• Nenhum resultado encontrado

1)0 RIO DE JANEIRO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "1)0 RIO DE JANEIRO"

Copied!
29
0
0

Texto

(1)

©© 596329 © 259 © 359 ' 9 ©

A’CERCA DO VALOR

DA

1

(

Jue foi

defendida

perante a

Faculdade de

Medicina

do

Rio

de

Janeiro

cm19 de Dezembro de

181 -

4

,

POU

extern / / o effijc / c / Ü

FII

.

IIOLEGITIMODE JACINTHO LUCI ANNOSOARESUEBELLO, NATURAL DA ILHA DE S. MIGUEL,

DOUTOR EM MEDICJNA PELA MESMAFACULDADE

.

Quo«!mihibonum videlur,probo

.

RIO DE JANEIRO,

TVPOGRAPIIIAl><>MARIOUKN

.

L

.

MANNA .

1844 .

(2)

sa aassisa íí j í .

1)

0 RIO DE JANEIRO .

OM4

-

Os SENHORES DOUTORES

Lentis Proprietários

.

Joaquim JosódaSilva F

.

de1*

.

Cândido

.

(F

.

F

.

Allemão

J, V

.

Torres Homem

O -

MaurícioN

.

Garcia

.

\J.Maurício N

.

Garcia ilL

.

deA

.

I*

.

da Cunha

. .

L

.

F

.

Ferreira J

.

J

.

da Silva

Director interino

.

ANNOS

IPhvsica

.

. Botanica Medica, cprincípios ole

-

.

( mentares de Zoologia

. .

íChimica Medica,c princí pios ele

-

mentaresdeMineralogia

. .

( Anatomia geral, cdcscriptiva

. .

\Anatomia geral, e descriptiva

. .

IPhysiologie

.

,

'Pathologinexterna

.

^

y-iíídJiulugia interna

.

Pharmacia, Materia Medica ,espe

-

cinlmcnteaBrasileira, Therapeu

- tical

c Arte deFormular

.

/Operações, AnatomiaTopographi

-

^

JPartosca,e, MolApparclhoséstias d

.

)mulheres pe

-

jadas , e paridas, ede meninos v reccm

-

nascidos

.

Examinador

... .

\Hygiene, e Historia de Medicina.

IMedicina Legal

.

1

.

«

-

v 2

.

°

:

3

.

°

Supplenle

.

J

.

J

.

de Carvalho

'C

.

B

.

Monteiro B

, )

(

F

.

J. Xavier

.

Examinador

.

tT

.

G

.

dosSantos

(J

.

M

.

daC

.

Jobim 6

.

Clinica externa , e Anatomia Pa

-

thologira respcctiva

.

Clinica interna , c Anatomia Pa

-

thologica respcctiva

.

M

.

F

.

P

.

deCarvalho,

Manoel de V

.

Pimentel

. .. .

Presidente

.

LENTESSURSTITITOS

.

Examinador

.

J

.

B

.

da Boza A

.

F

.

Martins D. M

.

d*A

.

Americano L

.

daC

.

Feijó

A

.

Maria deMirandaCastro

.

.Examinador

..

(

Francisco Gabrieldallocha Freire

j

Secção Medica,

j

SecçãoCirúrgica

.

!(Secção de ScicnciasAccessorias

SECRETARIO

Luiz Carlos da Fonseca

.

A 1'aruldsdenioapprove,nemdesaprovaasopiniâesmunidas nasTbeset

,

qua lb« y

.

n.

lioapresenuJts

.

(3)

Ü

J ' Dili ü 'lU ï t ü a

Infernal veneno da virtude detantas almas que para ostentar a obra deum Deos nascerão, desperta! Desperta, v í bora de tantos males sedenta, de quetumesma origemes,masque paraescarneodetua ignorância, senao sempre, muitasvezes inestimáveis sao bens,quedosteusprotegidosamaior parte nem conhece

,

dos quaesnem édigno! Desperta ;do curtosomno d’esque

-

cimento , que dormindo parece a meu respeito estar , acorda ; acorda , quea minha these está feita: ja está noprelo

.

Mas de mim dormes tu esquecida, ou, como o vil, como o covarde

.

quefacea laceum inimigoformidável naopodendo a seuspesabater,cons

-

cio da propria fraquesa,em chamas devingançaiuflammado, perlido nefanda traição machina encoberta, novos planos estudas, que em maduro ensejo , aguardandosorprehcuder

-

me, mostrar pretendes, e entãoqueosomno lin

-

ges , masque nãodormes?

Qual lor, seja embora a verdade; outra verdade, a que unica m'im

-

porta,èque,ou durmas,ou inoidies, se no somno, que da morte é ima

-

gem ,comaimagemde umcadaver lue,taem defesa nao tenhoasustentar, contraos aggressosde tuacovardia, nem de lucta depende a victoria, cila minha será, que a nobresa semarmas, esem pelejardesobejoé força para vencei- os. Sim; tu osabes

.

Nao telembra ,comotenhoeu resistidoaosrepetidos attaques , que du

-

rante a minha carreira decapricho,paraintcrrompel

-

a ,ao encontro adver

-

sos m’enviasîc ? Nao vOsn'esse longocaminho juncado d’espinhos de distan-

cia em distancia um pendãoem trophco arvorado ondea Victoria escreveu

«Vencea innncenciaa maldade , triumphado vicio a virtude, da infomia zomba a nobresa , da opulência a inópia escarnece ,aosaber a ignorância securva,c muitasvezes o fraco o fortesubjuga? !»

NaovV

-

s !

. .

tepergunteieu

. . .

como hasdetu ver ,seuma vendaosolhos

tecega!Ah!e talvezque ,seviras ,conhecesses; etalvezque,seconheceras, mais justa fòrassempre,otenãoenganaras á cerca domérito,na protecçâo

guerra, que sãoteuoflicio , nquelln dar

.

