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Agroquímicos: ambiente em perigo. - Portal Embrapa

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Especialista avalia

os impactos ambientais

causados pelo uso

incorreto de agroquímicos

O

desenvolvimento da química orgânica de síntese durante a Segunda Guerra M undial

e a consolidação do padrão tecnológico da agricultura cham ada m oderna tive­ ram im portância fundam ental 1 1 0 desen­

volvim ento da in d ú stria m undial de agroquímicos. A descoberta das proprie­ dades inseticidas do organoclorado DDT, em 19-59, é tida como um marco de tran­ sição nas técnicas de controle litossani- tário das culturas agrícolas. A introdu­ ção de agroquímicos organossintéticos no lirasiI leve início em 194-5, quando che­ garam as prim eiras am ostras do insetici­ da DDT.

O padrão agrícola estabelecido no

pós-guerra tem sua base tecnológica as­ sentada no uso de agroquímicos (agro- tóxicos, fertilizantes e corretivos), m e­ canização, cultivarcs de alto potencial de rendim ento e técnicas de irrigação, vi­ sando a elevação dos índices de produti­ vidade. lixiste, portanto, um a estreita relação entre a agricultura moderna in­ tensiva e a utilização de agroquímicos. A partir tia década de 1960, tal modelo agrícola loi difundido para as regiões tio Terceiro M undo, num processo conhe­ cido como Revolução Verde.

No Urasil, a adoção dos termos de­ fensivos agrícolas, produtos fitossanita- rios, pesticidas, biocidas e agroquímicos tem sido marcada por controvérsias há

anos. A legislação brasileira adotou e definiu o termo agroquímico (Lei 7.802/ 89 e D ecreto 9 8 .8 1 6 /9 0 ). O term o agroquímico é utilizado neste trabalho englobando as diferentes categorias de uso: inseticidas/acai icidas, fungicidas, herbicidas e nematicidas.

Segundo dados da FAO, as perdas na produção agrícola m undial provocadas por problemas fitossanitários estão em to rn o de 3 5%. O s assim cham ados agroquímicos, além de cumprirem o pa­ pel de proteger as culturas agrícolas das pragas, doenças c plantas invasoras, po­ dem oferecer riscos a saúde hum ana e ao am biente. O uso freqüente de agro­ químicos oferece riscos como contam

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...am plitude espacial do im pado. A im por­ tância é a ponderação do <»r:ui de signifí- cància de um impacto em relação ao fa­ tor ambiental afetado e a outros impac­ tos Pode ocorrer que um (fito impacto, embora de m agnitude elevada, não seja importante quando com parado com ou­ tros. no contexto de uma dada avaliação de impacto ambiental.

Os impactos am bientais podem ser classilicados qualitativam ente segundo seis critérios: valor, ordem , espaço, tem ­ po, dinâmica e plástica. Assim, o uso de agroquímico pode causar impactos dire­ tos e indiretos; locais, regionais e/ou glo­ bais; imediatos, de médio ou longo pra­ zo; temporários, cíclicos ou perm anen-

tes; reversíveis ou irreversíveis. Em áre­ as agrícolas, os impactos podem ainda ser de lonte difusa, causados pela contam i­ nação proveniente da aplicação regular, ou pontual, quando ocorre descarga (aci­ dental ou não) durante o transporte e manuseio dos agroquímicos. Os im pac­ tos podem ocorrer nos meios físieo-quí- mico (abiótieo), biótico e sócio-cconô- mico, portanto a avaliação de impactos am bientais dos agroquímicos deve con­ templar, sempre que possível, os aspec­ tos ecológicos, sociais e cconomicos m an­ tendo estreita relação com o conceito de sustentabilidade agrícola.

Os impactos, na dim ensão ecológica, podem ser classificados segundo o com ­ partim ento afetado: solo, água, planta e atmosfera. No que diz respeito à classi­ ficação quantitativa dos impactos, é im­ portante com preender que a m esm a é feita para se ter uma visão tia m agnitude

do impacto, ou seja. do grau dc altera­ ção no valor de um atributo ambiental, em termos quantitativos. Além da qua­ lificação dos impactos pela apresentação de informações exclusivamente num éri­ cas, as avaliações de impactos am bien­ tais podem apresentar informações que possibilitam a visão de m agnitude. As­ sim sendo, esses impactos podem ser clas­ sificados em inexistente, desprezível, pe­ queno, médio, alto, m uito alto.

