LEI N.º 70/2013, DE 30 DE AGOSTO – ESTABELECE OS REGIMES JURÍDICOS DO FUNDO DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO, DO MECANISMO EQUIVALENTE E DO FUNDO DE GARANTIA DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO
Luís Gonçalves da Silva, Consultor, Abreu Advogados
1. A presente lei fixa os regimes jurídicos do fundo de compensação do trabalho (FCT), do
mecanismo equivalente (ME) e do fundo de garantia de compensação do trabalho (FGCT) (artigo 1.º).
As novidades legislativas entraram em vigor no dia 1 Outubro de 2013 (artigo 61.º, n.º 1)1, ainda que na dependência dos respectivos regulamentos, os quais vieram, entretanto, a ser publicados2, tendo iniciado a vigência em 15 de Outubro passado.
2. O objectivo do diploma é a criação de fundos que assegurem o pagamento efectivo da
compensação devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho (CT)3 (artigo 3.º, n.º 1).
Do ponto de vista sistemático, o diploma apresenta a seguinte organização: a) Capítulo I – Disposições iniciais;
b) Capítulo II – Disposições gerais;
c) Capítulo III – Fundo de Compensação do Trabalho; d) Capítulo IV – Mecanismo equivalente;
e) Capítulo V – Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho;
f) Capítulo VI - Regularização da dívida ao Fundo de Compensação do Trabalho e ao Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho
g) Capítulo VII – Responsabilidade criminal e contraordenacional; h) Capítulo VIII – Disposições finais.
Uma vez mais, esta Lei é um bom exemplo da má técnica legislativa que parece ser apaná-gio do legislador laboral dos últimos tempos, podendo exemplificar-se com artigos com longos números e que tratam de matérias substancialmente diferentes (v.g. artigo 36.º), preceitos desnecessariamente repetidos (artigos 33.º, n.º 3, 36.º, n.º 6 e 46.º, n.º 2), bem como uma sistematização diversa, consoante os capítulos (v.g. artigo 36.º, n.º 10, que, noutra parte, corresponde a um preceito autónomo, artigo 50.º).
As dificuldades interpretativas são, por isso, acrescidas, num diploma de especial complexi-dade técnica, que deixará trabalhadores e empregadores com profundas dúvidas.
(continuação na página seguinte)
1A Lei prescreve a entrada em vigor no dia 31 de Agosto da norma que determina a dispensa das regras de contratação pública relativamente às aquisições necessárias à
criação e implementação do sistema de informação (artigos 61.º, n.º 2 e 59.º, n.º 2).
2 Vd. Portaria n.º 294-A/2013, de 30 de Setembro, Diário da República, 1.ª série, n.º 188, de 30 de Setembro; Regulamento n.º 390-A/2013, Diário da República, 2.ª série,
n.º 198, de 14 de Outubro; Regulamento n.º 390-B/2013, de 14 de Outubro, publicado no mesmo Diário da República;
3Sobre este preceito, vd. a Lei n.º 69/2013, de 30 de Agosto.
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3. Relativamente ao âmbito de aplicação da Lei, podemos destacar que são objecto:
a) Materialmente: relações de trabalho reguladas pelo Código do Trabalho (artigo 2.º, n.º 1); apesar de haver algumas situações que são disciplinadas pelo Código do Trabalho (por exemplo, trabalho autónomo de menor, artigo 3.º, da Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro, e contratos equiparados, artigo 10.º do CT e ainda, relativamente ao trabalho no domicílio, Lei n.º 101/2009, de 8 de Setembro) não parece que o novo regime se lhes aplique;
b) Também materialmente: as empresas de trabalho temporário, independentemente da duração do contrato de trabalho temporário (artigo 2.º, n.º 6);
c) Temporalmente: os contratos de trabalho celebrados após 1 de Outubro de 2013, relevando a antiguidade contada a partir do momento da sua execução (artigo 2.º, n.º 2);
Inversamente, ficam excluídos os contratos de muito curta duração (não superiores a 15 dias) em activi-dade sazonal agrícola ou para realização de evento turístico (artigo 2.º, n.º 3, e artigo 142.º, n.º 1, do CT)4. 4. De notar ainda que, conforme refere o diploma, a referência à compensação calculada nos termos do
artigo 366.º do CT, “… inclui todos os casos em que esta disposição resulte aplicável, directamente ou por remissão legal, em caso de cessação do contrato de trabalho” (artigo 2.º, n.º 4). Significa isto, portanto, a aplicação do novo regime, por exemplo, à cessação da comissão de serviço (artigo 164.º, n.º 1, alínea b), do CT), à resolução no caso de transferência definitiva (artigo 194.º, n.º 5), à caducidade do contrato de trabalho a termo (certo, artigo 344.º, n.º 2, e incerto, artigo 345.º, n.º 4, ambos do CT) e à cessação em caso de insolvência (artigo 347.º, n.ºs 4 e 2).
