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GRUPO DE SALA DE ESPERA: UM CONVITE A REFLEXÃO 1

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Academic year: 2022

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GRUPO DE SALA DE ESPERA: UM CONVITE A REFLEXÃO

1

LIMA, Raquel Flores de

2

; GOUVEIA, Elisa Bordinhon

3

; GONÇALVES, Camila dos Santos

4

1Relato de experiência em Estágio, do curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA)

2Acadêmica do Curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil

3Acadêmica do Curso de Psicologia da Universidade Potiguar (UnP), Natal, RN, Brasil

4 Professora do Curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil

E-mail: [email protected]; [email protected] ; [email protected] RESUMO

A partir da experiência de estágio básico II, do curso de Psicologia, no qual foi realizado um grupo operativo com acompanhantes de pessoas com necessidades especiais que eram atendidas pelo curso de Terapia Ocupacional da UNIFRA, busca-se fazer algumas reflexões baseadas na prática realizada, levando-se em conta que o referido estágio teve como objetivo geral proporcionar um diálogo, onde os participantes pudessem trazer suas experiências e assim compartilhá-las a fim de expor suas dúvidas e questões em relação ao desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e referente às relações interpessoais, assim como a adaptação do portador de necessidades especiais em diferentes situações cotidianas. Ao final do trabalho realizado, percebemos nitidamente a necessidade que as pessoas que convivem com o portador de necessidade especial tem de serem ouvidas e que deve haver uma abertura da sociedade para maior aceitação das pessoas independente de suas limitações, pois ainda há muita discriminação e preconceito.

Palavras-chave: necessidades especiais; grupo operativo; experiência.

1. INTRODUÇÃO

O presente relato de experiência constitui-se em uma apreciação teórica referente ao Estágio Básico II, Práticas de Intervenção em Grupos, realizado no primeiro semestre de 2008, o qual faz parte da grade curricular do curso de Psicologia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) e foi efetivada através de um grupo operativo. Segundo Osório (1986), ao definir um grupo como sendo operativo, explica que a existência de um objetivo comum supõe a necessidade de que os membros do grupo realizem um trabalho ou uma tarefa em comum, a fim de alcançarem seus objetivos.

Neste grupo tínhamos como objetivo geral além de compreender as técnicas de intervenção em grupos, proporcionar um ambiente de escuta a estes pais, para observar como é o manejo da relação entre eles e seus filhos, e ainda, como adequar-se a diferentes situações que seu filho possa vivenciar. No entanto, não foi possível a realização do estágio neste local devido ao fato de que naquele momento um grupo estava sendo formado pelo psicólogo daquela entidade, impossibilitando assim a realização de um novo grupo no mesmo local.

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Neste momento surgiu à oportunidade de se realizar um trabalho interdisciplinar juntamente com o curso de Terapia Ocupacional da UNIFRA. A partir dai, foi promovido um Grupo Operativo com acompanhantes de portadores de necessidades especiais, que freqüentavam o serviço de Terapia Ocupacional nas dependências da Clínica Escola da UNIFRA.

Devido algumas alterações necessárias quanto ao local de estágio, foi necessário fazer uma adaptação nos objetivos do grupo, que atenderam as necessidades e a demanda o local. Assim, o grupo foi criado com o intuito de proporcionar um espaço em que os participantes pudessem trazer suas experiências e assim compartilhá-las a fim de proporcionar um diálogo reflexivo entre eles. Além disso, amparar suas dúvidas e questões em relação ao desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e referente às relações interpessoais, assim como a adaptação do portador de necessidades especiais em diferentes situações cotidianas.

