UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT
CELSO TODESCATTO JUNIOR
APLICACAÇÃO DO ENSAIO DE PASTILHA MCT A SOLOS
ESTABILIZADOS DE SINOP - MT
Sinop - MT
2014/1
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT
CELSO TODESCATTO JUNIOR
APLICAÇÃO DO ENSIAO DE PASTILHA MCT A SOLOS
ESTABILIZADOS DE SINOP - MT
Projeto de Pesquisa apresentado à Banca Examinadora do Curso de Engenharia Civil – UNEMAT, Campus Universitário de Sinop-MT, como pré-requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.
Prof. Orientador: Dr. Flavio Alessandro Crispim
Sinop - MT
2014/1
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Classificação climática de Strahler - Brasil ... 10
Figura 2: Solos Laterítico e Saprolítico ... 13
Figura 3: Obtenção do coeficiente c' ... 17
Figura 4: Fator de correção da perda de massa por Imersão ... 18
Figura 5: Gráfico para Classificação MCT ... 19
Figura 6: Ábaco para Classificação MCT através do Método das Pastilhas ... 20
Figura 7: Localização da jazida de cascalho da Prefeitura Municipal de Sinop ... 28
Figura 8: Solos 02 e 01 ... 28
LISTA DE ABREVIATURAS
AASHTO - American Association of State Highway and Transportation ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas CBR - California Bearing Ratio
Cd - Contração diametral
CNT - Confederação Nacional dos Transportes DETRAN - Departamento Estadual de Trânsito IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IP - Índice de Plasticidade
ISC - Índice de Suporte Califórnia LL - Limite de Liquidez
MCT - Miniatura Compactada Tropical MCV - Moisture Condiction Value MT - Mato Grosso
NL – Não Líquido NP – Não Plástico
PCA - Portland Cement Association pH - potencial de Hidrogênio
PVC - Policloreto de Vinila
SAFL - Solos Arenosos Finos Lateríticos TRB - Transportation Research Board
UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora
UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso USCS - Unified Soil Classification System
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
1. Título: Aplicação do ensaio de pastilha MCT a solos estabilizados de
Sinop - MT
2. Tema: Engenharia Civil (30100003)
3. Delimitação do Tema: Geotécnica (30103002) 4. Proponente(s): Celso Todescatto Junior
5. Orientador(a): Prof. Dr. Flavio Alessandro Crispim
6. Estabelecimento de Ensino: Universidade do Estado de Mato Grosso -
UNEMAT
7. Público Alvo: Acadêmicos, Engenheiros, técnicos e população em geral 8. Localização: Avenida dos Ingás, 3001 / Jardim Imperial / Sinop-MT / CEP:
78.550-000.
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ... I LISTA DE ABREVIATURAS ... II DADOS DE IDENTIFICAÇÃO ... III
1 INTRODUÇÃO ... 5 2 PROBLEMATIZAÇÃO ... 6 3 JUSTIFICATIVA... 7 4 OBJETIVOS ... 9 4.1 OBJETIVO GERAL ... 9 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 9 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 10 5.1 SOLOS TROPICAIS ... 10 5.1.1 Solos Lateríticos ... 11 5.1.2 Solos Saprolíticos ... 12 5.2 METODOLOGIA MCT ... 13
5.3 PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS PARA A CLASSIFICAÇÃO MCT ... 16
5.3.1 Método Expedito das Pastilhas ... 19
5.4 ESTABILIZAÇÃO DOS SOLOS ... 21
5.4.1 Estabilização Solo Cimento ... 22
5.4.2 Estabilização Solo Cal ... 23
5.5 ENSAIO DE PASTILHAS EM SOLOS ESTABILIZADOS COM CIMENTO 25 6 METODOLOGIA ... 27
6.1 MATERIAIS ... 27
6.2 MÉTODOS ... 28
6.2.1 Ensaio das Pastilhas ... 28
6.2.2 Método expedito das pastilhas a solos estabilizados ... 29
7 CRONOGRAMA ... 31
1 INTRODUÇÃO
Para que se possa executar uma rodovia de qualidade são necessários diversos estudos anteriores a obra, um deles, e por sinal um dos mais importantes, é a classificação do solo por onde passará a rodovia. Através da classificação pode-se afirmar se o solo de determinada região possui as características desejáveis para se obter uma fundação de qualidade para o pavimento.
Segundo o Departamento Estadual de Transito de Mato Grosso – DETRAN MT (2014), a frota de veículos do estado de Mato Grosso cresceu 272% entre os anos 2000 e 2014. Contudo, os investimentos na construção de novas rodovias ou até mesmo na manutenção das já existente não aumentou na mesma proporção do aumento de automóveis. Dados da Confederação Nacional dos Transportes – CNT (2014) indicam que 86,8% das rodovias do Estado são consideradas regulares, ruins ou péssimas. Há então necessidade de revitalização das rodovias existentes e implantação de novas rodovias.
Atualmente os sistemas de classificação mais utilizados no mundo são o da
American Association of State Highway and Transportation - Transportation Research Board - AASHTO-TRB e a Unified Soil Classification System – USCS. Contudo,
diversos estudos feitos no Brasil indicam que estes métodos de classificação tradicionais nem sempre apresentam resultados satisfatórios para solos de regiões tropicais.
Com isso, a partir de 1970 os professores Job Shuji Nogami e Douglas Fadul Villibor, e posteriormente outros pesquisadores, iniciaram uma série de pesquisas envolvendo solos tropicais que culminaram na Classificação de Solos MCT (Miniatura Compactada Tropical), a qual fornece dados fiéis a realidade dos solos tropicais.
