I
NTRODUÇÃOO
mundo tem
apresentado mudanças na suacomposição etária em decorrência da interação dinâ-mica das taxas de mortalidade e fecundidade1. No
Bra-sil, o envelhecimento populacional tem ocorrido de forma desigual, pois, aproximadamente, 45% dos ido-sos residem nos Estados de São Paulo (23%), Rio de Janeiro (11,5%) e Minas Gerais (11,2%)2. O local de
RESUMO RESUMO RESUMO RESUMO
RESUMO: Os objetivos deste estudo foram descrever e comparar os escores de qualidade de vida de idosos diabéticos entre: sexo, faixa etária e comorbidades. Foram entrevistados 358 idosos no município de Uberaba, MG, no período de agosto a novembro de 2008, utilizando-se os instrumentos WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD. Utilizaram-se medidas descritivas e o teste ANOVA-F Tukey (p<0,05). A maioria é do sexo feminino e tem de 60 a 69 anos de idade. Os maiores escores de qualidade de vida foram para relações sociais e habilidade sensorial, enquanto os menores foram para físico e autonomia. Os homens apresentaram maiores escores em relação às mulheres. Os idosos com 80 anos e mais revelaram menor escore na participação social. O maior número de comorbidades relacionou-se ao menor escore psicológico. Faz-se necessário buscar alternativas para melhoria da qualidade de vida, principalmente entre as mulheres, os idosos mais velhos e com maior número de morbidades.
Palavras-Chave: Palavras-Chave: Palavras-Chave: Palavras-Chave:
Palavras-Chave: Qualidade de vida; idoso; enfermagem geriátrica; Diabetes Mellitus.
ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT
ABSTRACT: The objectives of this study were to describe and compare the scores of quality of life of elderly diabetics between sex, age and comorbidities. We interviewed 358 elderly in the municipality of Uberaba, Brazil, the period August to November of 2008, using the WHOQOL-BREF and WHOQOL-OLD. Measurements of descriptive and ANOVA-F Tukey (p<0.05). Most are female and have 60-70 years. The highest scores of quality of life were for social and sensory ability, while the lowest were for physical and autonomy. Men had higher scores in relation to women. The elderly aged 80 and over have lower scores in social participation. The greater number of comorbidities was associated with the lowest score psychological. It is necessary to seek alternatives to improve the quality of life, mainly among women, the elderly and older with more comorbidities. Keywords:
Keywords: Keywords: Keywords:
Keywords: Quality of life; aged; geriatric nursing; Diabetes Mellitus.
RESUMEN RESUMEN RESUMEN RESUMEN
RESUMEN: Los objetivos de este estudio fueron describir y comparar las puntuaciones de calidad de vida de ancianos diabéticos entre sexo, franja etaria y comorbilidades. Fueron entrevistados 358 ancianos en el municipio de Uberaba-MG-Brasil, en el período de agosto a noviembre de 2008, utilizandose los instrumentos WHOQOL-BREF y WHOQOL-OLD. Las mediciones de descriptivo y el test ANOVA-FTukey (p<0,05). La mayoría son mujeres y tienen de 60 a 69 años de edad. Los puntajes más altos de calidad de vida fueron para relaciones sociales y habilidad sensorial, mientras que los más bajos fueron para físico y autonomía. Los hombres tuvieron las puntuaciones más altas en relación a las mujeres. Los ancianos con 80 años y más revelaron puntuación más baja en la participación social. El mayor número de comorbilidades se asoció con la puntuación más baja psicológica. Es necesario buscar alternativas para mejorar la calidad de vida, principalmente de las mujeres, los ancianos y mayores con más morbilidades.
Palabras Clave: Palabras Clave: Palabras Clave: Palabras Clave:
Palabras Clave: Calidad de vida; anciano; enfermería geriátrica; Diabetes Mellitus.
