• Nenhum resultado encontrado

Guia Educativo Contra Violência e Abuso Sexual

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Guia Educativo Contra Violência e Abuso Sexual"

Copied!
18
0
0

Texto

(1)
(2)

FICHA TÉCNICA

Guia Educativo Violência e Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes

Identifi car, Prevenir e Combater Realização:

Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescentes Parcerias:

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)

ICIEG enquadrado no projecto de Implementação da Lei VBG: Financiado pelo Fundo Fiduciário das Nações Unidas.

Capa, Projecto Gráfi co e Ilustrações: Helder Leite

Impressão de 3000 Exemplares: Tipografi a Santos, Lda

Baseado na Brochura como Identifi car, prevenir e combater a Violência Sexual contra crianças e adolescentes: Cartilha para gestores, Técnicos e educadores da Rede de Enfrentamento à Violência Sexual.

(3)

Guia Educativo

Violência e Abuso Sexual

Contra Crianças e Adolescentes

Identifi car, Prevenir e Combater

Maio 2015

2ª Edição

(4)

APRESENTAÇÃO

Considerada uma violação dos direitos de crianças e adolescentes, a violência e o abuso sexual manifestam-se de maneira complexa e têm inúmeras confi gurações. Trata-se de um fenómeno mundial, que não está associado apenas à pobreza e à miséria; ao contrário daquilo que muitos imaginam, este fenómeno atinge todas as classes sociais e está ligado também a aspectos culturais, tais como as relações desiguais entre homens e mulheres, adultos e crianças. Em geral, as crianças e os adolescentes são vítimas de pessoas da própria família ou por pessoas conhecidas da família ou das crianças e dos adolescentes. Exercem as suas funções sociais de forma adequada, podem ser bons vizinhos, bons colegas de trabalho, bons profi ssionais, respeitadas na sua comunidade, etc.

Essa violência pode ocorrer tanto no ambiente doméstico, na relação de convivência familiar entre vítima e agressor/a, assim como no con-texto extra-familiar, quando não há proximidade entre vítima e agres-sor/a. Neste sentido torna-se necessário haver instrumentos de apoio e medidas que passam necessariamente, pela informação e educação de um público, o mais abrangente possível, para esta problemática. Por esta razão surge este Guia contra a Violência e o Abuso Sexual, tendo em conta a importância da informação e da formação nesta matéria.

DO LADO DA LEI

Em termos de protecção dos direitos das crianças e adolescentes, Cabo Verde tem acompanhado o ritmo e as recomendações internacionais, assumindo os seus compromissos ao ratifi car alguns instrumentos internacionais e ao elaborar e aprovar instrumentos nacionais que consolidam o sistema de Protecção dos Direitos da Criança e Adoles-cente no país, fazendo-se referência a:

A. Convenção dos Direitos da Criança - ratifi cada por Cabo Verde em 1991.

B. Carta Africana dos Direitos e do Bem-estar da Criança - ratifi cada em 2002.

C. Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à venda de crianças, prostituição e pornografi a infantil - aprovado através da Resolução nº 39/VI/2002 de 29 de Abril.

D. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - aprovado pela Lei n.º 50/VIII/2013, de 26 de Dezembro.

(5)

ou da culpa do agente.

2 - As penas previstas nos artigos 142.°, 143.°, 144.º, 145.°, 146.°, 148.° n.°1 e 150.°serão agravadas de um terço no limite mínimo e de metade no limite máximo, se dos comportamentos aí descritos resultar gravidez, ofensa à integridade grave, transmissão de doença grave e incurável, suicídio ou morte da vítima.

Art. 152º (Assédio sexual)

Quem, abusando da autoridade que lhe conferem as suas funções, assediar sexualmente outra pessoa por ordens, ameaças ou coacção, com a fi nalidade de obter favores ou benefícios de natureza sexual, será punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 100 dias.

CABO VERDE NA CONSAGRAÇÃO DOS

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

A elaboração do presente Guia, foi iniciativa do antigo Instituto

Cabo--verdiano de Menores (ICM), hoje Instituto Cabo-verdiano da Criança

e do Adolescente (ICCA) em parceira inicial com o Fundo das Nações

Unidas para a Infância (Unicef) e actualmente com o Instituto Cabo--verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), através do Fundo Fiduciário das Nações Unidas.

