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A dimensão discursiva da filosofia

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

A dimensão discursiva da filosofia

Ciências

Filosofia

Objetivo: explicar os fenómenos através das suas causas

Por ex: pode-se provar pela experiência que a clorofila ajuda as plantas na fotossíntese

Objetivo: esclarecer o

sentido/significado

(2)

Método argumentativo = Argumentação crítica

Em filosofia, não é possível, obter provas empíricas ou formais para as teorias sobre os grandes problemas filosóficos.

A argumentação é fundamental porque:

 Permite avaliar se uma teoria é melhor do que outra.

 Permite desenvolver as nossas próprias ideias.

 Permite defender e apresentar aos outros as nossas ideias.

 Permite convencer os outros

Convém saber argumentar (que as razões apresentadas suportem as nossas conclusões).

Para tal é necessário conhecer um conjunto de regras que permitem argumentar corretamente. A lógica é a disciplina que estuda essas regras. A lógica é um instrumento essencial à filosofia.

A filosofia dá muita importância a um conjunto de instrumentos

lógico-linguísticos que permitem discutir e avaliar com rigor os

problemas e teorias da filosofia.

Chama-se “ dimensão discursiva da filosofia” a esse conjunto de

instrumentos lógicos.

(3)
(4)

Possui uma extensão e uma compreensão Clarifica-se pela definição É expresso linguisticamen te pelo termo/palavra Logicamente Rigoroso

(não deve conter elementos contraditórios) Geral e abstrato Síntese das propriedades essenciais da realidade representada CONCEITO

O conceito é um elemento essencial do pensamento porque:

(5)

Compreensão e extensão são inversamente proporcionais

(quando uma aumenta diminui a outra e vice-versa)

Exercício

a) Dispõe, os conceitos seguintes, segundo uma extensão

decrescente:

Calças de ganga, Peças de roupa, Calças

b) Dispõe, os conceitos seguintes, segundo uma extensão

crescente:

Árvore, Pinheiro, Pinheiro bravo, Ser vivo, Vegetal

c) Dispõe, os conceitos seguintes, segundo uma compreensão

crescente:

(6)

2-

PROPOSIÇÃO

Proposição = é uma frase declarativa que exprime um pensamento

(juízo) verdadeiro ou falso

Nem todas as frases são proposições

Formas linguísticas não proposicionais

Interrogações/perguntas Que horas são? Quem teve a melhor nota?

Exclamações Oxalá esteja bom tempo! Espero que goste!

Pedidos/ordens Dá-me um cigarro. Fecha já a porta.

Promessas Prometo estudar mais.

Orações “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo…”

Agradecimentos Muito obrigada. Agradeço-te muito.

Conselhos Eu acho que devias pedir desculpas.

Absurdos Um hipopótamo voava enquanto lia livros de poesia

Indefinidos Chove. Neva. Doente. Morreu. Dorme

Uma frase para ser uma proposição tem de ter as seguintes 3 características:

PROPOSIÇÃO

Frase declarativa (afirma ou negar algo) Frase com sentido

(7)

Das afirmações seguintes, identifique com um “P” aquelas que

são proposições

1

O mercúrio é um metal

2

Está muito calor!

3

Quem me dera ele arranjasse emprego

4 Os juízos são falsos

5

Os gatos não são vadios

6

Bom jantar!

7

A que horas partes?

8

Senta-te e cala-te

Proposições

Categóricas Condicionais

Afirmam ou negam sem condições

Afirmam ou negam sob certas condições

Todo o S é P Nenhum S é P Alguns S são P Alguns S não são P

S é P

Alguns S são P Alguns S não são P

(8)

Distingue as proposições categóricas das condicionais.

