REFERENCE STATION OF AIR QUALITY
RELATÓRIO DE ANÁLISE
REPORT AIR QUALITY
- ANO 1999 -
DIRECÇÃO-GERAL DO AMBIENTE Ministério do Ambiente
ALFRAGIDE
DGA – Laboratório de Referência do Ambiente - Sector da Qualidade do Ar 2
Título RELATÓRIO DE ANÁLISE DA QUALIDADE DO AR
ESTAÇÃO DE REFERÊNCIA DA DGA ANO 1999
Edição DIRECÇÃO GERAL DO AMBIENTE
Ministério do Ambiente
Tiragem 20 exemplares
DGA – Laboratório de Referência do Ambiente - Sector da Qualidade do Ar 3
Elaboração
Divisão de Laboratórios e Acreditação
Sector da Qualidade do Ar
Coordenação
João Matos
Manutenção e gestão da estação Álvaro Bandeira Marques
Nuno Silva
Validação dos dados
João Matos
Redacção e tratamento de dados Paula Rocha
Capa e grafismo Paula Rocha
DGA – Laboratório de Referência do Ambiente - Sector da Qualidade do Ar 4
Índice
RESUMO
1. Introdução
2. Caracterização do local de amostragem 3. Metodologia
4. Apresentação dos dados meteorológicos
5. Apresentação e análise dos dados da Qualidade do Ar 5.1 Dióxido de Enxofre
5.2 Óxidos de Azoto 5.3 Ozono
5.4 Compostos Orgânicos Voláteis - BTEX
5.5 Partículas em Suspensão-PM10
6. Conclusões
ANEXOS
A1 - Valores normativos de qualidade do ar para os vários poluentes A2 - Poluentes analisados, métodos de medição e equipamento
A3 - Valores medidos, com base nos quais foram elaborados os gráficos e tabelas apresentados
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No presente relatório faz-se a apresentação e a análise dos valores das concentrações dos poluentes atmosféricos medidos em contínuo durante o ano de 1999, na Estação de Referência da Qualidade do Ar localizada nas instalações da Direcção-Geral do Ambiente, DGA, em Alfragide.
A análise dos valores é feita a partir das concentrações médias horárias
medidas, à excepção das partículas em suspensão, PM10, que são analisadas
com base nas concentrações médias diárias.
Para o Ozono, e de acordo com a legislação aplicável, é ainda feita uma análise dos valores das concentrações médias de 8 horas num total de 3 vezes por dia com início às zero horas de cada dia.
Desde que a Estação entrou em funcionamento, em Junho de 1998, que a medição de poluentes atmosféricos e de parâmetros meteorológicos tem vindo a ser optimizada.
No presente, a Estação mede em contínuo os principais poluentes
atmosféricos, dióxido de enxofre (SO2), óxidos de azoto (NO-NO2-NOx),
ozono (O3), compostos orgânicos voláteis específicos (COVs), nomeadamente
o benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (BTEX), as partículas em suspensão
no ar ambiente com dimensões inferiores a 10µm (PM10), e ainda os
parâmetros meteorológicos vento, humidade relativa, temperatura, pluviosidade e respectivo pH.
São apresentados quadros comparativos entre os valores medidos e os valores normativos de qualidade do ar para os vários poluentes, constantes da legislação aplicável, ANEXO A1.
A descrição dos poluentes analisados, os métodos de medição adoptados e o equipamento de medida usado constam do ANEXO A2.
Os valores medidos respeitantes aos poluentes analisados incluindo os parâmetros meteorológicos, com base nos quais foram elaborados os gráficos e tabelas apresentados no decurso deste relatório constam do ANEXO A3.
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In the present report it’s presented and evaluated the concentrations of the atmospheric pollutants, continually measured during 1999, in the Air Quality Station of the Direcção-Geral do Ambiente, DGA, in Alfragide.
The evaluation of the values is done through the hourly average
concentrations, with exception for the particulate matter, PM10, which is
analyzed in the base of daily average concentration.
For the ozone, and according with the actual legislation, is still made the analysis of the average concentrations of 8 hours, obtaining 3 concentrations a day with the beginning at zero hours of each day.
