2015
Jornad
as Br
asilc
on
ANO 2014 - Nº 4 |Nesta Edição
Renove sua Associação... página 1
Depoimentos ... página 2
Destaques ... página 3
Jornadas Brasilcon ... páginas 3 a 6
Notícias ... páginas 6 e 7
Notícias de Jurisprudência ... página 7
Lançamentos Editoriais ... página 7
Artigos ... página 8
RENOVE SUA ASSOCIAÇÃO
AO BRASILCON
O ano de 2014 foi sem dúvida alguma repleto de
realizações para o Instituto Brasileiro de Política e
Direito do Consumidor – BRASILCON. Nele promovemos
a décima segunda edição do maior evento de Direito
do Consumidor do País na cidade de Gramado (RS),
que culminou com a Carta de Gramado, divulgada nos
principais meios de comunicação do Brasil e enviada
à Presidência da República, a qual nos respondeu
informando que os PL 281 e 283 de 2012 possuem
atenção especial da Presidente.
As Jornadas Brasilcon de Atualização do Código
de Defesa do Consumidor, realizadas até maio deste
ano, obtiveram dezenove edições atingindo todas as
regiões do Brasil. Durante o segundo semestre de
2014, foram realizados outros dez eventos acadêmicos,
e em especial, as Jornadas Brasilcon de Estudos de
Direito do Consumidor. Em 2015, passaremos a realizar
novo projeto denominado Jornadas Brasilcon em
Comemoração aos 25 anos do Código de Defesa do
Consumidor.
A Revista de Direito do Consumidor, de sua vez,
permanece com a sua periodicidade bimestral adotada
em 2012, e com a mais alta classificação acadêmica no
Brasil (Qualis A1), da Capes/Ministério da Educação,
com a parceria da competente Editora Revista dos
Tribunais (RT).
A partir do segundo semestre de 2014, o
Brasilcon passou a editar seu informativo mensal, nas
versões eletrônica e impressa, para servir de veículo
de comunicação permanente com os associados
sobre as principais atividades desempenhadas pelo
Instituto, bem como notícias acerca da jurisprudência,
lançamentos editoriais, além de artigos de opinião de
associados sobre o direito do consumidor.
Para manter e avançar nestas iniciativas, o Brasilcon,
entidade de caráter associativo, sem fins lucrativos,
necessita da contribuição anual de seus associados.
Para isso se inicia a partir de agora, o período de
renovação da associação ao Brasilcon.
Assim, interessados em renovar podem optar pelo
valor de R$ 585,00, que dá direito ao recebimento
bimestral da Revista de Direito do Consumidor, ou
Informati vo BRASILCON 2
ainda, pela associação simples, modalidade em que o
associado dispensa o recebimento da Revista.
Para realizar o pagamento, basta acessar o endereço
eletrônico www.brasilcon.org.br/associe, sendo que o
pagamento também pode ser realizado em até 18 vezes
no cartão de crédito, ou solicitar o envio do(s) boleto(s)
bancário(s) pelo e-mail: [email protected].
Depoimentos de Associados
“O Brasilcon permite a cada associado o real senti mento de
exercício de cidadania, de ser um agente colaborador em um Insti tuto
capaz de realizar mudanças das mais simples às mais signifi cati vas
em todas as esferas do Poder e, portanto, no próprio mercado de
consumo. Ser parte do Brasilcon é contribuir com instrumentos para
que o Estado promova a defesa do consumidor”.
Flávio Henrique Caetano de Paula
“Em 1990, por ocasião do lançamento do CDC, parti cipei do 2º
Congresso Internacional de Direito do Consumidor no Rio de Janeiro,
ocasião em que conheci vários amigos do Brasilcon, antes mesmo
de sua criação, considerando que o mesmo foi insti tuído em 1992,
na Assembleia Geral do 3º Congresso Internacional de Direito do
Consumidor, realizado em Canela, Rio Grande do Sul. Em 1994,
ingressei no Brasilcon como Associado, parti cipando em eventos
liderados pela Diretora no Rio de Janeiro Heloisa Carpena e pelo
Diretor em Belo Horizonte Antonio Joaquim. O Brasilcon representa
na minha vida, além de uma família de amigos pesquisadores do
direito do consumidor, uma insti tuição que é a fonte, a coluna e
fi rmeza do direito consumerista”.
