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A ética na negociação

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Academic year: 2017

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(1)

1199802028

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111zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A ÉTIC A N A N EG O C IA Ç Ã O

Banca Examinadora

,

r

Profª Orientadora Maria Cecilia Coutinho de Arruda Prof. Carlos Osmar Bertera

(2)

A meus pais,

Maria Lúcia e Nelson,

que através de seu exemplo

me ensinaram que a luta pela

vida deve ser

incondicionalmente

(3)

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO

DE EMPRESAS

DE

SÃO PAULO

MARIA BEATRIZ CÉSAR SCHIESARI

A ÉTICA NA NEGOCIAÇÃO

Dissertação apresentada para

obtenção do título de Mestre do Curso Master in Business Administration da EAESP/FGV

Orientadora:

Prof! Maria Cecilia Coutinho de Arruda

São Paulo, junho 1996

(4)

EscolaYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAd e AdministraçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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SCHIESARI, Maria Beatriz César. A Ética na Negociação. São

Paulo: EAESP/FGV, 1996. SOp. (Dissertação apresentada

para obtenção do título de Mestre do Curso Master in

Business Administration da EAESP/FGV).

Resumo: Trata da questão ética relacionada à negociação

e da postura da empresa frente aos novos tempos. Define

a tipologia da negociação, analisando o perfil ético do

negociador. Apresenta um c h e c k - lis t para conduzir o

negociador a refletir sobre sua forma de atuar e

propõe reflexão sobre ítens a serem seguidos para a

institucionalização da ética na empresa.

Palavras - Chaves: Ética - Negociação - Negociador

(5)

Sum áriozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

I. IntroduçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 1

11. Negociação 6

111. Ética

29

IV. A Empresa frente à nova complexidade 3 5

V O Perfil Ético do Negociador

49

VI. Conclusões 6 6

(6)

A gradecim entoszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

À Philips do Brasil Ltda, na pessoa de seus líderes, pela oportunidade de acesso ao

MBA

e pelo imprescindível apoioZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà realização do curso.

À Professora Maria Cecilia Coutinho de Arruda pelo profissionalismo.

Agradeço pela dedicação e apoio que me permitiram levar a cabo esse trabalho.

Ao Professor Sérgio de Freitas Costa que me apresentou à Negociação

Empresarial, dando-me a consciência de que também eu negocio. Agradeço pela co-orientação do presente trabalho, pelas preciosas trocas de idéia e pelos ensinamentos que me acompanharão pela vida.

Ao Pablo, meu marido, pela infinita paciência com que me brindou ao longo desses dois últimos anos. Sua compreensão foi essencial ao sucesso dessa empreitada - boa parte da conquista é a ele devida. Meu reconhecimento pelos sacrifícios impostos e minha gratidão.

(7)

I. IntroduçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ÉzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAimpossível ignorar que estamos vivendo era de profundas

mudanças. O panorama geo-político-econômico mundial tem dado mostras

de que o futuro pouco terá a ver com o passado. Ao contrário, este não só

deixou de servir como referência necessária, como passou a ser, no

processo de condução empresarial, parâmetro de duvidosa validade.

O mapa mundi está sendo redesenhado neste final de século em

decorrência de acontecimentos políticos e econômicos da maior relevância

para a Humanidade. As fronteiras vêm se tornando cada vez mais tênues, e

o planeta se configurando, efetivamente, como a "aldeia global", e que, em

virtude dos expressivos avanços tecnológicos, seja na área de informação,

seja na área da comunicação, torna as diferentes nações interdependentes

e por isso muito mais próximas, uma das outras. O que sucede na

macro-economia se repete na micro-macro-economia.

A interdependência tem aspectos positivos como a troca de

informações, a facilidade de acesso a novos mercados e o fluxo de pessoas,

bens e serviços. Por outro lado, há o aspecto da instabilidade causada por

aquela aproximação: mudanças expressivas e a escassa previsibilidade de

sua ocorrência.

(8)

Conforme Ilya Prigogine, Prêmio Nobel de Química,

"o normal não é o equilíbrio mas a mudança ... as estruturas

naturais e sociais existentes têm tendências estruturaisZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà

mudança, não são fixas. São estruturas em desequilíbrio

permanente, cujas fronteiras são facilmente penetráveis e

influenciadas por acontecimentos externos que podem

entrar em processos de desestabilização pronunciada,

ocasionando circuitos de mstabilidade".'

A turbulência ocasionada por esse processo de transformações gera

intenso questionamento por parte de profissionais das mais diversas áreas

empresariais, que buscam um reposicionamento em face do novo cenário.

Aqueles já não sabem se sua postura profissional está alinhada aos

novos tempos, se suas qualificações, até então adequadas, continuarão

obtendo reconhecimento, se sua usual eficácia não estará sendo

severamente questionada pelo novos líderes e posta à prova como nunca

fora antes ...

A instabilidade trazida pela "aldeia global" não é sem-razão.

Imprescindível, porém, é que o papel dos atores em meio à turbulência seja

revisto e reavaliado. A incerteza deverá ser encarada de frente e não mais

reprimida (como tende a fazê-lo o executivo atual), através da superação

dos bloqueios a que a mesma pode induzir no processo decisório.

1 Kliksberg, Bernardo. Revisando mitos viejos y nuevos en gerencia. Elementos para

un cambio paradigmático in Moya-Angeler, J.; J.A.Garrido; B.Kliksberg; B.Lara;

J.M.Morán; F.Sáez Vacas; M.Sanglier; J.Wagensberg & A.Llano. Estrategia Empresarial

(9)

o

papel do executivo do ano 2000 envolve, segundo pesquisa

realizada em nível mundial pela Universidade de Columbia e Korn-Ferry

International com entrevistas realizadas com mais de 1.500 executivos de

20 diferentes países" , as seguintes linhas de ação:

1. a formulação de estratégias;

2. a direção de recursos humanos;

3. a negociação e resolução de conflitos e

4. a comercialização e vendas.

Considerando-se a negociação como o sistema de decisão pelo qual

os atores se entendem de comum acordo ao invés de agir por via unilateral

e também o processo que combina posições conflitivas em uma posição

comum sendo a regra de decisão a unanimidade; defendemos que o papel

de negociador será então de fundamental importância para o executivo, pois

o novo contexto será o das inter-relações: a construção de redes de

contatos, assinalada como uma das bases do gestor competente e

moderno."

Não podemos deixar de considerar, por outro lado, que a negociação

integra a dinâmica interna das organizações a que o modelo tradicional não

dava a devida importância. Imposições verticais eram utilizadas para

ignorá-la ou para reprimi-Ia, aliás a custos muito elevados. A capacidade da

2 Kliksberg, B.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAR evisando m itos ... p. 81ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

3 Dupont, Christophe. La N égociation: C onduite, théorie, applications. Paris:1994, p.11

(10)

organização para a produtividade e a competitividade ficam comprometidas

por esse estilo de solução de conflitos que debilita e reduz fortemente as

possibilidades de pensar de modo inovador e de encarar a complexidade da

nova ordem.

Podemos, então, afirmar que na presente década, a negociação será

uma forma de vida do gestor que deve desenvolver crescentemente suas

habilidades para tanto. Conforme menciona Kliksberg, o projeto de

negociação de Harvard oferece metodologias completas baseadas na

avaliação do problema por seus conteúdos, independentemente das

pessoas; em concentrar-se nos interesses reais e não nas posições; em

procurar vantagens mútuas e, em tratar de definir critérios justos para

fundamentar os resultados."

