posição do Governo português .

Neste novo quadro internacional, as Nações Unidas colocariam de parte a abordagem técnica que tinha caracterizado até à data o relaciona-mento com o Estado português . O colonialismo português passaria a ser encarado à luz das premissas adotadas na Conferência de Bandung, que ultrapassaram as disposições da Carta das Nações Unidas em matéria de territórios não autónomos . Não admirou, assim, que no dia 14 de dezem-bro de 1960, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovasse, no segui-mento de um relatório apresentado pela Comissão dos Seis ao Conselho de Segurança da ONU, a resolução 1514 – “Declaração sobre a concessão de independência dos países e povos coloniais” –, que sancionava o direito à autodeterminação e estabelecia a descolonização como um dever jurídico que se materializava no direito à independência1 .

Salazar, resguardando-se no escudo protetor que a condição de membro da NATO concedia ao Estado português, insistia em manter-se à margem, e até mesmo contra, o processo histórico então desencadeado, rejeitando toda e qualquer transição gradual e pacífica dos territórios ul-tramarinos para a independência, desprezando iniciativas quer, das Nações Unidas quer dos países aliados para encontrar a tempo soluções para os

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1961, um mês depois do embaixador norte-americano ter comunicado for-malmente a Salazar a alteração da posição da administração Kennedy rela-tivamente à política colonial portuguesa, a ONU votava uma resolução, que sustentava a transferência da totalidade dos poderes para a população an-golana, a fim de a habilitar à independência . Por ironia dos factos, a rígida estratégia colonial seguida pelo Estado Novo, não só isolava o regime, como potenciava a construção, pela negativa, de uma das mais importantes fontes para o desenvolvimento do direito internacional, no que reportava à ques-tão colonial .

Ainda mal refeito do “terramoto Delgado”, o Estado Novo conhece-ria, então, um dos momentos mais críticos e de maior gravidade da sua his-tória . O isolamento diplomático a que o regime estava votado viria a abalar as estruturas do poder, emergindo da aparente homogeneidade que parecia caracteriza-las, importantes linhas de fratura entre os seus representantes . Neste contexto de adversidade, as relações entre o poder político e o futebol viriam a adquirir um novo impulso, muito por força dos sucessos atingidos pelo desporto-rei, a que o Governo se iria colar, procurando passar a imagem de um país moderno e competitivo, com uma política desportiva que, não só justificava as opções tomadas, como promovia a integração multirracial

O desporto ao serviço da integração

ou uma outra forma de abordar a questão colonial

Francisco Vieira Machado não era propriamente uma figura anóni-ma do regime salazarista, quando, em 1963, proferiu nos Estudos Gerais Universitários de Moçambique2 uma conferência, intitulada Portugal e o Ultramar . Com duas licenciaturas (uma em direito, outra em ciências eco-nómicas), tinha um vasto currículo político, onde avultavam os cargos de ministro das Colónias, entre 1936 e 1944, e de deputado à Assembleia Na-cional, durante várias legislaturas3 . Foi, de resto, enquanto deputado, um dos responsáveis pela Revisão do Ato Colonial e da reorganização das ati-vidades gimnodesportivas nas províncias ultramarinas, da qual pretendeu

2. Estabelecidos pelo Decreto-Lei n.º 44530

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fazer, sem o conseguir, no entanto, antecâmara de um projeto mais ambi-cioso, que, mais do que enquadrar, visava modelar uma nova imagem de praticante . Na época em que realizou esta conferência, Vieira Machado era governador do Banco de Fomento Ultramarino, tendo sido nesta qualida-de que discursou naquela instituição universitária . O discurso apresenta-do, marcadamente federalista (o que não será de admirar, dado que era um defensor inequívoco da tese dos “Estados Unidos Portugueses4), defendia a implementação de um programa de ação, que, se em última instância, deixa-va campo aberto a um sistema político de autogoverno, no quadro de uma sociedade verdadeiramente multirracial, a um nível mais imediato, propu-nha a adoção de medidas, que possibilitassem quebrar o isolamento a que internacionalmente o país estava sendo votado, ajudando a passar para o estrangeiro uma imagem de integração . Vieira Machado elegia três campos privilegiados de intervenção deste programa de ação; a cultura africana, a obra portuguesa e o desporto, dedicando a este último particular atenção:

“Se existe área onde é possível agirmos em conformidade a este fim – afirmava –, essa área é, sem dúvida, o desporto . Temos o exemplo recente das vitórias do Sport Lisboa e Benfica, na Europa . Mostramos que podemos ser tão bons como os melhores, mas também demonstramos que sabemos integrar os naturais das nossas províncias ultramarinas, provando à sacie-dade que não existe qualquer manifestação de racismo no nosso país .”5

