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A vida ea obra de Zaíra Cintra Vidal.

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Academic year: 2017

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THE LlFEAND WORK OF ZAiRA CINTRA VIDAL

LA VI DA Y O B RA D E ZAiRA C I NTRA VI DAL

Getrudes Teixeira Lopesl Nalva Pereira Calda' Tlbata Cistina Silva Li77l Izabella de Cavalho Matingit

RESUMO: Estudo hist6rico social, cujo objetivo e descrever a trajet6ria de Za ira Cintra Vidal , sua inser;80 na Escola de E nfermeiras Rachel H addock Lobo e sua paticipa;80 na Associa;80 Brasileira de Enfermagem (ABE n ) . 0 estudo fu ndamenta-se nos conceitos de poder simb6lico, habitus e luta s i m b6 1 ica de Pierre Bourd i e u . As fontes p r i m a ri a s fora m docu mentos existentes no Centro de Documenta;80 da EEANI U F RJ e no Centro de Mem6ria da F E N F/U ERJ . Os dados foram obtidos no periodo de agosto de 2000 a abril de 200 1 mediante um roteiro de analise documenta l . Os resultados evidenciaram que Za ira Cintra Vida l , nasceu em 05 de maio de 1 903, graduou-se pela Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saude Publ ica , em 1 92 6 ; p6s-g raduou-se nos EUA de 1 927 a 1 929, retornando em 1 943. Criou a Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo , sendo a primeira diretora por nove anos e participou na diretoria da ABEn e na reda;80 da Revista Anais de E nfe rmage m .

PALAVRAS C HAVE : Za ira Cintra Vidal , hist6ria da enfermagem , AB E n , escolas d e enfermagem

INTRODUCAo

Parafraseando Caldas ( 1 995) a vida de Za fra Cintra Vidal foi consagrada a enfermagem e tambem a saude do povo brasileiro .

E

portanto esta personal idade ded icada , inca nsavel e h u mana que pretendemos abordar neste a rtigo. N essa perspectiva , 0 estudo tem como objeto a trajet6ria de Zafra Ci ntra Vidal no perfodo de 1 92 7 a 1 954 . Este recorte temporal corresponde ao perfodo de p6s-forma:ao profissional a primeira d iretora da Escola de Enfermeiras Rachel H addock Lobo .

Za fra Cintra Vidal , em sua luta cotid iana, atuou e m d iferentes servi:os, tanto academicos como com u nitarios, demonstra ndo um especial sentido de cidad ania e a ltru fsmo, presta ndo dessa forma inestimaveis contrib u i:6es para a E nfermagem brasi leira . Falar desta m u l her­ enfermeira competente e dedicada , sem sombra de duvidas e trazer para 0 presente um exemplo de uma personalidade que ded icou sua vida a causa da enfermagem de maneira singular.

Diante do exposto e com a pretensao d e aprofu ndar 0 con hecimento sobre 0 objeto de estudo, elaboramos as seg u intes q uest6es norteadoras:

- Quem foi Za fra Cintra Vidal ?

- Como Zafra conduziu 0 processo d e i m p l a nta:ao e consolid a:ao da Escola d e

1 Po" lllIlar do Depatamento de FIndamentos de Enfermagem da FENF/ UERJ DOltora e Livre Docente em Enfermagem. Procientista da UERJ Pesqllisadora do CNPq. Membo do NUPHEBRA S- EEAN/UFRJ

2 Pro" visitante da FENF/UERJ DOltora em Enfermagem. Membra do NUPHEBRAS- EEAN/ UFRJ

3 Gradllandas do 5° pe/ado da Faclidade de Enfermagem da UERJ Boisistas PIBIC/UERJ

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A vida e a obra . . .

Enfermeiras Rachel Haddock Lobo?

- Quais as contribu i;6es de Za ira C intra Vidal para a Enfermagem Brasileira?

Para responder as estas q uest6es derivamos os segui ntes objetivos:

- descrever a trajetoria de Za fra Ci ntra Vidal no perfodo em estudo;

- analisar as l utas empreend idas por Za ira C intra Vidal na cria;ao e impla nta;ao da Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo;

- analisar os feitos de Za ira Ci ntra Vida l na Associa;ao Brasileira de Enfermagem.

