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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE BIOCIÊNCIAS
CURSO DE BIOMEDICINA
CARLA MYLENA RIBEIRO SOUSA DA SILVA
ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA NO MUNICÍPIO DE PUREZA – RN ENTRE O PERÍODO DE 2008 A 2017
Natal - RN 2019
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CARLA MYLENA RIBEIRO SOUSA DA SILVA
ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA NO MUNICÍPIO DE PUREZA – RN ENTRE O PERÍODO DE 2008 A 2017
Natal - RN 2019
Trabalho de Conclusão de Curso, Monografia, apresentado à Coordenação do Curso de Biomedicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como Requisito Parcial à obtenção do Título de Bacharel em Biomedicina.
3 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede
Silva, Carla Mylena Ribeiro Sousa da.
Esquistossomose mansônica no município de Pureza - RN entre o período de 2008 a 2017 / Carla Mylena Ribeiro Sousa da Silva. - 2019.
47 f.: il.
Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Biociências, Curso de Biomedicina, Natal, RN, 2019.
Orientadora: Profa. Dra. Louisianny Guerra da Rocha.
1. Esquistossomose mansônica - Monografia. 2. Controle da esquistossomose - Monografia. 3. Município de Pureza/RN-Brasil - Monografia. 4. Vigilância epidemiológica - Monografia. I. Rocha, Louisianny Guerra da. II. Título.
RN/UF/BCZM CDU 616.995.1
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE BIOCIÊNCIAS
CURSO DE BIOMEDICINA
ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA NO MUNICÍPIO DE PUREZA – RN ENTRE O PERÍODO DE 2008 A 2017
Elaborado por Carla Mylena Ribeiro Sousa da Silva
e aprovado por todos os membros da Banca examinadora foi aceita pelo Curso de Biomedicina e homologada pelos membros da banca, como requisito parcial à
obtenção do título de
BACHAREL EM BIOMEDICINA
Natal, 07 de Junho de 2019
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________ Profa. Dra. Louisianny Guerra da Rocha
Departamento de Microbiologia e Parasitologia – DMP/CB/UFRN
________________________________________ Prof. Dr. Paulo Sergio Marinho Lúcio
Departamento de Biologia Celular e Genética – DBG/CB/UFRN
_________________________________________ Profa. Dra. Cecília Maria de Carvalho Xavier
5 AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a Deus por ter proporcionado a chance de realizar esta importante conquista.
Aos meus pais, que sempre acreditaram na minha capacidade e por serem exemplos de vida.
À UFRN pela excelência de ensino e oportunidades.
À Professora Louisianny Guerra Rocha, pela orientação, paciência e amizade. E também ao professor Paulo Marinho pelo carinho e disponibilidade.
A todos os mestres e professores que fizeram parte da minha formação. Obrigado pelo ensino e pelos exemplos ao longo desta jornada.
Agradecer também aos bioquímicos/biomédicos que tiveram a paciência e a boa vontade de passar os seus conhecimentos, conhecimentos esses obtidos aos longos anos de profissão. As técnicas que sempre estavam dispostas a ajudar e também a todos os profissionais que tive o prazer de conhecer.
Agradeço também pelo total apoio, carinho e atenção para Edilson Pinheiro, responsável pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte.
À minha família, irmã, primas, avó, avô e tias que sempre mostraram o certo a se fazer, em especial para minha prima/irmã que sempre esteve disposta a me ajudar.
As minhas amigas/irmãs que tive o prazer de conhecer na universidade, as quais me mostraram vidas adversas e que mesmo com tudo para dar errado, ou não, sempre era certo encontrar uma solução. Também em especial para meu grande amigo de cursinho que continuou sendo muito especial durante meu período na universidade. Entre outros amigos, os quais pude contar quando precisei.
6 Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto.
7 RESUMO
A esquistossomose mansônica é uma doença infecciosa parasitária, e estima-se que aproximadamente 25 milhões de pessoas estejam expostas ao risco de contrair a doença, e que 2,5 a 6 milhões se encontram infectadas (WHO, 2009), sendo ela causada pelo helminto Schistosoma mansoni, se apresenta de forma endêmica no Estado do Rio Grande do Norte, considerada um grande problema de saúde pública. As formas adultas habitam os vasos mesentéricos do hospedeiro definitivo (homem) e as formas intermediárias (cercárias) se desenvolvem em caramujos gastrópodes aquáticos do gênero Biomphalaria. A doença é endêmica também nos continentes subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, onde as medidas preventivas são muito mais difíceis devido a fatores que vão desde a efetiva propagação dos hospedeiros intermediários até às péssimas condições de vida da população. É uma helmintose de veiculação hídrica onde a cercaria na água penetrando ativamente pela pele do indivíduo. Informar e avaliar a prevalência da esquistossomose na zona rural e urbana de Pureza/RN-Brasil. O estudo em questão é uma análise descritiva, onde foram usadas informações adquiridas por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde Pública de Pureza pelo Setor de Vigilância Epidemiológica conjuntamente com a Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (SESAP/RN) com as variáveis: localidade e ano no período entre 2008 a 2017. Entre as localidades que apresentaram casos positivos extremamente elevados foram: Centro no ano de 2008, Olho d’água no ano de 2011 e Bebida Velha no ano de 2014, com positividade para esquistossomose iguais a 32, 24 e 27, respectivamente. Embora os anos tenham sido diferentes, observou-se que para as outras localidades analisadas ocorreu uma diminuição importante do número de casos. Pode-se atribuir este resultado à subnotificação nos anos estudados uma vez que não foram trabalhadas todas as localidades.Diante disso torna-se relevante dar continuidade à execução do Programa de Controle de Esquistossomose (PCE) de forma ininterrupta neste município, além de medidas de controle dos fatores de risco ambientais e educacionais, na tentativa de erradicar esta doença.
