• Nenhum resultado encontrado

aula05

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "aula05"

Copied!
49
0
0

Texto

(1)

PEF-101–Termodinˆ

amica e Mecˆ

anica

Estat´ıstica

Prof. Jos´e Kenichi Mizukoshi

(2)

Temperatura

(3)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Na aula passada, enunciamos a segunda lei da termodinˆamica em termos da

entropia. De acordo com ela, quando dois objetos est˜ao em equil´ıbrio t´ermico, a sua entropia total alcan¸ca o maior valor poss´ıvel.

Na Aula 1, demos a defini¸c˜ao te´orica da temperatura: ela ´e algo que ´e igual

para ambos os objetos quando eles atingem o equil´ıbrio t´ermico.

A partir do entendimento do equil´ıbrio t´ermico em termos da entropia, estamos`

em posi¸c˜ao de descobrir o que de fato ´e a temperatura.

■ Para relacionar a entropia (na verdade a sua mudan¸ca) com a temperatura,

vamos considerar novamente o caso particular de dois s´olidos de Einstein, com

(4)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 4 / 49

A tabela abaixo lista v´arios macroestados e suas multiplicidades, al´em das

(5)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

A figura abaixo mostra os gr´aficos de SA, SB e Stotal (em unidades de

constante de Boltzmann), obtidos `a partir dos dados da tabela da p´agina anterior. Estritamente falando, temos pontos discretos, pois q ´e um n´umero inteiro. Mas para q ≫ 1, podemos aproxim´a-los por uma fun¸c˜ao cont´ınua.

E nt ro p ia (u n id ad es d e k )

(6)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 6 / 49

Observamos da figura anterior que no ponto de equil´ıbrio, onde qA = 60,

∂Stotal

∂qA = 0 ou

∂Stotal

∂UA = 0

A segunda express˜ao ´e obtida lembrando que UA = qA~ω. Como

Stotal = SA + SB, ∂SA ∂UA + ∂SB ∂UA = 0

Como qtotal = qA + qB ´e fixa, Utotal = UA + UB tamb´em ´e fixa. Logo, a ´ultima

express˜ao acima fica ∂SA ∂UA + ∂SB −∂UB = 0 ⇒ ∂SA ∂UA = ∂SB ∂UB

Ou seja, o que ´e comum para ambos os sistemas em equil´ıbrio t´ermico ´e a inclina¸c˜ao do gr´afico da entropia versus energia.

(7)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

No intuito de se entender melhor como a temperatura est´a relacionada com a

inclina¸c˜ao, vamos analisar um ponto longe do equil´ıbrio. Para efeito de ilustra¸c˜ao, vamos tomar qA = 12.

Observe que neste caso, a inclina¸c˜ao de SA ´e muito mais ´ıngrime do que a

de SB.

Por outro lado, a inclina¸c˜ao mais ´ıngrime de SA deve corresponder a uma

baixa temperatura (que recebe mais entropia), enquanto o contr´ario, curva

de SB, deve corresponder a temperatura mais alta (que tem a entropia

diminu´ıda).

■ Observando-se que a inclina¸c˜ao ∂S/∂U , possui unidade de (J/K)/J = 1/K,

definimos a temperatura como sendo 1 T ≡  ∂S ∂U  N,V

(8)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 8 / 49

Em princ´ıpio, podemos inverter a derivada e escrever

T =  ∂U

∂S 

N,V

Contudo, geralmente esta express˜ao ´e pouco ´util, pois n˜ao ´e comum se escrever a energia em fun¸c˜ao da entropia, do volume e do n´umero de part´ıculas.

■ A f´ormula acima ´e ´util caso tenhamos exemplos num´ericos, como a tabela da

p´agina 4. Para se obter, aproximadamente a temperatura em qA = 12,

podemos fazer TA ≈ (∆UA/∆SA)N,V , onde tomamos a diferen¸ca entre os

macroestados com qA = 11 e qA = 13. Fazendo U = qǫ, onde ǫ = ~ω,

TA = 13ǫ − 11ǫ

51,9k − 45,4k ⇒ TA = 0,31 ǫ/k (para qA = 12)

Para um sistema grande, onde q ≫ 1, ∆U/∆S se torna uma raz˜ao entre dois n´umeros infinitesimais, o que faz com que se aproxime da derivada.

