REVISÃO / REVIEW
O primeiro relato descrito na literatura de associação de doençashepáticaepulmonardatade1884,quandoFLÜCKIGER(28) descreveuocasodeumamulherde37anoscomcirrose,cianose ebaqueteamentodigital,entãoatribuídosàsífilis.Posteriormente, váriosoutrosrelatosforampublicados.Noentanto,apenasem 1977,KENNEDYeKNUDSON(40)sugeriramadescriçãodotermo síndromehepatopulmonar(SHP),quandodescreveramaassociação degravehipoxemiacompresençadedilataçõesvascularesintra-pulmonares(DVIP)navigênciadedisfunçãohepática.
Conceitualmente, a SHP é caracterizada por uma tríade clínicaqueenvolve:1)doençahepáticae/ouhipertensãoportal;2) DVIPe3)anormalidadesdaoxigenaçãoarterial[pressãoparcial deoxigênio(PaO2)<70mmHgougradientealvéolo-arterial deoxigênio(P(A-a)O2)>20mmHg,emarambiente](46,50).A existência de outras disfunções cardiopulmonares, (derrame pleural,doençapulmonarobstrutivacrônica,etc.)nãoexclui o diagnóstico dessa síndrome, mas sim o torna um desafio constantenapráticaclínica.Emcercade20%-30%dospacientes comSHPháassociaçãocomoutrasdoençaspulmonares(62).Na populaçãodepacientescomdoençahepática,aprevalênciada SHPvariade4%a17,5%,adependerdoscritériosdiagnósticos utilizados(1, 43, 48, 63, 90).Em nossa casuística, a prevalência da SHPemcirróticoscandidatosatransplantedefígadoéde16% (9/56)(59).Outrorecenteestudonacional(69)demonstroufreqüência de12,9%aoavaliar54pacienteshipoxêmicos(PaO2<70mm Hg). Entretanto, apesar de aceito como critério diagnóstico de SHP, a utilização os níveis de PaO2pode subestimar sua
freqüência, visto que a síndrome pode acometer indivíduos com PaO2 normal(29). Nesta casuística apenas um paciente apresentouPaO2<70mmHg.
Essasíndromepodeocorrertantonavigênciadedoença hepática crônica ou aguda, embora seja mais comumente associadaàprimeira(45).Aetiologiadacirrosenãopareceestar relacionadacomoaumentodoriscodedesenvolvimentodaSHP, cujaocorrênciaédescritaempacientescomhipertensãoportal deorigemnão-cirrótica(13),sugerindoserahipertensãoportal importantemecanismoligadoàpatogênesedessasíndrome.
OQuadro1demonstraatríadenecessáriaparaodiagnóstico daSHP.
SÍNDROMEHEPATOPULMONAR.
Patogenia,diagnósticoetratamento
Beatriz
LIMA
,Ana
MARTINELLI
eAlexVianeyCallado
FRANÇA
RESUMO-Racional-Asíndromehepatopulmonarécaracterizadaportríadeclínicaqueconsisteem:1)doençahepáticae/ouhipertensão portal,2)dilataçõesvascularesintra-pulmonares,e3)anormalidadesdaoxigenaçãoarterial(pressãoparcialdeoxigênio<70mmHgou gradientealvéolo-arterialdeoxigênio>20mmHg).Suafreqüênciavariadeacordocomosmétodosdiagnósticosutilizados.Objetivos- Fazerrevisãodaliteraturasobrepatogenia,diagnósticoetratamentodasíndromehepatopulmonar.Métodos-LevantamentonoMEDLINE daspublicaçõesnacionaiseinternacionaismaisrelevantessobreasíndromehepatopulmonar.Resultados-Aprevalênciadasíndrome hepatopulmonarvariade4%a17,5%,adependerdoscritériosdiagnósticosutilizados.Adoençahepáticaassociadamaiscomuméacirrose. Ogradientealvéolo-arterialdeoxigêniopareceseromelhorparâmetroparaavaliaçãodasanormalidadesdaoxigenaçãoarterial.Emrelação àdetecçãodasdilataçõesvascularesintra-pulmonares,aecocardiografiacomcontrasteéométododeescolha,poisédefácilrealização epodediferenciarascomunicaçõesintra-pulmonaresdasintra-cardíacas.Notratamentodasíndromehepatopulmonar,poucosrelatos bemsucedidospuderamserreproduzidoseconfirmadosutilizandoterapiafarmacológicae/ouradiologiaintervencionista.Atualmente,o transplantedefígadoéconsideradoaprincipalopçãoterapêuticadessespacientes,comresultadosanimadores.Conclusões-Asíndrome hepatopulmonaréumaenfermidadefreqüente.Examesgasométricossãonecessáriosparaoseudiagnóstico.Otransplantedefígadoéo tratamentodeescolhaparaosportadoresdasíndrome.
DESCRITORES-Síndromehepatopulmonar,diagnóstico.Síndromehepatopulmonar,etiologia.Síndromehepatopulmonar,terapia.
DivisãodeGastroenterologia,DepartamentodeClínicaMédica-FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,UniversidadedeSãoPaulo,RibeirãoPreto,SP.
Endereçoparacorrespondência:Dr.AlexFrança-DivisãodeGastroenterologia-DepartamentodeClínicaMédica,FMRP-USP-Av.Bandeirantes,3900-MonteAlegre-14048-900 -RibeirãoPreto,SP.
QUADRO1–Critériosdiagnósticosdasíndromehepatopulmonar
Doençahepática
Cirrosehepática
Hipertensãoportalnão-cirrótica Hepatiteagudafulminante Rejeiçãoapóstransplantedefígado
Dilataçãovascularintrapulmonar
Ecocardiografiacomcontraste Cintilografiapulmonar Arteriografiapulmonar
Hipoxemia
PaO2<70mmHgouP(A-a)O2>20mmHg
AimportânciadeseinvestigaredetectaraSHPempacientescom disfunçãohepáticae/ouhipertensãoportalderivadosseguintesaspectos: 1) nahistórianaturaldessasíndrome,amaioriadospacientesevolui, paulatinamente, com progressiva vasodilatação intrapulmonar e conseqüentepioradastrocasgasosas(45).Amelhoraespontâneaé rara(81)eamortalidadetorna-sesignificativadevida,emparte,às causasrelacionadasàvasodilataçãointrapulmonar.Dadosobtidos pormeiodeestudosretrospectivosdemonstrarammortalidadede 41%ematé2,5anosapósodiagnóstico(45).Alémdisso,muitos pacientescomquadrosmaisavançadosdeSHP,apresentamfunção hepáticapreservadaChildAouB(1)eessegrupopoderiaevoluircom deterioraçãodesuaqualidadedevidaediminuiçãodasobrevida comaprogressãodasíndrome;
2) osegundoaspecto,porémnãomenosimportante,équeotransplante defígado(Tx)tememergidocomoterapiaefetivaparaSHP,além deproporcionarresoluçãooumelhoraacentuadanavasodilatação intrapulmonaremmaisde80%dospacientestransplantados(55), mesmoemquadrosavançados(21).Entretanto,significantesmorbidade emortalidadepós-operatóriaocorremnessesindivíduos.Logo,a detecçãoprecocedaSHP,antesdoTx,poderiaimplicaremmanejo maisadequadodessescasos;
3) finalmente,oreconhecimentodequeaSHPpossaco-existircom outras doenças cardiopulmonares, enfatiza a necessidade de se identificar a contribuição da vasodilatação intrapulmonar nas alteraçõesdetrocasgasosasevidenciadasporumgrupoespecífico depacientesqueapresentamco-morbidadespulmonares.