5. Como vimos, são dois os fundos regulados (FCT e FGCT) – além do ME5– por esta lei, sendo os mes-mos ainda disciplinados pelos regulamentos de gestão e regulamentos internos (artigos 6.º e 7.º). Em ambos os casos estamos perante fundos autónomos, com personalidade jurídica, externos à seguran-ça social, de adesão individual e obrigatória por parte do empregador (artigo 2.º, n.º 2 e 3), acrescentando-se ainda que iniciam a sua actividade na data da entrada em vigor dos respectivos regulamentos de gestão (artigo 5.º, n.º 1), têm duração ilimitada (artigo 5.º, n.º 2) e extinguem-se por cessação do seu objecto (artigo 5.º, n.º 3)6.
6. Há, no entanto, diferenças, destacando-se qu7:
a) O FCT é um fundo de capitalização individual, que tem o objectivo de “… garantir o pagamento até metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho, e que responde até ao limite dos montantes entregues pelo emprega-dor e eventual valorização positiva” (artigo 3.º, n.º 4);
(continuação na página seguinte)
5É possível o empregador aderir a ME, que é um meio alternativo, através do qual o empregador se vincula a conceder ao trabalhador garantia igual à que decorreria da vinculação do
em-pregador ao FCT (artigo 3.º, n.os 3 e 7).
6Veja-se também, sobre o património e valores afectos, o artigo 4.º, sublinhando-se a identidade regulativa.
7Veja-se ainda, relativamente às regras de organização e funcionamento do FCT, artigos 21.º e ss, e do FGCT, artigos 37.º e ss.
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b) Enquanto, “o FGCT é um fundo de natureza mutualista, que visa garantir o valor necessário à cober-tura de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho, subtraído do montante já pago pelo empregador ao trabalhador” (artigo 3.º, n.º 5), explicitando ainda o legislador que este fundo não responde por qualquer valor se o empregador já tiver pago ao trabalhador pelo menos metade da compensação devida (artigo 3.º, n.º 6).
7. Por sua vez, o ME constitui uma alternativa ao FCT, pelo qual o empregador pode optar, ficando este
então obrigado a conceder ao trabalhador garantia igual à que resultaria da vinculação ao FCT (artigo 36.º, n.º 1); acrescenta ainda o legislador que o ME “… apenas pode ser constituído pelo empregador junto de instituições sujeitas a supervisão do Banco de Portugal ou do Instituto de Seguros de Portugal, desde que estejam legalmente autorizadas a exercer a gestão e comercialização desse instrumento, o qual deve ser identificado como ME” (artigo 36.º, n.º 7).
8. O empregador é, portanto, obrigado a aderir ao FCT, excepto se tiver optado pelo ME (artigo 8.º, n.º 1)8.
Com a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido pela lei – i.e., após a entrada em vigor do diploma que, como vimos, ocorre no dia 1 de Outubro de 2013 – e posterior comunicação de admissão do trabalhador ao FCT ou ME, verifica-se automaticamente a adesão, mediante inclusão dos respectivos tra-balhadores naqueles (artigos 8.º, n.º 3 e 61.º, n.º 1)9. Esta inclusão deve verificar-se até à data do início da execução do contrato de trabalho (artigo 8.º, n.º 4)10.