(9)

Temperatura

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Para qA = 12, temos que qB = 88. Logo, a temperatura do s´olido B nesse

macroestado ser´a

TB =

89ǫ − 87ǫ

175,1k − 172,7k ⇒ TB = 0,83 ǫ/k (para qB = 88)

Conforme esperado, no macroestado em que qA = 12 e qB = 88, a

(10)

Temperatura – Problema

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 10 / 49

Probl. 1 Utilize a tabela da p´agina 4 para calcular as temperaturas dos s´olidos A

e B quando qA = 1. Fa¸ca o mesmo para qA = 60. Expresse as suas respostas em

termos de ǫ/k e em seguida em kelvins, assumindo que ǫ = 0,1 eV. A constante de

Boltzmann ´e k = 1,381 × 10−23 J/K = 8,617 × 10−5 eV/K.

Probl. 2 Use a defini¸c˜ao de temperatura para provar a lei zero da

termodinˆamica (enunciado na Aula 1), que diz que se o sistema A est´a em

equil´ıbrio t´ermico com o sistema B, e o sistema B est´a em equil´ıbrio t´ermico com o sistema C, ent˜ao o sistema A est´a em equil´ıbrio t´ermico com o sistema C.

(11)

Exemplos do mundo real

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Temperatura de um s´olido de Einstein com N osciladores e q unidades de

energia, no limite q ≫ N .

Conforme visto (Aula 4, p´agina 41), a entropia desse sistema ´e dada por S = N k[ln(q/N ) + 1] Como U = qǫ, onde ǫ = ~ω, S = N k[ln(U/ǫN ) + 1] ⇒ S = N k(ln U − ln ǫN + 1) Temos que ∂S ∂U = N k U , portanto T =  ∂S ∂U −1 = U N k ⇒ U = N kT

O resultado est´a de acordo com o teorema da equiparti¸c˜ao da energia, pois

(12)

Exemplos do mundo real

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 12 / 49

Vamos obter agora a temperatura do g´as idea. Da equa¸c˜ao de Sackur–Tetrode

(Aula 4, p´agina 45), temos que

S = N k ln V + N k ln U3/2 + f (N ),

onde f (N ) ´e uma fun¸c˜ao que s´o depende do n´umero de mol´eculas, N .

Segue que ∂S ∂U = 3 2 N k U , portanto T =  ∂S ∂U −1 =  2U 3N k  ⇒ U = 3 2N kT

Novamente, verifica-se o teorema de equiparti¸c˜ao, visto que cada mol´ecula monoatˆomica possui 3kT /2 de energia, sendo que cada grau de liberdade contribui para kT /2.

(13)

Exemplos do mundo real

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Probl. 3 Encontre a temperatura para o s´olido de Einstein no limite q ≪ N (Veja

problema 4 da Aula 4). Mostre que

U = N ǫe−ǫ/kT onde ǫ ´e o tamanho de uma unidade de energia.

(14)

Entropia e Calor

(15)

Predi¸

oes de capacidades t´

ermicas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Na Aula 2, p´agina 16, definimos a capacidade t´ermica a volume constante

como sendo

CV ≡  ∂U

∂T 

N,V

onde escrevemos aqui explicitamente que a derivada parcial deve ser calculada mantendo-se n˜ao somente o volume, mas tamb´em N fixo.