Num momento em que a guerra colonial ainda estava no seu iní-cio, em que o isolamento internacional do país se tornava uma realidade, Vieira Machado refutava as acusações de racismo, que recaíam sobre Portu-gal, desvalorizando, em simultâneo, o impacto das pressões da comunidade internacional, no sentido da independência das colónias . O governador do Banco de Fomento Ultramarino ia, contudo, mais longe, procurando asso-ciar o sucesso da integração desportiva ao perfil do “atleta africano portu-guês, que, sujeito a uma educação adequada, imbuída dos valores nacionais, moldava a sua personalidade, garantindo uma adaptação bem-sucedida .”6 . E dava como exemplo Mário Coluna, trazendo à colação, como fundamento

4. Sustentada por Marcello Caetano no parecer da reunião extraordinária do Conselho Ultramarino, em setembro de 1962.

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catalogara o capitão da equipa do SLB como “un exemple pour les jouers portugais”7 .

A conferência de Vieira Machado teve pouca ressonância na me-trópole, o que se compreende tendo em conta a fratura existente entre in-tegracionistas e federalistas, que ameaçava quebrar a unidade do regime, ainda no rescaldo da tentativa de golpe de estado, levada a cabo por Botelho Moniz . Importa, no entanto, sublinhar que o governador do Banco de Fo-mento Ultramarino não estava só nas suas propostas . Eram várias as perso-nalidades do Estado Novo que defendiam uma ligação mais íntima entre o poder político e o desporto, algumas mesmo, como Lopes Alves8, sustentan-do uma relação que não fosse meramente conjuntural . Por outras palavras, havia quem pretendesse que este ciclo vitorioso não fosse só utilizado para demonstrar a validade de uma política desportiva, integradora e capaz de tornar o país competitivo internacionalmente, mas deveria ser o ponto de partida de uma programa de ação mais vasto, que aproveitasse prestígio e a posição de relevo alcançada pelos atletas africanos nos clubes e nas sele-ções, para construir um modelo e um conceito de praticante, que demons-trasse a ausência de qualquer descriminação racial nas colónias e constitu-ísse uma marca nacional9 . O futebol acabaria por ser o campo privilegiado para esta intervenção, não só pelos êxitos que, então vivia, mas, sobretudo, pelo tipo de enquadramento proporcionado pelos clubes, “que impunha cla-ramente aos atletas objetivos de vitória, inserindo-os numa organização a que tinham de se submeter e da qual dificilmente sairiam, se queriam ser bem-sucedidos, o que não sucedia com outras modalidades, como o atle-tismo, em que a maior parte dos atletas corria por puro amadorismo, sem grandes ambições e disciplina .”10

As vicissitudes do regime, ditando o afastamento dos seus críticos internos (Lopes Alves e Vieira Machado estavam conotados com o golpe de Botelho Moniz) e, sobretudo, a desconfiança do Estado Novo relativamente

7. Cf. Machado (1963: 3). Georges Briquet, repórter e jornalista francês, autor de várias obras sobre o desporto, entre as quais se destaca Football aujourd’hui, que conheceu várias edições.

8. Ministro das Colónias, entre 1958 e 1961 9. Alves (1963: 2).

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ao desporto, em particular ao futebol, que, aos olhos de uma parte da eli-te dirigeneli-te continuava a ser um “entreeli-tenimento condenável, imoral e re-preensível11”, acabaram por inviabilizar a concretização deste projeto, que, contudo, voltaria a ser relembrado na década de 1970, numa carta do então ministro do Interior, Moreira Batista a Noronha Feio, datada de 11 de julho de 1972: “na época em que estas ideias foram apresentadas, colheram pou-co apoio; na nossa ideia o futebol era uma prática perigosa, que não deve-ríamos promover; hoje penso que desprezámos por de mais este desporto; poderíamos ter aproveitado melhor os sucessos para demonstrar a validade e justeza das nossas posições . Pergunto-me se ainda vamos a tempo de re-verter esta tendência?”12

A evolução posterior dos acontecimentos impediria qualquer tipo de reversão . O regime estava já em estertor e menos de dois anos depois cairia, remetendo estas propostas para o esquecimento . Para além demais, o futebol vivia, então, uma época de insucessos internacionais, que fariam esmorecer o interesse da Política por ele, resumindo-se a intervenção do poder político à participação em meros eventos competitivos ou solenes .