PALAVRAS CHAVES: Esquistossomose Mansônica, Programa de Controle da
8 ABSTRACT
Schistosomiasis mansoni is an infectious parasitic disease, and it is estimated that the 25 risk mothers are at risk of contracting a disease, and that 2.5 to 6 million are infected (WHO, 2009), which is important for helminth. Schistosoma mansoni, is endemic in the state of Rio Grande do Norte. The adult forms inhabit the mesenteric vessels of the definitive host (man) and the intermediate forms (cercariae) develop in snails aquatic gastropods of the genus Biomphalaria. The disease is also endemic in underdeveloped or developing continents, where preventive measures are much more difficult due to factors ranging from the effective propagation of intermediate hosts to the poor living conditions of the population. It is a helminth of water transport where it would surround it in the water penetrating actively by the skin of the individual. To inform and evaluate the prevalence of schistosomiasis in the rural and urban areas of Pureza / RN-Brasil. The study in question is a descriptive analysis, where information acquired through the Municipal Secretariat of Public Health of Pureza by the Epidemiological Surveillance Sector was used in conjunction with the State Secretariat of Public Health of Rio Grande do Norte (SESAP / RN) with the variables: locality and year in the period between 2008 and 2017. Among the places that presented extremely high positive cases were: Centro in the year 2008, Olho d’ Agua in the year 2011 and Bebida Velha in the year 2014, with positivity for schistosomiasis equal to 32, 24 and 27, respectively. Although the years were different, it was observed that for the other analyzed localities there was a significant decrease in the number of cases. This result can be attributed to underreporting in the years studied since not all localities have been worked on. In view of this, it is relevant to continue the execution of the Schistosomiasis Control Program (PCE) in an uninterrupted manner in this municipality, in addition to measures to control environmental and educational risk factors, in an attempt to eradicate this disease.
KEY WORDS: Mansonic Schistosomiasis, Program for the Control of Schistosomiasis,
9 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
EM – Esquistossomose Mansônica
PCE –Programa de Controle da Esquistossomose MS –Ministério da Saúde
SISPCE –Sistema de Informações do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose
DTN –Doenças Tropicais Negligenciadas
SINAN –Sistema de Informação de Agravos de Notificação SUS –Sistema Único de Saúde
PZQ –Praziquantel OXA –Oxamniquine
10 LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Representação da expansão da esquistossomose mansoni no Bras... 17 Figura 2 – Concha do Caramujo sp., Hospedeiro intermediário para S. mansoni, a
Esquerda. À Direita adultos de S. mansoni: Gineófaro em cópula... 18 Figura 3 – Cercárias de Schistosoma mansoni... 19 Figura 4 – Ciclo biológico do S. mansoni. Fonte: Centro de Controle de Doenças... 19 Figura 5 – Mapa do Rio Grande do Norte e localização de Pureza RN... 20 Figura 6 – Ficha de Notificação/Investigação ... 22 Figura 7 – Reação alérgica após penetração da cercária Fase Aguda da Esquistossomose Mansônica... 23 Figura 8 – Distribuição global da Esquistossomose... 27
11 LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Números de casos de Esquistossomose Mansônica no município de Pureza em 2008... 31 Gráfico 2 – Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza em 2011 ... 32 Gráfico 3 –. Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza em 2012 ... 33 Gráfico 4 – Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza em 2013 ... 34 Gráfico 5 – Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza em 2014 ... 35 Gráfico 6 - Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza – 2016 ... 36 Gráfico 7 - Número de casos de Esquistossomose Mansônica por localidades no município de Pureza em 2017... 37 Gráfico 8 – Sinopse dos casos de EM no município de Pureza/RN nos anos de 2008 a 2017... 38
12 LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Percentual de positividade para esquistossomose mansônica no Brasil entre 1975 – 2012 ... 28 Tabela 2 – distribuição das formas clínicas da esquistossomose mansônica, por grupo
etário e sexo. Pureza – Zona Rural
... 40 Tabela 3 – distribuição das formas clínicas da esquistossomose mansônica por grupo
etário e sexo. Pureza – zona Urbana
13 SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO... 14 2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 16 2.1 – Manifestação da doença ... 23 2.1.1- Fase inicial ... 23 2.1.2- Fase Crônica ... 24 2.2 – Tratamento ... 25
2.3 – Programa de controle a esquistossomose ... 26
2.4– Vigilância Epidemiológica... 27 3 – EPIDEMIOLOGIA ... 27 4 - OBJETIVO ... 29 4.1 – Objetivo Geral ... 29 4.2 – Objetivos Específicos ... 30 5 – MATERIAIS E MÉTODOS ... 30 6 - RESULTADOS E DISCUSSÕES... 31 7 – CONCLUSÕES ... 42 8 - REFERENCIAS ... 43
14 1- INTRODUÇÃO
A esquistossomose mansônica (EM), segundo Prata (1976), é uma doença causada pelo parasita Schistosoma mansoni, tendo a água como veículo de transmissão, cujas formas adultas habitam os vasos mesentéricos do hospedeiro definitivo (homem) e as formas intermediárias se desenvolvem em caramujos gastrópodes aquáticos do gênero Biomphalaria. No início da infecção a doença é assintomática e pode evoluir para formas clínicas extremamente graves ou levar o paciente ao óbito. Sua prevalência está associada a severidade das formas clínicas e a sua evolução conferindo à esquistossomose uma grande relevância como problema de saúde pública principalmente por ser considerada uma das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN), em muitas partes do mundo. Prata, 1976, relata que a incidência da doença ocorre em regiões sem saneamento ou com saneamento básico impróprio (MOREIRA; CORREIA, 2017), onde a contaminação se dá através da pele e mucosas pelo contato do homem com águas que contem formas infectantes (cercária) do Schistosoma mansoni (KATZ; ALMEIDA, 2003).
A sintomatologia da patogenia, segundo KATZ e ALMEIDA (2003) depende de uma série de fatores: a linhagem do parasito, a idade, o estado nutricional, a imunidade do hospedeiro e, principalmente, a carga parasitária, ou seja, a quantidade de parasitos que infectou o paciente. Na maioria dos casos de infecção esquistossomótica, os efeitos patológicos mais importantes são observados na fase crônica da doença, quando pode haver comprometimento hepático e consequente hipertensão portal. Entretanto, na forma inicial pode haver consequências graves como paraplegia, conforme às Diretrizes Técnicas Vigilância Da Esquistossomose Mansoni (CASTRO, MARCELINO E MENEZES, 2014).