Q
UALIDADEDEV
IDAEC
OMORBIDADESENTREOSI
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IABÉTICOSQ
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OMORBILIDADESENTRELOSA
NCIANOSD
IABÉTICOSDarlene Mara dos Santos TavaresI
Renata Maciel CôrtesII
Flavia Aparecida DiasIII
IEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem em Educação e Saúde Comunitária do Curso de Graduação
em Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
IIAcadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Bolsista de Iniciação Científica financiada pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Uberaba, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
IIIEnfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Atenção à Saúde da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba, Minas
Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
realização desta pesquisa, município de Uberaba, si-tuado no Estado de Minas Gerais, apresenta popula-ção idosa de 12,1%3. Estes dados evidenciam a
neces-sidade de se desenvolver pesquisas na referida locali-dade visando compreender a dinâmica do seu enve-lhecimento populacional, para a reorganização da atenção aos idosos4.
valores nos quais ele vive e em relação aos seus objeti-vos, expectativas, padrões e preocupações”10:1405.
Não se observa diferença significativa na quali-dade de vida do idoso em relação aos sexos, porém
diminui conforme aumenta a faixa etária11.
Concernente às morbidades, a enfermagem e ciênci-as afins têm investigado situações de saúde/doença que comprometem a qualidade de vida do idoso e que apresentam repercussões e interlocuções para a prá-tica profissional12.
Assim, esta investigação tem a finalidade de contribuir para ampliar o conhecimento sobre essa temática, de maneira a subsidiar a formulação de ações e políticas públicas para os idosos com Diabetes Mellitus, fortalecendo a gestão, os serviços e melho-rando as condições de saúde e de vida desta popula-ção. Ademais, estudos regionais favorecem a cons-trução do conhecimento sobre determinado territó-rio, que se somam aos outros e possibilitam ampliar a visão sobre determinado objeto de investigação, uma vez que o Brasil, os Estados e os Municípios apresen-tam diversidades regionais.
M
ETODOLOGIAE
sta pesquisa faz
parte de um estudo maior, tipo inquérito domiciliar, transversal e observacional, desenvolvida na zona urbana do município de Uberaba-MG, em que se avaliou a qualidade de vida de 2.183 idosos. Os dados foram coletados no perío-do de agosto a novembro de 2008.Para a definição da população, desse estudo maior, foi utilizada a técnica de amostra sistemática realizada em estu-do anterior pelo Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva. Para tanto, considerou-se 95% de confiança, 80% de poder de teste, margem de erro de 4% para as estimativas intervalares e uma proporção estimada de π = 0,5 para as proporções de interesse.
Para a condução da presente investigação, foram incluídos os idosos que atenderam aos critérios: ter idade de 60 anos ou mais; autorreferir ter o diagnósti-co de Diabetes Mellitus; ter obtido pontuação mínima de 13 pontos na avaliação cognitiva realizada no estu-do anterior; sexo masculino ou feminino; residir na zona urbana de Uberaba; e aceitar participar da pes-quisa. Dessa forma, partiu-se de uma amostra de 418 idosos com Diabetes Mellitus, entre os quais 358 foram entrevistados, visto que 18 faleceram, 16 recusaram e 26 não se encontravam no domicílio após três visitas. Para a caracterização da população, utilizou-se instrumento semiestruturado e a qualidade de vida foi mensurada por meio do WHOQOL-BREF e
WHOQOL-OLD validados no Brasil13,14.
Optou-se pela entrevista direta na aplicação dos referidos instrumentos, que pode ser auto-aplicável, Com o processo de envelhecimento ocorrem
al-terações peculiares que não são consideradas doenças, entretanto, a vulnerabilidade a processos patológicos aumenta com a idade. Dessa forma, observa-se maior ocorrência nos idosos de doenças cardiovasculares, res-piratórias, neoplásicas, cerebrovasculares, osteoarti-culares e endócrinas5. O Diabetes Mellitus (DM), objeto
de estudo desta pesquisa, é uma doença de relevância mundial devido às altas taxas de morbimortalidade e perda da qualidade de vida6.
Nesse sentido, os objetivos deste estudo foram descrever a qualidade de vida dos idosos com Diabe-tes Mellitus segundo os seus domínios e facetas e com-parar os escores de qualidade de vida entre os sexo, faixa etária e comorbidades.