Os impactos am bientais provoca­ dos pelo uso de agroquímicos podem ser intrínsecos e extrínsecos. Como exem­ plo de impacto intrínseco negativo pode ser citado o problema de residual pro­ longando no solo com prom etendo a su­ cessão de culturas agrícolas. Q uanto aos im pactos extrínsecos, pode ser citada, como exemplo, a contam inação de aguas superficiais e subterrâneas usadas para abastecim ento populações urbanas.

POTENCIAL DE IMPACTO AMBIENTAL

O potência, de im pacto am biental proveniente do uso de um agroquímico depende da sua toxicidade ao ser hum a­ no e da sua ecotoxicidade (a outros or­ ganismos), assim como, das suas concen­ trações atingidas nos diferentes com par­ tim entos am bientais (solo, água, planta e atmosfera). As concentrações, por sua vez, dependem da carga contam inante e do com portam ento e destino do agroquí­ mico no meio ambiente.

Antes de se executar um plano de m onitoram ento e avaliação dos impac­ tos am bientais de agroquímicos é neces­ sário que sejam definidos os objetivos e

C lá u d io S p íiíl o t t o

a abrangência e escala do trabalho que, já no seu início, deve ter os com parti­ mentos am bientais mais expostos iden­ tificados e os atributos e indicadores es­ tabelecidos.

Os objetivos do trabalho precisam ser claram ente definidos. E de fundam en­ tal im portância definir qual, ou quais os com partim entos am bientais ou recursos naturais de interesse, e alguns questio­ nam entos são necessários como, por exemplo, se pretende-se estudar a con­ tam inação de corpos,d. água superfici­ ais com respeito a potabüidadc e/ou to­ xicidade a organismos aquáticos.

A abrangência, tanto geográfica como temporal, e as respectivas unidades bá­ sicas. precisam scr previam ente defini­ das, assim como, a escala de trabalho. O utra necessidade é a definição da fre­ qüência de coleta de dados e/ou infor­ mação. l’or exemplo, um m onitoram en­ to anual feito abrangendo toda um a grande bacia hidrográfica em escala 1:100.000 não terá o mesmo detalha­ m ento de um trabalho de freqüência mensal leito em uma microbacia cm es­ cala 1:10.000.

\ identificação inicial dos com parti­ mentos am bientais c dos locais natural­ mente mais vulneráveis e mais expostos a contam inação pelo uso real ou poten­ cial de cada agroquímico de interesse pre­ cisa ser feita. Para tanto, o levantam en­ to das propriedades e condições do meie (solo. geologia, clima etc), assim como a estimativa da carga potencialm ente

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eon-nômicas; a biota e a qualidade dos re­ cursos am bientais, lista definição exclui o aspecto significància. já que considera como impacto am biental “qualquer al­ teração... ”, independente de ser ou não significativa.

Avaliação de impactos am bientais é um instrum ento de política am biental, lorm ado por um conjunto de procedi­ mentos, capaz de assegurar, desde o iní­ cio do processo, que se faça um exame sistemático dos impactos am bientais de uma ação proposta e de suas alternati­ vas. Esta definição evidencia que a ava­ liação de impactos am bientais subsidia o processo de tomada de decisão, já que se atém às ações propostas - políticas, planos, program as, novas tecnologias. No entanto, não contem pla o que é o desafio dos técnicos sobre o assunto, ou seja, a avaliação de impactos am bientais de ações repetitivas ou contínuas, já em transcurso, como as atividades da agri­ cultura.

Assim, a avaliação de impactos am ­ bientais pode ocorrer em dois m om en­ tos antes da ação potencialmente impac- tante - avaliação "ex-ante", e depois dela - “ex-post". A avaliação "ex-ante" de im­ pactos am bientais de agroquímicos é fei­ ta quando do processo de registro de um novo produto, enquanto a avaliação "ex- post” pode ser feita depois da liberação do seu uso.