■ Para o s´olido de Einstein, no limite q ≫ N , a capacidade t´ermica ´e dada por

(veja U obtida na p´agina 11)

CV = ∂

∂T (N kT ) ⇒ CV = N k

■ De forma similar, para o g´as ideal monoatˆomico, obtemos

CV = ∂ ∂T 3 2N kT  ⇒ CV = 3 2N k

(16)

Predi¸

oes de capacidades t´

ermicas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 16 / 49

■ Tanto para o s´olido de Einstein como para o g´as ideal monoatˆomico, a

capacidade t´ermica n˜ao depende da temperatura e ´e igual a k/2 multiplicado

pelo n´umero de graus de liberdade dos N objetos que comp˜oem o sistema.

■ Este resultado para a capacidade t´ermica (graus de liberdade vezes k/2) n˜ao ´e

um resultado geral. Conforme veremos adiante, existem sistemas que exibem uma capacidade t´ermica com um comportamento bem mais complicado.

De uma forma geral, a capacidade t´ermica de um sistema pode ser predita

utlizando-se a ferramente desenvolvida at´e aqui. Para isto, basta seguir os cinco passos abaixo:

(1) Utilize a mecˆanica quˆantica e combinat´orios para encontrar uma express˜ao para a multiplicidade, Ω, em termos de U, V, N e quaisquer outras vari´aveis relevantes.

(2) Tome o logar´ıtimo natural para encontrar a entropia, S.

(3) Diferencie S com respeito a U e tome a sua rec´ıproca para encontrar a temperatura, T , como fun¸c˜ao da energia U e outras vari´aveis.

(17)

Predi¸

oes de capacidades t´

ermicas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

(4) Resolva U como fun¸c˜ao de T e outras vari´aveis.

(5) Diferencie U (T ), mantendo outras vari´aveis fixas, para obter as predi¸c˜oes para a a capacidade t´ermica.

O problema desse procedimento ´e que para a maioria dos sistemas, n´os n˜ao

conseguimos efetuar o passo (1). De fato, existem poucos sistemas na Natureza onde conseguimos escrever explicitamente uma f´ormula para a multiplicidade.

■ Mais para o final do curso, introduziremos a estat´ıstica de Boltzmann, cuja

(18)

Predi¸

oes de capacidades t´

ermicas –

Problema

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 18 / 49

Probl. 4 Calcule a capacidade t´ermica de um s´olido de Einstein no limite de

baixas temperaturas, utilizando o resultado do Probl. 3. Esboce o resultado obtido em fun¸c˜ao da temperatura.

(Nota: medidas de capacidades t´ermicas de s´olidos reais a baixas temperaturas n˜ao confirmam a predi¸c˜ao feita neste problema. A predi¸c˜ao correta ´e dada pela Teoria

de Debye de s´olidos, derivada `a partir do formalismo grande-canˆonico da

(19)

Medindo entropias

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Conforme visto, definimos a temperatura atrav´es da rela¸c˜ao

1 T ≡  ∂S ∂U  N,V

Se adicionarmos uma pequena quantidade de calor dQ, mantendo o volume constante (al´em de N e outras vari´aveis) e n˜ao realizando quaisquer outras formas de trabalho, temos que

dS = dU

T =

dQ

T (V constante, Woutro = 0)

Veremos adiante que a ´ultima express˜ao pode ser aplicada quando o volume

varia, mas o processo precisa ser quase-est´atico.

■ Quando a temperatura do sistema est´a mudando, ´e mais conveniente escrever

a varia¸c˜ao da entropia em fun¸c˜ao da capacidade t´ermica. Lembrando que dU = CV dT ,

dS = CV dT

(20)

Medindo entropias

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 20 / 49

A mudan¸ca total na entropia ´e dada por

∆S = Sf − Si =

Z Tf

Ti

CV

T dT

Para muitos sistemas e situa¸c˜oes, CV pode ser aproximadamente constante.

Mas para alguns casos, especialmente a baixas temperaturas, ela pode mudar de forma significativa com a temperatura.

