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Rev. Bras. Enferm. vol.41 número1

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Academic year: 2018

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EDITORIAL

Atravessamos uma crise sem precedentes na história, conseqüência de uma política econômica recessiva onde os interesses dos grandes grupos financeiros nacionais e internacionais suplantam os interesses da grande maioria da popula­ ção brasileira. A deteriorização da qualidade de vida e saúde devido aos baixos salários, desemprego, subemprego, descaso com a educação, falta de alimentos, falta de moradia, transporte tem reflexos profundos na enfermagem.

O desafio que ora se apresenta para a ABEn é o de encontrar formas de re­ sistir e evitar as conseqüências dessa grave crise.

A partir dessa compreensão torna-se necessário repensar a educação de en­ fermagem como espaço de conscientização da categoria e instrumento de luta para transformação da sociedade.

Sabemos que a educação tem uma função de reprodução e conservação da sociedade e ao mesmo tempo traz no seu sistema interno a possibilidade de mu­ dança através de uma convivência democrática e o desenvolvimento de uma cons­ ciência crítica possibilitando, pela via de um projeto educacional popular, a orga­ nização dos trabalhadores brasileiros.

A educação enquanto projeto da classe dominante procura transformar o edu­ cando em alguém dócil, submisso, capaz de suportar qualquer violência ou injus­ tiça sem se rebelar, capaz de sublimar qualquer frustração, preparando para assu­ mir o seu lugar na divisão social do trabalho. E o ensino de enfermagem absorve a ideologia que perpassa as políticas educacionais e "investe para que o enfer­ meiro seja alguém disciplinado e obediente que não exerça a crítica social mas que console e socorra as vítimas da sociedade".

De que forma a ABEn poderá conduzir o processo de reorientação do ensino de enfermagem para que este venha a se transformar em instrumento de luta, quando a entidade, sempre aprovou e legitimou "as políticas de saúde e educa­ ção do Estado Brasileiro nem sempre condizentes com as necessidades básicas dos setores subalternos da população"?

Acreditamos que esse desafio não poderá ser efetivado nem pela Diretoria da ABEn isoladamente, nem por um grupo de "iluminados", mas terá que ser um trabalho coletivo contando com o envolvimento das Seções e Regionais da ABEn, dos cursos de enfermagem de entidades oficiais, de todos os enfermeiros, para se estabelecer diretrizes que vislumbrem a construção de um projeto político da enfermagem de forma que a entidade se torne forte, autônoma e representativa da enfermagem.

O projeto de educação em enfermagem não significa apenas a montagem de novo currículo mínimo, novos programas, novas metodologias; significa tam­ bém conhecer as finalidades educacionais, as estruturas da sociedade e significa compreender a divisão técnica e social do trabalho na enfermagem, e a especifi­ cidade no trabalho de cada um dos níveis de formação. Ao lado disso e no mesmo nível de importância, esse projeto deve enfrentar o desafio da profissionalização do nível elementar, ultrapassar a dimensão técnica do ensino para outra de maior abrangência ou seja, a dimensão técnico-política, considerar também, a questão da mulher e acima de tudo superar a neutralidade da educação e assumí-Ia como um ato político.

Por isso o ensino que interessa aos que hoje suportam a crise é aquele que representa instrumento Ge luta e sobrevivência.

É

aquele que se baseia no con­ creto e contribue para transformação da realidade de saúde do País.

ABIGAIL MOURA RODRIGUES COORDENADORA DA COMISSÃO DE

EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM

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