A esquistossomose é uma doença endêmica parasitária típica das Américas, Ásia e África. Mas, de todas as espécies de Schistosoma que parasitam o homem, somente S. mansoni existe na América (PASSOS et al., 1998). As medidas preventivas são muito mais difíceis devido a fatores que vão desde a efetiva propagação dos hospedeiros intermediários até às péssimas condições de vida da população (CASTRO, MARCELINO E MENEZES, 2014).
No Brasil, a esquistossomose mansônica é endêmica em vasta extensão do território e considerada, ainda, um grave problema de saúde pública, porque acomete milhões
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de pessoas, provocando, anualmente, um número expressivo de formas graves e óbitos segundo a Vigilância e Controle de Moluscos de Importância Epidemiológica
(AMARAL; THIENGO; PIERI, 2008). Pondera-se uma prevalência de 5,4% de indivíduos
contaminados pelo S. mansoni (COURA & AMARAL, 2004), dentre eles por volta de 30 milhões vivem em regiões endêmicas, impactando praticamente em todos os estados brasileiros, com enfoque nas regiões do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste (KATZ & PEIXOTO, 2000; OLIVEIRA ET AL., 2004).
O primeiro registro da infecção humana pelo S. mansoni no Brasil foi realizado no estado da Bahia por Pirajá da Silva em 1908, ou seja, completou centenário em 2008, o qual batizou a espécie como S. mansoni em homenagem aos achados semelhantes de Manson em portadores da infecção na África (CARMO e BARRETO, 1994; COURA e AMARAL, 2004).A esquistossomose, xistose, barriga d'água ou doença do caramujo chegou ao Brasil, vinda da África, na época da escravidão. A doença chegou pelo Nordeste e encontrou todas as condições favoráveis à sua instalação: altas temperaturas, saneamento básico deficitário, população humana exposta, caramujos hospedeiros em abundância e grande quantidade de córregos, lagoas, represas e valas de irrigação conforme a cartilha Educação em Saúde para o controle da esquistossomose (MASSARA; MARCELINO; ENK, 2018).
LUZ (2009) relatou que expansão da malha urbana das cidades, geralmente, ocorre de forma desordenada, provocada pelo crescimento demográfico e pela ausência/ deficiência de planejamento e gestão urbana, atualmente a esquistossomose distribui-se mais intensamente numa faixa de terras contínuas e contíguas ao longo de quase toda a costa litorânea da região Nordeste, a partir do Rio Grande do Norte em direção ao Sul, incluídas as zonas quentes e úmidas dos estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, onde se interioriza alcançando Minas Gerais, no Sudeste, seguindo o trajeto de importantes bacias hidrográficas conforme a vigilância da esquistossomose diretrizes técnicas(CASTRO, MARCELINO E MENEZES, 2014).
Conforme NOVAES et al., (1999) a esquistossomose chegou no Brasil em meados do século XVI, disseminando-se a partir de 1920. No Nordeste, em especial no Estado do Rio Grande do Norte, onde está localizado a bacia hidrográfica do Rio Maxaranguape, a qual é uma das mais importantes do Estado, pela sua localização e pelo seu potencial hídrico. O Rio Maxaranguape apresenta uma área territorial de
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drenagem de 1010 km2, banhando os municípios de João Câmara, Pureza, Ceará-Mirim e Maxaranguape. Tem o seu nascedouro no município de João Câmara, na localidade de Buraco Seco e outra nascente perene na cidade de Pureza, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Entre os municípios, Pureza-RN apresenta zona rural e urbana, nas quais existem relatos de casos positivos (Barbosa et al, 1966). Entre 2008 a 2017 algumas das localidades foram analisadas sendo elas Barro Vermelho, Bebida Velha 1, Boa Vista, Colononia, Caruru, Jardim, Meceio, Olho D´Agua, Porteirinha, Pureza, Tapera, Bebida Velha 2, Centro, Nova Descoberta, Alto Santo, Arrepiado, Cana Brava, Lagoa De Prata, Nascença, Alegria, São Jose De Itabaiana. Estas localidades foram analisadas neste trabalho de conclusão de curso.
Diante dos casos positivos de esquistossomose medidas de prevenção desta doença deveriam ser tomadas e, por isso, um programa em especial foi criado com objetivo de reduzir a morbidade através, inicialmente, do tratamento em massa e de um controle do molusco vetor. Esse programa específico para tal ergueu-se no Brasil em 1975, sendo substituído, posteriormente, pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE), na década de 1980 e que perdura até os dias atuais.
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Conforme comprovou Ruffer, em 1910, a esquistossomose originou-se nas bacias dos rios Nilo, na África, e do Yangtze, na Ásia. Ovos de Schistosoma sp foram encontrados em vísceras de múmias egípcias em 1.250 a.C.. No Cairo, em 1852, Theodor Bilharz identificou, pela primeira vez, em necropsia de veias mesentéricas, os vermes que ficaram conhecidos como “esquistossomos”. Daí a denominação de “bilharziose” ou “bilharzíase” como sinonímia para esquistossomose. Desses pontos de origem, a esquistossomose mansonica, foi se expandindo para outros continentes à medida que os meios de transporte se desenvolveram e permitiu grandes fluxos migratórios (CASTRO, MARCELINO E MENEZES, 2014).
A região Nordeste e o estado de Minas Gerais foram as primeiras áreas endêmicas da esquistossomose mansoni, no Brasil. A partir daí a doença se espalhou pelo país. No Sudeste, surgiram focos isolados no Rio de Janeiro, Espírito Santo e em São Paulo. O norte do Paraná, no Sul do país, também se tornou uma área endêmica. Outros três focos da doença foram descritos, recentemente, em mais dois estados sulinos: dois em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul. (KATZ e ALMEIDA, 2003). Segundo o Ministério da Saúde (2014) a introdução da esquistossomose no Brasil se deu por meio do tráfico de escravos originários da costa ocidental da África, que ingressaram no país principalmente pelos portos de Recife e Salvador para trabalharem nas lavouras de cana-de-açúcar. Com o início do ciclo do ouro e diamante e o declínio da produção açucareira no Nordeste, um fluxo migratório intenso introduziu a endemia em Minas Gerais, como mostra na figura 1. Uma vez introduzida em nosso território, encontrou condições favoráveis à transmissão, constituindo hoje, pela sua magnitude e transcendência, um importante problema de saúde pública, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste do País conforme a Diretrizes Técnicas Vigilância Da Esquistossomose Mansoni.
