Pré-modernismo e
revolução modernista
Pré-modernismo
Contextualização histórica (final
do séc. XIX e início séc. XX)
Europa
Progresso científico (automóvel, telégrafo, telefone,
lâmpada elétrica, cinema, avião.
Otimismo gera a Belle Époque (assista Meia noite em
Paris – Woody Allen)
Abalo: 1ª guerra mundial (1914 – 1918)
Surgimento das vanguardas europeias, que motivaram
o modernismo no Brasil e no mundo.
Brasil
•
Política do café-com-leite – SP (barões do Café) MG
(grandes pecuaristas)
•
Negros marginalizados
•
Nordeste pobre x "Senhores do gado e café“ RJ e SP
•
Região norte – Progresso e Riqueza * Ciclo da
Borracha (Amazônia)
•
Revolta da Chibata (RJ)
•
Revolta contra a obrigatoriedade da vacina (Varíola)
•
Canudos – BA – Antonio Conselheiro – Jagunço
•
Cangaço – Nordeste – Lampião e seu bando
•
Misticismo religioso - Pe. Cícero (CE)
Contextualização histórica (final
do séc. XIX e início séc. XX)
Presença de resíduos
culturais do século XIX
Busca de novas formas
de expressão
Redescoberta do Brasil por
meio da denúncia da
Quatro tendências no período:
1. Parnasianos: ainda imperantes, com suas ideias
formalistas, sua concepção da literatura como "sorriso da
sociedade", sua linguagem retórica e bacharelesca. Olavo
Bilac, na poesia, e Coelho Neto, na prosa, são os
"príncipes" idolatrados.
2. Simbolistas: grupo relativamente inexpressivo que ainda
sonha com neves e neblinas e escuta os doces violinos de
Verlaine.
Nas décadas posteriores: Manuel Bandeira, Cecília Meireles
e Mário Quintana
3.Realistas ou neo-realistas: prosadores cujos
procedimentos literários são tipicamente realistas
(objetividade, verossimilhança, crítica social, análise
psicológica, etc.)
Resgate do
caboclo paulista
Fixação do
universo
suburbano carioca
Monteiro
4. Intérpretes do Brasil
Graça Aranha
Euclides da
Cunha
Narrativa documental da
Guerra de Canudos
Analisa os
problemas da
fixação dos
imigrantes no Brasil
(Espírito Santo)
Características e temas frequentes
(prosa)
Contribuição do avanço do Texto jornalístico e científico e a ligação
com fatos políticos, econômicos o sociais contemporâneos, diminuem a distância entre a realidade e a ficção.
Tipos mais comuns:
◦ Caipira ◦ Sertanejto ◦ Nordestino
◦ Funcionário público
O regionalismo — nascido do Romantismo — persiste, mas de
forma mais crítica e não idealizada.
Denúncia do desiquilíbrio social (Lima Barreto) Narrativa documental (Euclides da Cunha)
Retrato da decadência econômica dos vilarejos e da população
cabocla do Vale do Paraíba, durante a crise do café. (Monteiro Lobato)
Lima Barreto
:
O "marginal"
De origem humilde, filho de pai
português e mãe escrava, Afilhado do Visconde do Ouro Preto, conseguiu estudar e ingressar aos 15 anos na Escola Politécnica.
Foi um grande crítico social.
Era negro, vítima de preconceitos,
utilizava-se de suas obras para denunciar a desigualdade social da época,
rompendo com o nacionalismo até então constante em todos os autores
Triste Fim de Policarpo Q
uaresma
O personagem do título é um
fanático nacionalista
Termina por descobrir o quão
A obra é dividida em três
momentos: no primeiro,
Policarpo Quaresma, funcionário público,
passa os dias estudando sobre o seu amado
país, o Brasil.
Envia um requerimento sugerindo que a
língua oficial do Brasil tornasse-se o tupi
guarani, língua nativa da região.
Teve o pedido negado e fora internado num
No segundo momento,
Policarpo, com a ilusão de que todas as
terras de seu amado Brasil fossem férteis,
◦
aventura-se em comprar uma fazenda e plantar.
Ele o faz numa fazenda chamada Sossego.
A realidade mais uma vez lhe dá um tapa na
cara,
◦
a terra não é tão fértil como ele pensava e
◦
ainda não conseguiu lidar com as represálias dos
políticos da região.
No terceiro e último momento,
Policarpo retorna ao Rio de Janeiro.
Apoia o presidente marechal Floriano Peixoto
Participa como voluntário da Revolta da
Armada
Critica como os prisioneiros eram
injustamente tratados
Por isso, e preso e condenado ao fuzilamento
Obras literárias
Lima Barreto (1881-1922) SP
"Recordações do escrivão Ísaias
Caminha"
"Triste fim de Policarpo
Quaresma" Romances
"Numa e Ninfa"
"Morte e Vida de M.J. Gonzaga de
Sá"
"Bruzundanga" } Sátira
Triste Fim de Policarpo Q
uaresma
[...] Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor da Pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor: o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações slevando-obre levando-os seus recurslevando-os, para deplevando-ois entãlevando-o apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa. [...] Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a pátria, nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. Defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo. Para isso ia até o crime de amputar alguns quilômetros ao Nilo e era com este rival do "seu" rio que ele mais implicava. Ai de quem o citasse na sua frente! Em geral, calmo e delicado, o major ficava agitado e malcriado, quando se discutia a extensão do Amazonas em face da do Nilo.