Os anos 60: a instrumentalização do futebol

Apesar destas propostas nunca terem sido concretizados, uma ver-dade é incontornável: o Estado Novo não deixou passar a oportuniver-dade, pro-porcionadas pelas vitórias dos clubes e da seleção, na década de 1960, para promover a sua política de integração e a coesão nacional, e isso, de alguma forma, contribuiu para alterar as relações do regime com o desporto-rei . Quanto mais não fosse, porque o futebol passou a desempenhar um papel importante na retórica propagandística13, que afirmava a “unidade da Na-ção”, uma vez que os maiores ídolos dos adeptos eram oriundos das nossas colónias .

As equipas de futebol passam, assim, a ter um estatuto especial, que as eleva quase à categoria de embaixadores, representantes oficiais de um regime, que aproveita a sua imagem para defender a especificidade” do caso

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disso, as digressões das principais equipas por terras de África são acompa-nhadas pelos jornais e televisão, como se de autênticas delegações oficiais se tratassem, constituindo denominador comum das notícias a pompa e as manifestações de júbilo com que eram recebidas pelas autoridades e comu-nidades locais15 .

O futebol ver-se-ia, assim, usado pelo Estado para manter a coesão nacional em torno dos ideais de manutenção do Império colonial . Aspeto que adquiriria particular significado em termos de seleção, a quem seria colada, simbolicamente e como expressão de um colonialismo ideal, a ima-gem de um grupo unido e coerente na sua ação a lutar em torno de objetivos comuns partilhados por todos . A alegoria à nação, no discurso oficial, não era difícil de realizar: ambas comunidades eram multirraciais e multicon-tinentais: tanto a equipa como a nação se consideravam um corpo só, uma entidade única, espaço de consenso de ideais . Não era inocentemente, que, em nota oficial à imprensa, emanada do Secretariado Nacional de Informa-ção, por ocasião das comemorações do 10 de Junho, se afirmava:

“Os êxitos recentes do futebol nacional projetaram a imagem do nosso país no mundo . Hoje, os nossos principais jogadores são objeto de res-peito e veneração internacional . Não poderíamos desejar melhores embai-xadores que estes verdadeiros heróis nacionais, que, encarnando a valia e a raça dos portugueses, entraram definitivamente na aristocracia mundial .”16

E, se no plano da linguagem oficial, os propósitos poderiam ser enunciados sob a capa de uma certa ganga ideológica, o discurso interno era mais pragmático, não se coibindo o diretor do SNI – Moreira Batista – de chamar a atenção para a importância de, também, ao nível dos quadros

diri-14. Tese, de resto, fundamentada na formulação de Gilberto Freire, apropriada pelo regi-me, que “Portugal, o Brasil, a África e a Índia portuguesas, a Madeira, os Açores e Cabo Verde […]

constituem uma unidade de sentimentos e de cultura.” [Gilberto Freire, cit. por Cláudia Castelo (1999: 33-34), ‘O modo português de estar no mundo’. O luso-tropicalismo e a ideologia colonial portuguesa]

15. A título de exemplo, veja-se este excerto da Bola, sobre a chegada do SLB ao aeroporto Craveiro Lopes, em Luanda, dois meses após a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus: “foi assim, com centenas de carros e o povoléu em desvario, aclamando os seus ídolos, que

o Benfica desfilou, do aeroporto «Craveiro Lopes» até ao centro de Luanda, depois da sua chegada a

Angola. Sob indescritíveis manifestações de entusiasmo popular, foi assim - apoteoticamente! - que a

embaixada do Benfica atravessou as ruas de Luanda, a caminho do hotel. Centenas de pessoas, de todas

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gentes se poder aproveitar o filão colonial, defendendo assim os interesses do Estado . Escrevia ele:

“É de todo o interesse para o Estado, que as nossas províncias ultra-marinas estejam representadas de forma significativa na nossa seleção . Só assim, poderemos dar uma resposta mais eficaz à propaganda estrangeira, que maldiz do nosso país, alimentando forças obscuras que procuram minar internamente a nossa ordem . É de lamentar, no entanto, que, nos corpos dirigentes, não exista pessoal natural dos nossos territórios ultramarinos . Assunto que, a meu ver, deverá ser objeto de revisão .”17

Em suma, o facto das principais equipas nacionais, como o Benfica e o Sporting, terem negros nas suas equipas não perturbava o discurso nacio-nalista, que considerava Eusébio, Coluna ou Hilário, pela sua garra e fibra, lusitanos, capazes, pelos seus efeitos, de engrandecer a Nação . O discurso oficial do ‘«Grande Portugal»18 unido’ encontrava, assim, uma poderosa for-ça agregadora no futebol e, em simultâneo, tinha na televisão e na rádio, que efetuavam um acompanhamento constante e em direto dos eventos, um poderoso instrumento para mobilizar a população .