ésta ao homem fazer! Ora poisquinzequefoi elladurante os oito an nos de minha vida moralquaseapenasde nutrição, tenho luctado,porquecontinuamentenos pri

contra ainjusta perseguição, que, ou por engano , ou espontaneamente de tao diversos modosme tens feito, cuja historia lo naoquero n'este escrip

-

tolembrar,porquemeseria forçosoavivar feridas,que otempo vaicome

-

çando ncurar , porque tao indispensável, como doloroso meseriacom opejo da honraa face de rubro tingir(tu sabese maisalguém aquem me reliro, cao quealludo , (' quanto basta) o que em tudo tenho vencido, oxccpto

poder lindar uma auzcncia, que, seduranteessesoitoânuosd' periencia domundo,posto queem parlesonsivel,era simultaneamente stiavi

-

sada pelonobresa de umcapricho, que umsanto amortornavaumaneces

-

sidade , vai do dia 20 d'este Dezembro em diante em verdadeiro desterro ena

moiros

e\

-

iiii nao

(4)

transfigurar

-

se, ao terminar essa carreira, que de balde quizeste tantas ve

-

zos interromper mandando

-

mca lei escrever uma these, ern cuja dedicató

-

ria posso um monumento do gratidao estatuir, a quem a oíTeroccrei? A«

.

raizes donde brotei apoz uma vida fracabaver recebido, eocrescimento ft* ,

tal tercompletado? A’sgenerosas defensorasdessa vida extenuada, semcu

-

jos mais que extremosos disvclos, maisque malernaes cuidados houvera pe

-

recido,sempermittir

-

ine o prazer gozar de as conhecer, paraasamar?(O' meu Pai! 0' minhas Mais!o amor d’este filho, que com indisivcl prazer estes nomes

,

quando a vós os dirige

,

pronuncia, é um fogo, que n’alma a Naturesalhe accendeo

.

eque a educação, que lhe destes,alimenta; esse fogo é a violência de uma paixão; essa paixão me faz curvar resistindo á força, com que para junto a vós me puxa; e porque hei

-

de a tao natural impulso resistir? !Eis oque incomprchcnsivelparece:éporqueaMoral guer

-

reia a Naturesa; éporque a llonru vence Paixões:assim mo ensinastes, e cm verdadeassim é ; resignemo

-

nos por tanto ásorte adversa!) Aquem a oflcrecerci? A algum dos parentes,oudos muitos amigos,a quesoudedif

-

ferentes modos agradecido? Não; nao

,

maldita ; nem aos primeiros, nem aossegundos,'cujos nomes nem aqui escrevo , porque ao 1er cada urn d'el

-

lesa minhadedicatória,n'ella oseu sunporáestampado; estes e aquelies todos conhecemosmeussentimentos, nem o nome damigo poderiamos cu e elles niutuamcntc trocar, se não conhecessem, que eu o sou , e o sentimento d'

.

amizade não póde deixardeincluirodegratidão;todos elles

,

os primeiros c ossegundos nãosose não oITendcráo, mas até louvarão, que,ofierècen

-

do

-

ta , assim eu proceda

.

Fosse em ti pois um engano, fosseuma maldade imperdoável, fosse cm fim um sabio favor

,

porque a tua perseguição sem frustar o meu trabalho os olhos me abrio,quena sociedade para o mundo devem olhar, acceita, recebeemoiïerendaas minhas prim ícias liItera rias,ou comsignal de perdão, se por engano me perseguistes,edeo fazer estás hoje arrependida; oucomo castigo, com que n generosidade de um vencedor escolhe punir

-

te, para ensinar

-

te a ser no luturo maisprudentee mais justa para com quem, em vezmaismem,devalioso galarda q u e m lizesto um inestimperseguição,ã oprotec, que em penhor de gratidçãoádeva antes merccervel lavor,de que elle careciaão p

-

teó;de oflertarou em, que conhecefim

-

tecomoo hoo

-

,

e de|fio« se aproveitará

.

Equemsabe,sc naofoi esto o teu nnico fim! ?

()

.

Infor

.

(5)

INTROUUC Ç AO .

Quod mihi hör»um vidclur , probo

.

(iemeosa Medicina e o primeiro ser da raça humana , a este nascer im

-

perfeito e incapaz decurar de si proprio para viverccrescer,àqoellotocar logoao nascer a perfeição,e não carecer de cuidados alheios para

\ar

-

se,

g

perseverarillesa; a um ser subjeilo ao sem numero denecessida

-

des, que emanando da vida a vida gaslao, c andar exposto á influencia d’urna multidão d’agentesdodestruição,ã outra zombar de todas as causas dc devastação de qualquer cspecie, e ainda sero instrumentodeguerra c extermínio de muitas deliasmeira longos séculos perdurar;,ao, oultimo viver poucoaoshomens de muitos malescsoffrer muitoalliviar, à, tacspri

-

sãosem duvida algumas das principaes condições, que a Maluresaassignou ã exislencia do Homem e da Medicina, seres na esscncia dessemelhantes , mas cadaqual em seu generoobra prima, emcujacreação assazcila mostrou a excellencin deseu poder!

Cinco mil oitocentos oquarentacquatrovozes, porque mais longea tra

-

dição remontar nao póde , e por isso n ão pode ohomem lambem sabe

-

lo,

aflirmào os chamados sábios, que ossignos do Zodiaco temoSol visitado; cincoenta e oito séculos oito lustrose quatro annos didade conta pois por estecalculo aMedicina, essa velha misteriosa,que adespeito d u m a longe

-

vidade quase sem igual, senão no tempo, tem todavia continunmcnte sido um emblema democidade em consequência dc mudanças, não em si pro

-

pria , porqueem si propriaéimmutavel , mas nas extravaganciasintellectuaes dos homens, que tem presumido descortinarosarcanos até hoje impenetrá

-

veis, que a constituem , ecuja sciencia parece , que a Naturcsatem decre

-

tado perpetuamente aos homens occultar!

Desdequeoprimeiro homem , dtpois de gosar saude , a primeiravezsof

-

freo, aexistência da Medicina foisuspeitada; desde esse momento cm di

-

ante osacasos e algumaslembrançasfelizes , porque,a razão , ainda inculta,

nao conhecia enlao o arido deserto dasconjecturas, por ondehojevagaer

-

rante, forão pouco n pouco aoshomens ensinando , como suavisar osmales, a quea vida os traz expostos, porém isto de um modo, a que hoje no séculodas luzes sechama irracionalmentecmpirico

,

porquenessetempo ainda o

-

, fachos da rozaoincendiados nao haviao sido

.

Monopolio de Padres , ohjeclo dcodiosas controvérsias entre medicosephi

-

losophos, phnnU

-

nia de vas superstições, fonted'ignobil fanatismo tudo foi

a Medicina nesses séculos do feiro, em que o homem, antes um aulho

-

inalo, do que um enteracional , reputava um crime incxpiavcl, senãopela morte , nsubstituição d’uni erro por uma verdade rocem descoberta!

Algumtempodepois começou atnrnnr

-

so umpoucomaisdiaplianoodensone

-

voeiro, quo onlrepiinhfi nosollmsdohomem oaoslimites dohorisonto»ci

-

entifico, que elle podiu lobrigar

,

uma veada assaz espessa oopaca para sor conser

-

(6)

I l

à vista impenetrável; surgio dapossibilidade o primeiro génio medicodaan

-

tiguidade no espirito do venerando Hippocrates, c a Medicinaestreouenlâo a forma do sciencia na intclligcncia humana

.