Plínio Lacerda Marti ns
“A importância do Brasilcon para o direito e para a cidadania
brasileira transcende o interesse dos seus associados. O Brasilcon
esteve a frente de todas as grandes lutas dos consumidores brasileiros
nestes últi mos 25 anos. Construído pela liderança de Antônio
Herman Benjamin, Eládio Lecey, João Bati sta de Almeida, Adalberto
Pasqualott o e tantos outros grandes mestres do direito brasilleiro, e um
exemplo de seriedade cientí fi ca e compromisso éti co com o interesse
público e o desenvolvimento do direito do consumidor. Manter viva e
vibrante as ideias de proteção dos vulneráveis e aperfeiçoamento do
mercado de consumo, com a autoridade renovada do nosso Código
de Defesa do Consumidor é uma bandeira à qual eu me associo, e
incenti vo a todos que tenham este compromisso que se associem ao
Brasilcon, em especial neste ano em que o Código completa 25 anos
de existência”.
DESTAQUES
JORNADAS BRASILCON
JORNADAS BRASILCON
DE ESTUDOS DE DIREITO DO CONSUMIDOR 2014 - 2016
Em novembro ocorreram mais quatro edições do projeto Jornadas Brasilcon de Estudos de
Direito do Consumidor, que em seu primeiro ano já soma nove eventos realizados, sempre com a
fundamental ajuda de seus membros diretores e associados.
Na região Nordeste, o diretor do Brasilcon Lindojon Bezerra promoveu evento em São Luís (MA),
enquanto a diretora Joseane Silva coordenou evento em Salvador (BA). No Sudeste os diretores
Fabiana Barlett a, Fabiana Ramos e Diógenes Carvalho se encarregaram de promover evento na
Emerj de Niterói (RJ). Na região Sul, a iniciati va de mais uma Jornada foi do ex-presidente do Insti tuto
Adalberto Pasqualott o, e o evento se realizou em Porto Alegre (RS).
BRASILCON E INSTITUTO POR UM PLANETA VERDE
FIRMAM PARCERIA PARA REALIZAÇÃO DO 20º
CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO AMBIENTAL
O BRASILCON e o Insti tuto por um Planeta
Verde, fi rmaram parceria para co-organização do 20º
Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, que acontece
entre os dias 23 e 27 de maio de 2015 em São Paulo. A
próxima edição terá como tema “Ambiente, Sociedade e
Consumo Sustentável”.
Na programação defi nida em comum pelas
enti dades, constam os seguintes painéis: Direito
Ambiental e Direito do Consumidor; Construção e
arquitetura sustentáveis; Recursos hídricos: resiliência e
miti gações; Gestão e segurança de alimentos; Resíduos
e justi ça socioambiental; Publicidade, felicidade
e consumo; Sociedade de consumo, economia e
sustentabilidade; Produção sustentável e logísti ca
reversa; Matriz energéti ca e sustentabilidade; Políti cas
públicas de consumo.
Agenda Legislati va
No dia 26 de novembro, foi aprovado, com alterações, pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Federal,
o Projeto de Lei 5196 de 2013, que trata do Fortalecimento dos Procons do Brasil. O Projeto seguirá para análise da
Comissão de Consti tuição e Justi ça (CCJ).
Informati vo BRASILCON 4
Sob o tema central da Publicidade e
Proteção da Infância no âmbito do Código de
Defesa do Consumidor, ocorreu nos dias 05 e
06 de novembro, na Faculdade de Direito da
Ponti fí cia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul (PUCRS), a VI Jornada Brasilcon de
Estudos de Direito do Consumidor.
Realizado pioneiramente em novembro de
2013, a segunda edição do evento coordenado
por Adalberto Pasqualott o e promovido pelo
Brasilcon em parceria com o Grupo de Estudos
em Direito do Consumidor da Faculdade de
Direito da PUCRS contou com a parti cipação
dos membros do Brasilcon Bruno Miragem,
Claudia Lima Marques, Káren Bertoncello,
Lucia Ancona e Renato Porto.