Nossa proposta no presente trabalho é analisar a maneira como atua

o negociador nesse cenário de profundas e rápidas mudanças. De como o

relacionamento com diferentes atores do novo contexto interfere em seu

cotidiano. Mais ainda, pretendemos explorar a questão relativaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà sua

conduta ética na negociação e seu compromisso ético para com a empresa

que representa.

(11)

o

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAproblema central da dissertação é:

"O objetivo da negociação é a maximização dos

interesses das partes. A empresa dos novos tempos

deve encarar o futuro sob um novo espectro de

paradigmas, dentre os quais está a ética. Negociação e

ética devem caminhar juntas".

(12)

11. N egociaçãozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Gostaríamos de iniciar este capítulo afirmando categoricamente que

todos negociamos. E em "todos" referimo-nos a todos mesmo: executivos,

executores, alunos, professores, marido, mulher, pais, filhos, empresas,

associações, grupos sociais, o Estado, enfim, em todos os laços de

relacionamento existentes podemos imaginar situações concretas de

negociação. É que sem negociação não há possibilidade de convivência

civilizada.

o

objetivo da negociação é a maximização dos interesses das partes

envolvidas através das decisões alcançadas, convertam-se ou não em

acordos. Naturalmente sempre almejamos o melhor acordo possível para

nós.

Para melhor compreensão dos aspectos envolvidos na negociação e

das características que a integram, é necessário destacar que a mesma

pode ser encarada de duas formas, lembrando que toda negociação está

relacionadaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà distribuição de resultados.

Há alguns critérios que determinam a característica da negociação.

(13)

importância relativa atribuída à interdependência entre interesses e

posições e a direção das intenções e da vontade no que se refere à

natureza do acordo desejado.

Uma das formas é a negociaçãoYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAd is t r ib u t iv a , onde uma das partes

ganha às custas da outra - o ganho de uma é a perda da outra. O conceito

da mitológica "torta fixa" é aqui aplicado. Normalmente, em uma negociação

distributiva, as partes entendem que seus interesses são diretamente

conflitivos com os dos demais oponentes, reforçando a idéia de que a torta

é fixa. A "torta fixa" refere-se a situações em que tendemos a achar que o

que está em jogo são "quantidades" fixas: não é possível nenhuma

ampliação dos interesses das partes para depois reparti-los.

Conforme nos ensina Dupont com brilhantismo:

"A negociação distributiva visa à divisão das partes em

função do poder de que dispõem; aparentando um jogo de

soma zero, ela conduz os protagonistas a quererem 'ser

vencedor para não ser perdedor'. Mas, sendo uma

negociação, ela pára onde começa o confronto - isto é, a

procura do ganho total e a completa submissão da outra

parte"."

Ainda assim é oportuno observar que o negociador distributivo

preocupa-se em não provocar o rompimento - mesmo se ameaçar - pois

entende que, apesar de tudo, não deve destruir um relacionamento que

5 Dupont, C.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALa Négociation ... p. 50ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(14)

considera necessário e que pode até ser-lhe útil em determinadas

circunstâncias.

Apesar de essa forma dura e, em certa medida,YXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAim p ie d o s a de

negociação provocar com freqüência desconforto em pessoas generosas e

idealistas, ocorre em muitas oportunidades, notadamente quando:

1. A oposição de interesses pode ser tamanha que um acordo não

pareça factível. A alternativa seria então decidir sobre as forças

existentes, ao invés de incidir nos custos e riscos de um conflito

declarado: uma das partes é instada a ceder em nome do realismo;

2. A parte mais fraca da negociação temendo ser manipulada pelo

desequilíbrio de forças pode, tendo em vista as circunstâncias,

optar por um comportamento distributivo, levandoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà mesa de

negociação todos os trunfos de que dispõe e cuja existência pode

conduzir a parte contrária a compor com ela para evitar

hostilidades abertas e declaradas;

3. Há situações e problemas de natureza estritamente competitiva

que obrigam à decisão em termos de 'ganhador' e 'perdedor'.

Mais do que uma disputa para ver quem fica com qual pedaço da

torta, as partes da negociação devem avaliar a importância de seus

interesses para que suas prioridades sejam identificadas e perseguidas ao

(15)

A outra forma de negociação é aYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin t e g r a t iv a , onde busca-se uma

solução e um acordo melhor para todos os que dela participam.

Caracteriza-a o respeito às Caracteriza-aspirCaracteriza-ações do negociCaracteriza-ador fCaracteriza-azendo com que Caracteriza-a pCaracteriza-arte contráriCaracteriza-a

possa considerar a questão como igualmente satisfatória.

Tal tipo de negociação

"tende a salvaguardar, manter, consolidar, reforçar a

qualidade da relação entre as partes; é mais orientada às

solidariedades recíprocas do que aos antagonismos mútuos;

mediante necessidade, a negociação integrativa poderá

conduzir à modificação dos objetivos particulares e de suas

prioridades respectivas para tender aos objetivos próximos

ao interesse comum"."

Ainda uma vez citando Dupont exporemos as razões de ser da

negociação integrativa:

1. "Apóia-se sobre e tende a desenvolver um clima de confiança, de

reciprocidade e de credibilidade mútuas;

2. Diminuindo assim os riscos de recolocar em causa posterior o

acordo, ela garante uma grande estabilidade à solução negociada;

3.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ propícia à consideração do futuro na relação entre os

negociadores: é uma negociação tanto de 'projetos' como de

'pontos' a resolver ou de recursos a alocar;

4. Valoriza a criatividade, a pesquisa de opções construtivas e

dinâmicas, a mobilização de idéias e de novas ações, uma vez que

se trata menos de demonstrar a validade de uma posição quanto

6 Dupont, C.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALa Négociation ... p. 49

(16)

ao fundo, que de persuadir o outro do interesse de agir em

conjunto;

5. Num plano mais geral, é suscetível, tornando-se um modo

cotidiano de solução de problemas, de enriquecer a cultura da

empresa completando os modelos tradicionais de 'autoridade' e de

'entendimento'ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA, , ?

Nesse caso, o sucesso da negociação deve superar determinadas

condições. Entende-se que para tanto a solução:

• Deve ser melhor que a nossa MASA - Melhor Alternativa Sem

Acordo. Trata-se da combinação dos elementos da negociação, quais

sejam, as opções, os interesses, as alternativas, o relacionamento, a

comunicação, o compromisso e a legitimidade;

• Satisfaça interesses:

os nossos, bem; os deles, aceitavelmente e o de terceiros,

toleravelmente, lembrando que os interesses do outro são

meus também. Este é o caráter da negociação integrativa

-preservar a qualidade do relacionamento e, se necessário for,

modificar objetivos e prioridades particulares para que o

interesse comum seja alcançado.

(17)

• Seja elegante, sem perdas. Pode ser obtida através da escolha da

melhor de muitas opções, a que expande a torta ao máximo antes de

sua divisão.

o

quadro a seguir mostra de forma clara a diferença entre os dois

tipos de negociação de vimos tratando. É de autoria de Dupont, que nos

forneceu tão ricos conceitos sobre negociação.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

D iferenciação entre negociação de predom inância integrativa ou

distributiva e situações vizinhas

N egociaçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

D O i b o

N egociação

I t

istri utiva n egratlva

Cooperação fraca Cooperação forte

• Ganho próprio

Ganho mútuo

( A )

- interdependência mínima - defesa de interesses

- dominação mas não - utilização sutil de poderes

'esmagamento' - interdependência (parcial)

de objetivos

I

( 8 )

!