Este estudo pretende contribuir com a linha de pesq u isa da historia da enfermagem brasi leira , com vistas a sua amplia;ao e consolida;ao em que pese 0 conhecimento prod uzido; com a forma;ao academica e a constru;ao de uma historia decorrente de pesq u isas e com 0 enriquecimento da cu ltu ra dos profissionais de enfermagem , que tem nesses estudos a possibilidade de melhor conhecer suas ra izes. Pretende tam bem fornecer subsid ios para a area de pesquisa , na medida em que esses resultados tornam-se fontes de estudos e amplia;ao do conheci mento sobre fatos e fenomenos que aconteceram no passado.

FUNDAMENTACAo TEORICA

Para desenvolver a pesqu isa utilizamos alguns conceitos de Pierre Bourdieu' , sociologo e filosofo fra nces , sobre espa;o socia l , ou seja , 0 lugar defi nido onde os agentes ocupam diferentes posi;6es . Para este autor, 0 espa;o social e considerado uma rea l idade i nvis ivel e que organiza as praticas e representa;6es de seus agentes; hablus considerado como produto resu ltante da incorpora;ao dos conhecimentos adquiridos nas d iversas culturas, no passado e no presente e poder si mbolico q u e seria 0 " poder" i nvis ivel 0 q u a l so pode ser exercido com a cumplicidade daq ueles que nao querem saber que Ihe estao sujeitos ou mesmo que 0 exercem. Para 0 mesmo autor, e no interior destes espa;os onde acontecem as lutas e as rela;6es socia is entre dominantes e dominados com d iferentes vis6es de mundo.

METODOLOGIA

o estudo de natureza historico soci a l , vai se util izar da abordagem de pesquisa qualitativa descritiva , tendo como campo 0 Centro de Memoria Professora Dr.a N alva Pereira Caldas da Faculdade de Enfermagem da U E RJ e o Centro de Documenta;ao da Escola de Enfermagem Anna Nery da U F RJ . As fontes primarias sao constituidas dos documentos (dossie de a l u n a , relatorios , cartas, oficios , memorandos, telegramas) existentes sobre a trajetoria de Za ira Cintra Vidal na Escola de E nfermeiras do Departa mento Nacional de Saude Publica, na Associa;ao Brasi leira de Enfermagem e na Escola de E nfermagem Rachel Haddock Lobo no periodo de 1 945 a 1 954. Como fontes secundarias buscamos apoio na literatura publicada sobre a tematica . A coleta das informa;6es realizou-se no periodo de agosto de 2000 a abril de 200 1 . 0 instrumento de pesq uisa incl u i u roteiro para anal ise d ocumenta l .

A analise fundamenta-se nos pressupostos da dialetica critica , onde procuramos identificar as contradi;6es , as lutas e transforma;6es que engendraram a trajetoria de vida de Zaira Cintra Vidal e sua rela;ao com 0 contexto socio-pol itico-ed ucacional do seu tempo.

RESULTADOS

As informa;6es obtidas nesta pesquisa nos permitiu fazer um desdobramento em unidades tematicas da trajetoria de Zaira Cintra Vidal , com 0 proposito de permitir uma melhor compreensao

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da sua rica obra . N este aspecto , apresentaremos a seg u i r alguns t6p icos relevantes :

U M POUCO DA SUA H I STORIA

Za ira Cintra Vidal nasceu em 05 de maio de 1 903, no Distrito Federal, era filha de Eugenia da Si lva e de Amando de Araujo Cintra Vid a l . Segundo Galdas ( 1 998) ingressou na Escola Normal , atualmente Instituto de Educa�ao, aos 1 8 anos de idade, formando-se professora primaria em 1 922. Educadora nata exerceu esta fu n�ao ate 1 924 , quando decid iu estudar na Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saude Publica , atual mente Escola de Enfermagem Anna Nery, em 1 7 de mar�o de 1 924 , conclu indo 0 curso em 06 de agosto de 1 92 6 .