1 Todos os portugueses são altos

2 Nenhum poeta é formado em direito

3 Manuel cora desde que Edite esteja presente

4

O desporto é uma atividade educativa

5 Há pessoas milionárias

6 Se este objeto não é artístico, então não é belo

(9)

Proposição categórica

Conteúdo Forma

Sujeito

A realidade acerca da qual se afirma/nega algo

Predicado

O que se diz do sujeito (podendo ser negado/afirmado)

Quantificador

Indicador lógico da quantidade de sujeitos abrangidos pelo predicado

Cópula=verbo ser

Partícula que permite a relação sujeito/predicado Universal Todo Nenhum Particular Algum

Estrutura canónica ou padrão de uma proposição categórica

Quantificador Sujeito Cópula Predicado

Todo

Nenhum

Algum

(10)

Proposição condicional

Conteúdo Forma

Antecedente A condição que se estabelece para que algo ocorra

Consequente O que depende da condição para ocorrer

Se…,então

Conectiva lógica que estabelece a relação entre o antecedente e o consequente

Exercício

Apresente as proposições seguintes na sua forma padrão

1 A virtude dignifica

2 Nem tudo o que existe é belo

3 Os professores não são enfermeiros

4 Ser matemático é gostar de números 5 Há advogados que não são mentirosos

6 Não há alemão nenhum eu não seja orgulhoso

7 A honestidade não é própria dos políticos

(11)

Estrutura canónica ou padrão de uma proposição condicional “Se S, então P”

Conectiva

Antecedente

Conectiva

Consequente

Se

P

Então

Q

Coloque as proposições seguintes na forma padrão

1 Vou à praia, se não chover

2 Se estudar, obtenho boas classificações

3 Só os portugueses são forcados

4 Todos os portugueses são forcados

5 Não pode haver aumento dos ordenados sem melhoria na economia

6 Só obtenho boas notas estudando muito

7 Engordo, na condição de comer muito

8 Vou ao cinema desde que venhas comigo

9 Quando estudar, saberei a matéria

(12)

Negação ou refutação de proposições

(Indicando a proposição oposta, que nega: que têm um valor de

verdade oposto ao da proposição original)

Categóricas Condicionais

Todo o S é P

Algum S não é P

Nenhum S é P

Algum S é P

Se P, então Q

P, mas não Q

Se P, então não Q

P, mas Q

Se não P, então Q

não P, mas não Q

Se não P, então não Q

não P, mas Q

Escreve a negação das proposições seguintes

1 Todos os portugueses são altos Alguns portugueses não são altos 2 Nenhum poeta éformado em direito Alguns poetas são formados em direito 3 Se não adoecer, então vou ao cinema

4 O desporto é uma atividade educativa

Todo o desporto é uma atividade educativa

Algum desporto não é uma atividade educativa

5 Há pessoas milionárias

Algumas pessoas são milionárias Nenhuma pessoa é milionária 6 Se este objeto é artístico, então é belo

7 Se não ficares, também não fico

8 Vou à viajem de estudo na condição de ter dinheiro 9 Muitas pessoas não são milionárias

Algumas pessoas não são milionárias

Todas a pessoas são milionárias

(13)

Todos os forcados são portugueses alguns forcados

não são portugueses 11 Não há portugueses pobres

Nenhum português é pobre

Alguns portugueses são pobres

3-Argumento

«A música é uma das mais importantes criações do génio humano. Desde os tempos mais primitivos que os seres humanos fazem música. A música tem tido os mais diversos usos, desde os rituais religiosos à pura e simples diversão.»

(14)

Forma canónica ou padrão de apresentação de um argumento

«Como pode alguém imaginar sequer que há responsabilidade moral? A responsabilidade moral não passa de uma ficção dos filósofos e dos juízes! Na verdade, está tudo determinado. E como está tudo

determinado, a responsabilidade

moral não é possível»

Premissa

Premissa

Conclusão

Se tudo está determinado, não há responsabilidade moral

Tudo está determinado

____________________________ Não há responsabilidade moral

IDENTIFICAÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE ARGUMENTOS

ARGUMENTO

Identifica-se a conclusão (o que o autor está a defender) e as premissas (as razões que o autor apresenta)

(15)

Identificação de premissas e conclusão

1-

Sabendo-se que nenhum comunista é nazi, segue-se que

nenhum comunista é racista, dado que todos os racistas são nazis

2- Os peixes não respiram porque não têm pulmões, e sem

pulmões não há respiração.