18 Fonte: BRASIL, 1998, com adaptações feitas por Heloisa M. N. Diniz
Estima-se que aproximadamente 25 milhões de pessoas estejam expostas ao risco de contrair a doença, e que 2,5 a 6 milhões se encontram infectadas (WHO, 2009). As áreas endêmicas e focais abrangem 19 unidades federadas. A esquistossomose ocorre de forma endêmica nos estados de Alagoas, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e a distribuição espacial da esquistossomose não é homogênea. As áreas mais afetadas são caracterizadas por condições precárias ou inexistentes de saneamento básico, pobreza e baixos níveis de escolaridade (BRASIL, 2011d). Além do adoecimento, o risco de óbito por esquistossomose é uma realidade. Atualmente é considerada como grave problema de saúde pública, uma vez que se trata de doença prevenível e tratável, provocou no período de 1990 a 2010 um número expressivo de formas graves, com uma média de 1.567 internações e 527 óbitos (BRASIL, 2011b; 2011e).
No Brasil é conhecida popularmente como "barriga-d'água", "xistose" ou "mal do caramujo", compreendendo mais de seis milhões de pessoas por ano (SANTOS, 2008). É adquirida pela pele e pelas mucosas devido ao contato do homem com águas contaminadas com as formas infectantes de S. mansoni, trematódeo, o qual apresenta uma diferença em relação as outras subclasses da classe trematódea, pois além dos
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machos exibirem uma peculiaridade com menos de 10 massas testiculares, eles apresentam dimorfismo sexual (sexo separados), como mostra a figura 2. Para que ocorra a transmissão da doença, é indispensável a presença do homem na condição de hospedeiro definitivo, que excreta os ovos do verme pelas fezes. A transmissão ocorre através do contado do homem com a água contaminada nos locais onde existem moluscos do gênero Biomphalaria spp., infectada com as cercárias do verme como ilustrado na figura 3. É, pois, indispensável a presença desses caramujos aquáticos, que atuam como hospedeiros intermediários (Figura 2), liberando as larvas infectantes do S. mansoni (os miracídios) nas coleções hídricas utilizadas pelos seres humanos susceptíveis à doença (ALENCAR, 2009). A presença do hospedeiro intermediário constitui condição necessária para que se desenvolva o ciclo do parasita como mostra a figura 4.
Figura 2 – Concha do Caramujo sp., Hospedeiro intermediário para S. mansoni, a
Esquerda. À Direita adultos de S. mansoni: Gineófaro em cópula.
Fonte: (Cdc.gov, 2018)
20 Fonte: Alan Lane de Melo – UFMG (2008).
Figura 4 - Ciclo biológico do S. mansoni
Fonte: CARVALHO et al., 2008.
O município de Pureza (Figura 5), pertencente ao estado do Rio Grande do Norte (Brasil), apresenta uma estimativa de aproximadamente 9.516 habitantes, e
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está localizado ao norte de Natal. Seu nome já revela sua principal atração: as águas cristalinas da Fonte de Pureza, uma das principais vazões de água do Estado e que abastece diversos municípios ao seu redor. (IBGE, 2014)
Por iniciativa do Dr. José Inácio Fernandes Barros, um frequentador da localidade e entusiasta defensor das qualidades medicinais das águas límpidas das nascentes, o povoado passou a se chamar Pureza e no dia 25 de maio de 1891, a povoação de Pureza foi elevada à categoria de Distrito. Seu ritmo gradativo de prosperidade continuava, até se tornar Município (IBGE, 2014).
Pureza guarda todo o charme de pequena cidade do interior, o município era
um pequeno povoado ladeado por árvores chamadas pau-ferro, uma maravilhosa taça de pedra de onde brota o extraordinário manancial de água cristalina irrigando o leito do rio Maxaranguape. As águas perenes do Maxaranguape, as quais deixavam riquezas por onde passavam, transformavam as terras em férteis e fecundos vales, ensejando, assim, a prática da agricultura, com isso surgiram os canaviais e os engenhos, que deram sentido de fartura ao território e também proporcionavam circunstâncias ambientais que favoreceram à instalação do verme e do caramujo transmissor (Biomphalaria spp.). Sua persistência e com o processo de urbanização, que resultaram na intensa transitoriedade da população, possibilitando, assim, a disseminação da EM para demais regiões, expandindo-se para além das regiões rurais, chegando até os centros urbanos. (BARBOSA, 1966)
Figura 5 - Mapa do Rio Grande do Norte e localização de Pureza RN
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A população foi aos poucos formando pequenos núcleos populacionais, nos quais as condições sanitárias precárias favoreciam o contato de fezes das pessoas parasitadas com os hospedeiros intermediários suscetíveis. O município de Pureza (RN) apresenta positividade para esquistossomose manspnica em localidades como: Barro Vermelho, Bebida Velha 1, Boa Vista, Colononia, Caruru, Jardim, Meceio, Olho D´Agua, Porteirinha, Pureza, Tapera, Bebida Velha 2, Centro, Nova Descoberta, Alto Santo, Arrepiado, Cana Brava, Lagoa De Prata, Nascença, Alegria, São Jose De Itabaiana. Essas foram analisadas durante o período de 2008 a 2017.
No presente estudo, os dados obtidos pelo Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE/SESAP-RN) é de grande importância para nortear políticas públicas visando a erradicação dessa doença infecto parasitaria totalmente evitável no nosso país. Este estudo foi realizado com o apoio da Secretaria Municipal Saúde de Natal (RN), pelo Setor de Vigilância Epidemiológica conjuntamente com a SESAP/RN/MS, através do PCE, tendo como finalidade principal alertar as autoridades sanitárias para a execução do PCE neste município, principalmente nas localidades mais afetadas.
Por ser uma doença de notificação compulsória nas áreas não endêmicas, segundo a Portaria SVS/MS nº 5, de 21 de fevereiro de 2006, recomenda-se que todas as formas graves na área endêmica sejam notificadas, além de todos os casos diagnosticados na área endêmica com focos isolados. Os casos confirmados devem ser notificados e investigados por meio da ficha de investigação (Figura 6) de casos de Esquistossomoses, através do SINAN. Nas áreas endêmicas, é empregado o Sistema de Informações do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (SISPCE), para os registros de dados operacionais e epidemiológicos dos inquéritos coproscópicos. Esse programa trouxe bons resultados como a diminuição drástica do número de casos da esquistossomose hepatoesplênica, que não raramente pode levar o paciente à morte (KATZ E ALMEIDA, 2003).