A adesão do empregador a FCT ou ME faz operar, de modo automático, a adesão ao FGCT (artigo 8.º, n.º 7)11_12.
9. Ocorrida a adesão ao FCT, o empregador fica obrigado ao pagamento das respectivas entregas (artigo
11.º, n.º 1); o mesmo se verifica – aqui também se incluindo a adesão ao ME – quanto ao pagamento para o FGCT (artigo 11.º, n.º 2).
Estas entregas são devidas a partir do início da execução do contrato de trabalho e até à sua cessação, excepto durante o período em que não se verifique contagem da antiguidade (artigo 11.º, n.º 3), como é o caso de faltas injustificadas (artigo 256.º, n.º 1, in fine) e das situações de greve (artigo 536.º, n.º 1, in fine).
O legislador impõe ainda o dever de informação ao FGCT e ao FCT do valor da retribuição base, bem como a respectiva actualização (artigo 11.º, n.º 4)13.
(continuação na página seguinte)
8A opção é realizada em bloco, relativamente à totalidade dos trabalhadores ao serviço do empregador (artigo 8.º, n.º 2).
Por outro lado, a opção não é irreversível, pois, conforme prescreve o legislador: “A adesão ao FCT ou a ME não impede posterior transferência da totalidade dos trabalhadores ao serviço do empregador para ME ou FCT, respetivamente, contanto que tal transferência não prejudique, em caso algum, as garantias já conferidas e os valores já assegurados aos trabalhadores no que respeita ao período que antecede a transferência” (artigo 15.º, n.º 1).
9Face à adesão ao FCT “… é criada, pela entidade gestora, uma conta global, em nome do empregador, que prevê obrigatoriamente contas de registo individualizado, respeitantes a cada um
dos seus trabalhadores” (artigo 8.º, n.º 6).
10A admissão de novos trabalhadores obriga naturalmente a comunicação ao FCT ou ME (artigo 8.º, n.º 5).
11Determina ainda a lei: “Sem prejuízo do disposto no número anterior, em caso de adesão a ME, a admissão de novos trabalhadores deve ser comunicada, pelo empregador, ao FGCT, até à
data do início da execução dos respetivos contratos de trabalho” (artigo 8.º, n.º 8).
12 A omissão dos deveres em matéria de adesão constituem contraordenação muito grave (artigo 8.º, n.º 9).
13Em matéria de sanção: “Constitui contraordenação muito grave a violação do disposto nos n.os 3 e 4, no que respeita à falta de declaração inicial do valor da retribuição base do trabalhador”
(artigo 11.º, n.º 5); e “… grave a violação do disposto no n.º 4, no que respeita à comunicação de atualização” (artigo 11.º, n.º 6) – comunicação no sítio electrónico.
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10. Matéria especialmente relevante é a da fixação do montante das entregas. Segundo o diploma, o montante das entregas da responsabilidade do empregador para o:
a) FCT corresponde a 0,925 % da retribuição base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abrangido (artigo 12.º, n.º 1);
b) FGCT corresponde a 0,075 % da retribuição base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abran-gido pelo FCT ou ME (artigo 12.º, n.º 2)14.
As entregas são realizadas mensalmente, 12 vezes por ano, nos prazos fixados para o pagamento de contribuições e quotizações à segurança social (artigo 13.º, n.º 2)15.
Deve ainda notar-se que, como forma de atenuar, pelo menos transitoriamente, o custo do trabalho e consequentemente incentivar a criação de emprego, foi publicada a medida Incentivo Emprego (Portaria n.º 286-A/2013, de 16 de Setembro). Esta medida prevê o apoio financeiro aos empregadores, de 1% da retribuição mensal do trabalhador (artigo 6.º), que celebrem contratos de trabalho a partir de 1 de Outubro de 2013 e até 30 de Setembro de 2015 (artigos 2.º, n.º 1, 1.ª parte e 14.º).