■ Se CV ´e conhecida at´e o zero absoluto, ´e poss´ıvel que consigamos calcular a

entropia total do sistema, Sf = S(Tf), para uma dada temperatura Tf:

Sf − S(0) =

Z Tf

0

CV

T dT

Em princ´ıpio, `a temperatura zero o sistema deve se estabelecer no estado

(21)

Medindo entropias

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

De acordo com a formula¸c˜ao de Planck da terceira lei da termodinˆamica,

“ A entropia de uma substˆancia s´olida ou l´ıquida em equil´ıbrio t´ermico torna-se nula quando a temperatura tende ao zero absoluto.”

Na pr´atica, S(0) n˜ao tende a zero, mas a um valor constante, que ´e conhecido

como a entropia residual. Existem diferentes tipos de entropia residual:

mol´eculas de cristais que possuem um arranjo aleat´orio, ou quase aleat´orio,

tal que ´e altamente improv´avel que se atinja o verdadeiro estado fundamental.

entropia devido `a mistura de diferentes is´otopos nucleares de um elemento.

Para T = 0, eles n˜ao deveriam estar misturados ou deveriam estar distribu´ıdos de alguma forma ordenada, mas n˜ao ´e o que ocorre.

Uma terceira forma de entropia residual ´e devido `a multiplicidade de

(22)

Medindo entropias

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 22 / 49

Uma r´apida inspe¸c˜ao na ´ultima equa¸c˜ao da p´agina 20 nos leva a impress˜ao que

a integral diverge para a temperatura zero, pois T est´a no denominador do integrando. Em princ´ıpio, ela poderia produzir um infinito negativo para a entropia. Contudo, isto normalmente n˜ao ocorre, pois

CV → 0 quando T → 0

Ou seja, para temperaturas muito baixas, todos os graus de liberdade devem se congelar. O resultado acima tamb´em ´e conhecido como a terceira lei da

(23)

Medindo entropias – Problemas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Probl. 5 Suponha que vocˆe aque¸ca uma x´ıcara de ´agua (200 g), de 20◦C para

100◦C. Calcule a mudan¸ca na entropia desse processo.

A capacidade t´ermica de 200 g de ´agua ´e 200 cal/K, o que d´a aproximadamente 840 J/K e ´e essencialmente constante no intervalo de temperatura considerado.

(24)

Vis˜

ao macrosc´

opica da entropia

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 24 / 49

Originalmente, a rela¸c˜ao dS = dQ/T era a defini¸c˜ao da entropia. Em 1865, R.

Clausius definiu a entropia como sendo uma grandeza que aumenta de Q/T quando um calor Q entra num sistema de temperatura T .

■ A partir desta vis˜ao tradicional, vamos analisar o que ocorre quando um objeto`

quente A, `a temperatura TA = 500 K, ´e colocado em contato com o objeto

frio B, `a temperatura TB = 300 K. Suponha que em um certo intervalo de

tempo, uma quantidade de Q = 1500 J de calor ir´a fluir de A para B.

Se os dois objetos s˜ao suficientemente grandes, as suas temperaturas n˜ao v˜ao

mudar significativamente devido a perda ou ganho de calor. Logo, a mudan¸ca de entropia para cada objeto ser´a dada por

∆SA = −Q

TA = −3 J/K e ∆SB =

Q

(25)

Vis˜

ao macrosc´

opica da entropia

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

O objeto A perde entropia, pois o calor est´a saindo dele. Por outro lado, o

objeto B ganha entropia, pois o calor est´a entrando nele.

■ A mudan¸ca l´ıquida na entropia do universo ´e

∆S = ∆SA + ∆SB = −3 J/K + 5 J/K ⇒ ∆S = +2 J/K,

ou seja, aumentou, como era de se esperar pela segunda lei da termodinˆamica. Se tiv´essemos assumido que o calor fosse fluir de um objeto mais frio para um mais quente, ter´ıamos obtido que ∆S < 0, o que viola a segunda lei.

(26)

Vis˜

ao macrosc´

opica da entropia

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 26 / 49

Probl. 6 Um cubo de gelo de 30 g `a temperatura de 0◦C, ´e deixado em cima de

uma mesa na cozinha, onde se derrete gradualmente. A temperatura da cozinha ´e de 25◦C.