PATOGENIA
Todososestudosapontamparaconsideráveldesarranjoestrutural damicrocirculaçãopulmonar,suficienteparapermitirapassagemde sangue venoso misto para as veias pulmonares, que é representado peladisseminadavasodilataçãopré-capilarnoleitovascularpulmonar próximoàsáreasdetrocasgasosas.
Odiâmetronormaldoscapilarespulmonaresédeaproximadamente 8a15µm(83),podendochegara500µmnospacientescomSHP(20).
Ograndedesafionoestudodessasíndromeconsisteemdefinir, dentreasváriasalteraçõespulmonaresquepodemacometeropaciente comdisfunçãohepática,seahipoxemiaapresentadatemcomocausa principalaSHP.
O mecanismo da hipoxemia na SHP é representado por uma combinaçãodefatores:shuntintrapulmonar,desproporçãoventilação/ perfusão(VA/Q)emáreascombaixasrelaçõesVA/Qedesequilíbrio de difusão do oxigênio induzido por disseminada vasodilatação intrapulmonar, mesmo em parênquimas pulmonares normais(79). Postula-se que baixas relaçõesVA/Q (ventilação com excesso de perfusão)sejammaisfreqüentesquandoaSHPélevee,noscasos mais graves, a ocorrência dos shunts intrapulmonares anatômicos (perfusãosemventilação)associadoaodesequilíbriodedifusãodo oxigêniosurgiriamcomoprincipaismecanismos(7).
Alimitaçãonadifusãodooxigêniodogásalveolarparaocapilar sangüíneonãoédecorrentedeespessamentodamembranaalvéolo-capilar(queseacreditaocorrernasdoençasintersticiaispulmonares),mas sim,de“defeitodifusão-perfusão”(5,41).Acombinaçãodeleitovascular dilatado e alto débito cardíaco (geralmente observados na cirrose), aumentariaadistânciaquedeveriaserpercorridapelooxigênioentre oalvéoloearegiãocentraldocapilar,reduziriaotempodetrânsitodo
fluxosangüíneoatravésdavasculaturapulmonar,bemcomootempo disponívelparaadifusãodooxigênio,comconseqüentedecréscimo daoxigenaçãodashemácias.
Areduzidacapacidadededifusãodomonóxidodecarbono(DLCO), freqüentementevistaemcirróticos,bemcomoaquedadosníveisde PaO2arterialalgumasvezesobservadaduranteexercício(5),dãosuporte aestahipótese.Entretanto,valeressaltarqueosdoisgases−monóxido decarbono(CO)eoxigênio(O2)−nãosãototalmenteequivalentes quantoàdifusão,vistoqueapresentampropriedadesdifusivasdiferentes. Alémdisso,emboradesoxigenaçãoarterialduranteoexercíciopossa indicarumalimitaçãodadifusãodoO2,issopoderiaserreflexode complexainteraçãoentreshunt,limitaçãodadifusão,desproporção VA/Q ocorrendo em nível intrapulmonar, e fatores extrapulmonares (ventilaçãoalveolar,débitocardíaco,captaçãodeO2)quemodulam astrocasgasosasduranteoexercício(92).
Emboragrandesavançostenhamsidoalcançados,omecanismo responsávelpelahipoxemianaSHPaindaseconstituiemdesafioe,atéo presente,nãosetemexplicaçõessatisfatóriasedefinitivassobreeste.
Damesmaforma,apatogeniadavasodilataçãointrapulmonarainda permaneceespeculativa.Acredita-sehaverperdadotônusvascular caracterizadoporpobreouausentereatividadevascularàhipóxia. Desproporçãoentresubstânciasvasoconstrictorasevasodilatadoras emáreapulmonaréumahipóteseaventada.Entretanto,anenhuma substância, em particular, foi atribuída a causa da vasodilatação. Questõescomoaausênciadeclareamentodesubstânciasvasodilatadoras pela disfunção hepática ou mesmo sensibilidade alterada do leito vascularpulmonar,promovidapeladoençahepáticaasubstânciasem concentraçõesnormais,aindarequeremrespostas.Aparticipaçãodo débitocardíacoaumentadoemassociaçãoaestesfatoresnãodeveria ser subestimada. Enorme espectro de potenciais vasodilatadores pulmonarestemsidoidentificadoecontinuasobinvestigação.
O Quadro 2 destaca os possíveis mediadores envolvidos nesse processo.
O entendimento da seqüência de mediadores vasculares que agem nos pulmões e sua relação com a disfunção hepática têm avançado,sobremaneira,comasseguintesdescobertas:1)opapel do óxido nítrico (ON) como possível mediador responsável pela vasodilatação na SHP(80, 85); 2) a possibilidade de utilização de modelosanimaisexperimentaisdehipertensãoportale/oucirrose hepáticanoestudodaSHP(60,61);e3)apresençademalformações arteriovenosas(MAV)emcrianças,apósabordagemcirúrgicade problemascardíacoscongênitos.
ONOéconsideradopotentevasodilatadorpulmonar.Normalmente sintetizado no endotélio vascular pulmonar, afeta diretamente o
QUADRO 2 -Potenciais mediadores das dilatações vasculares intrapulmonares
Substânciasvasodilatadoras pulmonares
Substânciasvasoconstrictoras pulmonares
Óxidonítrico Endotelina Fatornatriuréticoatrial Tirosina NeuroquininaA Serotonina Peptídeointestinalvasoativo ProstaglandinaF2α
SubstânciaP AngiotensinaI Fatorativadordeplaquetas
Glucagon
músculo liso circunvizinho. É possível que o seu papel na SHP sejapequeno,atuandodeformamaisnítidanoestadocirculatório hiperdinâmico que acompanha a doença hepática avançada. Há relatosdenormalizaçãodeníveiselevadosdeNOexaladosapós TxnaSHP,sugerindocorrelaçãoentreosníveisdeNOexaladoe hipoxemiaempacientescomSHP(80).Noentanto,aresoluçãodaSHP pós-transplantenãoéimediataepodelevarmeses.Essefatosugere aocorrênciaderemodelamentovascularemcontraposiçãoasimples resoluçãodavasodilataçãocombinadaaoseventosrelacionadosà musculaturalisa(85).
Recentemente,oaumentodosníveisdeendotelina-1(ET-1)nofígado eplasmatemsidoobservadoemmodelosdecirroseexperimental(58) eemhumanos(12,68).EmboraaadministraçãoagudadeET-1apresente potentes propriedades vasoconstrictoras na vasculatura pulmonar, estudospreliminarescomainfusãocrônica,pormaisde2semanas, demonstraram perda dos efeitos pulmonares vasoconstrictores(61). Postula-sequenacirrose,oaumentocrônicodosníveisplasmáticos de ET-1 resulta de maior dano hepático(12, 71) e não está associado à atividade vasoconstrictiva mensurável(12). Essas observações sugeremqueosefeitosnão-vasoconstrictivosdaET-1,incluindoa estimulação da atividade da sintase de óxido nítrico (SNO)(37) e a elevaçãodaexpressãodepeptídiosvasoativos(17),possampredominar nestasituação.Entretanto,adespeitodeníveisaumentadosdeET-1 seremencontradosempacientescirróticos,nãoexistemevidências queconfirmemomecanismopropostodevasodilataçãosustentada. Enfatize-se,ainda,quesignificantenúmerodepacientescirróticos desenvolvehipertensãopulmonar(64).
MANIFESTAÇÕESCLÍNICAS
Asanormalidadesdaoxigenaçãoarterialempacienteshepatopatas, candidatosaTx,ocorremnumafreqüênciade45%a69%(38).Ahipoxemia daSHPapresentaumacaracterísticasingular,vistopoderserbastante acentuada(PaO2<55mmHg).