Mas, apesar disto tudo, o regime continuava a olhar com desconfian-ça o futebol e, sobretudo, temeroso das manifestações populares que à sua volta se verificavam . E, como acontecia relativamente a outras dimensões da vida nacional, a modalidade acabava por se subordinar aos interesses da Política, que tanto elogiava as suas virtualidades, em momentos de sucesso, como a controlava rigidamente, impedindo a saída de Eusébio para a Juven-tus, em nome do interesse nacional ou a transmissão da final da taça de Por-tugal, em 1969, receoso das manifestações estudantis ou, ainda, proibia os adeptos da CUF de se manifestarem contra o patronato e a ditadura, durante os jogos, impondo a lei do silêncio .

Futebol versus Movimento Olímpico

A política de instrumentalização do futebol seguida pelo Estado Novo não mereceria, contudo, a aprovação de alguns setores do desporto nacional . Em 10 de Junho de 1967, realizar-se-ia, no Porto, por iniciativa do

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e associações”19, com o propósito de debater o futuro do desporto associati-vo . Da reunião sairia uma proclamação em defesa do desporto nacional, que contaria com o apoio posterior de nomes como Carlos Arsénio, Vítor Santos, Manuel Faria e Noronha Feio, que consubstanciaria três exigências que os subscritores consideravam essenciais: maior apoio estatal aos atletas olím-picos, a construção de infraestruturas e a reorganização/dinamização do desporto escolar, no sentido de o aproveitar como base de recrutamento .

O documento aprovado seria, de seguida, enviado às associações, federações, comité olímpico e direção geral dos desportos, com o propósito de iniciar um grande debate nacional . Inerente às suas reivindicações, es-tava uma crítica à política desportiva do Governo, acusado de desprezar o desporto amador e, subsequente, o ideal olímpico e favorecer o futebol, que recebia “apoios que nenhuma outra modalidade recebia .”20

Independentemente das críticas apontadas, o que importa referir é a carga política subjacente a esta manifestação, aliás visível num evento desportivo organizado pela Sociedade Filarmónica União Artística Pieden-se, que terminaria com uma sessão debate, contando com a presença de Vítor Santos e Pereira de Moura, cujas intervenções se pautariam por crí-ticas diretas à instrumentalização e controle que o poder político sujeitava o desporto . A sessão, de resto, ver-se-ia interrompida abruptamente pela intervenção da GNR, que dispersaria os participantes . Na sequência desta reunião, o poder político viria a impedir qualquer outra pretensão dos pro-motores do movimento, justificando a sua decisão com facto de não permitir “manifestações com um caráter demagógico, que sob a capa do Olimpismo, acobertam intenções desestabilizadoras, ligadas a interesses obscuros .”21

Condenado à nascença pelo poder político, ignorado pela imprensa, devido ao controle da censura, este movimento não passaria de um projeto, acabando, talvez por ironia do destino, por ter uma simples referência no jornal espanhol “El Mundo Deportivo”, que se referia a ele com a simples frase, “los pobres se levantan”, numa inequívoca alusão as assimetrias exis-tentes no deporto português .

(30)

Alves, V . L . (1963) . O Governo e o Desporto . Lisboa: edição de autor .

Batista, C .M . (1967) . Discurso de abertura das jornadas da Mocidade Portuguesa . Lisboa: Im-prensa Nacional .

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Serrado, R (2009) . O futebol como veículo de propaganda do Estado Novo . Lisboa: FCSH (disser-tação de mestrado, exemplar policopiado) .

(31)

First mediterranean games

and turkey with it’s reFlections

on the newspapers

Selami Özsoy

University of Abant Izzet Baysal, Turquia

The Mediterranean Games first of which was held in Egypt between

5-20 October 1951 was a considerable step in consolidating friendship, in forming cultural ties, and in building peace among countries which have a border on the Mediterranean, after the II World War .

During the 1948 London Olympics, President of Egyptian National Olympics Committee Muhammed Tahir’s idea of creating a regional Olympics was supported by the representatives of the Olympics committees of

Mediterranean countries and it was decided that the first Mediterranean

Games be held in Egypt .