(a) Calcule a mudan¸ca de entropia do cubo de gelo quando ele se derrete em ´agua a 0◦C.

(b) Calcule a mudan¸ca de entropia da ´agua (do gelo derretido) quando a temperatura aumenta de 0◦C para 25◦C.

(c) Calcule a mudan¸ca na entropia da cozinha quando ela fornece calor para o derretimento do gelo.

(d) Calcule a mudan¸ca l´ıquida na entropia do universo durante este processo. A mudan¸ca l´ıquida ´e positiva, negativa ou zero? O resultado ´e o que vocˆe

(27)

Vis˜

ao macrosc´

opica da entropia

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Probl. 7 Medidas experimentais da capacidade t´ermica do alum´ınio em baixas

temperaturas (abaixo de 50 K) podem ser fitadas pela f´ormula CV = aT + bT3,

onde CV ´e a capacidade t´ermica de um mol de alum´ınio e as constantes a e b s˜ao aproximadamente a = 0,00135 J/K2 e b = 2,48 × 10−5 J/K4. `A partir destes

dados, encontre a f´ormula para a entropia de um mol de alum´ınio em fun¸c˜ao da temperatura. Avalia a sua f´ormula em T = 1 K e em T = 10 K, expressando suas

respostas em unidade convencional (J/K) e em n´umero puro (dividindo pela

(28)

Paramagnetismo

(29)

Paramagnetismo

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Utilizando a f´ormula de combinat´oria, obtemos a multiplicidade, e por

conseguinte, a entropia de um g´as ideal e de um s´olido de Einstein no limite de altas temperaturas. ■ Usando a f´ormula T =  ∂S ∂U −1 N,V

mostramos que o sistema obedece ao teorema da equiparti¸c˜ao da energia.

Vamos analisar `a seguir o material paramagn´etico de dois estados e mostrar

(30)

Paramagnetismo – nota¸

ao e F´ısica

microsc´

opica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 30 / 49

Introduzimos o material paramagn´etico de dois estados na Aula 3. Trata-se de

um sistema consistindo de N part´ıculas de spin 1/2, imerso num campo magn´etico constante na dire¸c˜ao z.

Como cada part´ıcula possui um momento de dipolo magn´etico ~µ (e

portanto ´e chamada de dipolo), ela vai sofrer uma intera¸c˜ao com o campo magn´etico. Mais precisamente, o dipolo sofre um torque dado por ~τ = ~µ × ~B, fazendo com que os momentos de dipolo se alinhem paralelamente ou

(31)

Paramagnetismo – nota¸

ao e F´ısica

microsc´

opica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Desprezando-se a intera¸c˜ao entre os dipolos, a energia total dos sitema ser´a

dada por

U = µB(N↓ − N↑) = µB(N − 2N↑),

onde N↑ (N↓) ´e o n´umero de dipolos alinhados (anti-alinhados) ao campo

(32)

Revis˜

ao de torque e energia de rota¸

ao

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 32 / 49

■ Considere uma for¸ca ~F apliacada num ponto P de um

objeto r´ıgido pivotado em O. O trabalho realizado pela for¸ca ~F para girar o objeto de uma quantidade infinites-imal d~ℓ = rdθ ˆθ ´e

dW = ~F · d~ℓ = (F sen φ)rdθ

~ F

d~ℓ

■ Por outro lado, o torque devido `a for¸ca ~F aplicada no ponto P ´e dada por

~τ = ~r × ~F ⇒ ~τ = rF sen φ ˆı

onde ˆı ´e perpendicular `a p´agina e saindo da mesma.

Temos portanto que

(33)

Revis˜

ao de torque e energia de rota¸

ao

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

■ O torque devido ao campo ~B ´e dado por

~τ = ~µ × ~B ⇒ ~τ = µB sen θˆı, onde θ′ = π/2 − θ. Para θ′ = 0, ~B ´e paralelo a ~µ.