Ap6s conclusao do curso de Enfermagem , 0 qual realizou com brilhantismo, foi convidada pela F unda�ao Rockfeller a prosseguir seus estudos fora do pais. Assim, como premio, foi para os E UA fazer u m curso de a perfei�oamento , 0 q u a l foi rea lizado d u rante do is anos , no periodo de 1 927 a 1 929. Tal curso ministrado no Philadelphia General Hospita l , Philadelphia Contagious D isease Hospita l e no Teachers College da Columbia U niversity New York, tinha como objetivo preparar enfermeiras em " I nstru�ao e Admin istra�ao de Escolas de Enfermagem ." ( 1da, 1 95 1 )

Como podemos perceber desde cedo Za ira Cintra Vid a l , envidou esfor�os na conquista de seu espa�o social e por extensao na busca de novos espa�os para a Enfermagem brasileira , que n a ocasiao despontava como u ma profissao com grandes possibilidades d e s e desenvolver em um cenario que Ihe era propicio, considerando as dificuldades de saude e as desigua ldades sociais das popula�6es. E neste campo de luta que Za ira Cintra Vidal, mulher de visao prospectiva encontra um terreno fertil para colocar em pratica seus novos saberes , adq u i ridos em sua forma�ao profissional e em sua p6s-grad ua�ao.

Dando prosseg uimento aos seus estudos e por consegu i nte aos ava n�os em suas experiencias, em 1 943 retornou aos EUA com u ma bolsa de estudos com dura�ao de 5 meses , oferecida pelo Servi�o Especia l de Saude Publ ica para percorrer U niversidades e Escolas d e Enfermagem. Dentre as institu i�6es visitadas podemos destacar: Cornell U niversity, Col umbia Medical Center, Skindmore College, Bellevue Hospital em New York, Western Reserve U niversity em Cleveland , Ohio; Vanderbitt U niversity em Tenesse , Yale U niversity em New Haven , Toronto, Canad a . ( 1da, 1 95 1 )

Rea l izou cursos de Su pervisao de Escola de E nfermagem e PSicologia Educacional para enfermeiras, experiencias estas que Ihe possibilitou introd uzir muda n�as su bstanciais na pratica pedag6g ica , desenvolver u m olhar critico do processo de ensino e buscar uma melhor intera�ao entre professora-aluna. Essas vivencias na area da psicologia levou Za ira Ci ntra Vidal a ter u m novo olhar e a desenvolver u m novo manejo nas rela�6es sociais que ela estabelecia com as alu nas.

Para e l a , nao era a penas i mportante repreender a aluna d i a nte de u m des l ize, mas era fu ndamenta l mente i mportante elog iar aquilo que a aluna fazia bem feito.

Professora por excelencia , ded icou parte de seu tempo as atividades docentes , na q u a l idade de instrutora das a l unas na Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional d e Saude Pu blica , a q u a l d i rig i u , interinamente no perfodo de 3 1 d e agosto ate dezembro d e 1 938. E m sua progressao fu ncional i n iciou um trabalho de organ iza�ao de hospita is da Secretaria de Saude e Assistencia da Prefeitura do Distrito Federa l e, posteriormente, d irig i u os servi�os de enfermagem em q uatro hospitais. Na ocasiao , foram organizados e ministrados varios cursos e m d iferentes servi�os de saude e ensino do m u n icipio, fato que se repetiu ate 1 943. Muitos elogios foram publicados como agradecimento e reconhecimento pelo seu empenho la borioso , como repercussao de seu trabalho e sua notada com petenci a .

Diante do exposto , torna-se not6rio q u e em sua trajet6ria Za ira C intra Vid al i ncorporo u conheci mentos i mportantes, ou como diz Bourdieu ( 1 998) ampliou 0 s e u capital cu ltura l , 0 q u e de certa forma Ihe disti nguia no s e u espa�o social e Ihe atri bu ia poder.

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A vida e a obra .

ATUA;AO NA ESCOLA D E E N F E RM E I RAS RAC H E L HADDOCK LOBO

A Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo, atualmente Faculdade de Enfermagem da U E RJ , teve em Za lra Ci ntra Vidal a sua ideal izadora, Desse modo, em 1 943 a ped ido do Diretor Geral do Departamento Hospitalar da Secreta ria Geral de Saude e Assistenci a , elaborou o projeto de criagao da citada Escola. Na ocasiao , constitu i u uma Comissao para elaborar 0 Reg i mento I nterno e 0 Programa de Ensino da Escola de Enfermagem da Prefeitura do Distrito Federa l , que foi inaugurada em 1 6 de fevereiro de 1 944 .