Egypt, France, Italy, Spain, Lebanon, Malta, Syria, Turkey and Greece sent sportsmen to the Mediterranean Games which were held between 5-20 October . Turkey participated in the games in athletism, basketball and free-style wrestling branches with 34 sportsmen . The arrival of Turkish sportsmen in Egypt was carefully followed by the Turkish public . Newspapers allocated space for the developments in the Mediterranean Games through specially designed sports pages . The Turkish Public who was distressed due to the political and economic troubles caused by the events of period after the II World War showed particular attention to the Games and the successes gained by the Turkish sportsmen became a great source of pride . Turkey won 10 gold, 3 silver and 6 bronze; 19 medals in total and the Mediterranean Games found its place in the Turkish sports

history as a significant success.

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Games . The changes were given chronologically through citations from the news and comments .

Introduction

Sports in the world are seen as an important tool in the introduction of countries to each other and in the protection of peace . Countries establish close relations and promote dialogue through sports . It is obvious that sports contributed to peace among countries in history . The Modern Olympics, the greatest sports organization in the world, have been organized since 1896 . The Modern Olympic Games, launched by the French sportsman Baron Pierre De Coubertin, inspired other regional games . One of the most important organizations held based on the philosophy of Olympic Games is the Mediterranean Games . The Mediterranean Games are a multi-sport games held every four years, mainly for nations bordering the Mediterranean Sea .

The Mediterranean Games, insofar as they are intended as a relevant international sporting event on the world scene, have belonged, since their inception in 1951, to a diffuse context . On the one hand, they are supposed to facilitate international understanding and cooperation; on the other, they must face a world of political ambitions, grievances and claims, regional

conflict and social and economic differences within participating states

(Medina F .X, 2006) .

General Information on the Mediterranean Games

The Mediterranean Games, the first of which was held in Egypt

between 5-20 October 1951 was a considerable step in consolidating friendship, in forming cultural ties, and in building peace among countries which have a border on the Mediterranean, after the II World War .

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proposal by the Deputy Chairman of the International Olympics Committee and Chairman of Egypt Olympics Committee Muhammet Tahir Pasha to the representatives of Turkey, Greece, Yugoslavia, Italy, France, Spain, Lebanon and Syria during the 1948 Olympics Games in London . Kont de Beamont, F . Pietri, and A . Messard from France, A . Bolanachi and J . Ketsess from Greece, P .I Mac Mahon from Spain, Kont P .T . Revel iel G . de Stefani from Italy, Gabriel Gemael from Lebanon, Burhan Felek from Turkey, and chiefs of delegations of Monaco, Syria, Malta and Yugoslavia, among ICO members, attended

the meeting held to discuss the proposal (Atabeyoğlu, 2000:7). During

the 1948 Olympic Games in London, in a period spoiled by the tensions between big powers, Mohammed Tahir Pasha presents the project to the members of the IOC, supporting the idea of sport as a pacifying, unifying factor . International Committee of Mediterranean Games (CIJM) was founded to carry out the organization based on a status consisting of 23 articles . The committee, of which headquarter is located in Athens, set the rules to be applied for the games . Accordingly, the games are held every four years, among amateur sportsmen of the Mediterranean countries in a city

bordering the Mediterranean and the games are finalized in maximum 15

days (Ana Britannica, 277) .

Muhammed Tahir Pasha

Muhammed Tahir Pasha (1897–1970) was an Egyptian doctor of Turkish origin in political sciences and the founder of the Mediterranean

Games. Tahir Pasha was the grandson of Arifi Pasha, one of the Grand viziers of the Ottomans, and the son of Mustafa Şekip Bey, Stockholm Ambassador

of that period . His mother was Princess Emine Azizi, the daughter of Egypt

Khedive İsmail Pasha whose mother was of Turkish origin. Tahir Pasa was born in İstanbul in 1897; after completing his primary, secondary and high school education in İstanbul, he studied at Berlin and Lausanne Universities and completed his doctoral education in the field of political sciences in

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became a senator in the Egyptian Parliament . During the foundation of the Mediterranean Games, he was still serving as a senator . Tahir Pasha was both a member of International Olympics Committee and the chairman of the Egyptian Olympics National Olympics Committee since 1934 . He had no

difficulties in convincing the representatives of the countries to participate

the Mediterranean Games since he spoke English, French, German, Arabic

and Turkish very well. He died in İstanbul in 1970 after a traffic accident he

had in Geneva in 1967 (Atabeyoglu, 2000: 12) .

Egypt, France, Italy, Spain, Lebanon, Malta, Syria, Turkey and Greece sent sportsmen to the Mediterranean Games which were held in Alexandria between 5-20 October . The Games were inaugurated on October 1951, in Alexandria, Egypt, in honor of Muhammed Tahir Pasha, the man to whom their inspiration is owed, with contests being held in 13 sports along with the participation of 734 athletes from 10 countries .