As características clínicas da SHP são bastante variadas e nem todassãoexclusivasdessaentidadenosológica.Acometetantoadultos, quantocrianças.Maisde80%dospacientescomasíndromemanifestam complicações da hepatopatia antes de apresentarem manifestações pulmonares(45),emboraexistamcasosemqueospacientespodemter sintomasrespiratóriosporváriosanosantesdeapresentaremqueixas dedoençahepática(24).
Adispnéia,queéosintomapulmonarmaisfreqüente,geralmenteé insidiosaepodeseragravadapeloexercício(5).Aplatipnéiaeortodeóxia, definidas,respectivamente,pordispnéiaedessaturaçãodaoxigenação arterialinduzidaspeloortostatismosãobastantecomuns,sobretudoa ortodeóxiaque,emboranãopatognomônica,sugereodiagnósticode SHP(19,46,54,75).Ajustificativaparaapioradadispnéianaposiçãoereta, deve-seaopredomíniodasDVIPnosterçosinferioresdospulmõesque, poraçãodagravidade,tornam-semaisperfundidas,comprometendo osmecanismosnormaisdeoxigenaçãoarterial(74).
O decréscimo da PaO2 com a mudança da posição supina para a ereta pode refletir, também, a importância do débito cardíaco na manutenção das trocas gasosas, visto que há redução do débito na posiçãoereta(10,25).
ParecenãohaverrelaçãoentreaSHPeasmedidasbioquímicas relativasaofígado(tempodeprotrombina,albumina,bilirrubinaeenzimas hepáticas),nemtampoucocomapresençadeasciteousangramento
gastrointestinal(45),maspodehaverassociaçãodiretaentreahipoxemia eograudasvarizesesofágicas(18).
Dentreosachadosdeexamefísicodestacam-se,compredominância, apresençadehipocratismodigitalecianose(19,46).Emboraohipocratismo digitalpossaserencontradoempacientessemaSHP,hárelatosda correlaçãoentreasuapresençaeaexistênciadeDVIP.Asaranhas vascularescutâneassãoachadosfreqüentesetêmsidoassociadasà presençadaSHP(77).Noexamefísicodotórax,nenhumaparticularidade éobservadaemrelaçãoàsíndrome.
Naexperiênciadosautoresdopresenteestudo,nenhumdosfatores clínico-demográficos,taiscomo,idade,sexo,tabagismo,etiologiadacirrose, classificaçãodeChild-Pugh,presençadeascite,hipocratismodigital,aranhas vascularesoudispnéia,teverelaçãocomamaiorfreqüênciadeSHPnos pacientescirróticos(59).Essedadosugerequeoutrosmétodosderastreamento, não-clínicos,devamserutilizadosparaodiagnósticodaSHP.
CLASSIFICAÇÃODASHP
KROWKAeCORTESE(44)propuseram,em1992,umaclassificação para SHP, baseada nos níveis de oxigenação arterial e nos achados angiográficos:
TipoI–pacientescomdilataçõespré-capilaresqueapresentamresposta satisfatóriaàadministraçãodeoxigênioa100%(PaO2>400mmHg). Emcasosmaisavançados,asdilataçõespodemassumiraspectodifuso compiorrespostaàsuplementaçãocomoxigênioa100%.
Tipo II– pacientes com pequenas e localizadas vasodilatações, semelhantes às MAV, que apresentam pobre resposta ao oxigênio a 100%;sendomenoscomumqueotipoI.
DIAGNÓSTICO
A apresentação clínica é geralmente pobre. Como abordado anteriormente, poucos parâmetros clínico-demográficos estão relacionadosàpresençadaSHP.Outroscritériossãonecessáriospara odiagnóstico,taiscomoagasometriaarterial,asprovasfuncionais respiratórias, o ecocardiograma com contraste, a cintilografia pulmonareaarteriografia.
PARÂMETROSGASOMÉTRICOS
UmdoscritériosparaodiagnósticodaSHPéapresençadealterações daoxigenaçãoarterial.Parainvestigaçãodessaalteração,utiliza-sea análisedosgasessangüíneosarteriais.Asgasometriasarteriaisobtidas com o paciente em repouso podem evidenciar hipoxemia definida arbitrariamenteporPaO2<70mmHgousaturaçãodeoxigênio(SatO2) menorouiguala92%(19,46).APaO
2podediminuirquandoopaciente écolocadoemposiçãoortostática(77).Noentanto,adeterminaçãodo gradientealvéolo-arterialdeoxigênio,porlevaremcontatambéma determinaçãodaPaCO2,permite,deformamaisacurada,avaliaras anormalidades da oxigenação arterial, visto que a só utilização da PaO2podesubestimaroverdadeirograudehipoxemia,quepodeestar mascaradodevidoàhiperventilaçãoeàcirculaçãohiperdinâmicados cirróticos(14,34,76).NoestudodeLIMA(59),quandocomparadoàPaO
um paciente da casuística, mostrando a baixa sensibilidade desse parâmetroparaodiagnósticodeSHP.Entretanto,apesardopequeno valordiagnóstico,observou-sequeamedianadaPaO2foimenornos pacientescomSHPquandocomparadosaossemasíndrome.Além disso, há tendência de menores níveis da PaO2 nos pacientes com maioresgrausdaDVIP.
ParaacorreçãodoP(A-a)O2pelaidade,utiliza-seaseguintefórmula sugeridaporMILLERetal.(66):
P(A-a)O2sentado=(0,27xidade)+7
ASatO2tambémpodeestardiminuídanospacientescomSHP.Na casuísticadeLIMA(59),pacientescomasíndromeapresentarammenor medianadeSatO2quandocomparadosàquelessemSHP.Apesarda significância estatística, as medianas de Sat O2 foram normais em ambos os grupos, dificultando a utilização desse parâmetro para o rastreamentodaSHP.
O teste de suplementação com oxigênio a 100% auxilia na distinção entre SHP tipo I, com predomínio de dilatações pré-capilaresdifusaserespostapróximaaonormaldaPaO2(>400mm Hg),apósaadministraçãodeoxigênioa100%,etipoII,determinada pelapresençadealteraçõessemelhantesàsMAV,piorprognóstico erespostainadequadaàadministraçãodeoxigênioa100%(44).Por definição,PaO2superiora500mmHgexcluiapresençadeshunt intrapulmonarverdadeiro.Respostamoderada(PaO2>300mmHg) nãoafastashuntintrapulmonarcomocausadahipoxemia.Ausência derespostaàsuplementaçãodeoxigênio(PaO2<100mmHg)deve levantarsuspeitadeshuntintracardíacoouintrapulmonar(23).Deve-se teremmentequeointrapulmonar(tantoanatômico,quantofisiológico) traduz-se,essencialmente,pornenhumamelhoraàsuplementação comoxigênioa100%.AsDVIPnãosãonecessariamenteshunts, naverdadeiraacepçãodapalavrae,portanto,podemresponderà suplementaçãodeoxigênioa100%.SegundoLIMA(59)dospacientes comSHP,apenas1/9apresentouPaO2inferiora400mmHg,após suplementaçãodeoxigênioa100%,oquesugereapresençadotipo IIdaSHP.Esseresultadoéconsistentecomosestudosfisiológicos que propõem a anormalidade difusão-perfusão (no qual haveria dificuldade,decorrentedadilataçãocapilarealtodébitocardíacodas hemáciasseremoxigenadas,comconseqüentealteraçãodastrocas gasosas)comoprincipaldefeitonadisfunçãodetrocasgasosasna SHP(5,33,41).Érecomendadoquepacientescomrespostasinferiores a 300 mm Hg sejam submetidos à arteriografia com o intuito de determinarapresençadotipoIIe,emcasosselecionados,realizar terapêuticacomembolização(51).