Segu ndo Paiva ( 1 96 1 ) , eram Presidente da Republ ica 0 Marechal Eurico Gaspar Dutra ; Prefeito do Distrito Federa l 0 Genera l Angelo Mendes de Morais; e Secreta rio de Saude e Ad ministragao 0 Professor Samuel Libanio.

Nesse mesmo ano, com 0 intu ito de iniciar 0 curso, foi ao sui do pa is com a Su perintendente de Enfermagem do Servigo Especial de Saude Publica (SESP) para recrutar jovens para as escolas de E nfermagem de u m modo gera l , alem de verificar a possi bilidade de instalar Escolas no Parana e no Rio G rande do S u I .

Nomeada Diretora da Escola de Enfermeiras da Prefeitura do Distrito Federa l , atribuiu­ Ihe 0 nome de Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo , em homenagem a essa distinta enfermeira que era tambem uma fig u ra importa ntissima no cenario da Enfermagem nacional . Na fu ngao de d i retora , exerceu 0 cargo n o perlodo d e 0 4 d e janeiro d e 1 944 ate 3 0 de j u l ho d e 1 954 , onde exercitou com sa bedoria e competencia os conhecimentos de ad m i nistragao e supervisao escolar, adqu iridos na pos-graduagao.

I naugurou a Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo no dia 20 de junho de 1 94 8 ,

apos quatro anos de planejamento e organizagao. Empreendeu varias lutas no sentido de propiciar as alu nas um espago flsico e u ma organizagao ambiental que estivesse a altura de uma escola de alto padrao. Nessa perspectiva podemos dizer que apos muito empreendimento e negociagoes com a Prefeitura , Za lra conseg u i u a lojar in icial mente as a l u nas no bairro do Caj u , na zona portuaria da cidade do Rio de Janeiro , em u m anexo ao Hospital de Doengas Transmisslveis. I nsatisfeita com a loca lizagao, que considerava desaconselhavel para as jovens estudantes e, devido ao cresci mento do corpo d iscente , empreendeu varias tentativas de muda nga e em 7 .6 . 1 952 tra nsferiu a Escola para um pred io na Rua Barao de I tapagipe, zona norte da cidade, para posteriormente conseguir uma das suas maiores conqu istas, que foi i n iciar a construgao, em 1 95 1 , no bairro de Vila Isabel, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, a Escola de Enfermagem

em um pred io de 1 2 andares , projetado minuciosa mente para oferecer as alunas e professores

um a mbiente adequado e confortavel mente bem instalado. Este pred io constitui-se, hoje, no espago onde fu ncionam as facu ldades de Enfermagem e Odontologia da U E RJ .

Como podemos perceber pelos resultados ate aqui apresentados, a s lutas por um espago social e portanto de poder, fizera m parte da vida e da obra dessa mulher singular, fisica mente mignon, mas com uma forga e u ma visao de mu ndo ca paz de situa-Ia entre as grandes personal idades da Enfermagem em todos os tempos .

Paralela mente, ao seu cargo de diretora a inca nsavel Zaira acumu lou as fu ngoes de professora lecionando as d isci plinas: Etica , Deontologia, Historia de Enfermagem, Ajustamento profissional l e l l , Drogas e solugoes .

Criou os primeiros cursos de pos-graduagao em enfermagem no paiS, na area de Formagao de Professores e de Chefia de Enfermagem. Na atualidade, a Faculdade de Enfermagem da U E RJ apresenta uma vocagao para a administragao, fato que se atribui a Zalra Cintra Vidal que, ao retornar dos EUA com um consistente conhecimento nessa area , aplicou seus fu ndamentos a disciplina "Ajustamento profissiona l".

Dentre suas lutas e conquistas, conqu istou a eq u iparagao a Escola padrao Anna Nery, em seis meses de fu ncionamento , no mes de janeiro de 1 94 9 , u ltra passando a eta pa de autorizagao (Paiva, 1 96 1 ) .

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PARTI C I PA;Ao NAASSOCIA;AO B RAS I L E I RA DE E N F E R MAG E M

S u a s experiencias n o exterior trouxeram grandes contrib u iyoes para a enfermagem brasileira. Assi m , ao retornar do Congresso I nternacional d e E nfermagem, rea lizado em 1 92 7 no Canada, Za ira Cintra Vidal d ivulgou a concepyao de que uma profissao para se firmar deveria ter Escola, Associayao de Classe e Revista . Foi a partir dessa concepyao e de m u itos esforyos empreend idos q u e ela partici pou efetivamente na criayao e implantayao da Associayao das E nfermeiras Di plomadas (AB E D ) , atu a l Associayao Brasi leira de Enfermagem e na Revista Anais de Enfermagem, da q u a l foi Presidente e Redatora Chefe , respectiva mente , em 1 933 ( Ca/das, 1 998).