11. Estando em causa a violação de normas do Código do Trabalho, cuja consequência seja a trans-missão de posição contratual - por exemplo, no quadro do contrato de trabalho temporário (artigo 180.º, n.º 2, do CT) ou da cedência ocasional (artigo 292.º, n.º 1, do CT) - a lei determina a transferência16 do empregador originário para o novo empregador do saldo da conta de registo individualizado do respetivo trabalhador, incluindo a eventual valorização positiva (artigo 15.º, n.º 2)17.
Por outro lado, na situação de transmissão de empresa ou estabelecimento (nos termos do artigo 285.º do CT), o transmissário assume a titularidade da conta global que pertencia ao transmitente (artigo 16.º, n.º 1)18; na situação em “… que o transmitente mantenha a titularidade da conta global relativamente a trabalhadores não abrangidos pela transmissão, o saldo da conta de registo individualizado dos trabalha-dores incluídos na transmissão, incluindo a eventual valorização positiva, deve ser transmitido para a conta global do transmissário, já existente à data da transmissão” (artigo 16.º, n.º 2).
12. Havendo um despedimento judicialmente declarado ilícito, com reintegração do trabalhador, o
emprega-dor está obrigado, no prazo de 30 dias a contar do trânsito em julgado, “… a nova inclusão do trabalhaemprega-dor no FCT e à consequente reposição do saldo da conta do registo individualizado do trabalhador à data do des-pedimento e às entregas que deixou de efetuar, relativamente a tal trabalhador, desde esta data” (artigo 17.º, n.º 1)19.
Também o trabalhador tem a obrigação de, em caso de despedimento declarado ilícito e tendo sido accionado o FGCT para pagamento de parte da compensação, no prazo de 30 dias, devolver a este fundo os valores que tenha recebido (artigo 17.º, n.º 3)20_21.
(continuação na página seguinte)
14 O pagamento das entregas, diz a lei, é efectuado através de meios electrónicos (artigo 13.º, n.º 1) – em www.fundoscompensacao.pt. 15Cujo incumprimento constitui contraordenação grave (artigo 13.º, n.º 3).
16Para além da acima referida reversibilidade da opção: cfr. supra, nota (8).
17Cfr. também o n.º 3, relativo à irredutibilidade das garantias. Em matéria de contraordenação, vd. artigo 15.º, n.º 5. 18Veja-se os n.os 3 e ss, com desenvolvimentos.
19 Esta prescrição é igualmente aplicável ao FGCT e ao ME, com as devidas adaptações (artigo 17.º, n.º 2). 20Sobre a devolução do trabalhador, veja-se ainda n.os 4 e 5.
21Constitui contraordenação muito grave a violação dos n.os 1 a 3 (artigo 17.º, n.º 6).
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13. O legislador prescreve o princípio da impenhorabilidade e intransmissibilidade do saldo da conta global do empregador no FCT, abrangendo a integralidade do saldo das contas de registo individualizado, relativamente a cada um dos seus trabalhadores (artigo 10.º).
14. No que respeita ainda às disposições gerais, sublinhe-se também que “as despesas de funciona-mento do FCT e do FGCT apenas são cobertas por dedução aos rendifunciona-mentos obtidos com a aplicação de capitais, não podendo essas deduções ultrapassar 25 % do rendimento gerado” (artigo 20.º, n.º 1)22. Por outro lado, a adesão ao FCT e ao FGCT cessa com o fim da actividade do empregador no sistema de segurança social (artigo 9.º).