( 8 )

C O N FR O N TO R ESO LU Ç Ã O D E PR O B LEM A S

- sem interdependência - interesses comuns

- submissão total do - sem jogo de poderes

adversário - interdependência total de

objetivos

LEG EN D A

( A ) Diferenciação entre negociação integrativa e distributiva

( B ) Diferenciação entre negociação e atividades vizinhas:

confronto e pura resolução de problemas

Fonte: Dupont, C. La N égociation: C onduite, théorie, applicatíons"

8 Dupont, C. LaN é g o c i a t i o n o o o p. 5 1

(18)

Uma negociação que envolva mais de uma questão não é necessária

e exclusivamente distributiva ou integrativa porque a negociação se situa

entre dois pólos extremos: o do confronto e o do acordo. Ditos pólos nada

mais representam que a negociação distributiva e a negociação integrativa.

Ressaltamos, porém, que sempre há a possibilidade de lidar com cada uma

das questões de forma distinta.

o

quadro a seguir permite-nos visualizar de forma clara as "zonas" de

superposição da negociação. Podemos ver nele que há segmentos comuns

entre a zona de concessões e a de compromisso. Assim, igualmente, entre

a zona de compromisso e a de consenso, o que demonstra que a realidade

da negociação é freqüentemente mista. Todo tipo de confronto evolui de

acordo com a vontade das partes, com a influência do contexto ou até de

outros fatores como a personalidade dos negociadores e seu domínio sobre

(19)

Os tipos de negociação !Combinação! Participação Consulta Criatividade "Inovação" Transform ação Antagonismo !Nego~iação!

I

Confronto Negociação

conflituosa ou "distributiva" "jogo de soma

zero"

Sinergia

Negociação cooperativa ou

uintegrativa"

"jogo de soma crescente" Acordo Indiferença Ruptura Conflito aberto Hostilidades Prova de força Negociação "ganhador-perdedor" Regateio: cortar a pera

em dois pedaços Contrapartidas Emendas Negociação "ganhador-ganhador" Negociação "racional" Negociação "construtiva" : União : Adesão : Acordo total

Conceito de "negociação permanente"

I

Discussão

I

Fonte: Bellenger, Lionel. La NégociationZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA9

Debate Argumentação Oposição Justificação Afirmação

9 Bellenger, Lionel. La Négociation. Paris: Presses Universitaires de France.p.36

(20)

Outra dicotomia cuja abordagem é igualmente pertinente no presente

capítulo é aYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAn e g o c ia ç ã o d e c o n f lit o s X n e g o c ia ç ã o d e c o n t r a t o s . A primeira

diz respeito a situações em que as partes envolvidas tendem a considerar a

situação retrospectivamente, como por exemplo na tentativa de um acordo

de paz entre países em conflito. O passado representado pelo que já se

investiu na negociação - quer em termos financeiros, quer em desgaste e

sofrimento havidos - é fator preponderante na tomada de decisão. E, claro

está que, quanto maiores os custos incorridos mais difícil resulta o

estabelecimento de um acordo. Há aqui estreita relação com a escalada

competitiva que abordamos anteriormente.

Por outro lado, a negociação de contratos difere da anterior

fundamentalmente pelo fato de que nela os negociadores preocupam-se

com o futuro, analisado pelo que poderão fazer juntos a partir do

estabelecimento de um acordo. Como exemplo podemos citar um

relacionamento comercial entre empresas que estejam interessadas em

formar uma jo in t - v e n t u r e . Os investimentos passados são desprezados em

função dos benefícios futuros que ambas as partes poderão colher: os

custos incorridos nesse tipo de negociação tornam-se irrelevantes aos olhos

das partes.

A partir dessa conceituação podemos fazer aqui uma analogia com a

questão do comprometimento com o curso de ação adotado inicialmente e

(21)

otimismo e de controle. O ponto de intersecção entre os tópicos citados é o

desvio na percepção dos negociadores que fatalmente comprometerá o

resultado final da negociação.

Em função disso, mais uma vez concordamos com Bazerman e Neale

na sugestão da criação de sistemas de monitoramento da negociação e dos

negociadores para garantir a necessária isenção no processo decisório.

Nos observa Raiffa: "Se você atua nobremente estará ajudando a

outras pessoas a suas expensas; se você atua de maneira egoísta estará se

ajudando a si mesmo a expensas de outras pessoas".ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1 0 É bom lembrar que

de igual modo, as demais pessoas têm escolhas similares.

É importante salientar que os interesses em jogo numa negociação

têm pesos diferentes para os diferentes participantes, o que torna ainda

mais factível a concretização de soluções integrativas. Quando cooperação

e competição são necessários, o ponto de vista competitivo predomina,

resultando na fixação da negociação distributiva. Esta fixação não é

benéfica, uma vez que inibe a solução de problemas de forma criativa, fator

imprescindível às soluções integrativas.

1 0 Raiffa, Howard. EI arte y la ciencia de la negociación. México, O.F: Fondo de Cultura

Económica, S.A. de C.V., 1991. p. 335

(22)

Benjamin Franklin explicou, conforme cita Raiffa:

"Não haveriam negócios se não fossem vantajosos para as

partes envolvidas. Desde logo, o melhor é lograr o trato

mais vantajoso que permita a uma parte sua posição de

regatear. O pior resultado dá-se quando, como

conseqüência de uma voracidade excessiva, não se logra

nenhum trato, e não se chega a realizar uma transação que

teria sido boa para as duas partes".ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1 1

Concordamos integralmente com Franklin quando sintetiza que o pior

resultado é não se chegar a um acordo, sobretudo quando as perspectivas

de ganho para ambas as partes são reais.

Citamos também a definição de Dupont para enriquecer nossos

pressupostos:

"Encarada de um ponto de vista instrumental (isto é, do

ponto de vista de seu resultado) a negociação é um sistema

de decisão pelo qual os atores se entendem de comum

acordo ao invés de agir por via unilateral" . 1 2

Vejamos que Dupont afirma ser a negociação um sistema de decisão.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

N a prática tal sistema pode ser visto como de solução de disputas que

compreende diversos elementos coexistentes. As disputas estão ligadas à

questão posicional na negociação e aqui é pertinente a colocação da

diferença entre ambos - posição e interesses. OsYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin t e r e s s e s podem ser

conceituados como os desejos que motivam as partes, enquanto ap o s iç ã o é

a decisão tomada com base nesses interesses.

1 1 Raiffa, Howard. EI arte y la ciencia p. 41

(23)

As negociações ocorrem quando:

1. há um conflito;

2. não há regras ou procedimentos pré-estabelecidos; e,

3. as partes preferem negociar a: recorrer a um terceiro, usar a força

ou romper relações (capitulando, abandonando a mesa de

negociação ).

Entendemos que a fixação de posições não é em absoluto benéfica à

negociação e aos negociadores, uma vez que reduz, senão mesmo elimina,

as possibilidades de um acordo integrativo, favorável às partes envolvidas,

através da consideração de alternativas que propiciem ganhos mútuos.

o

já mencionado Henri Kissinger em 1969 também a definiu:

liA negociação é o processo que combina as posições

conflitivas em uma posição comum, a regra de decisão

sendo a unanimidade"ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA. 1 3

Kissinger, por sua vez, aborda a questão sob uma ótica um pouco

distinta quando trata a negociação como processo. Ora, processo quer dizer

"movimento para frente", o que evidencia soma de esforços para o

atingimento de um pré-determinado fim. Desta forma, a negociação exprime

sua vinculação no tempo, uma vez que é composta de várias etapas. Além

disso faz-se referência às posições conflitivas que se deseja combinar. Vale

1 3 Dupont, C.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALa Négociation ... p.11

(24)

a pena ressaltar que a negociação conduz primordialmente à solução de

conflitos, desde que as partes concentrem-se nos interesses em jogo, não

em suas posições particulares e desde que os conflitos não sejam

distributivos.