The Mediterranean Games, in which the Olympic rules are applied, have been as the preparatory organization for the Olympics for 40 years . The

first 10 games took place always one year preceding the Olympics. However,

from 1993 on, they were held the year following the Olympic Games . Ever since, they take place every 4 years without any interruption . In 1955, in Barcelona, during the II Games, the set up was decided of a Supervisory and Controlling Body for the Games, a kind of Executive Committee . The

decisions were finally materialized on June 16, 1961, and the said Body

was named, upon a Greek notion, ICMG (International Committee for the Mediterranean Games) .

The Mediterranean Games have regularly been held for 16 times until today: 1951 Alexandria (Egypt), 1955 Barcelona (Spain), 1959 Beirut

(Lebanon), 1963 Naples (Italy), 1967 Tunis (Tunisia), 1971 İzmir (Turkey),

1975 Algiers (Algeria), 1979 Split (Yugoslavia), 1983 Casablanca (Morocco), 1987 Latakia (Syria), 1991 Athens (Greece), 1993 Languedoc - Roussillon (France), 1997 Bari (Italy), 2001 Tunis (Tunisia), 2005 Almeria (Spain), 2009 Pescara (Italy) .

This study reviewed the news and comments published in the

newspapers Cumhuriyet and Milliyet in the period of the first Mediterranean

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The political newspapers started to allocate full page for sports events in Turkey since 1950s . The newspapers in Turkey attached great importance to the Mediterranean Games held after the 1948 Olympic Games in London where the Turkish wrestlers won 6 gold medals . The newspapers sending private reporters to Egypt announced the news and comments about the games not only in sports pages but also in the cover pages . The sportsmen going to Egypt was reported as follows in Milliyet Newspaper:

“Before the Olympic games to be held in Helsinki in 1952, the importances of the Mediterranean Games, which are a kind of preparation to the Olympic Games, are also considerably important in terms of the number of the participating countries. Our delegation in two teams is going to Alexandria today. Our delegation consists of 4 directors, 4 trainers, 15 athletes, 7 wrestlers and 11 basketball players (Milliyet, 3 October 1951).

The comments on newspapers also included warnings to the Turkish sportsmen who are going to represent their country:

“The young who are going to compete in a foreign country for fifteen

days must be careful not only during competitions but also in hotels, restaurants and tours; and must protect the dignity of being Turk.” (Nuri Bosut, Cumhuriyet, 1951)

The importance of the games is emphasized in a comment in Milliyet Newspaper as follows:

“The results of the Turkish wrestlers, athletes and basketball players in

the first Mediterranean Games will play an important role in showing the value of our sports in Europe. This is the first opportunity for us

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The opening ceremony of the Mediterranean Games was reported

as follows on the first page of Milliyet Newspaper:

“The Mediterranean Games started following the ceremony held in King Fuad Stadium in Alexandria. Turkey, France, Italy, Yugoslavia, Egypt, Spain, Lebanon, Syria, Malta and Greece attended the opening ceremony with their teams. The Mediterranean Games including various sports competitions will last for 15 days. The King, Egyptian governmental members, and diplomatic representatives of the participating countries attended the ceremony on the VIP stand.

The King greeted the flags of each national team. According to the Olympics tradition, the Greek team was the first to march, followed

by Spain, Italy, Turkey, Syria, France, Lebanon, Malta and Yugoslavia respectively as for the Arabic alphabet. The Egyptian team was the last as being the host country”. (Milliyet, 6 October 1951).

Turkey got 8 over 8 in wrestling

Turkey won 20 medals in the First Mediterranean Games, of which 10 were gold, 3 were silver and 7 were bronze .

That the Turkish national team going to Egypt with B team consisting of 8 young wrestlers won 8 gold medals received an enthusiastic welcome

in the country. Hasan Gemici, Cemil Sarıbacak, Bayram Şit, Tevfik Yüce, Bekir Büke, İsmet Atlı, Bektaş Can, Kemal Dişiçürük won the gold medal by

pinning their competitors . Turkish newspapers reported the success of the team in wrestling, the ancestors’ sport of the Turks as follows:

“Our wrestlers who have won the championship in freestyle wrestling in eight weights got their awards today. Our national anthem was played

eight times successively and our flag waved on the honor stand during

the Olympic ceremonies in the games”. (Cumhuriyet, 9 October 1951) “The success of our sportsmen in the Mediterranean Games was really awesome. Our wrestlers winning the championship in all eight

weights, athletes winning two first places and basketball players,

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must be proud of this” (Milliyet, 17 October 1951),