~µ ~

B θ

θ′

■ A varia¸c˜ao infinitesimal da energia potencial ´e dU = −dW . Para a varia¸c˜ao

finita de θ′ = 0 a θ′ = π, ∆U = − Z π 0 τ (−dθ′) = µB Z π 0 sen θ′ dθ′ = µB(− cos θ′) π 0 ⇒ ∆U = 2µB

Em vista do resultado acima, tomamos para o estado de menor energia

(θ′ = 0, ~µ paralelo a ~B) o valor −µB por dipolo, portanto o estado de maior energia (anti-paralelo) fica com a energia +µB.

(34)

Paramagnetismo – nota¸

ao e F´ısica

microsc´

opica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 34 / 49

Vamos definir a magnetiza¸c˜ao como sendo o momento magn´etico total do

sistema. Como os dipolos paralelos a ~B possuem momento magn´etico +µ e os

anti-paralelos o momento magn´etico −µ, temos que

M = µ(N↑ − N↓) ⇒ M = −

U B

Conforme j´a discutimos na Aula 3, para N fixo a multiplicidade de um dado

macroestado com N↑ ´e dada por

Ω(N↑) =  N N↑  = N ! N↑! N↓!

(35)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Para sistemas razoavelmente pequenos (N n˜ao muito grande), podemos

calcular a multiplicidade dada na p´agina anterior numericamente e tomar o seu logar´ıtmo natural para encontrar a entropia. Vamos considerar um sistema

paramagn´etico com N = 100 dipolos elementares.

■ Para este caso, a temperatura do macroestado com um dado N pode ser

calculada `a partir de

T = ∆U

∆S

onde ∆U (∆S) s˜ao as diferen¸cas entre as energias (entropias) dadas pelos macroestados vizinhos, i.e., com valores N↑ + 1 e N↑ − 1.

■ Similarmente, podemos obter a capacidade t´ermica do macroestado com um

dado N↑:

C = ∆U

(36)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 36 / 49

(37)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Com os dados da tabela anterior, pode-se obter o gr´afico da entropia em

fun¸c˜ao da energia do sistema:

■ Pelo gr´afico, vˆe-se que a maior entropia ocorre para U = 0, configura¸c˜ao em

que a metade dos dipolos aponta para cima/baixo. Adicionando-se mais energia, a entropia diminui, pois haver´a menos maneiras de se arranjar a

energia. Este comportamento ´e bem diferente do normal, exibido por exemplo pelo s´olido de Einstein.

(38)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 38 / 49

Enquanto a energia ´e negativa (N > 50) a derivada ∂S/∂U > 0, ou seja, o

sistema tende a absorver energia da vizinhan¸ca, at´e que essa tendˆencia cessa para ∂S/∂U = 0.

■ Adicionando-se mais energia (agora N < 50), ∂S/∂U < 0, portanto o sistema

tende a liberar espontaneamente energia para a vizinhan¸ca cuja inclina¸c˜ao do gr´afico entropia versus energia seja positiva.

■ A figura ao lado exibe a temperatura em fun¸c˜ao

da energia (obtida da express˜ao anal´ıtica, a qual ser´a deduzida mais adiante).

Como a temperatura ´e inversa da inclina¸c˜ao do gr´afico anterior, nota-se que ela vai de um valor pr´oximo de zero at´e o infinito, quando mais da metade dos dipolos est˜ao paralelos ao campo B.

Pr´oximo de U = 0, como T → ∞, este sistema

ir´a ceder energia para qualquer outro sistema com temperatura finita.

(39)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Para U > 0, a temperatura ´e negativa. Particularmente, pr´oximo de U = 0,

T → −∞. Temperaturas negativas ocorrem em sistemas cuja energia total ´e limitada – a multiplicidade diminui `a medida que o sistema atinge a energia m´axima.

