A NAVE DE PRATA
Horácio Dídimo Para a Evendina.
Nestes anos de prata.
1. O AMOR
a o
mmmmmmm mmmmmmm mmmmmmm
o a
r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r
O amor é mesmo um dom inestimável, ou talvez seja um sonho indestrutível; não há mal que não seja reparável, não há bem que não seja irresistível. Nossa vida é, contudo, imprevisível, o clamor da justiça, inadiável, o espaço da esperança, indivisível, o horizonte da fé, inabalável. A dor que não desiste é invisível, o momento da flor é imutável, a cantiga do sapo, intraduzível. Sei que o torturador é implacável, mas além das fronteiras do impossível
o amor é como um sol interminável.
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2 . A CHUVA
á á á á á á á ggggggg uuuuuuu a a a a a a a
A chuva às vezes vem na tempestade, porém as gotas d'água são pequenas, parece que são nada ou são apenas espumas em marés de imensidade. Somente o mar da vida de repente, talvez bem tarde, talvez muito cedo, poderá revelar qual o segredo
da chuva que incendeia o sol nascente. A gota d'água em si não subsiste, mas a chuva que cai e que resiste é nuvem que floresce em nosso chão, que põe o céu nas pedras do caminho,
que faz nascer a uva para o vinho e faz ctescer o trigo para o pão .
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan./dez. 1988
I
3. A DÁDIVA
.p e d r p e d r a p e d r a e d r a p e d r a p d r a rp e d r a p e r a
p e d r a p e d
Cada pessoa tem a sua música, cada mensagem traz a sua túnica, cada cor se revela no seu púlpito,
a
cada história de amor é sempre única. O escafandrista explora a veia cômica, o pescador disfarça a sua tática, a surpresa maior não fica atônita, cada história de amor é sempre mágica. A realidade é correnteza aurífera, a fantasia pode ser verídica,
cada história de amor é sempre lúcida. O bronze redescobre a sua pátina, o mundo desilude a sua máquina, cada história de amor é sempre mística.
so
2 . A CHUVA
á á á á á á á ggggggg uuuuuuu a a a a a a a
A chuva às vezes vem na tempestade, porém as gotas d'água são pequenas, parece que são nada ou são apenas espumas em marés de imensidade. Somente o mar da vida de repente, talvez bem tarde, talvez muito cedo, poderá revelar qual o segredo
da chuva que incendeia o sol nascente. A gota d'água em si não subsiste, mas a chuva que cai e que resiste é nuvem que floresce em nosso chão, que põe o céu nas pedras do caminho,
que faz nascer a uva para o vinho e faz crescer o trigo para o pão.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan./dez. 1988
3. A DÁDIVA
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p e d r a e d r a d r a
p e d r a p e p e d r a p e d
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Cada pessoa tem a sua música, cada mensagem traz a sua túnica, cada cor se revela no seu púlpito, cada história de amor é sempre única. O escafandrista explora a veia cômica, o pescador disfarça a sua tática, a surpresa maior não fica atônita, cada história de amor é sempre mágica. A realidade é correnteza aurífera, a fantasia pode ser verídica,
cada história de amor é sempre lúcida. O bronze redescobre a sua pátina, o mundo desilude a sua máquina, cada história de amor é sempre mística.
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4 . O ENCONTRO
·e
e n e n c
e n c o n t r o n t r o
t r o r o o
Há quanto tempo as flores não se abriam, há quanto tempo os lábios não beijavam, há quanto tempo os olhos não sorriam,
há quanto tempo as mãos não se encontravam! Há quanto' tempo as vozes não se ouviam, há quanto tempo os gestos não falavam, há quanto tempo as cores se escondiam, há quanto tempo os sinos não tocavam! Há quanto tempo nada acontecia, há quanto tempo o sol não rebrilhava, há quanto tempo a chuva mão chovia! Há quanto tempo -e tempo não mudava, há quanto tempo o coração batia, há quanto tempo, sim, há quanto tempo!
Rev. de Letras, Fortaleza, 1a U/2) - jan./dez. 1988
5. O ENIGMA
v a a v a a v
a a a
a a a
v a a v a a v
a a a
a a a
v a a v a a v
O que é que é feito de pequenas dores, muitos albores num só coração,
o que é que vem no vento da amplidão e canta no solar dos sonhadores? O que é que vela num foguinho aceso, reavivando o· reino da verdade,
prende-se sempre e tanto à liberdade, mas se liberta mais quando está preso?