Os métodos de avaliação de impac­ tos am bientais são instrum entos utiliza­ dos para coletar, analisar, avaliar, com ­ parar e organizar informações qualitati­ vas e quantitativas sobre os impactos am ­ bientais originados de uma determ ina­ da atividade modificadora do meio am ­

biente. A avaliação de impactos am bien­ tais não deve ser considerada apenas como um a técnica, mas como uma di­ mensão política de gerenciamento, edu­ cação da sociedade e coordenação de ações impactantcs.

Por vezes temos contato com os ter­ mos análise dc risco e periculosidade am ­ biental. Existem controvérsias quanto ao significado desses termos. N a análise de risco o princípio básico consiste em esti­ mar a provável concentração am biental, por exemplo de um agroquímico, e com­ pará-la com a concentração que não cau­ sa efeitos adversos aos organismos vivos. Q uanto à classificação de periculosida­ de am biental, o seu princípio consiste em definir índices qualitativos ou quantita­ tivos que possibilitam estim ar e compa­ rar o potencial relativo, por exemplo, de vários agroquímicos, em produzir impac­ tos. N orm alm ente, essa classificação considera fatores como toxicidade, bio- acum ulaçáo, m obilidade, persistência, dentre outros. Os testes ecotoxicológicos são fundam entais para a definição da pe­ riculosidade am biental, porém a avalia­ ção de impactos am biental não se res­ tringe a eles.

M agnitude e importância constituem os atributos principais dos impactos am ­ bientais, uma vez que informam sobre a significància dos mesmos. A magnitude é a grandeza de um impacto em termos absolutos, podendo ser definida como a medida de alteração no valor de um in­ dicador (fator ou parâmetro) ambiental, em termos quantitativos ou qualitativos. Para o cálculo da m agnitude deve ser considerado o grau dc intensidade, a pe­ riculosidade, a am plitude temporal e a ...

nação dos solos agrícolas, águas superfi­ ciais, águas subterrâneas, alim entos e in­ toxicação de trabalhadores rurais.

CLASSIFICAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

Um ponto de estrangulam ento nos estudos sobre m onitoram ento e avalia­ ção de impactos am bientais é a falta de nivelamento conceituai. Impacto am bi­ ental pode ser definido como qualquer alteração das propriedades físicas, quí­ micas e biológicas do meio am biente, causado por qualquer forma dc matéria ou energia resultante das atividades h u ­ manas que, direta ou indiretam ente, afe­ tam a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e

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tam inante, e o conhecim ento de suas propriedades físico-quím icas, am bien­ tais, toxicológicas e ecotoxicológicas são fundam entais.

Também logo no início do trabalho de Tionitoramento é imprescindível que os

atributos c indicadores am bientais de al­ teração e de impacto sejam conhecidos para que a avaliação seja possível. Por exemplo, os resultados analíticos de um m onitoram ento de resíduos de agroquí­ micos em um copo d água podem não dar um a idéia de sua significância sem os indicadores de impacto ambiental.

USO DE HERBICIDAS NO BRASiL

O consumo de herbicidas no Brasil foi de cerca de 174 mil toneladas de produ­ tos form ulados (comerciais) em 2000. Expresso em quantidade de ingredien- te-ativo (i.a.), representa mais de 81 mil toneladas. O consum o desses produtos difere nas várias regiões do país, onde se m isturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais, estas últimas que não in­ corporaram o uso intensivo de produtos químicos.