Appareccrào successivamenle após Hippocrates Galeno

,

Boerhaave, Stall, Van

-

Ílelmon , Brown, Basori, o Broussais; vociferou a tuba do enlhusias

-

mocada um destesfamigeradosnomes,cujo echoretumbou emtodasasplagas do mundocivilisado, porque cada um dolles um rcformndor , um inventor significava; cada um destes innovadoros metamorphoseou a seu grado a Me

-

dicina , edificando sobro alicerces em parte novos

.

em parte roubados ás ruinas dosystema.precedente, que este havia por fim desmoronar , um novo systema , imagem a seus olhos da verdade elevada ao fastigio daevidencia, entre tanto que aos de outros evidencia só semostrava edesobejo na pro

-

clamação da verdade , mas não na verdade dos princípios; cada um destes systemos, ou porque a novidade envolta no prestigio, que orna jymipre a produeçao dumgenio, deslumbra mais, ou menosa razão do homem , ou porque a nitidez d’uma eloquência eminente

,

emovciulovivamente , seduz quase sempreòconvicção intelligcncias menos cautas contra os artifícios da dialectica , grangeou numerosos prosolylos, entro muitos dos quaes alguns si

-

multaneamente preconiose modificadores das ideas de seus mestres, porque oespirito diunovaçao pareçoinnato e profundamentearraigadono coraçaodo homem, arvorados campeõessenrrojaraoá liça, e dos peitos fazendobalu

-

artes contraochoqueviolento das injuriesdo inimigo , com aguerrido valor em defesa dopavilhãopor seu chefehasteadocm busca do tropheo com as armas adversassuasarmasencontrarão !

Qual porém temsidooresultado de tão longas, quãocalorosas pelejascm prol dos systemas , queassuscitarão? Nenhum, força 6dize

-

lo: foiodes

-

tino dc um asorte de todos

.

Cada qualesculpio cmcaracteres indeleveisf>

nome dc seu autor nas paginas da hislorin dasciencia; cada um chegou ã eminência do zenithda perfeição nn opinião de uns,o ao verde outros la mesmoestava profundamentesepultado num abismodeignorância; cadaqual mereceo umaapothéose , mas cada um hem depressa foi lambem ferido por um anathema; muitosdellescmfim,senão todos, simulandoumiminenso foco do luz perennepara elucidar duvidas, queserão talvez eternas , quasi como oclarão d’om meteoro , que tão repentino scintilla

,

quãosubito sc eclipsa , brevemente ofulgor perderão, e sena voragem do tempo, ondetudo perece,e parasempre seesconde, completo olvido ainda acampa lhesnão forma ,os vesligios , quodolles rcslão, quando a nllcnçao do quem prova por via da memória vem occupar, d ahsurdos somente uma imagem representão : eeis do todos elles oprincipio c o fim!

E scrû por ventura possivcl no estado actual daMedicina purificard'hypo

-

theses um systema para bazca

-

loemevidencias, que tornem unanime a opi

-

nião de todos os medicos instru í dos? Systematheoricoseguramcnlenão:lir

-

memcnleo cremos, com pesarodeploramosI

O queéa Medicina? A sciencia do homem e a arte dc ocurar

.

Oque

éo Homem ? Um composto de vida e matéria

.

O que ó a Materia do ho

-

K’ asubstancia solida extensaoimpenetrável, doquesocompöoésta organisada, geralmenlo designadapelas palavras

corpo humano

,

que podemos ver c tocar, sem com tudo a conhecer queé Vida? Sc

os re

-

inem? massa

em essencia; mas o na resposta quizormos mostrar, queestudámos 1'hysiologia,

poderemos dizer

,

que é uma substancia heterogenen da materia

,

que anima

(7)

Ill corpo, qua ä oprincipio, ou motel «I« lodo» o*plienomenoaorgânicos«

uni outras cou»M, que os mais crI«lues Physiologistes nosleem ensinado ; porem sa quisermos diier oque ècila , dc

í

inil

-

a

,

a respostaúnica, mais

claraeconcisa,que podemos dar, é umdoloroso

nãosabemos

ou RIIU

-

}tes mui distinclas a>lesmen1' por tanto(o

ignoramosessencialmcnteAnatomia

.

ac aMedicinaPhysiologieumasciencia composta; o pois que adenaturesaduasparda

-

matéria organisada , conscqucn temenie a Anatomia, ó ainda ignorada, assim

como a tida , pelo quo tainbem a Physiologie, cvidenternenledisloresulte, que a Physica o a Chimicaorganien , a Pathologie« aTberapeutica, depen

-

dênciasdas primeiras duas , a fortioriignoradas devem lambem ser:e eis n'estaingénua confissão, infeliimenle verdadeira,expressaeperemptoriamente demonstrada acausa, porque ,em vez de urn único e positivo , (em a ima

-

ginação dos homens phanlasiadouni tropeldesysternas,cujastheories lluctu

-

ando n um oceano dinceiicsa*,|iue ineMiio nseus proprios autores pode»

-

sem parecer prováveis, sinceramcnlcduvidamos

.

Mas dever

-

se

-

ba porventura entregar porissso ao esque:imentoa Medi

-

cina , eliminar donumero dassciencias aTberapeutica , c abandonaràna

-

turesae aoacaso o homem , emboraáexistência lhe itnpozesse aquellocoino

condição osofrimento, a mortecomo fim ?

Serà mesmo impossíveln’esteestadodc confusão, ou melhordignorancia , concernenterapeuticosnia , em quenaos segredos daNaturesaa saude consistea restabelecerMedicina, ajudar por, interrompida pelanocorpo domeiohomem enfermoinfluencia dadaacçdod’agentescaua>a ,harmotheque

- -

àmoléstia deu origern ? Nao:tanto nâoousar íamos temerariamenteatlirmar, e alédo contrario estamos profundamente convencido

.

ANaturesa , misteriosoeui todos osados funccionaos do organismo hu

-

mano, é muda, ébem verdade, ãs interrogações dohomem, quearazao d'elles procura conhecer; mas sc perlende ciosa da de suasobras amais es

-

tupenda ,eda admiraçãoinfinita,quena contemplaçãodohomemo mesmo homem despcrla,para quenunca cesso , avida guardarparasieunica asci

-

encia da maravilhosa urganisaçãoovida d esse ser porexcellenciaentretodos os seres conhecidos do Universo, comtudo o nao condcmnou a laocompleta ignorância, que n;lo possa elle ter conhecimento do muitas das leis, que presidem a conservaçãodesua propria vida, e por consequência de muitos dos meios ,dc quedeve servir

-

se, para remediaraos males, qui

sequência de umuperturbação de saude; aNaturesa í

.

illa, e falia

exprime

-

se alé corn sublime eloquência

,

mas é na observaçãodos fados, que o homem pode somente escuta

-

la, e ouvi

-

la , porqueè so porfactos que elle lhe indica as leis, que quer ensinar

-

lho ;è por consequência somente a poitrriori, queéstasleissepodem conhecer;òporconsequência someato experimental, que urnsystema se pódo organiser

.