Sabe-se que a relação entre pais e filhos já é um pouco complexa, e quando o filho possui algumas necessidades especiais essa tarefa se torna ainda mais desafiadora, o que requer que uma série de questões sejam trabalhadas pelos pais, desde aceitação do filho até o enfrentamento dessa nova realidade. Neste caso, os pais/acompanhantes precisam rever sua rotina, muitas vezes, tendo que disponibilizar maior tempo e atenção para o cuidado de seus filhos, tendo muita paciência para compreender e lidar com suas limitações e de seus filhos. Contudo, precisam de apoio e orientação para encarar as dificuldades que a sociedade lhe impõe, por ainda não estar preparada, para lidar com a diferença, sendo por vezes discriminatória. Portanto, o referido grupo foi criado com o intuito de proporcionar um ambiente para favorecer trocas de experiências e reflexões sobre o tema.

2. METODOLOGIA

O referido estágio foi realizado através de um grupo operativo aberto. Contou com quatro participantes, todas mulheres, acompanhantes de portadores de necessidades especiais que eram atendidos pelo curso de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), constituindo-se desta forma, um “grupo de sala de espera”.

Trabalhou-se com os acompanhantes que estavam na sala de espera do atendimento da Terapia Ocupacional. Foi realizado o convite a participação em um grupo operativo cujo objetivo principal seria a troca de experiências, idéias e informações entre os participantes.

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Diante dos interessados, foi combinado o horário e dia que ficasse melhor para todos. Assim ao final deste primeiro encontro formou-se o grupo.

Frente aos materiais que emergiram no grupo, estes foram analisados através do referencial teórico sobre grupos operativos de Pichon-Revière, aonde procurou-se analisar os fenômenos e a dinâmica do grupo, assim como identificar os papéis presentes no mesmo.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A teoria dos grupos operativos foi elaborada por Pichon-Rivière, a partir dos referenciais teóricos da psicanálise e da dinâmica de grupos. De acordo com sua definição, os grupos operativos, sejam terapêuticos, de aprendizagem ou institucional, são grupos centrados na tarefa.

Para Pichon-Revière (1998), portanto, o que caracteriza os grupos operativos é a relação que seus integrantes mantêm com a tarefa, e essa tarefa poderá ser a obtenção da

“cura” se for um grupo terapêutico ou a aquisição de conhecimentos, se for um grupo de aprendizagem ou de troca de experiências, que foi o caso do grupo de estágio aqui relatado.

O primeiro encontro foi realizado para fazer o convite para participação no grupo.

Neste momento pode-se perceber que as integrantes do grupo participaram bastante, sendo a comunicação um dos elementos importantes da teoria de Pichon-Revière. E mesmo momentos de pouca participação carregam grande valor simbólico. Sabe-se que o silêncio, segundo Zimerman “é uma expressão não-verbal do grupo, que nos comunica muitas vezes muito mais que as palavras” (2000, p.93).

Conforme Zimerman (2000) é o que revela a dificuldade do individuo em se expressar, não sabendo o que dizer e nem se têm algo a dizer. Questões relevantes como relacionamentos pessoais apontaram para a necessidade de um olhar mais global dos participantes e não apenas da função de cuidado.

Yalom (2006) expõe que no começo, nos grupos, “os membros muitas vezes procuram semelhanças, para dar sentido aquele encontro, se fascinam com a noção de que não são únicos a passar pela situação em que estão vivendo. Este fator apontado pela teoria de grupos pode ser percebido quando os participantes relataram sobre questões envolvendo relacionamentos, inclusive relatando a dificuldade que sentem de serem ouvidos sendo que acreditam que só quem tem filho com necessidade é que lhes entende,

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compreende suas angústias e compartilha as suas vivências. O que presume a importância do trabalho em grupo, pois este é o lugar onde esta necessidade será suprida pelo estabelecimento de uma comunicação aberta. Além disso, um grupo homogêneo, nestes casos, pode ter uma função de amparo, pois todos passaram por experiências semelhantes que é o convívio com portador de necessidade especial, desta forma ficando mais próximo compreender as vivências uma das outras.

Referente a essa questão, tanto Pichon-Riviere (1998) como Castilho (2002), expõe que o grupo propicia um sentimento de se “pertencer a”, o que permite aos participantes perceberem que suas experiências, sentimentos e emoções, na maioria das vezes, não são só compartilhados como também vividos pelo restante do grupo, o que faz com que se estabeleça uma relação de apoio.