No ana de 1 937, representou a enfermagem brasileira integrando a Comissao de Educayao do Conselho I nternacional de Enfermagem .

Entre as atividades realizadas na diretoria d a ABED, destacamos como as mais importantes no pri meiro mandato (25 . 09 . 1 943 a 1 8.09.1 945) a aprovayao e registro do novo estatuto com a muda nya do nome de "Associayao Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras" para "Associayao Brasileira de Enfermeiras Di plomadas" (AB E D ) . Nessa oportu nidade, elaborou u m p l a n o para reerg uer a Revista Anais de E nfermagem, a u mentando 0 q u adro socia l de 20 associadas, em 1 94 3 , para 1 72 , em 1 94 5 .

Outro feito de vu lto foi a transferencia da sede da Associayao para a Avenida R i o Branco, nO 1 1 1 . Criou, tambem, uma caixa peculio para a uxilio as associadas e organizou uma Comissao Social para angariar recursos para a construyao da Casa da Enfermeira . Ainda na sua gestao, foi enviado ao Ministerio do Trabalho u m anteprojeto de regulamentayao da profissao ( CaVa/ho, 1 976) .

Em seu seg u ndo ma ndato , q u e ocorreu no periodo d e 1 8 . 0 9 . 1 94 5 a 1 8 . 04 . 1 94 7 , Za ira Cintra Vidal envidou esforyos na direyao de aprovar 0 estatuto, que previu a reforma na estrutura da A B E D , permiti ndo, em 09 . 1 2 . 1 946 , a criayao de d u as novas Divisoes : de Educayao e d e Enfermagem d e S a u d e Publica . Outras rea l izayoes de Za ira nesse segundo mandato podem ser destacadas:

a) transferiu a redayao da Revista Anais de Enfermagem para Sao Paulo e cou be a Izaura Barbosa Lima fazer a divu lgayao da Associayao nos Estados da Federayao:

b) enviou memorial ao Presidente da Repu blica, solicitando "reconhecimento da profissao para separayao entre a carreira de enfermeira e a de auxiliar de enfermagem";

c)encaminhou memorial ao M i nisterio da Educayao e Saude, solicitando melhorias para a categoria como se seguem: aposentadoria aos 2 5 anos; contagem em dobro do tempo de serviyo em zonas insa l u bres , com risco de vid a ; e gratificayao as enfermeiras em contato com doentes com molestias transmiss iveis ;

d ) deu entrada no M i n i sterio da Educayao e Saude, em j u l ho de 1 94 5 , ao anteprojeto para criayao do Conselho de Enfermagem, tendo reapresentado no ana de 1 94 7 , protocolado sob nO 669 1 7/4 7 . Esta u ltima foi a q u inta tentativa feita pela A B E D .

e) indicou a enfermeira Marina Bandeira de Oliveira para representar a A B E D na Comissao

designada pelo M ES com a fi nalidade de estu d a r os problemas de Enfermagem no Brasil ;

f) chamou a atenyaO da classe para u m fato considerado grave , q u a l sej a , 0 Sind icato q u e era denominado de enfermeiros estava na mao de pessoas nao profissionais. Essa l uta foi inserida no plano de trabalho da sua gestao

Sua inquestionavel vi sao prospectiva e sua inesgotavel criatividade e empreend imento fez com q u e atuasse em d iferentes frentes d e tra balho e l utas , em b usca de novos espayOS socia is para a Enfermagem. Ass i m , a i nda a frente da A B E D participo u , i ncentivou e apoiou varias e d iferentes iniciativas como passaremos a relatar a seg u ir:

a) apoiou a ideia da criayao da Federayao I nteramericana de Enfermagem;

b ) promoveu estudo sobre a partici payao da enfermeira no Plano SALTE (Saude,

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A vida e a obra . . .