PORTO ALEGRE (RS)
JORNADAS BRASILCON
SÃO LUÍS (MA)
Em parceria com a Ordem
dos Advogados do Brasil –
Seccional Maranhão
(OAB-MA), aconteceu nos dias 06 e
07 de novembro de 2014, no
Auditório da OAB-MA, a VII
Jornada Brasilcon de Estudos
de Direito do Consumidor.
Contando com mais de
duzentos ouvintes, o evento
coordenado pelo Diretor
Lindojon Bezerra, teve em sua
programação a parti cipação dos
diretores do Brasilcon Cristi ano
Schmitt , Diógenes Carvalho,
Fábio Sousa, Guilherme Marti ns
e Marcelo Tapai.
O êxito do evento fez com
que a OAB Maranhão fi rmasse,
ao fi nal da Jornada, um acordo
para realização de nova edição
em 2015.
Lindojon Bezerra fala no painel “mecanismos
extrajudiciais de defesa do consumidor:
mediação e superendividamento”.
VII Jornada Brasilcon de Estudos de Direito do
Consumidor
Diógenes Carvalho explana sobre
os desafi os atuais para aplicação do
CDC aos Planos de Saúde
Diógenes Carvalho explana sobre
os desafi os atuais para aplicação do
CDC aos Planos de Saúde
Salvador (BA)
O auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi palco da VIII
Jornada Brasilcon de Estudos de Direito do Consumidor, evento realizado nos dias 06 e 07 de
novembro deste ano em Salvador (BA).
Da esquerda para a direita: Flávia Marimpietri, Káren Bertoncello e
Joseane Silva.
JORNADAS BRASILCON
Realizado em parceria com a
Associação Baiana de Defesa do
Consumidor (ABDECON), o evento
promoveu
importante
diálogo
sobre “o superendividamento dos
consumidores e a necessidade da
urgente proteção legal”, bem como
das “práti cas abusivas no comércio
eletrônico”. O Brasilcon esteve
representado pelos seus diretores
Aurisvaldo Sampaio, Káren Bertoncello
e Walter Moura.
Ainda na ocasião ocorreu o
lançamento das obras coleti vas
“Proteção do Consumidor diante dos
Problemas dos Produtos e Serviços: o
que fazer quando deixam de funcionar
ou quebram” e “Comércio Eletrônico
de Produtos e Serviços: uma análise
das principais práti cas abusivas em
prejuízo dos consumidores”, ambos
da Editora Paginae e organizados por
Joseane Silva.
Joseane Silva fala no painel sobre o superendividamento dos
consumidores e a necessidade da urgente proteção legal.
Niterói (RJ)
No dia 19 de
novembro, aconteceu
na
Escola
da
Magistratura do Rio
de Janeiro (EMERJ) de
Niterói, a IX Jornada
Brasilcon de Estudos de
Direito do Consumidor.
Coordenada
pelos diretores do
Brasilcon Diógenes
Carvalho,
Fabiana
Barlett a e Fabiana
Ramos,
a
Jornada
realizou-se no âmbito
do Fórum Permanente
IX Jornada Brasilcon de Estudos de Direito
do Consumidor
IX Jornada Brasilcon de Estudos de Direito do
Consumidor
de Direito do Consumidor do
Tribunal de Justi ça do Estado
do Rio de Janeiro e teve apoio
fundamental da Universidade
Salgado de Oliveira (UNIVERSO),
Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) e Universidade
Federal Fluminense (UFF).
Informati vo BRASILCON 6
BRASILCON ACADÊMICO
No dia 03 desse mês ocorreu mais uma Jornada do Brasilcon
Acadêmico. O evento coordenado por Marcos Catalan aconteceu no
Auditório do Centro Universitário La Salle (Unilasalle), em São Leopoldo,
Rio Grande do Sul.
O Brasilcon Acadêmico é ati vidade do Insti tuto que visa oportunizar
aos alunos das Faculdades de Direito, Economia, Jornalismo,
Comunicação e Relações Internacionais interessados pelo tema da
proteção do consumidor a parti cipação em congressos, publicações,
pesquisas e discussões organizadas pelo Brasilcon no Brasil inteiro.
JORNADAS BRASILCON
Saiba como entrando em contato com a secretaria do Brasilcon, por meio do telefone (61)
3225-4241 ou do e-mail: [email protected].