The measure of the atmospheric pollutant and of the meteorological parameters is being optimized since the beginning of operations (June 1998) in the Air Quality Station.
Nowadays the Station is continuously measuring the principal pollutants –
sulphur dioxide (SO2), oxides of nitrogen (NO – NO2 – NOx), ozone (O3),
specific volatile organic compounds (VOC’s) as benzene, toluene,
ethylbenzene, and xylenes (BTEX), particulate matter (PM10), and the
meteorological parameters wind, relative humidity, temperature, rain and the respective pH.
It’s presented boards to compare the measured values with the normative values from air quality for the several pollutants, according with the actual legislations, ANNEX A1.
The pollutants and the meteorological parameters evaluated, the measuring methods and equipments used, are described in the ANNEX A2.
The values of the pollutants and the meteorological parameters measured, used to build the boards and the graphics shown, are presented in the ANNEX A3.
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1. Introdução
Este relatório visa a apresentação dos valores de concentrações de poluentes medidos em contínuo durante o ano de 1999, na Estação de Referência da Qualidade do Ar instalada na DGA.
Os valores medidos por esta Estação são característicos deste local. É feita a apresentação da Estação e da sua localização, bem como da metodologia utilizada no tratamento estatístico da informação recolhida.
Os valores normativos de qualidade do ar para os vários poluentes, estabelecem, para o cálculo das grandezas estatísticas, um mínimo de 75% dos valores possíveis durante o ano civil, período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro.
Nos casos em que não foi possível obter um mínimo de 75% dos valores do universo anual, (p. ex, instalação de novo equipamento durante o ano em causa, avarias, calibrações) apresentam-se os valores obtidos independentemente da taxa de eficiência obapresentam-servada. Estes casos estão assinalados no decurso do relatório.
Registaram-se em contínuo os valores respeitantes às medições das concentrações
atmosféricas de dióxido de enxofre (SO2), óxidos de azoto (NO-NO2-NOx) ozono (O3),
compostos orgânicos voláteis específicos, nomeadamente o benzeno, tolueno, etilbenzeno, e
xilenos (BTEX). As partículas em suspensão (PM10), foram medidas em contínuo em períodos
de 24 horas uma vez por semana.
Em simultâneo, foi registada em contínuo, a informação relativa a parâmetros meteorológicos a qual permite avaliar a sua influência nos valores das concentrações dos diversos poluentes medidos.
A variação registada nos valores das medições efectuadas, é comparada com os valores-guia e valores-limite constantes da legislação em vigor.
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2. Caracterização do local de amostragem
A estação de medição, está localizada nas instalações da Direcção-Geral do Ambiente no
Bairro do Zambujal em Alfragide no concelho da Amadora, cujas coordenadas são 38° 44′ 21″
N, e 9° 12′ 18″ W.
Este local a 109 metros de altitude (Figura 1), caracteriza-se essencialmente por se encontrar nas proximidades de duas vias com grande intensidade de tráfego diário, o IC 19 (Lisboa/Sintra) e a via rápida de ligação da Auto-Estrada Cascais/Lisboa (A5) à 2ª Circular.
Figura 1-Localização da Estação de Referência da Qualidade do Ar da Direcção Geral do Ambiente, Bairro do Zambujal, Alfragide - Amadora
A Estação está montada numa instalação pré-fabricada, climatizada, de forma a garantir as condições referentes à temperatura e humidade.
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3. Metodologia
Os dados registados durante o ano de 1999, foram objecto de análise e tratamento estatístico. Para cada poluente foi calculada a distribuição de frequências acumuladas, ou seja, as concentrações nos respectivos universos temporais considerados (valores horários, 8 horas consecutivas e diários).
Previamente a qualquer tratamento estatístico foi feita a validação dos dados. A validação dos dados visa garantir que todos os valores incluídos nos resultados têm a sua origem em medições reais de concentração de poluentes.
Quanto aos dados meteorológicos, foram calculadas:
- a direcção e intensidade do vento;
- os valores médios mensais da humidade relativa;
- as temperaturas média, máxima e mínima registadas durante cada mês;
- a pluviosidade e pH
4. Apresentação dos dados meteorológicos
A apresentação dos dados meteorológicos inclui os valores dos parâmetros temperatura, humidade relativa, direcção e velocidade do vento e ainda os valores respeitantes à pluviosidade e respectivo pH.