Alimentagao, Transporte e Energia);

c) ela borou exposigao de motivos sobre 0 ensino de enfermagem e o encaminhou a Presidencia da Repu blica , acompanhando a tramitagao que resultou no Anteprojeto nO 92/48 e, posteriormente, na Lei nO 775/49;

d ) criou a Segao da ABED na Bahia , realizando a i nesse perfodo 0 I Congresso Nacional de Enfermagem, idealizado e organizado pela Segao de Sao Paulo, cuja presidente a epoca era a enfermeira Edith de Magal haes Fraen kel , real izado em margo de 1 947. N essa ocasiao por impedimento da presidente da ABED, coube a Mirabel Smith Ferreira Jorge como vice-presidente da Associagao, a presidencia do Congresso. Na oportunidade ficou deliberado que a Associagao Brasileira de Enfermeiras Diplomadas deveria oferecer 0 Brasil para sediar 0 pr6ximo Congresso I nternacional que seria promovido pelo Conselho I nternacional de Enfermeiras ;

e) realizou 0 I I Congresso Nacional de Enfermagem , em julho de 1 948, no Rio de Janeiro, presidido por Marina Bandeira de Oliveira , Vice-presidente da ABED, em exercfcio na presidencia .

ATUA;AO NA AREA DA SAU D E

Prestou relevante contri bu igao a Secretaria de S a u d e na reciclagem de pessoal e n a diregao e reorganizagao de servigos:

a) atuou como professora reciclando profissionais em diversos hospitais do Rio de Janeiro (Hospital Jesus, Asilo Sao Francisco de Assis, Curso de Samaritanas, hospitais do Departamento Hospitalar e no Hospital Sao Sebastiao);

b) dirigiu diversos Servigos de Enfermagem em hospitais no Rio de Janeiro , com destaque para 0 Pronto Socorro e os 0 hospita l Carlos Chagas, Getu lio Vargas e Jesus.

ATUA;AO NA AREA DA EDUCA;AO

N a a rea de ed ucagao, a sua participagao foi de fu ndamental i m porta ncia para a enfermagem brasileira pois significou consideraveis avangos no processo ped ag6gico, na estruturagao curricular e na prod ugao do conhecimento , como podemos destacar:

a ) inspecionou, em 1 95 8 , a Escola de Enfermeiras S. Francisco de Assis, em Porto Alegre (RS), para efeito de autorizagao de fu ncionamento;

b) foi membro de uma comissao ( 1 94 1 ) para organizagao do programa minimo de ensino para as escolas de enfermagem;

c) participou de uma Comissao para eq uiparagao das Escolas de Enfermagem : Lu iza de Mariliac, no Rio de janeiro , Carlos Chagas, em M i nas Gerais, e da Pau l i sta de Medicina, em Sao Pa ulo;

d ) organizou em Vit6ria ( E S ) em 1 94 3 , a Escol a de nome "Curso de Enfermagem de G uerra Aida dos Santos Neves", visando 0 preparo de vol u ntarias para a Forga Exped icionaria Brasileira ( F E B ) , atuante durante a 2a Guerra Mundial, tendo participado tambem da ind icagao e apresentagao dessas enfermeiras, como por exemplo, Safira Gomes Pereira e Guiomar Puppain;

e) foi indicada em junho de 1 945, para integrar uma Comissao para estudar a pro posta da Escol a de Enfermeiras do Hospital Sao Paulo;

f) apoiou as enfermeiras norte-americanas do Servigo Especial de Saude Publica (SESP) ind icando-as para partici par como s6cias honorarias d a AB E D ;

Merece destaque o /egado que deixou para a enfermagem, atraves da pub/leayao dos tres primeiros /ivos nacionais da erea:Tecnica de Enfermagem (1 933). Drogas e solu�6es

(1 934) e Tecnica de Ataduras (1 938). Durante muito tempo essas obras foram uti/izadas como /ivos textos nas esco/as de enfermagem e como /ivos de consu/ta para a pretlea pofissiona/ das enfermeiras.

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CONSIDERACOES FINAlS

Za ira Cintra Vid a l era dona de espirito e mpreendedor, que Ihe conferia capacidade de antever as necessidades da classe e de trabalhar para concretiza-Ias , como por exemplo, sua organiza:ao em sindicato e a cria:ao do Conselho de Enfermagem.