■ Interpretamos um sistema com T < 0 simplesmente como sendo aquele com

temperatura “maior do que infinito”, ou seja, o sistema tende a ceder energia para qualquer outro sistema com temperatura positiva.

■ Nesse caso, identificamos a temperatura como sendo meramente uma

caracteriza¸c˜ao do sistema quanto `a disposi¸c˜ao em ceder energia, ou seja, ´e apenas uma rela¸c˜ao entre a energia e a entropia (sendo esta uma quantidade fundamental na termodinˆamica).

(40)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 40 / 49

O gr´afico ao lado mostra o comportamento da

capacidade t´ermica em fun¸c˜ao da temperatura (obtido da express˜ao anal´ıtica, a ser deduzida). Diferentemente do resultado para um g´as ideal e o s´olido de Einstein, a capacidade t´ermica possui uma forte dependˆencia com a temperatura.

■ Observa-se que

C → 0 quando T → 0

(41)

Solu¸

ao num´

erica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

■ O gr´afico ao lado mostra o comportamento

da magnetiza¸c˜ao em fun¸c˜ao da temperatura (obtido da express˜ao anal´ıtica, a ser deduzida).

Observa-se que para T > 0 pr´oxima de zero,

a magnetiza¸c˜ao tende a saturar, com todos os dipolos alinhados paralelamente ao campo magn´etico. Para T → ∞, M → 0, pois metade dos dipolos estar˜ao alinhados paralelamente ao campo magn´etico e metade anti-paralelamente.

■ O comportamento de M com a temperatura negativa ´e essencialmente uma

imagem espelhada do gr´afico com a temperatura positiva, mas com M < 0 (dipolos alinhados anti-paralelamente ao campo magn´etico).

(42)

Solu¸

ao anal´ıtica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 42 / 49

Para efetuar o c´alculo anal´ıtico do sistema paramagn´etico de dois n´ıveis, vamos

assumir que em qualquer instante N, N↓ e N↑ s˜ao separadamente grandes.

Partindo-se da multiplicidade dada na p´agina 34, obtemos

S/k = ln N ! − ln N↑! − ln(N − N↑)!

Utilizando-se a aproxima¸c˜ao de Stirling, obtemos

S/k ≈ N ln N − N − N↑ ln N↑ + N↑ − (N − N↑) ln(N − N↑) + (N − N↑)

= N ln N − N↑ ln N↑ − (N − N↑) ln(N − N↑)

Como U = µB(N − 2N), utilizamos a regra da cadeia para se obter a

temperatura: 1 T =  ∂S ∂U  N,B = ∂S ∂N↑ ∂N↑ ∂U

(43)

Solu¸

ao anal´ıtica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Como ∂U ∂N↑ = −2µB ⇒ ∂N↑ ∂U = − 1 2µB e ∂S ∂N↑ = k ln N + U/µB N − U/µB  temos que 1 T = k 2µB ln  N − U/µB N + U/µB 

Invertendo a equa¸c˜ao acima, obtemos

U = N µB 1 − e 2µB/kT 1 + e2µB/kT  ⇒ U = −N µB tgh µB kT 

Como M = −U/B, temos que

M = N µtghµB

kT 

(44)

Fun¸

oes hiperb´

olicas b´

asicas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 44 / 49

O cosseno hiperb´olico e o seno hiperb´olico de x s˜ao definido como sendo

cosh x = e x + e−x 2 e senh x = ex − e−x 2 respectivamente.

Analogamente ao tangente, definimos o tangente hiperb´olico como sendo

tgh x = senh x cosh x = ex − e−x ex + e−x ou tgh x = − 1 − e2x 1 + e2x tgh x

(45)

Fun¸

oes hiperb´

olicas b´

asicas

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Como d

dxe

±x = ±e±x, pode-se mostrar que

d dxsenh x = cosh x , d dxcosh x = senh x e d dxtgh x = 1 cosh2 x Para obter a ´ultima derivada, usamos que cosh2 x − senh2 x = 1.