Conforme a Classificação MCT evoluiu, uma série de experimentos específicos surgiram, um deles é o Método Expedito das Pastilhas proposto inicialmente pelos professores Job Shuji Nogami e Vera M.N. Cozzolino, o qual será utilizado nesta pesquisa. Aliado a este procedimento classificatório, serão analisados os ganhos proporcionados pela estabilização dos solos com cal e cimento.
Sendo assim, pretende se avaliar dois solos representativos da cidade de Sinop-MT com o intuito de verificar se eles podem ou não ser utilizados (estabilizados ou não) em obras de infraestrutura rodoviária.
2 PROBLEMATIZAÇÃO
A região Norte do estado de Mato Grosso, destacando-se a cidade de Sinop – MT, está em pleno crescimento. Contudo, como a colonização desta região é recente, ainda faltam estudos aprofundados sobre os seus principais tipos de solos. Portanto, não é possível saber ao certo quais são os solos que podem ser utilizados em obras de urbanização e infraestrutura.
Em contrapartida, as metodologias mais utilizadas atualmente para classificação de solos, AASHTO – TRB e a USCS, não apresentam resultados satisfatórios para os solos tropicais desta região. Segundo Nogami e Villibor (2009) há limitações nas classificações convencionais, uma vez que os índices utilizados por estas metodologias são incapazes de distinguir os principais tipos de solos tropicais. Os solos da cidade de Sinop são considerados, em maioria, solos de região tropical com grande porção de finos, os quais pelas classificações tradicionais são considerados inadequados para camadas de sub-base e base de pavimentos (SILVA, 2003). As características destes solos podem ser melhoradas com a estabilização com cal ou cimento, e a Metodologia MCT pode ser utilizada para avaliar a eficiência da estabilização destes solos.
3 JUSTIFICATIVA
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2013) a cidade de Sinop, localizada ao Norte do estado de Mato Grosso, é a quarta maior cidade do Estado e é a maior cidade da região Norte do Estado. Nos últimos dez anos ela apresentou crescimento populacional de 44%, sendo que sua população encontra-se em aproximadamente 123 mil habitantes. Com o crescimento populacional e na produção de grãos, necessita-se de um maior número de ruas e rodovias pavimentadas para deslocamento de pessoas, transporte de produtos e escoamento de safra.
Nesta realidade, a execução de um pavimento de qualidade é de suma importância, já que além de propiciar satisfação ao usuário, os gastos com manutenção serão reduzidos. Contudo, para que se possa construir uma rua ou rodovia pavimentada é necessário conhecer o material que será utilizado como apoio para esta obra. Ele deve ser de boa qualidade para que não ocorram problemas nas fases de execução e manutenção.
No entanto, nem sempre é possível adquirir um solo de qualidade. De acordo com Silva (2003) os solos da cidade de Sinop são considerados, em sua maioria, solos de região tropical com grande porção de finos, os quais, pelas classificações tradicionais, são considerados inadequados para camadas de sub-base e base de pavimentos. Estudos com dois solos característicos da região indicaram Índice de Suporte Califórnia - ISC menor que 20% (SIMIONI, 2011) para um solo A-4 (7) e ISC em torno de 25% (MACHADO, 2012), para um solo A-2-4 (0). Além disso, os custos para se obter um solo de qualidade podem ser elevados, devido as distâncias entre a obra e as jazidas, e por problemas de logística. Sem dizer nos impactos ambientais causados pela extração de materiais e pelo descarte de outros que são retirados do local da obra (bota fora).
Uma maneira de melhorar as características de solos e torna-los aptos para uso em pavimentos é a estabilização com cal ou cimento. Assim, têm sido desenvolvidos na Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT estudos de estabilização de solos típicos da região de Sinop, podendo-se citar os trabalhos de Simioni (2011), Uieno (2011), Friozzi e Crispim (2012), Machado (2012), Silva e Crispim (2012), Dalla Roza e Crispim (2013) e Santos e Crispim (2013).
Dentro deste contexto, esta pesquisa busca dar continuidade a estes estudos utilizando a Metodologia MCT para avaliar a eficiência da estabilização de solos com cal ou cimento.
4 OBJETIVOS
4.1 OBJETIVO GERAL
Classificar dois solos da região de Sinop-MT estabilizados com cal e cimento de acordo com a Metodologia MCT.
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Classificar os solos utilizados na pesquisa de acordo com a Metodologia MCT através do Ensaio de Pastilhas proposto por Nogami e Villibor (1994);
Classificar os solos estabilizados com cal e cimento de acordo com a Metodologia MCT através do Ensaio de Pastilhas;
Comparar os resultados encontrados para as amostras de solo natural e estabilizado.
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
5.1 SOLOS TROPICAIS
Segundo Das (2007), os solos são formados pela erosão das rochas e suas propriedades físicas são determinadas primeiro pelos minerais que constituem suas partículas e, portanto, pela rocha da qual esse solo é derivado. Para a Engenharia Civil, o solo é um material de suma importância, pois serve de suporte para os mais diversos tipos de obras existentes. Portanto, o conhecimento de suas propriedades e do seu comportamento auxilia na escolha do melhor material a ser utilizado. Contudo, o estudo dos solos não se baseia unicamente no conhecimento da sua formação, é necessário que se saiba qual o modelo de clima que atuou sobre ele, uma vez que cada região climática expõem o solo a tipos e graus diferentes de intemperismo.