As variações da temperatura e da humidade relativa observadas durante o ano de 1999 encontram-se registadas nos gráficos 1 e 2.
A quantidade de precipitação diária e respectivo pH, encontram-se registados no gráfico 3. Os valores registados referem-se ao 2º semestre de 1999, data a partir da qual a estação iniciou as medições.
Os valores médios (máx. e mín.) mensais respeitantes às variações da temperatura, da humidade relativa, da quantidade de precipitação e respectivo pH, constam dos quadros 1, 2 e 3 respectivamente, do ANEXO A3.
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Gráfico 1. Temperatura do ar na Estação de Alfragide
Gráfico 2. Humidade Relativa
Variação anual da temperatura
5 10 15 20 25
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
T e m p e rt u ra ( ºC ) valores médios valores máximos valores mínimos
Variação anual da Humidade Relativa
50 60 70 80 H u m id a d e R e la ti v a ( % )
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Gráfico 3. Quantidade de precipitação diária, e respectivo pH
Nos gráficos 4 e 5, podemos observar a predominância da direcção dos ventos agrupada segundo as respectivas estações do ano, bem como a variação anual de velocidades registadas. (Valores extraídos dos quadros 4 e 5 do ANEXO A3). As 4 estações do ano consideram os seguintes meses: Inverno - meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, Primavera - meses de Março, Abril e Maio, Verão - meses de Junho, Julho e Agosto, Outono - meses de Setembro, Outubro e Novembro.
As rajadas máximas instantâneas registadas durante o ano de 1999, ocorreram durante a madrugada e manhã do dia 10 de Março, tendo sido observado o valor máximo de 88 Km/h. Repare-se que nas estações de transição, Primavera e Outono, a direcção dos ventos repartiu-se pelos quadrantes N-NNE e SSO, estando associado dias de precipitação sobretudo à direcção dos ventos predominantes de SSO.
Evolução da precipitação diária e pH
0 10 20 30 40 50 60 70 Q u a n ti d a d e d e p re c ip it a ç ã o ( m m ) 0 2 4 6 8 10 12 14 E s c a la p H precipitação pH
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Gráfico 4. Direcção dos ventos ao longo do ano.
Inve rno 1998/99 N NNE NE ENE E ESE SE SSE S SSO SO OSO O ONO NO NNO Primavera 99 N NNE NE ENE E ESE SE SSE S SSO SO OSO O ONO NO NNO 1 9 9 Verão 99 N NNE NE ENE E ESE SE SSE S SSO SO OSO O ONO NO NNO Outono 99 N NNE NE ENE E ESE SE SSE S SSO SO OSO O ONO NO NNO
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Gráfico 5. Variação da intensidade média do vento à superfície
5. Apresentação e análise dos dados da Qualidade do Ar
5.1 - Dióxido de enxofre
No gráfico 6 podemos observar a distribuição de percentis (frequências acumuladas) respeitantes às concentrações diárias de dióxido de enxofre.
Da sua análise constata-se que a mediana dos valores médios diários obtidos durante o ano, 32
µg/m3, se situa bastante abaixo do valor-limite calculado para períodos anuais (100 µg/m3). O
mesmo acontece para o percentil 98, calculado a partir dos valores médios diários obtidos
durante o ano, 144 µg/m3, sendo o valor-limite 250 µg/m3. (ver quadro 6, ANEXO A3)
As concentrações diárias registadas ultrapassaram o valor-limite fixado para este período de
tempo (100 a 150 µg/m3), num total de 5 dias. O valor máximo registado ocorreu no dia 7 de
Janeiro e apresentou o valor de 277 µg/m3.
Por outro lado, a média dos valores diários obtidos durante o ano, 42 µg/m3, encontra-se
dentro do valor-guia estipulado para períodos anuais (40 a 60 µg/m3).
6 8 10 12 14 16
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
V
e
lo
c
id
a
d
e
(
K
m
/h
)
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No gráfico 7 é apresentada a evolução das médias mensais de SO (ver quadro 7 ANEXO A3).