“Today was a great victory day for us in the Mediterranean Games. In freestyle wrestling competitions, our wrestlers won the championship at all eight weights by pinning their competitors in a short time. More

than 5 thousand people watched the final competitions.” (Cumhuriyet,

9 October 1951).

Burhan Felek, who followed the games as the invited person of the Egyptian Olympics Committee, wrote about the success of the young Turkish wrestlers as:

“It is a very good decision that we took part in the games. We won the championship in wrestling and now this team is the national team of Turkey. Here, all Turks are crying as the Turkish wrestlers win. The feeling of nationalism is an incredible potion” (Cumhuriyet, Burhan Felek 8 October 1951).

Burhan Felek also praised the organization of the games:

“All the Mediterranean countries, except for Israel, Monaco and Albania, participated at the competitions. Egypt made a great effort

for these games and hosted the first Mediterranean games deservedly.

The old stadium in Alexandria was almost rebuilt and a basketball

hall with a capacity of five thousand people, a small hall and a great

swimming pool were built.”

“Egyptian Olympics Committee undertook a very big burden to provide food and accommodation for all directors, sportsmen and reporters participating at the games. The participants were also provided free tram tickets.” (Cumhuriyet, Burhan Felek 16 October 1951).

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medals won in the First Mediterranean Games was as follows respectively: Italy, France, Egypt, Turkey, Greece, Yugoslavia, Spain, Lebanon and Syria .

The Turkish athletes took the first place on the grandstand in 11 of 16 branches in the first Mediterranean Games held in Alexandria. 15 Turkish

athletes won 2 gold, 3 silver and 6 bronze medals . Ahmet Aytar became the

champion in the marathon and Akın Altıok in the triple jump.

2013 Mediterranean Games to be held in Mersin

The games, of which the last was held in Pescara city of Italy in 2009, have been organized in 12 different countries until today . Athleticism, basketball, cycling, boxing, gymnastics, fencing, football, wrestling, weightlifting, handball, judo, table tennis, tennis, sailing, swimming and volleyball are compulsory sport branches partaking in all Mediterranean Games program . The most successful country of the Mediterranean Games held up to now is Italy regarding number of medals . Turkey, having participated in all the games,

hosted the sixth Mediterranean Games in İzmir in 1971. Mersin had already

announced its candidacy to host the 2013 Mediterranean Games; however, Volos, Greece had been selected as the host city in the General Assembly and candidate selection that were held in 2007 in Pescara, Italy .

Following this decision, Mersin applied for Mediterranean Games, 2017 . However, with the decision of the ICMG on January 28th, 2011, the host of Mediterranean Games was withdrawn from Volos, Greece . In response, the ICMG nominated three cities: Tarragona, Tripoli and Mersin . As a result of voting, on February 23rd, 2011, Mersin has been announced as the host of the Mediterranean Games, 2013 . The games in 2013 will be held in Mersin, located on the southern coast of Turkey .

References

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(39)

a lex olympica: reFlexos de uma

ilusão de independência

Artur Flamínio da Silva

Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa*

«Com efeito, nem a ONU, nem o COI, nem o Tribunal de Haia, nem o Papa têm força e competência jurídica para apreciar a matéria e fazer com que a FIFA deixe de aplicar punições da espécie e dobre-se às exigências de outras autoridades ou órgãos internacionais»

Álvaro Melo Filho, Nova Lei do Desporto, Rio de Janeiro, 1994

Considerações introdutórias

O mundo jurídico interessa-se cada vez mais pela norma desportiva . Esta atracção deve-se, em especial, ao fascínio que o carácter transversal da normatividade desportiva suscita (Vieweg, 2010: 3) .

É, porém, curioso constatarmos que as organizações desportivas de cúpula que integram o movimento desportivo (isto é, Comité Olímpico Internacional e federações desportivas) viveram, durante muito tempo, sob a égide utópica de que se situam num cosmos normativo imune às normas

que regem o determinado espaço físico de um Estado.

Cumpre-nos, em primeiro lugar, assinalar que, carentes de uma legitimação formal por parte da esfera estadual, as associações desportivas

desenvolveram a sua actividade, até perto do final da primeira metade do

século XX, em zonas de normação próprias e livres de qualquer intervenção estadual .

(40)

Em Portugal, por exemplo, a intervenção do Estado na estrutura federativa dá-se em 1942 . Realce-se que, antes deste período, «o desporto nasce e desenvolve-se com base num forte espírito de iniciativa privada que se concretiza num ideal associativo» (Meirim, 2002: 215 e ss .) .