Os solos tropicais são um exemplo claro de solo que apresenta propriedades e comportamentos peculiares decorrentes das condições ambientais a que ele foi exposto, em decorrência da atuação de processo geológico e/ou pedológico típicos das regiões tropicais úmidas. (VILLIBOR et al., 2009). Define-se como região tropical aquela que está compreendida entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio, sendo assim grande parte do território brasileiro está na zona tropical, como mostra a Figura 1.
Figura 1: Classificação climática de Strahler - Brasil Fonte: GALVÃO, 2011.
Conforme Marson (2004) os solos evoluem a partir de dois processos sucessivos: o geológico e o pedológico.
A evolução geológica ocorre em praticamente todo o globo terrestre em maior ou menor grau em função do clima local, com isso as rochas são transformadas física e quimicamente. Devido a influência do clima, as rochas são submetidas a contrações e dilatações, provocando o aparecimento de trincas e fissuras. Conforme se abrem as fissuras, a água entra na rocha, possibilitando que o oxigênio e o gás carbônico reajam com os minerais da rocha formando novos materiais, como os argilominerais. Esses mecanismos são acelerados quando o clima é mais quente e úmido.
A evolução pedológica ocorre com mais intensidade em regiões tropicais e consiste em um processo de transformação das camadas superficiais do terreno. Neste fenômeno, os fatores que mais influenciam são o clima, o relevo, a rocha matriz, os organismos vivos e a idade.
Em relação ao clima, a penetração ou ascensão da água, através da chuva ou do lençol freático, carrega sais solúveis e minerais para as camadas superficiais. Ao ocorrer a evaporação da água devido as altas temperaturas, os sais continuam nesta camada de solo e acabam reagindo com o mesmo. O relevo influenciará na facilidade de lixiviação, processo que extrai componentes sólidos através da sua dissolução num líquido. O material matriz indica se ele é favorável ou não a este tipo de evolução. Através das atividades essenciais de uma planta, elementos da atmosfera são incorporados ao perfil de solo, além disso, quando um animal escava até determinada profundidade, a água entrará mais facilmente no perfil de solo. Por último, quanto mais antigo for determinado perfil, mais intemperizado ele será.
A combinação dos fatores descritos acima resulta em vários tipos de solos com características e comportamentos distintos, que podem ser classificados em grupos mais ou menos especializados a depender da finalidade a que a classificação se propõe. Para fins de engenharia rodoviária e se tratando de solos tropicais, uma classificação comum no Brasil é dividir os solos em duas categorias, os solos lateríticos e os solos saprolíticos. Esta divisão foca o comportamento do solo como resultado da intensidade dos processos pedológicos que sofreu, sendo estes mais intensos nos solos ditos lateríticos.
Os solos lateríticos são solos mais superficiais, comuns de partes bem drenadas de regiões tropicais úmidas. Este tipo de solo é formado devido o processo de intemperismo que a parte superior do subsolo sofre, processo que é denominado laterização. O processo de laterização confere ao solo várias peculiaridades, como exemplo o enriquecimento do solo com óxidos hidratados de ferro e/ou alumínio, e a permanência de caulinita como argilomineral. Graças a esses minerais, os solos de comportamento laterítico geralmente apresentam coloração vermelha, amarela, marrom e alaranjada. (VILLIBOR et al., 2009).
A escolha de solos lateríticos que possam ser usados para a engenharia depende de fatores como o grau de intemperismo, a composição química e mineralógica e a estrutura do mesmo.
Segundo Santana e Gontijo (apud MARSON, 2004, p 17) “[...] os solos lateríticos apresentam ISC relativamente alto e expansão baixa, Limite de Liquidez - LL e Índice de Plasticidade - IP elevados e alto módulo de resiliência. ”. Outro fator de interesse é que este tipo de solo não perde tanta resistência em contato com a água, e por possuírem aglomeração bem desenvolvida são permeáveis e resistentes a erosão.
5.1.2 Solos Saprolíticos
Os solos saprolíticos são formados a partir da decomposição in situ da rocha matriz devido a ação das intempéries (chuvas, insolação, geadas), e mantêm nitidamente a forma estrutural da rocha mãe. Tratam-se de solos residuais, já que suas partículas permanecem no mesmo lugar em que se encontravam na rocha. Este tipo de solo fica subjacente a camada de solo superficial, aparecendo na superfície somente quando há ação do homem ou da erosão. Os solos saprolíticos são heterogêneos e constituem-se de uma mineralogia complexa, contendo minerais em fase de decomposição. Podem ser chamados de solos residuais jovens, contrastando com os solos superficiais lateríticos, maduros. (VILLIBOR et al., 2009).
Este tipo de solo apresenta valores baixos de ISC e de módulo de resiliência, são pouco resistentes a erosão e sua resistência mecânica varia entre alta e baixa dependendo do grau de intemperismo sofrido (MARSON, 2004). A Figura 2 ilustra um perfil de solo laterítico e um de saprolítico.
Figura 2: Solos Laterítico e Saprolítico Fonte: Portal de Tecnologia
5.2 METODOLOGIA MCT
Na engenharia classificam-se os solos para que se possa prever seu comportamento mecânico e hidráulico em uma obra. Duas classificações de solos são as mais utilizadas: AASHTO – TRB, para fins rodoviários e a USCS, para fins geotécnicos.