3- Não és a minha mãe biológica. Pois os documentos da

conservatória são conclusivos, fui adotado.

4- João é digno de estima, porque as pessoas honestas são dignas

de estima e o João é honesto

5- Uma vez que nenhuma pessoa que respeite a vida humana é

terrorista e, visto que os piratas aéreos são terroristas, portanto nenhum pirata aéreo respeita a vida humana.

6- Como estudei, vou ter boa nota no teste. (qual a premissa implícita?)

7- O João tem um corpo musculado, logo o João é um atleta (qual a

premissa implícita?)

(16)

Argumentos

Dedutivo Não dedutivo

Aqueles que, se forem válidos, a verdade das premissas torna impossível a falsidade da conclusão

Aqueles que, se forem válidos, a verdade das premissas torna muito improvável, mas não impossível, a falsidade da conclusão

Porque as premissas dão

um apoio total à conclusão

Porque as premissas dão

um

apoio

parcial

à

conclusão

8- A pena de morte é inaceitável. Porque matar um ser humano só é

aceitável se não houver alternativa moralmente válida. (qual a premissa implícita?)

9- Não é nada provável que haja vida em Vénus, pois lá a atmosfera

é imprópria e as temperaturas excessivas (qual a premissa

implícita?)

10- Proibir a publicidade ao tabaco só fará aumentar o seu

consumo. Sabendo-se que, se a publicidade for proibida os produtores pouparão dinheiro que nela gastariam e para

competirem uns com os outros reduzirão o preço do tabaco. (qual

a premissa implícita?)

(17)

VALIDADE

Um argumento é válido quando é impossível ou

muito improvável que as suas premissas sejam

Verdade/validade

Verdade

Validade

- É uma propriedade das proposições

- Exprime a relação do conteúdo de uma proposição com uma realidade

- É uma propriedade dos argumentos (da sua forma lógica)

(18)

Futebolistas Cantores Ronaldo

verdadeiras e a sua conclusão falsa

Premissa

Conclusão

Validade do

Argumento

Verdadeira Verdadeira Válido

Verdadeira Falsa Inválido Única

situação que não é permitida

Falsa1 Falsa Válido

Falsa2 Verdadeira Válido

Premissa: Todos os cantores são futebolistas (falso) Premissa: Ronaldo é cantor (falso)

__________________________________________

Conclusão: Ronaldo é futebolista (verdadeiro)

1 Um mês tem 365 dias ( falso)

Um ano tem 31 dias ( falso)

Logo um mês é maior do que um ano ( falso)

2 Ronaldo é cantor ( falso)

(19)

Validade

Argumentos dedutivamente válidos

Argumentos não dedutivamente válidos

Aqueles cuja forma garante as premissas dão um apoio total à conclusão

Aqueles cuja forma não garante que as premissas deem um apoio total à conclusão Generalização Alguns S são P Todos os S são P Previsão Alguns S são P O próximo S é P Todos os S são P Alguns os S são P Apreciação de Argumentos

Quanto à validade Quanto ao conteúdo

Aprecia-se a forma do argumento

Válido

(nunca tem premissas verdadeiras e conclusão falsa)

Inválido = falácia

Aprecia-se o valor de verdade das premissas

Sólido

(premissas todas verdadeiras)

Não sólido

(20)

Apreciação pela forma ou pela validade

(Queremos saber se as premissas justificam/apoiam uma certa conclusão)

Experiência mental

(tenta-se encontrar uma situação em que é possível pensar que as premissas são verdadeiras e a conclusão falsa)

Contraexemplo

(tenta-se encontrar um caso concreto em que as premissas são verdadeiras e a conclusão falsa)

(21)

Apreciação pela forma(validade)

Queremos saber se as premissas justificam/apoiam uma certa conclusão ?