Gráfico 6. Dióxido de enxofre (SO2)
Gráfico 7. Evolução das médias mensais de SO2
1 0 2 0 3 0 4 0 5 0 6 0 7 0 8 0 9 0 C o n c e n tr a ç ã o M é d ia ( µ g /m 3 )
Dióxido de Enxofre (SO2)
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 3 10 16 20 25 32 39 46 59 87 118 144 277 Concentrações (µg/m3) P e rc e n ti l (% ) médias diárias
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5.2 - Óxidos de azoto
Dada a sua natureza, os poluentes monóxido e dióxido de azoto (NO e NO2) são
considerados como o somatório das respectivas concentrações e vulgarmente designados por
NOx.
No entanto, em termos de efeitos na saúde, o NO2 é mais determinante que o NO, razão
pela qual a legislação apenas fixa valores-limite e guia para o primeiro. Assim, neste relatório,
foram tratados e analisados apenas os dados referentes ao NO2.
No gráfico 8 apresenta-se a distribuição das frequências acumuladas das concentrações médias
horárias de NO2.
Gráfico 8. Dióxido de azoto (NO2)
Os valores fixados na legislação portuguesa e comunitária referem-se a períodos de 1 ano. Da
análise deste gráfico pode constatar-se que os valores-guia para o NO2, percentil 98
(135g/m3), e percentil 50 (50 µg/m3), calculados a partir dos valores médios horários, não
foram ultrapassados durante as medições, apresentando os valores 128 µg/m3 e 26 µg/m3,
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 0 11 15 19 23 26 34 39 47 60 83 128 417 Concentrações (µg/m3) P e rc e n ti l (% ) médias horárias
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O valor limite de 200 µg/m3, correspondente ao percentil 98 calculado a partir dos valores
horários, também não foi ultrapassado.
Foram registados, para este poluente, um valor máximo da média horária de 417 µg/m3 e um
valor máximo diário de 161 µg/m3. Os valores máximos recomendados pela OMS, 400 µg/m3
para a média horária e 150 µg/m3 para a média de 24 horas, foram ultrapassados, embora os
valores possam ser considerados da mesma ordem de grandeza.
A média horária obtida para todo o período de medição (ano) foi de 35 µg/m3.
No gráfico 9, é apresentada a evolução média mensal dos valores registados para o NO2. (ver
quadro 9, ANEXO A3).
Gráfico 9. Evolução das médias mensais de NO2
10 20 30 40 50 60 70 C o n c e n tr a ç ã o M é d ia (µ g /m 3)
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5.3 - Ozono
A análise deste poluente incide em dois horizontes temporais - médias horárias e médias de 8 horas, gráficos 10-I, 10-II.
Salienta-se que o universo analisado não contempla um ano inteiro, e que os valores fixados na legislação respeitam a 1 ano (1Jan. a 31 Dez.)
Da análise dos dados horários, gráfico 10-I, constata-se que contrariamente a 1998 não foram registados valores de ozono superiores ao limiar de informação à população nem ao limiar de
protecção da vegetação referenciados na legislação para a hora (180 e 200 µg/m3
respectivamente).
O valor máximo registado foi de 153 µg/m3. (ver quadro 10-I, ANEXO A3)
No que se refere ao período das 8 horas consecutivas, o gráfico 10-II representa as frequências acumuladas dos valores médios obtidos para este período. Também, contrariamente ao ano de 1998, não se registaram valores de médias de 8 horas acima do
limiar de protecção da saúde (110 µg/m3). O valor máximo observado foi de 105 µg/m3. (ver
quadro 10-II, ANEXO A3).
Gráfico 10-I- Média horária Percentil O3
O Z O N O (O3) 0 % 1 0 % 2 0 % 3 0 % 4 0 % 5 0 % 6 0 % 7 0 % 8 0 % 9 0 % 1 0 0 % 1 2 1 8 2 2 3 3 4 3 5 1 5 7 6 3 6 9 7 5 8 2 9 0 1 5 3 C o n c e n tra ç õ e s (µg /m3) P e rc e n ti l (% ) m é d ia s h o rá ria s
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Gráfico 10-II- Média de 8 horas consecutivas
No que diz respeito ao valor médio das 24 horas, salienta-se que as concentrações registadas ultrapassaram o limiar de protecção para a saúde e para a vegetação fixado para este período
de tempo (65 µg/m3), num total de 14 dias. O valor máximo observado foi de 105 µg/m3 .
