VOLLEY-BALL-EVOLUÇÃO DO PREPARO FÍSICO
Manoel José Gomes Tubino
No volibol, como em todos os demais desportos, a preparação física evoluiu muito, e, dia a dia, as virtudes físicas tornam-se cada vez mais essenciais para o ê x i t o de uma equipe na disputa de certames de grande envergadura, como é o caso das Olimpíadas.
O primeiro passo da e v o l u ç ã o do preparo físico de volibolistas foi dado pela Escola da E u r o p a Oriental, liderada pela U n i ã o S o v i é t i c a e seguida de.perto pelos demais p a í s e s socialistas, que trouxeram os m é t o d o s de pre-paração de outras modalidades esportivas, principalmente do atletismo. E s s a fase coincidiu com o aumento do n ú m e r o de sets de uma partida para t r ê s sets vencedores, e por esta razão foi dada grande ê n f a s e à resistência.
Quando a F e d e r a ç ã o Internacional de Volibol Amador passou a per-mitir o chamado bloqueio invadido, os p a í s e s socialistas mais uma vez to-maram a iniciativa no que diz respeito ao aprimoramento das c o n d i ç õ e s físicas de seus volibolistas, n ã o s ó selecionando seus jogadores pela eleva-da estatura, como t a m b é m eleva-dando vital importância à m u s c u l a ç ã o dos mem-bros inferiores, visando, dessa maneira, a maior impulsão.
Como para t ô d a arma logo aparece uma contra-arma, o J a p ã o iniciou u m b e l í s s i m o trabalho de grande profundidade, destinado a sobrepujar o Leste Europeu. T a l trabalho tem sua base principal no treinamento físico, desenvolvendo principalmente a velocidade e a flexibilidade.
Atualmente, todos os países que ocupam o primeiro plano no cenário mundial d ê s s e desporto, j á chegaram a u m denominador comum para o treinamento físico, e, se observarmos os programas de preparação física das equipes finalistas das O l i m p í a d a s do M é x i c o , verificaremos que ê l e s visavam principalmente a resistência, força, impulsão, velocidade e
flexi-bilidade.
A S e l e ç ã o Brasileira de Volibol trabalhou, dentro dessa moderna men-talidade de p r e p a r a ç ã o física, durante, aproximadamente, três meses. Pode--se dizer agora que ê s s e período, considerado longo, à primeira vista, foi bastante reduzido, se compararmos com o tempo de treinamento dos de-mais participantes o l í m p i c o s e ainda levarmos em conta a a u s ê n c i a de u m trabalho de base dos atletas convocados, nos clubes de origem.
M É T O D O S E M P R E G A D O S
Pode-se afirmar que todos os m é t o d o s modernos de preparação física são aplicados no desenvolvimento das qualidades físicas pretendidas para o volibol.
H á u m grande emprego d ê cargas em circuito, visando à aquisição de:
resistência, força, velocidade e i m p u l s ã o .
A s cargas intervaladas s ã o utilizadas em grande escala n a o b t e n ç ã o de resistência è velocidade, variando-se os fatores tempo e intervalo de acordo com a qualidade física desejada.
A s s e s s õ e s de cargas c o n t í n u a s s ã o empregadas para o desenvolvimento da resistência.
Na aquisição da impulsão, é usado paralelamente u m trabalho e s p e c í -fico de m u s c u l a ç ã o dos membros inferiores com o a u x í l i o de halteres.
E , na o b t e n ç ã o da flexibilidade, quem realmente apresentou as dire-trizes foi o J a p ã o , que utiliza grande quantidade de e x e r c í c i o s de flexibi-lidade, que, sem d ú v i d a alguma, a p ó s bom p e r í o d o de aplicação, trazem n o t á v e i s resultados ao rendimento t é c n i c o dos volibolistas.
Como no B r a s i l n ã o se tem conhecimento da aplicação desses e x e r c í -cios n i p ô n i c o s em qualquer equipe, apresentamo-los aqui com a finalidade de que nossos clubes de volibol possam a d a p t á - l o s ao seu treinamento. A saber:
1 — E x e r c í c i o s para as espáduas (individuais):
— Circundução s i m u l t â n e a dos braços da frente para trás. — C i r c u n d u ç ã o s i m u l t â n e a dos b r a ç o s de t r á s para a frente. — Circundução alternada dos braços no mesmo sentido. — Circundução alternada dos braços no sentido contrário. 2 — Exercícios para os membros superiores (individuais):
—• N a posição de apoio de frente, f l e x ã o e e x t e n s ã o dos braços. — N a posição de apoio de frente, trazer o tronco para trás e voltar
à posição inicial (mergulho). 304
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3 — Exercícios para o tronco (individuais): — F l e x ã o lateral do tronco (fig. 1). — R o t a ç ã o do tronco.