Com sua visao prospectiva e sua participa:ao atuante, e u m exemplo a ser seguido pel a enfermagem brasileira . Seu amor pela enfermag e m , sua busca por melhores espa:os sociais da profissao e suas l utas cotidianas pela q u a l idade da assistencia de enfermagem , do ensino e da categoria de enfermagem a coloca entre as grandes personal id ades de Enfermagem e m todas as epocas . Za ira foi pioneira em m u itos i nvestimentos. Assi m podemos destacar a s mudan:as em s e u habtus, a cria:ao da p6s-grad ua:ao, da Associa:ao de Classe e da Revista de Enfermagem, consolidando 0 seu pensamento de que uma profissao s6 se solidifica se tiver escolas, associa:6es e revistas . A sua preocu pa:ao e seu empenho em deixar obras escritas a eternizara m tambem como pioneira na prod u:ao de conhecimentos e seus reflexos podem ser sentidos hoje na enfermagem q ua n d o perseg u i mos esse ideario de crescimento e desenvolvimento profissional . Porta nto , tudo que pudermos ressaltar dessa Mulher, Enfermeira e fig ura humana singular, ainda e incipiente para desvelar a grand iosidade do seu S E R PROFISSIONAL.

Foi d iversas vezes agraciada com med a l has e elog ios por escrito das autorid ades de saude do pa is pelos relevantes trabalhos prestados a sociedade, alem de outras homenagens, sendo patron a de um premio oferecido pela ABEn e da Biblioteca da F aculdade de Enfermagem da U E RJ .

ABSTRACT: This i s a social-historical study that aims at describing the trajectory of Za ira Cintra Vidal , h e r participation in t h e N u rsing School Rachel Haddock Lobo a n d in t h e Brazilian Association of N u rsing (AB E n ) . The study is based on the conce pts of sym bolic power, habitus and symbolic strugg le of P i erre B o u rd i e u . T h e p ri m a ry s o u rces a re documents which were co l l e cted i n the Documentation Center of Escola de Enfermagem Ana Neri ( E EAN - Ana Neri School of Nursing) in the Federeal U niversity of Rio de Janeiro ( U F RJ ) and at the Memory Center of the Faculty of N u rsing

( F E N F ) in the State U niversity of Rio de J a neiro ( U E RJ ) . The data was collected between August 2000

and April 2001 by means of document analysis script. The outcomes showed that Zaira Cintra Vidal

was born on 5 May 1 903; graduated from the N u rsing School of the National Public Health Department

in 1 926; studied and post-grad uated in the U n ited States from 1 927 until 1 929 and returned to Brazil in 1 943. Zaira Cintra Vidal was the fou nder of the N u rsing School Rachel Haddock Lobo and was its first director for nine years She also and took part in ABEn · s Direction Board and in the Revista Anais de Enfermagem ( N u rSing Magazine).

KEWORDS : Zaira Cintra Vidal, h istory of n u rsing , biography

RES U M E N : Estudio hist6rico-social que describe la trayectoria de Zaira Ci ntra Vida l , su relaci6n con

la Escuela de Enfermeras Rachel Haddock Lobo y su participaci6n en la Asociaci6n Brasilena de

Enfermeria (AB E n ) . EI estudio se fu ndamenta en los conceptos de poder simb6lico, habitus y lucha simb61ica de Pierre Bourdieu. Las fuentes primarias han sido tomadas del Centro de Docu mentaci6n de la E EAN/U FRJ y del Centro de M emoria de la F E N F/ U E RJ . Los datos obtenidos comprenden el periodo de agosto de 2000 hasta a bril de 200 1 y se h a em pleado u n iti nera rio de tipo a n a l i s i s documenta l . Los resultados demuestran que Za ira Cintra V i d a l nace el cinco de mayo de 1 903; se gradua por la Escuela de Enfermeras del Departamento Nacional de Salud Publica en 1 926; realiza estudios de postgrado en los EUA, desde 1 927 h asta 1 929 y vuelve en 1 943. Funda la Escuela de Enfermeras Rachel H addock Lobo y asume como Di rectora d u rante n ueve a ios . Participa de la directoria de la ABEn y de la redacci6n de la " Revista Anais de Enfermagem".

PALABAS CLAVE : Za ira Cintra Vidal , historia de la enfermeria, biografia

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A vida e a obra . . .

REFER�NCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Referências

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