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EFERENCIALT
EÓRICOO
Diabetes Mellitu
s está associado a complica-ções, disfunções e insuficiência de vários órgãos, es-pecialmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sanguíneos7.Em 1995, estimou-se que essa doença atingia 4% da população adulta mundial com perspectiva de chegar a 5,4%, no ano de 2025, e a literatura científica apresen-ta maior ocorrência na faixa etária de 60 a 69 anos6,7.
A doença é decorrente de defeitos de secreção e/ ou ação da insulina envolvendo processos patogê-nicos específicos7. Seu tratamento deve enfatizar a
manu-tenção dos níveis glicêmicos em taxas consideradas normais e as ações preventivas, de forma a postergar as complicações7. Assim, adaptando seu cotidiano, o idoso
poderá manter vida saudável e digna.
Ademais, o aumento da expectativa de vida deve estar acompanhado da qualidade de vida, assim como da manutenção da inserção social e de boas condições de saúde. Nesse contexto, pesquisas que investigam quais as condições que favorecem boa qualidade de vida entre os idosos com Diabetes Mellitus contribuem para ampliar a compreensão do processo de envelhecimen-to, limites e alcances do desenvolvimento humano e subsidiam os serviços de saúde no desenvolvimento da atenção à saúde desta população8.
A introdução do conceito de qualidade de vida na área da saúde encontra constructos afins, cujos limites não são claros. Alguns enfatizam uma visão biológica e funcional, como status de saúde, funcional e incapacida-de/deficiência; outros são eminentemente sociais e psico-lógicos, como bem-estar, satisfação e felicidade; uma ter-ceira vertente é de origem econômica9.
O grupo de estudiosos em qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs um con-ceito subjetivo, multidimensional, com aspectos positi-vos e negatipositi-vos, ou seja, “percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de
em razão da possível dificuldade de leitura, proble-mas visuais e analfabetismos entre os idosos.
A população foi caracterizada de acordo com as variáveis sociodemográficas e de saúde: sexo, faixa etária, estado conjugal, escolaridade, renda individual, tipo e número de morbidade e capacidade funcional.
O WHOQOL-BREF é composto por 26 ques-tões, das quais duas referem-se à percepção individu-al da quindividu-alidade de vida e as demais (24) estão subdivi-didas em quatro domínios, a saber: físico; psicológi-co; relações sociais; e meio ambiente13.
O módulo WHOQOL-OLD possuí 24 itens con-tendo seis facetas: funcionamento do sensório; auto-nomia; atividades passadas, presentes e futuras; partici-pação social; morte e morrer e intimidade. Os escores da qualidade de vida podem variar de 0 a 100. Os maio-res escomaio-res cormaio-respondem à melhor qualidade de vida14.
Os dados sociodemográficos e de saúde foram analisados por meio de distribuição de frequência sim-ples, para as variáveis categóricas e, média e desvio padrão para as numéricas. Para comparar a qualidade de vida com o sexo, faixa etária e número de comorbidades foi utilizado ANOVA-F e teste de Tukey (p<0,05). Cada domínio do WHOQOL-BREF e faceta do WHOQOL-OLD foram analisados isoladamente, no software SPSS, com as respectivas sintaxes.
O projeto, desta pesquisa, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, proto-colo no 897. Os idosos foram contactados em seus domicílios, aos quais foram apresentados os objeti-vos, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e oferecidas as informações pertinentes. Somente após a anuência do entrevistado e assinatura do referido Termo foi conduzida a entrevista.
R
ESULTADOSED
ISCUSSÃOV
erifica-se que a
maioria é do sexo feminino (69,8%), está na faixa etária de 60 a menos de 70 (44,1%) e 70 a menos de 80 anos (40,2%), conforme mostra a Tabela 1. O predomínio do sexo feminino tem sido ob-servado em estudos realizados com idosos diabéticos no Brasil4,6,15-17. Este fato pode estar relacionado à maiorpreocupação das mulheres com sua saúde, favorecendo maior acesso ao diagnóstico da doença4.