COORDENE UMA JORNADA DE ESTUDOS DO BRASILCON EM SUA CIDADE
Seminário Internacional sobre Fortalecimento e Sustentabilidade das
Organizações de Defesa do Consumidor
No dia 18 de novembro, em Brasília (DF), ocorreu o Seminário Internacional
sobre Fortalecimento e Sustentabilidade das Organizações Civis de Defesa do
Consumidor, evento que advém de uma parceria entre a Consumers Internati onal
(CI), organização que reúne enti dades civis de defesa do consumidor de todo
o mundo, e a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justi ça
(SENACON/MJ).
Foram abordados no Seminário temas como a Políti ca Nacional das Relações
de Consumo e a atuação do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor; a
atuação e as prioridades da Consumers Internati onal (CI), bem como as iniciati vas
da CI e da Senacon para fortalecer o movimento mundial dos consumidores.
A mesa fi nal dos trabalhos foi coordenada pelo Secretário-Geral do Brasilcon
Walter Moura, na qual falaram Marilena Lazzarini, Presidente do Conselho do
Idec, e Amanda Long, Presidente da CI.
Ainda no evento, Amanda Long noti ciou que a próxima conferência
internacional da CI será realizada pela primeira vez no Brasil, o que é além de
uma grande honra, uma imensa surpresa para a defesa do consumidor brasileiro.
NOTÍCIAS
Leonardo Roscoe Bessa é o novo procurador-geral de Justi ça do DF
Conforme decreto presidencial
publicado no dia 20 de novembro, a
Presidente da República Dilma Rousseff
nomeou o ex-presidente do Brasilcon e
promotor de Justi ça Leonardo Roscoe
Bessa para o cargo de procurador-geral
de Justi ça do Distrito Federal e Territórios
(MPDFT), para o biênio 2014/2016.
Eleito para a lista tríplice em primeiro
lugar, o atual Diretor para o Mercosul
do Brasilcon Leonardo Roscoe Bessa
sucederá Eunice Carvalhido, que esteve à
frente do MPDFT de 2010 a 2014.
Global Mediati on Rio 2014
NOTÍCIAS
De 24 a 28 de novembro aconteceu no Tribunal
de Justi ça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) o Global
Mediati on Rio 2014, evento internacional que visa
ampliar o debate intercultural e transdisciplinar
sobre outras metodologias de resolução de
confl itos. No dia 26 o Brasilcon foi representado
no evento por meio das palestras dos diretores
Cristi ano Schmitt , Fabiana Barlett a, Fabiana Ramos,
Guilherme Marti ns e Lindojon Bezerra.
NOTÍCIA DE JURISPRUDÊNCIA
NOTÍCIA DE JURISPRUDÊNCIA
Foi publicada a decisão do STJ, no Recurso Especial 1419697/RS, de relatoria do Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
sobre a legalidade do sistema scoring, e que foi objeto de audiência pública com a parti cipação do Brasilcon. Foram
defi nidas as seguintes teses:
1) O sistema “credit scoring” é um método desenvolvido para avaliação do risco de concessão de crédito, a parti r de
modelos estatí sti cos, considerando diversas variáveis, com atribuição de uma pontuação ao consumidor avaliado (nota
do risco de crédito).
2) Essa práti ca comercial é lícita, estando autorizada pelo art. 5º, IV, e pelo art. 7º, I, da Lei n. 12.414/2011 (lei do
cadastro positi vo).
3) Na avaliação do risco de crédito, devem ser respeitados os limites estabelecidos pelo sistema de proteção do
consumidor no senti do da tutela da privacidade e da máxima transparência nas relações negociais, conforme previsão
do CDC e da Lei n. 12.414/2011.
4) Apesar de desnecessário o consenti mento do consumidor consultado, devem ser a ele fornecidos esclarecimentos,
caso solicitados, acerca das fontes dos dados considerados (histórico de crédito), bem como as informações pessoais
valoradas.