— C i r c u n d u ç ã o do tronco.
— F l e x ã o e e x t e n s ã o do tronco com abertura lateral das pernas. — F l e x ã o e e x t e n s ã o do tronco com as pernas unidas.
4 — Exercícios de alongamento muscular para os membros inferiores
(individuais):
— F l e x ã o e e x t e n s ã o alternada da perna e do joelho lateralmente, simulando defesa com u m a mão ou em manchete (fig. 2 ) .
— F l e x ã o e e x t e n s ã o alternada da perna e do joelho no sentido lon-gitudinal, simulando defesa em manchete.
— Abertura lateral m á x i m a das pernas (fig. 3 ) . 5 — E x e r c í c i o s abdominais (individuais):
— N a posição sentado, f l e x ã o do tronco sô b re as pernas em abertura lateral.
— N a posição sentado, f l e x ã o do tronco "Sôbre as pernas unidas. — N a posição deitado, movimento s i m u l t â n e o do tronco e das pernas
(rema-rema).
-— N a p o s i ç ã o deitado, f l e x ã o do tronco e f l e x ã o das pernas unidas, alternadamente.
— N a p o s i ç ã o deitado, ficando apenas apoiado na r e g i ã o dorsal, sus-pender as pernas e executar os movimentos de quem está de bi-cicleta.
6 — Exercícios para a t i v a ç ã o geral. (individuais): — Ponte (fig. 4 ) .
— N a posição deitado, com as m ã o s e pernas unidas, rolar lateral-ralmente (fig. 5 ) .
I
Fig. 3 Fig. 4
7 — E x e r c í c i o s específicos (em duplas):
— N a posição de p é , u m de costas para o outro e com as m ã o s dadas, circundução do tronco.
— Carrinho de m ã o (fig, 6 ) .
— Na posição de p é , u m de costas para o outro e com os braços trelaçados, f l e x ã o do tronco suspendendo o companheiro.
— N a posição sentado, u m de costas para o outro e com os braços entrelaçados, f l e x ã o do tronco suspendendo o companheiro. — N a p o s i ç ã o deitado em d e c ú b i t o ventral, com o outro sentado na
sua r e g i ã o g l ú t e a , suspender o tronco com o a u x í l i o do compa-nheiro (fig. 7 ) .
— Na posição sentado, f l e x ã o do tronco sobre as pernas em abertura lateral, com o a u x í l i o do companheiro (fig. 8 ) .
— U m na posição agachado e o outro saltando s ô b r c ê l e com os p é s juntos e lateralmente.
— U m na posição agachado e o outro saltando sobre ele com os p é s juntos e de frente.
8 — Exercícios de efeitos gerais específicos (individuais):
— Rolamento para a frente, após simular u m a defesa para a frente, devendo o executante ficar novamente na posição básica de j ô g o depois do rolamento.
— Rolamento para trás, após simular uma defesa em movimento para trás, devendo o executante estar rapidamente na posição b á -sica depois do rolamento.
— Deitar e levantar rapidamente ao som de apitos sucessivos, de-vendo o executante, quando estiver n a posição de p é , encontrar- . -se na posição básica de jôgo.
S U G E S T Õ E S P A R A A M E L H O R I A D A S C O N D I Ç Õ E S F Í S I C A S D O S V O L I B O L I S T A S B R A S I L E I R O S
P a r a a melhoria física e t é c n i c a dos volibolistas brasileiros apresenta-mos u m a s é r i e de s u g e s t õ e s que, teapresenta-mos certeza, e n c u r t a r á o caminho do nivelamento do nosso volibol com as grandes escolas (Leste Europa e Oriente):
a) Que seja dada à preparação física no volibol o seu justo valor, c o m e ç a n d o pelos clubes, que d e v e r ã o manter u m preparador físico, inde-pendentemente do t é c n i c o .
b) Q u e sejam utilizados, nas equipes brasileiras, os modernos m é t o -dos de treinamento físico.
c) Que a preparação física básica seja iniciada nas categorias infantis e infanto-juvenis.
d) Que seja incrementado o i n t e r c â m b i o internacional no campo- da preparação física, pois, caso contrário, continuaremos sempre desatua-lizados.
e) Q u e sejam realizados reuniões, S e m i n á r i o s etc. entre t é c n i c o s e ureparadores físicos brasileiros, para que cheguem à melhor f ó r m u l a de preparação a d a p t á v e l à s nossas circunstâncias, facilitando assim o trei-namento das s e l e ç õ e s brasileiras.