A maior ocorrência de idosos na faixa etária de 60 a menos de 70 anos corrobora investigação condu-zida em um centro de reabilitação de Araraquara-SP (48%)17 e com idosos que participam de um grupo da
terceira idade (48,5%), em Erechim-RS18.
Observou-se predomínio de idosos casados ou que moram com companheiro (50,6%), de acordo com a Tabela 1. Percentuais acima (60%) dos obtidos neste estudo foram encontrados em pesquisas realizadas com
idosos diabéticos e não diabéticos, em relação ao esta-do conjugal19. Entretanto, esses dados denotam a
pos-sibilidade do estabelecimento de corresponsabilidade familiar no cuidado ao idoso.
Referente à escolaridade, 37,2% possuem de 1 a menos de 4 anos de estudo, como mostra a Tabela 1. Percentuais superiores foram encontrados em estudo com indivíduos diabéticos no qual 65,6% possuíam de 1 a 5 anos de estudo e 18,4% eram analfabetos6. A
baixa escolaridade pode dificultar o acesso a infor-mações, trazer menos chances de aprendizado sobre o autocuidado, além de dificuldades no entendimen-to das condutas terapêuticas6. Nesse sentido, a
enfer-magem deve criar estratégias que facilitem o apren-dizado e troca de informações.
Observa-se que a maioria tem renda mensal in-dividual de um salário mínimo (55%), conforme a Tabela 1. A renda obtida está abaixo da encontrada entre idosos moradores da periferia, que recebia de 1 a 2 salários mínimos (66,2%)20. A baixa renda é um
fator que pode comprometer a adesão ao tratamento medicamentoso e dieta alimentar do idoso diabéti-co4. Nessa perspectiva, as ações em saúde devem ser
consoantes com as possibilidades econômicas dos idosos, visando o tratamento efetivo.
As morbidades mais frequentes foram hiperten-são arterial (83,5%), má circulação (66,6%) e proble-mas cardíacos (56,8%). Destaca-se que 81% dos ido-sos apresentaram seis ou mais, 13,4% de quatro a
cin-V VV
VVariáveisariáveisariáveisariáveisariáveis NNNNN %%%%% Sexo Feminino 250 69,8
Masculino 108 30,2 Faixa etária 60 - 70 158 44,1 70 - 80 144 40,2 80 e mais 56 15,6 Estado Casado ou mora com
conjugal companheiro 181 50,6 Separado/Desquitado/
Divorciado 25 7 Viúvo 135 37,7 Solteiro 17 4,7 Escolaridade Sem escolaridade 65 18,2 (em anos de estudo) 1 - 4 133 37,2 4 - 8 95 26,5 8 17 4,7 9 e mais 46 12,8 Renda
individual Sem renda 38 10,6 (em salário mínimo) < 1 5 1,4 1 197 55 1 - 3 96 26,8 3 - 5 15 4,2 > 5 5 1,4 T TT
TTABELAABELAABELAABELAABELA 1: 1: 1: 1: Distribuição de frequência das variáveis 1: sociodemográficas dos idosos
co e 5,6%, uma a três comorbidades. A hipertensão arterial é duas vezes mais frequente em pessoas com diabetes, quando comparado à população em geral6.
Percentuais menores foram obtidos em investigação conduzida no mesmo município do presente estudo (43,8%)15 e em São Paulo (54%)17.
O Diabetes Mellitus e a hipertensão arterial são os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares. Dessa forma, faz-se necessário implementar o rastreamento das duas doenças entre os idosos. É mister a realização de ações preventivas de doenças e promocionais de saúde entre os idosos com diabetes com a finalidade de postergar as com-plicações crônicas.
Na avaliação dos idosos, a qualidade de vida foi classificada como boa (67%), destacando-se, também, os que estão satisfeitos com a própria saúde (57%). O escore total foi de 64,46.
Observa-se que os domínios da qualidade de vida com maiores escores, segundo o WHOQOL-BREF, foram: relações sociais (67,15); psicológico (64,92) e meio ambiente (62,27), enquanto o menor foi o físi-co (54,38).