A USCS também conhecida como classificação de solos unificada e a AASHTO-TRB baseiam se na granulometria e na plasticidade dos solos. Ambas foram desenvolvidas nos Estados Unidos, país de clima temperado que possui solos muito diferentes dos solos de clima tropical. Dessa forma, estas metodologias não são capazes de prever corretamente o comportamento de solos brasileiros. (THULER, 2005).
Tendo em vista que estas metodologias não apresentavam resultados satisfatórios para solos tropicais, Nogami e Villibor iniciaram uma sequência de estudos a partir de 1970. Nogami e Villibor (2009), afirmaram que a classificação da AASHTO apresenta vários problemas no estudo dos solos finos, como a dificuldade na determinação do comportamento geotécnico laterítico e dificuldade de classificação dos Limites de Atterberg, uma vez que solos arenosos finos lateríticos apresentam baixa ou nenhuma plasticidade.
Devido as dificuldades e deficiências das sistemáticas vigentes na década de 1970, a Tese de Doutoramento de Villibor, em 1981, apresentou uma nova sistemática para o estudo dos Solos Arenosos Finos Lateríticos - SAFL, conhecida como MCT. Por mais que o enfoque inicial dos estudos tenha sido os SAFL, esta nova sistemática proporcionou maior abrangência no estudo de solos passantes mais que 90% na peneira de 2,00 mm. (NOGAMI E VILLIBOR, 2009).
Através da nova sistemática pode-se avaliar as características dos solos tropicais com o estudo de corpos de prova menores, com 5 cm de altura e 5 cm de largura e, estabeleceram-se parâmetros como os coeficientes c’ e e’, através da avaliação da capacidade de suporte, contração, coesão, permeabilidade, expansão e penetração da água.
Desde sua concepção, a Metodologia MCT sofreu modificações nos seus detalhes executivos. Além disso, foram desenvolvidos métodos de ensaios específicos com a finalidade de descobrir outras propriedades. Com a publicação de Nogami e Villibor (2009), estes métodos foram apresentados e explicitados. Na sequência estão especificados esta série de experimentos.
M1 – Ensaio de Compactação Mini Proctor: este ensaio segue procedimento semelhante ao proposto por Proctor, contudo o soquete utilizado para compactação possui tamanho diferente. São confeccionados corpos de prova com diâmetro de 50,0 mm com solos finos. A grande vantagem neste ensaio consiste na utilização de pouco material, menor esforço durante a compactação e precisão na medida dos corpos de prova.
M2 – Ensaio Mini CBR e Expansão: assim como no CBR (California Bearing Ratio, ou ISC - Índice de Suporte Califórnia) tradicional, este ensaio apresenta a Capacidade de Suporte utilizada no dimensionamento de pavimentos, porém há maiores detalhes na sua execução.
M3 – Ensaio de Contração: é um dos ensaios mais importantes para esta metodologia. O fato de existirem poucos estudos a respeito deste procedimento justifica se pela dificuldade de para executa-lo. Serve essencialmente para medir a contração axial dos corpos de prova por secagem lenta.
M4 – Ensaios de Infiltrabilidade e de Permeabilidade: principal função é medir o tempo de absorção de água através do corpo de prova logo em sequência a sua compactação e secagem ao ar. A permeabilidade é determinada logo após a infiltrabilidade ao submeter o solo à carga hidrostática variável e sobrecarga.
M5 – Ensaio de Compactação Mini MCV (Moisture Condiction
Value): difere-se em relação ao Proctor tradicional por variar a energia
de compactação, o teor de umidade e o tamanho do corpo de prova. Este ensaio objetiva, sobretudo, a classificação geotécnica dos solos tropicais, de maneira que ele apresente rapidamente o teor de umidade de compactação no campo.
M6 – Ensaio de Penetração da Imprimadura Betuminosa: utilizando corpos de prova compactados de acordo com a Sistemática MCT (Mini Proctor), este ensaio permite prever o comportamento do solo quanto a Penetração da Imprimadura Betuminosa. O principal equipamento presente neste ensaio é o macho circular (1,5 mm de espessura e 35 mm de diâmetro), ele serve para fazer uma cavidade no corpo de prova onde posteriormente será colocada a imprimadura.
M7 – Ensaio Mini CBR de campo (procedimento dinâmico): ensaio o qual pode ser realizado de várias maneiras. Assim como em M2, é também determinado com o auxílio de golpes de um soquete. Este procedimento é uma solução para solos que não são abrangidos nas classificações tradicionais.
M8 – Ensaio de Perda de Massa por Imersão: neste ensaio são utilizados corpos de prova compactados segundo o método Mini MCV. Uma hora após a compactação mergulhar o conjunto cilindro/corpo de prova em um tanque com água em posição horizontal por pelo menos 12 horas. Após a retirada do tanque colocar os corpos de prova em uma estufa e depois de seco determinar a massa seca desprendida. Com este valor calcular a porcentagem das massas desprendidas pela erosão.
M9 – Classificação Geotécnica MCT: devido as classificações tradicionais serem baseadas nos índices físicos, são encontrados
alguns problemas ao classificar solos tropicais. Visando diminuir estes problemas, a Classificação MCT utiliza-se de propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos, modificando assim a nomenclatura dos solos tropicais.
A Metodologia MCT permitiu distinguir os solos em função do seu comportamento laterítico ou não, avaliando-os na condição compactada, a qual é a condição mais próxima a sua utilização em campo. Esta compactação passou a ser realizada com corpos de prova e equipamentos de tamanho reduzidos e, juntamente com o uso do ensaio de imersão, proporcionou a classificação do solo por meio de um ábaco, através da determinação de alguns índices e coeficientes. (MARSON, 2004).