Demais,

"Persistência mal direcionada pode levar ao desperdício de

muito tempo, energia e dinheiro. Persistência direcionada

pode levar a vantagens comensuradas. Uma análise

racional pode levar a vantagens entre os dois".ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1 4

Busca Bazerman chamar a nossa atenção para o fato de que tempo e

dinheiro já investidos são custos perdidos, impossíveis de recuperar. Devem

portanto ser desconsiderados quando da seleção de futuros cursos de ação.

É interessante a consideração sobre a questão do aumento do

compromisso, que afeta a percepção do negociador bem como sua

capacidade de avaliação sobre o que está ocorrendo. Em decorrência do

compromisso com o curso de ação adotado, toma decisões irracionais mais

preocupado em justificar-se frente às demais partes e entra numa escalada

competitiva sem retorno - o sucesso de sua participação na negociação

torna-se aí uma questão pessoal, pois é a sua vaidade que está em jogo.

1 4

Bazerman, Max H. & Margaret A. Neale. Negociando Racionalmente. São Paulo:

(25)

Neste caso, preocupante é a posição da empresa por ele representada, uma

vez que o que está movendo a mesa de negociações é seu ego e não a

maximização do resultado para a empresa. Percebemos aqui que o

negociador caiu numa cilada, o que, provavelmente, só favorecerá o

"vendedor", nenhum dos "compradores" poderá sair-se bem neste tipo de

situação liderada pelo emocional. Podemos nessa oportunidade lembrar que

muitas situações aparentam ser de boas oportunidades, quando na

realidade não passam de armadilhas e, a única forma de o negociador

superá-Ias é mediante a análise criteriosa das possíveis alternativas que as

demais partes da negociação poderão adotar.

Não apenas a questão do aumento do compromisso merece uma

atenção especial das empresas, como também certos aspectos do perfil do

negociador. Bazerman e Neale dão uma contribuição muito importanteZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà

compreensão desse fenômeno quando discorrem sobre "ilusões baseadas

em necessidade". Definem tais ilusões como distorções das percepções dos

negociadores de forma que se sentem mais competentes e seguros pois

estas lhes permitem ver o mundo como gostariam que fosse, em detrimento

da realidade mesma, que é o quanto importa.

Merece ênfase o fato de que esse tipo de distorção conduz a

comportamentos irracionais. A motivação dá origem à criação dessas

ilusões, que são de três espécies: de superioridade, de otimismo e de

controle.

(26)

A ilusão de superioridade caracteriza-se por uma auto-imagem

excessivamente positiva. "Os negociadores que têm esse tipo de ilusão

acreditam ser mais honestos, capazes, inteligentes, corteses, perspicazes e

justos que os demais"!". mesmo sendo uma crença que não condiga com a

realidade. Se têm sucesso, dão a si próprios mais responsabilidade e não

dão crédito a ninguém. Entretanto, quando falham, assumem menor

responsabilidade e transferem a outrem a responsabilidade por isso.

A ilusão de otimismo faz com que os negociadores superestimem

suas chances de passar por boas situações futuras, desprezando a

probabilidade de virem a viver momentos ruins.

Por fim, a ilusão de controle reflete uma forma de pensar dos

negociadores que acreditam ter maior controle dos resultados de uma

negociação do que de fato têm.

Sugere Bazerman com propriedade como uma estratégia muito útil, a

criação de sistemas de monitoramento para verificar as percepções do

negociador antes de fazer uma avaliação ou de tomar a decisão final. Diz:

"A opinião de uma pessoa externa e objetiva, por exemplo, pode ajudar a

reduzir, ou mesmo eliminar de vez qualquer tendência a recusar

informações contrárias ..." Até porque "as pessoas não somente percebemZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(27)

as informações de maneira selecionada, como também suprem de

informações outras pessoas de forma selecionada"ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA. 1 6

As empresas tendem a incentivar as posturas de coerência em

detrimento das escolhas efetivadas. Entendemos que a incoerência deveria

merecer melhor atenção nos processos de recompensa. Somente através

dela se atingiria a criação de opções realmente maximizadoras para as

partes. Também quanto ao citado aspecto do perfil caracterizado por ilusões

baseadas em necessidade o sistema de monitoramento pode proteger a

empresa de ciladas a elas relacionadas.

Vejamos o que diz Bazerman a esse respeito:

"Paradoxo interessante: a melhor escolha para sua

organização é tomar decisões baseadas em custos e

benefícios futuros e simplesmente ignorar compromissos

anteriores. É possível, porém, ser recompensado por se

manter fiel a péssimas decisões anteriores e transmitir uma

impressão de coerência?lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAA s organizações precisam criar

sistem as para recom pensar boas decisões em vez de

adm inistração forte e eficaz. Primeiro, a liderança da

empresa deve deixar claro que a administração por

impressão, efetuada às custas de decisões de alta

qualidade, não será tolerada. Segundo, a em presa deve

criar sistem as de recom pensa capazes de aproxim ar ao

m áxim o possível os valores do funcionário aos valores

da em presa. Resumindo, se uma empresa exige boas

decisões de seus administradores, então o emprego de

1 6 Bazerman & Neale. N egociando ... p. 30, 31

(28)

bons procedimentos de tomada de decisão deve refletir na

expectativa futura de carreira dos administradores"ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA. 1 7

Claro está que o processo de aprendizagem na negociação passa

por estágio análogo ao das demais áreas de atividade: procurar fazer dos

erros cometidos uma oportunidade de aprimoramento. É necessário,

entretanto, que os gestores aprendam a reconhecer as boas escolhas, não

apenas os bons resultados.

Sob esse prisma, devemos considerar a negociação como uma

atividade que propicia a interação de diversos atores que, uma vez

confrontados nas divergências e a interdependências, optam pela procura

voluntária de uma solução aceitável mutuamente.

Ensina Dupont que compõem esta definição os seguintes elementos:

interação, divergências, interesses comuns e reconhecimento.

AYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin t e r a ç ã o é freqüentemente verificada sob a forma de "face-a-face"

direta - ou até indireta - que implica necessariamente num modo de

comunicação. Tal comunicação pode assumir os mais variados formatos,

formal ou informal, aberta ou secreta, verbal ou escrita, sempre em função

das circunstâncias em questão. A interação é o processo pelo qual as ações

de uma parte afetam a percepção ou o comportamento da outra.

1 7 Bazerman & Neale.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAN egociando ... p. 31

(29)

AsYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAd iv e r g ê n c ia s podem surgir de simples interpretações e percepções

a interesses opostos, conflitos de valores ou conflitos explícitos. As

percepções são, segundo a Psicologia, o fator primeiro a ser considerado.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ

importante salientar quanto à questão das percepções, que o conflito nunca

é real, é sempre percebido como real.

I n t e r e s s e s c o m u n s vêm da constatação de uma interdependência

entre as partes envolvidas, que não podem agir - por exemplo na resolução

de um conflito ou na conclusão de um contrato - senão pela busca de

soluções fundamentadas sobre esta interdependência.

Por fim, o r e c o n h e c im e n t o de que a solução encontrada seja

mutuamente aceitável.