Feliz portantouqucllc,queporvansillusoesse naodeixar deslumbrar,pre

-

sumindoconhecern'urnfacton ratiodellc , porquesoassimsenao enganará! Betnavenluradoaqmllo , que ,profundooescrupuloso observador , souber por via duuiaacertadaclarificaçãodeduzir íeis ,a que (iclmcntese devaohcdcccr na grandearçã odorxerciciodaMedicina , porquosoelle farão que devo, o énec*»4Aiinfazer.

Se aMcdí ririu é poia paraohomem uma scienciad'observaçAo, como, pelo Tieacimadeixamos dito,mostramoscrer,allouuropaihia devoser pora n< >»

upbemsãoconalto

-

,

(8)

I V

deiodo* os »yvtema»conhecido» na«cicnci/iAI|II<*IIC, <|110mereça

preirftnci«

,

porqueédo lodosu<|nolle, quo l«*m porhatesfactos, quo a obfterviçaof< /

conhecer, quoa expeiienciu quotidiana erehros vexes confirma

,

e quo umes

-

piritoeminentomente philosophic»)c fecundo soube aproveitar ocoordenar , antesdosoomhrenliarnoluhyrinlliodasthcorias,undo ordinariamente ara/So se perde, masa verdadesonflodescobre

.

SamuelHahnemann,

.

a quem de tor sidoPolria devo aAllcrnanliaufanar

-

*« ,

foi oMedico para gloria docujonomea fortuna reservouadescobertadalio

nuvopathin

.

Observandoestohomem extraordinário

,

quoaacçao daquina, re

-

conhecidoespecificocontraasfebresintermittentes,perturbavaoestadophysiolo

-

gico do indivíduo , quo a ella sesubmettesse, dandocausaaphenouienosmui semelhantesàquclles, quefazianoenfermodesapparocer, vislumbrou nestein

-

cidente ogermon duuia nova Therapeutics, e procedendo im medialamente áexpcriencia , unicafonte limpa do todososconhecimentos destegenero,pôde com certcsaconvcnccr

-

sedepois devinteannos dassiduo*eafanosostrabalhos, quea Ici dos semelhantes era a lei geraldaThcrapcutica

.

E'staleiencerrava um melhodo, masHahnemann naosatisfeitocom1ersoincnledescoberto um mcthodo, porquea descoberta do novomelhodo , um novo syslema lhe fazia lobrigar,quiz lambem umsyslema formar, c com eITeito formou

-

o

.

Conhecer a moleslin , conhecer as virtudes mcdicinacs dosmedicamentos, o saberprcpara

-

los,bemcomo asdoses,cmqueconvémadministra

-

los,são,além

do conhecimento do melhodo,os princípios sobre que devo , como bases , as

-

sentar

-

se lodoo syslema dc curar

.

Conhecer a moléstia , Hahuemanno linha aprendido estudando Puthologia; o modo de conhecer a virtudedosmedicamentos, asexperiências, que o de

-

sengano hcercada lei dossemelhantesoobrigouafaz;r , necessariamentelho cnsinàrao; amaneira porém deospreparar,oaquantidade,em queosdevia administrar ,so não foi a ohscrvnçno que Ihas mostrou

,

foi uma deducção philosophies do seu melhodo , quo lli'us fez conhecer, ocujo acerto logo depois aexpcriencia tambémconfirmou : logopossuindoHahnemann oconhe

-

cimento dasbases dc um syslema, sobre cilas podiaumsystcmaerigir,ecomeffei

-

tooAssim teve origemerigio,c áconsideraçãaHomodos medicos denominadoœopalhia; para que nascesse

Homœopalhiaevivesse

onooffereorbe daçeo

.

intelligencia humana , hem como quasi todasas demais verdades seien lificas, dc quo oacaso lhefossepai, e mai aobservação, porque n’esta foi gerada , e àquellc deveoprincipio, tevo necessidade! Assim,hemcomo osdemaissys

-

temas anteriores, aunspareceuimmediatamenle melhor,que todos; n outros pelo contrariopeior , quequantoscreados haviáosido

,

menosdo um instante bastou , paracomo tal a conceberem ,ccondcmnarcin :e emverdade ,quando adoutrina pbysiologica ainaudito furor cruentosoltando redeas , sem respeito afactos, nem a razões, nem aautoridadesumpor umaggrcdiacomvc

-

hemcncia todos ossyslemasatéenlâoconhecidos, o, sangue fazendocorrerem borbotões, n’um mar desanguopareciaquererafoga

-

los,aHomœ opalhia nas

-

cendo, e ferindo

-

lhe logode morteos mais culminantes dogmas , devia nos aniiuos condoídos daquella enorme devastaçãoseguro e promptoasylo, bom como implacrnenteencontrarável rancor nos espí: devia, sim, devia , dizemos nritospeloBroussaiismoós, porquefulminadosa cxperiencio, infallivclnos

-

mostra cada dia, quo cm vez de sodarem aotrabalhodoestudarcexaminar, cornoconvém, a*coisasnovas, oque por nenhum outro meio so podem saber cconhecer

,

os homenscm geral, oordinariamente tanto uiais, quanto mais nem

(9)

V instruidos,presumem, aoque parece

,

queoneusaber lern chegado ao n<c plus ultra ,c que por isso não devem um so instante hesitar cmdeclarer,<•

atedogmaticamente alíirmar , se ó verdadeira , ou falseaoisersuo, ou dou

-

irina, que pelavezprimeira nalteuçdo lhos occupa; o oqueainda sobreludo admira , oóparacrer

-

sotãodtflicil, como para dizcr

-

scdesagradavel, óquo mesmo , depois que otempo, aexperiência oarazaocomevidencia lhes mos

-

Iráo ,substituindoáorigom do erroafonte do acerto ,atemeridade ,comque acreditá rao , oorgulho ,esse«orgnlhotão

.. .

impróprio ,queos fez errar, exag

-

gerando

-

se,começaporfazer

-

lhe* suspeitar , quoos seusjuízosdeviaoscr in

-

fallivelmente verdadeiros , e,depravando

-

lhes

consciência , corroinpondo

-

lbes

aprobidade , osubornando

-

lhes cmfiina razáo,para quoaverdadeira convicção dissimulecom sophismns, quealgumas vezes ainda a unsenganao ,a outrosper

-

suadem, eaté nos proprios autoresmuitas confundem , assimacaba! Basta porém de censuras;com cilas nem dolevepertendemos sustar asaltas funeçoes doministériodarazaodo ninguém; comcilas nuoqueremos exprimir, queos juisosdos outros dcv

.

1o nos nossossubordinar

-

se,nem taopouco, que

son’estesaverdade .