O Guia visa informar sobre a realidade de abuso e da violência sexual e as formas de prevenir esse mal que afecta, quotidianamente, um número signifi cativo de crianças e adolescentes.

E, quando não for possível identifi car atempadamente a ameaça, para impedir a violência sexual contra a criança ou o adolescente, ter a pos-tura mais adequada para, por um lado, ajudar a vítima e, por outro, combater esse problema que põe em risco o presente e o futuro das nossas crianças e adolescentes.

(6)

Para atingir esses objectivos, o Guia apresenta, de forma simples, informações que pretendem levar o leitor a conhecer a realidade da violência e abuso sexual - que não é um fenómeno limitado a Cabo Verde, identifi car sinais de que uma criança ou adolescente é vítima dessa realidade e educa-la para a prevenção e o combate desse pro-blema.

Tendo em conta a linguagem simples, e por ser um problema que afecta a sociedade no geral, pretende-se que este Guia chegue a um público o mais amplo possível, de criança e adolescentes a professo-res, líderes comunitários e formadores de opinião no geral. Isto por-que, está provado, também nesse tipo de realidade que a informação, a educação e o diálogo são as melhores formas de prevenção.

As informações que chegam ao ICCA (Sede, Delegações, Disque Denúncia e Centros de Emergência Infantil), a Polícia Nacional, Polícia Judiciária e ao Ministério Público, dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a preocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

O IIIº Estudo sobre o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Cabo Verde, realizado em 2015 pelo ICCA, com-provam os factos acima referidos, e apontam que a maioria dos casos de abuso sexual de crianças e adolescentes em Cabo Verde incide na

agente se tiver aproveitado dessa situação. Art. 149º

(Aliciamento de menor para pratica de acto sexual no estrangeiro) Quem aliciar, transportar, alojar ou acolher menor de 16 anos, ou favorecer as condições para a prática por este, em país estrangeiro, de actos sexuais ou de prostituição, será punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.

Art. 150º

(Exploração de menor para fi ns pornográfi cos)

Quem utilizar menor de 14 anos ou pessoa incapaz com fi ns ou em espectáculos exibicionistas ou pornográfi cos será punido com pena de prisão até 3 anos.

Art. 151º (Agravação)

1 - As penas previstas nos artigos 142° a 150.° serão agravadas de um terço nos seus limites mínimo e máximo, se a vítima for ascendente ou descendente, ou se encontrar sob tutela do agente, desde que as circunstâncias do caso revelem um acentuado grau de ilicitude do facto

(7)

Art. 147º (Exibicionismo)

1 - Quem praticar perante outra pessoa, contra a vontade desta, acto sexual de carácter exibicionista, será punido com a pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 100 dias.

2 - O agente será punido com a pena de prisão até 3 anos, se praticar os actos referidos no n°1 perante menor de 14 anos.

Art. 148º (Lenocínio)

1 - Quem fomentar, favorecer ou facilitar o exercício de prostituição ou a prática de actos sexuais de menores de 14 anos ou de pessoas sofrendo de incapacidade psíquica, será punido com pena de prisão 2 a 8 anos.

2 - Se a vítima for menor de 16 anos, a pena será de prisão de 1 a 5 anos.

3 - A pena referida no número anterior será também aplicável se a vítima for pessoa em situação de necessidade económica extrema e o

CABO VERDE NA CONSAGRAÇÃO DOS

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

idade inferior a 12 anos. É de salientar que 12% desses casos são víti-mas do sexo víti-masculino.

Nessa matéria, dados do mais recente estudo do ICM, de Novembro de 2005 e que incide sobre a questão da violência sexual em parti-cular, mostram que tem havido um crescimento contínuo dos crimes sexuais contra menores, com destaque para o abuso sexual.

O referido estudo sobre Exploração e Abuso Sexual de Menores

refere-se a dados contabilizados em diferentes serviços que, directa ou indirectamente, trabalham com a protecção dos direitos da criança, no período de 2000 a 2004.