A estes elementos Dupont sugere ainda a adição de outros dois: o

caráter v o lu n t á r io da atividade, em que o ator tem a prerrogativa de entrar,

permanecer ou sair da negociação e o aspecto r e la c io n a ! , que pode ser ao

mesmo tempo um instrumento e um resultado pesquisado da atividade de

negociação.

Gostaríamos ainda de trazer algumas das definições de outros

autores compiladas pelo próprio Dupont em sua obra e que, entendemos ser

de interesse para a complementação de nosso estudo.

(30)

A primeiras delas, de 1975, é de Rubin e Brown e considera a

negociação como sendo caracterizada essencialmente por uma atividade de

alocação e partilha de recursos ("bargaining"). Definem os autores a relação

negociai pelas seguintes componentes:

1. "A relação supõe que pelo menos duas partes estejam

implicadas;

2. As partes têm um conflito de interesses no que concerne

a um ou vários objetos ou pontos de aplicação;

3. Sem vínculo à eventual existência de uma relação

passada, as partes vão se empenhar, pelo menos

temporariamente, numa relação voluntária original;

4. Esta relação é centrada sobre uma atividade de

repartição ou troca de recursos específicos ou de.

resolução de problemas que concerne a eles próprios ou

àqueles por eles representados;

5. A atividade é seqüencial (apresentação de propostas e

de contra-propostas, avaliação recíproca destas e

concessões eventuais) mais que simultânea" 18

Divergimos de Rubin e Brown quando afirmam que as partes têm

necessariamente um conflito de interesses. Diversamente, as partes podem,

apesar de apresentarem posições distintas e até antagônicas, ter interesses

comuns. Para que sejam trabalhados e atingidos tais interesses, a barganha

posicional deve ser rechaçada e a proposição de opções de ganhos mútuos

sempre considerada. Devem ser desenvolvidas opções de ganhos mútuos

via processos adequados.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(31)

Lax e Sibenius por sua vez, em 1986, afirmaram que a negociação é

caracterizada por quatro elementos: "a interdependência, uma noção de

conflito percebido, uma interação oportunista - estratégica na linguagem da

teoria dos jogos - e a possibilidade de um acordo"."

Uma descrição um pouco menos ortodoxa foi dada pela revista

"Réalités" em artigo sobre negociação social em que o autor define a

negociação como:

"a atividade na qual dois protagonistas se esforçam para

obter a melhor parte dentro da "no man's land" - terra de

ninguém - que separa suas intransigências reciprocas"."

Talvez um pouco curiosa ... O esforço das partes em obter a melhor

parte pode ser interpretado como a busca da maximização dos resultados

da negociação, o que é legítimo. Se, por outro lado, considerarmos apenas

o aspecto distributivo que a definição pode conter, aí sim, discordaremos.

Ou o autor da definição pensa apenas nas negociações distributivas.

Anzieu, citado na mesma obra, definiu negociação como "um conjunto

de contatos e de manobras para conduzir dois ou mais adversários, ou

partes a estabelecer a base comum de uma troca".21 ,22ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1 9 Dupont, C.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALa Négociation ... p.18

2 0 Idem, p.18

2 1

Idem, p. 18

2 2 Vide Anexo à pág. 28 para negociações em indústrias

(32)

Perguntaríamos a Anzieu: quem administraria tal condução? Os

interesses comuns uma vez mais estariam motivando as partes a

estabelecer a citada base comum. Não estamos certos, entretanto, se o

autor dessa definição terá vislumbrado a participação de uma parte

independente na negociação.

Dentre as definições invocadas por Dupont há outra mais que

mereceu nossa atenção especial, por sua abrangência e propriedade.

Trata-se de escrito de 1978, de autoria de Chalvin: "O universo da negociaçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAé

uma mistura de um universo de desacordo e de um universo de confiança".

Em outro trabalho do mesmo ano acrescentou que na origem de toda atitude

de negociação, há:

"um conflito e uma contradição a superar, nascidos de uma

dupla necessidade: preocupação de obter um ganho e

preocupação de manter a relação com o parceiro. Esta

dupla preocupação é característica da negociação: a

autoridade pode se permitir não manter o diálogo e a

relação (satisfaz-lhe obter aquilo que quer), o acordo pode

se oferecer o luxo de não obter ganho (satisfaz-lhe o ganho

de uma boa relação). A negociação não se pode permitir a

supressão de um dos dois termos. Ela deve manter ganho e

relação".

Aqui é a primeira oportunidade em que a dupla ganho-relação é

mencionada. Demonstra Dupont sua preocupação com o relacionamento de

longo prazo que a negociação, em determinados casos, deve privilegiar. E

(33)

imediata do conflito impõe a tomada de decisão sem que o longo prazo seja

considerado. Na prática o mesmo acaba por perder a relevância.

A definição de Berger e Luckman, citada em artigo do Negotiation

Journal datado de 1967, de forma alguma perdeu sua atualidade: "O

processo de negociação é em seu cerne um processo de modelar

percepções da realidade". 23

Vejamos que, a partir de todas estas versões sobre o que vem a serYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

n e g o c ia ç ã o , podemos concluir que trata-se de atividade em que a troca é

uma constante (diríamos que é quase um pré-requisito). Ora porque

devemos abrir mão de alguns pontos individuais em favor de um bom termo

para as partes envolvidas e ora porque sem que a( s) outra( s) parte( s)

também transija(m), não chegaremosZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà desejada maximização de

resultados. Ao contrário, corremos o risco de não atingirmos a concretização

de nossos objetivos, um impasse intransponível que, segundo crê Benjamim

Franklin citado no início do presente capítulo,

"o pior resultado dá-se quando, como conseqüência de

voracidade excessiva, não se logra nenhum trato, e não se

chega a realizar uma transação que teria sido boa para as

duas partes".2 4

23 Friedman, Raymond A. & Debra L. Shapiro. Deception and Mutual Gains Bargaining: Are

They Mutually Exclusive? Negotiation Journal. VaI. 11, nQ

3, Julho 1995, p. 245

2 4 Franklin, Benjamim. Citado por Raiffa, H. EI arte y la ciencia ... p. 41

(34)

Barreiras de entrada Novos

I

Determinantes da rivalidade

Diferenças próprias do produtoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Crescimento da indústria

Identidade de marca Ameaça de novos

Custos fixos

• Custos intercambiáveis entrantes Diferenças de produtos

• Requerimentos de capital Identidade de marca

COMPETIDORES •

Acessoà distribuição

• Custos intercambiáveis

• Políticas governamentais DO SETOR Complexidade da informação

• Retornos esperados INDUSTRIAL • Diversidade de competidores

• Barreiras de saída

Intensidade da

I

FORNECEDORES : rivalidade

I

COMPRADORES

I

Poder de negociação Poder de negociação

dos fornecedores

Ameaça de

I

dos com pradores

substitutos

SUBSTITUTOS

I

Determinantes para o poder do comprador

Determinantes do poder do fornecedor Concentração de compradores

• Concentração de empresas

Diferenciação de insumos Determinantes da Volume de compra

• Custos intercambiáveis ameaça de substituição • Informação do comprador

Presença de insumos substitutos Capacidade de integrar-se para trás

Concentração de fornecedores Desempenho do preço Produtos de substituição

relativo dos substitutos

• Importância do volume para o fornecedor Custos intercambiáveis • Diferenças em produtos

Impacto de insumos Propensão do comprador a Identidade de marca

• Ameaça de integração para frente substituir • Impacto sobre a qualidade/desempenho

• Ameaça de integração para trás Utilidades do comprador

Fonte: Calleja, Tomas. La Revolución Social dei 'Management' i n Llano, Alvira, Calleja, Bastons& Martinez Esteruelas. EI humanismo en la

I\) Empresa, Madrid: Ediciones Rialp, 1992. p.67

(35)

111. ÉticazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A primeira afirmação que faremos para iniciarmos o capítulo da Ética

é a de que ela representa o processo decisório sobre o que deve ser feito, é

reflexão necessáriaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà decisão.

