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ConvençãoRioReno

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Academic year: 2021

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Rui Barreiros (20070216)

Cláudia Nobre (2007063)

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

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ÍNDICE

1. Caracterização do Rio Reno 3

2. Razões que levaram à assinatura da Convenção 4

3. Entidades reguladoras 5

4. Situação actual 7

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CARACTERIZAÇÃO DO RIO RENO

O rio Reno é um importante rio europeu com 1320

quilómetros de extensão.

Nasce nos Alpes suíços, no cantão de Grisons, e segue um curso montanhoso até ao lago Constança.

As suas águas atravessam o lago, precipitam-se pelas quedas de Schaffhausen e correm para ocidente até Basileia. Aí, o rio volta abruptamente para norte e entra no vale de fractura do Reno. Este vale, cavado entre falhas paralelas, tem um leito plano e largo, com as montanhas dos Vosges na margem esquerda e o maciço da Floresta Negra na margem direita. O vale continua por mais 300Km.

No seu fim, em Hessen, o Reno volta para oeste e em seguida para noroeste, atravessando a região montanhosa da Alemanha Central no seu famoso desfiladeiro. Emerge em Bona penetrando na planície da Alemanha do Norte, passa por Colónia e pelo Ruhr, e logo que penetra em território holandês, divide-se em três braços, o Waal, o braço mais meridional e importante, que atinge o mar depois de passar por Nijmegen; o Leck, que corre mais para norte, passando por Arnhem e o IJssel, que desagua em IJsselmeer. Este rio estabelece uma fronteira natural entre a Suíça e o Liechtenstein, entre a Alemanha e a Suíça, e entre a Alemanha e a França.

Atravessa ou acompanha seis países: a Áustria, a Suíça, o Liechtenstein, a Alemanha, a França e a Holanda.

O Reno hoje é completamente navegável até Basileia (ou Basel).

Realizaram-se obras de vulto entre 1817 e 1876 para encurtar o percurso sinuoso, removendo-se obstáculos e rápidos, reduzindo os efeitos das cheias e conquistando terra arável.

Desde a II Guerra Mundial as maiores transformações têm sido realizadas pelos franceses entre Estrasburgo e Basileia, com a construção do Grande Canal da Alsácia.

O transporte de mercadorias pelo Reno ultrapassa largamente o realizado por todas as outras vias fluviais da Europa Ocidental. O movimento mais intenso ocorre entre a região industrial de Ruhr, a qual beneficia de uma importante reserva de recursos minerais, de fácil acesso e favoráveis ao desenvolvimento da industrialização, e o porto holandês de Roterdão. As principais cargas são de minério de ferro, carvão e produtos petrolíferos, mas também são transportados automóveis e pedra para construção. A partir de Roterdão para o interior, os maiores portos do rio são Duisburg e Ludwigshafen-Mannheim.

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Entre Basileia e o seu estuário, o rio Reno atravessa uma das zonas mais densamente povoadas da Europa ocidental, rica em história, actividades e trocas comerciais.

Em termos turísticos, o Reno evoca vinhedos e lendas. Os vinhedos ocupam as margens do vale de fractura e as vertentes escarpadas do desfiladeiro; as lendas, por sua vez, são uma presença constante. Lorelei é o melhor exemplo: com uma vista maravilhosa sobre o desfiladeiro do Reno, este rochedo, que domina verticalmente o rio de 132m, recebeu o nome da lendária sereia cujo canto atraía os marinheiros para um triste destino.

Infelizmente o rio Reno está fortemente poluído em toda a sua extensão até ao mar. Após os protestos dos holandeses, têm sido feitos esforços internacionais com algum êxito para fazer baixar os níveis de poluição.

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RAZÕES QUE LEVARAM À ASSINATURA DA CONVENÇÃO

O rio Reno tem sido desde os primórdios, um importante factor de separação entre os Estados. Remontando ao tempo do Império Romano, ele foi transformado numa barreira natural contra a invasão dos povos bárbaros. As cidades de Colónia ou Estrasburgo foram então erigidas como fortificações para deter este avanço das hordas.

Devido à sua situação geográfica muito especial, o Reno tem sido desde tempos remotos a fronteira mais disputada entre as populações românicas e as germânicas do nordeste da Europa.

Após a queda do Império Romano, e até à conquista da Alsácia por Louis XIV, o Reno integrava o Império Germânico, sendo-lhe nessa altura atribuído a designação de Vater Rhein, ou Reno Paternal.

O Reno foi palco de violentos confrontos, apesar deste se constituir como um elemento de segurança fronteiriça contra a agressão de Estados vizinhos e como uma importante rota marítima.

Após a derrota de Napoleão, em 1815, os países que tinham fronteiras estabelecidas através do rio Reno decidiram, através do Congresso de Viena, estabelecer uma Comissão, designada de Comissão do Rio Reno.

Esta Comissão tinha como missão fundamental o assegurar uma administração de um regime de livre navegação.