Esses dados corroboram estudo realizado que ob-servou menor escore no domínio físico na população com diabetes (64,5)19. Esse fato pode ser devido à
cronicidade do diabetes que requer tratamento conti-nuo, além das complicações crônicas que também exi-gem continuidade assistencial. Tal situação pode fazer com que os idosos se sintam fisicamente afetados19.
As facetas do WHOQOL-OLD que apresenta-ram maiores escores para a qualidade de vida foapresenta-ram: habilidade sensorial (77,58), morte e morrer (76,08) e intimidade (69,46), enquanto que os menores foram
para atividades passadas, presentes e futuras (64,04), participação social (61,78) e autonomia (58,69).
Observaram-se resultados diferentes em outros estudos nos quais a faceta com maior escore médio foi para a participação social18,21. Em outra pesquisa,
os idosos diabéticos apresentaram maior escore na faceta morte e morrer, resultado diferente do encon-trado no presente estudo20. O comprometimento da
autonomia e da participação social denota a necessi-dade de desenvolver estratégias que estimulem a in-dependência e a articulação de ações junto à socieda-de que contribuam para a implementação socieda-de ativida-des sociais que contemplem essa população.
O maior escore da qualidade de vida está no domí-nio relações sociais tanto para o sexo masculino (69,21) como para o feminino (66,27) e o menor, no físico, con-forme a Tabela 2. A comparação entre os sexos mostrou que os homens apresentam maior escore nos domínios psicológico (t=2,301; p=0,022), social (t=2,110; p=0,036) e meio ambiente (t=2,691; p=0,008).
A qualidade de vida avaliada pelo WHOQOL-OLD evidenciou maior escore entre os homens na faceta mor-te e morrer (80,96) e para as mulheres na habilidade sen-sorial (76,65), de acordo com a Tabela 2. Já o menor esco-re, para ambos os sexos, relaciona-se à autonomia. Verifi-cou-se que o sexo masculino apresenta maiores escores nas facetas morte e morrer (t=2,535; p=0,012) e intimi-dade (t=3,267; p=0,001) e na qualiintimi-dade de vida geral (t=2,549 p=0,011) quando comparado ao feminino.
Os escores obtidos pelas mulheres idosas (72,2), participantes de grupo da terceira idade, foram superio-res aos dos homens (70,4)18, ao contrário do encontrado
nesta investigação — que observou menores escores em todos os domínios e facetas da qualidade de vida.
T TT
TTABELAABELAABELAABELAABELA 2: 2: 2: 2: Escores de qualidade de vida WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD, segundo sexo 2: e faixa etária dos idosos diabéticos de Uberaba, 2009.
V VV
VVariáveisariáveisariáveisariáveisariáveis SexoSexoSexoSexoSexo Faixa etáriaFaixa etáriaFaixa etáriaFaixa etáriaFaixa etária Feminino
Feminino Feminino Feminino
Feminino MasculinoMasculinoMasculinoMasculino 60-70Masculino 60-7060-7060-7060-70 70-8070-80 80 e mais70-8070-8070-80 80 e mais80 e mais80 e mais80 e mais WHOQOL-BREF Físico 53,36 56,75 53,34 56,6 51,59 Psicológico 63,98 67,11 64,13 65,66 65,25 Relações sociais 66,27 69,21 67,59 67,42 65,25 Meio ambiente 61,23 64,7 60,9 63,04 64,17 Geral 63,35 67,01 60,83 67,62 66,52 WHOQOL-OLD Habilidade sensorial 76,65 79,74 78,75 77,21 75,22 Autonomia 58,1 60,06 57,75 60,59 56,47 Ativ. passadas, presentes e futuras 63,52 65,21 62,34 64,93 66,51 Participação social 61,34 62,78 61,66 63,75 57,03 Morte e morrer 73,97 80,96 74,44 76,69 79,2 Intimidade 67,97 72,9 68,47 70,39 69,46 Geral 66,98 70,28 67,43 68,93 67,1
A enfermagem juntamente com a equipe multidisciplinar deve incentivar o apoio familiar, a fim de promover a socialização dos idosos, bem como o desenvolvimento de atividades de inclusão social.