AVALIAÇÃOFUNCIONALRESPIRATÓRIA
Asmedidasdacapacidadevitalforçada(CVF)evolumeexpiratório forçadodeprimeirosegundo(VEF1),desdequeseconsiderepacientes semoutrasdoençascardíacasoupulmonares,sãoessencialmentenormais. Nãohá,igualmente,alteraçãodovolumeresidual(29,39,45).Amedidada difusãodegases,emespecialdomonóxidodecarbono(DLCO),pode demonstrar-sereduzida(45).
NacasuísticadeLIMA(59),aúnicaalteraçãofuncionalrespiratória presente nos pacientes com SHP foi a menor mediana de DLCO, emboratambémestivesseemníveisinferioresaosnormais(>80%do previsto)nospacientessemaSHPcomousemDVIP.Essesresultados reforçamarelaçãodaSHPcomomecanismofisiopatogênicoproposto
“defeitodifusão-perfusão”.MARTINEZetal.(63)demonstraramque níveisdiminuídosdeDLCOpoderiamserutilizadoscomocritériode avaliaçãocomplementarparaodiagnósticodaSHP,vistoseraplicável, reprodutível e não-invasivo. Opinião contrária foi defendida por KROWKA(53)aoquestionarque,seareduçãodaDL
COfosseumbom marcadordaSHP,esperar-se-iamelhoradaDLCOnopós-Tx,dado esse não confirmado por BATTAGLIA et al.(15) que, ao avaliarem pacientes com SHP apósTx, não demonstraram normalização da DLCO,a despeito de ter havido melhora nos demais parâmetros de oxigenaçãoarterial.Outroaspectoquecorroboraosdoisanteriores foirelatadoporHOURANIetal.(38)que,aoestudarem116pacientes candidatosaTx,observaramqueaanormalidadedaprovadefunção pulmonarmaiscomumfoiareduçãonaDLCO,presenteem52%dos pacientes.AsrazõesparaareduçãodaDLCOnãosãoclarasemmuitos casos,maspoderiamrefletirsutisanormalidadesalvéolo-capilares decorrentesdosefeitosdavasodilatação,volumeplasmáticoecirculação hiperdinâmica,presentesemgrandepartedoscirróticoscomdoença avançada(52).DeacordocomLIMA(59),aacuráciadiagnósticadaDL
CO (<80%doprevisto)foideapenas41%versus91%paraoP(A-a)O2 >20mmHg,sugerindoseressemarcadormelhorqueaDLCOparao diagnósticodaSHP.
Asradiografiasdetóraxfazempartedainvestigaçãodospacientes comSHP,poisfuncionamcomotriagemparaapresençadedoenças parenquimatosaspulmonaresedegrandesderramespleuraisquepodem contribuir para a hipoxemia. No entanto, geralmente são normais, podendoserobservadopadrãonodularreticular,principalmentenas bases pulmonares, sugestivo de doença intersticial. Esses achados sãocompatíveiscomasDVIPqueocorrempredominantementenas basesdospulmões(39,46).
Atomografiacomputadorizadadotóraxpodeevidenciarapresença deespessamentopleuraledilataçãodosvasospulmonares.Todavia, esse método não acresce maior esclarecimento na identificação da SHP(57).A ressonância magnética de tórax não parece ter valor no diagnósticodaSHP.
DILATAÇÕESVASCULARESINTRAPULMONARES(DVIP)
Aecocardiografiacomcontraste(ECC),acintilografiapulmonar commacroagregadosdealbuminamarcadoscomTecnécio(MAA99mTc) eaangiografiapulmonarsãoasmodalidadesdiagnósticasutilizadas nadetecçãodeDVIP.
Ecocardiografiacomcontraste(ECC)
shuntintracardíacoeDVIPdependedotempodeaparecimentodas microbolhasnoladoesquerdocardíacoapósaopacificaçãodolado direito.Noshuntintracardíacoasmicrobolhasserãovisualizadas emcavidadescardíacasesquerdasantesdoterceirociclocardíaco. JánapresençadeDVIPhaveráatrasoeotesteserápositivoquando ocorreropacificaçãodoátrioesquerdoemtrêsaseisciclosapós o seu aparecimento nas câmaras cardíacas direitas.A ECC, no entanto,éincapazdediferenciardilataçõespré-capilares,capilares, pleuraisecomunicaçõesarteriovenosas.
Aecocardiografiatransesofágicacomcontrastepodeaumentara sensibilidadededetecçãodevasodilataçãointrapulmonaremrelação àecocardiografiatranstorácica(91),vistopodermelhoraravisualização docoraçãoe,emespecial,adetecçãodeshuntintracardíacoatravés deforameovalpatente(8).Entretanto,émétodopoucoutilizadoporser invasivoedispendioso.
A ECC positiva (indicativa de DVIP) pode estar presente em mais de 40% de pacientes cirróticos sem anormalidades de trocas gasosas(gasometriaarterialeP(A-a)O2normais)(1),sugerindoqueleve vasodilataçãointrapulmonar,insuficienteparaalterarastrocasgasosase causarSHP,écomumemcirróticos.Ahistórianaturaldavasodilatação intrapulmonarnessespacientesédesconhecida.
A freqüência de DVIP na casuística de LIMA(59) foi de 45%. Entretanto,64%dospacientescomDVIPnãoapresentavamalterações daoxigenaçãoarterial,nãopreenchendooscritériosparaodiagnóstico deSHP,mostrandoaaltafreqüênciadeDVIPemcirróticossemSHP. DospacientessemSHP,34%apresentavamDVIP.Apositividadeda ECC,emcirróticos,éachadobastanteprevalentenaliteratura,com variaçãode13%a47%(43).Noentanto,amaioriadelesnãoapresenta alteraçõesdetrocasgasosas(1,19).Questiona-seseapositividadedaECC noscirróticoscomDVIPsemSHPpoderiacorresponderaexpressão subclínica da SHP. Devido à escassez de trabalhos prospectivos envolvendo esse grupo específico de pacientes, recomenda-se sua realização de modo a determinar se com o tempo evoluirão com anormalidadesdetrocasgasosas(1).
DeveserressaltadoqueumaECCpositivaempacientehipoxêmico comdoençapulmonarconcomitantenãoésuficienteparaestabelecero diagnósticodeSHP,porquetantoavasodilataçãointrapulmonar,comoo processopulmonardebase,podemserresponsáveispelasanormalidades detrocasgasosas.Nestasituação,acintilografiapulmonarpodeauxiliar nadiferenciaçãoentreambas.
CintilografiaPulmonarcomMAA
99mTc
ÉoutroestudodiagnósticoútilparaadetecçãodeDVIP(31,32,93).A maioriadosmacroagregadosdealbuminapossuidiâmetrosuperiora20 µm(maiores,portanto,queocapilarnormal)edeveriamficarimpactados na microcirculação intrapulmonar, permitindo a passagem de apenas 3%a6%dosmacroagregados(93).Adetecçãodeimagenspositivasna cintilografiapulmonarcomMAA99mTcsobrerinsecérebrosugeretanto DVIP,quantoshuntintracardíaco.Agrandevantagemdessemétodosobre aECCéasuamaiorespecificidadeemidentificarSHP,nacoexistência de doença pulmonar intrínseca(3). Cintilografia positiva em paciente hipoxêmico,comcirroseassociadaounãoaanormalidadesdeprova defunçãopulmonaroualteraçãodaradiografiadetórax,sugereque significativavasodilataçãointrapulmonarestápresentee,portanto,que aSHPestácontribuindocomasalteraçõesdetrocasgasosas.Entretanto, resultadonegativonãoexcluiodiagnósticodeSHP,porém,empaciente hipoxêmicocomvasodilataçãopulmonaredoençapulmonarintrínseca,
pode-sesugerirqueopapeldavasodilataçãocomocausadaanormalidade detrocagasosaémenosimportante.
