• Nenhum resultado encontrado

Psicol. cienc. prof. vol.7 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Psicol. cienc. prof. vol.7 número2"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

Editorial

OS 2 5 ANOS E A IMAGEM

DA PROFISSÃO

Estamos comemorando os 25 anos de regula-mentação da profissão, assinada em 27 de agosto de 1962 pelo en-tão Presidente João Goulart. Entretanto, o que muitos não sabem é que esse fato foi prece¬ _ dido por mais de 30 anos de lutas por parte dos profissio-nais que já atuavam como psicólogos. Assim, a Lei 4.119 não foi um mero presente que os setores políticos nos ofereceram; representou uma impor-tante conquista de nossa categoria que na época, começava a se organizar e marcar presença na sociedade brasi-leira.

De lá para cá, muitos aconteci-mentos importantes afetaram não só a categoria dos psicólogos, mas toda a sociedade civil. A fase pós-64, in-cluindo os anos 70, representou um período difícil, em que os profissio-nais das diversas áreas foram pratica-mente impedidos de participar na dis-cussão e encaminhamento de soluções para os principais problemas sociais que atingiam nossa população.

Mas, sem dúvida, os anos 80 têm se caracterizado como um período de amadurecimento da categoria, não só pelo seu crescente nível de organiza-ção, mas principalmente pela busca de novas formas de atuação profissio-nal, visando ao atendimento de toda a população e em especial dos setores historicamente marginalizados. Hoje, somos cerca de 65.000 psicólogos tra-balhando nas mais diversas áreas da sociedade. Apesar das dificuldades, estamos conseguindo gradualmente atuar de forma significante em hospi-tais, centros de saúde, creches, esco-las, universidades, associações

comu-nitárias, sindicatos, empresas, juiza-dos de menores, penitenciárias, nú-cleos rurais etc.

Entretanto, apesar do crescimen-to e diversificação profissional obser-vados nos últimos anos, temos que reconhecer que a imagem da profis-são junto à população não se alterou proporcionalmente às mudanças que vêm ocorrendo no mercado de traba-lho: ainda somos vistos, pela média da população, como profissionais que cuidam dos indivíduos quando estes apresentam problemas "da cabeça". Certamente, tal imagem é conseqüên-cia de um tipo de atuação profissional que durante muito tempo foi desen-volvida pelos psicólogos e que os cur-sos de formação ainda não consegui-ram superar.

Talvez este seja o desafio para a categoria nos próximos anos: mudar radicalmente sua imagem profissional e firmar-se como uma profissão so-cialmente importante. No entanto, tal desafio só será vencido pelo exercício de práticas profissionais que efetiva-mente atendam às necessidades de to-dos os setores sociais, principalmente dos setores majoritários, ou seja, das populações mais pobres.

Hoje estamos comemorando o reconhecimento legal da profissão, mas temos ainda um longo caminho a percorrer para conseguirmos o com-pleto reconhecimento social da pro-fissão. Nesta perspectiva, precisamos aprofundar o processo de revisão crí-tica sobre o tipo de conhecimento que temos produzido e a busca de novos modelos de atuação mais adequados para a nossa realidade.

Além disso, tal objetivo implica necessariamente o fortalecimento de nossa organização enquanto

catego-ria. Daí a importância das entidades de representação, como os Conselhos e os Sindicatos, serem fortalecidas pe-la participação ativa dos profissio-nais, pois representam concretamente um espaço político fundamental, através do qual a categoria pode se fazer presente e, como tal, participar do processo social.

É nesta perspectiva que se enten-de o esforço do CFP em manter um veículo como esta nossa revista — Psicologia — Ciência e Profissão. Nesses sete anos de existência, a revis-ta já se tornou para a categoria um importante canal de socialização de idéias, conhecimentos e propostas de atuação, e pretendemos que ela conti-nue exercendo esse papel. Neste senti-do, é fundamental a participação da categoria, utilizando este veículo co-mo meio de divulgação de pesquisas e práticas profissionais.

Assim, estamos solicitando a co-laboração dos psicólogos no processo de elaboração das matérias aqui di-vulgadas: se você está desenvolvendo atividades profissionais que julga se-rem socialmente relevantes e inovado-ras ou se produziu pesquisas que, pela sua natureza, merecem divulgação junto à categoria, entre em contato com a Câmara de Comunicação do CFP, via correio, enviando matéria pronta para avaliação ou resumo da experiência que sugere para divulga-ção, anexando nome e endereço para contato.

Referências

Documentos relacionados

O artigo 28 do Código de Ética (citado pelo editorial do CRP-06) co- loca justamente a questão de que o compromisso com o cliente vai até certo ponto. Entretanto, a decisão so-

Como o aidético está vivendo por aí quando não atingiu ainda a fase terminal, o psicólogo não vai saber o que e com quem ele faz ou deixa de fazer. Nin- guém vai

Isto implica, para a Psicologia, a necessi- dade de se testarem teorias, seja atra- vés de métodos de observação (de forma a se conseguir uma compreen- são mais clara do meio social

Desde as mais previsíveis, como, por exemplo, que a Psicologia não se dá fora de um con- texto político-institucional (inclusive o de consultório), até aquelas mais inéditas,

só para velhos; nem mais uma obra que realça as glórias ou as desgraças da velhice; nem mesmo um receituá- rio para suplantar os problemas dessa quadra da vida, muito embora tanto a

A discussão parou, porém, após o 25 de agosto, com o pronun- ciamento firme do Ministro do Exér- cito; a questão certamente não foi tema de campanha eleitoral; sobre a

bra total de previsão entre receita e despesa, de tal forma que, hoje, o CFP encontra-se absolutamente sem recur- sos para financiar os seus serviços, incluindo as publicações.

A necessidade de pesquisa Como há poucas pesquisas científi- cas que possam fornecer dados con- fiáveis a respeito do uso e abuso de drogas no Brasil, o CORDATO reali- zou como uma