5.3 PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS PARA A CLASSIFICAÇÃO MCT
A Classificação MCT pode ser dividida em dois ensaios básicos: Compactação Mini-MCV e Perda de Massa por Imersão.
O Ensaio de Compactação Mini MCV fornece o parâmetro c’ utilizado nesta classificação. Já o parâmetro e’ é determinado em conjunto através do Mini MCV e do ensaio de Perda de Massa por Imersão, que é realizado com os mesmos corpos de prova. Não custa lembrar que este ensaio é muito vantajoso em relação a redução de material utilizado, menores dimensões dos corpos de prova e equipamentos, maior rapidez e aproveitamento do mesmo corpo de prova para determinar diversas características.
Para se obter o gráfico de deformabilidade executa-se o Ensaio de Compactação Mini MCV, o qual fornecerá dados referente a redução da altura do corpo de prova em função do número de golpes aplicados com o soquete. Segundo Villibor et al (2009, p. 39) “O coeficiente c’, para classificação de solos, é obtido por meio do coeficiente angular da parte retilínea da curva de deformabilidade que mais se aproxima do valor Mini MCV a 10. ” A Figura 3 exemplifica a obtenção de c’.
Figura 3: Obtenção do coeficiente c' Fonte: NOGAMI e VILLIBOR, 2009.
Este coeficiente fornece a argilosidade do solo, isto é, valores acima de 1,5 indica argilas e solos argilosos, enquanto os valores abaixo de 1,0 representam as areias, siltes não plásticos ou que tenham pouca coesão. Os valores intermediários representam as areias siltosas, areias argilosas, argilas arenosas e argilas siltosas.
Através do ensaio de Compactação Mini MCV obtêm se também curvas de compactação, as quais diferem se em relação a energia de compactação. Para se descobrir outro parâmetro utilizado para a obtenção do grupo MCT, é analisada a curva de compactação equivalente a doze golpes do soquete. Este parâmetro é o coeficiente angular da parte retilínea mais inclinada do ramo seco dessa curva, nomeado d’. O coeficiente d’ é obtido através da Equação1.
d'=∆ρd
∆w × 1000 Equação 1 onde:
d' – (g/cm³)
ρd – massa específica aparente seca (g/cm³) w – teor de umidade (%)
Terminado o processo de compactação dos corpos de prova, deve-se separá-los para o Ensaio de Perda de Massa por Imersão. Neste ensaio é examinada a quantidade de solo que desprende-se do corpo de prova após a imersão em água e
posterior secagem na estufa. A perda de massa por imersão é calculada através da Equação 2. Pi= Md×[1+ (1000) ]×Aw Z×Mu ×100×Fc Equação 2 onde:
Pi – perda de massa por imersão (%) w – teor de umidade (%)
A – altura final do corpo de prova (mm)
Z – porção do corpo de prova deslocada para fora do molde metálico (mm) Mu – massa úmida do corpo de prova (g)
Fc – Fator de correção (vide Figura 4)
A Figura 4 relaciona a correção de Pi em função da forma da função desprendida.
Fator de
0,00 0,25 0,50 0,50 0,75 1,00
Correção Descrição do
Sem queda Maciço Fissurado Parcial Fragmentado Massa dispersa Bloco Desprendido Formato do Bloco Desprendido
Figura 4: Fator de correção da perda de massa por Imersão Fonte: (MARSON, 2004)
Com os valores de d’ e Pi calcula-se o coeficiente e’. Este coeficiente representa a gênese do solo a partir da Equação 3.
e'=√ Pi 100+ 20 d' 3 Equação 3
Depois de encontrados os valores dos coeficientes c’ e e’ finalmente o solo poderá ser classificado. A classificação do solo é feita através de um gráfico desenvolvido por Nogami e Villibor no ano de 1981. Este gráfico proporciona a classificação dos solos tropicais em duas classes genéticas e sete grupos de solos, sendo:
LA’: Solo Arenoso Laterítico;
LG”: Solo Argiloso Laterítico;
NA: Areia Não laterítica;
NA’: Solo Arenoso Não Laterítico;
NS’: Solo Siltoso Não Laterítico;
NG’: Solo Argiloso Não Laterítico.
A Figura 5 apresenta o gráfico de classificação desenvolvido por Nogami e Villibor.
Figura 5: Gráfico para Classificação MCT Fonte: NOGAMI E VILLIBOR, 2009.
A metodologia para classificação MCT por envolver vários ensaios é demorada, sendo assim há uma metodologia mais simples para classificar os solos principalmente em estudos preliminares, o método expedito das pastilhas.
5.3.1 Método Expedito das Pastilhas
O Método Expedito das Pastilhas passou por várias alterações até o método utilizado atualmente proposto em Nogami e Villibor (1994).
Inicialmente, um método preliminar foi proposto por Nogami e Cozzolino (1985). Este método utilizava-se de frações de solos passantes na peneira de 0,42 mm (# nº 40), as quais eram utilizadas para moldagem de pastilhas de 20 mm de diâmetro e 5
mm de altura em anéis de PVC rígido. A partir desta técnica Nogami e Cozzolino conseguiram obter a classe e o tipo granulométrico da Classificação MCT, contudo não era possível identificar o grupo.
Cinco anos depois, em 1990, Fortes divulgou nova sistemática de ensaio. As alterações feitas por ela proporcionaram a classificação dos solos em relação ao grupo.