1º Experiência mental:

Trata-se de imaginar uma situação em que, aceitando a verdade das premissas, se possa pensar a conclusão como falsa.

Argumento original

Situação imaginada

Validade

Se chover, então a rua fica molhada

A rua está molhada

_______________________________ Logo, choveu

Imaginemos que a rua está molhada porque rebentou uma conduta de água Então a conclusão é falsa

A 1ª e a 2ª premissa são verdadeiras

Inválido

Se a Joana ficou em casa, não foi à praia Ora, ela não foi à praia

______________________________ Logo, ficou em casa

Imaginemos que Joana foi ao cinema Então a conclusão é falsa

A 1ª e a 2ª premissa são verdadeiras

Inválido

Se a Joana ficou em casa, não foi à praia Ora, ela ficou em casa

______________________________ Logo, não foi à praia

Imaginemos que a Joana foi à praia Então a conclusão é falsa

Mas a 2ª premissa também é falsa

(22)

2º Arranjando um contra exemplo:

Apresentar outro argumento com a mesma estrutura/forma lógica, mas em que a verdade das premissas não torna impossível a falsidade da conclusão.

Argumento original

Contraexemplo

Validade

Se chover, então a rua fica molhada

A rua está molhada

_______________________________ Logo, choveu

Se alguém está em Lisboa, então está em Portugal (v)

Nós estamos em Portugal (v)

_________________________________ Nós estamos em Lisboa (f)

Inválido

Se a Joana ficou em casa, não foi à praia Ora, ela não foi à praia

______________________________ Logo, ficou em casa

Se alguém está em Lisboa, então está no Porto (v)

Nós não estamos em Lisboa (v)

_________________________________ Nós estamos no Porto (f)

Inválido

Exercício

Mostra que os argumentos seguintes são inválidos:

a) Se chove, a estrada fica perigosa. A estrada está perigosa, logo choveu. b) Se a nossa equipa jogasse bem, ganhávamos o jogo. Como a nossa

equipa não jogou bem, não ganhámos o jogo.

c) João é casado, visto que alguns filósofos são casados e o João é filósofo d) Todos os advogados ganham muito dinheiro. O João ganha muito

(23)

Exercício

Assinala o valor de verdade das proposições seguintes:

a) Um argumento pode ser falso.

b) Nenhum argumento válido tem uma

conclusão falsa

c) Todos os argumentos com premissas falsas

têm conclusão falsa.

d) Todos os argumentos com premissas e

conclusão verdadeiras são válidos

e) Um argumento sólido é um argumento válido

com premissas verdadeiras

f) Pode-se recusar a conclusão de um

argumento válido.

g) A validade é uma questão de consistência.

Contra-exemplos argumentativos

Argumento Forma do argumento Contra-exemplo Alguns portugueses são políticos

Alguns políticos são ministros ______________________________ Alguns ministros são portugueses

Alguns x são y Alguns y são z ___________ Alguns z são x Alguns filósofos são casados

(24)

Nenhum leão é um tigre Nenhum tigre é um leopardo ___________________________ Nenhum leopardo é leão

Nenhum x é y Nenhum y é z ____________ Nenhum z é x Se a nossa equipa jogasse bem, ganhávamos o jogo

A nossa equipa não jogou bem ___________________________ Não ganhámos o jogo

Se P, então Q Não P __________ Não Q

Alguns alunos do 10º H1 são alunos Da ESARS Alguns alunos da ESARS são alunos do 12ºAno

_________________________________________________ Alguns alunos do 10ºT1 são alunos do 12º Ano

Alguns alunos do 10ªT1 tiveram negativa no teste de filosofia O Luís Bettencourt é aluno do 10º T1”

___________________________________________________ O Luís teve negativa no teste de filosofia

Se houvesse pandas que fossem vermelhos, então seriam muito raros Os pandas não são vermelhos

________________________________________________ Os pandas não são muito raros

Referências

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