Os herbicidas têm sido mais usados nas regiões Sul (38,9% em 2000), Cen- tro-O este (29,9%) e Sudeste (22,8% em 2000). O consum o de herbicidas na re­ gião N orte é, com parativam ente, m ui­ to pequeno (2,0% ), enquanto na região N ordeste (6,3%) o uso está principal­ m ente concentrado nas áreas de agri­ cultura irrigada e de cana-de-açúcar. O consum o desses produtos na região Cen- tro-O este aum entou nas décadas de 70 e 80 devido à ocupação dos Cerrados e continua crescendo pelo aum ento da

área plai.lada de soja e algodão naquela região. Destacam -se quanto à utilização de herbicidas os E stad os: P araná (18,5% ’). Rio G rande do Sul (16,8), São Paulo (14,1% ), M ato Grosso (12.7%'). Goiás (10.1% ) M inas Gerais (7,4% ), e M ato Grosso do Sul (7,0%). O uanto ao consum o de herbicidas por unidade de área cultivada, a média geral no Brasil foi de 3,8 kg p.c./ha, em 2000. Em ter­ mos de quantidade total de ingiedien- tes-ativos, as culturas agrícolas brasilei­ ras nas quais mais se utiliza herbicidas são: soja, milho, cana-de-açúcar, café e arroz irrigado.

Pela elevada quantidade total desses produtos usados, algumas culturas me­ recem atenção por ocuparem extensas áreas no Brasil, como é o caso da soja, do milho e da cana-de-açúcar que foram cultivadas, respectivam ente, em 13,6;

11,6 e 4,9 milhões de hectares em 2000. Essas culturas apresentam -se como fon­ te:; potenciais de contam inação pelo uso de herbicidas com uma grande am plitu­ de espacial.

Visando utilizar o receituário agronô­ mico como fonte básica de informação sobre o uso de herbicidas, a Embrapa e o Crea-SP estabeleceram um convênio em 1993, que resultou em uma base de da­ dos. Hoje essa base perm ite essencial­ mente a emissão de relatórios sobre to­ tais de produtos utilizados por municí- ...

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Consumo de agroquímicos em algumas culturas agrícolas no Brasil, em quantidade de ingredientes-ativos, 2000.

Quantidade (toneladas) Participação (%)

Soja 32.625 39,8 Milho 19.231 23,5 Cana-de-Acúcar 10.597 12,9 Café 3.579 4,4 Arroz Irrigado 3.061 3,7 Algodão 2.834 3,5 P rtagem 2.811 3,4 Citros 1.449 1,8 Trigo 1.396 1,7 Feijão 994 1,2 Total 81.862 Fonte: SINDAG.

•pios e por culturas agrícolas no Estado de São Paulo. Além disso, a EmLrapa, através de seus projetos, vem realizando levantam entos do uso de herbicidas nas diferentes regiões brasileiras em nível local (propriedade, m icrobacia etc.). O utras iniciativas vêm sendo tomadas no sentido de caracterizar o uso de herbici­ das como, por exemplo, pela Embrapa Pantanal na Bacia do Alto Taquari, M ato Grosso de Sul, e pelo IBGE em uma re­ gião do Estado do Paraná e nos m unicí­ pios de Teresópolis e Paty de Alferes, Rio de Janeiro.

COMPORTAMENTO E DESTINO AMBIENTAL

Depois da aplicação de um agroquí­ mico, vários processos físicos, químicos,

físico-químicos e biológicos determ inam seu co m p o rtam en to . O d estin o de agroquímicos no am biente é governado por processos de retenção (adsorção, ab­ sorção), de transform ação (decom posi­ ção, degradação) e de transporte (deri­ va, volatilização, lixiviação, escoamento superficial), e por interações desses pro­ cessos. Além da variedade de processos envolvidos na determ inação do destino am biental de agroquímicos, diferenças nas estruturas e propriedades das subs­ tâncias químicas, e nas características e condições ambientais, podem afetar es­ ses processos. Condições meteorológicas, composição das populações de microor­ ganismos no solo, presença ou ausência de plantas, localização do solo na

topo-Em bra pa

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Área na qual é utilizado o modelo matemático para o monitoramento

grafia, e práticas de manejo dos solos po­ dem também afetar o destino de agro­ químicos no am biente. Além disso, a taxa e a quantidade de água movendo na su­ perfície e através do perfil do solo têm um grande im pacto no movim ento do produto.