No gráfico 11 é apresentada a evolução média mensal dos valores de ozono medidos nesta estação. OZONO (O3) 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 14 20 30 39 45 50 54 59 64 72 77 85 105 Concentrações (µg/m3) P e rc e n ti l (% ) médias de 8 horas
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Gráfico 11. Valores médios mensais (O3)
5.4 - Compostos orgânicos voláteis específicos (BTEX)
Não existem valores legislados que sirvam de referência para a análise deste tipo de poluentes. No entanto, existe uma proposta de Directiva do Conselho de 1 de Dezembro de 1998, que
propõe um valor-limite para o benzeno de 5 µg/m3 (valor médio anual).
No gráfico 12 apresenta-se a evolução média mensal dos valores medidos, os quais poderão servir para estudos futuros e comparações com outros valores entretanto medidos.
O universo de valores contempla todo o ano de 1999. Pode constatar-se pela variação observada, que a concentração média do benzeno ultrapassou o valor-limite referenciado, nos
meses de Janeiro e Novembro tendo-se registado os valores de 7 e 6 µg/m3, respectivamente.
O valor médio anual obtido para este poluente foi de 2,9 µg/m3.
Para os restantes compostos aromáticos verifica-se também um aumento significativo nos mesmos meses. (Ver quadro 12, ANEXO A3)
E vo lu ç ã o d a s m é d i a s m e n s a i s d e O3 2 0 3 0 4 0 5 0 6 0 7 0
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C o n c e n tr a ç ã o M é d ia (µ g /m 3 )
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Gráfico 12. Evolução média anual (BTEX)
5.5 – Partículas em Suspensão - PM10
De acordo com a Directiva 1999/30/CE do Conselho de 22 de Abril de 1999, e no respeitante
às partículas em suspensão na atmosfera, as concentrações de PM10, (partículas em suspensão
susceptíveis de passar através de um filtro selectivo com 50% de eficiência para um diâmetro
aerodinâmico de 10 µm), serão de avaliação obrigatória. Por esta razão, foi feita a
determinação de PM10, embora a legislação nacional actual só estabeleça valores-limite para as
partículas totais em suspensão. (ANEXO A1)
De acordo com a mesma Directiva, para se demonstrar a observância dos valores-limite para a totalidade das partículas em suspensão, os dados recolhidos devem ser multiplicados por um factor de 1,2. (ver quadro 13, ANEXO A3).
Incluíram-se dados desde Dez. 98, data em que se iniciaram as medições na Estação da DGA para este poluente, os quais não foram incluídos no último relatório, No entanto, dado uma avaria no sistema electrónico do equipamento no início do ano de 1999 só foi possível retomar as medições a partir de Julho.
A legislação nacional estabelece para o valor-limite anual 150µg/m3, e para o percentil 95, 300
µg/m3.
Compostos Orgânicos Voláteis específicos (BTEX)
0 5 10 15 20 25
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
C o n c e n tr a ç ã o m é d ia , µ g /m 3 Benzeno Tolueno Ebenzeno pXyleno mXyleno oXyleno
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No gráfico 13 podemos observar a variação dos valores médios diários das PTS ao longo do ano.
Gráfico 13. Variação dos valores médios diários das partículas totais em suspensão, PTS,
obtidos durante o ano (µg/m3).
O valor médio anual foi de 74,6 µg/m3 não tendo sido ultrapassado o respectivo valor-limite.
No respeitante ao pertencil 95, o valor-limite também não foi ultrapassado. O valor máximo
registado foi de 139 µg/m3.
Em relação aos valores-limite diários houve 3 dias que ultrapassaram os valores recomendados
pela OMS. O valor máximo diário registado para o período em análise foi de 167 µg/m3.
-10 10 30 50 70 90 110 130 150 170 C o n c e n tr a ç ã o M é d ia ( µ g /m 3 )
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No gráfico 14 podemos observar a distribuição de frequências acumuladas respeitantes às concentrações diárias das PTS.