O que é que traz em si o seu caminho, como um tesouro muito pobrezinho, que se veste de verde na secura? O que é que se eterniza num segundo, paisagem inaugural de fim de mundo, de muitas cores numa só brancura?
R«lV. de Letras, Fortaleza, 13 U/2) - jan./dez. 1988
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4. O ENCONTRO
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fiá quanto tempo as flores não se abriam, há quanto tempo os lábios não beiJavam, há quanto tempo os olhos não sorriam,
há quanto tempo as mãos não se encontravam! Há quanto' tempo as vozes não se ouviam, há quanto terripo os gestos não falavam, há quanto tempo as cores se escondiam, há quanto tempo os sinos não tocavam! Há quanto tempo nada acontecia, há quanto tempo o sol não rebrilhava, há quanto tempo a chuva mão chovia! Há quanto tempo · e tempo não mudava, há quanto tempo o coração batia, há quanto tempo, sim, há quanto tempo!
Rev. de Letras, Fortaleza, 13. (1/2) - jan./dez. 1988
I
5. O ENIGMA
v a a v a a v
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vaavaav
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vaavaav
O que é oue é feito de pequenas dores, muitos albores num só coração,
o que é que vem no vento da amplidão e canta no solar dos sonhadores? O que é que vela num foguinho aceso, reavivando o· reino da verdade, prende-se sempre e tanto à liberdade, mas se liberta mais quando está preso?
O que é que traz em si o seu caminho, como um tesouro muito pobrezinho, que se veste de verde na secura? O que é que se etemiza num segundo, paisagem inaugural de fim de mundo, de muitas cores numa só brancura?
(6,0
6. A ESTRELA
c c c c c c c c c c c c c
c c
c o o o o o o o o o c
c o o c
co aaaaaa o c
co a · · a o c
c o r a ç ã o a o c
co a a o c
co aaaaaa o c
C .O O C
c o o o o o o o
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o cc c
c
c
c ·c cc
c· c c é c c cFoi muito ·bom 、セ@ novo ver você num claro instante de contemplação, no livre e leve espaço que antevê as rotas mais sutis do ·coração. De novo ver você foi muito bom; nos olhos muito エセイエゥッウ@ da letnbrariÇa, · na cor de · cada letra, em ·cada sótn; naquilo ·que se espera e que se alcança : · Oásis que caminha rio deserto,
viagem tantas vezes refletida nos espelheis de sonho desta ·vida! Estrela que está longe e que está perto, no sereno esplendor do seu anúncio, tão azul como sempre ou como ·. nunca! .
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (112) - jan./déz. 1988
7. A FESTA
ba .ca ba tu ca da
tu da
ba ca
ba tu ca da
tu da
Vamos viver -agora a nossa festa longe .do frio, perto do calor, ouvindo os 'Passarinhos da seresta abrindo a 'V.ida toda para o amor . Vamos curtir agora -a nnss:n festa, que é granéle a ·curtição deste momento, seremos instrumentos ·:dessa .orquestra que espalha millodias 1Jelo !Vento.
Vamus :cantar agora a :nossa :festa ao som do tamborim e ·do pandeiro, na voz do nosso samba companheiro . Vamos sentir agora a nossa festa, enquanto o coração se descaminha, tocando a nossa hatucadazinha.
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6. A ESTRELA
ccccccccccccc
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c c cFoi muito ·bom de novo ver você num claro instante de contemplação, no livre e leve espaço que antevê as rotas mais sutis do ·coração. De novo ver você foi muito bom;
nos olhos muito ternos da leinbrariÇa, · · na cor de cada letra, em · cadà sóin, naquild アオセ@ se · espera e que se alcança; Oásis que caminha no deserto,
viagem tat1tas vezes refletida nos espelhos de sonho desta .vida! Estrela que está longe e que está perto, no sereno esplendor do seu anúncio, tão azul como sempre ou como .nunca! .
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 {1/2) - jah./déz. 1988
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7. A FESTA
ba c a ba tu ca da
tu da
-ba c a ha tu ca da
tu da
Vamos viver -agora a nossa f:es:ta longe do .frio, perto do calor, ouvindo os tpassarinhos da seresta abrindo a 'Vida toda para o amor. Vamos curtir agora m nass:a !festa, que é gran<Ie -a ·curtição deste ·momento, seremos instrumentos 1:dessa .orquestra que espalha me1odi:as ]>elo evento. Vamos :cantar agora .a nossa 'festa ao som do tamborim e :do pandeiro, na voz do nosso samba companheiriD . Vamos sentir agora a nossa festa, enquanto o coração se .descaminha, tocando a nossa batucadazinha.