Efectuando o levantamento de dados de vários serviços, como sejam a Polícia Nacional, a Polícia Judiciaria, os Tribunais espalhados pelo País, os Centros de Emergência Infantil, (estudo de Novembro de 2005) mostra uma nova realidade. Apesar das meninas serem vitimas em mais de 90 por cento dos casos, os rapazes começam, também, a entrar na estatística.

(8)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

A REALIDADE

EM CABO VERDE

Os dados levantando no IIIº Estudo sobre o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes mostram que existe em Cabo Verde dois tipos de abuso sexual: o abuso intrafamiliar em que o agressor é normalmente o pai, o padrasto, o tio, o irmão ou o primo e o abuso extrafamiliar em que o agressor é normalmente um vizinho, um amigo da família ou o padrinho. No caso da exploração sexual foram identi-fi cados três segmentos: um constituído pelos familiares que recebem em troca prendas, produtos alimentícios ou dinheiro; outro, por uma rede que usa uma determinada casa como espaço de prostituição ou de exploração sexual; e um terceiro, composto por empresários da noite. É de salientar que o estudo não conseguiu confi rmar em campo, os rumores de redes transnacionais utilizando crianças e adolescentes dos dois sexos, assim como crianças adolescentes envolvidas no turis-mo sexual, embora haja fortes indícios a respeito.

Apesar dessa violação dos direitos ser prevalente e recorrente em todos os municípios estudados, observa-se uma tendência ao silen-ciamento das vítimas e suas famílias, bem como das comunidades. A baixa denúncia dos casos é explicada pelos entrevistados a partir de vários factores intervenientes: as boas condições económicas do agressor sexual, no caso de o agressor ser o pai ou o provedor da família esconde-se para não perder oúnico meio de subsistência exis-tente. Por vergonha, a família oculta o fato na tentativa de preservar

Art. 145º

(Abuso sexual de menores entre os 14 e 16 anos)

1 - Quem, sendo maior, praticar acto sexual com ou em menor com mais de 14 anos e menos de 16 anos, prevalecendo-se de sua supe-rioridade, originada por qualquer relação ou situação, ou do facto de a vítima lhe estar confi ada para educação ou assistência, será punido com pena de prisão de 6 meses a 4 anos.

2 - Se houver penetração sexual, a pena será de prisão de 1 a 6 anos. Art. 146º

(Abuso sexual de pessoa internada)

1 - Quem, aproveitando-se das funções ou do lugar que, a qualquer título, exerce ou detém em estabelecimentos prisionais, hospitalares, de saúde, de assistência e de tratamento ou estabelecimentos de edu-cação e correcção, praticar acto sexual com pessoa internada ou que, de qualquer modo, lhe esteja confi ada ou a seu cuidado, será punido com pena de prisão de 6 meses a 4 anos.

(9)

Art. 143º

(Agressão sexual com penetração)

1 - Quem, pelos meios de agressão sexual, efectuar penetração sexual noutra pessoa, ou, ainda, pelos mesmos meios, a constranger a sofrer penetração por terceiro, será punido com pena de prisão de 4 a 10 anos.

2 - Se a vítima for menor de 14 anos, a pena será de prisão de 6 a 14 anos.

Art. 144º

(Abuso sexual de crianças)

1 - Quem praticar acto sexual com ou em menor de 14 anos, ou o levar a praticá-lo com outra pessoa, será punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.

2 - Se houver penetração sexual, a pena será de prisão de 4 a 10 anos.

CABO VERDE NA CONSAGRAÇÃO DOS

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Guia Educativo | 9

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

a moral familiar e salvaguardar a vitima do estigma, com vista a um futuro projecto matrimonial. A invisibilidade do problema também foi associada à falta de competência em matéria investigativa por parte da Polícia Nacional, que se limitaria a tomar a ocorrência e transferir o caso para a Procuradoria sem investigar.

(10)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

PÚBLICO ALVO

Porque prevenir e combater a violência e o abuso sexual contra crianças e adolescentes é tarefa de todos, este Guia destina-se a um público o mais amplo possível, mas sobretudo às próprias crian-ças e adolescentes, aos pais e

encarregados de educação, a

professores em geral, profi ssio-nais de área social e do sector da saúde.