Foi através da acta final do Congresso de Viena, que durou de 1814 a 1815, que ficou estabelecido, no seu anexo XVI, quais as medidas a estabelecer para a livre navegação dos rios, cujo curso atravessava diferentes Estados (pág. 306). Os artigos respeitantes à navegação do Reno encontram-se contemplados, com especificidade (págs. 309 a 328).

Todavia, os actos necessários para se consubstanciar a constituição são, comummente consabido, que necessitam de algum tempo de maturação e de organização social. Por estes factos, a primeira reunião da Comissão Central para a Navegação do Reno − CCNR teve lugar a 5 de Agosto de 1816.

Foram necessários cerca de 15 anos de trabalho, por parte dos elementos constitutivos desta Comissão, para se conseguir elaborar um Regulamento comum, previsto na Acta do Congresso de Viena

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de 1815. Este regulamento foi assinado a 31 de Março de 1831 e ficou conhecido pelo nome de Convenção de Mayence.

Na Convenção de Mayence são suprimidos os direitos de impedimento, de imposição de restrições à navegação. Contudo, permaneceu ainda como sendo apanágio dos Estados ribeirinhos a responsabilidade pela navegação em cada troço do rio respectivo.

Nesta Convenção são estabelecidas regras muito precisas de carácter policial e de segurança para a navegação comercial, e são limitadas as formalidades aduaneiras e as portagens.

A Convenção de Mayence é, mercê da rapidez com que os acontecimentos nesta época se sucedem, ultrapassada. O aparecimento de barcos a vapor, da concorrência dos caminhos-de-ferro, fez sentir a necessidade de se suprimirem as portagens, no intuito de não se desfavorecer o tráfego fluvial.

Estas necessidades colocaram um enfoque na necessidade de se rever novamente a Convenção de 1831.

Com as motivações afloradas, é a 17 de Outubro de 1868 assinada a Convenção de Mannheim. Esta vem operar uma revisão e actualização das disposições fundamentais relativas à evolução dos dados técnicos, económicos e políticos da navegação do Reno.

Estas alterações são adaptadas e integradas na Convenção de revisão que se efectuou em Estrasburgo a 17 de Outubro de 1963.

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ENTIDADES REGULADORAS

Comissão Central para a Navegação do Reno (CCNR)

Esta Comissão foi criada através da Acta Final do Congresso de Viena de 1815, nomeadamente através do articulado do estabelecido no seu Anexo XVI (Moyens pour la libre navigation des rivières).

Mais tarde, e através do conhecido acto de revisão da Convenção para a navegação do Reno, assinada em Mannheim, a 17 de Outubro de 1868, na sua versão de 1963 todos os pormenores relativos às questões sobre a circulação marítima, a forma de resolução de diferendos, como interferirão os tribunais, e a própria Comissão foram redefinidas.

A principal tarefa da CCNR é o assegurar a liberdade de navegação em toda a sua extensão navegável, mantendo um regime de governação legal e uniforme.

A Holanda, a Bélgica, a Alemanha, a França e a Suíça são os Estados membros da CCNR.

Cada Estado membro nomeia 4 representantes: 2 são os comissários (Commissioners) e os outros 2 são os seus substitutos (Deputy Commissioners).

As resoluções da Comissão têm de ser tomadas por unanimidade. Cada Estado membro tem direito de veto. Por rotação efectuada cada 2 anos, um Estado membro assume a Presidência da CCNR.

As resoluções que são tomadas por unanimidade respeitam a:

 Propostas referentes à melhoria da prosperidade da navegação do Reno;

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 Queixas relativas à aplicação da Convenção de Mannheim

A CCNR tem a sua sede em Estrasburgo, no Palácio do Reno. Os comissários reúnem-se 2 vezes por ano (no Outono e na Primavera) para prepararem a Assembleia Geral da CCNR, a qual é presidida pelo presidente da Comissão.

São realizados mais 50 encontros, com 10 subcomités e os respectivos grupos de trabalho para tratarem de assuntos ligados às questões do foro legal, económico e técnico.

Esta Comissão tem um secretariado permanente, o qual emprega cerca de 15 pessoas.

Outras Organizações, estabelecidas mais tarde:

Comissão Internacional Hidrológica do Rio Reno (CHR)

A CHR foi fundada em 1970, devido a um conselho da UNESCO, para a promoção duma melhor e maior cooperação nos rios internacionais.

É uma comissão internacional autónoma, e está integrada na Holanda como uma fundação. Dispõe de representantes permanentes dos Estados membros, e um Secretariado.

A presidência é rotativa.