5) O desrespeito aos limites legais na uti lização do sistema “credit scoring”, confi gurando abuso no exercício desse
direito (art. 187 do CC), pode ensejar a responsabilidade objeti va e solidária do fornecedor do serviço, do responsável
pelo banco de dados, da fonte e do consulente (art. 16 da Lei n. 12.414/2011) pela ocorrência de danos morais nas
hipóteses de uti lização de informações excessivas ou sensíveis (art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n. 12.414/2011), bem como nos
casos de comprovada recusa indevida de crédito pelo uso de dados incorretos ou desatualizados.
LANÇAMENTOS EDITORIAIS
Livro: Comércio eletrônico de produtos e
serviços: uma análise das principais práti cas
abusivas em prejuízo dos consumidores
Organizadores:
Joseane Suzart Lopes
da Silva, Bruno
Moiti nho Andrade da
Silva e Rafael Luengo
Felipe
Editora: Paginae
Livro: Proteção do consumidor diante
dos problemas dos produtos e serviços: o
que fazer quando quebram ou deixam de
funcionar?
Organizadores:
Joseane Suzart Lopes
da Silva e Alane Silva
de Cerqueira
Editora: Paginae
Livro: Direito dos seguros. Fundamentos de
direito civil, direito empresarial e direito do
consumidor
Organizadores:
Bruno Miragem e
Angélica Carlini
Editora Revista dos
Tribunais
Informativo BRASILCON 8
QUAL É O CURSO DE DIREITO QUE QUEREMOS?
Lindojon Bezerra
Diretor Adjunto da Região Nordeste.
Dos cursos superiores mais buscados pelos estudantes, o curso de Direito ainda se preserva em uma tradição histórica. Não são raras as vezes que encontramos algum estudante indeciso com o que pretende ser no futuro e diz: “quero fazer Direito, depois eu decido o que quero ser!”. Esta é a realidade dos cursos jurídicos brasileiros. Mais da metade dos estudantes de Direito dos dois primeiros períodos não sabem ao certo qual caminho seguir.
O fato do curso de Direito oportunizar várias carreiras profissionais concorre para este pensamento. Quem conclui o bacharelado em Direito pode escolher ser advogado (público ou privado), magistrado, membro do Ministério Público, delegado de Polícia, analista de tribunais ou do Ministério Público, além de outras carreiras que não exigem exclusiva formação jurídica, mas que revela-se fundamental o conhecimento das leis, como auditores, analistas administrativos, entre outros. E ainda, pode escolher ser professor.
Das profissões acima, nota-se que todas requerem uma avaliação, mesmo com o diploma de bacharel em Direito nas mãos. A carreira da advocacia privada requer aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as carreiras públicas requerem por força constitucional, a aprovação em concurso público e o magistério requer incontáveis avaliações nos cursos de pós-graduação “lato sensu” e “stricto sensu”, que são exigências do Ministério da Educação brasileiro para a docência no ensino superior.
Nesta senda, grande parte dos estudantes ingressam nas incontáveis
faculdades e universidades de Direito do país com o intuito de ser um dos profissionais acima. E o que fazer para que a instituição de ensino superior não se torne um mero curso preparatório para o exame da OAB ou para o concurso público?
É uma resposta que denota um misto de simplicidade e complexidade. Simples, porque basta continuarmos com os currículos tradicionais e a metodologia que leva o aluno a pensar, refletir e construir valores de um profissional ético e honesto. Complexo, porque um dos meios de avaliação, utilizado pelo Ministério da Educação, é o índice de aprovação no exame da OAB, o que está levando muitas instituições, sobretudo, as privadas, a tratar a aprovação no referido exame como prioridade em sala de aula. O que é preocupante!
Assim, como meio de fomentar o debate e, assim podermos tratar o tema de uma maneira mais equitativa, propõe-se o questionamento para reflexão: o atual sistema de ensino jurídico, de fato, leva ao alunado do Direito as ideias de justiça, moral e ética, propiciando o surgimento de pensadores do Direito, ao invés de meros operadores do Direito, estes fadados a meras repetições e utilização de modelos de peças processuais prontas e discursos já montados? Qual(is) o(s) modelo(s) de ensino que queremos e entregamos em sala de aula?
Finalizo, conclamando a todos nós, que dedicamos parte dos nossos dias de vida a levar o senso crítico a estes nossos novos colegas jurídicos, que aceitemos o desafio acima e promovamos um constante debate acerca disto, dentro e fora da sala de aula, para que, este tempo dedicado, não seja um tempo perdido e, sim, um tempo investido, em dias melhores para todos nós. Uma sociedade com justiça é uma sociedade eivada de paz social.