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Figura 6 - Ficha de notificação/investigação
Fonte: (Portalsinan.saude.gov.br, 2009)
2.1 – Manifestação da doença
2.1.1- Fase inicial
Coincide com a penetração da cercária na pele, que pode ser assintomática ou apresentar dermatite cercariana (Figura 7) que é caracterizada por micropápulas “avermelhadas”. Após isso, ocorre surgimento dos sintomas que em geral, duram de 24 horas a 72 horas, podendo chegar até 15 dias (BRASIL, 2008).
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A forma sintomática pode apresentar-se com sintomas inespecíficos como febre, calafrios, urticária, diarréia, emagrecimento, até um quadro semelhante ao de sepse e que pode ser causa de óbito (Neves, 1986). Aproximadamente dois meses após aparecerem os sintomas inespecíficos, como febre, cefaleia, anorexia, mialgia, diarreia, astenia e tosse, surge a fase aguda da esquistossomose(BRASIL, 2008). O volume do fígado e do baço aumentam de tamanho de forma discreta e o indivíduo apresenta um estado geral sensível, que em alguns casos pode chegar a óbito. Em zonas endêmicas a sintomatologia é difícil de ser encontrada, pois o indivíduo desde a infância tem contato com a forma larvária infectante, a cercária (Figura 3), e acaba por desenvolver certa resistência. Nesses indivíduos, a forma aguda pode passar despercebida, pela pobreza de sintomas e pela inespecificidade do quadro clínico, o qual é similar ao de outras doenças infecciosas agudas (NEVES, 1986; PRATA, 1997; BARBOSA ET AL., 2001).
Figura 7 – Reação alérgica após penetração da cercária Fase Aguda da esquistossomose mansônica.
Fonte: (Paho.org, 2014)
2.1.2- Fase Crônica
A esquistossomose mansônica pode apresentar distintas manifestações na fase crônica e o fígado é o órgão mais frequentemente comprometido. Dependendo da maior ou menor suscetibilidade do indivíduo e da intensidade da infecção, e pode ocorrer a evolução da doença para diversas formas clinicas segundo o Cadernos de Atenção Básica Vigilância em Saúde, sendo elas:
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I) Intestinal
A mais comum. Pode ser assintomática ou caracterizada por diarreias repetidas, do tipo mucosanguinolentas ou não. Embora exista, frequentemente, queixas abdominais, o fígado e o baço não são palpáveis. (BRASIL, 2008)
II) Hepatointestinal
Nesta forma os sintomas intestinais são semelhantes aos descritos para a forma intestinal, sendo, porém, mais frequentes os casos com diarreia e epigastralgia. Na palpação do fígado pode-se perceber a presença de nodulações grosseiras e de tamanhos variáveis, causadas por áreas de fibrose do tecido hepático e o volume encontra-se aumentado, já o baço não é palpável (BRASIL, 2008).
III) Hepatoesplênica
Na forma hepatoesplênica, o estado geral do paciente fica comprometido. O fígado e o baço são palpáveis, o que caracteriza essa fase da doença. As lesões especificas intra-hepáticas são, em número de extensão, suficientes para causar transtorno na circulação da veia porta. Há manifestações de algum grau de hipertensão, tanto que a esplenomegalia se deve mais à congestão do baço que as lesões esquistossomóticas propriamente ditas. Pode haver indícios da formação de circulação colateral e varizes esofagianas. A quase totalidade dos pacientes de fase crônica não refere história de fase aguda (PRATA & COURA, 2008).
2.2 – Tratamento
A medicação segura e eficaz disponível para o tratamento da esquistossomose urinária e intestinal, é o Praziquantel (PZQ), um medicamento prescrito que deve ser tomado por 1-2 dias para tratar infecções causadas por todas as espécies de esquistossomos(CDC, 2018). O Praziquantel é ativo contra todos os esquistossomos humanos e de animal (como S. mattheei), administrado em dose única por via oral, de 40 mg/kg, porém em infecções pesados é recomendado utilizar duas doses de 25 mg/kg ou 30 mg/kg, com um intervalo de uma dose para outra de quatro horas
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(NEVES, 2012).
A taxa de cura com doses de 40mg/kg é muito bem-sucedida chegando a 78% de cura da Esquistossomose Mansônica no Brasil. Já na África o sucesso foi teve sucesso de 70 a 100% com a dose de 60 mg/kg. Seus efeitos colaterais são: náuseas, diarreia, urticaria, cefaleia, tontura e sonolência. (REY, 2013).
Outro medicamento é o oxamniquine (OXA), o qual é administrado em dose única por via oral de 15 mg/kg para adultos, já para crianças utiliza-se o de 20 mg/kg para crianças com menos de 30 quilos, sendo administrado em duas doses de 10 mg/kg cada uma com intervalo de 4 a 6 horas. É recomendado tomá-la após a refeição. Seus efeitos colaterais são: náuseas, vômitos, cefaleia, sonolência e diarreia, excitação mental, alucinações ou convulsões. (REY, 2013).
No uso do PZQ há uma vantagem peculiar, pois, as infecções por trematódeos em geral são tratadas por PZQ para todas as formas de esquistossomose, enquanto que o OXA só é eficaz para S. mansoni, preferencialmente machos (REZENDE, 1985).
2.3 – Programa de controle a esquistossomose
O controle sistemático da esquistossomose no Brasil foi implementado em 1975, através do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE) pela Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM), com objetivo de reduzir a morbidade através, inicialmente, do tratamento em massa e o controle do molusco vetor. Suas ações eram centralizadas e verticalizadas e perpassavam os serviços de saúde sem a devida comunicação (PAIM, 2006a), posteriormente foi substituído pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE), na década de 1980.