15. Concentrando-nos agora nas regras específicas sobre o FCT (Capítulo III), destaca-se o seguinte:
a) Constituem receitas do FCT, por exemplo, as entregas; os proveitos derivados dos investimentos realizados; e os montantes resultantes das cobranças coercivas, respeitantes ao FCT, deduzidas as custas (artigo 28.º);
b) Por outro lado, constituem despesas, nomeadamente, os valores dos reembolsos pagos e as despesas de administração e de gestão (artigo 29.º);
c) O montante das entregas é mensalmente creditado na conta global do empregador e alocado às con-tas de registo individualizado de cada trabalhador (artigo 30.º)23;
d) O saldo global da conta do empregador traduz, em cada momento, o somatório do valor apurado em cada uma das contas de registo individualizado de cada trabalhador (artigo 31.º);
e) A entidade gestora tem o dever de disponibilizar ao empregador informação actualizada, através de sítio na internet, sobre a respectiva conta (artigo 32.º);
f) Em caso de cessação de contrato de trabalho que gere o direito à compensação calculada nos termos do artigo 366.º do CT:
i. O empregador paga ao trabalhador a totalidade do valor devido (artigo 33.º, n.º 1);
ii. Em caso de incumprimento (total ou parcial), o trabalhador pode accionar o FGCT, para paga-mento de metade do valor da compensação devida, retirado o montante já pago (artigos 33.º, n.º 2, e 46.º a 49.º)24;
g) O empregador tem direito ao reembolso do saldo da conta de registo individualizado do respectivo trabalhador, incluindo a eventual valorização positiva, em caso de cessação do contrato de trabalho (artigo 34.º, n.º 1)25;
h) O incumprimento da entrega mensal a cargo do empregador devida ao FCT, determina, desde logo 26, “… a não capitalização do respetivo montante em falta durante o período de incumprimento e a im-putação na conta do empregador das despesas inerentes ao procedimento de regularização, bem como das despesas administrativas de manutenção da conta, nos termos descritos no regulamento de gestão” (artigo 35.º).
(continuação na página seguinte)
22Veja-se também o n.º 2.
23Note-se que o saldo das contas de registo individualizado de cada trabalhador é, em cada momento, o resultado da valorização dos montantes alocados às mesmas, nos termos do respetivo
regulamento de gestão, bem como da distribuição dos eventuais excedentes provenientes do FGCT.
24Note-se que, como já referido, o FGCT não responde por qualquer valor, se o empregador já tiver pago ao trabalhador valor igual ou superior a metade da compensação devida (artigo
33.º, n.º 3).
25O referido saldo reverte para o empregador, se a cessação não gerar a obrigação de pagar a compensação (artigo 34.º, n.º 3).Veja-se ainda os n.ºs 4 e 5, bem como o n.º 6
(contraorde-nação).
26 Veja-se ainda, por exemplo, n.ºs 2 e 3 do artigo 35.º.
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16. Apreciando o ME (Capítulo IV)27, podemos sublinhar:
a) Caso o empregador opte por este mecanismo, fica obrigado a subscrevê-lo e a mantê-lo em vigor desde o início da execução do contrato de trabalho até à cessação do mesmo, conferindo, por esta via, ao trabalhador a garantia igual à que resultaria da sua vinculação ao FCT (artigo 36.º, n.ºs 1 e 2)28;
b) O empregador pode ainda escolher aderir a diferentes ME, bem como transferir as obrigações garan-tidas (artigo 36.º, n.ºs 3 e 4);
c) Na eventualidade de este mecanismo não assegurar o pagamento do montante correspondente a metade da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, o trabalhador pode accionar o FGCT pelo valor necessário à cobertura de metade do valor daquela, subtraído do montante já pago pelo em-pregador ao trabalhador (artigo 36.º, n.º 5)29_30.
17. No que respeita ao FGCT (capítulo V)31., podemos salientar:
a) Constituem receitas do FGCT, nomeadamente as entregas e os proveitos derivados dos investimentos realizados (artigo 44.º);
b) Por outro lado, são despesas, por exemplo, os valores pagos a título de compensação e as transferências do FGCT para o FCT e para mecanismos equivalentes, de 50 % dos saldos anuais excedentários do fundo previstos no regulamento de gestão (artigo 45.º);
c) O trabalhador pode requerer ao FGCT o valor necessário à cobertura de metade do valor da com-pensação devida por cessação do contrato de trabalho calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho, subtraído do montante já pago pelo empregador ao trabalhador (artigo 46.º, n.º 1)32_33_34; d) O incumprimento da entrega mensal devida ao FGCT pelo empregador determina a sua notificação pela entidade gestora para proceder à respetiva regularização, constando da notificação as consequências do incumprimento (artigo 49.º, n.º 1, vd. também n.º 2).