Algumas definições de ética são aqui apresentadas para obtermos

um melhor alicerce a respeito do tema deste trabalho.

Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade das ações

humanas, ou seja, enquanto boas ou más. Os critérios de eticidade são a

ação, a intenção e as circunstâncias ou conseqüências.

Explica Letitia Baldrige:

"Transparência total. Honestidade. Decepção é o pior curso

(caminho) da ética ... Você é uma pessoa ética em tudo o

que faz ou não é uma pessoa ética. As Corporações devem

realmente observar isso".25

Lição de Rafael Gómez Pérez mostra que:

"Toda a grandeza e toda a debilidade do ético residem em

que não necessariamente o bem moral traz prosperidade

material, o que não quer dizer que tenha que trazer falta de

25 Ettorre, Bárbara. Letitia Baldrige: Arbiter of Business Manners and Mores. M anagem ent

R eview ( M R V )Vol. 81, nQ

4, Abril 1992, p. 50-54

(36)

prosperidade. O fato de a vida humana se desenvolver em

vários planos não quer dizer que não exista um superior". 26

E continua,

"A ética não é um ingrediente para triunfar nos neqocios,

como não o é tampouco, apesar do que se diga, a falta de

ética".27

Ainda Gómez Pérez: "Se a ética tem sentido, e tem, é como algo

intrínseco à atuação humana e, portanto, com influência nos resultados"."

Afirma também que "na prática, o comportamento eticamente positivo se

traduz em um comportamento baseado na virtude"."

E o que é virtude senão força, capacidade de realizar e também,

habilidade?

A palavra "Ética", contida no título dos três tratados morais de

Aristóteles:YXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ t ic a a N ic ô m a c o , É t ic a a E u d ê m io e G r a n d e É t ic a , tem por

origem o vocábulo "êthos", que significa "caráter, modo de ser"

Por sua vez, "êthos" tem origem em "éthos", que se traduz por "hábito

ou costume". Tal explicação do termo com que nos brindou Aristóteles

refere-se ao caráter ou modo de ser que cada pessoa adquire ao longo deZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

2 6 Gómez Pérez, R.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAEtica Em presarial: Teoria y Casos. Madrid: Ediciones Rialp, 1990.

0.60

~ 7 Idem, p. 61

28 Idem, p. 62

(37)

sua vida, relacionado com o hábito que pode ser bom (virtude) ou mau

(vício). E acrescenta em outros tratados filosóficos de sua autoria que a

Ética é um tratado:

"Não teórico como os outros (pois não investigamos para

saber o que é a virtude, senão para os bons, já que em

outro caso seria totalmente inútil), e por isso temos que

considerar o relativo às ações e ao modo de realizá-Ias: são

elas, com efeito, que determinam a qualidade dos

hábitos"."

Então, conforme conclui Lurio a partir do pensamento de Aristóteles:

" De um lado, a Ética é um tratado prático, porque se refere

às ações humanas e à vida moral não somente para

conhecê-Ias, mas principalmente para dirigi-Ias. Por outro

lado, a Ética considera as ações humanas em sua relação

com o modo de ser (êthos) que a pessoa adquire através

delas. Podemos dizer então que o âmbito da realidade

estudado pela Ética está constituído pela pessoa humana,

considerada diretamente não em seu ser físico ou

psicológico, mas em seu ser e na configuração boa

(virtuosa) ou má (viciosa) que se dá a si mesma mediante

suas ações".31

Aristóteles fazia residir na promoção das virtudes éticas dos cidadãos

a parte mais nobre e excelente do bem comum de uma sociedade e o

objetivo supremo da política. E, com efeito, "o melhor do bem comum criado

está na virtude dos membros da comunidade" porque, segundo C.Cardona,

é o que mais os enobrece enquanto seres humanos, conduzindo-os à sua

plenitude (maior bem); e porque é o que mais os une entre si e, graças à

30 Rodríguez Lufio, Angel.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAEtica G eneral. Pamplona: EUNSA, 1991. p. 19

31 Idem, p. 20

(38)

sua índole espiritual, o máximo possível compartilhado por todos (bem mais

comum)."

" A Ética é propriamente um saber normativo, capaz de

estabelecer virtudes e normas de valor absoluto e

incondicionado, valor que não depende de normas

estabelecidas por outra ciência prática". 33

Defende Carné:

"que a empresa seja uma autêntica comunidade de pessoas

a serviço do bem comum, e chegue a sê-lo cada vez mais, é

uma orientação ética fundamental". 34

E complementa citando João Paulo 11:

"A empresa deve tender de um modo cada vez mais perfeito

a serYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAu m a c o m u n id a d e d e p e s s o a s , na qual se encontram e coordenam os direitos e os deveres pessoais com vistas ao

bem da empresa e ao bem mais geral da sociedade".ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA3 5

Agora definindo a Ética aplicada aos negócios temos, segundo Laura

Nash:

"Ética nos negócios é o estudo da forma pela qual normas

morais pessoais se aplicam às atividades e aos objetivos da

empresa comercial. Não se trata de um padrão moral

separado, mas do estudo de como o contexto dos negócios

3 2 Carmona, C. Citado por Melendo, Tomás. Las claves de la eficácia empresarial (Un

reto a los empresarios espaiioles). Madrid: Ediciones Rialp, 1 9 9 0 . p. 57

3 3 Rodríguez L u f i o .A. Etica General... p.2 9

34 Carné, Dornênec M .. Empresa y economia ai servicio dei hombre: Mensajes de Juan

Pablo 11a los empresarios y directivos económicos. Pamplona: EUNSA, 1 9 9 2 . p.2 8

(39)

cria seus problemas próprios e exclusivos à pessoa moral

que atua como um gerente desse sistema". 36

Em harmonia com as definições transcritas, apontamos, a seguir, as

áreas básicas de tomada de decisão gerencial sobre as quais a ética

empresarial geralmente incorre:

1.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAEscolhas quanto à lei - o que deveria ser, e se deverá ser

cumprida ou não;

2. Escolhas sobre os assuntos econôm icos e sociais que estão

além do dom ínio da lei - referem-se aos meios (tangíveis ou

intangíveis), pelos quais se tratam os outros e incluem não só as

noções morais de honestidade, palavra e justiça, mas também a de

evitar danos e a da reparação voluntária dos prejuízos causados.

3. Escolhas sobre a prim azia do interesse próprio - o quanto o

bem estar próprio vem antes dos interesses da empresa ou de

outras pessoas dentro ou fora dela.

Uma técnica para se entender o significado da integridade nos

negócios é submeter suas alternativas e seus hábitos a duas questões,

lembrando, segundo Nash". que aYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin t e g r id a d e

é

u m a c o n d iç ã o q u e e x ig e q u e v o c ê a ja c o m o d iz :ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

3 6 Nash, Laura L. Ética nas Em presas: B oas intenções à parte. São Paulo: Makron

Books, 1993. p.6

37

Idem, p. 34

(40)

• Essas decisões contribuem para a boa reputação de uma empresa

ou de um administrador?

• Essas decisões fortalecem o valor da confiança?

Estas questões inter-relacionadas descrevem o ponto de referência

principal para a criação de negociações bem conduzidas, a cooperação bem

produzida e os mecanismos de investimento bem sucedidos.