-

o encerra;apenas aosnossos pensamentosqueremos dar francapublicidade , porque sempre assim fizemos acreditando, quosóassimde

-

v íamos fazer :creia por tantoquem quizer crer nallomœopalliia,reprove

-

a ,

quem quizerreprova

-

la,quenós,respeitandosempreasopiniocs,dequemres

-

peito mereee , porque a vaidado nosndocega,eamodéstia noa permittees

-

timaroslimites, emqueanaturezanosencarcerouaintelligence,seguiremos sempre osimpulsosdo nossa consciência; preferiremossempre as convicções propriasásalheias , porqueocontrarioatéinconcebí velnosparece;prestaremos

seinpicinteiro credito aosfactos ,que testemunharmossemprevenções ; e quando porventuraargumentos,queanossos olhos sejàofaltos dcfundamento ,edes

-

pidos do caracter da evidencia, tendão afazer

-

noscrer, que nfio vimoso que

do ter visto estamos certos, bem longe domodificarmosanossa crença, rada vez maisfirmo nella,comsegurançaresponderemos,quoargumentossao pa

-

lavras,oquepalavraspor maior estrondo,comqucsóem, nunca assás força terão paraabalar aNatureza ,aluir

-

lhe osalicerces , desmorona

-

la,eprecipitar

assim nadestruição uharmonia infinitaoimperturbável ,que emcada um dc sousprimemactospensamentoscomnilido esplendor;pensamentosse ostentasao os juizos ,: argumentos saoque a razao formapalavras, quecompaex

- -

randoideas; c asideasdoshomens, soalgumas vezessaorealidades, muitas epolhcticas : cm limasmais dellastambsoéa istom sãonosverdadeiros phantasmasobjectarem ,que os,pensamentosprœcipuequandoo argumentossão b\

-

doshomens instruídossao aexpressãodascicncia

.

nósaindaresponderemos, que osfactossaoavozda Natureza, cque,quando éstaeaquellamutuamente se contradizem , o erroèsemduvida daprimeira, porque

Nunqunm aliud naturaTerminemos aqui aaliud sciencia dixitnossa

introduc

.

ção, jft talvez mais longa doque aosli

-

mitesduma theseconvcm, edeclaremoscom aingenuidade, quecaractérisa aexpressão de todos osnossossentimentos , quenaoénosso fimsustentar n’elia a9idóasdeHahnemann,nem dcninguém absolutamen te,mas somenteexporá consideraPalhia:filiaremos por tantoção, dequem nos 1erna,oordemjuizo singular,que melhor,que fazemosnosparecerácerca,das asserdailomçõœ oes

-

, que serveru dohases aestosystems,eexprimindoovnlor , que damosacada uma, reputando

-

acerta, ou somente provável, lielmcnto assim cumpriremoso dever, quo no fazer ésta these simultaneamentenosimpõe aconsciênciaoulei

.

(10)

a w ® a H W ®

ACERCA1)0 VALOR

DA

Quod milii bonum vidctur

.

prolx»

.

Derivada das gregas

homaeos

,

semelhante , e pathos

,

moléstia

a pa

-

lavra Homœ opathia 6oepillieto designativodosystema de curar, comque Hahnemann enriqueceo aMedicina, porque omethodo deste systemaconsiste na applicação de medicamentos, cuja virtude therapeutics modifica o orga

-

nismosemelhantemente á potência , cujaacçíofoiacausaoccasional da mo

-

léstia ,que por influencia daquella seprojccta dchcllur

.

A lloincropathia diíTere essencial c cspecialmcntcdas doutrinas clássicasno modo deestudareconsiderar as moléstias ,no de estudar os medicamentos, na maneira de os preparar ,ena deos administrar , pelo queloca á quan

-

tidade das doses ; sáoéstasas asserções, que encerrao os princí pios , que lhe saofundamento ,a respeito de cujo valor vamosescrever

.

Como deve o medico estudar no enfermo a moléstia,de que quercura

-

lo, demodo,queacomprehends , senão exactissimamcnte, ao menos taohem , quanto for possivcl? De uma unicamaneira:examinando escrupulosamcnte , semommissaodoum só, todosossymptomasda moléstia,porquesãoaquellesa verdadeira c unica expressão desta

.

Mas a causaoccasional da moléstia não 6 de todoso principal conhecimentoemais necessárioá razão, que quer delia conceber perfeitaaidea, paraquepossaconcebe

-

la? Nao, cremosnós ; acausa occasionalde uma moléstia nao póde , senão,representaraimagem , quando material,ou a idea , quandoahstracta, de uma potência , por in

-

tervençãodecuja influenciaaforçaactiva , regente ,ouanimadora(como mais agradar,ouconvier chamar

-

se

-

lhe ) da organisaçã o,sendo modificada,setorna assim acausaefficiente das alteraçõesde sensação, funeção,oumateria, que são para nósaquillo so, quea palavra moléstia designa

.

Conceber

-

pois ,

queoconhecimento dacausaoccasional de uma moléstia póde fazer conhe

-

ce

-

la ,ao nosso verseria o mesmo, que presumir , que avisão «la com

-

bustão da polvora ,«juecarregasse uma peça«Partilharia , podia a umsurdo dar idea «loestrondo , «jue 6 efleito da precipitaçãodo ar no vacuo, que áquclla succedeo

.

Nos somos essencialmentc vitalista , mas sera sempre bom declarar, que fazemos grande diiïercnça entre vitalismoe espiritualismo , posto «jue nem espirito , nem vida conheçamos; todavia observando oconhecendo, se por acasonos nãoilludimos , que um cadaver différé de um corpo vivo, o «jue

a dirandoíTeren, seça6staconsisteentidadeem 6haver n,ou nao’este aquillomatéria,, anunca«juelhechamamos vidachamaremos espirito, igno

-

, substancia, «juea nossa razuo, j»or mais queseesforce, conceber nao j*ode,

(11)

para que não incorramosno vicio,quescvcramcnlc rcprehendemos«!»•fallar en» toinaflirmativo, como quem conliccca priori

,

daquillo, ouja existência sómento

,

c essa mesma a posteriori

,

se pódeconhecer , ainda que seja

-

mos(orçado a dar

-

lhe um nome,queadesigne, porqueo somos n conhe

-

cer

-

lhe a existência

.

Yitalista pois, como nosdizemos, concebemoso homem umcompostode materia de diversos modos modificada e disposta pela sabia mao da Natu

-

resa, conforme os uzos, a que tem de prestar

-

se, dotada daspropriedades communsa toda a materia,quer organica , quer inorgânica , e de outras particulares somenteá ultima,formando umcorpo , aque uma potência«le limitada duração , que denominamos vida,dásensibilidadee movimentovo

-

luntário

.