Para manutenção do grupo é relevante ter cuidado com algumas combinações, para tanto, nos primeiros encontros do grupo, foi construído o contrato de forma oral estabelecendo-se qual o local dos encontros, horário, duração, bem como, ficou combinado através de um consenso das participantes que o grupo seria aberto, podendo entrar novos participantes no decorrer do tempo. Enfatizou-se questões como a pontualidade e assiduidade para um bom andamento do grupo, e principalmente o sigilo, lembrando que tudo que fosse falado no grupo permaneceria no grupo, sendo estes aspectos importantes apontados por Castilho para o contrato grupal, e segundo a autora, “é um item que deve ser lido e esclarecido na primeira sessão do grupo” (2002, p.35).

No início do encontro notou-se que havia muito barulho ao lado, devido a reformas no prédio, o que gerou um pequeno desconforto nas participantes, mas procurou-se manter o grupo centrado e assim dar continuidade ao trabalho. Castilho (2002) atenta para o fato que no setting quanto menos ruídos externos melhor, pois estes podem desencadear manifestações de agressão ou como se pôde perceber neste caso uma ansiedade entre os participantes.

No decorrer dos encontros houve saídas voluntárias de participantes. Fato que precisa ser respeitado e avaliado para melhor compreensão da dinâmica do grupo. Em relação a isso, Yalom (2006) considera os abandonos inevitáveis nos grupos e aponta que este não é um fenômeno fácil de determinar a causa, sendo que diversos fatores relacionados ao paciente, ao grupo e o terapeuta podem vir a resultar no abandono de um membro do grupo, o que foi fato marcante para trabalharmos enquanto coordenadoras, para entendermos quais os fatores que levaram a saída de participantes do grupo.

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No grupo abordou-se temas sobre cuidados básicos, onde foram trabalhadas questões referentes à comunicação, como esta se dá com seus acompanhantes;

estimulação X superproteção, onde enfatizamos o quanto é importante a estimulação tanto física quanto mental, o incentivar novas atividades, em detrimento de uma superproteção que impossibilite a pessoa de desenvolver suas potencialidades; o respeito das individualidades levando em conta as possibilidades de cada pessoa e a importância da socialização, da interação com outras pessoas, do contato e convívio social.

Neste caso, acredita-se que por intermédio da Terapia Ocupacional “uma variedade de experiências indutoras de crescimento é fornecida, experiências essas, que permitirão ao indivíduo desenvolver aquelas capacidades, habilidades e destrezas necessárias para uma vida satisfatória e produtiva”. (MOSEY, 1979, apud FRANCISCO, 2001, p.39). Assim, do ponto de vista desta autora, a Terapia Ocupacional compreende um tipo de terapia que “leva o homem a lidar com sua realidade de vida, podendo assim promover a transformação de si mesmo e do meio social no qual está inserido”. (2001, p. 49).

Em outro encontro foi abordado o tema família, no qual surgiram aspectos como:

aceitação da família em relação à “doença”, a comunicação e interação entre eles, o apoio e expectativas em relação ao portador de necessidades especiais, pois muitas vezes há nos pais um desejo inconsciente de ter de volta o filho tão “sonhado”, o que segundo D`Angelo leva muitos deles a “não querer enxergar a realidade em que a criança se encontra, pretendendo vê-la de forma diferente daquilo que ela é” (1998, p.112).

O que podemos perceber é que a idéia compartilhada foi de que é mais difícil a família nuclear aceitar a deficiência do que as pessoas “de fora”, e que por essa razão é de extrema importância que os pais aceitem e se sintam confiantes para o convívio na sociedade. Certamente, a convivência com um “diferente” representa um compromisso difícil, que para D’Angelo, “convida-nos a sair dos nossos esquemas habituais de pensamento de vida e de ação, para aprendermos a compartilhar com apreço os valores das diferenças, isto é, o direito de ter a própria individualidade”. (1998, p. 132) Desta forma, há necessidade de uma escola, de uma família e de uma sociedade a serviço das exigências formativas de uma criança especial e à disposição para atender em cada caso à grande multiplicidade de questões que lhe são colocadas.