No ano seguinte, 1991, Fortes e Nogami apresentaram mais um melhoramento no procedimento. Ficou proposto que os parâmetros necessários para a classificação MCT seriam obtidos a partir da contração, das trincas e da plasticidade das trincas.
As últimas modificações propostas para este método foram feitas no ano de 1994 por Nogami e Villibor. Ficou definido que a determinação do coeficiente c’ seria feita a partir das características de contração das pastilhas após sua secagem, e o coeficiente e’ através da penetração de uma agulha padrão após a reabsorção de água da pastilha. Com isso, o método das pastilhas para identificação expedita de solos tropicais adquiriu maior confiabilidade na determinação dos grupos da MCT. A classificação passou a ser feita através do ábaco mostrado na Figura 6.
Figura 6: Ábaco para Classificação MCT através do Método das Pastilhas Fonte: Nogami e Villibor,1994.
Para o cálculo do coeficiente c’ necessita-se da contração diametral - Cd da pastilha após sua secagem. Sendo assim, poderá ser calculado este coeficiente através das Equações 4 e 5.
c'=(log10Cd + 1)
c'=(log10Cd + 0,70)
0,50 Equação 5
Em ambas as equações os resultados de c’ são expressos em mm. A única diferença entre elas é que a primeira é utilizada para valores de contração diametral entre 0,1 mm e 0,5 mm enquanto a segunda para valores maiores que 0,6 mm.
5.4 ESTABILIZAÇÃO DOS SOLOS
A estabilização de um solo consiste em uma mudança artificial aplicada no mesmo com o objetivo de melhorar características referentes a resistência mecânica, deformação e absorção de umidade. Dessa forma, através destas mudanças adquire-se maior tempo de vida útil das obras de engenharia. Para rodovias, estabilizar um solo significa conferir-lhe capacidade de resistir a erosão, e aos esforços produzidos pelo tráfego de automóveis. A seguir serão apresentados os principais processos de estabilização de solos de acordo com Lima et al (1993).
Basicamente existem quatro processos de estabilização dos solos que levam em conta a natureza da energia utilizada na estabilização. São eles: mecânico, químico, elétrico e térmico.
A estabilização mecânica tem como princípio básico a introdução de mudanças no sistema trifásico do solo através, principalmente, da compactação, instalação de drenos verticais e explosivos. Para fins rodoviários são empregados o método de rearranjo de partículas (compactação) e o método de troca de partículas (correção granulométrica).
A estabilização química consiste na adição de uma pequena quantidade de aditivo no solo produzindo alterações em sua massa. A presença do aditivo faz com que haja maior ligação entre os pontos de contato do solo proporcionando ganho de resistência, perda de permeabilidade, etc. Usualmente, em rodovias, são utilizados aditivos que produzam melhor estruturação da massa de solo, como o cimento, a cal e o betume.
A aplicação de uma corrente elétrica no solo pode originar um processo de estabilização elétrica. Contudo, este tipo de estabilização ainda é pouco utilizado no meio rodoviário, uma vez que grande parte dos estudos feitos com este método encontram se em fases preliminares.
A estabilização térmica é uma técnica pouco utilizada na execução de obras rodoviárias brasileiras. Este tipo de estabilização pode ser feito de três maneiras: congelamento, aquecimento e por termosmose técnica.
5.4.1 Estabilização Solo Cimento
A combinação entre solo, cimento e água em quantidades pré determinadas através de ensaio laboratoriais, juntamente com a compactação a uma massa específica seca fixada gera a estabilização solo cimento.
Segundo Oliveira Marques (2012) existem três tipos de misturas de solos tratados com cimento: a mistura de solo cimento, solo melhorado com cimento e solo cimento plástico. O tipo mais utilizado para rodovias é o solo melhorado com cimento, já que este método prevê a adição de pequenas quantidades de cimento (1 a 5%) em solo economicamente viáveis, com o objetivo de melhorar características físicas do solo.
No processo de estabilização com cimento ocorrem primeiramente as reações de hidratação do cimento, representadas nas Equações 6 e 7, onde os silicatos (compostos básicos do cimento) reagem com a água e produzem silicatos hidratados e hidróxido de cálcio. Caso haja diminuição no pH da mistura, os silicatos hidratados produzirão outros silicatos e cal (OLIVEIRA MARQUES, 2012), conforme demonstrado na Equação 8.
De acordo com Oliveira Marques (2012), as reações de hidratação do cimento são apresentadas pelas seguintes Equações 6 a 8.
C3S + H2O→C3S2Hx + Ca(OH)2 Equação 6 Ca(OH)2→Ca++ + 2(OH)- Equação 7
C3S2Hx →CSH + Cal Equação 8 em que:
C3S: silicato tricálcico (composto básico do cimento) H2O: água
C3S2H𝑥: silicato cálcico hidratado Ca(OH)2: hidróxido de cálcio Ca++: íons de cálcio
CSH: silicato de cálcio hidratado
Segundo o mesmo autor, após a liberação da cal, ocorrem as reações entre a cal e os argilominerais do solo, as quais são chamadas de pozolânicas e ocorrem em velocidade mais lenta. Estas reações são representadas nas Equações 9 e 10.
Ca++ + 2(OH)- + SiO2→CSH Equação 9 Ca++ + 2(OH)- + Al2O3→CAH Equação 10 em que:
SiO2: sílica do solo Al2O3: alumina do solo
CAH: aluminato de cálcio hidratado
Nos solos arenosos ocorrem vínculos de coesão nos pontos de contato entre os grãos. Já nos solos argilosos, a ação da cal liberada sobre a sílica e a alumina do solo faz com que surjam fortes pontos entre as partículas de solo.