Um dos seres , quo forma parte desse grupo de indivíduos , cujo todo èo Universo, tem ohomem com muitosd'elles relações indispensáveis dedepcndencia, queo lornao influenteereciprocaincnto influenciado:como corpo 6 por certos agentes materialinenlc

.

istoé, mecha nica ou chimica

-

mente modificado; como vida 6de outromodo, isto é, physiologicamente influenciado

.

N estejogo dacçôes reciprocaso homemépassivo de dousmo

-

dos , pelo que diz respeitoao resultado dasinfluencias ,quesobreelleope

-

rão , por quanto lhessuccédé, ou utilidade, ou damno para aquelle: for

-

mãoasomma dasque obraodo primeiromodotodas asque alimentao, ou curao;sãoasquerestáo, as causas occasionnes das moléstias

.

Suppondoohomem n’um estadoperfeitamente physiologico,eactuandosobre eile um agente nocivoásaude,oua vida ha

-

de ser sómente modificada pela aeçao delle, e assim a moléstiaserá puramente dynanica , ou a materia

.

sédeduma acçãomechanica,ouchimica ,ha

-

de também primitivnmentesof

-

frer, o deste modo a moléstia será simultaneamente material c dynamica

.

A duraçãodaeçao dascausasoccasionaesdas moléstias ( variavcl;assim umas obrao instantaneamente, outras por longo tempo : o efleilo secundário déstascausas, a moléstia , primiltivodo daquellas, tornadocausa efficiente d’esta , é igualmente variavcl cm duração

,

mas independentemente dn das primeiras , por queapenasdepende desua propria naturesa:ergoa molés

-

tia0 um estado distincte , absolutamente independente da causa occasional, que omotivou , maisou monos duradouro , e consistindo n'urtiamodifica

-

çãoanormal de sensaçãofucnçáo,oumatéria,resultado necessáriodaperturbação dapotência , cuja acção mantém,quandoènormal ,aharmonia do organismo, emEisoutros termosomodo porque

encaramossaude

.

a moléstiaeascausas de moléstia:bazeado portantocmconccpçóes taes, repitamos , queoúnicomeio de conhecer uma enfermidade á estudar cscrupulosamentc todos os svmptomasd'ella; accres

-

centemos

.

queoconhecimento dacausaoccasional , posto que muitas vezes util, nunca á todavia necessárioaomedico para poder curar a moléstia, e tentemos demonstra

-

lo

.

Perturba

-

sea saude ,saiba

-

se, ou não sesaiba por accasiao de quecausa, por acção deque potência , succede

-

lhea moléstia, e ossymptomas a an

-

nunciflo: nada harnais verdadeiro, nem positivo , nada mais constante, nem infallivel, porque áacção da causasesegue ocfleito sempre : logo , se a

um indivíduo duas vezes,ou a dois indiv íduos uma vez uma mesma molés

-

tia accommettiver, os svmptomas, que uma vez a manifestarem,outra vez a devem caractcrisar também, porque asmesmas causas os mesmos elleitos produzem sempre : logo, se grupos de symptomas, tão diversos em natu

-

(12)

=

3

=

rosa,quantocm numerodesiguacs,alterações de samlcexprimirem,as mo

-

léstias , dequoforem elles expressão, iguaes lambemnao poderão ser,por

-

queel

í

citos differentessao sempreproduzidos por causasdifferentes: logo a moléstia ,quenão forjulgadapela totalidade dos symptomas, nãoserátotal

-

mente conhecida, nem convenientemente tractada

.

Será por ventura prová

-

vel ,será mesmo apenas razoavel reputar idênticas duas moléstias, em que ha,c destinctamênte seobscrvào lezoesinteiramentediversas, sóporqueem ambas uma , duas ,ou trèsdas principaes em certos orgaos ,apparolbos,ou systemassao idênticas,ouapenassemelhantes?Nao6antes mais sensato suspeitar pelo menos ,que , embora cada lezao especial nao dependa de uma causa occasional diversa, com tudo, sendo como ninguém ousaránegar, cada uma lezaodestincta das outrase diversa em naturesa, no caso em que o lor, um grupo delezóes ein certo numero, e de certa nuturesa, será também diverso e nãoidênticoaoutrogrupod’alteraçôesdifferentesedessemelhantes? Não nos pareceapenas, Srs

.

Medicos , mais rosoavel , mais provável ; pare

-

ce-noscerto, parece

-

nosevidente

.

Porque razao, depoisde tantos séculos de existência,edetantos milhares deexperiences, permanece a Therapeuticaimas só aque não tem porhaze aexperiencia pura) e tambéma Pathologia( mas sóa dasclassificaçõesarbitrarias) ainda hoje envoltase identificadascomta

-

manha confusão , quão grandetalveznão fòra a coníuzao do cahos, embora aos PathologistascTherapculas ignota jánaoseja a realidade doscspeci íicos? E’ porquea Therapeutica , cuja baze nao for aexperiencia pura , não será senão ascienciadaignorância ,comoadianteomostraremos;óporque aver

-

dadeira TherapeuticaóaTherapeutica doscspeciíicos ;é porque a Therapeu

-

tica doscspeciíicosè umaconsequência necessária da Pathologia das indivi

-

dualidades mórbidas;éporqueasindividualidadesmórbidassãouma verdadein

-

contestável, que atotalidadeea diversidade dos symptomas ,aespecificidade therapeutica ,eainda assympalhiase idiosyncrasias , prorsùssinementesona

,

peremptoriamentedemonstrao

.

Antesque Hahnemann ensinasseaos medicosomodo ,porque se pódefor

-

mar a ideamais cxacta,queópossívelformar

-

se, dasmoléstias ,osautores dasnosologias, parece,queá porfiaseempenhavaoem confundircada vez maisas ideas actuaes do tempo ,em que vivido;cadaum aseu prazer esta

-

belecia difforenças semfundamento;cada um descrevia umamoléstia demuitos modos , caracterisada por symptomas muidiversos,e terminava asua des

-

cripçao, confessando ingenuamente , queo numero dos symptomas indicados podia ainda soffrcr augmento,oudiminuição em casos particulares, segundo as idiosycrasiasindividuaes ,e a susceplibilidade das sympathias&c

.

; cada um empregavapara combater as enfermidades medicamentos

,

que nãoconhe

-

cia, senãoporque alguém antes houvera aílirmado, que tal medicamentocu

-

rava talmoléstia , ou porquedepois de tentar lodos os meiosensinadossem proveito, ao acaso um novo experimentava , a cuja applicação seseguia a cura do doente , feliz, porque a Providencia permittira , queaescolha acer

-

tasse!