■ Como essas fun¸c˜oes hiperb´olicas s˜ao fun¸c˜oes de e±x, ´e f´acil escrever as suas

aproxima¸c˜oes no limite x → 0, visto que

e±x ≈ 1 ± x

que s˜ao os dois primeiros termos da s´erie de Taylor de f (x) = e±x.

Por exemplo, a tangente hiperb´olica para x → 0 ´e

tgh x ≈ 1 + x − (1 − x)

(46)

Solu¸

ao anal´ıtica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 46 / 49

A capacidade t´ermica ´e

C =  ∂U ∂T  N,B = N k (µB/kT ) 2 cosh2(µB/kT )

Pode-se mostrar que a fun¸c˜ao acima se aproxima de zero tanto para baixas como para altas temperaturas, cujo comportamento ´e similar aquele obtido na solu¸c˜ao num´erica.

■ Para um material parmagn´etico real, os dipolos individuais podem ser el´etrons

ou o n´ucleos atˆomicos.

■ Para o paramagneto de dois estados eletrˆonicos, µ ´e o magn´eton de Bohr,

µB ≡ eh

4πme

= 9,274 × 10−24 J/T = 5,788 × 10−5 eV/T

(47)

Solu¸

ao anal´ıtica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Se tomarmos B = 1 T, que ´e um campo magn´etico bem forte, temos que

µBB ≈ 5,8 × 10−5 eV. Por outro lado, `a temperatura ambiente, kT ≈ 1/40

eV. Portanto, para temperaturas da ordem da temperatura ambiente ou maior (maiores que alguns kelvins), tem-se que

µB

kT ≪ 1

Nessa aproxima¸c˜ao, a magnetiza¸c˜ao (express˜ao dada na p´agina 43) se torna

M ≈ N µ

2

B

kT (quando µB ≪ kT )

A rela¸c˜ao M ∝ 1/T foi descoberta experimentalmente por P. Curie e ´e

conhecida como a lei de Curie. Ela ´e obedecida por todos os materiais paramagn´eticos no limite de altas temperaturas.

(48)

Solu¸

ao anal´ıtica

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Aula 5 48 / 49

O gr´afico abaixo mostra os valores experimentais da magnetiza¸c˜ao para um

sistema paramagn´etico de dois estados real. No caso, um radical livre orgˆanico conhecido como DPPH (C18H12N5O6), onde um ´atomo do nitrogˆenio possui

um el´etron desemparelhado.

tgh (µB/kT ) lei de Curie

(49)

Bibliografia

Temperatura Entropia e Calor Paramagnetismo

Daniel V. Schroeder, An Introduction to Thermal Physics, Addison Wesley

Referências

Documentos relacionados

XI - Padrão de identidade e qualidade: o estabelecido pelo órgão competente do Ministério da Saúde dispondo sobre a denominação, definição e composição de

O segundo momento da atividade, onde busca-se a visualização dos efeitos das mudanças do clima nas áreas urbanas, propõe-se que os alunos sejam divididos em

Como nossa proposta não se limitava somente a mapear os estereótipos que constroem esse ethos de que tratamos, mas realizar uma aplicação desses resultados no ensino de língua

O Campus Araguatins, do IFTO, possui 43 prédios em funcionamento; em 75% destes ocorre a coleta seletiva. A coleta seletiva solidária foi implantada de forma gradual. Apesar de o

Se o pino DA/SR não estiver na posição correta, remova delicadamente o pino com um alicate e coloque-a no orifício apropriado.(Observação: Para unidades AX alumínio, o pino DA /

4.17 Deve manter-se um registo para cada lote processado. Este registo deve basear-se nas partes relevantes da fórmula de fabrico e das instruções de procedimento

Este trabalho, resultado de uma experiência em sala de aula, apresenta possibilidades e contribuições do uso de portfólios virtuais utilizados como avaliação do

Os parâmetros da Distribuição de Weibull dos modos de falhas por desgaste podem ser deduzidos se forem eliminados os itens imperfeitos e analisados os seus