Além desse público específi co, importa também informar aos

decisores políticos, àqueles que trabalham na defesa e promoção do que está determinado pela legislação Cabo-Verdiana em matéria de direitos das crianças, a

agentes de segurança, que não raras vezes têm em mãos casos de vítimas de violência e abuso sexual. Isto porque, a realidade

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

Além do que está previsto na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente que determina, de forma geral, a protecção dos direitos da criança, com abordagem específi ca da questão da violência no seu artigo 81º, o Código Penal, de Novembro de 2003, aborda de forma específi ca a questão da violência sexual.

No que diz respeito aos crimes sexuais, o Código Penal, em diversos artigos, especifi ca um conjunto de crimes e dá cobertura á protecção da autodeterminação sexual, prevendo tipos de crime sexual contra crianças e adolescente ou pessoas diminuídas na sua capacidade de autodeterminação e as respectivas molduras penais. Nessa matéria são de se destacar:

Art. 142º (Agressão sexual)

1 - Quem praticar agressão sexual contra outra pessoa será punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.

2 - A mesma pena será aplicável a quem, pelos meios de agressão sexual, levar outra pessoa a sofrer ou praticar acto sexual com terceiro. 3 - Se a vítima for menor de 14 anos, a pena será de prisão de 4 a 10 anos.

(11)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

Cabo Verde tem somado ganhos importantes no domínio do respeito e da consagração dos direitos das crianças. Desde a independência nacional, há quarenta anos, medidas de carácter Jurídico foram toma-das, com refl exos directos na vida e no bem- estar das nossas crianças. Tanto a Constituição como várias outras leis (Código Civil, Código Penal*, Estatuto da Criança e do Adolescente) tratam de questões como a condição jurídica das crianças e adolescentes, os direitos e deveres, os crimes e outros. Mas antes disto, é a própria Constituição da República a debruçar-se sobre esta questão, determinando, no art. 88º, ponto 2, considerar tarefa do Estado a garantia da protecção dos direitos da criança.

Também o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 50/VII/2013, de 26 de Dezembro, estabelece que a criança e o adolescente têm direito à protecção da sua integridade pessoal que compreende a saúde física, psíquica ou moral e declara como inaceitável, exigindo a intervenção imediata das autoridades competentes, a submissão da criança e do adolescente a situações que ponham em perigo a sua integridade, sob a forma de qualquer tipo de maus tratos, abusos, violência e exploração.

CABO VERDE NA CONSAGRAÇÃO DOS

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

*Ressalta-se que o Código Penal e o Código de Processo Penal estão em processo de revi-são, pelo que poderão sofrer alterações

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

mostra que atender a uma vítima de violência sexual não é tarefa fácil. Por outro lado, conseguir depoimentos e provas para actuar contra aquele que viola e abusa da criança ou do adolescente é um trabalho delicado, já que, não raras vezes, o crime envolve parentes da vítima, amigos da família ou pessoas que lhe são próximas.

Importa também dizer a si, que está a ter acesso e estas informações, que pode e deve multiplicá-las. Para tal repasse-as a outros profi ssio-nais que directa ou indirectamente trabalham com a problemática da criança ou adolescente vítima de abuso ou violência sexual, familia-res, vizinhos ou amigos.

(12)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

O QUE É ISTO DE ABUSO OU

VIOLÊNCIA SEXUAL?

Dependendo do meio onde está inserido, a criança ou o adoles-cente estão susceptíveis de diferentes formas de violência ou abuso. São elas:

A VIOLÊNCIA FISICA - É qualquer acto que ofenda o corpo ou a saúde de uma pessoa. Traduz-se normalmente em bater, empurrar, atirar objectos, sacudir, dar bofetadas, dar chutos e pontapés, queimar, sufocar, torturar, ferir com armas brancas ou de fogo, mutilar, obrigar ao consumo de medicamentos ou substâncias prejudiciais a saúde, etc.

A VOLÊNCIA PSICOLÓGICA - Torna-se importante falar, de forma destacada, da violência psicológica, que acontece sobretudo no seio familiar e escolar. Caracterizada por palavras duras e negativas, rejei-ção, exposição a briga dos pais, alcoolismo ou toxicodependência de um dos progenitores. A violência psicológica deixa profundas marcas, diminuindo a auto-estima da criança, o seu gosto em brincar, partici-par e estudar.