ARTIGOS
O Estatuto do Torcedor e as Relações de Consumo
José Augusto Peres Filho
2º Vice-Presidente do BRASILCON.
A prática desportiva é umas das formas mais antigas que o ser humano encontrou para socializar com os seus semelhantes. As disputas entre tribos, rivais ou não, simulavam a guerras que se pretendia deixar para trás, dado o seu custo em vidas humanas, colheitas, alimentos.
Com o passar dos séculos, o esporte tornou-se um negócio. E dos mais lucrativos. Surgiram os litígios entre os torcedores que acorriam aos espetáculos desportivos e os seus organizadores. Isto ocorria em todo o mundo. E o Brasil não era uma exceção.
Assim como ocorreu por muito tempo com todos os consumidores, os torcedores brasileiros não possuíam um instrumento legal adequado para a proteção de seus direitos. Com isso, campeonatos tinham suas regras alteradas durante o curso dos mesmos, fraudes em resultados eram comuns, dirigentes deixavam de pagar aos árbitros como forma de pressão ou punição por supostas ou efetivas más atuações, danos físicos e patrimoniais os mais diversos ficavam sem reparação, dada a complexidade de se manejar o Código Civil nessas ocasiões.
A partir do final da década de 1990 começaram a surgir as primeiras decisões judiciais equiparando os torcedores aos consumidores, utilizando todo o arcabouço principiológico do Código de Defesa do Consumidor.
Paralelamente, cresciam no país os confrontos entre torcedores, ou maus torcedores. Sobretudo no futebol. Confrontos físicos, batalhas campais, lesões corporais e mortes. Tudo formando um cenário trágico e perfeito para afastar as famílias dos estádios. E mais, afastar os patrocinadores, gerando prejuízos econômicos a clubes e entidades organizadoras das competições.
Foi diante dessa realidade que surgiu no Brasil o Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671, de 15 de maio de 2003, que passou por alterações significativas com o advento da Lei nº 12.299, de 27 de julho de 2010).
O Estatuto do Torcedor pretendia colocar fim à violência entre torcidas
e torcedores, dar segurança aos que acorressem às praças desportivas, acabar com os abusos nas alterações das regras de campeonatos, assegurar o respeito aos direitos dos torcedores, inclusive a reparação dos eventuais danos sofridos por estes.
Buscando alcançar estes fins, a Lei 10.671/03 diz logo no seu art. 3º que a entidade responsável pela organização da competição e a entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo, são equiparadas a fornecedor, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.
E vai mais longe, o Estatuto. Ao tratar especificamente da segurança do torcedor em evento esportivo, diz que tal segurança é de responsabilidade da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, instituindo a responsabilidade pessoal destes, independentemente da responsabilidade do clube. Tudo isso, esclarece o art. 14 da Lei 10.671/03, sem prejuízo do disposto nos arts. 12 a 14 da Lei nº 8.078/90.
Para a defesa dos interesses dos consumidores em juízo, o Estatuto do Torcedor mais uma vez lança mão da legislação consumerista, pois afirma que esta se dará observando-se no que couber, a mesma disciplina estabelecida pelo Código de Defesa do Consumidor neste aspecto.
Vale salientar que o Estatuto do Torcedor é aplicável apenas ao esporte profissional, estando fora da lei específica o esporte amador. Não que os torcedores deste fiquem totalmente desprotegidos, mas não poderão fazer uso da proteção prevista na Lei 10.671/03.
Após pouco mais de dez anos de vigência dessa lei, vários aspectos que ela pretendia regular estão em uma situação bem melhor do que antes de sua entrada em vigor. A organização dos campeonatos, a responsabilização por danos causados a torcedores e a segurança das praças desportivas (em seus aspectos estruturais), embora a segurança nas praças desportivas ainda seja frágil.
Acreditamos, no entanto, que o manejo conjunto do Estatuto do Torcedor e do Código de Defesa do Consumidor ainda proporcionarão muitas vitórias a todas as torcidas do país e, quem sabem, conseguiremos um dia vencer a violência.