Qual porém podia ser o resultado de tamanha irracionalidade , tanto Pathologia, comoem Therapeutica ? Nenhuma ,senão adesordemooerro , porque huvendo a mania de daromesmo nome a moléstiasdesiguaes,além de serainda cada umade persivariavel , sem typo certo , asclassificações bazeadas sobre incertezassó ácon í uzao e á desordemsepodemequiparar: poroutro lado, fazendodependero tractamentodo nomeda moléstia, por em

(13)

quanto assegura a doutrina clássica , que sem diagnostico corto não póde haver tractamonto raxoavel ,o odiagnosticoparece naoter per firn ,senaoa denominação damoléstia,segue

-

so infullivelmcnte ,queordenando

-

seomesmo tractamontocontra moléstias diversas , socommette um erro , quenflo póde ser, sonúodamnoso aoenformo

.

Eis, noqueacabamosdodizer , nãoumprognostico,quequeiramosde

-

duzir doprincípios,quoarbitrariamente estabelecêssemos, porém verdades , quoa obsetvaçao, as obrase os autores lodos concordesattestão ; equem no

-

lonegará ? Qual é a obra classica, na qualsc nao encontra osdefeitos, de que falíamos , qual omedico, cuja praticaos naoconfirma ? Nenhuma, nenhum; e nem uma , por que nenhuma dasprimeiras ensinaadistinguir, como convém, as moléstias umas das outras , nemo tractamonto, que a cada uma se devoapplicar, nem outro, por quo nenhum dosúltimos ,que aos preceitos d'aqueilas obedecer, poderá deixard’obter os resultados infal

-

livcisda pratica errónea,que segue

.

D isto sededuz portanto comcriden

-

cia, que,seo mesmo tractamonto náoproduzem dois,ou maiscasos, igual resultado , é por que as moléstias , contra que foi empregado, cráo dif

-

ferentes; e como a difTurcnça das moléstias naose póde conhecer perfeita

-

mente, senaopela totalidadedossymptomas, porquenao hn outros pheno

-

menos, que constituao a expressão das alterações , cmque aquellas con

-

sistem , senão estes, segue

-

se com a mesmoevidencia , que um so del

-

les se náodeve despresar, por quecada um tem uma significaçãoespecial, que é necessário conhecer

.

Deus et Natura nihil facinnt frustra !

Concluamos poisoquelemos a dizer a este respeito,observando ,quecmvez dattribuir com tom decerlcsa certos phenomenos mórbidosa sympalhias, idiosyncrasias &c

.

, palavras mislicas, como a atlraçáo em Astronomia , es

-

pirito em Metaphysics, nffinidadeem Chimica &c,e despresa

-

Ios no exame dos doentes, paracurar-lhes as moléstias, seria melhor, banindo da scien

-

cia essaspalavras , porque aindaque signifiquem realidades, nos casos, a quenosreferimos, paraa iiitelligencia domedicosaocilas iguaésao nada, e por consequência de nada a idea de um nada lhespodo servir , nos sobre tudo para poderallribuir

-

sc

-

lhcs cffoitosdo uma força, que para serem causasimpreterivelmente devem 1er, masquoselhes nao conhece, e consequentementeaífirmar

-

se,que existe,ócom certeza impossível , estudar, como Hahnemannensinou, as virtudes thcrapeuticasdos medicamentos,para que, quando seja prneizocurar uma moléstia, depois destudada tao hem , como for possí vel, se empreguecontra cilacom conhecimentodo

c mo

-

que se faz ,e não ao acaso, um medicamento homeopathico , por que quando o medicamentoocertascondiçõesreúnoéslaqualidade, nao ha sympalhias, idiosyncrasias , que opponhâo resistênciaá acçao profícua,queelloinfalli

-

vclmentc produzirá , com tanto que a moléstiasejaainda curável

.

As causas occasionaesdas moléstias , ou olnao instantaneamente ,c apoz asua acçáo a moléstia permanece, ou cm arçãopor muito tempo, depois quemeiroésla so formou ,ambas coincidem, dissemos antes

.

Supponha

-

soopri

-

caso ;v

.

g. uma pneumoniaaguda, que tivesse porcausa occasional a impressão repentina de um ar mui IVio no corpo do um indivíduo, a quem uma mui elevada temperatura fizesse estar cm copiosa transpiração : chega o medicoácabeceiradodoente ,examina

-

o, reconhece umainllamnçao aguda nos pulmões,e sabe,que lhe foi causa occasional, a que acima determinámos

.

Como deve elle obrar u’eslo caso ? Combaterá pelos

nem

meios,

(14)

que a sua Medicina lhoindica,as alteraçõesmórbida»

,

que o» symptômes lhe fiierom conhecer, porquesãocilas a moléstia, eó a moléstia o que

je deve extinguir, porque, é a moléstia omui, quo soquer destruir, e cujasconsequent ias evitar:não combateráa causa occasional,porque nem cila é a molcstin, nem obra ainda, nein existoja:empregará um fim os mesmos meios,dequo se serviria, sc a moléstia, embora houvesse pro

-

vindod'outracausa occasional, scmanifestassecomtudopolos mesmos symp

-

tômes, porque so estes sao a expressão d'aquella , sendo iguacs cm dois casos, quernomesmo, quer em differentes indiv íduos ,09 estados , que re

-

présenta «}, lambem sao necessariamente iguacs, oconsequentemente a po

-

tência , que um dcllcs modifica desteou daquelle modo, modificará também igualmentc ooutro

.

Figure

-

se agora a hypothèse d'uma moléstia, tendo por causa occasional a acçiío permanente d'uin agentequalquer nociva àsaude; v

.

g

.

uma in

-

. .

'nsissirna œsophagite,complicada com uma feridajàcmsuppuraçao ,emcon

-

sequência do contacto de um osso demorado por très dias no canal, que suppomos sédeda inflammação;tolle causam! tolle causam!bradoria a Me

-

dicina pbysiologica, e sem duvida com muita rozão, por que aduração d um effcito, consequêncianecessária d’aeçaoduma causa,ha

-

de infallivelinente ser constante , em quantoaquella nãocessar, c por issoocorpo estranho devia quanto antes remover

-

se; mas é isto bastante para curar o moléstia, ou melhor ainda pode

-

se dizer, que a subtraeção doosso neste caso, acçaode consequência puramente negativa, curaria total, ou mesmoparcialmenle amo

-

léstia! Nem apenas exprimir, que algucm o creia ,ousamos , porquedehaver olguem, queocrcin ,duvidamos. Esteó sem duvida umdoscasos, cmque oconhecimento dacausa occasionalé ulil,éhem verdade,earemoçãodelia necessária ; porém a moléstia, queé ocomplexo formado pela inilammação, solução de continuidade, suppuraçao, &c., contracuja duração e progresso , seomedico não empregar a acçao desubstancias, que lenhão a virtudede excitar a vida árcacçno, quo neutralise a ncçao, aque esses phenomenos morbidos suecederao , caque ainda devemn duração, ha

-

deimpreterivelmente aggravar

-

se, porqueoaggravode uma moléstia é sempre oque inevitavel

-

mente resulta dahandona

-

la à discrição da naturosa , quando a naturesa , que aqui não é,senãoamesma vida, csponlanca, ounecessariamentenãopóde , desde que a moléstia adquirio umcerto gráo d’intensidade

.

sem a interven

-

çãode uma potência estranha, reganhar oequilíbrio entresi e aorganisa

-

çâo, que outra potência semelhante lho fez perder

.