Um entendim ento dos processos de retenção, transformação e transporte de agroquímicos no am biente, particular­ m ente em condições brasileiras, é essen­ cial para direcionar trabalhos de m oni­ toram ento e avaliação de impactos am ­ bientais (avaliação “ex-post"), nos quais é imprescindível que os atributos e indi­ cadores am bientais de alteração e de im ­ pacto sejam conhecidos para que a

ava-Corsumo de agroquímicos por unidade de área em algumas culturas agrícolas no Brasil, em t uantidade de ingredientes-ativos, 2000. Quantidade (kg/ha) Algodão 3,5 Soja 2,4 Cjna-de-Acúcar 2,2 Gtros 1,7 Café 1.6 Geral 1,8

Fontes dos dados básicos: SINDAG e IBGE.

liação seja possível.

A vaíiedade de agroquímicos usados representa muitas, diferentes classes de substâncias químicas orgânicas. Os tipos de interações desses compostos com di­ ferentes com ponentes do am biente são enorm es. Considerando os processos de transporte entre com partim entos am bi­ entais, com os quais os agroquímicos es­ tão relacionados depois de aplicados em áreas agrícolas, a lixiviação e o escoamen­ to superficial merecem destaque. O es­ coam ento superficial favorece a conta­ m inação das águas superficiais, com o produto químico sendo carreado e absor­ vido às partículas do solo erodido ou em solução. A lixiviação dos agroquímicos através do solo tende a resultar em con­ taminação das águas subterrâneas e, nes­ te caso, as substâncias químicas são car­ readas cm solução juntam ente com a água que alimenta os aqüíferos. A permanên­ cia dos agroquímicos no solo agrícola é inversamente dependente da taxa de ocor­ rência dos processos de transporte.

Vários métodos têm sido desenvolvi­ dos para o estudo e a previsão do com-EEX Cultivar

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p o rtam c n to e d estin o am bien tal de agroquímicos, e particularm ente de her­ bicidas, que vão desde o uso de parâmc- ! ros prc-estabelecidos até modelos ma- máticos. () uso de parâm etros, índices modelos orientam tanto os trabalhos a campo como as análises laboratoriais. Pa­ râmetros são valores para propriedades íísico-químicas e de com portam ento am ­ biental, tais como, solubilidade em água, pressão de vapor, coeficientes de distri­ buição entre com partim entos e tem po de meia-vida de degradação ou dissipação. í) uso de índices tem sido tam bém mui- Jifundido para se estimar, por exem- ,iü, o potencial de perdas de agroquími­ cos por lixiviação e por escoam ento su­ perficial.

Modelos m atem áticos para m oni o- ram ento são modelos funcionais que n- corporam tratam ento sim plificado Jo fluxo de água e do transporte de solutos. Um modelo é um a representação de um sistema real que leva em consideração um ü vários processos. Um modelo ma;e- iutico tem algum nível de simplificação e abstração, e o uso de modelos em tra­ balhos de m onitoram ento tem m uitos passos. Inicialm ente o propósito do mo­ nitoram ento condicionará o uso de mo­ delos e é necessário explicitam ente defi­ nir o problema e os objetivos, assim como as escalas espacial e temporal. \ infor-

nação requerida tem que ser especifica- , e um levantam ento inicial de mode- is existentes é fortem ente recom enda­ do. Se nenhum modelo existente é ade­ quado para o propósito do m onitoram en­ to, um trabalho de modelagem tem que ser conduzido.

Há um a variedade de diferentes mo­ u c o s para pesticidas. Por exernpio, C !iL

adrões de potabilidade de água para consumo humano para alguns herbicidas.

I_______________________________________

Valor Máximo Permitido (|ig/L)

Alador 20 Atrazina 2 '^ntazona 300 2,4-D 30 Glifosato 500 Metoladoro 10 Molinato 6 Pendimetalina 20 Propanil 20 Simazina 2 Trifluralina 20

Padrões de potabilidade de água para consu­ mo humano para alguns agroquímicos.

Valor Máximo Permitido (,ug/L) Atrazina 2,4-0 Endosulfan Glifosato Permetrina Trifluralina

2

30 20 500 20 20

Valor m áxim o permitido para cada agrotóxico segundo a Portaria 14 6 9 / 2 0 0 0 do Ministério da Saúde.