A VIOLÊNCIA SEXUAL - Trata-se de um tipo de violência em que um adulto utiliza uma criança ou adolescente para satisfação do seu desejo sexual, quer através de jogos, exposição da criança ou adoles-cente a cenas chocantes de cunho erótico ou pornográfi co, utilização

DISQUE DENUNCIA 800 10 20

2

2 As Chamadas realizadas do Telemóvel serão atendidas directamente no Centro de

Emer-gência InfanƟ l da Praia.

Sede – Praia Pbx: 2614516/2614522

Delegações: Stª Catarina: Tel. 2651720 Fax: 2652101 São Vicente: Tel. 2328820 Fax: 231 1578

Sal: Tel/Fax 2411607 Fogo: Tel. 281 1654 Fax: 281 1741 Santo Antão: Tel 2222867 Fax 2222868

8001020 – Disque Denúncia - Vergonha é não denunciar, Omissão é Crime..

(13)

CIRCUITO DE DENUNCIA

24 | GUIA EDUCATIVO

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

dessa criança ou adolescente em negócio relacionado com o sexo, toques físicos (beijo, carícias, penetração com dedos ou objectos), as-sédio sexual ou relação sexual com esse/a menor. Assim a violência sexual expressa-se através do abuso sexual, agressão sexual e/ou ex-ploração sexual.

EXPLICANDO A VIOLÊNCIA SEXUAL

ABUSO SEXUAL - É a utilização da criança ou adolescente para obtenção do prazer sexual. O abuso sexual não é praticado de forma violenta e, muitas vezes, pode até ser praticado com o consentimento da criança ou adolescente, que por ainda não possuir maturidade bio-lógica nem psicobio-lógica não tem consciência do acto. Exprime-se na realização de qualquer acto para libertação ou satisfação do instinto sexual. Para concretização do abuso sexual não é necessário que o acto se traduza na relação sexual completa, bastando para tal qual-quer acto, como um beijo, passar a mão nos órgãos genitais, etc.

AGRESSÃO SEXUAL - É também a utilização da criança ou adolescen-te para obadolescen-tenção de prazer sexual, mas praticada de forma violenta, utilizando o recurso à força, a ameaça ou coacção, sempre contra a vontade da vítima.

(14)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

EXPLORAÇÃO SEXUAL - É um tipo de crime em que um adulto utiliza uma criança ou adolescente para obtenção de lucro. Isto pode signi-fi car obrigar meninas ou meninos a manterem relações sexuais com adultos em troca de dinheiro - a prostituição infanto-juvenil - ou a utilização dessas crianças e adolescente para a produção de matérias pornográfi cos hoje disseminados através da internet.

QUEM ABUSA OU VIOLA?

Os dados existentes a nível internacional mostram que aqueles que praticam a violência sexual contra a criança, particularmente o abuso sexual, são geralmente pessoas que lhe são muito próximas. E Cabo Verde não foge a esta regra.

Dados que chegam ao ICCA, á polícia e aos tribunais, dão conta que os responsáveis pelos actos de violência sexual contra as crianças e adolescentes são familiares. Geralmente o abuso é praticado por pessoas que são muito próximas da criança ou adolescente, ou seja, pais ou mães, padrastos ou madrastas, tios/as, vizinhos/as, padrinhos,

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

que nenhum adulto tem direito de tocar nem de fazer qualquer acto sexual na frente dele.

8. Demonstração de carinho. É mais do que fundamental demons-trar o seu carinho e angariar a confi ança da criança. É importante que ele ou ela se sinta confortável falando com você.

(15)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

4. Informação sobre pessoas de confi ança com quem ela pode contar. Muitas vezes, o abuso sexual é cometido por familiares ou pessoas próximas à criança. Por isso é fundamental que ela saiba exac-tamente com quem deve falar caso uma situação dessas aconteça. Além de quem cuida dela, é importante dar à criança outras referên-cias de pessoas de confi ança com as quais possa falar sobre o assunto, como o/a professor/a, etc.