Dislosededuz ainda uma prova da nossa primeiraasserçãoa respeito dos meios de estudar uma moléstia para conhece

-

la; e na verdade , seapoz a remoção da causa oc

-

casional a enfermidade perseverou, restandoésla a dissipar

-

so, necessário é

evidentementeconhece

-

la , e por consequência esludar

-

lheossymptomas, por quanto sao estesenada mais a expressão dquella,oqueperemptoriamente

»c demonstra , dizendo, que6ofosse possivcl haver moléstiasem symptouias, qualquerque fosse,nãoseconheceria

.

Estabeleçamos cm fim umaterceira supposiçflo, quecom quanto nãodif

-

fira essencialmcnted'uma das primeiras,comtudosenãosobe , a qualdelias é igual; 6 o casodc umamoléstia , a que se attribue como causa occasional um miasma ou um virus; v

.

g

.

umn febreintermittente,asyphilis,&c

.

Em

primeiro lugaroque sûo víruso miasmas? Quanto aos primeiros , senão foreur confundidos com puz , cumo muitas vezesocconlcco, nãoconhecemos

(15)

(>

=

palavra», quo onsinmn à raifto, qual A a idea real , que dellri devo ton ceber ; por quantoumasubstanciasubtil« mperceplivelé substancia,deque, aalosor uma idea abstracto dexislcncia sem subjcilo d’inho»ao, qunére

-

almente uma chimera

,

outrase nao póJe formar:osmiasmase*laono mesum caso, e por issosem negarmos a ralidade de tacsentidades , nemtaopouco a inlluencia, quese lires attriUuo , diremoscomtudo,que, ignorando a sua naturesa, e o modo por queobr

.

io, osaber, queumamoléstia tevecau>uoc

-

casional naeçûodéliés, de nonbum proveito pòdeser ao medico parad’alii inferir, que este tractarncnto convém , u aquellc, ou 6 inútil ,ou nocivo

.

Consideremos a questão ainda poroutro modo; supposta uma enfermi

-

dade com causa occasional em uma d'quellas entidades , operao éstas como no ultimocaso das primeirasduashypotheses, istoó sobredura aacçaomór

-

bida à formação da moléstia, ou como no primeiro , istoó, actuao ellas instantaneamente , e depoissão consumidas, ou expcllidns da organisa.çao, perseverandoamoléstia? E'duvida,que ainda a scicncia náosolvoo;masfelizmente 6 duvida, cuja soluçáo nadapódoapproveiiarápractica da Medicina , no es

-

tado actual da scicncia, porque, se osmiasmas e os virus sao causas oc

-

casionacs do primeiro genero , depoisque deixdode obrar como tacs, nao se extingue por isso a moléstia; seobrãocomo os do segundo , sendo impos

-

sível couliecer

-

llies a naturesa ,epor isso aduraçdo, impossívelse tornatain

-

bem deduzirdocoubccimento desua existência somenteodosmeiosproprios para anniquila

-

las

.

Cumpre agora fallar da causa efficientedas moléstias ,que ,segundo onosso modode pensar ,ecomo já odeclarámos, é a perturbaçãodacçáo normal davida

.

Parasustentarésla asserção, acreditamos bastante dizer , que ,se õ absolulamento impossí velconceber anormal aacçaoda vida , quando a organi

-

sação e o funccionalismo orgânico nada tem deanormal, do mesmo modo impossível èconceberamenor alteraçãofuncciona! ou organic» , sem ser ella cfTcito necessáriode uma perturbação

,

ou irregularidadedaacçao normal da vida

.

Eis pois a causade moléstia , que

-

convinha perfeilamenle conhecer, por quemediaio a6 de tal naturesa , que destruída ,substituiçãodaenfermidade pela saudeteriapor efTeito; mas eis tambnecesséámrioinfelizcim

- -

mente acausa, cuja naturesa nem se pôde aclualmcnlo conhecer, nemtal

-

vez uindia na immensidade dofuturo , por quoem quanto senaoconhecer oque6vida em esscncia, decertose não poderá conhecer o que em es

-

sência ó alteraçaodaacçaonormal davida

.

Eis pois, se nos nãoenganamos , traçado em brevo o quadro actual da Pathologie para os medicosdetodasasseitas;estudar escrupulosamente todos os symptomas, porque saoclicsenada ruais para o medicoosinterpretes das moléstias, cis única csomente oque omedico aprendoestudando Pa

-

thologia; eis o unico meio,queelle possuo para conhecer, que um indi

-

v íduo está doente ; cis da moléstia oque unicamente elle pódo conhecer, e nada mais !

Siniilia sirnilibus curanlur, ó n lei geral de Tlicrapculica , que constituo o metbodo dosyslema bomeopatliico

.

Esem a menor duvida incontestável

,

que lodo o agonioIhcrapcutico da qualquer naturesa, queseja , modifica physiologicamcnlooorganismo hu

-

mano,por, quoso nssim nãofôra ,nenhumamoléstiapoderiapor ciTeilo d*ac

-

çflo do qualquer substancia talserdesfeita:daqui se segue portanto , que nenhum medicamento ha , quenaosejaum verdadeiro agente morbido

,

acuja

Referências

Documentos relacionados

Do projeto pedagógico foram extraídas treze competências, tomando como base, o método de Rogério Leme em sua obra: APLICAÇÃO PRÁTICA DE GESTÃO DE PESSOAS POR

Muita gente já tinha escrito (verbo escrever, no Pretérito Mais-Que-Perfeito Composto do Indicativo) ao menino para lhe dizer que gostaria (verbo gostar, no Condicional) de

Violeta fez uma viagem ao campo durante o verão. Não gostava era de saber que lá existia uma alcateia que aterrorizava as ovelhas da quinta “Ramalhete”. Sublinha todos os nomes

Os navegadores foram surpreendidos pela tempestade – oração subordinante Que viajavam para a Índia – oração subordinada adjetiva relativa

10.. No poema, a palavra “vassoura” surge como um nome mas também como um verbo, tal como podemos confirmar no verso “Uma vassoura vassoura”.. 14. Esta frase é do tipo

[r]

Ressalta-se que mesmo que haja uma padronização (determinada por lei) e unidades com estrutura física ideal (física, material e humana), com base nos resultados da

Data will be extracted from all papers included in the scoping review by two independent reviewers using a data extraction tool developed by the reviewers in Microsoft Excel