Concernente à diferença entre os sexos no do-mínio intimidade ressalta-se que os idosos que são acolhidos e respeitados no seio familiar sentem-se mais felizes e valorizados. O companheirismo, o sen-timento de amar e ser amado possui um valor signifi-cativo nessa fase da vida18.
A comparação entre as faixas etárias e os domí-nios do WHOQOL-BREF não apresentou diferença significativa nos domínios: físico (F=2,612; p=0,075), psicológico (F=0,651; p=0,522), social (F=0,816; p=0,443) e ambiental (F=2,068; p=0,128). Porém, a qualidade de vida geral apresen-tou menor escore entre os idosos no grupo de 60 a 69 anos (60,83) comparado aos com faixa etária de 70 a 79 anos (67,62) (F=7,202; p=0,001). Ver Tabela 2.
Nas facetas do WHOQOL-OLD, as faixas etárias de 60 a 69 (78,75) e 70 a 79 anos (77,21) apresentaram maiores escores na habilidade sen-sorial enquanto entre os idosos com 80 anos e mais na morte e morrer (79,20). No que concerne ao menor escore, para as três faixas etárias está locali-zado na autonomia. Verificou-se que aqueles com idade entre 70 e 79 anos possuem maior escore na faceta participação social em relação aos que estão com 80 anos e mais (p=0,021). Ver Tabela 2.
Não se observou consenso na literatura cientí-fica sobre o aumento da idade e menor qualidade de vida. Investigação conduzida com uma população octogenária e nonagenária constatou que o escore de qualidade de vida de todos os domínios diminui
con-forme a aumenta a faixa etária11. Outro estudo,
reali-zado com um grupo da terceira idade de Porto Ale-gre-RS, não apresentou diferença significativa entre as facetas do WHOQOL-OLD e as faixas etárias18.
Resultados diferentes do encontrado nesta investiga-ção, em que a participação social apresentou menores escores entre os idosos de 80 anos e mais, a qualidade de vida geral mensurada pelo WHOQOL-BREF foi menor entre aqueles no grupo de 60 a 69 anos.
O aumento da faixa etária pode levar ao declínio do estado de saúde e renda, e à alteração do estado conjugal, causando redução na qualidade de vida dos idosos11. Estes fatores associados ao
Diabe-tes Mellitus podem contribuir com o aparecimento de complicações, causando redução do estado de saúde e funcionamento físico, diminuindo, assim, a qualidade de vida.
O maior escore de qualidade de vida, WHOQOL-BREF, foi para o domínio físico entre os que possuem de um a três comorbidades, já para os demais foram para o relações sociais. O menor escore esteve relacio-nado ao domínio meio ambiente para os que possuem de um a três (61,09) e de quatro a cinco (62,17) comorbidades, enquanto para aqueles que possuem seis ou mais (51,95) foi para o físico. Os idosos com seis comorbidades apresentam pior escore de qualidade de vida referente ao domínio psicológico comparado aos demais (F=21,646; p=0,000). Ver Tabela 3.
No WHOQOL-OLD, o maior escore foi para a faceta habilidade sensorial e o menor para a autono-mia, independente do número de comorbidade. A com-paração entre o número de comorbidade não apresen-tou diferença significativa: funcionamento sensório (F=0,730; p=0,483), autonomia (F=1,077; p=0,342), atividades passadas, presentes e futuras (F=0,755;
T T T T
TABELAABELAABELAABELA 3ABELA 3 3 3 3: Escores de qualidade de vida WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD, segundo número de comorbidades dos idosos diabéticos de Uberaba, 2009.