Gráfico 14. Partículas totais em suspensão na atmosfera, PTS
O percentil 95 calculado a partir dos valores médios diários obtidos durante o ano, 139 µg/m3,
encontra-se abaixo do valor limite (300 µg/m3). (ver quadro 14, ANEXO A3).
No gráfico 15 podemos observar a composição química média das partículas (PM10) resultante
da análise de três filtros, nos últimos meses do ano. (ver quadro 15, ANEXO A3).
Na análise dos filtros foram usados diferentes métodos químicos, consoante o parâmetro sob análise. Assim para o alumínio, cálcio, ferro e magnésio, usou-se o método de espectrofotométrico de emissão atómica com acoplamento indutivo de plasma, (ICP), para o cádmio, chumbo e crómio, usou-se o método de espectrofotometria de absorção atómica com atomização térmica, (FG), e para o cobre, o método de espectrofotometria de absorção atómica com chama, (AAC).
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 22 39 47 51 60 64 70 74 105 128 139 155 167 Concentrações (µg/m3) P e rc e n ti l (% ) médias diárias
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Gráfico 15: Composição química das partículas, PM10
Da análise do gráfico podemos verificar que o cálcio, cobre, magnésio, alumínio e ferro são os constituintes maioritários, representando 98% do total da composição química analisada.
Em relação ao chumbo o valor médio obtido foi de 0,02 µg/m3, o qual é inferior ao
valor-limite estipulado na legislação portuguesa (2 µg/m3).
Na determinação destes metais foram utilizados os métodos de espectrometria de absorção atómica. Salienta-se que se trata de uma média com base na análise de 3 filtros.
1 5 % 1 5 % 3 7 % 1 1 % 2 0 % 0 ,0 1 % 1 ,4 % 0 ,6 % C d C r P b A l C u C a M g F e
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6. Conclusões
Da análise dos dados obtidos na Estação de Referência da Qualidade do Ar da DGA em Alfragide, pode concluir-se o seguinte:
- Os valores registados das concentrações de dióxido de azoto são inferiores aos valores-guia estipulados na legislação em vigor, tendo-se registado 128 e 26 µg/m3, para os percentis 98 e 50, respectivamente. O valor médio horário obtido para todo o periodo de medição (ano), é superior ao valor recomendado pela OMS, para a vegetação, podendo ser considerado da mesma ordem de grandeza.
- Relativamente ao dióxido de enxofre os valores registados são também inferiores aos valores-guia estipulados na legislação em vigor, tendo-se registado 144 e 32 µg/m3, para os percentis 98 e 50, respectivamente.
As concentrações diárias registadas ultrapassaram o valor-limite fixado num total de 5 dias.
Como se referiu, a média dos valores diários obtidos durante o ano, 42 µg/m3, encontra-se
dentro do valor-guia estipulado para períodos anuais. No entanto, este valor ultrapassa o valor recomendado pela OMS, para a vegetação.
- Quanto ao ozono e relativamente aos valores médios horários, não se verificaram concentrações superiores ao limiar de informação à população, nem superiores ao limiar de
protecção da vegetação, tendo o valor máximo registado sido de 153 µg/m3.
Há a registar valores superiores ao limiar de protecção da vegetação para períodos de 24 horas, os quais ocorreram num total de 14 dias, com incidência na 2ª quinzena de Julho. O
valor máximo registado foi de 105 µg/m3 .
- Em relação aos compostos orgânicos voláteis específicos, deve referir-se que o valor médio
anual obtido para o benzeno, 2,9 µg/m3, é inferior ao valor-limite proposto pela Directiva do
Conselho de 1 de Dezembro de 1998. Para os restantes compostos tolueno, etilbenzeno e xilenos, não existem valores que possam servir de referência.
- No que respeita às partículas totais em suspensão os valores normativos não foram
ultrapassados, tendo sido registada a concentração média anual de 74,6 µg/m3.O percentil
95 também não foi ultrapassado tendo o valor sido de 139 µg/m3. Como também já foi
referido, os valores recomendados pela OMS para a saúde, foram ultrapassados num total de 3 dias.