5. Informação sobre as consequências da violência sexual. A criança deve saber quais são as consequências da violência sexual e a importância de preveni-la. Deve ser ensinado à criança o endereço da sua casa, o telefone e o número de emergência para onde ela deve chamar em situação de perigo.

6. Conhecimento do meio de convívio da criança. É importante conhecer todas as pessoas com as quais a criança se relaciona: pro-fessores, babá, pais de colegas, etc. Inclusive pode compartilhar com essas pessoas o tema da prevenção do abuso sexual para poderem trabalhar juntos.

7. Informação sobre o respeito aos adultos. Deve-se explicar a diferença que existe entre o respeito aos adultos e acatar sem questio-nar nada do que eles dizem. É importante que a criança entenda bem

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

madrinhas. No entanto é certo que a maioria dos casos denunciados são praticados por pessoas do sexo masculino. Esses conquistam a simpatia da criança - normalmente com pequenos presentes ou dinheiro para atingir os seus objectivos sem ser necessário o uso da força.

É essa relação de proximidade que vai permitir o abusador conquistar a criança ou adolescente para o seu intento e, depois disso, prolongar o mais pos-sível o ciclo de violência, contando com o silêncio da vítima. Silêncio que é conseguido com base em ameaças ou prendas.

(16)

COMPORTAMENTOS SUSPEITOS

Para além da proximidade com a vítima, o abusador apresenta sinais que podem servir de indicadores do seu crime. De entre esses sinais podemos destacar o excesso de cuidado ou protecção da sua vítima, tentando parecer, aos olhos dos outros, uma espécie de benfeitor. São, ainda, comportamentos suspeitos as atitudes de um adulto que visam estimular a criança ou adolescente a práticas sexuais, um comportamento insinuante ou sedutor perante a vítima, ausência do lar ou antecedentes de violência física, sexual ou psicológica na infân-cia.

A dependência de bebidas alcoólicas ou de outros tipos de droga são factores de suspeição, como também o é o facto de, havendo um caso de violência contra uma criança ou adolescente, o adulto se negue a prestar socorro ou prestar informações contraditórias.

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

COMO PREVENIR O ABUSO

SEXUAL

1

1. Informação sobre sexualidade. É fundamental que se fale com as crianças sobre a sexualidade, passando a informação necessária de acordo com a sua idade, com palavras simples para que a criança possa entender e de forma que a criança sinta confi ança para poder falar sobre esse tipo de assunto com quem está falando com ela. 2. Informação sobre o direito ao seu próprio corpo. Também é importante que a criança saiba que o seu corpo não pode ser tocado por ninguém. Deve-se tentar explicar à criança o que é um carinho despretensioso e o que é um carinho como expressão sexual.

3. Informação sobre o seu corpo. A criança precisa saber quais são as partes do seu corpo, inclusive os genitais, devendo os mesmos serem chamados pelo seu nome, evitando-se usar apelidos para que a criança não fi que confusa. É fundamental explicar à criança que se alguma pessoa tentar algum tipo de contacto sexual, por mais que essa pessoa seja da família, ela deve dizer NÃO e contar para quem está a cuidar dela o mais urgente possível.

1 Adaptado do site www.educacao.umcomo.br/arƟ

(17)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

Por outro lado, e para quem aceita posicionar-se de frente e este tipo de crime, a Polícia Nacional e a Polícia Judiciaria têm sido par-ceiros, cada vez mais activos, do ICCA no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.

Paralelemente a este posicionamento, e sendo a violência sexual con-tra crianças até 14 anos de idade é considerada crime público, esse tipo de situação pode também ser denunciada junto ao Ministério Público.

Importante ressaltar que o artigo 39º do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que os professores, directores e outros responsáveis pelos estabelecimentos de ensino, pais e encarre-gados de educação, os funcionários públicos, médicos e outros profi ssionais de saúde têm o dever de vigilância e de comunicar às

autoridades competentes os casos de violação do direito à integridade pessoal da criança e do adolescente, incluindo os maus-tratos físicos e psíquicos, designadamente o abandono e a agressão sexual.