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8. A FLAUTA
dó dó ré ré mi mi fá fá sol sol sol
lá lá si si
Não quero mais negar o que mais quero nem nego não querer seja o que for, prefiro declarar que sempre espero ver tudo transformado pelo amor. Poema, és para mim solo de flauta em que distingo a pura realidade, festa de sol e chuva que não falta sobre os caminhos verdes da verdade . Quando o não da palavra se proclama a nave da poesia vai serena,
tudo pode brilhar na sua chama. Quando o sim do silêncio repercute, nada resta a dizer que valha a pena, nada resta a calar que não se escute.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan./dez. 1988
9. A FONTE
.. セ ᄋ@
• ' · DEUS
..
..
D
s
" D eu
s
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s
.· n:Eus
Ninguém · ·pode impedir que o amor lrrompa com seu feixe de raios multicores, · que plenifique espaços interiores, csparzindo clarões sem se dar conü. Não pode haver tristeza ou desencalto nem manifestações exteriores,
esse fluir de rios redentores
não pode- haver · mais nada que intetrompa. Por certo muitas coisas acontecem
que· se dispersam e se desvanecem u flutuar ao som de tantos sinos .. . Mas Deus, fonte de paz e de harmolia, está tão permanente na poesia
quando ·riós n!Ele somos e existimos . .
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8 o A FLAUTA
dó dó ré ré mi mi
fá fá sol sol sol
lá lá si si
Não quero mais negar o que mais quero nem nego não querer seja o que for, prefiro declarar que sempre espero ver tudo transformado pelo amor o Poema, és para mim solo de flauta em que distingo a pura realidade, festa de sol e chuva que não falta sobre os caminhos verdes da verdade o Quando o não da palavra se proclama a nave da poesia vai serena,
tudo pode brilhar na sua chama o Quando o sim do silêncio repercute, nada resta a dizer que valha a pena, nada resta a calar que não se escute o
Revo de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jano/dez. 1988
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9 o A FONTE
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DEUS
Ninguém ·pode impedir que o amor írrompa com seu feixe de raios multicores,
que plenifique espaços interiores, esparzindo clarões sem se dar conta o Não pode ·haver tristeza ou desencanto nem manifestações exteriores,
esse fluir de rios redentores
não pode· .haver - mais nada que interrompa o Por ·· certo muitas coisas acontecem
que· se dispersam e se desvanecem a flutuar ao som de tantos sinos o o o Mas Deus, fonte de paz e de harmonia, está tão permanente na poesia
quando_ :nós n!Ele somos e existimos o .
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10. A HORA
H o r a 'RI o r a H o r a H o r a H o r a H .!i> Jt a H o r a H o r a H o r a H or_a:Jtlo r a H
.Se ;é hora -de :esperar, não anais セウー・ュL@
se a hora ·já passou, espero tudo, se é hora de ·calar, não desespero, se é .hona :de falar, p.areç.o :mudo . Se é bta .de pe.tder, já ·.não :me iiludQ, se é hora de ganhar, -paro no zrer:o, se é hora de sorrir, セエッオ@ :sisudo,
セ・@
re
dm.tra de -chorar, -canto :b:alero .Se é hora de enxergar, não wejo a ht:>ra, se é hora de 'Pllriir, 3'Xão -wu.;me セィッイ。NL@
se é hora de 」ィッセイN@ tiro t> chapéu. Se é Jmra de folgar, nunca :me aperto, se é hora de .subir, fico :por -pertq, se é hora rde ·descer, rolho :pno :cêu .
Rev. :de 'Letras, Fortaleza, 13 '(J./2') - :jan.Ydez. 11988
I
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11. A INFÂNCIA
s s s s s s s s s s s s s s
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
nnnn nnnn nnn e e e e e e e e e e e
t t. t t t t t t t t t
ClOOO 0 0 0 0 0 0 0
A infânaia p,asseia no. soneto
mas não quer. ser chamada de menina., seu chapéu é de> nuvens e arvor.edo, seu riso de. cristal se chama rima. Mesmo assim ela é tãot pequenina, tem gestos leves e. olhos de. brinq1.1edo, vem tão de. dentro quando. se aproxima,. vem tão de lev;e. quando. se aconchega! O mundos· de suav.e navegar!
O rios de cantigas ternamente! O ventos de: horizontes, de. repente!