A implantação do sistema informatizado do PCE (SISPCE) iniciou-se em 1995 com a criação de formulários. A informação processada e a liberação dos relatórios começaram a partir de 1996, porem dependendo da implantação gradativa de cada estado (Yamada, 2007). Com a descentralização das ações de vigilância e controle de doenças, em 1999, a execução das ações do PCE passou a ser de responsabilidade compartilhada (através da Portaria 1399/99), e os municípios passaram a exercer um papel fundamental. (BRASIL, 1999; FAVRE 2001).
Segundo Yamada o programa de controle da esquistossomose (PCE) ajuda no mapeamento desta doença parasitaria e, consequentemente, na orientação das
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políticas de controle da doença, podendo acessar a conteúdos como a quantidade de ovos e tipos de parasitas de acordo com o estado, município, regiões de saúde entre outras variáveis, visando a correta realização das atividades do PCE. Este deve ser realizada em âmbito municipal, com estratégias como delimitação demográfica, inquéritos coproscópicos censitários, tratamento de infectados, controle de planorbídeos, medidas de saneamento ambiental, educação em saúde, vigilância epidemiológica e alimentação anual do Sistema de Informação do PCE (SISPCE). Essas atividades devem ser incorporadas à rotina desenvolvida pela Estratégia Saúde da Família (ESF) (BRASIL, 2004; BRASIL, 2008). Sendo, assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) responsável pela execução dos programas de saúde, dentre eles o PCE.
2.4 – Vigilância Epidemiológica
As ações de vigilância epidemiológica e de controle da esquistossomose devem estar inseridas na rotina da Atenção Básica, que objetivasse identificar precocemente as condições que favorecem a ocorrência de casos e a instalação de focos de transmissão da doença.
Para a detecção precoce e o tratamento oportuno dos casos destacam-se: indicar medidas para reduzir o risco de expansão geográfica da doença; a educação em saúde; o planejamento de inquéritos epidemiológicos sobre a população, o controle do hospedeiro intermediário; hábitos da população em relação ao uso de água contaminada; reduzir a prevalência da infecção, da contaminação da água ou contato com a mesma e reduzir a ocorrência de formas graves e óbitos.
Por outro lado, dentre as condições que favorecem a ocorrência de casos, destacam-se: a grande área geográfica de distribuição dos caramujos hospedeiros intermediários; os movimentos migratórios, de caráter transitório ou permanente, de pessoas oriundas das áreas endêmicas; deficiência de saneamento domiciliar e ambiental; deficiência de educação em saúde das populações sob risco de transmissão da esquistossomose (CASTRO, MARCELINO E MENEZES, 2014).
3 – EPIDEMIOLOGIA
No Brasil, a esquistossomose mansônica é endêmica em vasta extensão do território e considerada, ainda, um grave problema de saúde pública, porque acomete
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milhões de pessoas, provocando, anualmente, um número expressivo de formas graves. A OMS estima que as esquistossomoses afetam 200 milhões de pessoas (GOMES et al., 2016) e representam ameaça para mais de 600 milhões de indivíduos que vivem em áreas de risco. A esquistossomose mansoni ocorre endemicamente em 54 países. (Figura 8).
Figura 8 Distribuição global da Esquistossomose
Fonte: SOUZA, 2015.
Segundo a Diretrizes Técnicas Vigilância Da Esquistossomose Mansoni, no período de 2003 a 2012, a média de portadores de S. mansoni identificados por meio de inquéritos coproscópicos foi de 101.293. De 2000 a 2003 o percentual de positividade situou-se na média de 7,0%. A partir de 2004, esse percentual decresceu gradativamente e alcançou 4,5% em 2012 (Tabela 1). Evidencia-se que o indicador de percentual de positividade não reflete necessariamente a prevalência, na medida em que não utiliza como denominador a totalidade da população sob risco ou uma parcela representativa desta; pode ser considerado apenas como uma aproximação da prevalência, especialmente em populações menores, como as que estão representadas na maioria das localidades trabalhadas pelo PCE.
As maiores prevalências da esquistossomose são encontradas nas regiões Nordeste e Sudeste do País (Tabela 1).
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Tabela 1 – Percentual de positividade para esquistossomose mansônica no Brasil entre 1975 - 2012
Fonte: Sistema de Informação do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose – SISPCE/SVS/MS.
4 - OBJETIVO
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Identificar e avaliar a prevalência da esquistossomose mansônica no período de 2008 a 2017, na zona rural e urbana de Pureza/RN-Brasil entre o período de 2008 a 2017.
4.2 – Objetivos Específicos
• Conhecer no município o real índice positivo de EM, nas localidades pesquisadas pelo PCE/MS entre o período de 2008 a 2017;
• Analisar a eficiência do Programa de Controle da Esquistossomose nos anos avaliados;
• Apresentar as autoridades municipais e estaduais os dados analisados com objetivo de alertar para a necessidade de execução do PCE, além de contribuir para a formação de alunos que possam atuar na vigilância epidemiológica da esquistossomose mansônica.
5 – MATERIAIS E MÉTODOS
A análise dos dados procedeu com embasamento estatístico através da construção de gráficos e planilhas do programa eletrônica Microsoft Office Excel 2016, onde foram plotados em planilha eletrônica para verificar a eficiência do PCE entre os
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anos de 2008 a 2017. Sendo eles analisados sob a perspectiva da epidemiologia descritiva com variáveis como: localidade e anos no período entre 2008 a 2017.
O estudo em questão é uma análise descritiva, no qual procurou-se identificar informações adquiridas por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde Pública de Pureza pelo Setor de Vigilância Epidemiológica nas localidades de: Barro Vermelho, Bebida Velha 1, Boa Vista, Colononia, Caruru, Jardim, Meceio, Olho D´Agua, Porteirinha, Pureza, Tapera, Bebida Velha 2, Centro, Nova Descoberta, Alto Santo, Arrepiado, Cana Brava, Lagoa de Prata, Nascença, Alegria, São Jose de Itabaiana. Nas localidades citas foram entregues recipientes coletores de fezes com um código referente a cada integrante da família, por residência, de forma que no dia consecutivo os agentes de saúde voltavam para recolher as amostras, dando baixa no boletim diário, e encaminhando as amostras para o Laboratório de Vigilância e Epidemiologia de Pureza. Neste laboratório foram realizados as analises coproscópicas pelo método de Kato-Katz.