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DGA – Laboratório de Referência do Ambiente - Sector da Qualidade do Ar 26
A1 - Valores normativos de qualidade do ar para os vários poluentes
Nos Quadros seguintes são apresentados os Valores Normativos referência da qualidade do ar existente quer a nível nacional quer a nível comunitário, bem como os valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É de referir que enquanto a maioria dos valores fixados na legislação nacional e comunitária se referem a tratamentos estatísticos requerendo uma análise anual, os valores da OMS referem-se apenas a valores simples.
QUADRO A1-I
"VALORES NORMATIVOS" DA QUALIDADE DO AR PARA O DIÓXIDO DE ENXOFRE
(µg/m3)
Legislação Média Média P50 P98 Média Média
anual Inverno 24h 1h (1/10 a 31/12) Valor-lim ite 100 250 N acional 130 (>200)* 80 (>150)*250 (>350)* 180 (≤200)* 120 (≤150)* 350 (≤350)* Valor-gu ia 40 a 60 100 a 150
Com u nitária Valor-lim ite 130 (>200)* 80 (>150)* 250 (>350)* 180 (≤200)* 120 (≤150)* 350 (≤350)*
Valor-gu ia 40 a 60 100 a 150
OMS Valor recom end ad o p / saú d e 350
Valor recom end ad o p / vegetação 30 100
Legislação Nacional - Portaria 286/93
Legislação Comunitária - Directivas 80/779/CEE e 89/427/CEE OMS - Air Quality Guidelines for Europe
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QUADRO A1-II
"VALORES NORMATIVOS" DA QUALIDADE DO AR PARA O DIÓXIDO DE AZOTO
(µg/m3)
Legislação Média P50 P98 média 24h média 1h
anual
Nacional Valor-limite 200
Valor-guia 50 135
Comunitária Valor-limite 200
Valor-guia 50 135
OMS Valor recomendado p/ saúde 150 400
Valor recomendado p/vegetação 30
Legislação Nacional - Portaria 286/93
Legislação Comunitária - Directiva 85/2O3/CEE OMS - Air Quality Guidelines for Europe
QUADRO A1-III
"VALORES NORMATIVOS" DA QUALIDADE DO AR PARA O OZONO
(µg/m3)
Legislação Média 24h Média 1h Média 8h
Limiar protecção saúde 110
Nacional e Comunitária
Limiar protecção vegetação 200
Limiar informação população 180
Limiar alerta população 360
OMS Valor recomendado p/ saúde 150-200 100-120
Valor recomendado p/vegetação 65 200 65
Legislação Nacional-Portaria 623/96
Legislação Comunitária - Directiva 92/72/CEE OMS - Air Quality Guidelines for Europe
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QUADRO A1-IV
"VALORES NORMATIVOS" DA QUALIDADE DO AR PARA AS PARTÍCULAS TOTAIS EM SUSPENSÃO (µg/m3) Legislação Média anual P 95 Média 24h Nacional e Valor-limite Comunitária 150 300
OMS Valor recomendado p/ saúde
120
Legislação Nacional-Portaria 286/93
Legislação Comunitária - Directiva 80/779/CEE OMS - Air Quality Guidelines for Europe
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A2 - Poluentes analisados, métodos de medição e equipamento
No Quadro A2-I, indicam-se os poluentes medidos, respectivos métodos de medição e marca e modelo do equipamento instalado.
QUADRO A2-I
Poluente Método de medição Equipamento
Dióxido de enxofre (SO2) Fluorescência Environnement (AF 21M) Óxidos de azoto (NOx) Quimiluminescência Environnement (AC 30M) Ozono (O3) Absorção de UV API (mod. 400) Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e
Xilenos (BTEX) Cromatografia e Ionização de Chama Chrompack (BTX)
Partículas em suspensão PM10 Gravimétrico Bravo PM10
(TCRTECORA)
É apresentado, de seguida, um breve sumário sobre os poluentes analisados.
Dióxido de Enxofre (SO2)
O dióxido de enxofre é considerado um poluente de origem industrial, provém essencialmente da combustão do carvão e do fuel, embora os veículos com motor a gasóleo também contribuam para a sua emissão.