O flor azul. aeleste· do lua11! O lua branquejando sobre o mar! O futuros antigps, do presente!
cl., Ll1tras, Fortaleza;. 13 (112) - jan./dez. 1988
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10. A HORA
H o r .a : I t i o r a H o r a H o r a H o r a;H :o :r -a H o r
a H o r a H o r a Hor.a1tlo r a H
Se ré holll -de :esperar, mão anais M・ウー・セN@ se a hora -já ·passou, espero tudo, se é hora de ·calar, não desespe_m, se é .hora :de ialar, pareço mudo.
Se é fuin:a de pen:ler, já não me iiludlll:, se é hora de ganhar. 'Paro no zero., se é hora de so_rrit, JlStou :sisudo, lie
re
lhana
de chorar, "Canto bolero.Se é hora de -enxergar, não ·;vejo a hora, se é hora de '!Ulr:tir, 'Dlío \Wu-:me :embora., se é hora de N」ィッセイN@ tiro 'O chapéu. Se é lrara ;de -folgar, nunca me aperto, se é hora de subir, fico ;por perto., se é h01'a rde uescer, rolho ;pro :cêu .
Rev . .de 'Letras, Fortaleza, 13 (1í'2') -- tan.í'dez. l1988
I
11. A INFÂNCIA
s s s s s s s s s s s
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nnnn nnnn nnn e e e e e e e e e e e t t t t t t t t t t t
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A infância passeia no soneto
mas não qJ.,let ser chamada de menina,. seu chapéu é de· nuvens e arvoredo, seu riso de. cristal se chama rima. Mesmo assim. ela é -tãot pequenina) tem gestos le;ves e, olhos de brinqJiedo, vem tão de. dentro quando - se aproxima, vem tão 、・ャ・セ@ quando -se aconchega!. O mundo& de suav.e navegar!
O rios de cantigas- ternamente! O ventos de.: horiz0ntes. de. repente! O flor azul. aeleste. do luav!
O lua branquejando· sobre· o mar! O futuros antigps. do presente!
cll'l l.t1bras, Fortalez:r,. 13- (112) - j_an,fdez. 1988
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12. A LUA
ョオカセュ@
nuvema nuvemua nuvem lua nuvem 1 u a
Digo que sei, mas já não sei de nada, olho nos olhos, não sei o que digo, a ョ。カセ@ pousa toda iluminada, quisera não falar, mas não consigo. Olho nos olhos do planeta terra; ao longe já se vê um novo dia; são os gritos da paz dentro da guerra que farão renascer toda a alegria. Toquei a lua só por um momento, um momento tão forte que devia ter despertado todo o nosso chão . Toquei a lua só por um momento e de repente tudo acontecia
nos lábios numinosos da canção.
Rev. de Letras, Fortàleza, 13 (1/2) - jari./dez. 1988'
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ᄋᄋLᄋセセM
13. A LUZ
v a a v a a v e lmezni r a a r u io m r r d l l l e a e e e
1 n 1 t
h j o a
o a d o
Seria bem melhor se eu ーイッウウ・ァオゥウウセ@
no caminho da luz interior,
ficasse no meu canto e preferisse ouvir a voz セュ@ vez de ser cantor. Seria bem melhor se eu pressentissse o vento que vagueia em 、・イイセ、ッイ@
c nunca mais forçasse ou insistisse em vão ser ou não ser seja o que for.
Um rei de muito outrora já me disse que quem muito falou não viu a hora do macaco fazer a macaquice;
que assim como quem phmta e vai-se embora cuidava que seu sol não refulgisse
nem antes nem depois que fosse agora.
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12. A LUA
nuvem nuvema nuvemua nuvem lua nuvem 1 u a
Digo que sei, mas já não sei de nada, olho nos olhos, não sei o que digo, a nave pousa toda iluminada, quisera não falar, mas não consigo. Olho nos olhos do planeta terra; ao longe já se vê um novo dia; são os gritos da paz dentro da guerra que farão renascer toda a alegria. Toquei a lua só por um momento, um momento tão forte que devia ter despertado todo o nosso chão. Toquei a lua só por um momento e de repente tudo acontecia
nos lábios numinosos da canção.
Rev. de Letras, Fortàleza, 13 (1/2) - jari./dez. 1988
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13. A LUZ
vaavaav e lmczni r a a r u io m r r d l l l e a e e e
1 n 1 t
h j o a
o a d o
Seria bem melhor se eu prosseguisse no caminho da luz interior,
ficasse no meu canto e preferisse ouvir a voz -::m vez de ser cantor. Seria bem melhor se eu pressentissse o vento que vagueia em derredor e nunca mais forçasse ou insistisse em vão ser ou não ser seja o que for. Um rei de muito outrora já me disse que quem muito falou não viu a hora do macaco fazer a macaquice;
que assim como quem planta e vai-se embora cuidava que seu sol não refulgisse
nem antes nem depois que fosse agora.