AcintilografiapulmonarcomMAA99mTcpodeserutilizadapara quantificarafraçãodeshunteéútilnaavaliaçãodeseguimento e/ouresoluçãodadoença,alémdesermaisespecíficaqueaECC nodiagnósticodeSHPempacientescomhipoxemiamoderadaa grave(PaO2<60mmHg),sobretudonoscasosassociadosadoenças cardiopulmonares.Nessescasos,acintilografiapulmonarpermite inferiracontribuiçãodasalteraçõesvascularesnasanormalidades detrocasgasosas.
NotrabalhodeLIMA(59),apenas5%doscirróticosapresentaram cintilografiapulmonarcomMAA99mTcpositiva,todoscomSHP, sugerindoqueformasmaisgravesdeSHPnãosãofreqüentesem nosso meio.ABRAMS et al.(3), demonstraram correlação entre fração de shunt determinada pela cintilografia tanto com PaO2, quantocomP(A-a)O2,sugerindoseracintilografiacomMAA99mTc, um método capaz de avaliar de forma quantitativa a gravidade anatômicadasDVIP.
ArteriografiaPulmonar
Trata-sedemétododiagnósticoinvasivoe,porisso,menosutilizado paradetecçãodeDVIP.Apresentabaixasensibilidade,razãopelaqual semostrapoucoútilpararastreamentoeidentificaçãodasalterações vasculares da SHP. Permite distinguir entre tipo I e tipo II de SHP. Entretanto, muitos pacientes com SHP clinicamente significativa apresentam angiografia normal. Dentre as indicações desse método estão:1)autilizaçãoterapêuticanaquelesraroscasosdepacientescom SHPquenãorespondemàsuplementaçãodeoxigênioa100%,definida arbitrariamenteporPaO2<150mmHgeshuntsanatômicosdevidoàs lesõestipoIIquepodemsertratadascomembolização(73);2)naexclusão deemboliapulmonarcomocausadehipoxemianãoexplicada(42),e3)na investigaçãodehipertensãoportopulmonar,rara(<1%)complicaçãoda doençahepática(56,64),distintadaSHP.Emcontrasteaospacientescom hipertensãopulmonar,asmedidashemodinâmicasnaSHPrevelamnormal oubaixapressãodeartériapulmonareresistênciavascularpulmonar devidoàpequenaresistênciaoferecidapelasDVIP(5,25).
TentandotornarmaisclaraainvestigaçãodiagnósticadaSHP,ABRAMS etal.(3)propuseramaseguinteseqüênciadeinvestigação(Figura1).
CONSIDERAÇÕESTERAPÊUTICAS
A hipoxemia em pacientes com SHP responde, inicialmente, bem à suplementação com oxigênio a um fluxo baixo de 2 a 4 L/min, através de cateter nasal. Posteriormente, suplementação maiorpassaasernecessáriae,então,pode-seoferecê-laatravésde cânulatranstraqueal(46).
Farmacoterapia
Embora estas hipóteses ainda não tenham sido provadas, a utilização de medicamentos tem como objetivos: 1) antagonizar o efeitodesubstânciavasodilatadorapulmonarhipotética,e2)controlara vasodilataçãointrapulmonarpormeiodeadministraçãodesubstâncias vasoconstrictoraspulmonares.
Emrelaçãoaoarsenalfarmacológico,poucosrelatosbemsucedidos puderamserreproduzidoseconfirmados:
(isoproterenolefenilefrina)eaminofilinanatentativademelhora da oxigenação arterial. O uso de propranolol na cirrose não parecemodificaraoxigenaçãoarterial,adespeitodereduções nodébitocardíaco(6);
• bismesilatodealmitrina:aestadrogatemsidoatribuídaafunção deaumentaravasoconstricçãopulmonarhipóxicaempacientes comdoençapulmonarobstrutivacrônicaeemestudosanimais. SuautilizaçãonaSHPnãomostroubenefícios(41);
• bloqueadoresestrogênicos:arealizaçãodeestudoincluindo25 pacientescirróticose20controlesdemonstrouquearelaçãoestradiol etestosteronalivreséricosfoimaiornosindivíduoscomcirrose earanhasvasculares(72),sugerindoqueantagonistasestrogênicos (tamoxifeno)pudessemteraçãonotratamentodaSHP.Conquanto, aranhasvascularessejamcomunsempacientescomSHP,ainda não está determinado se modificações hormonais possam ter algumpapelnasvasodilataçõespulmonaresoucutâneas; • plasmaferese:aexperiênciadeKROWKAeCORTESE(42)comesta
modalidadeterapêuticaempacientescomcirroseehipóxia,não resultouemsucesso;
• inibidoresdasprostaglandinas:nãoháevidênciasdamelhorana oxigenaçãoarterialcomaadministraçãodeindometacina(10); • análogodasomatostatina(octreotide):apesardesugeridooefeito
dooctreotidenofechamentodeshuntsintrapulmonaresavaliados pelacintilografia,KROWKAetal.(45),bemcomoSCHWARTZe POUND(84),nãoobservarammelhoradaPaO
2apósaadministração
subcutâneadamedicação,nemtampoucomelhoradossintomase queixasdedispnéianospacientescomSHP;
• azuldemetileno:agenteoxidantequebloqueiaaestimulaçãoda guanilatociclasesolúvelpeloONe,conseqüentemente,seuefeito vasodilatador(67).Emboracomresultadosanimadores(82),estudos comcasuísticasmaioressãonecessários;
• outrassubstânciascomoaspirina(88),emaltasdoses,eoinibidor daSON(L-NAME)(16),tambémtêmsidocitadascomopossíveis opçõesterapêuticas;
• Alliumsativum:ABRAMSeFALLON(2)observaramumalimitada melhoradaoxigenaçãoarterialem6de15(40%)dospacientes comSHPapóstratamentocomalho.Amelhoranotadapareceter associaçãocomaalicina(componenteativodoalho)eocorreu, principalmente,empacientesjovensenaquelescommenorcaptação extrapulmonaràcintilografiapulmonar.
Atéopresentemomentonãohánenhumaintervençãofarmacológica que,consistentemente,melhoreaoxigenaçãoarterialealtereasDVIP associadasàSHP(35,85).
Shuntportossistêmicointra-hepáticotransjugular(TIPS)
Partindo-se da premissa de que a hipertensão portal é um dos fatores relacionados à fisiopatogênese da SHP, oTIPS, por atuar diretamentenomecanismodehipertensãoportal,foipropostocomo opçãoterapêutica.
TrêsrelatosdecasotêmsugeridoqueoTIPSpodemelhoraras trocasgasosasnaSHP.Entretanto,doisdelesapresentamlimitações: oprimeiro,devidoaocurtotempodeseguimentodospacientes(74), eosegundo,emfunçãodacoexistênciadehidrotóraxhepático(86). Oterceirodemonstroumelhoranaoxigenaçãoarterialapós6meses decolocaçãodoTIPS(9).Noentanto,houvepersistênciadasDVIP avaliadaspelacintilografiapulmonareaumentododébitocardíaco apósoTIPS.Essesachadossugeremqueamelhoradaoxigenação nãofoicausadapelareversãodasDVIPesim,maisprovavelmente, pormelhorredistribuiçãodofluxosangüíneopulmonarnasregiões comnormaisrelaçõesventilação–perfusão,induzidapeloaumentodo débitocardíaco,oquepropõeapossibilidadedeumefeitodeletério da colocação doTIPS naqueles pacientes incapazes de aumentar seudébitocardíaco.