O Secretário da outra organização, a ICPR, tem assento nas reuniões da CHR. Por sua vez, os membros da CHR participam nos grupos de trabalho da ICPR. A CHR coloca especial enfoque nos seguintes aspectos:

 Na expansão dos conhecimentos hidrológicos de todo o curso do rio Reno, através da realização de pesquisas conjuntas, da troca de dados, de métodos e de informações, tendentes

Central administration office for the social security

Of the Rhine Crews

Central administration office for the social security

Of the Rhine Crews

Secretary Of CCNR Secretary Of CCNR Central Commission for Navigation on the Rhine CCNR Central Commission for Navigation on the Rhine CCNR Court of Appeal Court of Appeal

Committee for transport of dangerous goods

Committee for transport of dangerous goods

Group statistical information

Group statistical information

Working group revision of boat master’s, license regulation and crew regulation

Working group revision of boat master’s, license regulation and crew regulation

Permanent technical working group

Permanent technical working group

Working group preparation of procedures for waste disposal

Working group preparation of procedures for waste disposal

Working group police regulation

Working group police regulation

Working group inspection regulation

Working group inspection regulation

Working group transport of dangerous goods

Working group transport of dangerous goods

Permanent technical Committee

Permanent technical Committee

Committee for waste disposal and environmental questions

Committee for waste disposal and environmental questions

Police Committee

Police Committee

Economic Committee

Economic Committee

Committee for social, security, employment and training questions

Committee for social, security, employment and training questions

Budget Committee Budget Committee Legal Committee Legal Committee Subcommittee Administrative questions Subcommittee Administrative questions Restricted navigation Committee Restricted navigation Committee

Vessel inspection Committee

Vessel inspection Committee

Principal Commissioner

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ao estabelecimento de normas de procedimentos comum (standardize procedures), e da elaboração de publicações;

 No fornecimento de contributos para se encontrarem soluções para os problemas relativos à travessia das fronteiras, através da formulação, gestão e manuseamento de:

- Sistemas de informação, por exemplo GIS, para as questões de prática hidrológica;

- Modelização, ou seja, na criação de modelos de manutenção dos recursos hídricos e do modelo de alarme do Reno.

Comissão Internacional para a Protecção do Reno (ICPR)

Esta Comissão foi criada em 1950, e visa a protecção do Reno contra a poluição.

São realizadas conferências ministeriais entre cada 2 a 3 anos, no sentido de serem definidos os objectivos políticos da Comissão, e se proceder a uma análise às que entretanto foram desenvolvidas.

A Comissão reúne-se anualmente em sessão plenária, onde se decide sobre os grupos de trabalho, as finanças e os procedimentos formais.

Um grupo de coordenação reúne-se 4 vezes por ano e é o responsável pelo actual plano anual de coordenação do ICPR.

Três grupos permanentes exercem funções nas áreas da qualidade da água, da ecologia, e das emissões (poluentes).

Há dois grupos de projectos que tratam do Programa de Acção para Defesa contra as Cheias e na preparação de novos programas de desenvolvimento sustentável para o Reno.

Todos estes grupos são compostos por peritos oriundos dos Estados membros do ICPR. A presidência é rotativa, a cada 3 anos.

Esta organização é suportada por um secretariado.

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SITUAÇÃO ACTUAL

Após os factos citados sobre a Convenção original e o seu melhoramento, foram assinadas outras e variadas Convenções, em Estrasburgo, e nas datas assinaladas, tendo como objectivo a adequação e a exequibilidade da aplicação da norma à realidade que se verifica no rio Reno:

 Protocolo Adicional, n.1, de 25 de Outubro de 1972, o qual entrou em vigor a 18 de Setembro de 1895;

 Protocolo Adicional, n.2 a 17 de Outubro de 1979, com entrada em vigor a 1 de Fevereiro de 1985;

 Protocolo Adicional n.3, de 17 de Outubro de 1979, e entrada em vigor a 1 de Setembro de 1982;

 Protocolo n.4, de 25 de Abril de 1989, com entrada em vigor a 1 de Agosto de 1991.

Estes Protocolos estão todos incluídos na versão final da Convenção de Mayence, texto reescrito e datado de 20 de Novembro de 1963.

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No estado actual, as maiores preocupações dos Estados prendem-se com a situação da poluição, com a diminuição dos recursos naturais, estando em curso alguns projectos de recuperação da biodiversidade própria, com resultados encorajadores.

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Bibliografia

ENCICLOPÉDIA GEOGRÁFICA, Selecções do Reader’s Digest, S.A. título original Guide do Places of the World, 1988, Depósito Legal n. 15 968/87

FRIJTERS, Ine D. e LEENTVAR, Jan – Rhine Case Study, UNESCO, IHP, WWAP, IHP-VI, Thecnical documents in Hidrology, PC-CP Series n. 17, PCCP Publications 2001-2003

Acta final da Convenção de Viena de 1815, Anexo XVI (pg. 306 a 328)

Revisão da Convenção de Mannheim, de 17 de Outubro de 1868, no texto de 20 de Novembro de 1963 MOREIRA, Adriano – Teoria das Relações Internacionais, 5 edição, Coimbra, Almedina, 2005. ISBN 972-40-2700-7

Vários autores – Organizações Internacionais, 2 edição revista e actualizada, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005. ISBN 972-31-1151-9

CASTAÑARES, Juan Carlos Pereira e MARTÍNEZ-LILLO, Pedro António – Documentos Básicos

sobre Historia de las Relaciones Internacionales 1815-1991, 1 edição, Editorial Complutense, Madrid,

Referências

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