Percebe-se assim que é preciso elevar o olhar além de nós mesmos, tecendo uma rede de comunicação em nível existencial, oferecendo as próprias impossibilidades e os próprios limites, ou seja, “amando a pessoa por aquilo que é e não por aquilo que faz ou compadecendo-se dela por aquilo que não pode fazer”. (D`ANGELO, 1998, p. 76). Desta

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forma, para que se possa efetivamente realizar a educação para a diferença, é necessário aprimorar a nossa atitude com quem sofre, que de acordo com D`Angelo, ocorre quando conseguimos “aceitar a diferença, estabelecendo novas formas de relação, de afetividade, de escuta e de compreensão, deixando de lado os nossos preconceitos”. (1998, p. 158).

Segundo Carlo e Luzo “a Terapia Ocupacional tem como objetivo manter e implementar o bem estar físico, emocional e cognitivo do idoso, auxiliar sua família a superar os conflitos gerados pela situação de cuidado, possibilitando o incremento da qualidade de vida do paciente” (2004, p.303). Percebe-se durante os encontros um apoio mútuo entre as participantes do grupo, através da troca de experiências. Para Castilho, “o apoio do grupo é o reflexo da necessidade real de se ajudar o outro, de se criar um elo dentro do grupo”

(2002, p.60), uma verdadeira busca de integração e coesão grupal.

O papel de liderança é assumido quando um indivíduo no acontecer grupal, se faz depositário dos aspectos positivos do grupo, tornando-se uma espécie de direcionador das diversas atividades desenvolvidas pela grupalidade e aparece quando as pessoas se engajam na tarefa, sempre trazendo questões novas. Zimerman (2000) considera este tipo de liderança como construtiva, sendo que esta exerce o importante papel de integradora e construtora dentro do grupo. E quando há identificação na fala de uma participante com outra, é um tipo de identificação chamada reflexiva que ocorre quando o sujeito se identifica com outro, e pode ser visto entre os participantes, pois houve momentos em que se procurava contar fatos de sua história que se assemelhavam com a história contada, o que também demonstra o fenômeno de ressonância no grupo, pois como afirma Zimerman, quando ocorre este fenômeno no campo grupal “a comunicação trazida por um membro do grupo vai ressoar em outro” (2000, p.86).

Em um novo encontro foi proposto uma dinâmica para as participantes, no qual deveriam identificar a função de um objeto com os olhos vendados, descrevendo suas características e se o objeto remetia a algum fato do seu passado ou mesmo de sua vida cotidiana atual, ou ainda, se lembrava algo relacionado ao seu filho. Com essa dinâmica tivemos o objetivo de trabalhar a criatividade e a capacidade de lidar com situações novas, estimulando o tato, a associação livre e a capacidade de ir além da função do objeto, possibilitando se colocar um pouco no lugar das pessoas que tem uma deficiência visual.

Percebeu-se que durante a atividade, ambas se envolveram emocionalmente e conseguiram relembrar de fatos que ocorreram em sua infância, e ainda, identificaram questões relacionadas ao seu cotidiano, a suas experiências vividas principalmente no que diz respeito aos seus filhos. O que confirmou-se pelo depoimento das mesmas. Quanto a

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isso, Yalom afirma que, “gradualmente os participantes adquirem a capacidade de participar, de sentir emoção e de refletir sobre as experiências” (2006, p.256).