Para à dosagem solo cimento, são feitos ensaios laboratoriais com determinado solo e diferentes quantidades de água e cimento, até que se encontre valores ideais. Estes valores determinam a quantidade de solo, água e cimento que proporcione as melhores condições de resistência e durabilidade.
No Brasil, a dosagem solo cimento baseia se na Norma Geral e na Norma Simplificada. Estas normas nasceram a partir de adaptações feitas pela Associação Brasileira de Cimento Portland - ABCP nos métodos de dosagem da
Portland Cement Association - PCA, e foram comprovadas a partir de diversos estudos
feitos em todo o país com diversos tipos de solos. A partir destas normas, a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT criou uma normativa (ABNT, 1992), a qual regulamenta as condições e procedimentos para se obter a quantidade ideal de cimento Portland capaz de estabilizar determinado tipo de solo.
5.4.2 Estabilização Solo Cal
A cal é um dos materiais de construção mais antigos utilizados pela humanidade. Há registros de que já tenha sido utilizada a mais de cinco mil anos. Contudo, seu emprego em estradas só ocorreu há cerca de dois mil anos, na civilização romana. (LIMA et al., 1993).
Cal é um termo que diz respeito a um leque de produtos derivados do calcário. Atualmente, são empregados na estabilização de solos com cal diversos métodos,
sendo lançada como cal aérea, em pó ou em leite de cal, podendo ser utilizada a cal virgem ou a hidratada. (SILVA, 2010). No Brasil, a cal hidratada é a mais utilizada para fins rodoviários.
A produção da cal consiste no processo de calcinação de rochas que contenham carbonato de cálcio e magnésio, ou apenas carbonato de cálcio. Através da calcinação os carbonatos são reduzidos, produzindo óxidos e gás carbônico, sendo o derivado do cálcio chamado de cal cálcica (Equação 11) e o de magnésio de cal dolomítica (Equação 12). Neste estágio ambas são conhecidas como cal virgem. (OLIVEIRA MARQUES, 2012.
CaCO3 + calor → CaO + CO2 Equação 11
CaCO3 × MgCO3 + calor → CO2 + MgO + CaO Equação 12 onde:
CaCO3: carbonato de cálcio (composto básico do calcário calcitico) CaO: óxido de cálcio (cal virgem)
CO2: gás carbônico
MgCO3: carbonato de magnésio (composto básico do calcário dolomítico) MgO: óxido de magnésio
Para que se tenha a cal hidratada, é necessário que seja feita a hidratação, de maneira controlada, dos óxidos de cal e/ou cálcio e magnésio. Este processo requer certo cuidado, uma vez que a eficiência total deste processo ocorre entre 900ºC e 1100ºC. (SILVA, 2010). A Equação 13 representa a reação entre a cal virgem e a água para formação da cal hidratada.
CaO + H2O → Ca(OH)2 + calor Equação 13 sendo:
Ca(OH)2: hidróxido de cálcio (cal hidratada)
De forma geral, todos os solos finos reagem com a cal. Nestas reações ocorrem trocas catiônicas e floculações que beneficiam características como trabalhabilidade, plasticidade e caráter expansivo. Estas reações ocorrem de maneira que provocam mudanças muito rápidas na plasticidade do solo e em menor grau na resistência ao cisalhamento. Já as reações pozolânicas entre solo e cal (Equações 9 e 10) nem sempre acontecem, pois dependem do tipo de solo, tipos e teores de cal, condições de cura e características de compactação. Entretanto, quando ocorrem, tem como
resultado a formação de vários compostos de cimentação, que proporcionam maior durabilidade e resistência a longo prazo. (LIMA et al., 1993).
No Brasil não existem normativas ou metodologias que regulamentem o uso e a dosagem de misturas solo cal. Contudo, grande parte dos trabalhos referenciam se nas metodologias de ensaio e execução da estabilização com cimento.
5.5 ENSAIO DE PASTILHAS EM SOLOS ESTABILIZADOS COM
CIMENTO
A estabilização de solos com cimento é muito estudada em todo o país. Contudo, quase todos os trabalhos desta área utilizam-se do ensaio de compactação para determinar a porcentagem ideal de cimento que deve ser utilizada para melhorar as características de determinado solo. Desta forma, a obtenção de dados confiáveis requer maior tempo, uma vez que este ensaio demanda de maior quantidade de solo e seu procedimento é mais demorado.
Fortes et al (2005) utilizaram-se do Ensaio das Pastilhas MCT para obter resultados em relação as melhorias proporcionadas pelo cimento em determinados solos. Nesta pesquisa, foram estudados três solos diferentes, sendo o solo 1 de comportamento não laterítico NS’ - NG’, e os solos 2 e 3 de comportamento laterítico LA’ - LG’ e LG’, respectivamente.
Segundo os autores foram analisadas amostras sem adição de cimento, e com adição de 3%, 5% e 8%. Todos resultados foram obtidos da mesma maneira que o ensaio convencional com pastilhas não estabilizadas. Contudo, anteriormente a medição de contração e penetração das pastilhas necessitou-se deixar as pastilhas que receberam a adição de cimento na câmara úmida para que ocorrem as reações entre o cimento e o solo, ou seja, até que ocorre-se a cura. Foram analisados períodos de cura diferentes, para verificar qual seria o período que traria melhores resultados para cada teor de cimento. Os períodos estudados foram de 24, 72 e 168 horas.