O método Kato-Katz é utilizado para inquéritos coproscópicos de rotina e investigações epidemiológicas, é a técnica mais utilizada pelos programas de controle e recomendada pela organização mundial da saúde, para o diagnóstico são examinadas duas amostras com duas lâminas de Kato-Katz por pessoa.
No presente estudo procuramos identificar informações adquiridas por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde Pública de Pureza pelo setor de vigilância epidemiológica conjuntamente com a Secretaria Estadual De Saúde Pública Do Rio Grande Do Norte.
Os dados obtidos pelo setor de Vigilância da Secretaria de Pureza, foram enviados através de relatório mensal para a Secretaria Estadual De Saúde Pública, onde estas informações são registradas no Programa de Controle a Esquistossomose (PCE); E sucessivamente enviados para Brasília, através do sistema de informação do programa de controle da esquistossomose (SISSPEC/SVS/MS).
6 - RESULTADOS E DISCUSSÕES
No nordeste do Brasil o estado do RN ainda é considerado uma área endêmica de importância relevante para a transmissão dessa doença negligenciada. No
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município de Pureza os dados obtidos dos casos positivos de EM. No ano de 2008 observou-se que em apenas três localidades os dados foram coletados, (Gráfico 1). Nessas localidades o Centro apresentou com um maior número de positividade da EM, seguida por Nova descoberta com 18 casos e Jardim com 16 casos positivos. Esse fato ocorreu, provavelmente, devido à falta de eficiência ao exercer o Programa de Controle da Esquistossomose.
Gráfico 1 - Números de casos de esquistossomose mansônica no município de Pureza em 2008.
Fonte: Elaborado pela autora
Nos anos de 2009 e 2010 não houve coleta. Portanto, no ano de 2011 é possível observar no gráfico 2, que foram trabalhadas um número maior de localidades, onde Olho D‘água foi o local com o maior número de casos de EM com (24 casos). Neste ano verificou-se, também, uma redução de casos positivos em Jardim, Nova Descoberta, reduzindo para 10 e 14 respectivamente. Observou-se ainda que houve localidades com zero casos de EM, foram eles: Arrepiado, Colônia, Lagoa de Prata, Maceió, Nascença e Porteirinha. Esse resultado é de grande importância, possivelmente, pode estar associado a atividade do PCE.
16 32 18 0 5 10 15 20 25 30 35
JARDIM CENTRO NOVA DESCOBERTA
Nú m e ro d e ca so s p os it iv os d e E M Localidades analisadas em 2008 POSITIVOS
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Gráfico 2 – Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2011.
Fonte: Elaborado pela autora
No ano de 2012 novas localidades foram analisadas, além das já vistas nos anos anteriores, onde de quatro localidades apenas duas apresentaram casos positivos: Cana Brava e Alegre, com 2 e 5 casos, respectivamente. Já Pureza e São José de Itabaiana apresentaram zero de positividade (Gráfico 3).
Gráfico 3 –. Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2012. 0 2 5 0 6 10 0 0 0 24 0 7 14 0 5 10 15 20 25 30 Localidades Analisadas em 2011 POSITIVOS
34 Fonte: Elaborado pela autora
No ano de 2013 apenas o Centro e Jardim foram trabalhados como mostrado no gráfico 4, havendo 16 casos positivos no Centro e 2 em Jardim, mostrando assim uma diminuição de casos positivos em Jardim, quando comparado com o ano de 2008. Isso indica, possivelmente, que essa redução foi devido a falta da eficiência dos responsáveis pelo programa.
Gráfico 4 – Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2013 2 0 0 5 0 1 2 3 4 5 6
CANA BRAVA PUREZA SÃO JOSE DE ITABAIANA
ALEGRIA
Localidades analisadas em 2012
35 Fonte: Elaborado pela autora
No gráfico 5 pode-se observar que no ano de 2014 o número de localidades analisadas foi a maior quando comparado nos anos anteriores, revelando que Bebida Velha 1 apresenta o maior número de casos positivos com 27 deles, em seguida Olho D’ água com 21, em terceiro Pureza com 12 casos positivos e em quarto lugar Nova Descoberta com 11 casos. Pode-se observar que houve um aumento nos casos positivos, possivelmente por não ter sido analisado no ano anterior e os indivíduos não forem tratados e continuaram transmitindo a parasitose.
2 16 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 JARDIM CENTRO Localidades analisadas em 2013 POSITIVOS
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Gráfico 5 – Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2014
Fonte: Elaborado pela autora
No ano de 2015 não ocorreu coleta. Já no ano de 2016 houve uma exceção, pois foi verificado apenas um caso positivo na localidade de Olho D’ água, o que faz perceber que este município precisa ser mais assistido pelas autoridades competentes, e assim o Programa de Controle a Esquistossomose tenha uma efetividade ativa (Gráfico 6).
0 27 9 1 7 8 1 21 4 12 2 4 9 11 0 5 10 15 20 25 30 Localidades analisadas em 2014 POSITIVOS
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Gráfico 6 - Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2016
Fonte: Elaborado pela autora
Em 2017, 11 localidades foram avaliadas, onde o número de casos positivos diminuiu quando comparado aos anos anteriores. Pode-se observar que as localidades como Centro, Alegria e Olho D’ água não apresentaram positividade, inferindo-se que as políticas públicas, juntamente com a PCE estão proporcionando uma melhora na qualidade de vida, onde se visa a erradicação dessa terrível doença
0 0 0 0 0 1 0 0 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 Localidades analisadas em 2016 POSITIVOS
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tropical negligenciada que ainda tem presença marcante no município estudado (Gráfico 7).
Gráfico 7 - Número de casos de esquistossomose mansônica por localidades no município de Pureza em 2017
Fonte: Elaborado pela autora
O gráfico 8, mostra uma sinopse do PCE no período entre 2008 a 2017. Nele estão reunidos o ano, exames, o percentual de positivos e os exames realizados nos anos estudados. Observou-se, assim, a diminuição no número de casos positivos em 2012 e 2013 quando comparado ao ano de 2008. Em 2011 e 2014 houve um aumento no número de casos positivos comparado as de 2008. No ano de 2017 observou-se
1 1 5 5 1 2 0 6 2 0 0 0 1 2 3 4 5 6 7 Localidades analisadas em 2017 POSITIVOS
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uma diminuição a porcentagem de positivos comparado aos de 2011 e 2014. Entretanto, as Políticas Públicas de Saúde devem se intensificar neste município, pois observou-se nos anos analisados que o número de localidades a cada ano não teve um padrão de acompanhamento necessário para uma prevalência fidedigna da esquistossomose mansônica no município de Pureza/RN.