LIMA BARRETO, Triste fim de Policarpo Quaresma. 11ed. São Paulo, Ática, 1993. p. 22-3.
Noção de patriotismo ligado a interesses individuais Crítica ao nacionalismo ufanista Ufanismo: extrapolar ao se vangloriar desmedidamente das riquezas brasileiras, muitas vezes expondo a si e ao país uma situação que seria interpretada por outros como
jactância, e vaidade.
Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados a população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino.
Não se podem imaginar profissões mais tristes e mais inopinadas da gente que habita tais caixinhas. Além dos serventes de repartições, contínuos de escritórios, podemos deparar velhas fabricantes de rendas de bilros compradores de garrafas vazias, castradores de gatos, cães e galos, mendigueiros, catadores de ervas medicinais, enfim uma variedade de profissões miseráveis que as nossas pequenas e grande burguesias não podem adivinhar. Às vezes num cubículo dessas se amontoam uma família, e há ocasiões em que seus chefes vão a pé para a cidade por falta do níquel do trem.
(LIMA BARRETO, Triste fim de Policarpo Quaresma. 11ed. São Paulo, Ática, 1993. p. 84).
Espaço: Normalmente, no Rio de Janeiro. Mais
precisamente, em bairros pobres. Denúncia da hipocrisia e falsas aparências Crítica à burguesia medíocre, inútil e omissa perante as diferenças. Por toda a obra: Linguagem simples, próxima
Enem 2012
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, de folk-lore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções. A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete.
Barreto, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. O romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi publicado em 1911. No fragmento destacado, a reação do personagem aos desdobramentos de suas iniciativas
patrióticas evidencia que:
a) a dedicação de Policarpo Quaresma ao conhecimento da natureza brasileira levou-o a estudar inutilidades, mas possibilitou-lhe uma visão mais ampla do país.
b) a curiosidade em relação aos heróis da pátria levou-o ao ideal de prosperidade e democracia que o personagem encontra no contexto republicano.
c) a construção de uma pátria a partir de elementos míticos, como a cordialidade do povo, a riqueza do solo e a pureza linguística, conduz à frustração ideológica.
d) a propensão do brasileiro ao riso, ao escárnio, justifica a reação de decepção e desistência de Policarpo Quaresma, que prefere resguardar-se em seu gabinete.
e) a certeza da fertilidade da terra e da produção agrícola incondicional faz parte de um projeto ideológico salvacionista, tal como foi difundido na época do autor.
Euclides da Cunha O jornalismo encontra a
literatura
Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu no
dia 20 de janeiro de 1866, em Cantagalo (RJ).
Em 1897, quando mudou-se do Rio para São
Paulo, passou a fazer a cobertura da revolta de
Canudos para o jornal O Estado de S. Paulo. A
experiência como jornalista no nordeste resultou
na obra mais conhecida do escritor: Os sertões.
Euclides da Cunha foi assassinado em 1909,
Os sertões
A obra é dividida em três partes:
A Terra,
◦
onde descreve com uma riqueza às vezes até triste
de detalhes o sertão baiano,
O Homem,
◦
onde descreve com o mesmo nível de riqueza o
sertanejo, e
A Luta,
◦
onde a Guerra propriamente dita é retratada.
• Regionalismo.
• A realidade do Nordeste brasileiro é retratada com
fidelidade
• Descreve as condições precárias de vida da região e
os motivos pelos quais ocorreu o drama da Guerra de
Canudos.
• O sucesso da obra foi tamanho que o autor foi eleito
para a Academia Brasileira de Letras em 1903.
Os Sertões
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações
atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a pAgrava-ostura nAgrava-ormalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas”. (...)
CUNHA, Euclides da. Os Sertões. 27ª Ed. Brasília, UnB, 1963. p. 94-5
Literariedade e subjetividade resultantes dos adjetivos valorativos. Isso afasta o texto da linguagem jornalística Tendência pré-modernista de retratar a figura típica e marginalizada dos espaços “esquecidos” do Brasil Predominância descritiva em todo o texto. É uma característica constante da obra
Monteiro Lobato
As relações humanas
nas oligarquias
A Realidade Brasileira...
◦ Utilizando uma linguagem simples, expressa as tensões sociais, políticas e econômicas daquela época.
Lutou através da imprensa e
pessoalmente, pelo saneamento, pela exploração do petróleo e o ferro, pela educação e saúde do país.
Controvertido, ativo e participante, Defende a modernização do Brasil nos
moldes capitalistas.
Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e
pouco desenvolvido,
◦ como no Jeca Tatu (estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades
Características:
Herança naturalista (teorias cientificas /
Antropologia, Sociologia, etc.)
Crise de identidade e aspectos deprimentes
da vida expressos em toda sua obra
Ceticismo amorosos
Angustia existencial
Vocabulário cientifico, /exótico, irônico
Fixação pela morte (poesia gótica) e pela
putrefação da carne devorada por vermes
Poema de Augusto dos Anj
os
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Versos íntimos
Augusto dos Anjos