Neste sentido, o universo federativo tem uma aversão natural a tudo

o que a normas estaduais diga respeito. Não obstante, é curioso verificar

que, com a aceitação do Tribunal Arbitral du Sport (TAS) enquanto instância de resolução de litígios desportivos, há uma paradoxal viragem neste ímpeto de isolamento federativo . Por um lado, permite-se a justa composição privada do litígio desportivo, assegurando-se a existência uma sentença arbitral de valor jurídico igual ao de uma sentença estadual . Por outro lado, há nesse reconhecimento da entidade jurisdicional privada a possibilidade de um tribunal estadual efectuar um certo controlo indirecto sobre a própria normatividade federativa quando exista um litígio desportivo sobre a mesma norma desportiva .

Tendo em conta o exposto, o que pretendemos é – num tom

claramente provocatório – desmistificar a ideia de que a normatividade do

movimento olímpico vive isolada e imune à normatividade estadual . Para o efeito, iremos recorrer a dois acórdãos: um do TAS e outro do Tribunal federal suíço . Antes disso, partiremos para uma breve enunciação da problemática da sustentação teórica da norma olímpica .

A Lex Olympica

A primeira pergunta é a seguinte: o que é se deve entender por Lex Olympica? Estamos, a nosso ver, perante toda a normatividade emanada pelo Comité Olímpico Internacional (COI)1 e forçosamente aplicável a todos os intervenientes do Movimento Desportivo Olímpico . Neste contexto, o

exercício científico de busca do arquétipo da norma olímpica desportiva e da norma desportiva não é, em geral, isento de dificuldades2 . De uma forma sintética, poderíamos encontrar quatro modelos teóricos3 possíveis:

1. Sobre o papel do COI no ordenamento jurídico desportivo, cfr. (AAVV,1998: 27 e ss.) 2. Por vezes, a expressão usada para exprimir esta realidade é Lex Sportiva. V., por todos, (LAtty, 2007: 31 e ss.).

3. Num sentido próximo, embora identificando apenas três modelos téoricos, (NAfziger

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reporta à relação contratual estabelecida entre atletas, Comité Olímpico Internacional, Comités Olímpicos Nacionais, federações internacionais e nacionais e a Agência Mundial de Antidopagem;

II) Um sistema de regras criadas pelos organismos desportivos

auto-suficientes, independentes da normatividade estadual e imunes à

jurisdição estadual;

III) O agregado de princípios que emergem do precedente

persuasivo e da jurisprudência do TAS e que possam influenciar as suas

futuras sentenças;

IV) Além destes três modelos, podemos apresentar um quarto e que corresponde ao conjunto de regras emanadas pelos órgãos das entidades responsáveis pela organização e disciplina do desporto num âmbito puramente nacional e sujeitas a um regime jurídico híbrido que se situa entre o domínio do Direito Público e do Direito Privado . Este é, por exemplo, o caso das federações desportivas que exercem poderes públicos em Portugal, França, Espanha e Itália .

Em primeiro lugar, a concepção contratualista tem o seu exponente máximo em países como Alemanha, Suíça, Inglaterra ou Estados Unidos da América . Todavia, se na dimensão internacional é possível – pelo menos em teoria – encaixar a essência desta normatividade num contrato, o mesmo já não sucede quando estamos perante um sistema jurídico onde o Estado intervém no Desporto e o assume como uma missão de serviço público; o que acontece, por exemplo, Portugal .

Por outro lado, embora apelativa, a configuração da normatividade

desportiva como um forte hermeticamente selado em relação às normas estaduais é incompreensível num Estado de Direito4 .

Em terceiro lugar, conceber a norma desportiva como uma mera compilação de princípios extraídos da contabilização estatístico-sociológica da fundamentação das sentenças proferidas pelo TAS tem uma aplicação muito mais forte em países de Common Law do que nos de Civil Law, onde o

4. Esta era uma posição propugnada, num momento inicial, por alguns autores. Por exem-plo, ( Pfistere steiNer 1995:18 e ss.) realçam as especificidades desportivas como

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Figura 1 – Economia das federações   Fonte: Tenreiro (2011)
Figura 2 – Medalhas desde Atenas 1896 a Pequim 2008, valores acumulados   Fonte: COI (2008)
Figura 3 – Evolução das federações e clubes no século XX Fonte: Documentos das federações sobre a sua fundação e Santos (2001)
Figura 4 – Evolução dos praticantes federados no século XX   Fonte: Tenreiro (2008)

Referências

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