Emoposição,CORLEYetal.(22)demonstraramaineficáciadoTIPS emumcasoemquenãohouvemelhoradaoxigenaçãoedoisoutros pacientescomTIPSfuncionantesquedesenvolveramSHP.
Embolizaçãoarterial
FELTetal.(27)relataramoprimeirocasodeembolizaçãoarterial utilizandomolas,empacientecomMAVehipoxemiarefratáriaassociadaà CH.Apósoprocedimento,houvemelhoradiscretadaPaO2aoarambiente esoboxigênioa100%.Apesarderelatodemelhoradaoxigenação comessatécnica(35),essespacientesnecessitamsercuidadosamente selecionados.Essaopçãoterapêuticaaplica-seespecialmenteaSHP tipoII(vasodilataçõeslocalizadassemelhantesaMAV)(73).Hádescrição dequelesõesdiscretaspossamaparecernumperíododemesesaanos após a embolização, sugerindo que a melhora da síndrome, com a utilizaçãodessaabordagem,podesertemporária(50).
TransplantedeFígado
AprimeiradescriçãodesucessodeTxempacientescomSHP foidescritaporSTARZLetal.(89),em1968.Registrarammelhorada
FIGURA1-InvestigaçãodiagnósticadaSHP(adaptadodeABRAMS
etal.(3))
Cirróticos hipoxêmicoss
Rxdetórax
normal Anormal(tratardoençadebase)Persistênciadahipoxemia
ECCePFP
(-)ECC (+)ECC
PFPnormal PFPanormal(+)ECC
SHP excluída
SHP Cintilografia
SHPprovável SHPleve?
sobrevidadetrêscrianças,umadelascomdiagnósticodecarcinoma hepatocelulareasdemaiscomatresiabiliarcomsignificanteshunt intrapulmonarehipoxemia.Até1988,ahipoxemiagraveaindase constituíaemcontra-indicaçãoaoTx.Váriosfatoresapoiaramessa restrição,taiscomo:aumentodamorbidadecirúrgica,necessidade de ventilação mecânica prolongada e todas as suas complicações inerentes, maior mortalidade, possível dano hepático ocasionado pelahipoxemianofígadotransplantadoeinfartocerebraldevidoà emboliagasosa(30,94).
Atualmente, as investigações têm mostrado que oTx pode resultaremresoluçãocompletadaSHPeahipoxemiaprogressiva éagoraconsideradaumadasindicaçõesdetransplanteemadultose crianças(15,21,26,48).LANGEeSTOLLER(55),relataramosresultados de 53 pacientes com SHP submetidos a transplante e desses, 41 (77,4%)apresentaramresoluçãodasíndrome.Entretanto,otempo para a normalização da hipoxemia arterial após o transplante é variável,podendolevaratémaisde1ano(70),considerandoahipótese deremodelamentovascular.
Umdospontoscruciaisnomanuseiodessespacientesduranteo transplante é uma eficaz e segura ventilação.A impossibilidade de oxigenaçãoadequadapodelevaropacienteaoóbitodeformadiretaou indireta,contribuindocomcomplicaçõesnopós-transplante(42,47).
Aqueles pacientes com pior resposta à suplementação de oxigênio, SHP tipo II (PaO2<150 mm Hg), parecem comportar maiorriscodemortalidadepós-transplante,aocontráriodotipo I,queteoricamenteapresentamaiorchancederesolução(46,55,78). Pacientes com grave hipoxemia (PaO2 <50 mm Hg) têm maior riscodemortalidadepós-transplante(estimadaem30%com90 dias de transplante)(13), apesar dos bons resultados obtidos por COLLISSONetal.(21).
Numatentativadeestratificarospacientescommaiorriscoparao transplante,algunsparâmetrosutilizadosparadeterminaragravidade daanormalidadedeoxigenaçãodevemserlevadosemconsideração: amensuraçãodaPaO2comO2inspiradoa100%,massobretudo,PaO2 ≤50mmHgeaquantificaçãodeshuntintrapulmonar≥20%(normal <6%)atravésdacintilografiapulmonar(11,26,48).
AsprincipaiscausasdemortalidadeperoperatóriaassociadasàSHP incluem a hipoxemia refratária, falência multiorgânica, hemorragia intracerebral,sepsesetrombosedeveiaporta(4,26,48).
Embora oTx tenha se tornado uma opção terapêutica para pacientes com SHP, há relatos na literatura da recurrência da síndromenopós-transplante(49).Noentanto,nessescasos,existe aassociaçãodarecrudescênciadacirrosecomodesenvolvimento daSHP.
REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS
1. Abrams GA, Fallon MB. Treatment of hepatopulmonary syndrome withAllium sativum(garlic).JClinGastroenterol1998;27:232-5.
2. AbramsGA,JaffeCC,HofferPB,BinderHJ,FallonMB.Diagnosticutilityofcontrast echocardiographyandlungperfusionscaninpatientswithhepatopulmonarysyndrome. Gastroenterology1995;109:1283-8.
3. AbramsGA,NandaNC,DubovskyEV,KrowkaMJ,FallonMB.Useofmacroaggregate albuminlungperfusionscantodiagnosehepatopulmonarysyndrome:anewapproach. Gastroenterology1998;114:305-10.
4. AbramsGA,RoseK,FallonMB,McGuireBM,BloomerJR,VanLeeuwenDJ,Tutton,T, SellersMT,EckhoffDE,BynonJrJS.Hepatopulmonarysyndromeandvenousembolicausing intracerebralhemorrhagesafterlivertransplantation.Transplantation1999;68:1809-11. 5. AgustiAG,RocaJ,BoschJ,Garcia-PaganJC,WagnerPD,Rodrigues-RoisinR.Effects
ofpropranololonarterialoxygenationandoxygentransporttotissuesinpatientswith cirrhosis.AmRevRespirDis1990;142:306-10.
6. AgustíAG,RocaJ,Rodriguez-RoisinR.Mechanismsofgasexchangeimpairmentin patientswithlivercirrhosis.ClinChestMed1996;17:49-66.
7. AgustíAG,RocaJ,Rodriguez-RoisinR,MastaiR,WagnerPD,BoschJ.Pulmonary
hemodynamicsandgasexchangeduringexerciseinlivercirrhosis.AmRevRespir Dis1989;139:485-91.
8. AllerR,MoyaJL,MoreiraV,BoixedaD,CanoA,PicherJ,Garcia-RullS,DeLuisDA. Diagnosisofhepatopulmonarysyndromewithcontrasttransesophagealechocardiography: advantagesovercontrasttransthoracicechocardiography.DigDisSci1999;44:1243-8. 9. AllgaierHP,HaagK,OchsA,HauensteinKH,JeserichM,KrauseT,HeilmannC,
GerokeW,RossleM.Hepato-pulmonarysyndrome:successfultreatmentbytransjugular intrahepaticportosystemicshunt(TIPS).JHepatol1995;23:102-5.
10. AndrivetP,CadranelJ,HoussetB,HerigaultR,HarfA,AdnotS.Mechanismsof impairedoxygenationinpatientswithlivercirrhosisandsevererespiratoryinsufficiency: effectsofindomethacin.Chest1993;103:500-7.
11. ArguedasMR,AbramsGA,KrowkaMJ,FallonMB.Prospectiveevaluationofoutcomes andpredictorsofmortalityinpatientswithhepatopulmonarysyndrome,undergoing livertransplantation.Hepatology2003;37:192-7.