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14. O MAR
v e n to v e n to vento
vento. vento
Se o mar à vista não. fosse ternura, , se o mar além já não fosse saudade, jamais seria sol com tanto alarde, nem haveria ondas na ventura. A praia. não seria assim tão pura; nem haveria. tanta imensidade,
nem mesmo quando a noite é muito eBcura. brilhariam estrelas de verdad«.
O mar. faz reviver frutos maduros, tempoB _Rassados q_ue serão futuros" como um presente azul muito :grofunda·. O mar faz meditar a luz ardente e o que ele fala· ao coração da gente vai repetindo até o fim do. mundo.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan,fdez: 198.8·
r
'
15. O NOME
a b c d f g
h i j 1 p q, r s t u v x
z nome
Assim colhemos gota a gota1 - a· chuva; assim curtimos sol a sol - a lida, assim saudamos mês a mês - a lua, assim contamos sonho a sonho - a. vida. Assim depomos face· a· face - o 「・ゥェッ セ@
assim regamos corr a cor - a flor, assim plantamos tert'a a tem<r - o verrle-, assim lavramos man a mar - o amor.: Assim ouvimos som a• som - · o sine, assim cantamos· nota a nota - Cl. hino,. assim sofremos poucu a pcuco. - · a . fülillr. Assim traçamos ponto a ponto - a. linhre,. assim podam0s ramo a ramo - a vinha,. ossim gr.avamos· letra. a letra - o· nome;
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14. O MAR
vento v e n t a v e n to
vento vento
Se o mar à vista não fosse ternura, se o mar além já não fosse saudade, jamais seria sol com tanto alarde, nem haveria ondas na ventura. A praia. não seria assim tão pura, nem haveria tanta imensidade,
nem mesmo quando a noite é muito escura brilhariam estrelas de verdade .
O mar. faz reviver frutos maduros, tempos . passados q_ue serão futums, como um presente azul muito :grofundc:L O mar faz meditar a luz ardente e o que ele fala ao coração da gente vai repetindo até o fim do mundo.
Rev .. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan./dez: 198&
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II
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'I15. O NOME
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h i j l p q r st uvxz nome
Assim colhemos gota a gota. - a chuva; assim curtimos sol a sol - a lida, assim saudamos mês a mês - a lua, assim contamos sonho a sonho - a vida. Assim depomos face· a· face - o beijo assim regamos con a cor - a flor, assim plantamos terra a terra - o verde>, assim lavramos matr a mar - o 。ュ。イセ@
Assim ouviinos som a som - o sino, assim cantamos nota a nota - · o.. hino,. assim sofremos pouco a pouco. _ , a fQille; Assim traçamos ponto a ponto - a ャゥョィセ N@
assim podamG>s ramo a ramo - a vinha,. assim gpavamos letra a letra - o nome;
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16. O POEMA
999999999 88888888
7777777
666666 55555
4444 •
333
22
1
Simples ficou tão de repente em mim o que antes parecia complicado; de repente ficou tudo tão claro como um imenso sol sobre o jardim. Pego o caderno e vejo um triste verso encolhido num canto do papel:
garatujas de nuvens lá no céu
que o vento apaga enquanto eu me disperso. Depois vem um momento de unidade,
aos poucos junto a terra que me invade e tudo fica uno em sua luz.
Refaço o que é trist<!za na alegria e o que vejo brilhando na poesia tem com certeza a forma de uma cruz.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan./dez. 1988
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17. A POESIA
p ·al a :vr .a p ·a
n
a v r a .p a r a p a a r .a
p a r a
p a . ' l a v r a pa -l , av ·r a ·
Não posso me e·squecer ·daqueles dias verdes e azuis, velozes e risonhos, em que perto, tão perto .aparecias;
além dos sinos, muito além dos sonhos. E eu ficavá pensando, só pensando, segundo por segundo por · segundo:
quem és tu; assim tanto, · tanto, tanto, como pousaste neste · nosso mundo? Vejo tudo tão breve e passageiro
mas sei que alguma coisa permanece c brilha acima · de qualquer destroço. Ainda que eu percorra o espaço inteiro c este tempo sem fim não recomece, algum dia esquecer - isso eu não posso!
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16. O POEMA
999999999 88888888
7777777
666666 5'5555
4444
333 22
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Simples ficou tão de repente em mim o que antes parecia complicado; de repente ficou tudo tão claro como um imenso sol sobre o jardim. Pego o caderno e vejo um triste verso encolhido num canto do papel:
garatujas de nuvens lá no céu
que o vento apaga enquanto eu me disperso. Depois vem um momento de unidade,
aos poucos junto a terra que me invade e tudo fica uno em sua luz.