18. Relativamente à temática da regularização de dívidas ao FCT e ao FGCT (Capítulo VI), refira-se:
a) A dívida pode ser naturalmente regularizada através do seu pagamento voluntário, quer através do montante global da dívida, quer em prestações, mediante acordo, a celebrar com o FCT ou com o FGCT, nos casos e nas condições aprovadas por deliberação dos respectivos conselhos de gestão (artigo 51.º, n.os
1 e 2)35;
(continuação na página seguinte)
29Note-se que “o FGCT não responde por qualquer valor sempre que o empregador já tenha pago ao trabalhador valor igual ou superior a metade da compensação devida por cessação do
contrato de trabalho calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho” (artigo 36.º, n.º 6).
30Em matéria de contraordenações, cfr. n.os11 e 12.
31 O FGCT está também sujeito ao regime estabelecido para o FCT “… em tudo o que não for incompatível com o disposto no presente capítulo” (artigo 50.º).
32Repetindo o artigo 33.º, n.º 3, por sua vez já repetido no artigo 36.º, n.º 6, o legislador afirma: “O FGCT não responde por qualquer valor sempre que o empregador já tenha pago ao
trabalhador valor igual ou superior a metade da compensação devida por cessação do contrato de trabalho calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho” (artigo 46.º, n.º 2).
33 Sobre o procedimento, n.os 3 a 7, também aplicável, tal como os restantes números, ao ME, com as devidas adaptações (artigo 46.º, n.º 8). 34Sobre a contraordenação, cfr. n.º 9.
35Sublinhe-se que “a falta de regularização voluntária da dívida determina a sua cobrança coerciva, sendo para tal a mesma equiparada a dívidas à segurança social” (artigo 51.º, n.º 3);
vejam-se também os n.os 3 a 5.
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b) No que respeita aos valores da compensação legalmente devida, na parcela garantida pela presente lei, o FGCT fica sub-rogado nos direitos de crédito e respetivas garantias dos trabalhadores, incluindo privilé-gios creditórios, na medida dos pagamentos efetuados, acrescidos de juros de mora (artigo 52.º, n.º 1) 36. 19. A matéria da responsabilidade criminal e contraordenacional constitui outro capítulo (VII), no qual
se sublinha:
a) A competência da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) para a fiscalização e o procedimen-to de contraordenações previstas na presente lei relativas à conduta do empregador (artigo 53.º, n.º 1)37; b) A aplicação subsidiária do regime de responsabilidades penal e contraordenacional previsto nos arti-gos 546.º a 565.º do Código do Trabalho, bem como o regime processual aplicável às contraordenações laborais e de segurança social, aprovado pela Lei n.º 107/2009, de 14 de setembro, às infrações praticadas pelo empregador (artigo 55.º);
c) A qualificação como abuso de confiança, do facto de o empregador não entregar ao trabalhador, total ou parcialmente, o valor da compensação reembolsado pelo FCT ou pelo ME, que lhe seja devido (artigo 56.º, n.º 1, 1.ª parte)38.
20. A terminar, duas notas finais (capítulo VIII):
a) Uma sobre o enquadramento fiscal:
i. O FCT e o FGCT são equiparados a fundos de capitalização administrados pelas instituições da segurança social para efeitos do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo 9.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442 -B/88, de 30 de novembro;
ii. Os pagamentos aos trabalhadores, efetuados nos termos do n.º 2 do artigo 33.º, são en-quadráveis no disposto nos n.ºs 4 a 7 do artigo 2.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), aprovado pelo Decreto -Lei n.º 442 -A/88, de 30 de novembro, com as necessárias adap-tações;
(continuação na página seguinte)
36Acrescentando o diploma: “Sendo o património do empregador insuficiente para garantir o pagamento da totalidade dos créditos referidos no número anterior, designadamente os da massa
insolvente, os créditos em que o FGCT ficou sub-rogado são pagos imediatamente após satisfeitos os créditos dos trabalhadores” (artigo 52.º, n.º 2).