O enxofre (S) libertado por estes combustíveis durante a queima, combina-se com o oxigénio
(O2) do ar e dá origem ao dióxido de enxofre (SO2). Em combinação com partículas de água
transforma-se em ácido sulfúrico (H2SO4) atingindo os materiais e os seres vivos.
Os valores-limite e guia fixados na legislação, reportam-se a parâmetros estatísticos baseados em dados diários.
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Óxidos de Azoto (NO)
Dada a sua natureza, os poluentes monóxido e dióxido de azoto (NO e NO2) são
normalmente considerados como somatório das concentrações respectivas. Ao somatório é
usual atribuir-se a designação de óxidos de azoto (NOx). Em termos de efeitos na saúde, no
entanto, o NO2 é muito mais importante que o NO, o que explica que a legislação apenas fixe
valores-limite e guia para o primeiro.
Os óxidos de azoto resultam da reacção do azoto com o oxigénio durante a combustão a altas temperaturas (centrais térmicas, veículos automóveis). Estes gases contribuem para acidificação do ambiente e, em conjunto com os hidrocarbonetos, para a formação da poluição fotoquímica.
Na definição dos valores-limite e guia, a legislação estabelece como dados base, médias horárias ou médias inferiores à hora.
Ozono (O3)
O ozono ao nível da troposfera (baixa atmosfera) é um gás azulado caracterizado pelo seu grande poder oxidante. Ao contrário dos outros poluentes, o ozono não tem fonte própria, formando-se a partir da acção da luz solar sobre os óxidos de azoto e compostos orgânicos voláteis.
Na definição dos valores-guia, a legislação estabelece 3 horizontes temporais a vigiar: as médias horárias, as médias de 8 horas (em termos de valores extremos) e as médias diárias (em termos de valores médios).
Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos (BTEX)
O conhecimento dos níveis de concentração de Compostos Orgânicos Voláteis existentes no ar ambiente torna-se muito importante para o seu estudo no âmbito da caracterização da qualidade do ar, e dos efeitos que provocam na saúde humana.
Alguns desses poluentes específicos, caso do Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e os isómeros do Xileno, são analisados por um equipamento específico que está instalado na Estação de Referência da Qualidade do Ar da Direcção Geral do Ambiente em Alfragide, foi o primeiro analizador automático em contínuo adquirido em Portugal tendo entrado em funcionamento em Maio de 1996, na antiga Estação Experimental da Qualidade do Ar da DGA na Av. Gago Coutinho em Lisboa
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Num ciclo completo, o sistema concentra a amostra de ar (T=40ºC) num tubo absorvente TENAX em cerca de 500 vezes, e em seguida os hidrocarbonetos da amostra são separados numa coluna capilar (T=80ºC) com uma fase polar CP-Wax CB Ultimetal 45m x 0.53mm, df=1.0 µm. O analisador está equipado com um detector de Ionização de Chama (FID), e
tem um limite de detecção de 0.1 µg/m3. O tempo de amostragem e de análise seleccionada é
de 15 minutos. O analisador é calibrado de 2 em 2 meses com uma mistura padrão certificada de BTEX de 1.5 ppmv, que é dinamicamente diluída de 1:140 através de uma unidade de diluição (opcional) constituída por orifícios críticos calibrados e com uma câmara de mistura. No fim da análise os resultados são processados num computador. Este sistema foi programado para gerar resultados de meia em meia hora. Durante o ciclo completo o sistema é totalmente controlado pelo computador.
Partículas Totais em Suspensão (PTS)
Os métodos analíticos de medição das Partículas Totais em Suspensão no ar ambiente estabelecidos na legislação Portuguesa (Portaria nº 286/93 de 12 Março), reportam-se aos métodos dos Fumos Negros e ao gravimétrico, este último considerado método de referência.
Utilizou-se o método gravimétrico com uma cabeça de amostragem de PM10. Entende-se por
PM10, as partículas em suspensão susceptíveis de passar através de um filtro selectivo com 50%
de eficiência para um diâmetro aerodinâmico de 10 µm (Directiva 1999/30/CE de 22 Abril).
O princípio da medição é baseado na recolha num filtro da fracção PM10 de partículas em