Refaço o que é tristeza na alegria e o que vejo brilhando na poesia tem com certeza a forma de uma cruz.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 U/2) - jan./dez. 1988
17. A POESIA
p ·al a .vr ,a
p ·a ll a v r .a ·
p a r a
p ·a a r .a
p a r a
p ·a '1 a v r ·a p a :l Ja v
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a ,Não posso: me esquecer ·daqueles dias verdes e azuis, velozes e risonhos, em que perto, tão perto aparecias,
além dos sinos, muito além dos sonhos. E eu ·ficava pensando, só pensando, segundo por segundo por · segundo:
quem és tu; assim tanto, · tanto, tanto, como pousaste neste · nosso mundo? Vejo tudo tão breve e passageiro
mas sei que , alguma coisa permailece e brilha acima de qualquer destroço.
Ainda que eu percorra o espaço inteiro . e este tempo sem ·fim não recomece, algum dia esquecer - isso eu não posso!
711:
18. A PORTA
v e r d a d e v e n d e v e r
v e r d a d e v e r
v e n d e v e r d a d e
Na verclm:te ci: mamar que: sobressa4. no amor é. ro vemade que. domina}. o espírito é: poosür. que' Jiasaina mas a. letrm é: poema1 que: se esvai.
Ninguém pooe: enJXergar quem• entra: ou sai,. quem cantar em. alta voz ou em surdina;, o sopro é: livre; nunca• se: confina,. a porta é ィオZァ。 セ@ e: O• vento vem e: 'W!Ü.
セ@ claro que não; hfu outra•. clareza• além do: sol. de: Deus. e· da belezat e do arco-íriSJ que: a• aliança;. traz:. O certOJ é nunca ter outra:. certeza:. além do pão: e v,inhOJ sobre at masa1. além: da:. norta: abetta:. pat'a a paz ..
Rev{ <te t;etras, Fortale>za,... 13: (X/2)) - !al3.•/idez; 198IJ
1
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•
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!
•
19. O SOL
r e e r e v i v e r
.e
ti ri.se
v v
.e J. :i •e r e w i v e r
e ce r
Quando penso ·no sol, mo !SOl .do am(i)t', as •coisas acrontecrem ·de :repente,
acredito :na -vJda 'Plenamente, o mundo não parece enganador.
Quando tJ1ellSO '110 sol, no sol :do amor, veio tudo bem -claro na nnemória, tudo o .que tfez :e faz 'ti nossa :história, aqui, a1i, além, em derredor.
Vejo ver& no templo -dos irmãos, navios verdes :vejo :q11e ;vêm .YJirrdo, vejo o mar, vejo o rio, vejo a fonte.
Vejo tanto )ÍlÜUl!Q :no .horizonte_, vejo tanto 1J8SS.ado :réflorindo,
vejo ttamc> )ll.t:esen:te lem :nossas :mãos:!
71};
18. A PORTA
v e r d a d e v e n d e v e r
ven dade v e r
v e n d e v e r d a d e
Na カ・イ、。、・ セ@ m amar que: sobressa4.
no amor é. a. vendade que- 、ッュゥョ。 セ N@
o espírito é: poosúr. que' fusaina mas a. lettal é: poemat que: se esvai.
Ninguém p:o.de enocergat; quem• entr.a: ou sai,. quem cant& em. alta voz. ou em surdina;, o sopro é li.vre; nunca: se: confina, a porta é lar.ga1 e: o, vento vem e:
vaü.
セ@ claro que niio: b:áJ ootra•. clareza: além 、ッ セ@ sol de: Deus. e· da belezat e do arcoAr.is: que: a• a:liançro. traz>:O certo) é nunca ter outra• certeza: além do pão: e: v.inho, sobre ru mt1sa1. além:. da: gotta;. aberm. para a paz..
Recvt d-e :t:etras, Fortaleza,. 13: \ ᄋQGQセI I@ - !an./tdez; 1988
I
19 . O SOL
r e e r e v i v e r
セjN@ ti -e
v v
,e
.i â ·.e r e N i v e re ,e r
Quando penso ·no sol, no 1sol •do am0r, as •coisas aoontecrem ·de :rep-mte,
acredito :na 'Vida -plenamente, o mundo não parece enganador.
Quando wenso ·no sol, .no sol rlo amar, veio tudo hem ·claro na memória, tudo o .que tfez セ@ fm: :a nossa :biswm, aqui, ali, além, em derredor.