37Veja-se ainda os n.os 2 a 4. Determina o legislador: “Nos processos de contraordenação previstos nesta lei, metade do produto da coima aplicada reverte para a ACT, a título de compensação
de custos de funcionamento e de despesas processuais, constituindo o remanescente receita do FGCT (artigo 54.º, n.º 1).
38Sendo punido, esclarece o artigo, “… com as penas previstas nos n.os 1 e 5 do artigo 105.º do Regime Geral das Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho” (artigo
56.º, n.º 1, in fine).
O preceito tem actualmente a seguinte redacção (abuso de confiança):
“1 – Quem não entregar à administração tributária, total ou parcialmente, prestação tributária de valor superior a (euro) 7500, deduzida nos termos da lei e que estava legalmente obrigado a entregar é punido com pena de prisão até três anos ou multa até 360 dias.
(Redacção dada pelo artigo 113.º da Lei 64-A/2008, de 31 de Dezembro)
2 – Para os efeitos do disposto no número anterior, considera-se também prestação tributária a que foi deduzida por conta daquela, bem como aquela que, tendo sido recebida, haja obrigação legal de a liquidar, nos casos em que a lei o preveja.
3 – É aplicável o disposto no número anterior ainda que a prestação deduzida tenha natureza parafiscal e desde que possa ser entregue autonomamente. 4 – Os factos descritos nos números anteriores só são puníveis se:
a) Tiverem decorrido mais de 90 dias sobre o termo do prazo legal de entrega da prestação;
b) A prestação comunicada à administração tributária através da correspondente declaração não for paga, acrescida dos juros respectivos e do valor da coima aplicável, no prazo de 30 dias após notificação para o efeito. (Red. Lei n.º 53-A/2006 de 29 de Dezembro)
5 – Nos casos previstos nos números anteriores, quando a entrega não efectuada for superior a € 50 000, a pena é a de prisão de um a cinco anos e de multa de 240 a 1200 dias para as pessoas colectivas.
6 – (Revogado pelo artigo 115.º da Lei 64-A/2008, de 31 de Dezembro)
7 – Para efeitos do disposto nos números anteriores, os valores a considerar são os que, nos termos da legislação aplicável, devam constar de cada declaração a apresentar à administração tributária.”
Por outro lado, afirma o n.º 2 do artigo 56.º: “Os factos descritos no número anterior só são puníveis se tiverem decorrido mais de 90 dias sobre o termo do prazo estipulado para a efetivação do reembolso, pelo FCT ou pelo ME ao empregador”.
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INSTITUTO DO CONHECIMENTOABLEI N.º 70/2013, DE 30 DE AGOSTO – ESTABELECE OS REGIMES JURÍDICOS DO FUNDO DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO, DO MECANISMO EQUIVALENTE E DO FUNDO DE GARANTIA DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO (CONTINUAÇÃO)
iii. As entregas efetuadas ao FGCT são consideradas gasto fiscal, nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 23.º do IRC, no período de tributação em que são efetuadas.
iv. O reembolso à entidade empregadora do saldo da conta de registo individualizado do respectivo trabalhador é considerado rendimento para efeitos fiscais, pelo montante correspondente à valorização positiva gerada pelas aplicações financeiras dos valores afectos ao FCT, deduzido das despesas administra-tivas (artigo 57.º, n.os 1 a 4);
b) Outra sobre a avaliação, em articulação com a Comissão Permanente de Concertação Social, que será realizada, no prazo de três anos a contar da data de entrada em funcionamento do FCT, relativamente às novas medidas agora consagradas (artigo 60.º, n.º 1)39.
39Sobre a gestão do FCT por entidades privadas, cfr. n.º 2.
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