V VV V
Variáveisariáveisariáveisariáveisariáveis C o m o r b i d a d e sC o m o r b i d a d e sC o m o r b i d a d e sC o m o r b i d a d e sC o m o r b i d a d e s 1 - 3
1 - 31 - 3 1 - 3
1 - 3 3 - 53 - 53 - 53 - 53 - 5 6 e mais6 e mais6 e mais6 e mais6 e mais WHOQOL-BREF Físico 70,18 62,5 51,95 Psicológico 68,54 66,92 64,34 Relações sociais 63,75 69,27 67,04 Meio ambiente 61,09 62,17 62,37 Geral 71,25 67,19 63,53 WHOQOL-OLD Habilidade sensorial 83,12 77,73 77,17 Autonomia 62,81 59,11 58,34
Ativ. passadas, presentes e futuras 65,62 65,75 63,64 Participação social 63,43 61,58 61,69 Morte e morrer 80 74,34 76,1 Intimidade 63,43 68,48 70,04
p=0,471), participação social (F=0,113; p=0,893), morte e morrer (F=0,387; p=0,680), intimidade (F=1,799; p=0,167) e total (F=0,254; p=0,776). Ver Tabela 3.
O impacto no aspecto psicológico dos idosos pode ter relação com a preocupação referente à saúde e ao acompanhamento das doenças, devido ao uso de medicações e às mudanças nos hábitos de vida. É rele-vante considerar os aspectos psicológicos, sociais e culturais das pessoas com Diabetes Mellitus para que se possa obter uma melhor convivência com a doença6.
A enfermagem deve desenvolver trabalho com a equi-pe multiprofissional visando identificar as dificulda-des enfrentadas pelos idosos, de modo a obter melhor adaptação e controle das doenças, minimi-zando a in-terferência na qualidade de vida.
A troca de experiências entre os profissionais de saúde revela que o trabalho em equipe multidis-ciplinar pode se efetivar quando os trabalhadores têm o objetivo de assistir adequadamente o cliente diabé-tico, e por meio da aprendizagem promover o autocuidado e melhoria da qualidade de vida22.
O processo de envelhecimento associado ao Diabetes Mellitus pode gerar insegurança, em decor-rência das suas complicações, que causam danos físi-cos, dependências, fragilidade e diminuição da auto-nomia19. Faz-se necessário que a enfermagem atue no
planejamento de ações preventivas das complicações crônicas e na promoção à saúde, contribuindo para a manutenção da autonomia e dos aspectos físicos des-sa população.
C
ONCLUSÃON
este estudo
verificou-se que a maioria é do sexo feminino, na faixa etária de 60 a 69 anos, casado ou mora com companheiro, com 1 a 3 anos de estudo e renda de 1 salário mínimo. As comorbidades mais frequentes foram: hipertensão arterial, má circula-ção e problemas cardíacos. A maioria apresentou seis e mais comorbidades.A análise da qualidade de vida evidenciou maior escore no domínio relações sociais e menor no domí-nio físico, WHOQOL-BREF. A mensuração através do WHOQOL-OLD apresentou maior escore na faceta habilidade sensorial e menor na autonomia.
A comparação entre os sexos demonstrou que os homens apresentaram melhores escores de quali-dade de vida. Entre as faixas etárias, observou-se que os idosos com 60 a 69 anos apresentam menor escore geral e os com 80 anos e mais, menor escore na parti-cipação social.
Observou-se menor escore no componente psicológico relacionado ao maior número de comorbidades.
Diante desses achados, faz-se necessário consi-derar os aspectos físicos e autonomia como fatores de impacto na vida do idoso, interferindo principalmen-te na manuprincipalmen-tenção de suas atividades junto à comuni-dade, bem como buscar alternativas para melhoria da qualidade de vida, principalmente entre as mulheres, os idosos mais velhos e com maior número de morbidades.
A enfermagem, juntamente com a equipe multidisciplinar, pode promover ações que visem à manutenção da autonomia dessa população, além de atividades direcionadas para o cuidado com a saúde. Visa-se potencializar os aspectos físicos, por vezes minimizados pelos efeitos decorrentes do processo de envelhecimento. A atenção à saúde dos idosos deve ser estruturada de modo a incentivar o apoio familiar na realização dessas atividades e contribuir para a par-ticipação social e melhoria dos aspectos psicológicos.
R
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