Vejo ver& ·no templo -dos :irmfuils, navios verdes wjo que ':vêm :VJnilo, vejo o mar, vejo o rio, vejo a fonte. Vejo tanto 1ftttum ::no Jrarizontt;, vejo tanto passado :re'florindo, vejo r.t:anta セイN・ウ・ュ・@ .t:m :nossas tmfu!lsJ
セ WT@
20. O TEMPO
memótiia e rilemória
da da·
memótia e memória
da da
memória· ê memória
Lembranças que ュセ@ vêm e que se vão, lembranças que me dizem sim ·e não;
lembranças como nuvens que não passam, lembranças como garças que esvoaçam. Lçmbranças como graças alcançadas, lembranças corria · ovelhas· tresmalhadàs; .... ...., lembranças cómo sóis; ·comci -diamantes; lembrançàs·· como -estrelas cintilantes. - - - :
,.
Lembranças do que foi, do que tem sido um reino novo; um · mundo redimido; - ,' -' um tempo forte cheio de esperanças.
Lembranças que recebo agradecido; · lembranças que i:ne deixam comovido,
lembranças e lembranças de lemb'ranç:as. .,.
Rev ... dê LetJ:as,- Fortaleza, 13 (1/2) . ..,..::. jan./dêz. 11988
1. A TERRA
t e r r a pedra
t e r r pedra
te r r a
a
A voz que não falava 、セ@ tão longe vinha por certo do planeta terra, foi muito bom, enfim, nome por nome, ouvir o seu silêncio sobre a pedra. ·
A terra azul presentç nos arquivos em momentos de luz e muita paz reconstitui os dados imprecisos de tempos e de. セウー。ッウ@ nunca mais. Nas naves dos espaços impossíveis,
nas neves desses tempos impassíveis, o アオセ@ será que ainda há por conter? Tão de repente, o que é que eu vou calar,
se digo tantas coisas por falar, se falo tantas coisas sem dizer?
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20. O TEMPO
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memória e ritetnória
dia da
nnemótia e memória dia · da memória e- memória
Lembranças que me vêm e que se vão, lembranças que me dizetn sim e não; ..
-lembranças como nuvens que não passam, lembranças como garças que esvoaçam. Lembranças conno graças alcançadas, lembranças ccm1,Q-ovelhas· tresmalhadas; ' . " lembranças coriüo sóis, -comO M 、ゥ。ュ。ョエ・ウセ@ --· lembrançàs· como -estrelas cintilantes. セM - ·., Lembranças do que foi, do que tem sido · um reino novo ; um - mundo redimido; ' -' -' um tempo forte cheio de esperanças.
., -· Lembranças .que · recebo agradecido; lembranças que me deixam comovido, lembranç·as e lembranças de lembrançàs. -·:
Rev._ dê LetJ:as,-- Fortaleza, 13 (1/2) _...,.::. jan./déz. '1988
21. A TERRA
t e r r a pedra
t e r r pedra te r r a
a
A voz que não falava de tão longe vinha por certo do planeta terra, foi muito bom, enfim, nome por nome, ouvir o seu silêncio sobre a pedra. -A terra azul ーイ・ウ・ョエセ@ nos arquivos em momentos de luz e muita paz reconstitui os dados imprecisos · de tempos e de espaços nunca mais. Nas naves dos espaços impossíveis, nas neves desses tempos impassíveis, o que será que ainda há por conter? Tão de repente, o que é que eu vou calar, se digo tantas coisas por falar,
se falo tantas coisas sem dizer?
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22. A TRAVESSIA
o b a 1 ã n o a r p ·e d r
no m r
a
Quem sabe se não é a fantasia que pode transformar a realidade?
Quem sabe quando a noite vira ·dia, quando amanhã já ·estã ficando tarde? Quem sofre de um saber que :ninguém ·sábe'? Quem sabe de um -sofrer que é ·de ninguém? O trigo se dá :bem ·0nde ·não cabe?
O joio se dá màl 、セョエイッ@ ôo bení1' Quem pode revoar na revoada?
Quem sabe não olhar ;e 'Ver a .lua navegando no céu da nossa rua?
Quem sabe de ninguém ;não ·sabe .nada? Quem sabe de seu ·nada sabe tmb? Que sábio de .tão .sábio ficou mudo?