12. AsbertM,GinesA,GinesP,JimenezW,ClariaJ,SalóJ,ArroyoV,RiveraF,RodésJ. Circulationlevelsofendothelinincirrhosis.Gastroenterology1993;104:1485-91. 13. BabbsC,WarnesTW,HaboubiNY.Non-cirrhoticportalhypertensionwithhypoxaemia.
Gut1998;29:129-31
14. BashourFA,MillerWF,ChapmanCB.Pulmonaryvenoarterialshuntinginhepaticcirrhosis includingacasewithcirsoidaneurysmofthethoracicwall.AmHeartJ1961;62:350-8.
LimaB,MartinelliA,FrançaAVC.Hepatopulmonarysyndrome.Pathogenesis,diagnosisandtreatment.ArqGastroenterol2004;41(4):250-8.
ABSTRACT–Background-Thehepatopulmonarysyndromeischaracterizedbyaclinicaltriadconsistingof:1)hepaticdiseaseand/orportalhypertension,2) intrapulmonaryvasculardilatations,and3)abnormalarterialoxygenations(partialoxygenpressure<70mmHgoranalveolar-arterialoxygengradient>20 mmHg).Itsfrequencyvariesaccordingtothediagnosticmethodsused.Objectives-Toreviewtheliteratureaboutthepathogeny,diagnosisandtreatment ofthehepatopulmonarysyndrome.Methods-AsurveyofthemorerelevantBrazilianandinternationalpublicationsonthehepatopulmonarysyndrome inMEDLINE.Results-Theprevalenceofthehepatopulmonarysyndromerangesfrom4%to17.5%dependingonthediagnosticcriteriaused.Themost commonlyassociatedliverdiseaseiscirrhosis.Thealveolar-arterialoxygengradientseemstobethebestparameterfortheassessmentoftheabnormalitiesof arterialoxygenation.Forthedetectionofintrapulmonaryvasculardilatations,contrastechocardiographyisthemethodofchoicebecauseitisofeasyexecution anditcandifferentiatebetweentheintrapulmonaryandintracardiaccommunications.Inthetreatmentofhepatopulmonarysyndrome,itwaspossibleto reproduceandconfirmfewsuccessfulreportsusingpharmacologicaltherapyand/orinterventionradiology.Atpresent,livertransplantationisconsideredto bethemaintherapeuticoptionforthesepatients,withencouragingresults.Conclusions-Thehepatopulmonarysyndromeisafrequentdiseasethatrequires bloodgasmeasurementsfordiagnosis.Livertransplantationisthetreatmentofchoiceforpatientswiththesyndrome.
15. BattagliaSE,PrettoJJ,IrvingLB,JonesRM,AngusPW.Resolutionofpulmonarygas exchangeabnormalitiesandintrapulmonaryshuntingfollowinglivertransplantation. Hepatology1997;25:1228-32.
16. BokerKHW,HoperM,LehmanM,FabelH,MannsMP.Effectofnitricoxidesynthase inhibitorL-NAMEonvascularresistanceandarterialoxygenationinpatientswith hepatopulmonarysyndrome[abstract].Hepatology1994;20Suppl:333A 17. BruneauBG,BoldAJ.Selectivechangesinnatriureticpeptideandearlyresponse
geneexpressioninisolatedratatriafollowingstimulationbystretchorendothelin-1. CardiovascRes1994;28:1519-25.
18. CarusoG,CatalanoD.Esophagealvaricesandhepatopulmonarysyndromeinliver cirrhosis.JHepatol1991;12:262-3.
19. CastroM,KrowkaMJ.Hepatopulmonarysyndrome.Apulmonaryvascularcomplication ofliverdisease.ClinChestMed1996;17:35-48.
20. ChiesaA, Ciappi G, Baldi L, Chiandussi L. Role of various causes of arterial desaturationinlivercirrhosis.ClinSci1969;37:803-14.
21. CollissonEA,NourmandH,FraimanMH,CooperCB,BellamyPE,FarmerDG,Vierling JM,GhobrialRM,BusuttilRW.Retrospectiveanalysisoftheresultsoflivertransplantation foradultswithseverehepatopulmonarysyndrome.LiverTranspl2002;8:925-31. 22. CorleyDA,ScharschmidtB,BassN,SonnembergK,GoldW.Lackofefficacyof
TIPSforhepatopulmonarysyndrome.Gastroenterology1997;113:728-31. 23. DavisIIHH,SchwartzDJ,LefrackSS,SusmanN,SchainkerBA.Alveolar-capillary
oxygendesequilibriuninhepaticcirrhosis.Chest1978;73:507-11.
24. DeOliveiraML,MoraesMF,PinheiroMA,DaGracaJP,AbecasisP.Hepatopulmonary syndrome.ActaMedicaPortuguesa1997;10:844-8.
25. EdellES,CorteseDA,KrowkaMJ,RehderK.Severehypoxemiaandliverdisease. AmRevRespirDis1989;140:1631-5.
26. EgawaH,KasaharaM,InomataY,UemotoS,AsonumaK,FugitaS,KiuchiT,Hayashi M,YonemuraT,YoshibayashiM,AdachiY,ShapiroJA,TanakaK.Long-termoutcome oflivingrelatedlivertransplantationforpatientswithintrapulmonaryshuntingand strategyforcomplications.Transplantation1999;67:712-7.
27. FeltRW,KozakBE,RoschJ,DuellBP,BarkerAF.Hepatogenicpulmonaryangiodysplasia treatedwithcoil-springembolization.Chest1987;91:920-2.
28. FlückigerM.VorkommenvontrommelschagelformigenFingerend-phalangenohne chronischeVeranderugenanderLungenoderamHerzen.WienMedWochenschr 1884;34:1457.
29. Garcia E, SilvérioAO, BrandãoABM, Moreira JS. Função pulmonar na cirrose hepática.JPneumol1997;23:225-30.
30. GartnerJC,ZitelliBJ,MalatackJJ,ShawBW,IwatsukiS,StarzlTE.Orthotopic liver transplantation in children: two-year experience with 47 patients. Pediatrics 1984;74:140-5.
31. GatesGF,OrmeHW,DoreEK.Cardiacshuntassessmentinchildrenwithmacroaggregated albumintechnetium-99m.Radiology1974;112:649-53.
32. GenovesiMG,TierneyDF,TaplinGV,EisembergH.Anintravenousradionuclide methodtoevaluatehypoxemiacausedbyabnormalalveolarvessels.Limitationof conventionaltechniques.AmRevRespirDis1976;114:59-65.
33. HedenstiernaG,SödermanC,EriksonLS,WahrenJ.Ventilation-perfusioninequality inpatientswithnon-alcoholiclivercirrhosis.EurRespirJ1991;4:711-7. 34. HeinemannHO,EmirgilC,MijnssenJP.Hyperventilationandhypoxemiaarterialin
cirrhosisoftheliver.AmJMed1960;28:239-46.
35. HervéP,LebrecD,BrenotF,SimmonneauG,HumbertM,SitbonO.Pulmonary vasculardisordersinportalhypertension.EurRespirJ1998;11:1153-66. 36. HindCR,WongCM.Detectionofpulmonaryarteriovenousfistulaeinpatientswith
cirrhosisbycontrast2Dechocardiography.Gut1981;22:1042-5.
37. HirataY,EmoriT,EguchiS,KannoK,ImaiT,OhtaK,MarumoF.Endothelinreceptor subtypeBmediatessynthesisofnitricoxidebyculturedbovineendothelialcells.J ClinInvest1993;91:1367-73.
38. HouraniJM,BellamyPE,TashkinDP,BatraP,SimmonsMS.Pulmonarydysfunction inadvancedliverdisease:frequentoccurrenceofanabnormaldiffusingcapacity.Am JMed1991;90:693-700.