Gráfico 8 – Sinopse dos casos de EM no município de Pureza/RN nos anos de 2008 a 2017
Fonte: Elaborado pela autora
Partindo-se do princípio da eficiência do PCE, é importante ressaltar a necessidade da pesquisa através desse Programa, pois além de fazer o acompanhamento nas casas dos pacientes, os quais apresentam casos positivos, acompanha-se também caso a caso desde o descobrimento da doença até remissão dos sintomas ou cura da doença, visando tratamento e resolução definitiva. O PCE
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 1,82% 0 0 3,56% 1,12% 1,32% 5,35% 0 100% 2,58% 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Sinopse dos anos de 2008 a 2017
Anos Exames Realizados Positivos (%) E x a m e s R n o M u n ic íp io d e P u re za Anos Trabalhados (2008 - 2017)
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conta com a participação de agentes de endemias que trabalham em contato direto com a população e, para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, esse é um dos fatores mais importantes para garantir o sucesso do trabalho, sendo eles os responsáveis por informar a população a respeito da gravidade da patologia, promovendo uma integração entre as vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental. Conforme Santos do Amaral e colaboradores (2006) a esquistossomose mansônica ainda é considerada um grande problema de saúde pública devido à grande extensão da área de transmissão, ao grande número de portadores e ao significativo número de casos graves e mortes que ela ocasiona todos os anos. Portanto, é necessária uma intensa atividade de controle e/ou erradicação com as seguintes atividades: identificação dos focos dos vetores, inquéritos parasitológicos e macológicos, tratamentos dos casos notificados, intervenção, por meio de afastamento da exposição ao fator de risco e educação continuada. É importante ainda o envolvimento de políticas públicas de saúde e ações contínuas de Educação em Saúde, acompanhadas de intervenções na área social e ambiental, a fim de aumentar a conscientização da população na adoção de atitudes que diminuam a infecção e de melhorar os resultados das intervenções para o controle da endemia (Barbosa, et al, 2008).
Analisando as ocorrências de anos anteriores ao do nosso ao do nosso estudo sobre a esquistossomose no município de Pureza-RN, a tabela 2 mostra a eficiência do Programa de Controle da esquistossomose na zona rural no ano de 1966 (Barbosa et al., 1966), A tabela 2 mostra a distribuição das formas clínicas da esquistossomose mansônica, por grupo etário e sexo, e o grande número de casos positivos. Ao comparamos com a tabela 3, que expõe os dados da distribuição da EM na zona urbana em Pureza, pode-se observar que o número de casos positivos também é alto, o que reforça que a esquistossomose se expandiu amplamente no País. O Brasil é considerado uma das principais áreas de distribuição da doença no mundo, não somente devido à vastidão de sua zona endêmica e à existência de grande número de pacientes portadores de formas graves da doença, mas também pela expansão desta endemia para outras áreas do país, até então indenes como a Região Sul. Esta se tornou uma doença endêmica, mostrando sua magnitude e sua prevalência, associada à severidade das formas clínicas e a sua evolução (Caldeira et al., 2005)
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Tabela 2 – Distribuição das formas clínicas da esquistossomose mansônica, por grupo etário e sexo. Na zona rural de Pureza/RN
Fonte: Barbosa et al., 1966
Tabela 3 – Distribuição das formas clínicas da esquistossomose mansônica por grupo etário e sexo. Na zona urbana de Pureza/RN
Fonte: Barbosa et al., 1966
Segundo MARIN et al. (2003), é preciso sensibilizar as autoridades para cuidar das reservas municipais de água e da rede de saneamento do município. É necessário ainda propor campanhas educativas com relação às medidas de higiene pessoal e doméstica, cuidados com alimentos e água potável. Deve-se também atentar na educação continuada não só no tratamento da doença, mas também no processo de
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educação da população das localidades com casos recorrentes. As políticas públicas devem ser voltadas para a ampliação de rede de distribuição de água e esgoto, conjuntamente com a preservação e despoluição de fontes de água doce, de modo que podem reduzir satisfatoriamente este agravo. Não devemos considerar apenas e unicamente a transmissão de informações verticalizadas, mas também seus conhecimentos prévios, assim com as devidas medidas de saneamento básico e melhoria do conhecimento da doença, a população admitira uma postura para não ser um possível vetor da EM.
7 – CONCLUSÕES
A análise dos casos de esquistossomose no município de Pureza-RN, notificados nos anos de 2008 a 2017, mostrou um maior número de casos no Centro no ano de 2008, também se observou uma diminuição de casos positivos nesta localidade nos anos posteriores.
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Segundo Barbosa e colaboradores (2008) o Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE) permite conhecer e dimensionar a magnitude da endemia e fornecer elementos para o planejamento das ações de controle.
E infelizmente, podemos observar que nesses anos o programa não foi realizado com eficiência o que nos leva a perceber a importância do mesmo e de atividades complementares.
Conforme KATZ e ALMEIDA, 2003 relataram que o controle da transmissão vai além da capacidade dos profissionais de saúde e deve ser feito com ações governamentais, como o saneamento básico, instalação de água e esgoto nas casas, mudanças no meio ambiente, educação sanitária, combate aos caramujos, além do diagnóstico e tratamento das pessoas infectadas.
É necessário o real interesse dos responsáveis em áreas endêmicas como em Pureza e é de grande importância a eficiência da atividade de vigilância epidemiológica, pois proporciona uma melhora nas condições de vida da população. Tendo em vista que o PCE se caracteriza como uma intervenção, pois se trata de um programa com objetivos de adequar o controle da endemia às necessidades locais, utilizando recursos humanos, financeiros, materiais para agir em situações problemáticas, concluímos que este programa deve ser continuado pois permite conhecer e dimensionar a magnitude da endemia e fornecer elementos para o planejamento das ações de controle, juntamente com o Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE).
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