"As condições descritas nestas questões e sugeridas como

marcas da integridade nos negócios não são contrárias aos

valores usados pelos executivos para definir a integridade

pessoal. Como tal, sua criação constitui um primeiro passo

para acabar com a idéia de que aYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAé t ic a n o s n e g ó c io s é u m a

c o n t r a d iç ã o d e t e r m o s que tem impedido tantas tentativas

de alcançar a compreensão gerencial nessa área".ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA3 8

o

valor ético da empresa é diretamente proporcional ao dos seus

agentes e negociadores.

(41)

IV. A Em presa frente à nova com plexidadezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A nova complexidade tem o poder de gerar perplexidade porque os

recursos intelectuais e operacionais disponíveis não são suficientes para

"darmos conta" dela, reduzi-Ia e, enfim, administrá-Ia.

Este fato atinge diretamente as empresas uma vez que a nova

missão destas é, em síntese, administrar a complexidade: ora, a empresa é

bem sucedida quando consegue desempenhar bem seu papel na

administração da complexidade que a afeta, e acerta nas medidas para

tornar operativa tal compreensão.

Ao contrário, quando a empresa fracassa, tal se deve ao fato de ter

simplificado excessiva e precipitadamente sua complexidade e, em

conseqüência, sua resposta aos desafios contingenciais mostrou-se

insuficiente.

A estas reflexões de Llan039

acrescentamos quatro manifestações da

atual complexidade, quais sejam, a segmentação, os efeitos perversos, a

anornia" e a implosão.

39 Llano, Alejandro; Rafael Alvira; Tomás Calleja; Miquel Bastons & Cruz Martínez

Esteruelas. EI humanismo en la Empresa. Madrid: Ediciones Rialp,1992. p.17-32,111-112ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4 0 Anomia _ Violação da lei, ilegalidade. Falta de lei estabelecida, anarquia.

(42)

QuantoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAàYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAs e g m e n t a ç ã o sabe-se que decorre do crescente

fracionamento dos processos sociais, e que ocorre de forma imprevista. A

programação do processo é interrompida continuamente por outras

seqüências que nele interferem. Muitas vezes a finalidade perseguida é

relegada a segundo plano e todo o esforço da gestão é concentrado em

vencer os obstáculos, evitar as interferências, atar os pontos soltos ou voltar

a reunir o que se dispersou. O atingimento da meta fica, então, suspenso.

No tocante aos e f e it o s p e r v e r s o s : os efeitos equivocados ou não

pretendidos se multiplicam. O fracionamento e a dispersão daí decorrentes

causam uma contínua "perversão", um desvio indesejado das ações pessoal

e coletiva.

A n o m ia . Trata-se da falta de regras ou normas. Há um

questionamento da validade das regras vigentes ou, quem sabe, os próprios

indivíduos já não se sentem identificados com elas. Daí a observação de

Mac Iver:

u Anomia implica no estado de ânimo de quem perdeu suas

r a í z e s morais, de quem já não tem p a u t a s , mas somente uns

estímulos sem c o n e x ã o a lg u m a , de quem carece de todo o

sentido de c o n t in u id a d e , dos próprios grupos e das

obrigações. O homem anômico é espiritualmente estéril,

concentrado sobre si mesmo, não r e s p o n s á v e l perante

ninguém. Zomba dos valores das outras pessoas. Sua única

fé é a filosofia da negação. Vive sobre a tênue linha da

sensibilidade entre um passado que falta e um futuro que

também lhe falta ... A anomia é uma situação de ânimo em

(43)

do indivíduo em correspondência com a sociedade, e que

constitui a fonte fundamental de sua atitude moral"."

Por fim aYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAim p lo s ã o refere-se ao homem "vazio" que é o mencionado

homem anômico. E o vazio interno encontra eco coletivo nas instituições,

que se acham sem substância e, por isto, implodem.

A conjunção das quatro manifestações citadas está dando lugar a

uma profunda crise de governabilidade, que afeta o Estado, as instituições

culturais, empresariais e sociais. O inédito é que essa crise de orientação,

esta falta de objetivos não é decorrência de uma deficiência de organização,

senão de excesso dela.

A nova complexidade decorre de uma crise de saturação. Em suma,

cuida-se de aparelhamento de grande porte, inadequado entretanto.

Deparamo-nos com m u it a o r g a n iz a ç ã o , não, porém, com b o a o r g a n iz a ç ã o . O

que há é uma organização social excludente não somente de pessoas, mas

de aspectos inteiros ou dimensões da realidade que são de fato relevantes,

mas que acabam sendo marginalizados por um enfoque reducionista e

O modelo da "tecnoestrutura" ou "tecnosistema" é reconhecido por estreito.

seu êxito nos países desenvolvidos depois de 1945. Tal modelo sofreu umZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4 1 Mac lver, R. M. The Ramparts we Guard, Nova York, 1950, p. 84. Citado por Llano et

a llii. EI humanismo 000 p. 19

(44)

esgotamento e a principal causa é que o mesmo ignora sistematicamente o

aspecto mais radical e básico da vida social: a vida real e concreta, a

existência cotidiana das pessoas, as redes interpessoais que formam a

origem e a fonte de todo o sentido e toda a vitalidade e a que Llano chamaYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

c u lt u r a . Algumas empresas, mais evoluídas, tiveram sensibilidade e

perceberam que a configuração tecnoestrutural excluía os protagonistas da

empresa como funcionários, clientes, diretores e também suas respectivas

famílias.

Ressalta ainda o mesmo autor que a empresa foi a primeira

instituição a notar que, em vista da complexidade crescente, tornava-se

imprescindível remeter-se ao mundo vital, recuperar as fontes de energia

que brotam das pessoas e dos grupos primários, fazer-se porosa ao

contexto social, flexibilizar suas estruturas, converter-se definitivamente em

um sistemaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa b e r t o . "

o

que podemos depreender de toda esta reflexão propiciada por

Llano é que a empresa teve um papel de destaque no desenvolvimento

social, permitindo, inclusive, a afirmação de que lidera socialmente.

Ainda no mesmo estudo, Llano nos mostra que a empresa

desenvolveu uma nova sensibilidade para lidar com a nova complexidade.

Refere-se a um processo em andamento que está produzindo e que pode

(45)

ser resumido em cinco parâmetros: organizativo, relacional, motivacional,

ético e cognitivo.

Temos noYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAo r g a n iz a t iv o , segundo Philip Selznick, o que diferencia uma

instituição de uma simples organização funcional é que a instituição é capaz

de configurar-se em torno de valores, os fomenta e os defende. Possui

assim um caráter, o que hoje chamaríamos de uma cultura corporativa."

o

apropriado de uma empresa como instituição é que nela se dê uma

complexidade não perversa, mas integrada, já que é capaz de conjugar e

unificar distintos níveis. Por essa razão é capaz de processar a

complexidade, analisando-a em primeiro lugar e sintetizando-a em seguida,

isto é, tomando decisões.

No parâmetro r e la c io n a l a empresa, em sua nova concepção, sai do

sistema fechado e estabelece uma relação de diálogo com seu meio social.

Pela importância que atribuem a ouvir seu mercado, as novas empresas

estão essencialmente voltadas para os clientes, considerando-os mesmo

como parte de si mesmas.