AiMS é um modelo geral e flexível para avaliar efeitos relativos de práticas de m a­ nejo sobre qualidade de água. O modelo GI EAMS avalia efeitos de sistemas de manejo agrícola sobre o m ovim ento de

compostos químicos na e através da zona de raiz do solo. A finalidade do modelo OPUS é estudar efeitos de condições me­ teorológicas e práticas de manejo no mo­ vim ento de água e contam inantes em pe­ quenas bacias hidrográficas. PRZM é um modelo dinâmico para simular movimen­ to de compostos químicos na zona va- dosa do solo. O modelo LEACHM sim u­ la transporte e destino de substâncias químicas em condições de campo, assim como em colunas de laboratório, que tem uma sub-rotina (LEACHP) que estima o transporte de pesticidas. C\1LS é um modelo que estima o movimento de com­ postos químicos em resposta à percola­ ção da água no solo, e também estima a degradação e a quantidade remanescen­ te no perfil do solo.

INDICADORES DE IMPACTOS AMBIEMTAiS

Depois que os com partim entos am ­ bientais de interesse e seus atributos fo-.

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Avaliação

"ex-ante"

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Monitoramento

, rem conheci­ dos, é necessá­ ria a definição dos indicadores de alterações

e de impactos ambientais. Por exempio, se a água superficial é escolhida como o com partim ento cie estudo e a ocorrência de agroquímicos como seu atributo, os ní­ veis desse produto na água podem ser considerados como indicadores de alte­ ração e de impacto.

Para distinguir entre indicadores de alteração e indicadores de impacto é ne­ cessário se estabelecer padrões ou limi­ tes para cada agroquímico em cada com ­ partim ento am biental segundo o objeti­ vo do m onitoram ento e baseados em dados toxicológicos e/ou ecotoxicológi- cos. Assim, por exemplo, se o interesse é m onitorar a potabilidade de acua para

consum o hum ano, o indicador de impac­ to pode ser o valor máximo perm itido para cada agroquímico segundo o M inis­ tério da Saúde.

Por outro lado, se o interesse é moni­ torar a qualidade da água para organis­ mos aquáticos pode-se usar padrões quí­ micos para esse fim como os propostos pela FW R Foundation (UK), que pro pôs, por exemplo, valores de 0,1 e 1.0 mg/L. como padrões provisórios para tri- fluralin com respeito à toxicidade crôni­ ca e aguda, respectivamente. O padrão provisório de q u alid a d e am b ien tal (PpOA) de cada agrotóxico é proposto

Avaliação

"ex-post"

lençol Frtalico baseado na apli­ cação de um fator de segurança à concen­ tração de não-efeito para um a espécie aquática sensível com dados ecotoxicológicos disponíveis para aquela substância química. O fator de se­ gurança é arbitrário e leva em conside­ ração a possível maior sensibilidade de outros organismos aquáticos.

Os valores de PpQA podem ser expres­ sos como concentrações médias anuais, ba­ seadas em dados dc toxicidade crônica, e como concentrações máximas para prote­ ger contra eventos de pico de concentra­ ção, baseadas em dados de toxicidade agu­ da. Dados ambientais ainda insuficientes estão disponíveis para confirmar os padrões provisórios apresentados, e os limites ana- Uticos d;' detecção que podem ser atual­ mente atingidos sao inadequados para mo­ nitorar alguns agrotóxicos.

Indicadores biológicos também podem ser usados em trabalhos de monitoramen­ to e avaliação de impacto ambiental dc agroquímicos. Assim, por exemplo, orga­ nismos aquáticos como crustáceos e pei­ xes podem ser selecionados como bio-in- dicadores de alteração c de impacto, e suas populações podem ser m onitoradas a cam po. No en tanto , cuidado especial deve ser tom ado pois mudanças nas po­ pulações desses organismos podem ser causadas por outros contam inantes e por diversos fatores am bientais como tem ­ peratura e pH da água, disponibilidade de alim ento e outros. Na prática a com­ binação de indicadores químicos e bio­ lógicos é sempre recomendável em pro­ gramas de m onitoram ento e avaliação e na formação de um sistema de informa­ ção de impactos am bientais de herbici­ das e demais agroquímicos.

C láudio A. Spadotto,

Referências

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