Houve momentos de interação com a área da Terapia Ocupacional, onde se tratou dos impactos positivos oriundos do acompanhamento. Por intermédio do terapeuta ocupacional, “uma variedade de experiências indutoras de crescimento é fornecida, experiências essas, que permitirão ao indivíduo desenvolver aquelas capacidades, habilidades e destrezas necessárias para uma vida satisfatória e produtiva”. (MOSEY, 1979, apud FRANCISCO, 2001, p.39)

Para a finalização do grupo, foi proposto uma dinâmica, onde esta deveria escolher três temas dentre os dez que foram trabalhados no decorrer dos encontros, os quais estavam escritos em papéis separados, e após feita a escolha a pessoa deveria falar sobre cada um deles. Desta forma, teve-se o objetivo de fazer uma recapitulação do trabalho realizado no grupo, para que assim fosse possível realizar um bom fechamento das atividades e encerramento do grupo.

Nessa atividade, dentre os temas propostos, os escolhidos foram superproteção, família e troca de experiências. A escolha do tema superproteção, aponta para a reflexão de que os familiares de pessoas com necessidades especiais procuram superproteger estes, com receio de que eles se machuquem, conforme relatos do grupo, porém foi ressaltado que a proteção é importante, mas não de uma maneira excessiva, pois os filhos necessitam de autonomia e estimulação.

Sobre essa questão, D’Angelo (1998) afirma que é necessário que a escola, a família e a sociedade estejam preparadas para atender as exigências provenientes de uma criança com necessidades especiais e disponíveis para atender em cada caso à grande multiplicidade das questões que lhe são colocadas, desta forma devem estar abertos a conviver com a necessidade especial aceitando os limites, a dor, o sofrimento e a sensação de desespero desencadeado por tais necessidades, procurando dar um sentido e um valor à vida dos mais frágeis.

Por fim, o retorno frente a reflexão sobre os objetivos iniciais e o percurso dos encontros apontou sobre a troca de experiências que consideram muito importante, pois a convivência com outras pessoas acarreta a aprendizagem, possibilitando sempre aprender algo a mais com o que o outro trouxe.

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4. CONCLUSÃO

A partir da realização deste estágio, consideramos que os objetivos a quais nos propusemos foram alcançados, pois conseguimos vislumbrar alguns aspectos da teoria em prática, compreendendo a utilização das práticas de intervenção em grupo e proporcionamos um ambiente de troca de experiências entre as participantes do grupo.

Também acreditamos que a partir das características que buscamos assumir como facilitadoras do grupo, tais como, ser continente, isto é, acolhendo e contendo as necessidades das participantes, sendo empáticas, procurando sempre nos colocar no lugar delas, e respeitando suas opiniões, criou-se um ambiente possível de trocas. Estes fatores podem ter possibilitado que as integrantes do grupo se sentissem acolhidas e ouvidas, o que lhes proporcionou uma confiança para expor suas vivências, trocar experiências e assim trabalhar suas aprendizagens.

No trabalho realizado com o grupo percebemos a necessidade das pessoas que convivem com o portador de necessidade especial tem de também serem ouvidas, assim como deve haver uma abertura da sociedade para maior aceitação das pessoas independente de suas limitações, pois ainda há muita discriminação e preconceito.

Durante todo o processo de desenvolvimento deste estágio aprendemos a suportar diversas situações em que nos frustramos e assim, podemos perceber que a prática não é tal como se apresenta na teoria, desta forma, com esta experiência tivemos um amadurecimento e um preparo maior para trabalhar futuramente com outros grupos que venham a surgir, sendo que, de modo geral consideramos esta experiência como positiva.

REFERÊNCIAS

CARLO, Marysia Mara Rodrigues do Padro; LUZO, Maria Cândida de Miranda. (orgs.). Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca, 2004.

CASTILHO, Áurea. A dinâmica do trabalho de grupo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.

D’ANGELO, Carlos. Crianças especiais: superando a diferença. Bauru, SP: EDUSC, 1998.

FRANCISCO, Berenice Rosa. Terapia Ocupacional.2 ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.

OSÓRIO, L. C. Grupotrapia hoje.Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

PICHON-RIVIÈRE, Enrique. O Processo Grupal. 6ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

ZIMERMAN, David E. Fundamentos básicos das grupoterapias. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

YALOM, Irvin D.

Psicoterapia de grupo: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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