39. JivaTM.Unexplainedhypoxemiainliverdisease:thehepatopulmonarysyndrome. JCritIlln1994;9:934-47.
40. KennedyTC, Knudson RJ. Exercise-aggravated hypoxemia and orthodeoxia in cirrhosis.Chest1977;72:305-9.
41. KrowkaMJ.Hepatopulmonarysyndrome:whatarewelearningfrominterventionalradiology, livertransplantation,andotherdisorders?Gastroenterology1995;109:1009-13. 42. Krowka MJ. Hepatopulmonary syndrome: recent literature (1997 to 1999) and
implicationsforlivertransplantation.LiverTranspl2000;6(4Suppl1):S31-5. 43. KrowkaMJ.Hepatopulmonarysyndromes.Gut2000;46:1-4.
44. KrowkaMJ.Pulmonarymanifestationsofchronicliverdisease.ClinPulmMed 2000;7:24-9.
45. KrowkaMJ.Caveatsconcerninghepatopulmonarysyndrome.JHepatol2001;34:756-8. 46. Krowka MJ, Cortese DA. Severe hypoxemia associated with liver disease: Mayo
clinicexperienceandtheexperimentaluseofalmitrinebismesylate.MayoClinProc 1987;62:164-73.
47. KrowkaMJ,CorteseDA.Hepatopulmonarysyndrome:anevolvingperspectivein theeraoflivertransplantation[editorial].Hepatology1990;11:138-42.
48. Krowka MJ, Cortese DA. Hepatopulmonary syndrome: classification by arterial oxygenationandpulmonaryangiographicappearance.Chest1992;124Suppl:124. 49. KrowkaMJ,CorteseDA.Hepatopulmonarysyndrome.Currentconceptsindiagnostic
andtherapeuticconsiderations.Chest1994;105:1528-37.
50. Krowka MJ, Dickson ER, Cortese DA. Hepatopulmonary syndrome: clinical observations and lack of therapeutic response to somatostatine analogue. Chest 1993;104:515-21.
51. KrowkaMJ,PoraycoMK,PlevakDJ,PappasCS,SteersJL,KromRAF,Wiesner RH.Hepatopulmonarysyndromewithprogressivehypoxemiaasanindication for liver transplantation: case reports and literature review. Mayo Clin Proc 1997;72:44-53.
52. KrowkaMJ,TajikJ,DicksonER,WiesnerRH,CorteseDA.Intrapulmonaryvascular dilatations (IPVD) in liver transplant candidates: screening by two-dimensional contrast-enhancedechocardiography.Chest1990;97:1165-70.
53. KrowkaMJ,WisemanGA,SteersJL,WiesnerRH.Laterecurrenceandrapidevolution ofseverehepatopulmonarysyndromeafterlivertransplantation.LiverTransplSurg 1999;5:451-3.
54. LangePA,StollerJK.Thehepatopulmonarysyndrome.AnnInternMed1995;122:521-9. 55. LangePA,StollerJK.Thehepatopulmonarysyndrome:effectoflivertransplantation.
ClinChestMed1996;17:115-23.
56. Lebrec D, Capron JP, Dheumeaux D, Benhamou JP. Pulmonary hypertension complicatingportalhypertension.AmRevRespirDis1979;120:849-56. 57. LeeKN,LeeHJ,ShinHH,WebbWR.Hypoxemiaandlivercirrhosis(hepatopulmonary
syndrome) in eight patients: comparison of the central e peripheral pulmonary vasculature.Radiology1999;211:549-53.
58. LeivasA,JimenezW,LamasS,Bosch-MarceM,OriolaJ,ClariaJ,ArroyoV,Rivera F,RodésJ.Endothelin-1doesnotplayamajorroleinthehomeostasisofarterial pressureincirrhoticratswithascites.Gastroenterology1995;108:1842-8. 59. LimaB.Prevalênciadasíndromehepatopulmonaremcirróticoscandidatosatransplante
defígado[dissertação].RibeirãoPreto:FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPretoda UniversidadedeSãoPaulo;2003.
60. LiuL,ZhangM,LuoB,AbramsGA,FallonMB.Biliarycystfluidfromcommonbile duct-ligatedratsstimulatesendothelialnitricoxidesynthaseinpulmonaryarteryendothelial cells:apotentialroleinhepatopulmonarysyndrome.Hepatology2001;33:722-7. 61. Luo B,Abrams GA, Fallon MB. Endothelin-1 in the rat bile duct ligation model
ofhepatopulmonarysyndrome:correlationwithpulmonarydisfunction.JHepatol 1998;29:571-8.
62. MartinezGP,BarberaJA,NavasaM,RocaJ,VisaJ,Rodriguez-RoisinR.Hepatopulmonary syndromeassociatedwithcardiorespiratorydisease.JHepatol1999;30:882-9. 63. MartinezGP,BarberaJA,VisaJ,RimolaA,PareJC,RocaJ,NavasaM,RodésJ,
Rodriguez-RoisinR.Hepatopulmonarysyndromeincandidatesforlivertransplantation. JHepatol2001;34:651-4.
64. McDonnellPJ,ToyePA,HutchinsGM.Primarypulmonaryhypertensionandcirrhosis: aretheyrelated?AmRevRespirDis1983;127:437-41.
65. Meltzer RS,Tickner EG, Popp RL.Why do the lungs clear ultrasonic contrast? UltrasoundMedBiol1980;6:263-9.
66. MillerWF, Scacci R, Gast LR. Laboratory evaluation of pulmonary function. Philadelphia:Lippincott;1987.
67. MoncadaS,PalmerRM,GryglewskiRJ.Mechanismsofactionofsomeinhibitorsof endothelium-derivedrelaxingfactor.ProcNatlAcadSciUSA1986;83:9164-8. 68. MooreK,WendonJ,FrazerM,KaraniJ,WilliansR,BadrK.Plasmaendothelinimmunoreactivity
inliverdiseaseandthehepatorenalsyndrome.NEnglJMed1992;327:1774-8. 69. ParolinMB,CoelhoJCU,PuccineliV,SchulzGJ,SouzaAM,BarrosJA.Prevalênciadasíndrome
hepatopulmonaremcandidatosatransplantehepático.ArqGastroenterol2002;39:11-6. 70. PhilitF,WiesendangerT,GilleD,BoillotO,CordierJ.Lateresolutionofhepatopulmonary
syndromeafterlivertransplantation.Respiration1997;64:173-5.
71. Pinzani M, Milani S, DeFranco R, Grappone C, CaligiuriA, GentiliniA,Tosti-GuerraC,MaggiM,FailliP,RuoccoC,GentiliniP.Endothelin-1isoverexpressed inhumancirrhoticliverandexertsmultipleeffectsonactivatedhepaticstellatecells. Gastroenterology1996;110:534-48.
72. PirovinoM,LinderR,BossC,KöchliHP,MahelerF.Cutaneousspiderneviinlivercirrhosis: capillary,microscopicalandhormonalinvestigations.KlinWochenschr1988;66:298-302. 73. PoteruchaJJ,KrowkaMJ,DicksonER,CorteseDA,StansonAW,KromRAF.Failure
ofhepatopulmonarysyndrometoresolveafterlivertransplantationandsuccessful treatmentwithembolotherapy.Hepatology1995;21:96-100.
74. RieglerJL,LangKA,JohnsonSP,WestermanJH.Transjugularintrahepaticportosystemic shunt improves oxygenation in hepatopulmonary syndrome. Gastroenterology 1995;109:978-83.
75. RobinED,LamanD,HornBR,TheodoreJ.Platypnearelatedtoorthodeoxiacaused bytruevascularlungsshunts.NEnglJMed1976;294:941-3.