Ao final dos ensaios os autores concluíram que para o solo não laterítico a adição de cimento proporcionou aumento na resistência à penetração, e nas amostras com porcentagens de 5 e 8% de cimento o solo passou a apresentar comportamento laterítico. Já para os solos de comportamento laterítico a adição de cimento fez com que os mesmos apresentassem comportamento mais arenoso, e houve pouca diferença em relação a penetração e contração. Em relação ao período de cura,
observou-se que para períodos mais longos pode se obter bons resultados com menor porcentagem de cimento.
6 METODOLOGIA
6.1 MATERIAIS
Neste trabalho serão estudados dois solos da região de Sinop-MT, sendo um retirado da jazida de cascalho da Prefeitura Municipal de Sinop, próximo ao Rio Teles Pires, entre a profundidade de 0,40 e 2,00m. E o outro retirado do rebaixamento de vias urbanas, a uma profundidade entre 0,20 a 0,40m (UIENO, 2011). Ambos foram fornecidos pela Prefeitura Municipal. Nesta pesquisa, os solos citados serão chamados respectivamente de Solo 01 e Solo 02.
De acordo com UIENO (2011), conforme classificação AASHTO-TRB, o solo 01 é classificado como A-2-4 (0), enquanto o solo 02 é classificado como A-4 (7). A Tabela 01 traz os resultados da caracterização de ambos os solos.
Tabela 01– Caracterização dos 01 e 02 Características Médias Solo 01 Solo 02 LL (%) NL 32 IP (%) NP 5,8 IG 0,0 6,9 Pedregulho (%) 0,0 0,0 Areia Grossa (%) 1,0 2,0 Areia Fina (%) 69,2 28,4 Passante na peneira 200 (0,074mm) % 29,8 69,6 Classificação TRB A-2-4 A-4
Fonte : Uieno (2011) - Adaptado
A Figura 7 mostra a localização do local de retirada do solo 01, já a Figura 8 traz o solo 01 (direita) e o solo 2 (esquerda) que serão utilizados nesta pesquisa.
Figura 7: Localização da jazida de cascalho da Prefeitura Municipal de Sinop Fonte: Google Earth (2013)
Figura 8: Solos 02 e 01 Fonte: Acervo Particular (2014)
A cal utilizada para esta pesquisa será a cal hidratada do tipo CH-III e o cimento utilizado será o Cimento Portland Composto com adição de Pozolana, CP-II-Z, ambos obtidos no comércio local.
6.2 MÉTODOS
6.2.1 Ensaio das Pastilhas
Para a execução do ensaio das pastilhas será utilizada a metodologia proposta por Nogami e Villibor (1994).
Dessa maneira, deve se confeccionar três pastilhas de 20 mm de diâmetro e 5 mm de altura com solo passante na peneira 0,42 mm, na consistência ideal para cada solo. Para a obtenção dessa consistência coloca-se a amostra de solo sobre uma placa de vidro de face esmerilhada, e durante homogeneização da amostra será necessário molhá-la ou secá-la, até que se obtenha penetração na amostra de 1 mm de uma agulha padrão.
Após a moldagem, as pastilhas serão colocadas em uma estufa a 60°C durante um período de tempo de pelo menos seis horas. Depois de secas, serão aferidas três medições de contração diametral (𝐶𝑑). O próximo passo consistirá na reabsorção de água por capilaridade para que em seguida seja medida a penetração das pastilhas através do minipenetrômetro adaptado, utilizado por Del Paulo (2013), mostrado na Figura 9. Serão feitas três medidas de penetração por pastilha.
Figura 9: Minipenetrômetro adaptado por Del Paulo (2013). Fonte: Acervo Particular (2014)
Através dos resultados de contração diametral obtém-se o valor do coeficiente c’, e em conjunto com os valores de penetração se tem a classificação do solo, conforme Figura 6.
6.2.2 Método expedito das pastilhas a solos estabilizados
Para a realização deste estudo, será utilizado o Método Expedito de Ensaio de Pastilha proposto por Nogami e Villibor (1994b). Todavia, este estudo além de classificar os solos naturais, classificará também os mesmos estabilizados com cal e
cimento. Para isso, será utilizado como referência um estudo realizado por Fortes et al (2005).
Serão utilizadas duas porcentagens de adição de cimento e duas porcentagens de adição de cal para ambos os solos, sendo as porcentagens de 2% e 4% em relação ao peso de solo seco. Estas foram definidas a partir dos resultados encontrados em trabalhos com os mesmos solos realizados por Simioni (2011), Machado (2012), Friozi e Crispim (2012) e Crispim (2014), a escolha das porcentagens de cal e cimento foi feita considerando-se que grande parte das execuções com solo cimento melhorado utilizam entre 1 % e 5 %, em função da relação custo benefício.
Serão verificados três períodos de cura para as pastilhas estabilizadas com cal e cimento, sendo 24 horas, 72 horas e 168 horas (7 dias). Após o período de cura, o ensaio será realizado seguindo a metodologia citada no item 6.2.1.
7 CRONOGRAMA
ATIVIDADES 2014 2015 J A S O N D J F M A M J J Revisão bibliográfica Verificação de equipamentos Secagem e Peneiramento dos Solos Ensaio solos puro Ensaio solos estabilizados com cal Ensaio solos estabilizados com cimento Análise dos resultados Período para refazer os ensaios Escrita TCC 2 Revisão e entrega oficial do trabalho Apresentação do trabalho em banca8 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
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