20 | GUIA EDUCATIVO

SINAIS DE

VIOLÊCIA

OU

ABUSO

SEXUAL

Antes de mais é preciso informar que nem toda a violência sexual deixa marcas visíveis. Isto porque, caso não saiba, o próprio acto de um adulto brincar com os órgãos sexuais de uma criança ou tirar fotos de uma criança e adolescente nu, visando o seu prazer sexual, é consi-derado crime de abuso sexual. E isto não deixa marcas físicas,

apesar das marcas psicológicas pode-rem ser abrangentes.

Marcas Psicológicas - o adulto que está próximo de uma criança ou adoles-cente vítima de violência sexual deve estar muito atento aos sinais de socorro que ela emite. Esses sinais podem ir dos pesadelos ao chichi na cama, passando por tristeza ou choro sem razão apa-rente, medo de fi car sozinho, desinte-resse pelos estudos.

São ainda sinais indicadores de que a criança e adolescente está a ser víti-ma de violação sexual a baixa auto-es-tima, o envolvimento com drogas ou

(18)

Público

dão uma noção da realidade actual desse tipo de crime em Cabo Verde. E aqui a pre

grupos socialmente rejeitados, além da aversão aos contactos físicos ou registo de depressão.

Marcas Físicas - é também extensa a lista dos sinais indicadores de violência sexual contra crianças e adolescente, nomeadamente no que se refere a abuso sexual. O sinal mais evidente são as roupas rasgadas ou com manchas de sangue.

A ele se juntam o sangramento na vagina ou no ânus, corrimento na vagina ou no pénis. Outros sinais são hematomas, nódoas negras no corpo, difi culdade em caminhar, dores no baixo-ventre e algum tipo de infecção sexualmente transmissível.

ocupação centra-se, de forma particular, no crime de abuso e violência sexual.

A QUEM PEDIR AJUDA

Sabemos que, tendo em conta o tipo de crime, envol-vendo maioritariamente meninas e numa sociedade pequena, muitas vezes, a tendência é esconder o facto, com medo de maiores danos para a vítima.

Mas porque a violência sexual, seja ela abuso ou explo-ração, é um crime, cuja moldura penal está prevista na lei; porque é uma das mais graves violações contra os direitos básicos da criança, direitos, esses que constam não somente de legislação Cabo-Ver-diana como também de leis internacionais, é preciso denunciar todas as ocorrências que forem do nosso conhecimento.

É preciso denunciar, porque a denúncia é a única forma de evitar que o ciclo da violência continue, é a forma mais efi caz de proteger a vítima e de mostrar, à sociedade, como agir nesse tipo de situação. Além do mais, calar-se diante de uma situação de violência e abuso contra uma criança ou adolescente acaba, também por ser um crime.

Entretanto, sabendo da postura de alguns em, evitar meter-se em situ-ações de denúncia, principalmente quando ela envolve a polícia, esses tipos de casos podem ser apresentados ao ICCA, sem comprometi-mento de quem o apresenta, através do Disque Denuncia, um serviço gratuito de chamadas anónimas.

Referências

Documentos relacionados

When we analysed each species separately, our visits and measurements altered herbivory damage sig- nificantly in four species: for Connarus suberosus, an in- crease in herbivory

Mas, nos esquemas mecânicos que seguem, em referencia ao tipo de veículo a ser convertido são indicados os kits base e Standard necessários, no interior dos quais o

Num segundo momento, abriu-se uma roda de discussão em que os alunos eram apresentados ao conceito de peçonha e animais peçonhentos e às imagens destes animais

cisalhamento na linha de cola após o tratamento térmico, para este adesivo, foram associados principalmente a redução na adesão química, devido a diminuição do número

A presente revisão bibliográfica abordará polímeros molecularmente impressos, onde aprofundamos os processos de obtenção desses materiais através dos métodos de

Finalizando os trabalhos, o grupo de avaliação deve elaborar um documento contendo o planejamento das ações voltadas à implantação que deverão suceder o processo comercial e

Este trabalho se justifica pelo fato de possíveis aportes de mercúrio oriundos desses materiais particulados utilizados no tratamento de água, resultando no lodo

(...) Não é correto (...) dizer “suspensão do contrato”, expressão que mantivemos porque assim é na doutrina preponderante. O contrato não se suspende. Suspende-se sempre