A partir desse ponto de vista, a empresa enfrenta a complexidade e

desenvolve estratégias para reduzi-Ia e geri-Ia.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4 3 Selznick, P. Leadership in Administration, Evanston, Nova York: Row, Peterson and

Co., 1957. Citado por Llano; Alvira; Calleja; Bastons & Martínez Esteruelas. EI

humanismo ... p. 24

39

lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(46)

Quanto ao parâmetroYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAm o t iv a c io n a / , temos que se a empresa é

considerada uma instituição vital, a principal razão é a efusividade, a

necessidade de contribuir, compartilhar e criar. Há no ato de empreender,

um movimento de doação, de oferenda. Empreender é um movimento

emergente que surge da confusa complexidade do mundo, porque

"presenciou" a ordem e a desordem.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

elemento é t ic o voltado sobretudo para a ética empresarial teve

uma ascensão importante. Mais importante ainda é o surgimento de um

modo de pensar ético, que critica severamente o pragmatismo e redescobre

e atualiza a ética clássica que se concentrava no conceito de virtude. Ora,

as virtudes são hábitos intelectuais e práticos que nos permitem ganhar

tempo e reduzir a complexidade.

Interessante é, porém, observar que o tema é de tal arte relevante

que o próprio Estado nacional, administrador da macro economia e dos

interesses gerais da sociedade, há tempos vem também se preocupando

com a ética na Administração Pública. A questão registra constante

evolução. Não apenas em inserções na legislação de vários segmentos da

máquina estatal, como sucede em relação aos funcionários públicos, cujo

estatuto respectivo, compreende direitos, deveres e responsabilidades. O

próprio termo "deveres", em vez de "obrigações", ressalta o caráter ético de

suas funções. Além da legislação, como referido, a doutrina do Direito

(47)

administrativa". Enfim, a evolução avançou até o texto da própria Carta

Magna, de 1988 e em pleno vigor, cujo artigo 37 preceitua assim: "A

administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos

Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios

obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,

publicidade, e etc."?"

São os princípios fundamentais da Administração Pública,

notadamente o da moralidade, que constitui inovação da maior importância

para o trato das questões de interesse público. Ora, o princípio da

moralidade administrativa obriga o administrador público a observar não

apenas a lei que baliza sua ação, mas, outrossim, regras éticas, extraídas

do próprio sistema normativo, e que impõem padrões de comportamento,

que, no seu conjunto, podem ser denominados de "moralidade

administrativa". Muito significativa é também a atuação dos Tribunais

judiciais, exigindo moralidade na conduta da Administração do Estado,

condição de validade jurídica da ação de tais administradores. Sem o

respeito a tais ditames os atos administrativos são destituídos de validade,

podendo ser anulados por quem tenha legítimo interesse, podendo sobrevir,

como conseqüências, a perda do cargo público e a reparação de danos ao

erário e a terceiros acaso lesionados, sem exclusão de instauração de

processos criminais nos casos mais graves.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4 4lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAC onstituição da R epública Federativa do B rasil, Brasília: Centro Gráfico do Senado

Federal,1988.

(48)

Finalmente, o parâmetroYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAc o g n it iv o . A mudança tecnológica está

produzindo uma permeabilidade muito maior entre o âmbito tecnoestrutural

e a cultura. As novas tecnologias do conhecimento estão valorizando as

atitudes e capacidades do ser humano."

A análise dos cinco parâmetros permitiu concluir que as empresas

não enfrentaram a crescente complexidade com um aumento de

complexidade em seu sistema organizacional, mas, ao contrário, deixaram

de lado seus organogramas e caminharam para configurações mais flexíveis

e informais, onde o diálogo, a autonomia pessoal e a ajuda mútua são

valorizadas. O mundo vital revelou-se um ambiente fértil do qual surgem

rápidos movimentos de adaptação, respostas inovadoras que fazem de

problemas complexos oportunidades de ação relativamente simples.

Em uníssono, junta-se a Llano, Melendo em seu artigo "A pessoa,

depositário principal da atividade ernpresanal?" em que discorre sobre a

prioridade que deve ser dada por parte das empresas às pessoas. Enfoca a

atenção que passou a ser exigência da atividade empresarial não apenas

em razão dos benefícios de que possam usufruir tais empresas, mas porque

seria a atitude correta tratar com dignidade de quem nelas trabalha ou com

ela se relaciona.

45 Calleja, Tomás. La empresa en la era dei conocimiento, en Gómez Pallete, Felipe e

outros, La sociedad de la información. Madrid: Ciencias de la Dirección, 1988ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4 6 Melendo, Tomás. Las Claves de la Eficacia Empresarial ( Un reto a los empresarios

(49)

Afirma, a seu turno, Koslowski:

"O projeto de uma ética empresarial tem que ter em conta,

entretanto, que a ética não pode ser introduzida de modo

meramente funcional para alcançar algo muito distinto, a

saber, o aumento dos benefícios"."ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

É muito interessante a postura do mencionado Melendo ao destacar

que o aperfeiçoamento máximo dos membros de uma empresa constitui um

imperativo ético pela natureza de sua organização humana, nunca um

adicional de caridade. Também ele, como pensador, fala da ética como

ciência e como disposição vital.

Ex-presidente da General Foods, prevê Clarence Francis que

"... a próxima era na direção empresarial pertence a quem

considera o sucesso em termos do maior serviço possível ao

maior número possível de p e s s o a s " . "

A preocupação crescente das empresas com a valorização das

pessoas pode ser observada em diversas corporações, dos mais variados

portes. Como exemplo podemos citar o caso da Hewlett Packard, que se

traduz noYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAe s t ilo H P , descrito por Y.W.Hewlett:

"Creio que, em geral, é um conjunto de normas e atuações

que emanam da convicção de que todo homem e mulher

desejam fazer um bom trabalho, um trabalho criativo, e que,

se se lhes proporciona o contexto apropriado, o farão. O

s e g r e d o c o n s is t e n o p r in c í p io t r a d ic io n a l d e t r a t a r a t o d o s c o m c o n s id e r a ç ã o e r e s p e it o , reconhecendo seus méritos

pessoais. Isto soa quase como um lugar-comum, mas Dave

4 7 Melendo, T.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALas C laves de la Eficacia ... p. 37

4 8 Francis, Clarence citado por Melendo, T. Las C laves de la Eficacia ... p. 38

(50)

(o co-fundador Packard) e eu cremos honradamente nesses

princípios.YXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAA d ig n id a d e e o v a lo r d o in d iv í d u o d e s e m p e n h a m

u m p a p e l m u it o im p o r t a n t e n o e s t ilo

HP,,49

A preocupação com os indivíduos faz Peters e Austin afirmarem:

"Temos estado tão envolvidos com nossas técnicas,

fórmulas e programas que perdemos de vista os indivíduos,

os que fazem possível o produto ou o serviço e os que o

adquirem".

E acrescentam:

"é sumamente lamentável que os problemas de estratégia

tenham monopolizado pouco a pouco o interesse dos

executivos, em detrimento da preocupação com o

indivíduo"so

Sugere Melendo para a recuperação dos valores do homem na vida

da empresa, uma renovação do interesse pela força de trabalho e uma real

atenção ao indivíduo, até acabar por conceder-lhe este lugar de honra, o

primeiro passo é uma especial consideração ao valor intrínseco da

dignidade humana.

São essas as palavras do filósofo alemão F.W.J.Schelling em uma de

suas primeiras obras:

"... o homem se torna maiorZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà medida que conhece a SI

mesmo e à sua própria força. Provê o homem com a

consciência do que efetivamente é e aprenderá

imediatamente a ser o que deve; respeita-o teoricamente e

4 9 Hewlett, Y.W. citado por Melendo, T.lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBALas C laves de la Eficacia ... p. 39

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