Rev. de Letras, Fortaleza, ..1.3 (1!12) - jan.Vdez. 1988
23. O VENTO
s s s s s s s s s s s s s i 1 ê n c i o
s s s s s s s s s s
s s
Quem pode caminhar passo por passo quando a lembrança da distância vem, trazendo um mundo que não se detém senão no tempo azul, no verde espaço? Quem pode recordar traço por traço todo o retrato que a ternura tem, uma verdade, uma vontade, um 「セュN@
que se desdobra além deste compasso? Tudo i&so eu vejo na sabedoria
do vento que perpassa noite e dia e sopra a flauta do seu canto mudo . Então vou escutando o seu recado c sei que no silêncio renovado não dizer nada é quase dizer tudo.
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22. A TRAVESSIA
o b a I :ã n o a r
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Quem sabe se não
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a fantasia que pode transformar a realidade?Quem sabe quando a noite vira ·dia, quando amanhã já ·está ficando tarde? Quem sofre de um saber que .ninguém sábe? Quem sabe ue um -sofrer que é de ninguém? O trigo se dá :bem ·onde ·não cabe;>
O joio se dá màl dentro ôo 「・ュセ@ Quem pode revoar na revoada? Quem sabe não olhar ;e ·ver a .lua navegando no céu da nossa rua?
Quem sabe de ninguém .não ·sab:e :nada? Quem sabe de seu nada sabe tudo,? Que sábio de tão .sábio ficou mudo.?
Rev. de Letxas, Fortaleza, .13 uゥGセI@ - jan.Ydez. 1988
23. O VENTO
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Quem pode caminhar passo por passo quando a lembrança da distância vem, trazendo um mundo que não se detém senão no tempo azul, no verde espaço? Quem pode recordar traço por traço todo o retrato que a ternura tem, uma verdade, uma vontade, um bçm, que se desdobra além deste compasso? Tudo hso eu vejo na sabedoria do vento que perpassa noite e dia e sopra a flauta do seu canto mudo. Então vou escutando o seu recado e sei que no silêncio renovado não dizer nada é quase dizer tudo.
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24. A VIAGEM
I I I uuu
z z z I u z z u I 1 u z a z u I 1 u z z u 1
z z z u u u I 1 1
Viajo pelo tempo e pelo espaço profundamente, mas sem rumo certo, e vou gravando tudo num retrato feito de vozes e pequenos gestos. Talvez de adeuses e pequenos restos de tudo o que se foi, mas não passou, porque reviverá na grande festa dos que se libertarem pelo amor. Há uma estrela azul que me orienta, nesta viagem que atravessa o espaço e que rompe as barreiras deste tempo:
estrela que ilumina e que apascenta, mão que desliza leve sobre o braço como um beijo de luz em cada face.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 (1/2) - jan,fdez. 1988
215. A VIDA
v v i v i d v i d a v ida v v i d a v·i v i d a v i d vi davi da
t\ vida não passou: sempre menina na menina dos olhos permanece; ugradeço a Deus Pai a prata fina que nos ensina e que nos enriquece. Agradeço a Deus Filho o regozij<? de tudo o que vivemos lado a lado; l' ao Espírito Santo, Deus-Sorriso, o campo em plena messe contemplado. Pura sempre à Trindade eu agradeço os milênios de luz que não esqueço
· os instantes da treva que ilumina; pl!la expansão do amor no nosso mundo, por tudo o que é tão simples e profundo l' me vem de você, sempre menina.
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24. A VIAGEM
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Viajo pelo tempo e pelo espaço profundamente,, mas sem rumo certo, e vou gravand<O tudo num retrato feito de vozes セ・@ pequenos gestos. Talvez de adeuses e pequenos restos de tudo o que se foi, mas não passou, porque reviverá na grande festa dos que se liberrtarem pelo amor. Há uma estrela azul que me orienta,
nesta viagem qUie atravessa o espaço e que rompe as: barreiras deste tempo: estrela que ilumina e que apascenta, mão que desliza leve sobre o braço como um beijo de luz em cada face.
Rev. de Letras, Fortaleza, 13 U/2) - jan.jdez. 1988
A VIDA
v v i v i d v i d a v ida v v i d a v·i v i d a v i d v i d a v i d a
A vida não passou: sempre menina nu menina dos olhos permanece; ugradeço a Deus Pai a prata fina que nos ensina e que nos enriquece. Agradeço a Deus Filho o regozij<? de tudo o que vivemos lado a lado; c ao Espírito Santo, Deus-Sorriso, o campo em plena roesse contemplado.
Para sempre à Trindade eu agradeço os milênios de luz que não esqueço c os instantes da treva que ilumina; pela expansão do amor no nosso mundo, por tudo o que é tão simples e profundo c me vem de você, sempre menina .